Thoughts about the cost by absorption and variable costing



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REFLEXÕES A RESPEITO DO CUSTEIO POR ABSORÇÃO E DO CUSTEIO VARIÁVEL
THOUGHTS ABOUT THE COST BY ABSORPTION AND VARIABLE COSTING
Claudemir Issa1
RESUMO: Este trabalho tem como finalidade abordar o custeio por absorção e o variável como métodos de custeio. A escolha do método de custeio por absorção deu-se pelo fato de ser o método aceito pelo fisco e o método variável pelo fato de ser gerencial. Para alcançar o objetivo proposto, o estudo, primeiramente traz reflexões sobre o custeio por absorção e sobre o variável, bem como suas vantagens e desvantagens, logo em seguida, aborda as diferenças e as semelhanças entre os dois métodos de custeio e, por fim, comenta sucintamente sobre qual seria o melhor método, ou seja, o custeio por absorção ou o variável. De modo geral, os métodos de custeio quando adotados pela empresa precisam maximizar o retorno sobre o resultado financeiro e, assegurar, com isso, o equilíbrio indispensável para o sucesso de qualquer negócio.
Palavras-chave: Custeio por absorção; Custeio variável; Métodos de custeio.
ABSTRACT: This paper aims to address the absorption costing and variable costing methods such as. The choice of absorption costing method came from the fact that the method accepted by the tax authorities and the variable method because it is management. To achieve the proposed objective, the study primarily reflects on absorption costing and the variable, as well as its advantages and disadvantages, so then discusses the differences and similarities between the two costing methods and, finally, commented briefly on what would be the best method, ie the absorption costing or variable. Overall, the costing methods when used at the company needs to maximize the return on financial results and to ensure thereby the balance essential to the success of any business.


Keywords: Absorption costing; variable costing; costing methods.
1 INTRODUÇÃO
Os métodos de custeio das organizações são ferramentas importantíssimas, uma vez que, um método de custeio é fundamental para a sobrevivência de qualquer organização no atual mundo globalizado.

Por isso, o presente artigo procura levantar uma discussão a respeito dos métodos de custeio, enfatizando o custeio por absorção e o custeio variável.

Nesse sentido, pode-se enfatizar que, os métodos de custeio têm o intuito de informar o custo preciso dos produtos, para assim poder se estabelecer o preço, a produção de novos produtos ou o abandono de produtos que não dão retorno financeiro à organização.

Justifica-se a escolha do custeio por absorção e o custeio variável como métodos de custeio, pelo fato do método de custeio por absorção ser um método aceito pelo fisco e do método variável ser um método mais gerencial.

Para atingir o objetivo proposto, o estudo primeiramente traz reflexões sobre o custeio por absorção e sobre o custeio variável, bem como suas vantagens e desvantagens. Em seguida, o estudo, aborda as diferenças e as semelhanças dos dois métodos de custeio. E, por fim, comenta sucintamente sobre qual seria o melhor método de custeio, ou seja, se é o método de custeio por absorção ou o método de custeio variável.

Visando ao aprofundamento do estudo, como metodologia empregada, o estudo, adotou a revisão bibliográfica como instrumento básico, focalizando os métodos de custeio por absorção e custeio variável.


2 CUSTEIO POR ABSORÇÃO E CUSTEIO VARIÁVEL
Atualmente, o mercado encontra-se competitivo e, por isso, faz-se necessário a flexibilização por parte das organizações. Assim, uma organização precisa conhecer profundamente seus processos internos e entender como e onde originam-se seus gastos e, com isso, eliminar perdas e atividades as quais não agreguem valor ao cliente.

Nesse contexto, os métodos de custeio aparecem como boas alternativas para mensuração dos custos.


2.1 OS MÉTODOS DE CUSTEIO
Segundo Moura (2005) os métodos de custeio são a forma pela qual os custos são apropriados aos seus portadores finais.

Nesse sentido, pode-se destacar que,


Os métodos de custeio estão relacionados à forma de atribuição dos custos aos produtos/serviços ou outros objetos, tais como: clientes, regiões, canais de distribuição etc. São adotados visando a orientar a tomada de decisões na escolha da melhor alternativa para a solução de um problema, e se necessário, efetivar ações corretivas, em caso de resultados não planejados (FARIA; COSTA, 2005, p. 237).
Para Crepaldi (2008) tais métodos representam um elemento essencial das atividades de contabilidade de uma empresa, pois se caracterizam por um conjunto de elementos que funcionam de forma encadeada para atingir um determinado objetivo.

Dubois, Kulpa e Souza (2006) também contribuem informando que, os métodos de custeio são maneiras de representar o funcionamento do processo produtivo da empresa e, com isso, obter os subsídios necessários para custear o produto.

Ainda sobre os métodos de custeio, Eller (2000, p. 79) informa que, esses métodos têm “[...] como função determinar o modo de como será atribuído custo aos produtos”.

Bornia (2002) informa que, os princípios de custeio estão ligados aos objetivos dos sistemas de custos, onde estão relacionados aos objetivos da contabilidade de custos.

De acordo com Schultz, Silva e Borgert (2008) o objetivo do método de custeio era oferecer uma forma padronizada e objetiva de investigação e determinação de custos totais. No entanto, com o passar do tempo, diversos métodos foram desenvolvidos, decorrentes da necessidade de maior precisão para a tomada de decisão, uma vez que, o aumento na concorrência fez com que as empresas necessitassem de métodos mais dinâmicos que permitissem planejar e traçar estratégias.

De modo geral, pode-se constatar que, os métodos de custeio são metodologias que a empresa adota com o intuito de agregar ao preço de venda seus custos de fabricação, ou seja, os métodos de custeio servem para nortear as ações da empresa em relação à formação de preços baseado no custo.

Dentre os métodos de custeio, existem várias classificações, no entanto, neste estudo, optou-se por referenciar apenas o custeio por absorção e o custeio variável.
2.2 CONCEITO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO
O custeio por absorção é uma das mais antigas metodologias de custeio, e ainda presente nos dias atuais. Além disso, é uma metodologia derivada do RKW (Reichskuratorium für Wirtschaftlichtkeit) e segue os princípios fundamentais da contabilidade.

Segundo Eyerkaufer, Costa e Faria (2007) o método de custeio por absorção é o mais utilizado pelas empresas. Essa metodologia surgiu por volta do ano de 1920.

Além disso, este método, é o único aceito pela legislação fiscal no Brasil para fins de valorização de estoques, e tem sua operacionalização conceituada de longo prazo, onde variações de lucro, de custo e de volume têm de ser convenientemente harmonizadas (EYERKAUFER; COSTA; FARIA, 2007).

Esse tipo de custeio é uma metodologia que apura o valor dos custos dos bens ou serviços, tomando como base todos os custos da produção, quer sejam fixos ou variáveis, diretos ou indiretos. Partindo desse entendimento, vários teóricos definem o custeio por absorção.

Neste contexto, Borgert (2009, p. 49) ensina que:
O Custeio por Absorção (ou integral, como preferem alguns autores) representa a apropriação de “todos” os custos – quer sejam diretos ou indiretos, quer sejam fixos ou variáveis – aos bens produzidos, e tem como objetivo principal valorar monetariamente os produtos e serviços.
Crepaldi (2008) também contribui informando que, o custeio por absorção ou custeio pleno consiste na apropriação de todos os custos (sejam fixos ou variáveis) à produção do período. No entanto, os gastos não fabris, ou seja, as despesas são excluídos.

O autor supracitado destaca ainda que:


O Custeio por Absorção consiste na apropriação de todos os custos de produção para os produtos e/ou serviços produzidos, levando em conta todas as características da Contabilidade de Custos (CREPALDI, 2008, p. 78).
Garrison e Noreen (2001, p.79) definem o custeio por absorção como sendo “[...] o método de apuração de custos que inclui todos os custos de fabricação – matérias, mão-de-obra e custos direto, fico e variável – como parte dos custos de uma unidade concluída do produto”.

Padoveze (2006, p. 175) enfatiza também que, o custeio por absorção “é o método legal e fiscal que utiliza, para formar o custo unitário dos produtos e serviços, apenas os gastos da área industrial”.

O método de custeio por absorção é definido ainda por outros autores como sendo o método que consiste na “[...] apropriação de todos os gastos relativos ao esforço de produção aos produtos ou serviços, sejam diretos ou indiretos, fixos e variáveis” (EYERKAUFER; COSTA; FARIA, 2007, p. 204).

Ducati (2010) conceitua custeio por absorção como sendo a apropriação de todos os custos de produção aos produtos elaborados de forma direta e indireta, obtidos por meio de rateios.

Martins (2008, p. 37) ratifica este conceito ao afirmar que o método de custeio por absorção “[...] Consiste na apropriação de todos os custos de produção aos bens elaborados, e só os de produção; todos os gastos relativos ao esforço de produção são distribuídos para todos os produtos ou serviços feitos”.

De acordo com Megliorini (2001) o custeio por absorção é o método de custeio que consiste em atribuir aos produtos fabricados todos os custos de produção, quer de forma direta ou indireta (rateios). Assim, todos os custos, sejam eles fixos ou variáveis, são absorvidos pelos produtos.

Este tipo de custeio, conforme Borgert (2009), pode ser desenvolvido de duas formas, ou seja, custeio por absorção sem departamentalização e com departamentalização.

O custeio sem departamentalização trata-se de um modelo em que:


[...] os custos são separados em diretos e indiretos, sendo estes últimos distribuídos com base em um ou poucos critérios, como, por exemplo, proporcional ao consumo de material direto, nas horas de mão de obra, ou com base na média dos dois itens (BORGERT, 2009, p. 52).
Martins (2008) descreve as etapas de implementação do método de custeio por absorção sem departamentalização, como separação entre custos e despesas; apropriação dos custos diretos diretamente aos produtos; e rateio dos custos indiretos.

A seguir, a figura 1 mostra um esquema de custeio por absorção, sem departamentalização.






Figura 1 – Esquema de Custeio por Absorção, sem Departamentalização

Fonte: Martins (2008).
A outra forma de aplicação do custeio por absorção é o modelo com departamentalização, onde os custos diretos são alocados diretamente aos produtos, ou seja, os custos indiretos primeiro passam pelos departamentos de serviços e de produção para depois serem rateados aos produtos.

Ainda sobre o custeio por absorção com departamentalização, Borgert (2009, p. 68) diz que:


[...] o esquema de distribuição do Custeio por Absorção com Departamentalização sugere uma redistribuição de custos entre os departamentos, de tal forma que todos os custos dos departamentos de apoio recaiam, em última instância, nos departamentos produtivos. Por fim, em geral com base no tempo de fabricação, os custos são transferidos aos produtos e/ou serviços produzidos.
A seguir, a figura 2 mostra um esquema de custeio por absorção, com departamentalização.



Figura 2 – Esquema de Custeio por Absorção, com Departamentalização

Fonte: Martins (2008).
É importante destacar que, tanto no custeio por absorção com departamentalização, quanto no sem departamentalização, se faz necessário o uso de critérios de rateios para distribuir os custos indiretos aos produtos finais.

Nesse sentido, Dubois, Kulpa e Souza (2006, p. 73) definem os critérios de rateio como “[...] a distribuição de valores de cada CIF aos diversos produtos, tanto semielaborados quanto acabados” para o custeio por absorção com departamentalização.

Atkinson et al. (2000) complementa afirmando que, o método de custeio por absorção pode ser dividido em dois estágios. No primeiro, o sistema identifica os custos indiretos aos vários departamentos; e, no segundo, atribui os custos acumulados nos departamentos para os produtos, baseando-se em taxas de rateio previamente definidas.

De acordo com Borgert (2009) o custeio por absorção pressupõe que, os produtos e seus correspondentes volumes de produção sejam os causadores dos custos nas empresas. Com isso, os custos de produção tornam-se, individualmente, o centro das decisões.

De modo geral, o custeio por absorção apresenta formas alternativas para memorar o:
[...] processo de mensuração do desempenho dos produtos, em base econômico-financeira, através da identificação de critérios de rateio que melhor demonstrem a relação entre a ocorrência dos custos e o consumo destes no processo produtivo das empresas. Para isso, criam-se vários esquemas matemáticos para a identificação dos custos, alguns mais simples, outros mais complexos [...] (BORGERT, 2009).
Diante dessas colocações, percebe-se que, o custeio por absorção é uma metodologia em que são apropriados todos os custos de fabricação, sejam eles diretos ou indiretos, fixos ou variáveis.
2.2.1 Vantagens e Desvantagens do Custeio por Absorção
Uma das vantagens do custeio por absorção, segundo Andrade, Batista e Sousa (2010) é que, o mesmo, reconhece todos os custos de produção como despesas somente no momento da venda, demonstrando de forma mais apropriada a confrontação da receita com a despesa, na apuração do resultado.

Outra vantagem está no fato de que:


A metodologia de custeamento pelo método da absorção é considerada como básica para a avaliação de estoques pela contabilidade financeira; para levantamento do balanço patrimonial e demonstração de resultados para atender as exigências da contabilidade fiscal e societária (SLOMSKI; BATISTA; CARVALHO, 2003, p. 13).
Crepaldi (2008, p. 133) destaca as seguintes vantagens do custeio por absorção:


  • Fixação de preços de venda mais reais, pois engloba todos os custos da empresa nos custos unitários dos produtos;

  • Baseia-se nos Princípios Fundamentais da Contabilidade;

  • Demonstra índices de liquidez mais reais;

  • No Brasil, aceito pelo Fisco.

No entanto, esse mesmo sistema, conforme Ferreira (2007, p. 160) possui desvantagens. Tais como:


A grande falha do método de custeio por absorção é com relação aos custos indiretos fixos. Esses custos são alocados aos produtos por critério de rateio baseados em volume de consumo de matéria-prima ou mão-de-obra direta. Como esses critérios não expressam uma relação de proporcionalidade, ou relação de causa e efeito, que expliquem o porquê da alocação daquela proporção de custos indiretos àqueles produtos, tem-se como resultado uma alocação arbitrária.
Sobre as desvantagens do custeio por absorção Andrade, Batista e Sousa (2010) destacam dois fatores que se apresentam como desvantagem do sistema de custeio por absorção.

Primeiro, o fato do mesmo apresentar pouca quantidade de informações para fins gerenciais, pois serve basicamente à valoração dos estoques e das despesas com produtos ou serviços vendidos.

Em segundo lugar, como este sistema considera a alocação de todos os custos aos bens, mercadorias ou serviços, há a necessidade de rateio dos custos indiretos, o que torna as informações de custos frágeis, visto que os rateios estão sujeitos ao subjetivismo da ação do homem.

Para Eyerkaufer, Costa e Faria (2007, p. 204) o maior problema, na metodologia do custeio por absorção:


[...] é a atribuição de todos os custos aos produtos ou serviços, por meio de critérios, muitas vezes arbitrários, tais como as chamadas rateios que consistem na apropriação de determinado custo a um produto, baseado em referências como hora máquina, hora mão-de-obra, entre outros.
Na visão de Slomski, Batista e Carvalho (2003) o custeio por absorção não é considerado muito apropriado para a utilização como instrumento para a tomada de decisão, em razão da utilização dos rateios dos custos fixos que, apesar de se aparentarem lógicos, poderão levar a alocações arbitrárias e até mesmo consideradas enganosas.

Crepaldi (2008, p. 133) destaca também algumas desvantagens do custeio por absorção. São elas:




  • Os custos dos produtos não poderão ser comparados em bases unitárias quando houver alterações no volume de produção;

  • A forma de atribuição de custos indiretos é feito por meio de rateios, o que complica e aumenta o trabalho administrativo, além de conferir um grau de subjetividade a essa atribuição;

  • Não oferece informações suficientes para a tomada de decisão, já que muitas das decisões se baseiam em análise separada dos custos fixos e variáveis: não permite análise do tipo relação Custo/Volume/Lucro;

  • Dificulta o controle orçamentário e a determinação de padrões.

Vale destacar que, em contraposição ao método de custeio por absorção surge o método de custeio variável.

2.3 CONCEITO DE CUSTEIO VARIÁVEL
O custeio variável também é conhecido como sistema de custeio direto. Esse tipo de custeio, segundo Crepaldi (2008) é um tipo de custeamento que consiste em considerar como custo de produção do período apenas os custos variáveis incorridos. Os custos fixos, pelo fato de existirem mesmo que não haja produção, não são considerados como custo de produção e, sim, como despesas, sendo encerrados diretamente contra o resultado do período.

Para Bornia (2002, p. 55) “no custeio variável, ou também conhecido como direto, apenas os custos variáveis são relacionados aos produtos, sendo os custos fixos considerados como custos do período”.

Sobre isso, Megliorini (2001) complementa afirmando que, os custos fixos, no custeio variável são tratados como custos do período, indo diretamente para o resultado igualmente às despesas.

O custeio variável, de acordo com Ducati (2009, p. 53-53) consiste na:


[...] apropriação de todos os custos e despesas variáveis, quer diretos ou indiretos. Os custos e despesas fixas são considerados como despesas do período, indo diretamente para o resultado. Os estoques serão avaliados pelos custos variáveis.
Esta metodologia, conforme Slomski, Batista e Carvalho (2003) caracteriza em reconhecer como custos do produto apenas os custos variáveis, tratando os custos fixos como custos da estrutura necessária para as atividades da empresa. Estes custos fixos, portanto, são tratados como custo do período (caráter temporal) impactando o resultado.

Nesse método,


[...] só são atribuídos aos produtos ou serviços, seus custos variáveis; portanto, não existe arbitrariedade na atribuição dos custos, tal como no método anterior, o que é uma grande vantagem na apuração dos custos (EYERKAUFER; COSTA; FARIA, 2007, p. 204).
É importante destacar que, essa metodologia não é aceita pela legislação no Brasil.

No entanto, de acordo com Eyerkaufer, Costa e Faria (2007) o custeio variável é um instrumento relevante à gestão, uma vez que, identifica os produtos e/ou serviços mais rentáveis para a empresa, com base no conceito de margem de contribuição, que representa a diferença entre as vendas líquidas e os custos e despesas variáveis.

Sobre isso, Dolatta e Lozecky (2007) dizem que, o custeio variável é extremamente importante para os administradores, pois consegue fornecer com segurança os produtos ou linha de produtos que lhes trarão maior lucratividade, clientes ou regiões que lhe trarão maior retorno, e auxílio também no cálculo do preço de venda.

Diante do exposto, verifica-se que, o custeio variável é um eficiente método para o processo decisório de uma empresa, uma vez que, por meio do método de custeio variável, a empresa pode ter uma maior rentabilidade, ou seja, maior lucratividade.


2.3.1 Vantagens e Desvantagem do Custeio Variável
Uma das vantagens do custeio variável, segundo Megliorini (2001) é que este método permite aos administradores utilizar os custos como ferramenta auxiliar na

tomada de decisões.

Martins (2008, p. 220) destaca que, a vantagem do custeio variável encontra-se no fato de que, o mesmo ter:
[...] condições de propiciar muito mais rapidamente informações vitais à empresa; também o resultado medido dentro de seu critério parece ser mais informativo à administração, por abandonar os custos fixos e tratá-los contabilmente, como se fossem despesas, já que são quase sempre repetitivos e independentes dos diversos produtos e unidades.
Outras vantagens, segundo Maher (2001) é que, o custeio variável apresenta separação dos custos e despesas em fixas e variáveis, o que facilita as atividades de planejamento e controle, o cálculo da margem de contribuição auxilia o acompanhamento da análise do desempenho dos produtos, cria as condições necessárias para a implementação de instrumentos como o custo-padrão e análise do ponto de equilíbrio, o impacto dos custos e despesas fixas pode ser estudado com maior precisão e dá suporte às decisões gerenciais.

Os custos variáveis, segundo Crepaldi (2008, p. 133) possuem as seguintes vantagens:




  • Os custos dos produtos podem ser comparados em bases unitárias, independentemente do volume de produção;

  • Facilita o tempo e o trabalho despendidos, tornando mais prática a apuração e a apresentação de informações;

  • Melhor controle dos custos fixos, por se apresentarem separadamente nas demonstrações;

  • Facilita a elaboração e o controle de orçamentos e a determinação e o controle de padrões;

  • Fornece mais instrumentos de controle gerencial.

Padoveze (1997) diz que, as vantagens do custeio variável parecem mais clara e evidentes, pois tendem a não enviesar a apropriação dos custos dos produtos com rateios dos custos indiretos em bases científicas.

Sendo assim, são vantagens do custeio variável:




  1. custos unitários de produtos mensuráveis objetivamente;

  2. permite a análise custo-volume-lucro;

  3. é o único que identifica a margem de contribuição unitária e global;

  4. permite a possibilidade da obtenção do ponto de equilíbrio;

  5. totalmente integrado com custo padrão e orçamento flexível;

  6. permite clareza no planejamento e na tomada de decisão (PADOVEZE, 1997, p. 49).

Para Dolatta e Lozecky (2007, p. 13) uma grande vantagem da utilização do custeio variável é a:


[...] determinação da margem de contribuição. A margem de contribuição pode ser trabalhada de duas formas: unitária ou total. A margem de contribuição unitária pode ser obtida através da diferença entre o preço de venda unitário e os custos e despesas variáveis unitárias de um produto ou serviço. A margem de contribuição total é obtida quando multiplica-se a margem de contribuição unitária pela quantidade vendida.
Como desvantagem, Andrade, Batista e Souza (2010) destacam que, o custeio variável não obedece aos princípios fundamentais de contabilidade, por não atender principalmente o princípio da competência, uma vez que os custos fixos, referentes a produtos e/ou serviços, ainda não vendidos, são levados diretamente para o resultado. Além do mais, esse método tem sua utilização nas empresas de forma mais tímida por se tratar de um método mais sofisticado.

Leone (1997) também aponta algumas desvantagens do custeio variável. São elas: no novo paradigma de produção há um aumento significativo dos custos fixos em relação aos custos variáveis, o que não justifica um custeamento que vise o controle apenas dos custos variáveis, os resultados do custeio variável não devem substituir informações decorrentes de outros critérios e as informações do custeio variável são bem aplicadas em problemas cujas soluções são de curto prazo.

Crepaldi (2008, p. 134) destaca também algumas desvantagens do custeio variável. São elas:


  • Fere o Princípio Contábil da confrontação das receitas com os custos que contribuem para sua obtenção [...];

  • Pode prejudicar a análise por parte dos credores no que se refere aos índices de liquidez e capital circulante líquido;

  • Não considera os custos fixos na determinação do preço de venda;

  • Os custos fixos não são complementares fixos e tampouco os variáveis são completamente variáveis [...];

  • No Brasil, não aceito pelo Fisco.

Apesar das desvantagens apresentadas, esse método de custeio, quando bem trabalhado pode ser considerado um importante instrumento para a tomada de decisões.


2.4 DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE O CUSTEIO POR ABSORÇÃO E CUSTEIO VARIÁVEL
Diante das colocações sobre o custeio por absorção e o custeio variável, pode-se constatar que, os mesmos, apresentam diferenças e semelhanças.

O quadro 1, traz algumas dessas diferenças e semelhanças.





Custeio por Absorção



Custeio Variável

1 – Não há a preocupação em classificar custos fixos e variáveis.

1 – Classifica os custos em fixos e variáveis.

2 – Classifica os custos em diretos e indiretos.

2 – Classifica os custos em diretos e indiretos.

3 – Debita ao segmento, em cujo custo está sendo apurado os seus custos diretos e também os indiretos através de uma taxa de absorção.

3 – Debita ao segmento, em cujo custo está sendo apurado apenas os custos que são diretos ao mesmo e variáveis em relação ao parâmetro escolhido como base.

4 – Os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de produção.

4 – Os resultados apresentados sofrem influência direta do volume de vendas.

5 – É um critério legal e fiscal, de uso externo.

5 – É um critério administrativo e gerencial, de uso interno.

6 – Aparentemente, sua filosofia básica alia-se aos preceitos geralmente aceitos de contabilidade, principalmente os fundamentos do regime de competência.

6 – Aparentemente sua filosofia básica contraria os preceitos geralmente aceitos de contabilidade, principalmente os fundamentos do regime de competência.

7 – Apresenta a marginal operacional diferença entre as receitas e os custos diretos e indiretos do segmento estudado.

7 – Apresenta a contribuição marginal diferença entre as receitas e os custos diretos e variáveis do segmento estudado.

8 – O custeamento por absorção destina-se a auxiliar a gerência no processo de determinação da rentabilidade e de avaliação patrimonial.

8 – O custeamento variável destina-se a

auxiliar, sobretudo, a gerência no processo de planejamento e de tomada de decisões.



9 – Como o custeamento por absorção trata dos custos diretos e indiretos de determinado segmento, sem cogitar de perquirir se os custos são variáveis ou fixos, apresenta melhor visão para o controle da absorção dos custos da capacidade ociosa.

9 – Como o custeamento variável trata dos custos diretos e variáveis de determinado segmento, o controle da absorção dos custos da capacidade ociosa não é bem explorado.


Quadro 1 Comparativo entre Custeios

Fonte: Leone (2000, p. 406-407).
Moura (2005) também faz a sua contribuição, destacando algumas diferenças entre os dois métodos de custeio (quadro 2).



Custeio por Absorção



Custeio Variável

1 – Todos os custos de fabricação são considerados como custo do produto.

1 – Apenas os custos variáveis são considerados.

2 – O resultado varia em função da produção.

2 – O resultado varia somente em função das vendas.

3 – É necessário utilizar métodos de rateio, muitas vezes arbitrarias, para atribuir os custos fixos aos produtos.

3 – Não se utiliza métodos de rateio, os custos fixos são considerados como despesa e não com custo do produto.

4 – É possível estabelecer o custo total unitário dos produtos.

4 – Há um custo unitário parcial, pois considera os custos variáveis.

5 – Não identifica a margem de contribuição.

5 – Identifica a margem de contribuição unitária e global.

6 – Importante para decisões de longo prazo.

6 – Importante para decisões de curto prazo.

Quadro 2 – Diferenças entre Custeios

Fonte: Moura (2005).
De modo geral, ao verificar as diferenças e as semelhanças dos dois métodos de custeio, verifica-se que, os mesmos, são complementares, uma vez que, o custeio por absorção atende aos princípios fundamentais de contabilidade e à legislação fiscal e o variável fornece informações mais precisas para a tomada de decisões.
2.5 QUAL O MELHOR MÉTODO: CUSTEIO POR ABSORÇÃO OU CUSTEIO VARIÁVEL?
De acordo com Moura (2005) ao observar os dois métodos de custeio, em separado, constata-se que, suas posições são antagônicas, no entanto, complementares, em relação às necessidades empresariais.

O autor supracitado destaca que, a adoção dos métodos de custeio vai depender dos objetivos da organização. Ele exemplifica, dizendo que, se a empresa só tiver como objetivo respeitar os princípios fundamentais da contabilidade e a legislação fiscal, sem considerar as informações prestadas pela contabilidade de custos para a tomada de decisões, adotará o custeio por absorção. Entretanto, se a empresa utiliza as informações prestadas pela contabilidade de custos para a tomada de decisões, poderá adotar de forma complementar, o custeio variável.

Vale destacar ainda que, toda empresa precisa, não só, obter informações gerenciais necessárias para os aspectos decisórios, mas, também, precisa mensurar seus estoques e resultados, de acordo com os princípios fundamentais da contabilidade e a legislação fiscal vigente no país.

Segundo Moura (2005) para atender a esses dois objetivos a empresa tende a adotar métodos de custeio antagônicos, ou seja, o custeio por absorção e o custeio variável, cada um para atender diferentes finalidades.

No entanto, ao analisar mais criteriosamente, percebe-se que, apesar dos métodos de custeio por absorção e o custeio variável serem antagônicos, não são mutuamente excludentes, podendo a empresa, se acordo com Moura (2005) utilizar os dois métodos de forma complementar para a satisfação completa dos objetivos empresariais.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o término da pesquisa conclui-se que, não se pode afirmar que um método seja melhor que outro, uma vez que, cada uma atende especificidades, seja

dos princípios fundamentais da contabilidade ou gerenciais.

Verificou-se ainda que, o custeio por absorção é uma das metodologias mais comumente aplicadas nas empresas e, é derivada da aplicação dos princípios fundamentais da contabilidade e adotada pelas legislações comercial e fiscal.

Já o método de custeio variável, conforme demonstrado por vários autores, é o método mais eficiente para o processo decisório de uma empresa, pois, por meio dele, a empresa possui uma maior rentabilidade, uma vez que, os custos fixos já existem.

Para que, os métodos de custeio sejam eficazes, se faz necessário que os administradores analisem as características específicas de cada método de custeio a fim de verificar aquele que mais condiz com a realidade da empresa que está sob sua responsabilidade.

É importante enfatizar ainda que, os princípios de custeio devem ser corretamente compreendidos e aplicados, para que haja o retorno esperado pela empresa.

De modo geral, para que um método de custeio adotado atenda as reais necessidades empresariais é importante que, o mesmo, maximize o retorno sobre o resultado financeiro e assegure o equilíbrio indispensável para o sucesso de qualquer negócio.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, N. de A.; BATISTA, D. G.; SOUZA, C. de B. Vantagens e desvantagens da utilização do sistema de custeio ABC. Disponível em: http://www.fae.edu. Acesso em: 1 out. 2010.
ATKINSON, A. A.; BANKER, R. D.; KAPLAN, Robert S.; YOUNG, S. M. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2000.
BORNIA, A. C. Análise gerencial de custos: aplicação em empresas modernas. Porto Alegre: Boockman, 2002.
BORGERT, A. Contabilidade de custos. Florianópolis: Departamento de Ciências Contábeis / UFSC, 2009.
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1 Acadêmico do Curso de Graduação em Ciências Contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em parceria com a Universidade Aberta do Brasil (UAB) do Ministério da Educação (MEC).



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