Texto para a próxima questãO



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2 Agora já estava claro que os tempos aquáticos haviam terminado, recordou o velho Qfwfq, e aqueles que se decidiam a dar o grande passo eram sempre em número maior, não havendo família que não tivesse algum dos seus entes queridos lá no seco; todos contavam coisas extraordinárias sobre o que se podia fazer em terra firme, e chamavam os parentes. Então, os peixes jovens, já não era mais possível ¢segurá-los; agitavam as nadadeiras nas margens lodosos PARA ver se funcionavam COMO patas, COMO haviam conseguido fazer os mais dotados. MAS precisamente naqueles tempos se acentuavam as diferenças entre nós: existia a família que vivia em terra havia várias gerações e cujos jovens ostentavam maneiras que já não eram de anfíbios mas quase de répteis; e existiam aqueles que ainda insistiam em bancar o peixe e assim se tornavam ainda mais peixes do que quando se usava ser peixe.
(...)
3 Daquela vez a visita à lagoa foi mais longa. Estendemo-nos os três sobre uma das margens em declive: o tio mais paro o lado da água, mas nós também a meio banho, de tal maneira que se alguém nos visse de longe, estirados uns ao lado dos outros, não saberia dizer quem era terrestre e quem aquático.
4 O peixe atacou um de seus refrãos preferidos: a superioridade da respiração na água sobre a respiração aérea, com todo o repertório de suas difamações. Agora LII tomo as dores e lhe dá o merecido troco!, pensava. Mas eis que se viu aquele dia que LII usava uma outra tática: discutia com ardor, defendendo nossos pontos de vista, mas ao mesmo tempo levando muito a sério os argumentos do velho N'ba N'ga.
5 As terras emersas, segundo o tio, eram um fenômeno limitado: iriam desaparecer assim como vieram à tona, ou, de qualquer forma, ficariam sujeitos a mutações contínuas: vulcões, glaciações, terremotos, enrugamentos do terreno, mutações de clima e de vegetação. E nossa vida nesse meio devia enfrentar transformações contínuas , mediante as quais populações inteiras iriam desaparecer, e só haveria de sobreviver quem estivesse disposto a modificar de tal forma a base de sua existência, que as razões anteriormente possíveis de tornar a vida bela de viver seriam completamente transtornadas e esquecidas.
(Calvino, I (1994). "As Cosmicômicas", São Paulo, Companhia das Letras, p. 71-83.)
38. Com relação ao pronome "los" em "segurá-los", (ref.1) indique a alternativa correta.

a) É objeto direto pleonástico e enfatiza a atitude dos peixes jovens em oposição aos que "insistiam em bancar o peixe".

b) É objeto direto referente ao aposto "peixes jovens" e enfatiza a atitude dos peixes mais velhos em oposição aos mais jovens.

c) É objeto direto e determina as diferenças entre os mais e os menos dotados.

d) É predicativo do sujeito e caracteriza o termo "peixes jovens".

e) É predicativo do objeto e enfatizar a atitude dos peixes jovens em oposição aos que "insistiam em bancar o peixe".


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufv 99) Amor ao Saber

1 Que me dêem uma boa razão para que os jovens se apaixonem pela Ciência. Para isto seria necessário que os cientistas fossem também contadores de estórias, inventores de mitos, presenças mágicas em torno das quais se ajuntassem crianças e adolescentes, à semelhança do "flautista de Hamelin", feiticeiro que tocava sua flauta encantada e os meninos o seguiam...

2 Todo início contém um evento mágico, um encontro de amor, um deslumbramento no olhar... É aí que nascem as grandes paixões, a dedicação às causas, a disciplina que põe asas na imaginação e faz os corpos voarem. Olho para os nossos estudantes, e não me parece que seja este o seu caso. E eles me dizem que os mitos não puderam ser ouvidos. O ruído da guerra e o barulho das moedas era forte demais. Quanto à flauta, parece que estava desafinada. O mais provável é que o flautista se tivesse esquecido da melodia...

3 Não, não se espantem. Mitos e magia não são coisas de mundos defuntos. E os mais lúcidos sabem disto, porque não se esqueceram de sonhar. Em 1932, Freud escreveu uma carta a Einstein que fazia uma estranha pergunta/afirmação: "Não será verdade que toda Ciência contém, em seus fundamentos, uma mitologia?" Dirão os senhores que não pode ser assim. Que mitologia é coisa da fantasia, de falsa consciência, de cabeça desregulada. Já a Ciência é fala de gente séria, pés no chão, olhos nas coisas, imaginação escrava da observação...

4 Pode ser. Mas muita gente pensa diferente. Primeiro amar, depois conhecer. Conhecer para poder amar. Porque, se se ama, os olhos e os pensamentos envolvem o objeto, como se fossem mãos, para colhê-lo. Pensamento a serviço do corpo, Ciência como genitais do desejo, para penetrar no objeto, para se dar ao objeto, para experimentar união, para o gozo. Lembram-se de Nietzche? Pensamento, pequena razão, instrumento e brinquedo da grande razão, o corpo.

5 Sei que tais pensamentos são insólitos. E me perguntarão onde foi que os aprendi. Direi baixinho, por medo de anátema, que foi na leitura de minha Bíblia, coisa que ainda faço, hábitos de outrora. E naquele mundo estranho e de cabeça para baixo, como Pinóquio às avessas ou nas inversões do espelho das aventuras de Alice, conhecimento não é coisa de cabeça e nem de pensamento. É coisa do corpo inteiro, dos rins, do coração, dos genitais. E diz lá, numa candura que tomamos por eufemismo, que "Adão conheceu sua mulher. E ela concebeu e pariu um filho". Conhecimento é coisa erótica, que engravida. Mas é preciso que o desejo faça o corpo se mover para o amor. Caso contrário, permanecem os olhos, impotentes e inúteis... Para conhecer é preciso primeiro amar.

6 E é esta a pergunta que estou fazendo: que mágico, dentre nós, será capaz de conduzir o fogo do amor pela Ciência? Que estórias contamos para explicar a nossa dedicação? Que mitos celebramos que mostrem aos jovens o futuro que desejamos?

7 Ah! É isto. Parece que as utopias se foram. Ciência e cientistas já não sabem mais falar sobre esperanças. Só lhes resta mergulhar nos detalhes do projeto de pesquisa, financiamentos, organização - porque as visões que despertam o amor e os símbolos que fazem sonhar desapareceram no ar, como bolhas de sabão. Especialistas que conhecem cada vez mais, de cada vez menos têm medo de falar sobre mundos que só existem no desejo.

8 Claro que não foi sempre assim. Houve tempo em que o cientista era ser alado, imaginação selvagem, que explicava às crianças e aos jovens os gestos de suas mãos e os movimentos do seu pensamento, apontando para um novo mundo que se anunciava no horizonte. Terra sem males, a natureza a serviço dos homens, o fim da dor, a expansão da compreensão, o domínio da justiça. Claro, o saber iria tornar os homens mais tolerantes. Compreenderiam o absurdo da violência. Deixariam de lado o instrumento de tortura pela persuasão suave do ensino. Os campos ficariam mais gordos e perfumados. As máquinas libertariam os corpos para o brinquedo e o amor. E os exércitos progressivamente seriam desativados, porque mais vale o saber que o poder. As espadas seriam transformadas em arados e as lanças em podadeiras. Realização do sonho do profeta Isaías, de harmonia entre bichos, coisas e pessoas.

9 Interessante. Estes eram mitos que diziam de amor, harmonia, felicidade, estas coisas que fazem bem à vida e invocam sorrisos. Quem não se alistaria como sacerdote de tão bela esperança?

10 Foram-se os mitos do amor.

11 Restaram os mitos do poder.

12 As guerras entre os mundos, os holocaustos nucleares, os super-heróis de cara feia, punhos cerrados e poder imbatível. Ah! Quem poderia pensar num deles jogando bolinha de gude, ou soprando bolhas de sabão, ou fazendo amor? Certamente que bolas, bolhas e corpos se estraçalhariam ante o impacto do poder. Não é por acidente que isto aconteceu. É que a Ciência, de realizadora do desejo, se metamorfoseou em aliada da espada e do dinheiro. Os cientistas protestarão, é claro, lavando suas mãos de sangue ou de lucro. E com razão. Mas, este não é o problema. É que a Ciência é coisa cara demais e o desejo pobre demais. E, na vida real, as princesas caras não se casam com plebeus sem dinheiro. A Ciência mudou de lugar. E, com isto, mudaram-se também os mitos.

13 Que estórias contaremos para fazer nossas crianças e nossos jovens amar o futuro que a Ciência lhes oferece?

14 Falaremos sobre o fascínio das usinas nucleares?

15 Quem sabe os levaremos a visitar Cubatão. Protestarão de novo, dizendo que não é Ciência. Como não? Cubatão não será filha, ainda que bastarda, da Química, da Física, da Tecnologia, em seu casamento com a Política e a Economia?

16 Poderemos fazer um passeio de barco no Tietê. Sei que não foi intenção da Ciência, sei que não foi planejado pelos cientistas. Mas ele é um sinal, aperitivo, amostra, do mundo do futuro. De fato, o futuro será chocante. Só que não da forma como Toffler pensa.

17 Parece que só nos resta o recurso ao embuste e à mentira, dos mitos da Terceira Onda. Mas como levar a sério um mito sorridente que não chora ante a ameaça da guerra? "Se um cego guiar outro cego, cairão ambos na cova..."

18 Que me dêem uma boa razão para que os jovens se apaixonem pela Ciência. Sem isto, a parafernália educacional permanecerá flácida e impotente. Porque sem uma grande paixão não existe conhecimento.

(ALVES, Rubem. "Estórias de quem gosta de ensinar", o fim dos vestibulares. São Paulo: Ars Poética, 1995. p.95-99)
39. "Em 1932, Freud escreveu uma carta a Einstein que fazia uma estranha pergunta/afirmação..." (par.3) Uma maneira de reconstruirmos essa frase seria antepormos ao pronome relativo a preposição:

a) a.


b) de.

c) para.


d) em.

e) sobre.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Unirio 2002) A ALMA ESFÉRICA DO CARIOCA


"Chego do mato vendo tanta gente de cara triste pelas ruas, tanto silêncio de derrota dentro e fora das casas, como se o gosto da vida se tivesse encerrado, de vez, com as cinzas do finado carnaval dos últimos dias.

Imperdoável melancolia de quem sabe, e sabe muito bem, que esta deliciosa cidade não é samba, apenas; que o Rio, alma do Brasil, afina também seus melhores sentimentos populares por outra paixão não menos respeitável - o futebol.

Esse abençoado binômio, carnaval-futebol, é que explica e eterniza a alma esférica da gente mais alegre de nosso alegre País.

Por que, então, chorar a festa passada se ao breve ciclo da fantasia do samba logo se segue a ardente realidade do futebol? Desmontaram o palanque por onde desfilou a elite do samba? E daí? Lá está o Maracanã, rampas gigantescas, assentos intermináveis, tudo pronto para o grande desfile de angústias e paixões que precedem a glória de um chute. Agora mesmo, alguém me veio dizer, contente, que a grama está uma beleza, de área a área, e que, com as últimas chuvas, o verde rebentou verdíssimo.

Salgueiro, Fluminense, Mangueira, Flamengo, Império, Botafogo - milagrosa alternação de emoções na vida de uma cidade; passos e passes de uma gente que curtiu seu amor ao mesmo tempo no contratempo de um tamborim e no instante infinito de um gol.

Mal se foi o Salgueiro, já vem chegando o Flamengo, preto e vermelho, apontando, ardente, na boca do túnel que se abre para a multidão em delírio.

Couro de gato, bola de couro, quicando e repicando pela glória de uma cidade que não tem por que chorar tristezas.

Rio."
(Armando Nogueira)


40. "Desmontaram O PALANQUE / POR ONDE desfilou A ELITE DO SAMBA?".

Os termos destacados, sintaticamente, são:

a) sujeito / agente da passiva / objeto direto

b) objeto direto / adjunto adverbial / sujeito

c) sujeito / adjunto adverbial / sujeito

d) objeto direto / agente da passiva / objeto direto

e) sujeito / agente da passiva / sujeito
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufpe 96) "Sobre a história do arquipélago, explicou que fora doado pelo Rei de Portugal, em 1504, a Fernão de Noronha. O primeiro nome fora ilha de São João. Naqueles tempos era comum batizar os lugares com o nome da festa religiosa do dia da descoberta. Pode-se dizer, então, que ela foi vista pela primeira vez por olhos de navegantes europeus num dia 24 de junho, entre 1500 e 1503.

(Abdias Moura, em o SEGREDO DA ILHA)
41. Em qual alternativa a expressão não exerce, no Texto, a função de adjunto adverbial?

a) "... em 1504 ..."

b) "Naqueles tempos ..."

c) "... pela primeira vez ..."

d) "... pelo Rei de Portugal ..."

e) "... num dia 24 de junho ..."


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufsm 2000) FOLHA DE S. PAULO

Sábado, 2 de setembro de 1995
PAINEL DO LEITOR
Pede-se que as cartas não ultrapassem 15 linhas e que contenham o nome completo, assinatura, o endereço e se possível telefone. Para atender mais leitores a FOLHA se reserva o direito de publicar trechos representativos das cartas recebidas.
TEXTO I
TORCIDAS

"Estamos todos assustados com as variadas formas de violência que assolam o país e o mundo. O comportamento das torcidas organizadas é um pequeno exemplo do que faz o homem dito 'moderno' ou 'civilizado' quando perde o controle e libera seus instintos animais primitivos. A verdade é que chegamos a este final de milênio, na era da informática, massacrados por uma brutal competição dentro da própria espécie. Os valores e conceitos estão tão distorcidos que a fina camada de verniz do comportamento humano se rompe com facilidade, revelando que não somos mais do que bípedes primitivos da informática."

Flávio Tallarico (Descalvado, SP)

TEXTO II
"Como é fascinante presenciar um estádio repleto de torcedores promovendo uma festa colorida, cantando hinos e gritos de guerra, criando alegorias diversas. Sem isso, o futebol perde seu brilho e os jogadores perdem a motivação. Quando um cão tem pulgas, não se mata o cão, eliminam-se as pulgas."

Marcos Moreno (Varginha, MG)
42. Analise o período a seguir:
"A verdade é que chegamos a este final de milênio, na era da informática, massacrados POR UMA BRUTAL COMPETIÇÃO dentro da própria espécie." (Texto I)
Em que alternativa o período contém um termo com função equivalente à do termo destacado?

a) Eles anseiam por uma torcida realmente organizada.

b) A violência impera por todas os lados.

c) O goleiro foi atacado por um torcedor.

d) Viveu por muitos anos, entre as torcidas.

e) Foi afastado por não se adaptar às normas do clube.


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.

(Unirio 97) ¢Neste momento, o bordado está pousado em cima do console e o interrompi para escrever, substituindo a tessitura dos pontos pela das palavras, o que me parece um exercício bem mais difícil.

£Os pontos que vou fazendo exigem de mim uma habilidade e um adestramento que já não tenho. ¤Esforço-me e vou conseguindo vencer minhas deficiências. ¥As palavras, porém, são mais difíceis de adestrar e vêm carregadas de uma vida que se foi desenrolando dentro e fora de mim, todos esses anos. ¦São teimosas, ambíguas e ferem. §Minha luta com elas é uma luta extenuante. ¨Assim, nesse momento, enceto duas lutas: com as linhas e com as palavras, mas tenho a certeza que, desta vez, estou querendo chegar a um resultado semelhante e descobrir ao fim do bordado e ao fim desse texto, algo de delicado, recôndito e imperceptível sobre o meu próprio destino e sobre o destino dos seres que me rodeiam. ©Ontem, quando entrei no armarinho para escolher as linhas, vi-me cercada de pessoas com quem não convivia há muito tempo, ou convivia muito pouco, de cuja existência tinha esquecido. ªMulheres de meia-idade que compravam lãs para bordar tapeçarias, selecionando animadamente e com grande competência os novelos, comparando as cores com os riscos trazidos, contando os pontos na etamine, medindo o tamanho do bastidor. ¢¡Incorporei-me a elas e comecei a escolher, com grande acuidade, as tonalidades das minhas meadas de linha mercerizada. ¢¢Pareciam pequenas abelhas alegres (...), levando a sério as suas tarefas. (...) ¢£Naquelas mulheres havia alguma coisa preservada, sua capacidade de bordar dava-lhes uma dignidade e um aval. ¢¤Não queria que me discriminassem, conversei com elas de igual para igual, mostrando-lhes os pontos que minha pequena mão infantil executara.

(JARDIM, Rachel. O PENHOAR CHINÊS. 4 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1990.)


43. A função sintática do QUE está correta em:

a) "... um adestramento QUE já não tenho" - predicativo do objeto direto.

b) "... de uma vida QUE se foi desenrolando" - objeto direto.

c) "... dos seres QUE me rodeiam" - adjunto adverbial.

d) "Mulheres de meia-idade QUE compravam lãs" - aposto.

e) "... os pontos QUE minha pequena mão infantil executara." - objeto direto.


44. O pronome 'me' NÃO exerce função sintática de objeto direto na opção:

a) "... o que ME parece..."

b) "... que ME rodeiam."

c) "... vi-ME cercada..."

d) "Incorporei-ME a elas..."

e) "... ME discriminassem, ..."


45. Indique a opção em que o termo em maiúsculo NÃO é predicativo.

a) "As palavras, porém, são MAIS DIFÍCEIS..."

b) "... e vêm CARREGADAS de uma vida..."

c) "... vi-me CERCADA de pessoas... "

d) "... selecionando animadamente e COM GRANDE COMPETÊNCIA..."

e) "Pareciam PEQUENAS ABELHAS ALEGRES..."


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Faap 97) Barcos de Papel


Quando a chuva cessava e um vento fino

franzia a tarde tímida e lavada,

eu saía a brincar pela calçada,

nos meus tempos felizes de menino.


Fazia de papel toda uma armada

e, estendendo meu braço pequenino,

eu soltava os barquinhos, sem destino,

ao longo das sarjetas, na enxurrada...


Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,

que não são barcos de ouro os meus ideais:

são feitos de papel, tal como aqueles,
perfeitamente, exatamente iguais...

- que os meus barquinhos, lá se foram eles! foram-se embora e não voltaram mais!


Guilherme de Almeida
46. "Fazia de papel toda uma armada / e estendendo meu braço pequenino, / eu soltava os barquinhos, sem destino, / ao longo das sarjetas, na enxurrada..."
A Língua conhece o objeto direto pleonástico:

a) os barquinhos eu os soltava, sem destino

b) eu, eu mesmo soltava os barquinhos, sem destino

c) eu soltava e soltava os barquinhos, sem destino

d) sem destino, eu soltava os barquinhos

e) soltavam-se os barquinhos, sem destino


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Faap 96) OS DESASTRES DE SOFIA


Qualquer que tivesse sido o seu trabalho anterior, ele o abandonara, mudara de profissão e passara pesadamente a ensinar no curso primário: era tudo o que sabíamos dele.

O professor era gordo, grande e silencioso, de ombros contraídos. Em vez de nó na garganta, tinha ombros contraídos. Usava paletó curto demais, óculos sem aro, com um fio de ouro encimando o nariz grosso e romano. E eu era atraída por ele. Não amor, mas atraída pelo seu silêncio e pela controlada impaciência que ele tinha em nos ensinar e que, ofendida, eu adivinhara. Passei a me comportar mal na sala. Falava muito alto, mexia com os colegas, interrompia a lição com piadinhas, até que ele dizia, vermelho:

- Cale-se ou expulso a senhora da sala.

Ferida, triunfante, eu respondia em desafio: pode me mandar! Ele não mandava, senão estaria me obedecendo. Mas eu o exasperava tanto que se tornara doloroso para mim ser objeto do ódio daquele homem que de certo modo eu amava. Não o amava como a mulher que eu seria um dia, amava-o como uma criança que tenta desastradamente proteger um adulto, com a cólera de quem ainda não foi covarde e vê um homem forte de ombros tão curvos. (...)

Clarice Lispector
47. "... homem QUE de certo modo eu amava".
A palavra QUE exerce no texto a função sintática de:

a) sujeito

b) objeto direto

c) objeto indireto

d) complemento nominal

e) agente da passiva


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Pucsp 2000) Ethos - ética em grego - designa a morada humana. O ser humano separa uma parte do mundo para, moldando-A ao seu jeito, construir um abrigo protetor e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e construído de uma só vez. O ser humano está sempre tornando habitável a casa que construiu para SI.

Ético significa, portanto, tudo aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma morada saudável: materialmente sustentável, psicologicamente integrada e espiritualmente fecunda.

Na ética há o permanente e o mutável. O permanente é a necessidade do ser humano de ter uma moradia: uma maloca indígena, uma casa no campo e um apartamento na cidade. TODOS estão envolvidos com a ética, porque todos buscam uma morada permanente.

O mutável é o estilo com que cada grupo constrói sua morada. É sempre diferente: rústico, colonial, moderno, de palha, de pedra... Embora diferente e mutável, o estilo está a serviço do permanente: a necessidade de ter casa. A casa, nos seus mais diferentes estilos, deverá ser habitável.

(BOFF, Leonardo. In A ÁGUIA E A GALINHA. Petrópolis: Vozes, 1997, pp.90-91.)


48. Os pronomes têm a função de substituir os nomes ou referir-se a eles, evitando repetição de termos. No texto em questão, observe o papel dos pronomes "a", "si", "todos".
I. O pronome "a" substitui UMA PARTE DO MUNDO que, significativamente, remete a "a morada humana".

II. O pronome "si" substitui, de forma reflexiva, a expressão O SER HUMANO.

III. O pronome "TODOS" substitui, formalmente, UMA MALOCA INDÍGENA, UMA CASA NO CAMPO e UM APARTAMENTO NA CIDADE, ao repor significativamente "a ética".

IV. O pronome "a" substitui, formalmente, o termo ETHOS.


Assinale a alternativa que contém apenas afirmações corretas:

a) I e III

b) I, III e IV

c) I, II, III e IV

d) I e II

e) II e III


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ita 2001) Certos mitos são repetidos tantas e tantas vezes que muitos acabam se convencendo de que eles são de fato verdadeiros. Um desses casos é o que envolve a palavra "saudade", que seria uma exclusividade mundial da língua portuguesa. Trata-se de uma grande e pretensiosa balela.

Todas as línguas do mundo exprimem com maior ou menor grau de complexidade todos os sentimentos humanos. E seria uma grande pretensão acreditar que o sentimento que batizamos de "saudade" seja exclusivo dos povos lusófonos.

Embora línguas que nos são mais familiares como o inglês e o francês tenham de recorrer a mais de uma expressão (seus equivalentes de "nostalgia" e "falta") para exprimir o que chamamos de saudade em todas as circunstâncias, existem outros idiomas que o fazem de forma até mais sintética que o português.

Em uma de suas colunas semanais nesta "Folha", o professor Josué Machado lembrou pelo menos dez equivalentes da palavra "saudade". Os russos têm "tosca"; alemães, "Sehnsucht"; árabes, "shauck" e também "hanim"; armênios, "garod"; sérvios e croatas, "jal "; letões, "ilgas"; japoneses, "natsukashi"; macedônios, "nedôstatok"; e húngaros, "sóvárgás".

Pode-se ainda acrescentar a essa lista o "desiderium" latino, o "páthos" dos antigos gregos e sabe-se lá quantas mais expressões equivalentes nas cerca de 6 mil línguas atualmente faladas no planeta ou nas 10 mil que já existiram.

Ora, se até os cães demonstram sentir saudades de seus donos quando ficam separados por um motivo qualquer, seria de um etnocentrismo digno de fazer inveja à Alemanha nazista acreditar que esse sentimento é próprio apenas aos que falam português.

Desde que o homem é homem, ou talvez mesmo antes, ele sente saudade; desde que aprendeu a falar aprendeu também, de uma forma ou de outra, a dizê-lo. (Saudade. Folha de S. Paulo, 6/4/1996, adaptado.)


49. No trecho "existem outros idiomas que O fazem de forma até mais sintética que o português" (3Ž parágrafo), o termo "o", em destaque, substitui

a) uma oração indicativa de finalidade.

b) uma oração indicativa de causa.

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