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16 - Acho que sim.

17 E Violeta se levanta, pesada, envolvida no cachecol, para fechar a janela por onde vem a corrente de ar e já se aproxima a noite.

(MOREIRA CAMPOS, José Maria. "Dizem que os cães vêem coisas". Fortaleza: Edições UFC, 1987)
75. Leia o trecho abaixo.
"Consultando o relógio da parede, que bate as horas num gemer de ferros, ela chama uma das pretas, para que lhe traga a chaleira com água quente." (par. 1)
Numere a 2 coluna, identificando a função sintática do termo, de acordo com a 1 coluna.
(1) adjunto adnominal

(2) adjunto adverbial


( ) num gemer de ferros

( ) da parede

( ) com água quente
A seqüência correta, de cima para baixo, é:

a) 2 - 2 - 1

b) 2 - 1 - 1

c) 2 - 1 - 2

d) 1 - 2 - 2

e) 1 - 2 - 1


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Unitau 95) "Vivemos numa época de tamanha insegurança externa e interna, e de tamanha carência de objetivos firmes, que a simples confissão de nossas convicções pode ser importante, mesmo que essas convicções, como todo julgamento de valor, não possam ser provadas por deduções lógicas.

Surge imediatamente a pergunta: podemos considerar a busca da verdade - ou, para dizer mais modestamente, nossos esforços para compreender o universo cognoscível através do pensamento lógico construtivo - como um objeto autônomo de nosso trabalho? Ou nossa busca da verdade deve ser subordinada a algum outro objetivo, de caráter prático, por exemplo? Essa questão não pode ser resolvida em bases lógicas. A decisão, contudo, terá considerável influência sobre nosso pensamento e nosso julgamento moral, desde que se origine numa convicção profunda e inabalável Permitam-me fazer uma confissão: para mim, o esforço no sentido de obter maior percepção e compreensão é um dos objetivos independentes sem os quais nenhum ser pensante é capaz de adotar uma atitude consciente e positiva ante a vida.

Na própria essência de nosso esforço para compreender o fato de, por um lado, tentar englobar a grande e complexa variedade das experiências humanas, e de, por outro lado, procurar a simplicidade e a economia nas hipóteses básicas. A crença de que esses dois objetivos podem existir paralelamente é, devido ao estágio primitivo de nosso conhecimento científico, uma questão de fé. Sem essa fé eu não poderia ter uma convicção firme e inabalável acerca do valor independente do conhecimento.

Essa atitude de certo modo religiosa de um homem engajado no trabalho científico tem influência sobre toda sua personalidade. Além do conhecimento proveniente da experiência acumulada, e além das regras do pensamento lógico, não existe, em princípio, nenhuma autoridade cujas confissões e declarações possam ser consideradas "Verdade " pelo cientista. Isso leva a uma situação paradoxal: uma pessoa que devota todo seu esforço a objetivos materiais se tornará, do ponto de vista social, alguém extremamente individualista, que, a princípio, só tem fé em seu próprio julgamento, e em nada mais. É possível afirmar que o individualismo intelectual e a sede de conhecimento científico apareceram simultaneamente na história e permaneceram inseparáveis desde então. "

(Einstein, in: "O Pensamento Vivo de Einstein", p. 13 e 14, 5a. edição, Martin Claret Editores)


76. Na frase "... nenhuma autoridade 'cujas' confissões...", a palavra, entre aspas, no plano morfológico, sintático e semântico é:

a) pronome indefinido, complemento nominal, deles.

b) pronome relativo, adjunto adnominal, deles.

c) pronome relativo, complemento nominal, delas.

d) pronome indefinido, adjunto adnominal, delas.

e) pronome relativo, complemento nominal, deles.


77. Na frase "Vivemos numa época de tamanha insegurança externa e interna, e de tamanha carência de objetivos firmes..." o autor usou a vírgula antes da conjunção "e". Isso está:

a) correto conforme a gramática normativa porque é sujeito composto.

b) correto conforme a gramática normativa porque há sujeitos diferentes.

c) errado conforme a gramática normativa porque é sujeito composto.

d) errado conforme a gramática normativa, mas o autor usou esse recurso para realçar o pensamento que se segue.

e) errado conforme a gramática normativa porque há somente um objeto direto.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrrj 99) SEM DATA


1 Há seis ou sete dias que eu não ia ao Flamengo. Agora à tarde lembrou-me lá passar antes de vir para casa. Fui a pé; achei aberta a porta do jardim, ¦entrei e parei logo.

2 "Lá estão eles", disse comigo.

3 Ao fundo, à entrada do saguão, dei com os dois velhos sentados, olhando um para o outro. Aguiar estava encostado ao portal direito, com as mãos sobre os joelhos. D. Carmo, à esquerda, tinha os braços cruzados à cinta. §Hesitei entre ir adiante ¤ou desandar o caminho; continuei parado alguns segundos até que recuei pé ante pé. Ao transpor a porta para a rua, vi-lhes no rosto e na atitude £uma expressão a que não acho nome certo ou claro: digo o que me pareceu. Queriam ser risonhos e ¥mal se podiam consolar. ¢Consolava-os a saudade de si mesmos.

(ASSIS. Machado. "Memorial de Aires". in: OBRA COMPLETA. Rio de Janeiro, Aguilar, 1989.)


78. "... digo O QUE ME pareceu ..."
Quanto à função sintática os termos em destaque são, respectivamente:

a) objeto direto - objeto direto - objeto direto

b) objeto direto - sujeito - objeto indireto.

c) sujeito - sujeito - complemento nominal.

d) objeto indireto - sujeito - objeto indireto.

e) adjunto adnominal - objeto indireto - objeto direto.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Cesgranrio 98) Texto: "Os Três Amores"


I

MINH'ALMA é como a fronte sonhadora

Do louco bardo, que Ferrara chora ...

Sou Tasso!... a primavera de teus risos

De minha vida as solidões enflora...

Longe de ti eu bebo os teus perfumes,

Sigo na terra de teu passo os lumes...

- Tu és Eleonora...


II

Meu coração desmaia pensativo,

Cismando em tua rosa predileta.

Sou teu pálido amante vaporoso,

Sou teu Romeu... teu lânguido poeta!

Sonho-te às vezes virgem... seminua

Roubo-te um casto beijo à luz da lua

- E tu és Julieta...


III

Na volúpia das noites andaluzas

O sangue ardente em minhas veias rola...

Sou D. Juan!... Donzelas amorosas,

Vós conheceis-me os trenos na viola!

Sobre o leito do amor teu seio brilha...

Eu morro, se desfaço-te a mantilha...

Tu és - Júlia, a Espanhola!...

Castro Alves
79. As expressões "Sou Tasso!...", "- Tu és Eleonora, "Sou teu Romeu..." e "Sou D. Juan" apresentam os substantivos próprios na função de:

a) vocativo.

b) predicativo do sujeito.

c) predicativo do objeto.

d) objeto direto.

e) adjunto adnominal.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufsm 2002) MARCELO BERABA


Desejo de matar
1 RIO DE JANEIRO - A TV Globo estreou mais uma série importada que enaltece os ¤grupos de ¢¥extermínio. Esta agora chama-se "Angel" e conta a história de um vampiro bom que sai pela cidade eliminando vampiros maus. Para isso, o herói vampiro conta com a ajuda de três pessoas, uma delas ¨delegada de polícia.

2 Parece que esta série é apenas um ªtapa-buraco na programação da emissora, que nem fez muito alarde com o filme. Mas não é a primeira vez que a TV explora o tema. Teve uma, "Justiça Cega", em que um juiz, inconformado com as amarras da lei, fazia justiça com as próprias mãos.

3 O justiceiro passava o dia de toga examinando processos e à noite montava numa moto e saía matando os ©bandidos que tinha sido obrigado a inocentar por falta de provas.

4 A mensagem desses filmes é sempre a mesma. Não é ¢¤possível combater o ¢crime com os instrumentos que a sociedade coloca à disposição da £Justiça e das polícias. É preciso montar polícias e ¢¢justiças paralelas, que usem as mesmas armas e recursos imorais dos criminosos.

5 "Angel" e seus vampiros permitem várias interpretações. Uma delas é simples: o combate ao crime já não é tarefa para homens comuns. Os criminosos estão cada vez mais sofisticados. São seres mutantes. ¦Juízes e policiais comuns, por mais bem preparados que estejam, não dão conta do recado.

6 A série é ¢¡lixo e não tem a menor importância. O problema é na vida real, quando as empresas acham normal buscar formas de convivência com o ¥narcotráfico. Quando o Estado acha normal que o §crime organizado monte banquinhas de apostas no meio das calçadas. E quando o ¢£sistema penitenciário ajuda a organização dos presos para evitar rebeliões.

7 Pensando bem, não ¢¦há por que se espantar com "Angel" e similares se as deformações que procuram legitimar fazem parte do nosso cotidiano.

("Folha de São Paulo", 9 de março de 2001.)


80. Em qual das alternativas a seguir o pronome relativo "que", ao retomar a expressão anterior, NÃO desempenha o papel de sujeito?

a) "[...] uma série importada que enaltece os grupos de extermínio."

b) "[...] um vampiro bom que sai pela cidade eliminando vampiros maus."

c) "[...] da emissora, que nem fez muito alarde com o filme."

d) "[...] os bandidos que tinha sido obrigado a inocentar [...]"

e) "[...] polícias e justiças paralelas, que usem as mesmas armas [...]"


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Ufrrj 99) CORRIDINHO


O amor quer abraçar e não pode.

A multidão em volta,

com seus olhos cediços,

põe caco de vidro no muro

para o amor desistir.

O amor usa correio,

o correio trapaceia,

a carta não chega,

o amor fica sem saber se é ou não é.

O amor pega o cavalo,

desembarca do trem,

chega na porta cansado

de tanto caminhar a pé.

Fala a palavra açucena,

pede água, bebe café,

dorme na sua presença,

chupa bala de hortelã.

Tudo manha, truque, engenho:

É descuidar, o amor te pega,

te come, te molha todo.

Mas água o amor não é.

(PRADO, Adélia. O CORAÇÃO DISPARADO. Rio de Janeiro, Nova Fronteira. 1977.)


81. No verso "o amor fica sem saber se é ou não é", é utilizada a elipse de um termo oracional, o que sugere que a pessoa

a) deixa de amar devido à distância.

b) que ama não sabe se o(a) amado(a) recebeu a carta.

c) amada compreende os sentimentos do amante.

d) que ama não sabe se é ou não amada.

e) amada não procura a pessoa que a ama.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Puc-rio 99) Costureira receberá indenização de ex-noivo


Casamento adiado por 17 anos vale 20 salários para mulher "enganada"
1 Belo Horizonte - ¤Abandonada pelo noivo depois de 17 anos de namoro, a costureira Nair Francisca de Oliveira está comemorando um ganho inusitado: o Tribunal de Alçada de Minas Gerais condenou o motorista aposentado Otacílio Garcia dos Reis, de 54 anos, a pagar à ex-noiva uma indenização de 20 salários mínimos por danos morais. Ela receberá ainda 30% do valor da casa que os dois estavam construindo juntos, em Passos, sudoeste de Minas. "Estou cobrando pelo tempo que fui enganada", diz ela.

2 Nair não revela a idade, diz apenas que tem mais de 40 anos. Ela lembra que, mais do que o ¢término do namoro, o que a fez decidir pela ação de danos morais foram as falsas palavras de Otacílio. Ao romper com a noiva, ele disse que, além de não gostar dela, sabia que não tinha sido o primeiro homem de sua vida. "Me caluniou e humilhou minha família", lamenta Nair, que não consegue explicar como pôde ficar tantos anos ao lado de uma pessoa que ela diz, agora, não conhecer.

3 Otacílio foi longe ao explicar o motivo do fim do relacionamento. Disse à ex-noiva que tinha por ela apenas um "vício carnal" e que nenhum homem seria capaz de resistir aos encantos de seu corpo bem feito. "Ele daria um bom ator", analisa Nair, lembrando que, a cada ano, a desculpa para não oficializar a união mudava. A costureira confessa que nunca teve vontade de terminar o namoro, mesmo tendo-o iniciado sem gostar muito de Otacílio. Ele teria insistido no relacionamento. "Eu dei tempo ao tempo e acabei gostando dele", afirma, frustrada com o tempo perdido, especialmente pelo fato de não ter tido filhos. "Engraçado, eu nunca evitei. Não sei por que não aconteceu."

4 Papéis - A história de Nair e Otacílio começou em 1975. Após quatro anos de namoro, ficaram noivos e deram entrada nos papéis para o casamento religioso. Na ocasião, já haviam £ comprado um terreno, onde construíram a casa, que, segundo Nair, foi erguida com o dinheiro de seu trabalho de costureira, com a ajuda dos pais e também com dinheiro de Otacílio. Hoje, o que seria o lar dos dois é uma casa alugada. O advogado de Nair, José Cirilo de Oliveira, pretende requerer uma indenização também pelo tempo de aluguel.

5 "Fiquei satisfeito com a vitória de Nair, não tanto pelo valor da indenização, mas porque houve realmente a má intenção por parte do ex-noivo", afirma Oliveira. Os juízes da 3 Câmara Cível do Tribunal de Alçada também ficaram sensibilizados com o caso da noiva abandonada. O relator do processo, juiz Dorival Guimarães Pereira, justificou sua decisão destacando que "o casamento é o sonho dourado de toda mulher, objetivando com ele, a par da felicidade pessoal de constituir um lar, também atingir o seu bem-estar social, a subsistência e o seu futuro econômico".

6 A costureira, entretanto, afirma que não estava preocupada com os ganhos financeiros do casamento.

(Roselena Nicolau - JORNAL DO BRASIL, 11/08/1996)
82. Aponte a opção em que a função sintática do termo cujo núcleo está destacado NÃO está correta.

a) "... a pagar à EX-NOIVA uma indenização de 20 salários mínimos..." (par.1) - objeto indireto

b) "... mas porque houve realmente a má intenção por parte do EX-NOIVO..." (par.2) - agente da passiva

c) "Abandonada pelo NOIVO depois de 17 anos de namoro..." (par.1) - agente da passiva

d) "Disse à EX-NOIVA que tinha por ela apenas um vício carnal..." (par.3) - objeto indireto

e) "Após quatro anos de namoro, ficaram NOIVOS..." (par.4) - predicativo do sujeito


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.

(Faap 96) Hão de chorar por ela os cinamomos,

Murchando as flores ao tombar do dia.

Dos laranjais hão de cair os pomos,

Lembrando-se daquela que os colhia.
As estrelas dirão: - "Ai! nada somos,

Pois ela se morreu, silente e fria..."

E pondo os olhos nela como pomos,

Hão de chorar a irmã que lhes sorria.


A lua, que lhe foi mãe carinhosa,

Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la

Entre lírios e pétalas de rosa.
Os meus sonhos de amor serão defuntos...

E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,

Pensando em mim: - "Por que não vieram juntos?"

(Alphonsus de Guimaraens)


83. "Lembrando-se daquela que os colhia". Sujeito do verbo COLHER:

a) ela


b) Constança

c) que (no lugar de aquela)

d) indeterminado

e) inexistente


84. "Pois ela SE morreu...". A palavra SE é:

a) pronome reflexivo

b) pronome recíproco

c) índice da indeterminação do sujeito

d) partícula apassivadora

e) partícula de espontaneidade


85. Só um destes verbos é transitivo direto, portanto ao lado dele o objeto direto:

a) Hão de chorar por ela os cinamomos

b) Murchando as flores ao tombar do dia

c) Dos laranjais hão de cair pomos

d) Os meus sonhos de amor serão defuntos

e) Pensando em mim: - Por que não vieram juntos


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fatec 98) No dia seguinte, 3 de março, entreguei pela manhã os originais a dona Jeni, datilógrafa. Ao meio-dia uma parenta me visitou - e este caso insignificante exerceu grande influência na minha vida, talvez haja desviado o curso dela. Essa pessoa indiscreta deu-me conselhos e aludiu a crimes vários praticados por mim. Agradeci e pedi-lhe que me denunciasse, caso ainda não tivesse feito. A criatura respondeu-me com quatro pedras na mão e retirou-se. Minha mulher deu razão a ela e conseguiu arrastar-me a um dos acessos de desespero que ultimamente se amiudavam. Como era possível trabalhar em semelhante inferno? Nesse ponto surgiu Luccarini. Entrou sem pedir licença, atarantando, cochichou rapidamente que iam prender-me e era urgente afastar-me de casa, recebeu um abraço e saiu.

Ótimo. Num instante decidi-me. Não me arredaria, esperaria tranqüilo que me viessem buscar. Se quisesse andar alguns metros, chegaria à praia, esconder-me-ia por detrás de uma duna, lá ficaria em segurança. Se me resolvesse a tomar o bonde, iria até o fim da linha, saltaria em Bebedouro, passaria o resto do dia a percorrer aqueles lugares que examinei para escrever o antepenúltimo capítulo do romance. Não valia a pena. Entrei na sala de jantar, abri uma garrafa de aguardente, sentei-me à mesa, bebi alguns cálices, a monologar, a dar vazão à raiva que me assaltara. Propriamente não era monólogo: minha mulher replicava com estridência. Escapava-me a significação da réplica, mas a voz aguda me endoidecia, furava-me os ouvidos. Não conheço pior tortura que ouvir gritos. Devia existir uma razão econômica para esse desconchavo: as minhas finanças equilibravam-se com dificuldade, evitávamos reuniões, festas, passeios. De fato as privações não me inquietavam. Minha mulher, porém, sentia-se lesada, o que me fazia perder os estribos. De repente um ciúme insensato. A incongruência me arrancava a palavra dura:

- Que estupidez!

Naquele momento a idéia da prisão dava-me quase prazer: via ali um princípio de liberdade. Eximira-me do parecer, do ofício, da estampilha, dos horríveis cumprimentos ao deputado e ao senador; iria escapar a outras maçadas, gotas espessas, amargas, corrosivas. Na verdade suponho que me revelei covarde e egoísta: várias crianças exigiam sustento, a minha obrigação era permanecer junto a elas, arranjar-lhes por qualquer meio o indispensável. Desculpava-me afirmando que isto se havia tornado impossível. Que diabo ia fazer, perseguido, a rolar de um canto para outro, em sustos, mudando o nome, a barba longa, a reduzir-me, a endividar-me? Se a vida comum era ruim, essa que Luccarini me oferecera num sussurro, a tremura e a humilhação constante, dava engulhos. Além disso eu estava curioso de saber a argüição que armariam contra mim. Bebendo aguardente, imaginava a cara de um juiz, entretinha-me num longo diálogo, e saía-me perfeitamente, como sucede em todas as conversas interiores que arquiteto. Uma compensação: nas exteriores sempre me dou mal. Com franqueza, desejei que na acusação houvesse algum fundamento. E não vejam nisso bazófia ou mentiras: na situação em que me achava justifica-se a insensatez. A cadeia era o único lugar que me proporcionaria o mínimo de tranqüilidade necessária para corrigir o livro. O meu protagonista se enleara nesta obsessão: escrever um romance além das grades úmidas pretas. Convenci-me de que isto seria fácil: enquanto os homens de roupa zebrada compusessem botões de punho e caixinhas de tartaruga, eu ficaria longas horas em silêncio, a consultar dicionários, riscando linhas, metendo entrelinhas nos papéis datilografados por dona Jeni. Deixar-me-iam ficar até concluir a minha tarefa? Afinal a minha pretensão não era tão absurda como parece. Indivíduos tímidos, preguiçosos, inquietos, de vontade fraca habituam-se ao cárcere. Eu, que não gosto de andar, nunca vejo a paisagem, passo horas fabricando miudezas, embrenhando-me em caraminholas, por que não haveria de acostumar-me também?
(Graciliano Ramos, MEMÓRIAS DO CÁRCERE)
86. Analise as afirmações a seguir, referentes ao período:
AGRADECI E PEDI-LHE QUE ME DENUNCIASSE, CASO AINDA NÃO O TIVESSE FEITO.
I. A oração CASO AINDA NÃO O TIVESSE FEITO pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por A MENOS QUE JÁ O TIVESSE FEITO.

II. AGRADECI E PEDI-LHE: esse trecho apresenta coordenação por adição entre as orações, sendo sua forma negativa expressa por NÃO AGRADECI NEM LHE PEDI.

III. A oração QUE ME DENUNCIASSE é objeto direto de PEDI.

IV. O valor sintático e de sentido da oração CASO AINDA NÃO O TIVESSE FEITO é de condição.


Quanto a essas afirmações, devemos concluir que

a) estão corretas apenas a I e a IV.

b) estão corretas somente a II e a IV.

c) apenas a I e a II estão corretas.

d) somente a I, a II e a III estão corretas.

e) todas estão corretas.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Uerj 2002) FITA VERDE NO CABELO


1 Havia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas que velhavam, homens e mulheres que esperavam, e meninos e meninas que nasciam e cresciam.

2 Todos com juízo, suficientemente, menos uma meninazinha, a que por enquanto. Aquela, um dia, saiu de lá, com uma fita verde inventada no cabelo.

3 Sua mãe mandara-a, com um cesto e um pote, à avó, que a amava, a uma outra e quase igualzinha aldeia.

4 Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez. O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, que para buscar framboesas.

5 Daí, que, indo, no atravessar o bosque, viu só os lenhadores, que por lá lenhavam; mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo. Pois os lenhadores tinham exterminado o lobo.

6 Então, ela, mesma, era quem se dizia:

7 - Vou à vovó, com cesto e pote, e a fita verde no cabelo, o tanto que a mamãe me mandou.

8 A aldeia e a casa esperando-a acolá, depois daquele moinho, que a gente pensa que vê, e das horas, que a gente não vê que não são.

9 E ela mesma resolveu escolher tomar este caminho de cá, louco e longo, e não o outro, encurtoso. Saiu, atrás de suas asas ligeiras, sua sombra também vindo-lhe correndo, em pós.

10 Divertia-se com ver as avelãs do chão não voarem, com inalcançar essas borboletas nunca em buquê nem em botão, e com ignorar se cada uma em seu lugar as plebeinhas flores, princesinhas e incomuns, quando a gente tanto por elas passa.

11 Vinha sobejadamente.

12 Demorou, para dar com a avó em casa, que assim lhe respondeu, quando ela, toque, toque, bateu:

13 - Quem é?

14 - Sou eu... - e Fita-Verde descansou a voz. - Sou sua linda netinha, com cesto e pote, com a fita verde no cabelo, que a mamãe me mandou.

15 Vai, a avó, difícil, disse: - Puxa o ferrolho de pau da porta, entra e abre. Deus te abençoe.

16 Fita-Verde assim fez, e entrou e olhou.

17 A avó estava na cama, rebuçada e só. Devia, para falar agagado e fraco e rouco, assim, de ter apanhado um ruim defluxo. Dizendo: - Depõe o pote e o cesto na arca, e vem para perto de mim, enquanto é tempo.

18 Mas agora Fita-Verde se espantava, além de entristecer-se de ver que perdera em caminho sua grande fita verde no cabelo atada; e estava suada, com enorme fome de almoço. Ela perguntou:

19 - Vovozinha, que braços tão magros, os seus, e que mãos tão trementes!

20 - É porque não vou poder nunca mais te abraçar, minha neta... - a avó murmurou.

21 - Vovozinha, mas que lábios, aí, tão arroxeados!

22 - É porque não vou nunca mais poder te beijar, minha neta... - a avó suspirou.

23 - Vovozinha, e que olhos tão fundos e parados, nesse rosto encovado, pálido?

24 - É porque já não te estou vendo, nunca mais, minha netinha... - a avó ainda gemeu.

25 Fita-Verde mais se assustou, como se fosse ter juízo pela primeira vez. Gritou:

26 - Vovozinha, eu tenho medo do Lobo!...

27 Mas a avó não estava mais lá, sendo que demasiado ausente, a não ser pelo frio, triste e tão repentino corpo.

(ROSA, João Guimarães. "Fita verde no cabelo". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1992.)


87. "Fita-Verde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez." (par. 4)
O trecho acima exemplifica uma construção original da linguagem por parte do autor, que seleciona e combina as palavras de um modo distinto do uso corriqueiro a que estamos habituados.

Um dos recursos empregados para construir essa originalidade, no exemplo dado, é:

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