Texto para a próxima questãO



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Que miséria! Eu não escuto

A nota do uirapuru!...

Tenho de ver por tabela,

Sentir pelo que me contam,

Você, seringueiro do Acre,

Brasileiro que nem eu.

Na escureza da floresta

Seringueiro, dorme.
(...)
Mas porém é brasileiro,

Brasileiro que nem eu...

Fomos nós dois que botamos

Pra fora Pedro II...

Somos nós dois que devemos

Até os olhos da cara

Pra esses banqueiros de Londres...

Trabalhar nós trabalhamos

Porém pra comprar as pérolas

Do pescocinho da moça

Do deputado Fulano.

Companheiro, dorme!


Porém nunca nos olhamos

Nem ouvimos e nem nunca

Nos ouviremos jamais...

Não sabemos nada um do outro,

Não nos veremos jamais!
(...)
Nem você pode pensar

Que algum outro brasileiro

Que seja poeta no sul

Ande se preocupando

Com o seringueiro dormindo,

Desejando pro que dorme

O bem da felicidade...

Essas coisas pra você

Devem ser indiferentes,

Duma indiferença enorme...

Porém eu sou seu amigo

E quero ver si consigo

Não passar na sua vida

Numa indiferença enorme.

Meu desejo e pensamento

(... numa indiferença enorme...)

Ronda sob as seringueiras

(... numa indiferença enorme...)

Num amor-de-amigo enorme...
Seringueiro, dorme!

Num amor-de-amigo enorme

Brasileiro, dorme!

Brasileiro, dorme.

Num amor-de-amigo enorme

Brasileiro, dorme.


Brasileiro, dorme,

Brasileiro... dorme...


Brasileiro... dorme...
(ANDRADE, Mário de. "Poesias completas". São Paulo: Livraria Martins, 1980.)
22. O uso do vocativo é uma das marcas, no poema, do desejo de comunicação do eu poético.

O vocativo inicial "Seringueiro brasileiro" é substituído, ao longo do texto, por "seringueiro", "companheiro" e, finalmente, por "brasileiro", enfaticamente repetido ao final.

Esse recurso formal da repetição, no encerramento do texto, é empregado para:

a) construir um desfecho inesperado

b) reafirmar uma identidade específica

c) destacar uma característica implícita

d) assinalar uma contradição crescente
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.

(Uepg 2001) Delírio de voar


Nos dez primeiros anos deste século havia uma mania pop em Paris - voar. As formas estranhas dos aeroplanos experimentais invadiam as páginas dos jornais. Cada proeza dos aviadores era narrada em detalhe. Os parisienses acompanhavam fascinados as audácias dos aviadores, uma elite extravagante de jovens brilhantes, cultos e elegantes, realçada por vários milionários e pelo interesse das moças. Multidões lotavam o campo de provas de Issy-les-Molincaux. Os pilotos e os inventores eram reconhecidos nas ruas e homenageados em restaurantes. Todo dia algum biruta apresentava uma nova máquina, anunciava um plano mirabolante e desafiava a gravidade e a prudência.

Paris virara a capital mundial da aviação desde a fundação do Aéro-Club de France, em 1898. Depois da difusão dos grandes balões, em 1880, e dos dirigíveis inflados a gás, em 1890 - os chamados "mais leves que o ar", chegara a hora dos aparelhos voadores práticos, menores e controláveis - os "mais pesados que o ar". Durante muito tempo eles foram descartados como impossíveis, mas agora as pré-condições haviam mudado. A tecnologia da aerodinâmica, da engenharia de estruturas, do desenho de motores e da química de combustíveis havia chegado a um estágio de evolução inédito. Combinadas, permitiam projetar máquinas inimaginadas.

Simultaneamente, por caminhos paralelos, a fotografia dera um salto com a invenção dos filmes flexíveis, em 1889. Surgiram câmeras modernas, mais sensíveis à luz, mais velozes e fáceis de manejar. Em conseqüência, proliferaram os fotógrafos profissionais e amadores. Eles não só registraram cada passo da infância da aviação como também popularizaram-na. Transportados pelos jornais, os feitos dos pioneiros estimularam a vocação de muitos jovens candidatos a aviador. A mídia glamourizou a ousadia de voar.

.........................................................................................

Inventar aviões era um ofício diletante e nada rendoso - ainda. Exigia recursos financeiros para construir aparelhos, contratar mecânicos, oficinas e hangares. Dinheiro nunca faltou ao brasileiro Alberto Santos-Dumont, filho de um rico fazendeiro mineiro, ou ao engenheiro e nobre francês marquês d'Ecquevilley-Montjustin. Voar era um ideal delirante e dândi. Uma glória para homens extraordinários.

(SUPERINTERESSANTE, junho/99, p.36)


23. Tendo em vista aspectos morfológicos e morfossintáticos, escolha as alternativas corretas.
01) Em "Surgiram câmeras modernas, mais sensíveis à luz, mais velozes e fáceis de manejar", o termo "à luz" é chamado de complemento nominal pois complementa o sentido do nome "sensíveis".

02) Em "Surgiram câmeras modernas, mais SENSÍVEIS à luz, mais VELOZES e FÁCEIS de manejar", os três vocábulos destacados são adjetivos.

04) Em "Cada proeza dos aviadores era narrada EM DETALHE", a expressão destacada, formada por preposição e substantivo, tem valor adverbial.

08) Na frase "As formas estranhas dos aeroplanos experimentais invadiam as páginas dos jornais", o complemento verbal pode ser substituído pelo pronome oblíquo átono "lhes".

16) As palavras "avião", "aviação" e "aviador" são chamadas cognatas por serem formadas com o mesmo radical.
24. O sujeito oracional foi analisado corretamente em:
01) "As formas estranhas dos aeroplanos experimentais invadiam as páginas dos jornais" - sujeito simples anteposto ao verbo.

02) "Nos dez primeiros anos deste século havia uma mania pop em Paris" - sujeito simples posposto ao verbo.

04) "Em conseqüência, proliferaram os fotógrafos profissionais e amadores" - sujeito indeterminado.

08) "Os pilotos e os inventores eram reconhecidos nas ruas" - sujeito composto anteposto ao verbo.

16) "Surgiram câmeras modernas, mais sensíveis à luz" - sujeito simples posposto ao verbo.
25. Quanto à sintaxe interna da estrutura "Os parisienses acompanhavam fascinados as audácias dos aviadores", é correto afirmar que
01) "parisienses" é um substantivo em função de sujeito.

02) o verbo é transitivo direto.

04) o predicado é verbo-nominal pois tem um verbo e um nome como núcleos.

08) "fascinados" funciona como predicativo do sujeito.

16) o sintagma "as audácias dos aviadores" tem função de objeto direto.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unitau 95) "A teoria da argumentação é a parte da semiologia comprometida com a explicação das evocações ideológicas das mensagens. Os novos retóricos aproximam-se, assim, da proposta de Eliseo Verón, que, preocupado com as condições ideológicas dos processos de transmissão e consumo das significações no seio da comunicação social, chama de semiologia os estudos preocupados com essa problemática, deixando como objeto da teoria lingüística as questões tradicionais sobre o conceito, o referente e os componentes estruturais dos signos. Essa demarcação determina que a semiologia deve ser analisada como uma teoria hermenêutica das formas como se manipulam contextualmente os discursos".

(ROCHA & CITTADINO, "O Direito e sua Linguagem", p.17, Sérgio Antonio Fabris Editor, Porto Alegre, 1984)
26. Em "A teoria da comunicação é a parte da semiologia compreendida com a explicação das 'evocações' ideológicas das 'mensagens', indique a função das palavras entre aspas:

a) objeto direto - complemento nominal

b) adjunto adnominal - objeto direto

c) objeto indireto - adjunto adnominal

d) adjunto adnominal - adjunto adnominal

e) complemento nominal - complemento nominal


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Pucpr 2001) "O pai havia partido sem deixar nenhum recado ao filho, o que deixou sua mãe extremamente preocupada".


27. Pode-se afirmar que a expressão O QUE tem como antecedente os termos:

a) O pai,

b) havia partido,

c) ao filho,

d) nenhum recado,

e) toda a parte do enunciado que antecede à própria expressão O QUE


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fei 97) INVESTIMENTO SEM RISCO


"Em julho do ano passado, EXAME encomendou ao jornalista ¢Stephen Hugh-Jones, editor da seção de assuntos internacionais da centenária revista inglesa The Economist, um £artigo para a edição especial sobre o primeiro ano do Plano Real. (...) Aqui, chocou-o profundamente a constatação de que quase um quinto da população brasileira com idade superior a 15 anos não sabia ler nem escrever. Em números absolutos, isso significa quase 20 milhões de pessoas materialmente incapacitadas, em função da ignorância, para fruir do desenvolvimento ou colaborar com ele. Essa cifra triplica caso sejam incluídos os chamados analfabetos funcionais, isto é, aquelas pessoas que não completaram a 4 série do primário. (...) Não se trata, apenas, de uma questão elementar de justiça. O sistema educacional brasileiro simplesmente não faz sentido do ponto de vista econômico. As dezenas de milhões de brasileiros desprovidos de educação não têm (nem terão) chances reais de obter renda, não consomem mais do que produtos básicos, não pagam impostos, não produzem bens ou serviços com real valor econômico, não estão aptos a ser empregados num número crescente de atividades".

(EXAME, 17/07/1996)


28. Observe os termos indicados no texto: "ao jornalista Stephen Hugh-Jones" (ref. 1) e "um artigo" (ref. 2). Em análise sintática, classificamos os termos destacados. respectivamente como:

a) objeto direto e objeto indireto.

b) complemento nominal e objeto direto.

c) adjunto adverbial e aposto.

d) objeto indireto e objeto direto.

e) objeto indireto e adjunto adverbial.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ita 2000) Filme bom é filme antigo? Lógico que não, mas "A Múmia", 1932, põe a frase em xeque.

Sua refilmagem, com Brendan Fraser no elenco, ainda corre nos cinemas brasileiros, repleta de humor e efeitos visuais.

Na de Karl Freund, há a vantagem de Boris Karloff no papel-título, compondo uma múmia aterrorizadora, fiel ao terror dos anos 30.

Apesar de alguma precariedade, lança um clima de mistério que a versão 1999 não conseguiu, tal a ênfase dada à embalagem. Daí "nem sempre cinema bom são efeitos especiais" deveria ser a tal frase. (PSL) (A PRECÁRIA E MISTERIOSA MÚMIA DE 32, Folha de S. Paulo, Caderno Ilustrada, 4/8/1999.)
29. Em: "TAL a ênfase dada à embalagem" e "deveria ser a TAL frase", os termos em destaque nas duas frases podem ser substituídos, respectivamente, por:

a) semelhante; aquela.

b) tamanha; essa.

c) tamanha; aquela.

d) semelhante; essa.

e) essa; aquela.


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Unirio 2003) Canção e calendário


Sol de montanha

Sol esquivo de montanha

Felicidade

Teu nome é

Maria Antonieta d'Alkmin
No fundo do poço

No cimo do monte

No poço sem fundo

Na ponte quebrada

No rego da fonte

Na ponta da lança

No monte profundo

Nevada


Entre os crimes contra mim

Maria Antonieta d'Alkmin


Felicidade forjada nas trevas

Entre os crimes contra mim

Sol de montanha

Maria Antonieta d'Alkmin


Não quero mais as moreninhas de Macedo

Não quero mais as namoradas

Do senhor poeta

Alberto d'Oliveira

Quero você

Não quero mais

Crucificadas em meus cabelos

Quero você


Não quero mais

A inglesa Elena

Não quero mais

A irmã da Nena

Não quero mais

A bela Elena

Anabela

Ana Bolena

Quero você
Toma conta do céu

Toma conta da terra

Toma conta do mar

Toma conta de mim

Maria Antonieta d'Alkmin
E se ele vier

Defenderei

E se ela vier

Defenderei

E se eles vierem

Defenderei

E se elas vierem todas

Numa guirlanda de flechas

Defenderei

Defenderei

Defenderei
Cais de minha vida

Partida sete vezes

Cais de minha vida quebrada

Nas prisões

Suada nas ruas

Modelada


Na aurora indecisa dos hospitais
Bonançosa bonança.
(Oswald de Andrade. "Cântico dos Cânticos para flauta e violão".)
30. Pode-se dizer que na estrutura sintático-semântica do poema de Oswald:

a) não há orações subordinadas, porque o texto não é argumentativo.

b) há palavras e frases justapostas, embora sem rigor lógico.

c) há um acúmulo de substantivos e adjetivos, por ser um texto descritivo.

d) há um grande número de adjetivos, como em qualquer poema descritivo.

e) não há orações coordenadas, porque sua organização sintática é complexa.


31. Dentre os vocativos empregados nesse poema, destaca-se o termo FELICIDADE (verso 3), que não é pessoa, o que constitui uma figura de retórica denominada.

a) paradoxo.

b) prosopopéia.

c) apóstrofe.

d) ironia.

e) perífrase.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufscar 2000) Tu amarás outras mulheres

E tu me esquecerás!

É tão cruel, mas é a vida. E no entretanto

Alguma coisa em ti pertence-me!

Em mim alguma coisa és tu.

O lado espiritual do nosso amor

Nos marcou para sempre.

Oh, vem em pensamento nos meus braços!

Que eu te afeiçoe e acaricie...

(Manuel Bandeira: A Vigília de Hero. In: O RITMO DISSOLUTO. POESIA COMPLETA E PROSA. 2 ed. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967, p.224.)
32. Há dois pronomes que exercem no texto mais de uma função sintática; um dos dois, entretanto, admite uma análise diferente que elimina essa duplicidade funcional. Desse modo, a única forma pronominal que exerce mais de uma função sintática, sem ambigüidade, é:

a) tu.


b) eu.

c) me.


d) nos.

e) te.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Cesgranrio 95) Pátria Minha
A minha pátria é como se não fosse, é íntima

Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo

É minha pátria. Por isso, no exílio

Assistindo dormir meu filho

Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:

Não sei. De fato, não sei (...)

Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água

Que elaboram e liquefazem a minha mágoa

Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria

De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...

Vontade de mudar as cores do vestido

[(auriverde!) tão feias


De minha pátria, de minha pátria sem sapatos

E sem meias, pátria minha

Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho

Pátria, eu semente que nasci do vento

Eu que não vou e não venho, eu que permaneço

Em contacto com a dor do tempo (...)


Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa

Que brinca em teus cabelos e te alisa

Pátria minha, e perfuma o teu chão...

Que vontade me vem de adormecer-me

Entre teus doces montes, pátria minha

Atento à fome em tuas estranhas

E ao batuque em teu coração.
Teu nome é pátria amada, é patriazinha

Não rima com mãe gentil

Vives em mim como uma filha, que és

Uma ilha de ternura: a Ilha

Brasil, talvez.
Vinicius de Moraes - Trechos
33. Assinale a opção em que o termo entre aspas apresenta função sintática idêntica ao do exemplo seguinte:
vontade "de chorar" (v.2)
a) choro "de saudades" (v. 5)

b) olhos "de minha pátria" (v. 11)

c) passar-lhe a mão "pelos cabelos" (v. 12)

d) nasci "do vento" (v. 18)

e) em contacto "com a dor" (v. 20)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufsm 2000) TEXTO I


APRENDENDO COM O PRIMATA

Atual e instigante a reportagem "A outra face do macaco" (número 10, ano 12). O comportamento animal contribui para a compreensão do problema da violência premeditada entre os humanos. E pode também indicar possíveis soluções.

(Édison Miguel - Goiânia, GO)
TEXTO II
O MACACO NÃO ESTÁ CERTO

Fiquei muito impressionada com a violência e a rivalidade que existe entre as tribos de macacos. Sempre tive outra imagem dos primatas. Para mim eles eram animais pacíficos e inteligentes, mas agora percebo que se parecem mesmo com os humanos.

(Elaine Gomes - Santa Maria, RS)

TEXTO III


O HOMEM É BEM PIOR

Comparar o instinto violento do chimpanzé com o do homem é algo cômico. Os humanos já nascem com a mente voltada para as guerras e são infinitamente mais ferozes.

(José Reinaldo Coniutti - Cuiabá, MT)

DEZEMBRO, 1998 - SUPER


34. Classifique a oração introduzida pela palavra destacada em "Fiquei muito impressionada com a violência e a rivalidade QUE existe entre as tribos de macacos".
Identifique o período em que a palavra sublinhada introduz uma oração de mesma classificação.

a) Vi QUE a violência e a rivalidade existem entre as tribos de macacos.

b) Impressionou-me a informação QUE recebi sobre a violência e a rivalidade entre as tribos de macacos.

c) A violência e a rivalidade são tão grandes entre as tribos de macacos QUE me impressionei.

d) A verdade é QUE a violência e a rivalidade existem entre as tribos de macacos.

e) É impressionante QUE existam violência e rivalidade entre as tribos de macacos.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufc 2001) MEIO-DIA (2)


O sol tomba,

vertical,

dos edifícios.

Ardem os muros perfilados.


Os objetos vomitam cores,

embriagados.


O vermelho dos sinais ri,

em chamas,

para os carros.
Na calçada,

a luz lambe

as coxas da garota,

penetra no blue-jeans

os manequins,

irriga de calor

a angústia dos homens.
(Tudo se queima,

tudo se consome,

tudo arde infinito.)
Ó súbita revelação:

o sol me aponta

o carvão íntimo

das coisas,

negro

coração


batendo na claridade.
(ESPÍNOLA, Adriano. "Beira-Sol". Rio de Janeiro: Topbooks, 1999. p.72-73)
35. No verso "Ardem os muros perfilados." (verso 4), a disposição linear dos termos oracionais:

a) mantém a isometria do poema.

b) conota a onipresença da luz do sol.

c) corresponde ao alinhamento dos muros.

d) assegura a rima de "perfilados" com "embriagados."

e) decorre do vínculo semântico entre substantivo e adjetivo.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unirio 99) A partida dos homens


1 Aproximou-se da janela, sentiu frio nos ombros nus, olhou a terra onde as plantas viviam quietas. O globo movia-se e ela estava sobre ele de pé. Junto a uma janela, o céu por cima, claro, infinito. Era inútil abrigar-se na dor de cada caso, revoltar-se contra os acontecimentos, porque os fatos eram apenas um rasgão no vestido, de novo a seta muda indicando o fundo das coisas, um rio que seca e deixa ver o leito nu.

2 A frescura da tarde arrepiou sua pele, Joana não conseguiu pensar nitidamente - havia alguma coisa no jardim que a deslocava para fora de seu centro, fazia-a vacilar... Ficou de sobreaviso. Algo tenta mover-se dentro dela, respondendo, e pelas paredes escuras de seu corpo subiam ondas leves, frescas, antigas. Quase assustada, quis trazer a sensação à consciência, porém cada vez mais era arrastada para trás numa doce vertigem, por dedos suaves. Como se fosse de manhã. Perscrutou-se, subitamente atenta como se tivesse avançado demais. De manhã?

3 De manhã. Onde estivera alguma vez, em que terra estranha e milagrosa já pousara para agora sentir-lhe o perfume? Folhas secas sobre a terra úmida. O coração apertou-se-lhe devagar, abriu-se, ela não respirou um momento esperando... Era de manhã, sabia que era de manhã... Recuando como pela mão frágil de uma criança, ouviu, abafado como em sonho, galinhas arranhando a terra. Uma terra quente, seca... o relógio batendo tin-dlen...tin...dlen... o sol chovendo em pequenas rosas amarelas e vermelhas sobre as casas... Deus, o que era aquilo senão ela mesma? mas quando? não sempre...

4 As ondas cor-de-rosa escureciam, o sonho fugia. Que foi que perdi? que foi que perdi? Não era Otávio, já longe, não era o amante, o homem infeliz nunca existira. Ocorreu-lhe que este deveria estar preso, afastou o pensamento impaciente, fugindo, precipitando-se... Como se tudo participasse da mesma loucura, ouviu subitamente um galo próximo lançar seu grito violento e solitário. Mas não é de madrugada, disse trêmula, alisando a testa fria... O galo não sabia que ia morrer! O galo não sabia que ia morrer! Sim, sim: papai que é que eu faço? Ah, perdera o compasso de um minueto... Sim... o relógio batera tin-dlen, ela erguera-se na ponta dos pés e o mundo girava muito mais leve naquele momento. Havia flores em alguma parte? e uma grande vontade de se dissolver até misturar seus fios com o começo das coisas. Formar uma só substância, rósea e branda - respirando mansamente como um ventre que se ergue e se abaixa, que se ergue e se abaixa... (...)

Clarice Lispector - (PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM)
36. "Era inútil abrigar-SE na dor de cada caso," (par.1)

"... que a deslocava para fora de seu centro, fazia-A vacilar..." (par.2)

"... para agora sentir-LHE o perfume?" (par.3)
Assinale a opção que determina correta e respectivamente a função sintática dos pronomes destacados no trechos indicados anteriormente.

a) Objeto direto - sujeito - adjunto adnominal.

b) Objeto direto - sujeito - objeto indireto.

c) Objeto indireto - objeto indireto - objeto indireto

d) objeto indireto - objeto direto - adjunto adnominal.

e) objeto indireto - adjunto adnominal - adjunto adnominal


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unifesp 2002) TEXTO I:

Ao longo do sereno

Tejo, suave e brando,

Num vale de altas árvores sombrio,

Estava o triste Almeno

Suspiros espalhando

Ao vento, e doces lágrimas ao rio.

(Luís de Camões, "Ao longo do sereno".)
TEXTO II:

Bailemos nós ia todas tres, ay irmanas,

so aqueste ramo destas auelanas

e quen for louçana, como nós, louçanas,

se amigo amar,

so aqueste ramo destas auelanas

uerrá baylar.

(Aires Nunes. In Nunes, J. J., "Crestomatia arcaica".)


TEXTO III:

Tão cedo passa tudo quanto passa!

morre tão jovem ante os deuses quanto

Morre! Tudo é tão pouco!

Nada se sabe, tudo se imagina.

Circunda-te de rosas, ama, bebe

E cala. O mais é nada.

(Fernando Pessoa, "Obra poética".)


TEXTO IV:

Os privilégios que os Reis

Não podem dar, pode Amor,

Que faz qualquer amador

Livre das humanas leis.

mortes e guerras cruéis,

Ferro, frio, fogo e neve,

Tudo sofre quem o serve.

(Luís de Camões, "Obra completa".)
TEXTO V:

As minhas grandes saudades

São do que nunca enlacei.

Ai, como eu tenho saudades

Dos sonhos que não sonhei!...)

(Mário de Sá Carneiro, "Poesias".)


37. No texto IV, em "quem o serve", o "o" exerce determinada função sintática. Esta função é a mesma que é exercida por

a) "suspiros", em I.

b) "ramo", em II.

c) "rosas", em III.

d) "Amor", em IV.

e) "sonhos", em V.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Pucsp 2002) O TIO AQUÁTICO


1 Os primeiros vertebrados, que no Carbonífero deixaram a vida aquática pela vida terrestre, derivavam dos peixes ósseos pulmonados, cujas nadadeiras podiam ser roladas sob o corpo e usadas como patas sobre a terra.
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