Thomas Kuhn



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Disciplina: História do pensamento científico Curso: Jornalismo

Docente: Luiz Paulo Rouanet Semestre: 1º. 2008

Data: 27/2/2008


Thomas Kuhn

1. Vida e obra


“Thomas Samuel Kuhn nasceu em 18 de julho de 1922, em Cincinnati, Ohio, nos Estados Unidos. Doutorou-se em Física pela Harvard University em 1949 e permaneceu lá como professor assistente de educação geral e história da ciência. Em 1956, Kuhn aceitou um cargo na Universidade da Califórnia ─ Berkeley ─, onde, em 1961, tornou-se professor pleno de história da ciência. Em 1964, foi nomeado Professor M. Taylor Pyne de Filosofia e História da Ciência na Princeton University. Em 1979, retornou a Boston, desta vez para o Massachussetts Institute of Technology, como professor de Filosofia e História da Ciência. Em 1983, foi nomeado Professor Laurence S. Rockefeller de Filosofia no MIT”.1 Faleceu em junho de 1996.

Seu livro mais conhecido e mais influente foi A estrutura das revoluções científicas,2 que ele escreveu enquanto estudante de graduação em Física, e que foi publicado em 1962. Nele, rompe com a visão tradicional da história da ciência, ao criticar a visão cumulativa do conhecimento científico. Segundo ele, o que há são visões de mundo, chamadas de “paradigmas”, que dominam o pensamento em uma determinada época, e que são responsáveis pela ciência que se pratica nessa época. Os paradigmas são incomensuráveis, isto é, não podem ser comparados em termos de melhor/pior, certo/errado. Uma teoria ou paradigma que é considerada certa em uma época pode ser rejeitada por uma época posterior, e vice-versa.



2. Principais conceitos


Em seu livro A estrutura das revoluções científicas, Thomas Kuhn apresentou alguns conceitos, que depois se incorporariam ao vocabulário da filosofia da ciência. Eis alguns dos principais:

- paradigma: provém do grego, paradeigma, e significa modelo. É utilizado às vezes como sinônimo de teoria. Um paradigma constitui a visão dominante em um determinado campo de estudos em uma determinada época. Por exemplo, o paradigma newtoniano, no qual, em parte, vivemos até hoje (a teoria de Einstein não substituiu a de Newton, apenas é mais precisa quando se refere a grandes magnitudes de espaço e tempo). Trata-se de uma explicação geral. Como diz Kuhn, “Para ser aceita como paradigma, uma teoria deve parecer melhor do que suas competidoras, mas não precisa (e de fato isso nunca acontece) explicar todos os fatos com os quais pode ser confrontada” (Kuhn, 2000, p. 38).

- ciência normal: nas palavras de Kuhn, “significa a pesquisa firmemente baseada em uma ou mais realizações científicas passadas” (Kuhn, 2000, p. 29). É a prática cotidiana da ciência, feita com base nas previsões da teoria paradigmática, seja para confirmá-la, seja para refutá-la. Constitui a maior parte do trabalho dos cientistas, aquilo que os ocupa durante quase toda sua vida profissional.

- ciência revolucionária: ocorre na “brecha” da ciência normal, ou seja, trabalha em cima daquilo que a teoria paradigmática não explica ou prevê, formando, por sua vez, a base para uma possível nova teoria paradigmática. Surge em geral nas “crises paradigmáticas”, ou seja, quando os paradigmas existentes perdem sua função explicativa, deixando de fornecer material satisfatório para a prática da ciência normal. Nas palavras do autor, “consideramos revoluções científicas aqueles episódios de desenvolvimento não-cumulativo, nos quais um paradigma mais antigo é total ou parcialmente substituído por um novo, incompatível com o anterior” (Kuhn, 2000, p. 125).

- ciência como resolução de quebra-cabeças: Kuhn vê a ciência normal como uma atividade semelhante à resolução de quebra-cabeças. Em suas palavras:

“Resolver um problema da pesquisa normal é alcançar o antecipado de uma nova maneira. Isso requer a solução de todo o tipo de complexos quebra-cabeças instrumentais, conceituais e matemáticos. O indivíduo que é bem sucedido nessa tarefa prova que é um perito na resolução de quebra-cabeças. O desafio apresentado pelo quebra-cabeça constitui uma parte importante da motivação do cientista para o trabalho.” (Kuhn, 2000, p. 59)




3. Reavaliação da obra


Em 1965, no Colóquio Internacional sobre Filosofia da Ciência, realizado em Londres em 1965, Thomas Kuhn reviu alguns dos conceitos que defendera, como o de paradigma. Talvez sentindo que sua distinção entre ciência normal e ciência revolucionária fora, de certo modo, mal compreendida, Kuhn enfatiza que a maior parte da ciência é ciência normal, e não revolucionária. Diz ele, por exemplo: “é precisamente o abandono do discurso crítico que assinala a transição para uma ciência. Depois que um campo opera essa transição, o discurso crítico só se repete em momentos de crise, quando estão em jogo as bases desse campo”.3 Além disso, contra Popper, Kuhn defende que a maior parte da ciência não é feita com base em testes, como defende Popper: “Com ou sem testes, uma tradição de solução-de-enigmas pode preparar o caminho para a própria substituição. Confiar no teste como marca de uma ciência é passar por alto o que os cientistas mais fazem e, com isso, o traço mais característico de sua atividade” (Kuhn, 1979, p. 16).

Na verdade, Kuhn reafirmou o que escrevera, mas enfatizando aspectos que haviam ficado em segundo plano em suas primeiras apresentações da teoria.



4. Conclusão


Thomas Kuhn fez com que se visse a história da ciência de outra maneira, não cumulativa, não positivista. Ou seja, uma teoria nunca está pura e simplesmente “errada”. Ela é substituída, muitas vezes, não porque seja falsa, mas porque surge uma outra melhor, com melhor poder explicativo ou que permita colocar melhor as questões, sendo mais fecunda para a prática científica. Além disso, as teorias, ou paradigmas, não podem ser comparados, pois trata-se de visões de mundo totalmente diferentes, “incomensuráveis”, para usar o seu termo.

5. Bibliografia


Lakatos, I.; Musgrave, A. (Org.). A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Trad. Octavio M. Cajado. São Paulo: Cultrix/Edusp, 1979.

Kuhn, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. 5ª. ed. Trad. Beatriz V. Boeira e Nelson Boeira. São Paulo: Perspectiva, 2000.


1 Extraído do site http://www.emory.edu/EDUCATION/mfp/Kuhnsnap.html.

2 Thomas S. Kuhn. A estrutura das revoluções científicas. 5ª. ed. Trad. Beatriz V. Boeira e Nelson Boeira. São Paulo: Perspectiva, 2000.

3 Thomas S. Kuhn. “Lógica da descoberta ou psicologia da pesquisa?”. In I. Kantos e A. Musgrave (org.). A crítica e o desenvolvimento do conhecimento. Trad. Octavio M. Cajado. São Paulo: Cultrix/Edusp, 1979, p. 12.




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