Texto publicado sob o título “As religiões afro-brasileiras nas ciências sociais



Baixar 129.2 Kb.
Página3/4
Encontro18.07.2016
Tamanho129.2 Kb.
1   2   3   4

3. Novos temas, abordagens e autores


Mais adiante, ainda nos 70, quatro jovens autores marcaram presença com obras até hoje relevantes: Renato Ortiz, com A morte branca do feiticeiro negro, se detém no processo crescente de branqueamento das religiões afro-brasileiras; Yvonne Maggie, em Guerra de orixá, estuda os usos que os membros de um terreiro de umbanda do Rio de Janeiro fazem dos ritos e dos símbolos religiosos no jogo do conflito interno pelo poder; Roberto Motta, em vários artigos, começa a detalhar a prática sacrificial do xangô e os mecanismos de legitimação social do terreiro nos bairros pobres de Recife e Olinda, vindo a se tornar um grande especialista sobre o xangô; Peter Fry, com seu famoso Duas respostas à aflição: umbanda e pentecostalismo, identifica nessas religiões capacidades próprias e distintas de elaborar a idéia de sociedade e de indivíduo e de se oferecer como alternativas para a escolha dos que buscam uma nova religião: para indivíduos com diferentes propensões sociais, religiões com diferentes modos de enxergar a vida.

Além deles, outros trabalhos da década se destacaram: em 1972, Marco Aurélio Luz e George Lapassade publicaram O segredo da macumba, de interpretação marxista, que trata do culto dos exus no Rio de Janeiro, isto é, da quimbanda, como ritual libertário de sentimentos, desejos e aspirações da população pobre de favelas do Rio e de São Paulo; em 1974, Diana Brown defendeu na Columbia University seu doutorado desvendando as origens da umbanda no Rio de Janeiro; e em 1975 o casal Ruth e Seth Leacock publicou The Spirit of the Deep, sobre o batuque do Pará, uma belíssima obra até hoje não traduzida, em que se mostra a fusão da encantaria amazônica com o tambor-de-mina maranhense. Em 1976, em sua dissertação de mestrado na Unicamp, O tambor das flores, Anaíza Vergolino-Henry discorreu sobre uma federação de terreiros do Pará, mostrando a umbanda fora do eixo Rio-São Paulo. Na dissertação de mestrado defendida na UnB, em 1979, Ordep Trindade-Serra, estudando um terreiro de candomblé angola da Bahia, tratou de um grupo de entidades de candomblé até então pouco estudadas, os erês.

Na década de 1980 muito se produziu sobre as religiões afro-brasileiras, já eram inumeráveis os autores. As religiões afro-brasileiras foram escaneadas, examinadas, destrinchadas, mas o caráter dos estudos era, na maioria das vezes, monográfico. As mais diferentes modalidades foram apresentadas nos seus locais de origem, os ritos foram descritos em pormenores, aspectos da organização do culto, a distribuição dos papéis, a diferenciação das origens étnicas, tudo isso foi bastante explorado. Entre os autores, destacaram-se, no estudo do candomblé: Vivaldo da Costa Lima, em pesquisa sobre a organização hierárquica dos terreiros e os papéis sacerdotais; Júlio Braga, que tratou do culto aos antepassados da ilha de Itaparica, na Bahia, o chamado candomblé de egum, e de tradições, resistência e repressão no candomblé baiano; Claude Lépine, com pesquisa fundamental sobre o candomblé como sistema de classificação; e José Flávio Pessoa de Barros, que pesquisou o uso religioso das plantas. Todos esses trataram do candomblé de origem iorubá. Jocélio Teles dos Santos, por sua vez, se ocupou do candomblé de caboclo. Sérgio Ferretti e Mundicarmo Ferretti trataram do tambor-de-mina maranhense. Norton Corrêa atualizou os estudos sobre o batuque do Rio Grande do Sul. Beatriz Góes Dantas, em pesquisa em Sergipe, trouxe para a discussão a questão polêmica da preferência dos pesquisadores pela casas de candomblé de origem iorubá em detrimento das de filiação banta, fazendo moda com a crítica da chamada nagocracia. Luciano Arcela, da Itália, retomou o tema sempre difícil dos exus e pombagiras da macumba carioca. Rompendo com a tendência monográfica do período, Monique Augras, originária da psicologia social, se preocupou com a construção da identidade dos fiéis do candomblé a partir dos mitos e ritos, num livro, O duplo e a metamorfose, que é uma das jóias do período.

A umbanda, de ritual mais simples e menos atrativo, parece induzir pesquisa de cunho mais generalizante, abrangendo até mesmo temas referentes à orientação político-partidária de líderes religiosos e terreiros.

Antes do final da década de 1980, Maria Helena Villas Boas Concone e Lísias Nogueira Negrão, dirigentes do Centro de Estudos da Religião “Duglas Teixeira Monteiro”, o CER, identificaram desde logo a fragilidade das federações de umbanda, cooptadas pelas práticas fisiológicas de políticos simpatizantes da umbanda, enquanto Liana Trindade, também desse centro, desnudava a condição thrikster de Exu. Como parte do grande projeto do CER, Lísias Negrão e Maria Helena Concone realizaram uma extensa pesquisa nos cartórios de registro civil de São Paulo, o que lhes permitiu descrever com precisão a expansão das religiões afro-brasileiras, indicando a chegada e a fixação do candomblé em São Paulo a partir dos anos 1960. Até então, São Paulo era um território para a pesquisa da umbanda, e quem quisesse estudar o candomblé deveria ir à Bahia. Mas, com a descoberta de que em São Paulo também já se podiam encontrar inúmeros terreiros de candomblé, abriu-se uma nova frente de pesquisa, da qual participei com um projeto de investigação que cobriu a região metropolitana de São Paulo, projeto financiado pela FAPESP. Daí saiu meu livro Os candomblés de São Paulo, de 1991, apresentado originalmente à USP, em 1989, como tese de livre-docência em sociologia.

Até então, as religiões afro-brasileiras já tinham despertado plenamente o interesse das ciências socias como objeto de estudo. Começava um movimento inverso: as religiões afro-brasileiras se interessando pelo que delas diziam as ciências sociais. Obras de cientistas sociais aos poucos foram se transformando em fonte de conhecimento religioso, num movimento que eu e outros estudamos sob o nome de africanização do candomblé e, por extensão, das demais modalidades afro-brasileiras.


4. Religião universal, africanização e dissincretização


Nos meios do candomblé, acredita-se que muitos elementos rituais da religião dos orixás teriam se perdido, por várias razões, ao longo da reconstituição da religião africana no Brasil. Muitos acreditam também que é possível recuperar essas perdas e, assim, restaurar a força e a riqueza originais da religião. Seria preciso, conforme se pensa, reaprender as línguas africanas, restabelecer ritos, recuperar a mitologia. Isso é uma diretriz ideológica importante que norteará mudanças na religião, sobretudo em seu extravasamento para fora da Bahia, mas lá também se fazendo presente.



Os nàgó e a morte, de Juana Elbein dos Santos, tese de doutorado em etnologia apresentada à Sorbonne em 1972 e publicada no Brasil em 1976, muitas vezes reedidata, é exemplo precioso da tentativa de reencontrar a fórmula perdida e entender o sentido esquecido dos ritos. Reconstruindo a religião no Brasil por meio da etnografia colhida na África, Juana Elbein dos Santos foi capaz de oferecer ao povo-de-santo um novo caminho a ser seguido ritualmente, com significados de uma cosmogonia que dá um outro sentido à religião: agora sabe-se por que se canta tal cantiga e o que ela quer dizer; agora sabe-se por que tal prática cerimonial deve ser realizada. O candomblé é religião de transmissão oral, mas o livro agora passava a ser um instrumento importante de recuperação de tradições. Durante minha pesquisa sobre o candomblé de São Paulo, que me obrigou a pesquisar também terreiros de outros estados do Brasil, era comum eu e meus auxiliares de campo, como Vagner Gonçalves da Silva, Rita de Cássia Amaral, Rosa Maria Bernardo e Ricardo Mariano, encontrarmos nos terreiros o livro de Juana Elbein, freqüentemente anotado e revelando sinal de uso intenso.

Em 1981, Pierre Verger, agora chamado Pierre Fatumbi Verger, publicou sua obra monumental de fotógrafo e etnógrafo, Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. Nunca mais o velho candomblé seria o mesmo. Verger oferece um receituário preciso, denso, fidedigno do culto de cada um dos orixás cultuados do lado de cá do Atlântico, apresentando suas originais feições africanas, que podem ser comparadas, a cada página, com a versão brasileira. Com esse livro, Verger lançou uma ponte definitiva entre a Bahia e a África, ponte que qualquer um poderia, a partir de então, atravessar. A volta à África, tão ansiada por muitos líderes e seguidores das religiões afro-brasileiras interessados na atualização da religião, se fez acessível através da leitura, o livro se impondo à oralidade.

Difícil imaginar hoje um seguidor do candomblé minimamente escolarizado que não tenha em algum momento lido ou tido vontade de ler trabalhos escritos como os de Pierre Verger e Juana Elbein. A esse esforço de recuperação da mitologia e do ritual do candomblé por seus líderes e seguidores a partir da produção das ciências sociais, eu mesmo posso ter contribuído com meu Mitologia dos orixás e os livros infanto-juvenis sobre os orixás que publiquei a partir do ano 2000.

Bem, o candomblé, então, já experimentava modificações substanciais, transformado numa religião para todos, não mais uma religião exclusiva de descendentes de africanos. Com sua lógica própria e sua capacidade de fornecer ao devoto uma rica e instigante interpretação do mundo, o candomblé foi se espalhando da Bahia para todo o Brasil. Foi se transformando e se adaptando às novas condições sociais e culturais.

Agora religião para todos, o candomblé enfatiza a idéia de que a competição na sociedade é bem mais aguda do que se podia pensar, que é preciso chegar a níveis de conhecimento mágico e religioso muito mais densos e cifrados para melhor competir em cada instante da vida, que o poder religioso tem amplas possibilidades de se fazer aumentar. Ensina que não há nada a esconder ou reprimir em termos de sentimentos e modos de agir, com relação a si mesmo e com relação aos demais. Não impõe barreiras moralistas aos desejos e ao comportamento sexual, ao contrário. O candomblé considera que neste mundo podemos ser o que somos, o que gostaríamos de ser e o que os outros gostariam que fôssemos. A um só tempo. Muito apropriado aos ventos libertários da contracultura que sopraram no Brasil e no mundo nas décadas de 1960 e 70.

Como agência de serviços mágicos, que também é, a religião dos deuses africanos em suas diferentes modalidades oferece ao não-devoto a possibilidade de encontrar solução para problema não resolvido por outros meios, sem maiores envolvimentos com a religião. Para o cliente (consumidor dos serviços mágicos que a religião oferece também aos não-devotos, sob pagamento) passa desapercebida a intensa atividade ritual do candomblé e das outras denominações afro-brasileiras. Como as cerimônias iniciáticas são realizados longe dos olhos do público, são secretas, o não-iniciado só vê o rito público, que é a festa, com música, canto, dança, comida e muita cor. O candomblé assim é muito confundido com sua forma estética, a qual se reproduz no teatro, na escola de samba, na novela da televisão — os orixás ao alcance da mão como produto de consumo. Porque candomblé também é festa, como o estudou Rita de Cássia Amaral em Xirê! O modo de crer e de viver do povo-de-santo.

Parcela importante da legitimidade social dessa cultura de origem africana, cujo celeiro mais importante é a Bahia, foi gestada a partir de uma nova estética formulada pela classe média intelectualizada do Rio e de São Paulo nas décadas de 1960 e 1970, que adotou os artistas e intelectuais baianos, inclusive, propagou-se pela mídia eletrônica e chegou a todas as classes sociais. Sobretudo através da música popular pós-Bossa Nova. Chegou também aos pobres, ainda que esses não tenham vivido o desejo de retorno e rebeldia que, na década de 1960, rumou para Salvador em busca das veneráveis mães-de-santo e seus búzios e feitiços. Desejo que se alastrou também entre os seguidores da umbanda, que com esforço haviam buscado até então apagar justamente essa origem não branca de sua religião, essa Bahia, essa África. Era o processo de africanização do candomblé, em que o retorno deliberado à tradição significa o reaprendizado da língua, dos ritos e mitos que foram deturpados e perdidos na adversidade da Diáspora; voltar à África não para ser africano, nem para ser negro, mas para recuperar um patrimônio cuja presença no Brasil é agora motivo de orgulho, sabedoria e reconhecimento público, para ser o detentor de uma cultura que já é ao mesmo tempo negra e brasileira, porque o Brasil já se reconhece no orixá. Esses são, a meu ver, os temas mais importantes tratados no final dos 80, temas que procurei discutir em Os candomblés de São Paulo e retomar, catorze anos depois, em Segredos guardados.

Em suma, ao longo do processo de mudanças mais geral que orientou a formação brasileira das religiões dos orixás, voduns e inquices, o culto das divindades africanas primeiro misturou-se ao culto dos santos católicos para ser brasileiro, forjando-se o sincretismo; depois apagou elementos negros e adotou valores cristãos para ser universal e se inserir na sociedade geral, gestando-se a umbanda; finalmente retomou origens negras para transformar também o candomblé em religião para todos, iniciando um processo de africanização e dessincretização para alcançar sua autonomia em relação ao catolicismo. Para isso, certamente, o reconhecimento da cultura dos orixás pela sociedade em geral representou um passo importante e sua divulgação através da música popular, do teatro e da literatura, entre outras formas de manifestação cultural, não deixou de ser muito expressivo.

Nos tempo atuais, as mudanças por que passam as religiões dependem, entre outros motivos, da necessidade da própria religião em mudança de se expandir e se enfrentar de modo competitivo com as demais religiões. A maior parte dos atuais seguidores das religiões afro-brasileiras nasceu católica e adotou a religião que professa hoje em idade adulta. Não é diferente para evangélicos e membros de outros credos de conversão. Pertencer hoje a uma determinada religião no Brasil é questão de escolha pessoal. A religião que se professa hoje já não é aquela na qual se nasce, mas a que se escolhe. A religião que alguém elege para si hoje, selecionada de uma pluralidade em permanente expansão, também não é necessariamente mais a que seguirá amanhã. O religioso é agora um ser pouco fiel. Mais de um quarto da população adulta da região metropolitana de São Paulo professa hoje religião diferente daquela em que nasceu, são convertidos, muitos tendo experimentado sucessivas opções4.

Enfim, o candomblé, o tambor-de-mina, o xangô, o batuque e a umbanda compõem um conjunto de alternativas religiosas que se insere cada vez mais como possibilidades de opção para todos; as amarras étnicas estão definitivamente desfeitas. É preciso tratar essas religiões a partir de categorias que — para além dos aspectos de cunho mágico, como a cura — permitam entender questões atuais das ciências sociais, como as de gênero, sexualidade, representação política, identidade na grande cidade, ética. De gênero, sexualidade, homossexualidade e papéis no terreiro, trataram Rita Segato, pesquisando o xangô em Pernambuco, e Patrícia Birman e Maria Lina Leão Teixeira, analisando terreiros do Rio de Janeiro. Teresinha Bernardo se propôs a entender questões referidas à mulher e à mãe, tomando como referência a mentalidade mítico-africana do candomblé. Armando Vallado analisou questões de moralidade e ética religiosa e o conflito nos terreiros. Havia um outro veio importante a explorar, o da música e da dança, em que atuaram José Jorge de Carvalho, Ângela Lühning e Susanna Barbara.

As religiões afro-brasileiras são agora também produto de exportação e povoam o imaginário e o leque de escolhas religiosas de povos vizinhos, como os argentinos e uruguaios, e se expandem mais além, buscando terras européias, estabelecendo-se em Portugal, Itália e Suíça, inicialmente acompanhando os emigrantes brasileiros, como o candomblé já tinha seguido antes os migrantes nordestinos que buscaram Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília. Os cientistas socias, é claro, vão atrás, pois há muito a explicar. Vejam-se os trabalhos de Ari Pedro Oro seguindo os passos do batuque gaúcho nos países do Cone Sul. E os de Ismael Pordeus sobre Portugal, mais a obra de antropólogos estrangeiros, que foram se juntando aos brasileiros no desejo de entender as religiões afro-brasileiras em contextos culturais cada vez mais distantes daqueles em que nasceram, como Bruno Barba e Luisa Faldini, estudando as religiões afro-brasileiras na Itália, Alejandro Frigério e María Julia Carozzi, na Argentina, Renzo Pi-Hugarte no Uruguai.

Outros autores com contribuições importantes aos estudos das religiões afro-brasileiras devem ser lembrados. Estudando o candomblé no período inicial, Ruth Landes, Donald Pierson e Jean Ziegler (todos visitantes estrangeiros). Mais recentemente, Márcio Goldman tratou da construção da pessoa e do transe; Klaas Woortmann ofereceu uma interpretação antropológica da cosmologia nagô; Vagner Gonçalves da Silva estudou o candomblé de São Paulo como religião da metrópole; Arno Vogel e Marco Antônio da Silva Mello retrabalharam a questão da construção iniciática da identidade; Volney Berkembrock buscou uma interpretação teológica do culto aos orixás; Josildeth Gomes Consorte tem estudado a questão do sincretismo. Os antropólogos Gilberto Mazzoleni, italiano, Michel Agier, francês, e Mickelle Omari, norteamericana, investigaram o terreiro em face do multiculturalismo contemporâneo. Stefania Capone buscou entender questões do poder numa comparação entre o terreiro brasileiro e suas fontes africanas; Vilson Caetano de Souza Júnior estudou o candomblé do Recôncavo Baiano; Rosa Maria Bernardo e Patrícia Ricardo de Souza preocuparam-se com questões da estética do candomblé; Hélio Vianna, numa tese de doutorado sobre a construção de tradições no candomblé, ofereceu um detalhado estudo dos mais importantes terreiros e líderes de candomblé do Rio de Janeiro, suas origens e filiações. Raul Lody, museólogo, publicou obra numerosa sobre objetos sagrados.

Também é preciso mencionar Ronaldo Senna, que pesquisou o jarê no interior da Bahia; Maria do Carmo Brandão, Luís Felipe Rios e Anilson Lins que trabalharam com o xangô tradicional e o xangô umbandizado; mais Raymundo Heraldo Maués e Gisela Macambira Villacorta, Carlos Alberto Caroso e Núbia Rodrigues, André Ricardo de Souza, estudiosos dos cultos de encantaria, catimbó, pajelança e caboclos; Maria Amália Pereira Barreto, pela pesquisa sobre o tambor-de-mina; Luiz Assunção pela investigação recente do catimbó ou jurema em terreiros de umbanda, candomblé e xangô do interior nordestino. Outros antropólogos que pesquisaram a umbanda: sobre magia e cura, Paula Montero; sobre organização, José Guilherme Magnani; sobre marginalidade e comportamento: Fernando Brumana e Elda Martinez; sobre crime e imagem feminina na quimbanda, Márcia Contins. Em Medo do feitiço, Yvonne Maggie analisa relações entre magia e poder e entre o direito e a religião. De fora das ciências sociais veio a instigante contribuição de Marlyse Meyer sobre as origens possíveis da entidade Pombagira.

A lista, evidentemente, está longe de ser completa. Faltaria incluir, entre outros, autores de trabalhos de cunho histórico que vêm desvendando passagens importantes da constituição das religiões afro-brasileira, como Renato da Silveira, que trabalhou com as origens dos primeiros terreiros de candomblé queto da Bahia; Luis Nicolau Parés, debruçado sobre a contribuição da nação jeje na formação desse candomblé baiano; e Roberto Moura, que nos deu sua obra sobre a "Pequena África" do Rio de Janeiro, povoada de personagens que fizeram parte, ao mesmo tempo, da consolidação carioca da religião afro-brasileira e da formação do samba e outros elementos fundamentais da cultura popular brasileira.




1   2   3   4


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal