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TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fuvest 2002) Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe¢ em Lisboa, sua pátria; aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia£ rechonchuda e bonitota. O Leonardo, fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo era maganão¤. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes, e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.

(Manuel Antônio de Almeida, "Memórias de um sargento de milícias")


Glossário:

¢ algibebe: mascate, vendedor ambulante.

£ saloia: aldeã das imediações de Lisboa.

¤ maganão: brincalhão, jovial, divertido.


1. O trecho "fazendo-se-lhe justiça" mantém com o restante do período em que aparece uma relação de

a) causa.

b) conseqüência.

c) tempo.

d) contradição.

e) condição.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fei 97) LEMBRANÇA DE MORRER

(Fragmento)
Eu deixo a vida como deixa o tédio

Do deserto, o poento caminheiro

- Como as horas de um longo pesadelo

Que se desfaz ao dobre de um sineiro


Como o desterro de minh' alma errante,

Onde fogo insensato a consumia:

Só levo uma saudade - é desses tempos

Que amorosa ilusão embelecia.


Só levo uma saudade - é dessas sombras

Que eu sentia velar nas noites minhas...

De ti, ó minha mãe, pobre coitada

Que por minha tristeza te definhas!


De meu pai!... de meus únicos amigos,

Poucos - bem poucos - e que não zombavam

Quando, em noite de febre endoudecido,

Minhas pálidas crenças duvidaram.


2. Observe os dois primeiros versos do poema: "Eu deixo a vida COMO DEIXA O TÉDIO / DO DESERTO, O POENTO CAMINHEIRO". A oração destacada é:

a) oração subordinada substantiva subjetiva.

b) oração subordinada adjetiva restritiva.

c) oração subordinada adverbial comparativa.

d) oração coordenada sindética explicativa.

e) oração principal.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Pucsp 2001) APELO


Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa da esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

Com os dias, Senhora, o leite pela primeira vez coalhou. A notícia e sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.

E comecei a sentir falta das primeiras brigas por causa do tempero na salada - o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

Dalton Trevisan

In BOSI, A. (org.) "O conto brasileiro contemporâneo". São Paulo, Cultrix, 1997, p.190.
3. Sobre a subordinação, relembre: é a construção sintática em que uma oração determinante, e pois subordinada, se articula com outra, determinada por ela e principal em relação a ela. (Mattoso Câmara Jr - "Dicionário de Filologia e Gramática," Rio de Janeiro, J. Ozon, 1971, p.362). Em seguida, assinale a alternativa correta:
a) Em "Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos." - estabelece-se uma relação de meio e fim.

b) Em "Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa." - a subordinação se dá entre o verbo "faz" e seu complemento verbal "que a Senhora está longe de casa."

c) Em "Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só,..." - a relação de subordinação expressa a idéia de adição consecutiva.

d) Em "Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando." - a subordinação se dá entre o verbo "sabe" e seu sujeito representado pela oração reduzida de infinitivo "conversar com os outros."

e) Em "E comecei a sentir falta das primeiras brigas por causa do tempero na salada - o meu jeito de querer bem." - estabelece-se uma relação de condição-condicionado.
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Uff 2000) O primeiro navio destacado da conserva para levar a Portugal a notícia do descobrimento do Brasil, e com instâncias ao rei de Portugal para que por amor da religião se apoderasse d'esta descoberta, ¢cometera a violência de arrancar de suas terras, sem que a sua vontade fosse consultada, a dois índios, ato contra o qual se tinham pronunciado os capitães da frota de Pedro Álvares. Fizera-se o índice primeiro do que era a história da colônia: era a cobiça disfarçada com pretextos da religião , era o ataque aos senhores da terra, à liberdade dos índios; eram colonos degradados, condenados à morte, ou espíritos baixos e viciados que procuravam as florestas para darem largas às depravações do instinto bruto."

(DIAS, Gonçalves. "Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro", 4° trim. 1867, p.274.)
4. No fragmento "... cometera a violência de arrancar de suas terras, SEM QUE a sua vontade fosse consultada..." (ref.1), o conectivo destacado estabelece a relação de:

a) causalidade

b) conclusão

c) condição

d) conseqüência

e) concessão


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Faap 96) OLHOS DE RESSACA


Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...

As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver parece que a retinha também. Momentos houve em que os olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.

(Machado de Assis)
5. (1) "No meio dela (da confusão), Capitu olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa, / (2) que não admira / (3) lhe saltassem algumas lágrimas poucas e caladas."
Há no período três orações já separadas pela barra inclinada e enumeradas cujas classificações assim se fazem:

a) (1) absoluta; (2) causal; (3) objetiva direta

b) (1) principal; (2) consecutiva; (3) subjetiva

c) (1) coordenada; (2) final; (3) objetiva indireta

d) (1) aditiva; (2) temporal; (3) predicativa

e) (1) absoluta; (2) proporcional; (3) coordenada


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES.

(Ufal 2000) Língua para inglês ver


A incorporação da língua inglesa aos idiomas nativos dos mais diversos países não é novidade. Traduz, no âmbito da linguagem, uma hegemonia que os Estados Unidos consolidaram desde a década de 50. Com a globalização e o encurtamento das distâncias entre as nações obtido pelo avanço dos meios de comunicação, a contaminação das demais línguas pelo inglês ficou ainda mais patente.

O fenômeno não é em si mesmo nocivo. Pode até enriquecer um idioma ao permitir que se incorporem informações vindas de fora que ainda não têm correspondência local. A Internet é um exemplo nesse sentido.

Outra coisa, porém, bem diferente, é o uso gratuito de palavras em inglês como o que se verifica hoje no Brasil. A não ser pela vocação novidadeira - e caipira - de quem se deslumbra diante de qualquer coisa que o aproxima do "estrangeiro", não há nenhuma razão para que se diga "sale" no lugar de liquidação, ou qualquer motivo para falar "off" em vez de desconto. Tais anomalias são um dos sintomas do subdesenvolvimento e exprimem, no seu ridículo involuntário, a mentalidade de quem confunde modernidade com uma temporada em Miami.

Um país como a Alemanha, menos vulnerável à influência da colonização da língua inglesa, discute hoje uma reforma ortográfica para "germanizar" expressões estrangeiras, o que já é regra na França. O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente.

Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, que queria transformar o tupi em língua oficial do Brasil para recuperar o instinto de nacionalidade. No Brasil de hoje já seria um avanço se as pessoas passassem a usar, entre outros exemplos, a palavra "entrega" em vez de "delivery".

(FOLHA DE S. PAULO - 20/10/97)


6. "Outra coisa é o uso gratuito de palavras em inglês COMO SE VERIFICA HOJE NO BRASIL"

A circunstância expressa pela oração em destaque no período acima é a mesma que se contém na frase:

a) COMO DESCONHECIA O CAMINHO, resolveu voltar.

b) Ele executou a tarefa CONFORME LHE FOI PEDIDO.

c) A menina enfeita-se COMO UMA RAINHA.

d) Não sabemos COMO SE DEU O FATO.

e) Alguns trabalham, AO PASSO QUE MUITOS DESCANSAM
7. O verbo no infinitivo só NÃO é núcleo de oração reduzida em

a) Pode até enriquecer um idioma, ao permitir que se incorporem informações vindas de fora.

b) Não há qualquer motivo para falar "off' em vez de desconto.

c) Não é preciso, porém, agir como Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto.

d) O risco de se cair no nacionalismo tosco e na xenofobia é evidente.

e) Já seria um avanço se as pessoas passassem a usar a palavra "entrega" em vez de "delivery".


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Cesgranrio 93) O POETA COME AMENDOIM - TEXTO I


Noites pesadas de cheiros e calores amontoados...

Foi o sol que por todo o sítio imenso do Brasil

Andou marcando de moreno os brasileiros.
Estou pensando nos tempos de antes de eu nascer...
A noite era pra descansar. As gargalhadas brancas dos mulatos...

Silêncio! O Imperador medita os seus versinhos.

Os Caramurus conspiram à sombra das mangueiras ovais.

Só o murmurejo dos cre'm-deus-padre irmanava os

[ homens de meu país...

Duma feita os canhamboras perceberam que não tinha

[mais escravos,

Por causa disso muita virgem-do-rosáriõ se perdeu...


Porém o desastre verdadeiro foi embonecar esta República temporã.

A gente inda não sabia se governar...

Progredir, progredimos um tiquinho

Que o progresso também é uma fatalidade...

Será o que Nosso Senhor quiser!...
Estou com desejos de desastres...

Com desejos do Amazonas e dos ventos muriçocas

Se encostando na canjerana dos batentes...

Tenho desejos de violas e solidões sem sentido...

Tenho desejos de gemer e de morrer...
Brasil...

Mastigado na gostosura quente do amendoim...

Falado numa língua curumim

De palavras incertas num remeleixo melado melancólico...

Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...

Molham meus beiços que dão beijos alastrados

E depois semitoam sem malícia as rezas bem nascidas...
Brasil amado não porque seja minha pátria,

Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...

Brasil que eu amo porque é o ritmo no meu braço aventuroso,

O gosto dos meus descansos,

O balanço das minhas cantigas amores e danças.

Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,

Porque é o meu sentimento pachorrento,

Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.

(Mário de Andrade. POESIAS COMPLETAS. S.P.: Martins, 1996. p. 109-110)

TEXTO II
A política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas, ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais. Constitui a política uma função, ou o conjunto das funções do organismo nacional: é o exercício normal das forças de uma nação consciente e senhora de si mesma. A politicalha, pelo contrário, é o envenenamento crônico dos povos negligentes e viciosos pela contaminação de parasitas inexoráveis. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.

(Rui Barbosa. Texto reproduzido em ROSSIGNOLI, Walter. "Português: teoria e prática". 2. ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 19)
8. "DUMA FEITA os canhamboras perceberam que não tinha mais escravos (...)" (Texto I, v. 9).
A locução em destaque denota nesse contexto:

a) tempo.

b) oposição.

c) conclusão.

d) comparação.

e) conseqüência.


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Uerj 99) TEXTO I


1 Escreverei minhas "Memórias", fato mais freqüentemente do que se pensa observado no mundo industrial, artístico, científico e sobretudo no mundo político, onde muita gente boa se faz elogiar e aplaudir em brilhantes artigos biográficos tão espontâneos, ¢como os ramalhetes e as coroas de flores que as atrizes compram para que lhos atirem na cena os comparsas comissionados.

2 Eu reputo esta prática muito justa e muito natural; porque não compreendo amor e ainda amor apaixonado mais justificável do que aquele que sentimos pela nossa própria pessoa.

3 O amor do eu é e sempre será a pedra angular da sociedade humana, o regulador dos sentimentos, o móvel das ações, e o farol do futuro: do amor do eu nasce o amor do lar doméstico, deste o amor do município, deste o amor da província, deste o amor da nação, anéis de uma cadeia de amores que os tolos julgam que sentem e tomam ao sério, e que certos maganões envernizam, mistificando a humanidade para simular abnegação e virtudes que não têm no coração e que eu com a minha exemplar franqueza simplifico, reduzindo todos à sua expressão original e verdadeira, e dizendo, lar, município, província, nação, têm a flama dos amores que lhes dispenso nos reflexos do amor em que me abraso por mim mesmo: todos eles são o amor do eu e nada mais. A diferença está em simples nuanças determinadas pela maior ou menor proporção dos interesses e das conveniências materiais do apaixonado adorador de si mesmo.

(MACEDO, Joaquim Manuel de. "Memórias do sobrinho de meu tio". São Paulo: Companhia das Letras, 1995.)


TEXTO II
Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este tempo tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa os seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (...). Nada há que valha a terra natal. ¢Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d'improviso em Paris: será por um momento fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao coração as lembranças da pátria, e trocará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos de sua terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos murmúrios das florestas, pelo correr dos seus rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas cedo pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio, prefiro a Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos tormentos da saudade.

(ABREU, Casimiro de."Obras de Casimiro de Abreu". Rio de Janeiro: MEC, 1955.)


TEXTO III
LADAINHA I
Por se tratar de uma ilha deram-lhe o nome

de ilha de Vera Cruz.

Ilha cheia de graça.

Ilha cheia de pássaros.

Ilha cheia de luz.
Ilha verde onde havia

mulheres morenas e nuas

anhangás a sonhar com histórias de luas

e cantos bárbaros de pajés em poracés

[batendo os pés.
Depois mudaram-lhe o nome

pra terra de Santa Cruz.

Terra cheia de graça

Terra cheia de pássaros

Terra cheia de luz.
A grande Terra girassol onde havia

[guerreiros de tanga e onças ruivas

[deitadas à sombra das árvores

[mosqueadas de sol.


Mas como houvesse, em abundância,

certa madeira cor de sangue cor de brasa

e como o fogo da manhã selvagem

fosse um brasido no carvão noturno da

[paisagem,
e como a Terra fosse de árvores vermelhas

e se houvesse mostrado assaz gentil,

deram-lhe o nome de Brasil.
Brasil cheio de graça

Brasil cheio de pássaros

Brasil cheio de luz.

(RICARDO, Cassiano. "Seleta em prosa e verso". Rio de Janeiro: José Olympio, 1975.)


9. "POR SE TRATAR DE UMA ILHA deram-lhe o nome de ilha de Vera Cruz:" (texto III - versos 1 e 2)

A oração em destaque introduz uma circunstância de:

a) causa

b) condição

c) concessão

d) comparação


TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

(Fuvest 95) Além de parecer não ter rotação, a Terra parece também estar imóvel no meio dos céus. Ptolomeu dá argumentos astronômicos para tentar mostrar isso. Para entender esses argumentos, é necessário lembrar que, na antigüidade, imaginava-se que todas as estrelas (mas não os planetas) estavam distribuídas sobre uma superfície esférica, cujo raio não parecia ser muito superior à distância da Terra aos planetas. Suponhamos agora que a Terra esteja no centro da esfera das estrelas. Neste caso, o céu visível à noite deve abranger, de cada vez, exatamente a metade da esfera das estrelas. E assim parece realmente ocorrer: em qualquer noite, de horizonte a horizonte, é possível contemplar, a cada instante, a metade do zodíaco. Se, no entanto, a Terra estivesse longe do centro da esfera estrelar, então o campo de visão à noite não seria, em geral, a metade da esfera: algumas vezes poderíamos ver mais da metade, outras vêzes poderíamos ver menos da metade do zodíaco, de horizonte a horizonte. Portanto, a evidência astronômica parece indicar que a Terra está no centro da esfera de estrelas. E se ela está sempre nesse centro, ela não se move em relação às estrelas.

(Roberto de A. Martins, Introdução geral ao Commentariolus de Nicolau Copernico)
10. Os termos além de, no entanto, então, portanto estabelecem no texto, relações, respectivamente, de:

a) distanciamento - objeção - tempo - efeito.

b) adição - objeção - tempo - conclusão.

c) distanciamento - conseqüência - conclusão - efeito.

d) distanciamento - oposição - tempo - conseqüência.

e) adição - oposição - conseqüência - conclusão.


TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 3 QUESTÕES.

(Ufsm 2001) BRASIL, MOSTRA A TUA CARA


A busca de uma identidade nacional é preocupação deste século

João Gabriel de Lima


1 Ao criar um livro, um quadro ou uma canção, o artista ¢¢brasileiro dos dias atuais tem uma preocupação a menos: parecer brasileiro. A noção de cultura nacional é algo tão incorporado ao cotidiano do país que deixou de ser um peso para os ¢£criadores. Agora, em vez de servir à pátria, eles podem servir ao próprio talento. §Essa é uma ¨conquista deste século. Tem como marco a Semana de Arte Moderna de 1922, ¢uma espécie de ©grito de independência artística do país, cem anos depois da £independência política. Até esta data, o ¢¤brasileiro era, antes de tudo, um ¢¥envergonhado. Achava que pertencia a uma raça inferior e que a única solução era imitar os modelos culturais importados. Para acabar com esse complexo, foi preciso que um grupo de artistas de diversas áreas se reunisse no Teatro Municipal de São Paulo e bradasse que ser brasileiro era bom. O escritor Mário de Andrade lançou o projeto de uma língua nacional. Seu colega Oswald de Andrade propôs o conceito de "antropofagia", segundo o qual a cultura brasileira criaria um caráter próprio depois de digerir as influências externas.

2 A semana de 22 foi só um marco, mas pode-se dizer que ela realmente criou uma agenda cultural para o país. Foi tentando inventar uma língua brasileira que Graciliano Ramos e Guimarães Rosa escreveram suas obras, ¤as mais significativas do ªséculo, no país, no campo da prosa. Foi recorrendo ao bordão da antropofagia que vários artistas jovens, nos anos 60, inventaram a cultura pop brasileira, no movimento conhecido como tropicalismo. No plano das idéias, o século gerou três obras que se tornariam clássicos da reflexão sobre o país. "Os Sertões", do carioca Euclides da Cunha, escrito em 1902, é ainda influenciado por teorias racistas do século passado, que achavam que a mistura entre negros, ¢¦brancos e índios provocaria ¥um "enfraquecimento" da raça brasileira. Mesmo assim, é ¦um livro essencial, porque o repórter Euclides, que trabalhava no jornal "O Estado de S. Paulo", foi a campo cobrir a guerra de Canudos e viu na frente de ¢©combate muitas coisas que punham em questão as teorias formuladas em gabinete. "Casa-Grande & Senzala", do pernambucano Gilberto Freyre, apresentava pela primeira vez a miscigenação como algo positivo e buscava nos primórdios da colonização portuguesa do país as origens da sociedade que se formou aqui. Por último, o paulista Sérgio Buarque de Holanda, em "Raízes do Brasil", partia de premissas parecidas mas propunha uma visão crítica, que influenciaria toda a sociologia produzida a partir de então.

"VEJA", 22 de dezembro, 1999. p. 281-282.
11. A - "Achava que pertencia a uma raça inferior e que a única solução era imitar os modelos culturais importados."

B - "(...) bradasse que ser brasileiro era bom."

C - "(...) o conceito de "antropofagia", segundo o qual a cultura brasileira criaria um caráter próprio depois de digerir as influências externas."
Analise as afirmativas sobre os procedimentos lingüísticos usados pelo autor para introduzir diferentes vozes em seu texto.
I. Em A, a forma verbal "Achava" expressa a idéia de que há um ponto de vista mostrado como uma CRENÇA e não como um SABER, uma certeza.

II. Em A e B, o discurso indireto livre introduz declarações atribuídas a outros, as quais, no texto, misturam-se à fala do jornalista sem marcas formais do discurso direto ou do indireto.

III. Em C, a palavra "segundo", com o valor de conformidade, contribui para a retomada de um conceito central na estética da semana de 22.
Está(ão) correta(s)

a) apenas I.

b) apenas II.

c) apenas III.

d) apenas I e III.

e) I, II e III.


12. Em "A noção de cultura nacional é algo tão incorporado ao cotidiano do país QUE deixou de ser um peso para os criadores", o termo em destaque introduz uma oração com o sentido de

a) causa.

b) conseqüência.

c) tempo.

d) finalidade.

e) comparação.


13. "Essa é uma conquista deste século. Tem como marco a Semana de Arte Moderna de 1922, uma espécie de grito de independência artística do país, cem anos depois da independência política."
Reunindo os dois períodos destacados em um único período, pode-se ter o seguinte:
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