Texto para a próxima questãO (Cesgranrio 91) cinzas da inquisiçÃO



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O equivalente tecnológico da separação dos saberes foi a linha de montagem. Nesta, cada um conhece apenas uma fase do trabalho. Privado da satisfação de ver o produto acabado, cada um é também liberado de qualquer responsabilidade. Poderia produzir venenos, sem que o soubesse - e isso ocorre com freqüência. Mas a linha de montagem permite também fabricar aspirina em quantidade para o mundo todo. E rápido. Tudo se passa num ritmo acelerado, desconhecido dos séculos anteriores. Sem essa aceleração, o Muro de Berlim poderia ter durado milênios, como a Grande Muralha da China. É bom que tudo se tenha resolvido no espaço de trinta anos, mas pagamos o preço dessa rapidez. Poderíamos destruir o planeta num dia.

Nosso século foi o da comunicação instantânea, presenciou o triunfo da ação à distância. Hoje, aperta-se um botão e entra-se em comunicação com Pequim. Aperta-se um botão e um país inteiro explode. Aperta-se um botão e um foguete é lançado a Marte. A ação à distância salva numerosas vidas, mas irresponsabiliza o crime.

Ciência, tecnologia, comunicação, ação à distância, princípio da linha de montagem: tudo isso tornou possível o Holocausto. A perseguição racial e o genocídio não foram uma invenção de nosso século; herdamos do passado o hábito de brandir a ameaça de um complô judeu para desviar o descontentamento dos explorados. Mas o que torna tão terrível o genocídio nazista é que foi rápido, tecnologicamente eficaz e buscou o consenso servindo-se das comunicações de massa e do prestígio da ciência.

Foi fácil fazer passar por ciência uma teoria pseudocientífica porque, num regime de separação dos saberes, o químico que aplicava os gases asfixiantes não julgava necessário ter opiniões sobre a antropologia física. O Holocausto foi possível porque se podia aceitá-lo e justificá-lo sem ver seus resultados. Além de um número, afinal restrito, de pessoas responsáveis e de executantes diretos (sádicos e loucos), milhões de outros puderam colaborar à distância, realizando cada qual um gesto que nada tinha de aterrador.

Assim, este século soube fazer do melhor de si o pior de si. Tudo o que aconteceu de terrível a seguir não foi se não repetição, sem grande inovação.

O século do triunfo tecnológico foi também o da descoberta da fragilidade. Um moinho de vento podia ser reparado, mas o sistema do computador não tem defesa diante da má intenção de um garoto precoce. O século está estressado porque não sabe de quem se deve defender, nem como: somos demasiado poderosos para poder evitar nossos inimigos. Encontramos o meio de eliminar a sujeira, mas não o de eliminar os resíduos. Porque a sujeira nascia da indigência, que podia ser reduzida, ao passo que os resíduos (inclusive os radioativos) nascem do bem-estar que ninguém quer mais perder. Eis porque nosso século foi o da angústia e da utopia de curá-la.

Espaço, tempo, informação, crime, castigo, arrependimento, absolvição, indignação, esquecimento, descoberta, crítica, nascimento, vida mais longa, morte... tudo em altíssima velocidade. A um ritmo de STRESS. Nosso século é o do enfarte.

(Adaptado de Umberto Eco, Rápida Utopia. VEJA, 25 anos, Reflexões para o futuro. São Paulo, 1993).


41. A frase em que a concordância verbal respeita a norma culta é:

a) Não basta, para entendermos o século XX, referências às conquistas tecnológicas e científicas.

b) Foi herdado do passado muitos traços dos comportamentos atuais, inclusive o que permitiu, neste século, a perseguição aos judeus.

c) Quanto mais separados os saberes, mais se fortalecerá, com toda certeza, os que estão no poder.

d) Colocam-se em questão, neste século, aspectos importantes acerca da sobrevivência do planeta.

e) Decorre do bem-estar - de que ninguém mais quer abrir mão - vários dos problemas que hoje atingem a humanidade.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Uerj 2000) (...) publicou-se há dias o recenseamento do Império, do qual se colige que 70% da nossa população não sabem ler.

1 Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases; o algarismo não tem frases, nem retórica.

2 Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país, dirá:

3 - Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos.

4 A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade:

5 - A nação não sabe ler. Há só 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não lêem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles; é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber porque nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, - por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado.

6 Replico eu:

7 - Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições...

8 -As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: "consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação"; mas - "consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%". A opinião pública é uma metáfora sem base; há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: "Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem..." dirá uma coisa extremamente sensata.

9 E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento.

(ASSIS, Machado de. "Obra Completa". Rio de Janeiro: Nova Aquilar, vol. 111, 1969.)


42. Observe a concordância verbal nos trechos abaixo:
70% da nossa população não sabem ler

9% não lêem letra de mão (par.5)

70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram (par.5)

os 30% nos ouvem (par.8)


Sobre o assunto, assim se expressa Evanildo Bechara:
"Nas linguagens modernas em que entram expressões numéricas de porcentagem, a tendência é fazer concordar o verbo com o termo preposicionado que especifica referência numérica."

(BECHARA, Evanildo. "Moderna gramática português". Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.)


Considerando essa lição gramatical, pode-se concluir que também estaria adequada a seguinte construção:

a) 70% do nossa população não sabe ler

b) 9% não lê letra de mão

c) 70% dos cidadãos vota do mesmo modo que respira

d) os 30% nos ouve
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrs 2001) ¢Desenvolveu-se nos Estados Unidos, nos £meios intelectuais ¤que defendem as minorias, a idéia do "politicamente correto" - ou seja, a substituição de termos com conotação preconceituosa por outros carregados de positividade. Assim, a própria palavra "negro" não seria desejável, devendo-se preferir "afro-americano". O mesmo vale para ¥várias outras palavras, como "deficiente", "solteirão" - em suma, todo termo que possa dar a entender uma falha, um defeito. E isso se acentua quando comunidades fortes - como os homossexuais da Califórnia - interferem em roteiros de filmes, ou ¦quando §figuras históricas são condenadas mediante critérios morais fora de ¨sua época (como sucedeu quando um condado da Luisiana resolveu que nenhuma ©escola ªpública de ¢¡sua jurisdição deveria ostentar o nome de quem tivesse ¢¢possuído escravos - o que eliminava, por exemplo, Thomas Jefferson). ¢£Tudo isso parece exagerado e, no Brasil, é apresentado como ridículo............., há que destacar o que é positivo no chamado politicamente correto: a idéia - óbvia para qualquer lingüista, psicólogo ou psicanalista - de que a linguagem não é neutra, mas expressa, produz e reproduz uma visão de mundo. Se a linguagem não se limita a traduzir fatos, mas tende a expressar o¢¤pontos de vista, ¢¥é preciso expô-los e eventualmente combatê- ¢¦los. Aqui ¢§está o que a zombaria contra ¢¨o politicamente correto dissimula: ¢©ele reage contra velhas idéias conservadoras. O que dizem ainda hoje nossos livros escolares, a despeito de elogiáveis iniciativas (inclusive oficiais), sobre o negro e o índio? Quantos preconceitos não rodam por ¢ªaí, moldando a mente das criança assim como moldaram as nossas? Antes de se zombar dos exageros de certos movimentos norte - americanos, não seria preciso romper cumplicidade que ata nossa opinião pública a quem incita à violência nas rádios matutinas, a quem ridiculariza e humilha a mulher nos programas de humor? Se alguma £¡cultura pode dar-se ao luxo de achar £¢risível o excesso nos direitos humanos, ££não é £¤a nossa, £¥certamente.

(Adaptado de: RIBEIRO, R.J. "A sociedade contra o social". São Paulo: Cia das Letras, 2000.)
43. Se substituíssemos a expressão "Tudo isso" (ref. 12) por "Esses fatos", quantas outras palavras da frase teriam de sofrer ajustes de concordância?

a) Uma.


b) Duas.

c) Três.


d) Quatro.

e) Cinco
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Faap 96) SONETO DE SEPARAÇÃO
De repente do riso fez-se o pranto

Silencioso e branco como a bruma

E das bocas unidas fez-se a espuma

E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama

E da paixão fez-se o pressentimento

E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente

Fez-se de triste o que se fez amante

E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante

Fez-se da vida uma aventura errante

De repente, não mais que de repente.

(Vinícius de Morais)


44. "De repente da calma fez-se o vento

Que dos olhos desfez a última chama"


Com a palavra VENTO no plural escreveríamos obrigatoriamente assim:

a) De repente da calma fez-se os ventos / Que dos olhos defizeram a última chama

b) De repente da calma fizeram-se os ventos / Que dos olhos desfez a última chama

c) De repente da calma fizeram-se os ventos / Que dos olhos desfizeram a última chama

d) De repente da calma fez-se os ventos / Que dos olhos desfez a última chama

e) De repente da calma fazem-se os ventos / Que dos olhos desfaz a última chama


45. "Fez-se de triste "o" que se fez amante".
Com a palavra entre aspas no plural, escreveríamos obrigatoriamente assim:

a) Fizeram-se de tristes os que se fizeram amantes

b) Fizeram-se de triste os que se fez amante

c) Fez-se de triste os que se fizeram amantes

d) Fez-se de triste os que se fez amante

e) Fez-se de tristes os que se fizeram amantes


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrs 97) ¢Apesar de não termos ilusões quanto ao caráter das nossas elites, existia uma certa resistência a essa espécie de niilismo a que o Brasil nos leva. £Os escândalos na área financeira estão acabando até com isso. ¤Fica cada vez mais difícil espantar os burgueses. ¥Os burgueses não se espantam com mais nada. ¦Alguns talvez se surpreendam quando ouvem um filho pequeno ou um neto repetindo uma letra dos Mamonas, mas nestes casos o espanto é divertido, ou pelo menos resignado. §A necessidade de se ser absolutamente claro sobre que tipos de atividade sexual causam AIDS e como fazer para preveni-la acabou com qualquer preocupação da imprensa e da propaganda com o pundonor (grande palavra) alheio, embora ainda façam alguns rodeios. ¨A linguagem ficou mais leve, ficamos menos hipócritas. ©Burgueses epatáveis ainda existem, mas o acúmulo de agressões a seus ouvidos e pruridos os insensibilizou e hoje, se reagem, não é em público.

(VERÍSSIMO, L. F. CONLUIO. Porto Alegre: Extra Classe, junho/julho de 1996. p.3).
46. Observe as seguintes afirmações sobre concordância.
I - Caso a palavra ALGUNS no 5Ž período fosse substituída por ALGUÉM, apenas dois verbos deveriam sofrer ajustes para fins de concordância.

II - Caso tivéssemos O BURGUÊS ao invés de BURGUESES no 8Ž período, quatro outras palavras deveriam sofrer ajustes para fins de concordância.

III - Caso a seqüência, da IMPRENSA e da PROPAGANDA (6Ž período) fosse substituída por da MÍDIA, o verbo FAÇAM (6Ž período) deveria sofrer ajuste para fins de concordância.
Quais estão corretas?

a) Apenas I

b) Apenas I e II

c) Apenas I e III

d) Apenas II e III

e) I, II e III


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.

(Uel 98) Assinale, a letra correspondente à alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase apresentada.


47. ......desse jeito, as salas e os quartos do Educandário......... muito mal........a comitiva do Governador.
a) Desarrumados - deixarão - impressionada

b) Desarrumados - deixarão - impressionados

c) Desarrumadas - deixará - impressionados

d) Desarrumado - deixarão - impressionada

e) Desarrumado - deixará - impressionada
48. Não se.........quantos automóveis.........haver na capital em 2010; o que.........os urbanistas é que o planejamento viário deve começar hoje.
a) sabem - deverão - sabem

b) sabe - deverá - sabem

c) sabe - deverá - sabe

d) sabe - deverão - sabem

e) sabem - deverá - sabe
49. ........de quatro meses aquela seca, em que nenhum dos agricultores........colher sequer um terço do que se........imaginado.
a) Foram - conseguiu - haviam

b) Foi - conseguiram - haviam

c) Foi - conseguiu - haviam

d) Foram - conseguiram - havia

e) Foi - conseguiu - havia
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Puccamp 95) A questão da descriminalização das drogas se presta a freqüentes simplificações de caráter maniqueísta, que acabam por estreitar um problema extremamente complexo, permanecendo a discussão quase sempre em torno da droga que está mais em evidência.

Vários aspectos relacionados ao problema (abuso das chamadas drogas lícitas, como medicamentos, inalação de solventes, etc.) ou não são discutidos, ou não merecem a devida atenção. A sociedade parece ser pouco sensível, por exemplo, aos problemas do alcoolismo, que representa a primeira causa de internação da população adulta masculina em hospitais psiquiátricos. Recente estudo epidemiológico realizado em São Paulo apontou que 8% a 10% da população adulta apresentavam problemas de abuso ou dependência de álcool. Por outro lado, a comunidade mostra-se extremamente sensível ao uso e abuso de drogas ilícitas, como maconha, cocaína, heroína, etc.

Dois grupos mantêm acalorada discussão. O primeiro acredita que somente penalizando traficantes e usuários pode-se controlar o problema, atitude essa centrada, evidentemente, em aspectos repressivos.

Essa corrente atingiu o seu maior momento logo após o movimento militar de 1964. Seus representantes acreditam, por exemplo, que "no fim da linha" usuários fazem sempre um pequeno comércio, o que, no fundo, os igualaria aos traficantes, dificultando o papel da Justiça. Como solução, apontam, com freqüência, para os reconhecidamente muito dependentes, programas extensos a serem desenvolvidos em fazendas de recuperação, transformando o tratamento em um programa agrário.

Na outra ponta, um grupo "neoliberal" busca uma solução nas regras do mercado. Seus integrantes acreditam que, liberando e taxando essas drogas através de impostos, poderiam neutralizar seu comércio, seu uso e seu abuso. As experiências dessa natureza em curso em outros países não apresentam resultados animadores.

Como uma terceira opção, pode-se olhar a questão considerando diversos ângulos. O usuário eventual não necessita de tratamento, deve ser apenas alertado para os riscos. O dependente deve ser tratado, e, para isso, a descriminalização do usuário é fundamental, pois facilitaria muito seu pedido de ajuda. O traficante e o produtor devem ser penalizados. Quanto ao argumento de que usuários vendem parte do produto: é fruto de desconhecimento de como se dão as relações e as trocas entre eles.

Duplamente penalizados, pela doença (dependência) e pela lei, os usuários aguardam melhores projetos, que cuidem não só dos aspectos legais, mas também dos aspectos de saúde que são inerentes ao problema.

(Adaptado de Marcos P. T. Ferraz, Folha de São Paulo)
50. Como uma terceira opção, pode-se olhar a questão considerando diversos ângulos.
A concordância do verbo com o sujeito na frase anterior justifica-se pela mesma razão que determina a concordância verbal em:

a) A sociedade parece ser pouco sensível, por exemplo, aos problemas do alcoolismo.

b) Vários aspectos relacionados ao problema não merecem a devida atenção.

c) Por outro lado, a comunidade mostras-se extremamente sensível ao uso e abuso de drogas ilícitas, como maconha, cocaína, heroína, etc.

d) Discute-se muito sobre a questão da descriminalização das drogas.

e) Em recente estudo epidemiológico realizado em São Paulo, apontou-se esse alto índice de dependentes de álcool.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Cesgranrio 91) A S. PAULO


1 Terra da liberdade!

2 Pátria de heróis e berço de guerreiros,

3 Tu és o louro mais brilhante e puro,

4 O mais belo florão dos Brasileiros!


5 Foi no teu solo, em borbotões de sangue

6 Que a fronte ergueram destemidos bravos,

7 Gritando altivos ao quebrar dos ferros:

8 Antes a morte que um viver de escravos!


9 Foi nos teus campos de mimosas flores,

10 À voz das aves, ao soprar do norte,

11 Que um rei potente às multidões curvadas

12 Bradou soberbo - Independência ou morte!


13 Foi de teu seio que surgiu, sublime,

14 Trindade eterna de heroísmo e glória,

15 Cujas estátuas, - cada vez mais belas,

16 Dormem nos templos da Brasília história!


17 Eu te saúdo, ó majestosa plaga,

18 Filha dileta, - estrela da nação,

19 Que em brios santos carregaste os cílios

20 À voz cruenta de feroz Bretão!


21 Pejaste os ares de sagrados cantos,

22 Ergueste os braços e sorriste à guerra,

23 Mostrando ousada ao murmurar das turbas

24 Bandeira imensa da Cabrália terra!


25 Eia! - Caminha o Partenon da glória

26 Te guarda o louro que premia os bravos!

27 Voa ao combate repetindo a lenda:

28 - Morrer mil vezes que viver escravos!


(Fagundes Varela, O ESTANDARTE AURIVERDE. ln:___. POESIAS COMPLETAS. São Paulo, Edição Saraiva, 1956, p. 85-86.)
51. Assinale a opção em que a concordância nominal indicada entre parênteses NÃO é aceita pela NORMA CULTA:

a) Aprecio a cultura e a história .......... . (européia)

b) Procure sempre comprar jornais e revistas .......... . (brasileiros)

c) Esses meninos estão com os pés e as mãos .......... . (sujas)

d) Encontrei ........... as cadeiras e o sofá. (reformadas)

e) Essa professora contou-nos .......... lendas e contos. (antigos)


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Ufv 2002) PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS - PCNs


1 Na perspectiva de uma didática voltada para a produção e interpretação de textos, a atividade metalingüística deve ser instrumento de apoio para a discussão dos aspectos da língua que o professor seleciona e ordena no curso do ensino-aprendizagem.

2 Assim, não se justifica tratar o ensino gramatical desarticulado das práticas de linguagem. É o caso, por exemplo, da gramática que, ensinada de forma descontextualizada, tornou-se emblemática de um conteúdo estritamente escolar, do tipo que só serve para ir bem na prova e passar de ano - uma prática pedagógica que vai da metalíngua para a língua por meio de exemplificação, exercícios de reconhecimento e memorização de terminologia. Em função disso, discute-se se há ou não necessidade de ensinar gramática. Mas essa é uma falsa questão: a questão verdadeira é o que, para que e como ensiná-la.

3 Deve-se ter claro, na seleção dos conteúdos de análise lingüística, que a referência não pode ser a gramática tradicional. A preocupação não é reconstruir com os alunos o quadro descritivo constante dos manuais de gramática escolar (por exemplo, o estudo ordenado das classes de palavras com suas múltiplas subdivisões, a construção de paradigmas morfológicos, como as conjugações verbais estudadas de um fôlego em todas as suas formas temporais e modais, ou de pontos de gramática, como todas as regras de concordância, com suas exceções reconhecidas).

4 O que deve ser ensinado não responde às imposições de organização clássica de conteúdos na gramática escolar, mas aos aspectos que precisam ser tematizados em função das necessidades apresentadas pelos alunos nas atividades de produção, leitura e escuta de textos.

5 O modo de ensinar, por sua vez, não reproduz a clássica metodologia de definição, classificação e exercitação, mas corresponde a uma prática que parte da reflexão produzida pelos alunos mediante a utilização de uma terminologia simples e se aproxima, progressivamente, pela mediação do professor, do conhecimento gramatical produzido. Isso implica, muitas vezes, chegar a resultados diferentes daqueles obtidos pela gramática tradicional, cuja descrição, em muitos aspectos, não corresponde aos usos atuais da linguagem, o que coloca a necessidade de busca de apoio em outros materiais e fontes.

6 [...] não se pode mais insistir na idéia de que o modelo de correção estabelecido pela gramática tradicional seja o nível padrão de língua ou que corresponda à variedade lingüística de prestígio. Há, isso sim, muito preconceito decorrente do valor atribuído às variedades padrão e ao estigma associado às variedades não-padrão, consideradas inferiores ou erradas pela gramática. Essas diferenças não são imediatamente reconhecidas e, quando são, não são objeto de avaliação negativa.

7 Para cumprir bem a função de ensinar a escrita e a língua padrão, a escola precisa livrar-se de vários mitos: o de que existe uma forma "correta" de falar, o de que a fala de uma região é melhor do que a de outras, o de que a fala "correta" é a que se aproxima da língua escrita, o de que o brasileiro fala mal o português, o de que o português é uma língua difícil, o de que é preciso "consertar" a fala do aluno para evitar que ele escreva errado.

8 Essas crenças insustentáveis produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala que identifica o aluno a sua comunidade, como se esta fosse formada de incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde a nenhuma de suas variedades, por mais prestígio que uma delas possa ter. Ainda se ignora um princípio elementar relativo ao desenvolvimento da linguagem: o domínio de outras modalidades de fala e dos padrões de escrita (e mesmo de outras línguas) não se faz por substituição, mas por extensão da competência lingüística e pela construção ativa de subsistemas gramaticais sobre o sistema já adquirido.

9 No ensino-aprendizagem de diferentes padrões de fala e escrita, o que se almeja não é levar os alunos a falar certo, mas permitir-lhes a escolha da forma de fala a utilizar, considerando as características e condições do contexto de produção, ou seja, é saber adequar os recursos expressivos, a variedade de língua e o estilo às diferentes situações comunicativas: saber coordenar satisfatoriamente o que fala ou escreve e como fazê-lo; saber que modo de expressão é pertinente em função de sua intenção enunciativa - dado o contexto e os interlocutores a quem o texto se dirige. A questão não é de erro, mas de adequação às circunstâncias de uso, de utilização adequada da linguagem.




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