Tiamat World Vampire Romance Raven Hart



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Tiamat World

Vampire Romance

Raven Hart




Conhecimento Do Mal

Raven Hart
Um vampiro milenar, sedento de conhecimento, encontra uma professora universitária com a mesma afinidade que ele e a mesma vontade de aprender.
Disp. em Esp: novelvampir

Envio do Arquivo e Trad.: Gisa

Revisão Inicial: Lu Salvatore

Revisão Final: Ana Carol

Formatação: Gisa

Tiamat - World

Comentário da Revisora Lu Salvatore: Um vampiro com sede e não apenas de sangue... Uma estudiosa com sede de saber e de algo mais... Junte os dois e teremos uma história para a sessão da tarde. Rsrs

Comentário da Revisora Ana Carol: Curtinho, mas gostoso de ler.

Sim, o livro Mammoth de Vampire Romances é verdadeiramente enorme, contendo 25 histórias curtas e você vai reconhecer os nomes da maioria dos 23 autores. Ele reúne o maior numero de novos fenômenos paranormais, historia românticas jamais reunidas sob uma mesma coberta. A coleção se centra em um dos personagens originais e mais antigos do gênero paranormal - o vampiro - e inclui não só aos autores que construíram sua carreira escrevendo sobre chupasangues, mas sim também uma variedade de escritores que estão dentro do gênero paranormal, mas que escrevem pela primeira vez sobre vampiros. Isto significa que você encontrará diversão, grande variedade de histórias, todo tipo de vampiros inesperados, os mundos tradicionais de horror, o romance gótico e histórico, fantasia urbana contemporânea, a típica comédia e o material erótico, mas quente, e até a história romântica - onde o menino conhece a garota, histórias de amor de tentar e alcançar o verdadeiro amor (embora com uma mordida arrancada do coração e um copo cheio de sangue).

Também, alertamos para a existência de histórias autônomas que apresentam conexões com sagas existentes de um escritor particular, ou algum personagem intrigante que não obteve a oportunidade para mostrar seu potencial em um livro completo prévio, e cuja história pode ser contada aqui pela primeira vez.

Mas a verdadeira pergunta que se fará, uma e outra vez nestas pagina é a seguinte: Pode ser um vampiro tudo o que pintam? Claro que viver para sempre e nunca envelhecer, ter um magnetismo sexual além de todos os sonhos humanos, deve ser bom... mas vale a pena? Esta pergunta é como um eco através de muitas destas histórias. Assim que terá que ir a jugular (... e a carótida, a artéria femoral na coxa interna, a sola dos pés, a curva do cotovelo, o tornozelo...). Com este Mamute de vampiros para averiguá-lo.

Uma vez que estas histórias são realmente contos, os términos são um pouco abruptos.

Eu sou um estudioso. Eu sei mais sobre a história humana que qualquer outro, mas eu não sou humano. Aprendi mais sobre o mundo natural que ninguém com vida, entretanto, sou um não vivo e sem dúvida isso não é natural. Eu sou um vampiro.

Eu viajei pelo mundo em busca de conhecimentos, estudei com cada intelectual importante desde Da Vinci ao Hawking. E, entretanto a pergunta que queimou em meu interior há milhares de anos, permanece sem resposta. Por que bebo sangue? Qual é meu propósito? Abriguei a ideia de que meu propósito poderia ser, o de matar outros vampiros. Cacei até quase extingui-los em todos os continentes. Deixei a América para o final.

Por que destruo outros bebedores de sangue? Porque os desprezo. Um vampiro recém-nascido é subumano, é uma criatura cuja sede de sangue transborda a razão. Como um homem para o qual o intelecto é o mais prezado de todos os atributos humanos, desprezo a baixeza primitiva de minha própria espécie. Tanto é assim que eu não posso suportar que vivam.

Um bebedor de sangue jovem, nasce com o instinto de sobrevivência que os faz aparecer e atuar como humanos, mas é uma artimanha. Necessita-se décadas para que o vampiro imaturo, possa recuperar a inteligência com a que ele ou ela foi dotado como um ser humano, se é que sobrevivem tanto tempo.

Eu sou uma refinada e sofisticada criatura da noite. Eu me alimento dos seres humanos, mas nunca até o ponto de matá-los. Minha sucção de sangue os deixa débeis e meu glamour os deixa sem lembrança de terem sido minhas presas. Vampiros mais jovens tendem a procurar os desafortunados anônimos em nossa cultura - as pessoas sem lar, os viciados, os doentes mentais – esses que não farão falta. Para os bebedores de sangue tudo passa pela matança.

Por minha parte, prefiro obter o sustento de outros buscadores do conhecimento. Portanto, sou obcecado por todos os campus universitários do mundo. Estes lugares me dão uma grande quantidade de jovens, sangue com aroma doce para me alimentar, além das ocasionais conversas estimulantes. E logo, é obvio, sempre há o sexo.

Depois que cheguei ao Novo Mundo, abri caminho para as universidades do nordeste até que me encontrei no sul dos Estados Unidos, onde o clima suave me vinha bem. Athenas, casa da Universidade da Geórgia, também chamada de "Cidade clássica" como a antiga cidade do meu nascimento. Intrigado, estabeleci-me aqui no momento. Meus falsos documentos de identidade, além do dinheiro em efetivo, me permitem monitorar qualquer aula que escolha. Vou de aula noturna em aula noturna, absorvendo novas ideias em tudo o que se refere a filosofia, a medicina ou a veterinária.

O semestre do outono estava a ponto de começar, mas o calor opressivo do sul seguia saturando o ar com umidade e animou as jovens mulheres a vestirem-se com pouca roupa, vestidos sem alças e roupa que deixava o abdômen descoberto, expondo a pele bronzeada. Seus corpos estavam tão preparados para o sexo, como as vontades de suas mentes jovens de alcançar uma educação superior.

Em esta noite em particular, tinha sentado em um banco de ferro forjado, perto da biblioteca no campus norte e me envolvia no que a pessoas modernas chamam de observar as pessoas. Os estudantes caminhavam sem propósito daqui para lá, além da roupa e dos costumes, não eram muito diferentes dos estudantes universitários dos dias passados.

A brisa fez sussurrar as páginas do periódico do campus, Vermelho e Negro, que alguém tinha deixado no banco ao meu lado, e ociosamente o recolhi. Chamou-me a atenção a peculiaridade de uma seção:



REALIZE SEU EXAME DE HEMOGLOBINA: O NOVO PROFESSOR DE ANTROPOLOGIA É PERITO EM VAMPIROS.

Dizia o título. Encantado, li mais. Chamou minha atenção a nota do rodapé da antropóloga. Professora Vitória Lenox, autora do livro: "Vampiros através das idades", ia ensinar este semestre no UGA como uma professora visitante. Segundo o artigo, ela tinha dedicado sua carreira acadêmica a estudar o folclore do vampiro nas culturas de todo o mundo. Uma folclorista dedicada aos mitos dos vampiros. Que maravilhosamente perfeito. Uma chamada telefônica rápida para a universidade de antropologia me indicou que estava com sorte. A primeira conferência da professora Lenox era mais tarde nessa mesma noite, e obtive permissão para assistir. Dirigi-me para frente do Baldwin Hall disposto a ter um bom entretenimento. Ao entrar na sala, atraí a atenção de um par de jovens estudantes femininas, algumas filas adiante de mim. Uma acotovelou a outra nas costelas e inclinou seu queixo em minha direção. A que tinha recebido a cotovelada ficou olhando com os olhos muito abertos por um momento antes de pôr sob controle sua reação. Sorri e as duas ruborizaram belamente e deram volta.

Passaram milhares de anos desde a última vez que vi minha imagem refletida, mas estou seguro de que sou arrumado. Em minha juventude fui adorado e inclusive fui modelo do Auriga do Delphi, um dos mais famosos e grandes escultores, sobreviventes da antiga Grécia. Transformaram-me em um bebedor de sangue, quando já era um homem de 35 anos, assim sempre estaria em meu melhor momento.

Hoje em dia, as mulheres jovens admiram meu cabelo escuro, os olhos verdes e a pele impecável. Digo estas coisas, não por vaidade a não ser como explicação. Não é necessário usar a coação para obter comida. As mulheres jovens de boa vontade me seguem nas sombras ou a qualquer outro lugar que eu resolva as levar.

Sentei e o assistente de ensino realizou uma torpe introdução da professora. Seus créditos acadêmicos e a lista de créditos de suas publicações eram impressionantes. Imaginei a antropóloga, como alguém de meia idade, pedante e com óculos de uso acadêmico algo assim como a falecida Margaret Mead1.

Quando o jovem graduado terminou a introdução, ele correu com toda pressa para estreitar a mão da professora, que se levantou graciosamente de um assento da primeira fila. Quando a acadêmica, alta e esbelta, caminhou para o suporte de livro com uma jaqueta esporte de linho bege sobre um vestido coralino e sapatos de salto alto fazendo jogo, notei a natureza régia de seu porte, sem mencionar a beleza das formas de suas pernas. Quando a estudiosa começou a olhar pela sala de conferências não era uma matrona descuidada, de meia idade, a não ser uma estranha beleza. A professora escaneou seu público, como se estivesse tomando sua medida, deteve-se o tempo suficiente para aplainar o caminho de seu comprido cabelo negro sobre um ombro, e começou sua conferência.

Quando ela começou a falar fiquei tão fascinado por suas palavras como estava pela perfeição de sua pele clara, pela plenitude de seus lábios e a forma amendoada encantada de seus olhos escuros.

—O mito do bebedor de sangue, podemos encontrar em quase todas as culturas através das idades. — ela começou — Eles são poderosos, imortais e sedutores. Sua força sobrenatural e sua beleza os fazem aparecer em nossos pesadelos e fantasias sexuais por igual. E, entretanto, com todo seu poder, também sentimos por eles, porque foram separados da graça de Deus e não podem caminhar a luz do sol.

Enquanto falava, deu um passo fora do tablado e caminhou lentamente de um lado a outro, todos seus movimentos e gestos eram elegantes como de um silfo2. Vê-la era uma festa para meus olhos, era difícil concentrar-me em suas palavras. Deixei que os tons adoçados com mel de sua voz caíssem sobre mim, enquanto ela expôs a respeito dos maias e sua propensão de afiar seus dentes como presas e como ungiam a nobreza com sangue humano de algum sacrifício. Pareceu-me que rapidamente a conferência estava por terminar.

Quando terminou com sua exposição, perguntou aos estudantes se tinham perguntas. Muitas mãos levantaram, e ela exortou um jovem que estava umas quantas filas adiante de mim.

— Você acredita nos vampiros? — Perguntou. — Os reais quero dizer.

O público riu entre dentes por uns momentos, quando a professora considerou a pergunta. Um sorriso coquete passou por seu rosto e baixou a voz de maneira cúmplice.

—Eu nunca vou contar. — ela disse.

Os estudantes riram. Mais mãos se levantaram. Ao escanear as caras no público para escolher o estudante para a seguinte pergunta, seu olhar se reuniu com o meu por um instante. Sem pensar, levantei a mão e ela assentiu.

—Se encontrasse um vampiro real, — disse — o que faria você com ele?

Os estudantes riram outra vez e ela sorriu.

— O que…? Estudá-lo, é obvio. Eu desejo conhecimento por sobre todas as coisas.

Meu coração seguia sem pulsar depois de mais algumas perguntas dos estudantes, a professora Lenox deu por terminada a palestra. Quatro ou cinco alunos ficaram para lhe fazer perguntas adicionais enquanto punha uns papéis em sua maleta, assim tomei meu tempo para caminhar a frente da classe. Quando a alcancei, estava sozinha.

—Professora Lenox. — disse, estendendo a mão. — Meu nome é Nick Manos. Não posso dizer quanto gostei de sua conferência. — Se ela soubesse o muito que não podia lhe dizer. Pôs uma mão magra sobre a minha.

—Senhor Manos, prazer em conhecê-lo. — disse — É você um apaixonado pelos vampiros?

—Não tem nem ideia. E por favor, me chame de Nick.

A contra gosto soltei-lhe a mão. Fazia calor e sua pele era suave. Sua luminosa fragrância floral trouxe a minha mente a primavera nos Países Baixos.

—Então você deve me chamar de Vitória. — disse com um sorriso que me fez sentir como uma criatura de sangue quente outra vez.

— Você gostaria de tomar um café comigo? — Perguntei-lhe. — Eu gostaria de discutir o tema dos vampiros um pouco mais.

O arco de seus lábios de Cupido, separaram-se um pouco para responder, mas ela fez uma pausa. Depois de um momento no qual ela registrou meu olhar fixo, como tratando de tirar minha medida, disse:

—Isso estaria bem.

Mantive a porta aberta para ela ao sair do edifício. O passeio ao café era um tanto curto.

—Não é o típico estudante. — disse, me lançando outra vez uma percorrida com a vista, embora sutil, mas que não lhe escapava nada. O olhar se deteve em meus sapatos caros italianos, meu corte de cabelo de 80 dólares e tudo o que havia no meio. E quero dizer tudo.

—E você não é a típica professora, — repliquei, recordando minha hipótese anterior.

—Me fale de ti. — disse.

Dava-lhe uma versão rápida de minha história padrão, que em realidade era verdadeira, ao menos foi em seu tempo. Eu era um herdeiro que logo vendeu o negócio familiar.

—Sem ter deixado familiares na Grécia, decidi viajar pelo mundo. — disse. Ela não tinha que saber que meu último parente morreu antes que Cristo tivesse nascido.

—Viaja pelo mundo fazendo o que?

—O que? Nada, é obvio. Eu desejo conhecimento por sobre todas as coisas.

—Está rindo de mim? — Sua risada era como uma música suave.

—Sou perfeitamente sincero. — Pus a mão sobre meu coração fingindo surpresa ante a acusação. — Acredito que poderíamos ser você e eu espíritos afins.

—Possivelmente sejamos, no que se refere a esse aspecto. — disse.

Quando chegamos a cafeteria, aproximei-me da loja cuidadosamente, assegurando que a luz dos faróis não causasse nenhum reflexo no vidro. Séculos de experiência, faziam com que tais medidas cautelosas, fossem minha segunda natureza.

—OH! — Disse Vitória. — Está fechado.

—Que má sorte. — Olhei para baixo a fila de restaurantes e bares no lado oposto da rua em busca de uma alternativa.

— Quer tomar um café onde estou ficando? — Perguntou. — A casa de hospedagem esta só algumas quadras do campus.

Pareceu estranho que a professora convidasse um estranho a sua casa, mas as mulheres modernas são um tanto imprevisíveis.

—Isso estaria bem. — Concordei e segui caminhando. — Por que os vampiros? — Perguntei-lhe.

Ela me deu um olhar de canto de olho que me disse que tinha ouvido a mesma pergunta mil vezes.

—É como disse em minha conferência. São criaturas fascinantes, poderosamente sedutoras.

—Mas eles são criaturas de ficção. — disse sendo pouco honesto. — Por que dedicar sua vida acadêmica a seu estudo, quando há tantas…? — Duvidei, procurando a palavra certa.

—Tantas coisas reais para estudar? — Ela terminou.

—Bom, sim. — Eu sabia que estava me arriscando a afastá-la. Ela sem dúvida teve que explicar isto até não poder mais a inumeráveis pessoas, incluindo amigos e familiares, durante vários anos. Mas minha curiosidade não era como a deles. Não, absolutamente. Ela deu de ombros.

—Nada mais me interessou tanto como o imortal. Mas, e você? Admitiu ser um entusiasta do tema vampiro. O que atrai do bebedor de sangue a Nick Manos?

Fingi um tímido sorriso.

—Exatamente o mesmo que a tantos outros. A imortalidade suponho. Eu adoro Stoker, Rice, Nosferatu.

—O que há sobre o assassinato, a violência? — Perguntou.

—O que há a respeito disso?

—Isso é o que atrai os homens ao gênero vampírico nos livros e filmes, verdade?

—Talvez. — disse espantado. Se qualquer ser humano fosse testemunha da caçada de um vampiro e vivesse para contá-lo, o horror o deixaria louco pelo resto de sua miseravelmente curta vida. — A atração das mulheres é diferente, adivinho. Suponho que é esse aspecto da sedução que antes mencionou.

—Supõe corretamente, — disse com uma inclinação para cima do queixo bastante elegante. — Acaso tudo não se reduz a sexo? — Ela se deteve. A luz da rua sua beleza parecia de repente de outro mundo. — Entramos?

—Perdão? — Perguntei.

Ela me convidou com uma risada rítmica quando tirou suas chaves do bolso da jaqueta. Justamente tínhamos alcançado sua porta. Ela abriu a porta e entrou. Senti-me como um adolescente torpe em uma primeira entrevista, algo a que estava inteiramente desacostumado. Temi que estivesse sendo enfeitiçado. Um rápido exame da sala por onde passamos não revelou espelhos ou ícones religiosos. Entramos em uma habitação com uma multidão de livros e papéis pulverizados e um escritório com um computador frente a uma janela. O ar trazia o suave aroma de livros antigos – papel oxidado, e um pouco de mofo - em seguida me senti cômodo. Este era o espaço de um erudito.

—Está trabalhando em um artigo. — comentei.

—Sempre estou trabalhando em um artigo. — Ela pôs sua maleta no chão e não fez caso de sua jaqueta. — Sinta-se em casa.

Eu sentei no sofá e percebi algo que não tinha percebido antes no canto da sala. Uma pequena mesa com tubos de ensaio, umas lâminas de microscópio e algumas garrafas de produtos químicos âmbar. Baixei a cabeça e perguntei, indicando o material.

—Então, também estuda biologia?

—Na realidade antropologia forense. Há uma grande demanda dessas habilidades na aplicação da lei, você sabe.

Assenti vagamente consciente que vários programas populares de televisão apresentavam cientistas que solucionavam crimes. Peguei um dos livros que estava ao alcance da mão. Ela tirou os sapatos e se uniu a mim, puxando seus joelhos para cima do sofá.

—Vrykolakes: Vampiros em grego folclórico. — Ao ler o título do livro me dei conta de uma misteriosa e indefinida sensação, que não podia identificar, percorria minhas costas. — Especulo que devo saber a respeito disto, não? — Brinquei.

—Definitivamente. Já que é um grego entusiasta do tema vampírico.

Sua maneira de fazer brincadeiras estava jogando com minha imaginação. Juraria que ela havia posto maior ênfase na palavra “entusiasta”. Brandamente pegou o livro e o pôs a um lado. Sua mão posou em minha coxa.

—Você realmente não quer café, verdade?

Devo admitir que sua desenvoltura me sobressaltou. Estava acostumado, naturalmente, ao atrevimento de algumas mulheres jovens, contava com isso, de fato. O efeito de garotas tornando-se selvagens. Como chamava, tinha me garantido incontáveis noites de bom sangue e o melhor sexo. Mas não tinha esperado tal comportamento caprichoso dela. Não de uma intelectual. Logo que apareceu este pensamento, burlei de mim mesmo, pela hipocrisia de meu discurso. Vitória era toda uma mulher. Quem era eu para julgá-la?

—Não — eu concordei—, eu realmente não quero café.

—Então, o que quer? — Perguntou com voz entrecortada, percorrendo com sua mão minha perna e deixando seus dedos roçarem contra a parte interna da coxa.

—Imagino que quero o mesmo que você.

Pus minha mão sobre a dela e a apertei com força contra minha ereção.

—OH, bom — sussurrou —. Estou tão contente de que estamos na mesma página.

Fez massagens no meu pênis através do tecido de minhas calças, um momento e depois se sentou escarranchada sobre minhas coxas. Passando os dedos pelo cabelo, beijou-me profundamente. Passei minhas mãos ansiosas por debaixo de seu vestido e lhe acariciei o traseiro. Interrompeu-se o beijo e arqueou as costas contra minha ereção, o que me permitiu lhe tirar o vestido em um movimento rápido.

Um toque rápido de meus dedos e o prendedor de encaixe foi história. Enchi minhas mãos com seus seios cheios, seus mamilos estavam duros um momento antes de tomá-los com minha boca. Ela se agachou para liberar meu pênis torcido e eu arranquei a frágil calcinha de entre suas pernas. Ficou sem fôlego com os olhos muito abertos, quando entrei nela com um golpe fluido. Logo ela gemeu e rodeou com seus braços meu pescoço, me montando - experimentalmente a principio - e logo com mais força e mais rápido. Sua paixão e entusiasmo se apoderavam de mim, por não mencionar a perfeição de seu corpo. O ardor em seu rosto lhe deu a beleza de uma elegância selvagem que achei tremendamente emocionante e inquietante ao mesmo tempo. Ela empurrou a si mesma sobre mim, seus peitos subindo e descendo em um ritmo primitivo que me fez temer que pudesse acabar muito antes do que eu desejava. Eu tinha aperfeiçoado meu controle sexual em muitos séculos, até me converter em um professor do meu próprio corpo e suas respostas, mas com Vitória me senti como um colegial de novo.

Enquanto lutava pelo comando de minha liberação, ela se arqueou de novo, expondo como uma oferta a carne pálida de seu pescoço. Podia não só ver o batimento do coração rápido da veia delicada no oco da garganta, podia sentir e cheirar o sangue ali também. Envolvi-a em meus braços e minhas presas se alongaram involuntariamente. Quando ela começou a gemer e contorcionar, mordi abaixo em seu pescoço, perfurando sua carne frágil e começou meu clímax. Envolveu-nos uma onda de prazer enquanto sugava seu sangue. Quando terminamos, concentrei meus poderes de encanto em sua mente, assim ela não recordaria a dentada. Se as duas marcas pequenas da espetada fossem inclusive notadas antes que se curassem, passariam como arranhões acidentais. Com um suspiro de satisfação Vitória perguntou.

—Quer essa taça de café agora?

—Realmente não. — disse-lhe.

—Eu tampouco.

Um sorriso malicioso curvou os cantos de sua deliciosa boca quando ela me puxou pela mão e me levou ao quarto. Ela disse que gostava de alternar-se nas posições. Assim que a quinta vez lhe tocou ir escarranchada sobre mim de novo. Também disse que gostava de um pouco de escravidão. Assim que meus pulsos estavam capturados por algemas de ferro grosso a cabeceira antiga. Quando chegamos a nosso clímax mútuo, eu fechei os olhos e fiquei despreocupado, desfrutando do descanso. Inclusive com minha sobre-humana resistência, eu estava esgotado e o amanhecer se aproximava. Tinha que retornar a meu lugar de descanso para meu sono seguro durante o dia.

—Isso foi maravilhoso. — disse. — Quer eliminar as algemas agora, por favor?

Deu-me um beijo no centro de meu peito e subiu para o lugar onde os pulsos estavam presos. Mas em lugar dos cliques dos mecanismos de liberação, ouvi deslizando outros sons. Tratei de baixar os braços, mas meus pulsos ainda se mantinham firmes. Olhei por cima de minha cabeça para ver que meus braços não só seguiam vinculados pelas algemas de metal, mas também agora por tiras grossas de plástico. Testei minhas ataduras, pondo toda minha capacidade de resistência. Se as algemas de metal tivessem sido tudo o que me atava poderia as haver quebrado, mas o plástico que as reforçava era um problema. Se aplicasse a força suficiente para romper, poderia literalmente, cortar meus pulsos. E as partes dos vampiros não se regeneravam.

—Que diabos crê que está fazendo? — Perguntei.

Vitória colocou suas calças jeans e uma camiseta enquanto via minha luta, com curiosidade.

—O que acontece, meu menino amante? Não quer ficar e jogar um pouco mais?

—Tenho que ir. Agora.

—Qual é a pressa? Por fim pode ter essa taça de café no pátio, enquanto vemos o nascer do sol. Não seria divertido?

Foi as janelas que dão ao leste e abriu as cortinas. Tratei de me acalmar e formular uma resposta, a luz poderia servir de inspiração para lhe dizer algo que a fizesse me liberar, mas algo sobre o maníaco brilho nos olhos, fez com que meu sangue ficasse mais frio do que o normal. Uma repentina convicção se formou em minha mente, que me deu, tanto medo como emoção.

—Como descobriu? — Perguntei-lhe.

—Ontem a noite, a caminho daqui. Você não tinha sombra. — Seu rosto registrava o deleite do triunfo.

Amaldiçoei por minha falta de cuidado e rugi de frustração sem me preocupar em proteger minhas presas e muito menos negar a verdade. Vitória, em virtude de quem era, veria a verdade através de meus protestos. Esforcei-me por romper minhas ataduras de novo, mas só conseguia dobrar a cabeceira, enquanto o plástico resistente em meus pulsos cortava o suficiente para me fazer sangrar. Evidentemente, minha captora achou a minha exibição de força e ferocidade excitante. Apoiou-se contra a parede do fundo com uma expressão de êxtase orgástico em seu rosto.

—OH… meu… Deus! Não posso acreditar que tenho um vampiro nu preso a minha cama! — Abriu uma gaveta da cômoda com as mãos trementes e tirou um espelho de mão. examinou cuidadosamente o pescoço, e gritou:

—Sabia! Mordeu-me e chupou meu sangue.

Olhei-a, incrédulo. O que tinha sido da sábia professora que tinha emitido a erudita conferência que tinha ouvido a noite anterior? Seu aspecto atual recordava aos fanáticos seguidores do Elvis ou dos Beatles em seu apogeu. Seus olhos dilataram, a respiração se tornou rápida, sua cara avermelhou.

—Tudo começou com a pele. — ela disse — É muito pálido para um grego. Sua pele parece um impecável mármore branco. E logo está a forma de falar que não tem nada que ver o fato de ser um estrangeiro. Fala como alguém de um tempo diferente - um tempo anterior. Mas a sombra faltante assegurou a vitória.

Quanto a mim, me precavi que deveria ter estado mais alarmado por sua vontade para me levar a casa depois de apenas me haver conhecido. O sedutor se converteu em seduzido. Ela não carecia da coragem para isso.

—Muito bem. — disse — Foi uma tática bem empregada. Agora deixa que vá e não lhe farei dano.

—Deixar ir? Tem que estar brincando. Sabe quantos anos procurei um vampiro de verdade? — perguntou com voz entrecortada.

—Naturalmente, eu estaria encantado de responder a qualquer pergunta que possa ter, se somente… — Ela não me ouviu.

—Durante anos viajei por todo mundo como conferencista convidada ou como professora visitante, só na noite. Sabia que um de vocês viria para mim algum dia.

— Como estava tão segura disso?

—Veio, não? Por curiosidade? Diversão? Para saciar seu ego?

—Poderia ter te matado, pensaste alguma vez nessa possibilidade? Tem alguma ideia do que sou capaz? — Desde que a cordialidade não tinha funcionado com ela, talvez a intimidação pudesse. Lancei um grunhido para enfatizar minhas palavras.

—Eu não penso que queria me matar. Pensei que queria sexo e sangue, o que foi justo o que queria te dar. — Pelo olhar dela, minha tentativa de ameaça só a excitou mais. Embora o sol ainda não fosse visível, podia sentir sua cercania como uma coceira por debaixo de minha pele.

—Quer fechar a cortinas, por favor?

Ela piscou.

—Quanta luz do sol necessitaria para te matar?

O alarme guerreou com fúria em minha mente. Tive que me esforçar para manter a calma.

—O que pensa fazer comigo? O que quer?

—Quero conhecimento.

Recordei suas palavras mais cedo na noite, sem mencionar o microscópio e a coleção de lâminas e tubos de ensaio.

—Vai experimentar comigo.

Ela riu e não houve um bordo de histeria no som.

—Estive fantasiando durante anos sobre o que faria se alguma vez conseguia capturar um vampiro. Em um primeiro momento decidi que me voltaria um Doutor Frankenstein e dissecaria o bebedor de sangue, para poder estudá-lo peça por peça sob o microscópio a um nível celular.

Eu resisti a vontade de me retorcer. Eu não gostava da ideia de ser talhado em rodelas e em cubinhos. Talvez se me concentrasse o suficiente poderia pensar em uma tática que a inspirasse a me liberar.

—Mas logo pensei em outra coisa. Que melhor maneira de saber o que é ser um bebedor de sangue que ser um? Quero que me faça um vampiro.

A ideia de converter esta formosa mulher em um monstro me gerou rechaço.

—Você não sabe o que está pedindo.

—OH, sim o faço. E não é só que queira aprender a respeito de vampiros. Eu não estava brincando quando disse que tinha sede de conhecimento. Todos os tipos de conhecimento. Pensa nas possibilidades. Como imortal terei todo o tempo do mundo para absorver toda a informação e a sabedoria que foi acumulada na história humana.

Um calafrio de emoção passou através de mim. Eis aqui uma alma gêmea de fato.

—Não estava brincando antes. Eu sou um buscador da compreensão também. — disse-lhe. — Poderia me chamar um eterno estudante.

Aproximou-se e se sentou na borda da cama junto a mim. Ela olhou em meus olhos, como medindo minha sinceridade. Seu olhar era tão intenso que estava seguro de que, se tivesse tido uma alma, estaria procurando nela.

—Não o diz para me agradar, verdade? Você realmente entende.

—Não estou tentando agradar. Na verdade compreendo sua paixão pela aprendizagem.

—Que você gostaria de estudar mais? — Perguntou sem fôlego, com os olhos brilhantes.

—Ciências da Terra, a arte, ciências sociais, medicina, tudo realmente. É por isso que vivo perto das universidades. — O amanhecer se aproximava, estava começando a consumir-se dentro de mim. Uma luz tênue carmesim sangrava no horizonte. — Por favor. Poderia fechar as cortinas agora?

—Converterá-me? — Perguntou.

—Vai perder sua alma, — disse-lhe. A presença solar, que tinha começado como uma coceira, agora me queimava a sério.

—Não me importa. Para que necessito de uma alma, quando posso viver para sempre?

Amaldiçoei-a e a seus ancestrais enquanto me retorcia na cama, tratando em vão de levar meu corpo longe da janela.

—Converterá-te em um monstro! Um cruel, será uma besta sem consciência. Levará anos para superar o anseio de sangue o suficiente para reatar suas atividades acadêmicas, isso se sobrevive tanto tempo.

Vitória me olhou de maneira uniforme, como esperando que meu relato piorasse até que descrevesse uma condição com a que não pudesse viver. Isto era o muito que ela queria a imortalidade. Comecei a falar mais rapidamente, descrevendo a mais espantosa matança com os mais vívidos detalhes que pudesse imaginar. E ela seguiu sem mover-se.

—O que posso fazer para chegar até ti? — Perguntei. — O que precisa escutar para entender o que implica a transformação?

Ficou de pé e caminhou pelo piso junto a cama.
—Preciso escutar respostas! Quero saber como o Universo foi criado. Quero saber o significado da vida. Quero saber se há um céu e um inferno. Quero saber se há um Deus!

—Posso-te assegurar que há um Deus porque sei que há um Satanás!

Ela se deteve e sacudiu a cabeça, fazendo com que seu cabelo negro caísse sobre um ombro. Sua beleza era feroz.

—Como sabe?

—Porque eu sou um de seus demônios. — sussurrei-lhe.

Meus olhos se tornaram vermelhos com a fúria e tirei minhas presas como navalhas. Senti que retorcia a cara na máscara da morte que era quão último viram minhas vítimas nesta terra. Eu nunca tinha visto meu próprio rosto em sua forma mais monstruosa. Mas tinha uma ideia de seu poder, se tomava como medida o horror no rosto que minhas presas mostravam. Entretanto, Vitória estava calma. Ela não estava afetada, nem um pouco. Sua cara registrou uma emoção que não podia conciliar com a atual realidade. Estava excitada. Ela seguia me olhando de esguelha quando o sol apareceu no horizonte e comecei a gritar.

—Transforma-me? — Perguntou ela.

—Sim! — Gritei, ardendo em meu interior.

—Então vamos começar. — disse, fechando as cortinas. Seu grito de triunfo foi a última coisa que ouvi antes de desmaiar por causa da minha lesão.

Despertei na escuridão refrescante preocupado, depois de um sonho infestado de pesadelos. Tinha fechado as cortinas um instante antes que me consumisse em chamas. Estirei-me provisoriamente para pôr a prova minhas lesões, e senti seu calor. Vitória havia se aconchegado junto a mim, nua.

—Suponho que necessitava um tempo para descansar e te recuperar, — disse —. Sinto pelo que tive que te fazer.

Briguei por pôr sob controle minha fúria antes de lhe responder. Nunca tinha estado tão doente em minha longa existência como um bebedor de sangue e por Satanás, esta descarada pagaria.

—Sim. O último foi de muita ajuda, — disse. — Seu sangue me ajudará a terminar minha cura.

Entusiasmou-se de novo e ficou de joelhos na cama a meu lado.

—Essa será a primeira parte do intercâmbio de sangue que utilizará para me converter, verdade?

—Isso é correto, — disse-lhe.

Ela ignorava que nunca conseguiria a segunda dentada do processo, a parte em que ela por sua vez, beberia meu sangue. Ela não ia sobreviver.

—Por que não libera meus pulsos e começamos. — Sugeri com toda a calma que pude e com o que esperava fosse um sorriso cativante.

De uma gaveta tirou uma faca. Tive um momento de preocupação quando ela se aproximou de mim, mas ela só cortou os prendedores de plástico. Logo abriu o metal das algemas. Esfreguei os pulsos. As marcas deixadas pelas algemas já estavam desaparecendo. Agora sorri a sério.

—Vem aqui, doce amor. — murmurei.

Não houve necessidade do tipo de violência que eu abominava. Não a mataria violentamente. Em lugar disso simplesmente bebia seu sangue, todo ele, a meu gosto. Quando chegasse o momento da mudança, ela estaria inconsciente e indefesa para protestar. Radiante, deitou-se a meu lado e jogou o cabelo para um lado, me oferecendo a garganta.

—Eu não posso acreditar que isto está acontecendo. Esperei tanto tempo para isto. É o que sempre sonhei.



Sonha com isso querida. Pensei, ampliando minhas presas. Abracei-a e a puxei contra mim, posicionando minha boca contra sua garganta. Mordi-a sem usar o glamour e ela ofegou. Seu sangue quente fluiu através de meus lábios e saboreei sua doçura.

—Pode ver na escuridão?

—O que? — Perguntei-lhe, molesto porque tinha interrompido meus dois fios, o de minha alimentação e o de minhas fantasias de vingança. — Sim. Posso ver na escuridão.

Ela suspirou e ofereceu de novo a garganta.

—Tenho tantas coisas que quero aprender de ti.

Não foi sua nudez ou o sabor de seu sangue o que me estimulou, entretanto sim, sua simples declaração. Ela queria aprender de mim.

— Que mais quer aprender? — Perguntei-lhe, curioso.

—São seus outros sentidos tão poderosos como sua visão, como dizem as lendas?

—Sim.

—E tem que ser convidado a uma casa antes de poder cruzar a soleira? Ontem a noite não disse as palavras exatamente, mas eu claramente queria que você entrasse.



—Isso é tudo o que necessita, — disse-lhe. — Não tem que dizer as palavras. Só tem que querer me deixar entrar. — Tratei de recordar a última vez que alguém alguma vez me pediu que compartilhasse meus próprios conhecimentos. Inquieto, lambi as feridas em sua garganta.

—Como se sente a respeito da literatura?

—O que?

—Como meu mestre, você e eu estaremos juntos para sempre. Quero dizer, talvez estou sendo impertinente, mas vai ser meu mentor, verdade?



—Uh, sim. — Devido a minha aversão aos novatos, eu nunca havia considerado a possibilidade de criar outro vampiro. Portanto, nunca pensei em como seria dar uma de Pigmaleão3, criar um bebedor de sangue jovem a minha própria imagem, sem importar quanto tempo levaria e sem importar quando a caçada teria lugar.

—O que estava dizendo a respeito da literatura? — Perguntei-lhe distraído.

—OH, sinto muito. Estou tão emocionada que estou divagando. Você e eu podemos falar de literatura. E a filosofia. E… tudo! Puxa! Aqui há uma questão filosófica. Crê que poderia conhecer tudo durante determinado tempo, digo uns mil anos? Crê que poderíamos desvendar os mistérios do universo então?

—Esse é meu desejo mais fervoroso. — disse-lhe com sinceridade.

Mordi outra vez, tratando de concentrar-me na tarefa, até enquanto uma fantasia tomava forma em minha mente. Como seria ter uma companheira de alma para compartilhar meus estudos? Alguém com quem compartilhar minha fome pela verdade? Impossível! Eu não podia suportar ver esta mulher reduzida a um animal faminto. Preferiria vê-la morta, e quanto antes, melhor. Vê-la como um animal selvagem me causaria repulsão. Apertei minhas presas mais profundamente em sua carne, e extraí profundamente de suas veias.

— Que idade tem? — Deu um jeito de perguntar, apesar de sua voz ser cada vez mais débil.

— O quê? — Estava a ponto de me intoxicar, no ponto em que seria incapaz de deixar de beber seu sangue, inclusive embora eu quisesse; no ponto em que se ia fazer dela uma vampira, teria que lhe dar de beber meu próprio sangue.

—Que idade tem? — Repetiu, piscando. O repico de seu pulso, tão forte a princípio, estava cada vez mais débil.

—Eu nasci na Grécia, centenas de anos antes de Cristo.

—É da antiga Grécia, no período clássico? De verdade?

Esta notícia, evidentemente a emocionou. Recuperou-se o suficiente para levantar a cabeça e me olhar cegamente, já que ainda estávamos na escuridão.

—Sim. Realmente.

—O que fez ali? Para ganhar a vida, quero dizer.

—Eu era um sacerdote do Oráculo de Delfos.

—Para!

—Perdão?



—Trabalhou com o Oráculo? É verdade que a Sibila falava em enigmas?

—Sim. Era meu trabalho os interpretar.

Ela desmaiou em meus braços e eu estava seguro de que não era pela perda de sangue.

—Tinha sede de conhecimento, inclusive então. Tanto é assim, que trabalhou seu caminho para o santuário do Delfos. Essa é razão pela qual te converteu em um vampiro, não? Queria seguir procurando… para sempre. Assim como eu.

—Assim é. — disse. — Por isso deixei que me convertessem. — Que jovem mulher tão notável, pensei, meu interior impacientava-se por ela, a dor que tinha me causado, foi esquecida. Por fim, uma mulher que me entendia, e logo estaria morta sob minhas presas.

—Tenho mil perguntas. Não posso acreditar minha sorte. Não só posso encontrar finalmente um verdadeiro vampiro, mas, além disso, ele é um intelectual. Prometo não te interromper mais. Ainda não é hora de que me dê seu sangue?

Olhei para baixo e fiquei maravilhado com sua perfeição, de seu corpo e de sua mente. Passei a mão por seu cabelo sedoso, deixando meu polegar roçar sua bochecha, a qual estava a esta altura tão pálida como o alabastro. Era uma lástima que tivesse que morrer.

Um vento frio enviou redemoinhos de folhas e lixo em um pequeno torvelinho que deslizou para cima de mim, enquanto eu esperava para minha próxima aula na Universidade Estatal da Geórgia Eu tinha escolhido passar a outra instituição de educação superior no semestre do inverno e deixar para trás, o momento desagradável tinha acontecido em Athenas, Geórgia

Para um vampiro que sempre se antecipa, que vive para sempre, ter chego tão perto da morte, foi uma experiência instrutiva, por isso optei por uma mudança de cena. GSU era uma universidade urbana, situada no coração do centro de Atlanta. O centro da cidade e seu ambiente, cheio de narcotraficantes, alcoviteiras e outros delinquentes era uma reserva de caça substanciosa.

—Vamos, querida. Não brinque com a comida. — Admoestei Vitória.

Ela tinha pendurado sua vítima para fora da parte superior da cobertura do estacionamento de vários pisos na qual nos encontrávamos. Ela inclinou a cabeça e o arrastou na superfície onde ela terminou de reduzir drasticamente seu sangue. O homem tinha cometido o engano de tentar roubar nosso veículo quando chegamos ao estacionamento.

OH, matei Vitória aquela noite em Athenas, está bem. Matei seu corpo mortal e a converti em uma bebedora de sangue quando ela tinha perguntado. Quanto a mim, decidi-me deixar de lado meus prejuízos e deixar para trás minha repugnância com os novatos. A experiência resultou ser um exercício de grande tolerância para mim. Depois de tudo, quem sou eu para questionar as formas do vampiro?

Quando terminou de beber, colocamos o corpo perto de um monte de lixo e o tampamos.

—Vamos?


Arrumou o cabelo, ajustou a saia e tomou-me pelo braço.

—É claro querido. — disse. — Ter que dar elucidações a um policial saindo da delegacia de policia de Atlanta poria fim a diversão de voar.

—É claro, tem razão. O que você diga amor, — disse com doçura. — O que eu faria sem você para me manter fora de problemas? Vamos tomar o elevador.

Tirei um lenço de linho de meu bolso e sequei a marca de sangue do seu queixo. Com o tempo, ela ia deixar para trás a necessidade de emoção da matança e se alimentaria com discrição e sem necessidade de ocultar os corpos dos malfeitores que deixava sem sangue. Enquanto caminhávamos para a aula de braços dados, pensei em minha boa fortuna. Havia levado 3.000 anos encontrar a mulher ideal para mim. Eu gostava de ser um erudito, mas até Vitória, nunca tinha experimentado a satisfação de compartilhar meu conhecimento com alguém que o apreciava. O estudante se converteu no professor. E logo, é obvio, estava o sexo. Nunca teria sonhado que a monogamia seria assim… estimulante.

E a respeito de minha pergunta filosófica permanente: Qual é meu propósito? Agora estou começando a acreditar que meu propósito como um bebedor de sangue nesta terra era ser o pai vampiro de Vitória.

Então, com risco de aumentar o romantismo, como um aluno mortificado, perdoem a mim e minha senhora Vitória enquanto cavalgamos longe do proverbial pôr do sol.



Fim



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1 Antropóloga americana que realizou muitas pesquisas de campo, nas quais estudou os problemas de adolescência e as mudanças culturais.

2 Gênio do ar na mitologia céltica e germânica da Idade Média.

3 Segundo a mitologia grega, Pigmaleão era um escultor e rei de Chipre que se apaixonou por uma estátua que esculpira ao tentar reproduzir a mulher ideal. Na verdade ele havia decidido viver em celibato na Ilha por não concordar com a atitude libertina das mulheres dali, que haviam dado fama à mesma como lugar de cortesãs. A deusa Afrodite, apiedando-se dele e atendendo a um seu pedido, não encontrando na ilha uma mulher que chegasse aos pés da que Pigmaleão esculpira, em beleza e pudor, transformou a estátua numa mulher de carne e osso chamada Galatéia, com quem Pigmaleão casou-se e com quem teve um filho chamado Pafos.





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