Tiamat World Vampire Romance Savannah Russe



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Tiamat World

Vampire Romance

Savannah Russe






Dentes soltos

Savannah Russe
Um paciente vampiro dá a um dentista a oportunidade de expandir sua prática para os mortos-vivos e perseguir suas fantasias secretas.
Disp. em Esp: novelvampir

Envio do Arquivo e Trad.: Gisa

Revisão Inicial: Lu Salvatore

Revisão Final: Fabrícia

Formatação: Gisa

Tiamat - World
Comentário da Revisora Lu Salvatore: Um dentista que não pode ver dentes tortos.

Um vampiro com dente quebrado.

Uma nova clientela para um dentista, um dentista vampiro.

Achei um pouco morninha a história. Penso que estou mal acostumada com nossos vampirões...


Comentário da Revisora Fabrícia: A história até que é legal, poderia ter sido mais bem explorada pela autora, Já pensaram um adaga ou um cárpato no dentista?

Sim, o livro Mammoth de Vampire Romances é verdadeiramente enorme, contendo 25 histórias curtas e você vai reconhecer os nomes da maioria dos 23 autores. Ele reúne o maior numero de novos fenômenos paranormais, historia românticas jamais reunidas sob uma mesma coberta. A coleção se centra em um dos personagens originais e mais antigos do gênero paranormal - o vampiro - e inclui não só aos autores que construíram sua carreira escrevendo sobre chupasangues, mas sim também uma variedade de escritores que estão dentro do gênero paranormal, mas que escrevem pela primeira vez sobre vampiros. Isto significa que você encontrará diversão, grande variedade de histórias, todo tipo de vampiros inesperados, os mundos tradicionais de horror, o romance gótico e histórico, fantasia urbana contemporânea, a típica comédia e o material erótico, mas quente, e até a história romântica - onde o menino conhece a garota, histórias de amor de tentar e alcançar o verdadeiro amor (embora com uma mordida arrancada do coração e um copo cheio de sangue).

Também, alertamos para a existência de histórias autônomas que apresentam conexões com sagas existentes de um escritor particular, ou algum personagem intrigante que não obteve a oportunidade para mostrar seu potencial em um livro completo prévio, e cuja história pode ser contada aqui pela primeira vez.

Mas a verdadeira pergunta que se fará, uma e outra vez nestas pagina é a seguinte: Pode ser um vampiro tudo o que pintam? Claro que viver para sempre e nunca envelhecer, ter um magnetismo sexual além de todos os sonhos humanos, deve ser bom... mas vale a pena? Esta pergunta é como um eco através de muitas destas histórias. Assim que terá que ir a jugular (... e a carótida, a artéria femoral na coxa interna, a sola dos pés, a curva do cotovelo, o tornozelo...). Com este Mamute de vampiros para averiguá-lo.

Uma vez que estas histórias são realmente contos, os términos são um pouco abruptos.

Quem pode dizer o que molda o destino de um homem? Neste caso, tratava-se de um incisivo dolorosamente dividido à direita na linha de um chiclete. O dente era grande e tão perigosamente apontando como um pico de gelo. Seu proprietário, um jovem magro, de cabelo comprido, com vários brincos na orelha direita e corpo esbelto como o de uma bailarina, com look Gótico. Por essa razão, Sol Tytel, dentista, pensou que provavelmente os tinha afiado.



As pessoas não acreditariam nas coisas que um dentista vê, Sol pensou, enquanto preparava o menino para raios-x. A humanidade está retorcida.

Quando o serviço de secretária eletrônica de Sol tinha chamado mais cedo, nessa quente noite de julho, a névoa levantou da baía do Gowanus para difundir-se através do Brooklyn. Suavizava as sombras dos carros e as ervas daninhas embaixo das árvores sob as luzes da rua. O ruído dos passos eram amortecidos. Os velhos pesadelos deslizavam ao longo das sarjetas e formavam redemoinhos ao redor dos deságues.

A voz esganiçada do serviço disse que um cliente quebrou um dente e não iria a uma sala de emergência. A tia de Sol, Blanche havia dito ao homem que chamasse seu sobrinho, dentista.

Os dedos gordinhos de Sol apertaram o telefone celular. Não se rechaçava uma petição da tia Blanche. A irmã de Sol, Glenda Faye, uma vez tinha negado uma solicitação de sua tia para recolher alguns pescados branco defumados de uma loja na Avenida 18, dizendo que não tinha tempo. Dez anos depois, tia Blanche tinha caminhado através da fila de cumprimentos nas bodas de Glenda Faye, dando à noiva apenas um aperto de mão em lugar de um beijo e disse:

— Então? Você está ainda tão ocupada que não pode prescindir de dez minutos para ajudar uma anciã cuja artrite a está matando?

Assim, Sol rapidamente concordou em atender à emergência, inclusive embora fosse um sábado de noite, bem passada a hora das bruxas. Sol na realidade não se importava. Ele estava de olho em um televisor de plasma e mentalmente somando o que ele poderia pagar pela televisão. Esta poderia ser uma noite de encontros, tampouco tinha importância. Sol não estava casado e nem comprometido, na realidade estava sozinho, outra vez.

Não é que ele fosse um perdedor no jogo do amor. Infernos não. Na escola de odontologia seu apelido era o perfurador, e não tinha nada que ver com cárie dental. Entretanto, para Sol, sua vida amorosa estancou e permanecia imóvel na úmida garagem vazia de sua existência. Sua única opção neste momento era conectar com uma das 30-algo sério–graduadas, Sarah Lawrence que conheceu no Templo.

Tetas caídas, cabelo grisalho usado como uma declaração política, traseiro amplo e suave como as almofadas do sofá, a mulher tinha opiniões sobre tudo, da utilização do Feng Shui para a sala de espera, aos riscos de saúde graves por comer pastrami. Uma por uma, vinham a ele com os relógios biológicos fazendo tic-tac e cifrões em seus olhos. Sol Tytel não respondia.

Havia um desejo escondido e profano que o impedia de quebrar o vidro sob a chupá. Isso levou-o para o quiosque de revistas na estação de metrô para comprar a última Playboy, ele estava gastando muito em determinados canais de TV a cabo Premium. A verdade era que Sol sonhava só com loiras de olhos azuis com narizes diminutos e nomes como Bunny. Em outras palavras, seus olhos escuros, desejavam contemplar garotas, preferentemente nuas.

Assim que esta noite de sábado em particular, com um tipo gótico, todo vestido de negro, jazendo de barriga para baixo na poltrona do dentista, Sol cantarolava um tema do Fantasma da Opera e olhava os raios-x. Ele decidiu que podia salvar o dente, mas ia necessitar uma capa.

Com uma explicação praticada, dúzias de vezes, Sol explicou a situação para seu paciente de emergência e falou de planos de pagamentos. Mas ele também tinha uma pergunta. Deveria replicar ele o dente? Ou Sol podia aproveitar esta oportunidade para fazer com que o dente ficasse normal, selar com uma tampa o incisivo contrário e lhe dar um sorriso bonito? Sol sorriu abertamente para lhe mostrar seus brancos e brilhantes dentes perfeitos.

Ainda com a boca cheia de algodão, o paciente deixou escapar uma risada que soava como gelo ao romper-se. A chapa dos raios X dentais tremia na mão suave de Sol. Foi então quando Brice Canyon, ou assim é como chamou a si mesmo, disse a Sol que era um vampiro. Necessitava sua nova presa afiada, como Sol poderia fazê-lo, por razões óbvias.

Sol ficou cético, curioso e pelo menos teve um pouco de medo, manteve entretanto sua conduta profissional. Sua mente acelerou. Ele pensou nos riscos, os prós e os contra. Finalmente falou.

—Para alguém como você, a saúde dental é especialmente crítica.

—Tem razão. — Brice Canyon murmurou através do algodão.

—Uma pessoa como eu, um dentista excelente, poderia preencher, perdão pelo trocadilho, as necessidades entre sua… sua classe? Estou certo?

Brice Canyon assentiu.

— Então, talvez deveríamos conversar. — Sol disse.

Brice Canyon, cujo nome verdadeiro foi Cormac O'Reilly, era um sapateador ocasional da Broadway e um eterno gigolô. Até com seus sentidos amortecidos por várias injeções de lidocaína, ele viu os lucros que potencialmente recaiam sobre uma associação com o dentista gordinho. Brice poderia recrutar os pacientes vampiro, por uma retribuição é obvio, e Sol poderia praticar seu negócio com grande discrição.

—Acredito que preciso te converter em um vampiro eu mesmo. — Brice propôs mais tarde nessa mesma noite, enquanto se recostou em uma imitação de sofá de couro marrom apagado, no escritório de Sol. Ele estirou suas longas pernas fracas em cima da mesa de café com uma montanha de revistas de notícias semanais. — Seria prudente no negócio, aumentaria o fator confiança, você sabe.

A natureza proibida da sugestão de Brice, enviou um delicioso calafrio diretamente pela coluna de Sol. Ele anulou esse calafrio imediatamente, envergonhado.

—Não posso. Deve ser contra minha religião. — respondeu, embora não muito rápido.

—Não vejo por que seria, mas sob a perspectiva da piedade e de velhos credos, as mudanças que ocorrem quando a gente vive no lado escuro. — disse Brice e pôs as mãos detrás da cabeça. Olhou o teto. Seu rosto adquiriu um olhar ardiloso. — Entretanto, o sexo, você sabe, é fantástico. As mulheres amam os vampiros.

—Realmente? Por quê? — As palavras sexo e mulheres atuaram como canto da sereia na libido de Sol.

Brice riu, sua risada gelava o sangue. — Somos proibidos, sexys e precisamos ser salvos. Isso é potente, dandi.

Um tremor se apoderou de Sol.

—Deixe-me pensar até amanhã.— disse.

Entretanto, ele morderia o anzol. Brice sabia que só tinha que ter paciência e o fisgaria.

—Claro. Mas por que não me vê amanhã de noite e deixa eu mostrar tudo, te apresentar a alguns amigos? Ver o que pensa.

—Suponho que não haveria nada de mal nisso. — Sol disse.

Sol dormiu intermitentemente. Na manhã seguinte, fez café e torradas
e sentou na frente da televisão para assistir um edificante noticiário sobre assuntos públicos, mas sua mente vagava. O pensamento de experimentar com este vampiro lhe pôs nervoso. Ele considerou o fato de que ele tinha uma vida muito boa
, um pouco maçante, mas talvez ele não devesse mover perigosamente o navio. Ele poderia tirar férias em Miami e aliviar seu aborrecimento atual, em lugar de converter-se no seguinte Drácula.

Sim, muito do que Brice havia dito, intrigou-lhe. Sol frequentemente tinha sonhado em possuir o puro poder físico que os vampiros pareciam possuir. A transformação em um semideus – e Brice lhe assegurou que assim seria – lhe pareceu uma rota mais rápida de controlar as calorias, sem ter que trabalhar em um ginásio. Somando o fato que ele manteria sua saúde até se escolhesse comer carne em conserva e o pastrami diário. Fumaria uns fumegantes charutos cubanos e relaxaria todas as noites com um Martini potente. O alto colesterol e o endurecimento das artérias eram algo do passado.

E ele não poderia ignorar o fato do êxito financeiro como dentista dos não-mortos, parecia assegurado. Por outro lado, o aspecto da vida eterna não o agradava. Brice insistiu que os vampiros não envelheciam, mas Sol tinha um tio Sid que viveu até os 97. Sid não era um tio muito agradável à vista. Entretanto, seu estado mental foi o que mais alarmou Sol.

— O que é viver um dia mais? —O velho se queixou. — Nada mais em que esforçar-se, nada que conquistar. Falta de interesse nas mulheres ou na comida. Estou preparado para a tumba.

A Sol preocupava que a vida eterna pudesse chegar a ser uns poucos muitos séculos na profissão dental. Mas a parte sexual fez com que Sol quase desmaiasse. Brice tinha contado histórias que o levaram a suar. Trios, sexo em grupo, anal, oral, S & M, Brice apresentou um bufê sueco de delicadezas exóticas quando tratou das formas como ele tinha feito o sujo. Poderia Sol descobrir a mesma classe de felicidade sibarita. Brice jurou sobre a vida de sua mãe, que Sol podia. Em algum lugar em sua mente racional, Sol reconhecia que a palavra de um vampiro não era confiável, mas aceitando a realidade monótona de sua vida ou requerendo uma oferta de uma só vez na vida para ser transformado de Sol Tytel, dentista para um super-cool, escuro, vampiro, sexualmente atrativo, misterioso parecia uma eleição óbvia.

Entretanto, Sol hesitava quando o relógio marcava as horas da tarde, não podendo decidir dirigir-se às guaridas dos vampiros da cidade e encontrar com Brice -até que seu velho amigo Howie chamou.

Howie herdou sua clinica Lateral Do Leste Superior de seu pai, agora que ele se retirou e vivia em Boca Raton. A clientela de Howie incluía agentes poderosos e estrelas de cinema, e quanto as suas conquistas de mulheres dispostas, ele esfregava no rosto o tempo todo. Ele cacarejava com grande regozijo:

—Ela virtualmente me violou. Eu juro por Deus. Pensei que tinha morrido e que tinha ido ao céu. Vinte e seis e formosa. Ela se casou com uma velha cabra e está aborrecida dentro de sua caixa trancada de negro. O que me importa se as tetas são de silicone? Meu Deus! A mulher pode dar uma mamada, sem parar. — Howie nunca sabia quando calar-se.

— Isso é realmente o que fizemos. — gabava-se Howie.

Sol enterrou suas dúvidas em um canto escuro de sua mente e se foi rapidamente do Brooklyn, decidido a desfrutar de uma noite entre os vivos e os mortos viventes.

O Submundo dos vampiros de Manhattan estava cheio de depravação, decadência e egoísmo. Nesse sentido, diferia pouco da vida de solteiro na mesma cidade. Em outros aspectos, superava os sonhos mais descabelados de Sol, e os mais escuros pesadelos. Sol emergiu de um táxi amarelo para encontrar-se no cimento das calçadas da cidade, o calor era evidente em torno dele. Viu Brice descansar em um portal, como Lúcifer nas portas do inferno. O suor estalou na calva de Sol. O vampiro fez gestos. Sol deu um passo para o destino e lhe seguiu ao interior de um clube noturno chamado Blood Lust, onde no momento de abrir a porta ele podia ouvir música forte soando com grande estrondo com uma pulsação controladora.

Luz tênue, escura, paredes pintadas de vermelho e um gorila do tamanho de um elefante saudou Sol. Sua ansiedade se queixou como um lutador de sumô, sua respiração era difícil e entretanto encontrou valor para seguir Brice mais profundamente nas vísceras do lugar. Mas o que mais lhe assustou era o aroma. Era almiscarado, bestial e totalmente inquietante. Os frequentadores nas mesas tinham aspecto humano, exceto quando levantavam a vista e os olhos brilhavam, vermelhos detrás das pupilas. Foi então quando Sol se deu conta de que já não estava com sua própria espécie.

Algumas mulheres-espectrais, magras se moviam ao redor de um quarto grande, levando umas taças, que em sua maior parte parecia Bloody Mary's1. Sol teve uma sensação de afundar, não se tratava de suco de tomate. Outro calafrio de medo percorreu através dele. O pânico o afligiu. Voltou-se e decidiu precipitar-se para a porta e voltar para a rua. Entretanto, Brice tinha lhe agarrado o cotovelo e o reteve rápido, puxando Sol para o outro extremo da habitação. Ali, diante de uma banda tocando ao vivo, em uma concorrida e pequena pista de baile, os casais dançavam sob as luzes estroboscópicas de cor azul e vermelha.

—Sim, sei. É Disco retro. — disse Brice. — Vamos sentar em uma mesa. O que quer tomar?

—Um coquetel.

Sentaram-se, escondidos em um canto, Brice com um uísque e Sol com um Martini. Sol pagou a conta. Tratou de não olhar os bufidos, flagrantes e inseguros, ocorridos entre duas magníficas garotas em uma mesa próxima. Ninguém mais parecia reparar.

Sol se sentiu fora de seu elemento. Os padrões em torno dele eram todos de aparência agradável, elegantes e sensuais. Reuniam-se nos cantos, de dois em dois e três em três. Sol só podia adivinhar o que faziam. Pensou que teria gostado de unir-se a eles.

Mas se tratava de uma vida que poderia abraçar? Era este um lugar ao que alguma vez poderia pertencer? Duvidava. Seu mentor, Brice, o olhou terrivelmente aborrecido. Seus olhos percorriam a habitação como se procurasse alguém. Ele e Sol não tinham nada em comum, exceto o incisivo quebrado de Brice. Sol tratou desesperadamente de iniciar uma conversação.

—Tens sido um vampiro faz tempo? — Iniciou a conversação.

Brice correu seus olhos pela multidão.

—Séculos. Por quê?

—Só por ser cortês. — Disse Sol e bebeu a bebida.

—Não o faça. Trata de ser grosseiro. É mais divertido. — Brice lhe ofereceu.

Sol terminou sua bebida e assinalou por outro. Assim fortificado, ele tentou uma tática diferente, atrever-se a dizer o que estava em sua mente.

—O que vai acontecer comigo esta noite? — Sua voz vacilou.

Brice o olhou de canto de olho, mostrando os incisivos, Sol observou que o que tinha criado parecia quase perfeito.

—O que queremos que aconteça? — Brice perguntou.

—Eu…Eu… não sei? Quais são minhas opções?

— Vamos ver. Se estiver de humor para uma orgia, há uma acontecendo por ali. — Assinalou para uma porta grafite verde. — Se quiser drogas, simplesmente toma sua carteira. Ou talvez quer que alguém te chupe o sangue…

—Ah!, não o sangue, álcool e drogas. O outro…— Sua voz se apagou com nostalgia. — Tenho uma fantasia…

—Tudo o que seu coração deseje, meu homem. — disse Brice em um voz ofensivamente lisonjeadora. —Mas…

Sol captou, sabia que tinha que haver um mas.

—Se cumprir sua fantasia, não será uma fantasia mais.

Refletindo sobre essa frase, seu cérebro já não se sustentava por mais que tentasse, tendo sido embrulhado por álcool, Sol olhou para cima e acreditou que estava sonhando. Uma loira que se via doce abriu caminho sinuosamente através do quarto, aproximou-se da mesa e se dispôs a exibir sua fenda ampla.

—Macky. — Ela gritou e deu o vampiro frente a Sol uns beijos no ar a suas bochechas.

—Sou Brice esta noite. — respondeu o vampiro.— Troquei meu nome de novo. Recebi uma nova parte.

—Então Brice, — ela sussurrou. Logo se voltou para Sol. — E trouxeste carne fresca? — Ela sorriu, mostrando uma covinha adorável. Estendeu uma mão. — Olá! Sou Krista.

—Sol apresento Krista, poderosa dama da canção e da tristeza. Ela canta com a banda.

—Encantado, estou seguro. — Sol gaguejou.

Krista deu a Sol um lento, e logo outro longo olhar.

—Vai lhe mostrar a sala de orgia? Quero dizer ele vai se unir a nós no lado escuro? Vê-se delicioso.

Sol, que nunca tinha sido chamado de delicioso antes, ruborizou-se.

—Isso depende de meu amigo aqui para decidir. — respondeu Brice, seu sorriso malicioso tinha retornado. — Por que não une a nós para tomar uma taça, enquanto que ele toma uma decisão?

Krista aproximou uma cadeira muito perto de Sol e disse:

—Somos uns desavergonhados, você sabe. Nós adoramos os novatos. Vê-te como um adolescente de 162, nunca beijado… ou mordido.

—É isso um cumprimento? — Sol perguntou.

—Não realmente. É só uma declaração de fato. É óbvio que é meramente humano. Os vampiros não são calvos, já sabe. Entretanto em ti é lindo.

Sol suspeitava que tinha sido insultado, mas de algum jeito não lhe importou. Seus olhos foram atraídos pela boca de Krista.

—Eu não desejo seguir adiante. — Disse. — Mas você sabe que tem um desajuste grave. Dente soltos. Tem dor na mandíbula?

Krista parecia perplexa.

—Não exatamente. Eu sofro de enxaquecas.

Brice fez seu movimento, sem problemas, como um vendedor de carros usados trabalhando muito no dia de pagamento.

—Sol é um dentista. O melhor. Ele se especializa na discrição e em não deixar cair o dinheiro.

E logo a conversação voltou as costas às orgias para os benefícios de braçadeiras invisíveis. Antes que a noite terminasse, Brice tinha recrutado 13 novos pacientes para Sol. O trabalho dental tinha estado descuidado entre os não-mortos. Sol se sentiu atordoado pela emoção. Ele era muito solicitado.

Logo todo mundo o chamava doutor. Ia por seu terceiro Martini. Sentia-se aceito e especial. Brice, também, já não parecia aborrecido. Ele entretanto, finalmente anunciou que tinha fome.

—Não me olhe . — Sol disse brincando.

—Tenho alguém em mente, meu amigo. Entretanto, uma senhora parece te estar buscando.

Logo, quando a banda tomou um descanso muito necessário, Krista reapareceu com uma mão estendida.

—É hora de comer sua cereja, Dr. — Seu sorriso era encantador, apesar dos dentes. Ela puxou ele a seus pés e o levou a porta verde. Sol se movia como se estivesse em transe, com o coração a martelar e sua paixão à solta.

Na sala de orgia, Krista e outra mulher o lamberam como se ele fosse um sorvete, e ele fez algo mais que dar lambidas. A eles se uniu um homem jovem, que fez Sol fazer uma pausa, depois continuando com outra moça doce. Esta era uma orgia, depois de tudo. Corpos entrelaçados, moviam-se e bombeavam. Era delicioso, pecaminoso e satisfatório. Mas ao final chegou o terror.

Recostando-se contra algumas almofadas no cansaço excessivo do coito, ele pensou em usar um copo frio de água e considerar cuidadosamente a logística de levantar-se e ir para casa, Sol encontrou Krista de volta a seu lado. Seu sorriso ao vê-la surgiu instantaneamente. Sua expressão não era doce. Seus olhos se tornaram duros e brilhantes, as unhas se converteram em garras ameaçadoras e seus incisivos tinha crescido muito. O temor aguilhoou através de suas veias, Sol disse que tinha que ir e tratou de encontrar suas calças jeans, que estavam em algum lugar próximo. Não os encontrou antes que Krista saltasse sobre seu peito.

Agora, era uma amazona tão forte como dez homens, prendeu Sol para baixo. Seu coração acelerou. Seus olhos abriram. Sua pele estava pegajosa. Deu-se conta de que esta excursão aos infernos era um engano monumental. Mas já era muito tarde. Com uma habilidade a base de prática, Krista afundou suas presas afiadas direito na artéria carótida. Ele gritou, mas se deu por vencido e não pensava com claridade (devido aos Martinis e o treinamento carnal), e desmaiou. A consciência o deixou e Sol Tytel não soube mais.

Sol não se lembrava de ter chego em casa, mas despertou, na manhã seguinte, em sua própria cama. Ele estava vivo, ao menos pensou. Mas quando sentou, a perda de sangue o tinha deixado com sua pior ressaca desde que ele e Barry Cohen roubaram uma garrafa de uísque Regal durante o bar mitzvah3 de Jeff Silverman.

Cambaleou até o banheiro, onde a vista de um estranho no espelho o sobressaltou. Deu um salto para trás. Logo se aproximou para ver melhor. Olhou. Ficou boquiaberto. Em lugar de um calvo dentista de trinta, com os olhos marrons pequenos e uma tez manchada, Sol viu um Adônis.

Parecia ainda mais cuidado. Com assombro, descobriu que seu cabelo era mais grosso, seu ventre plano, seu rosto mais magro e seus incisivos… eram definitivamente mais largos.

O assombro o alcançou. O susto do ataque de Krista foi esquecido. Sol estava trocando de dentista do Brooklyn -financiamento baixo sem interesse, que dava boa-vinda a novos pacientes-a um vampiro cheio de plumas, amoral, como tinham prometido.

Passaram as semanas. A temporada de calor do verão de Nova Iorque caiu sem esforço no outono. Os Ianques ganharam o campeonato. Outubro trouxe as noites frescas.

E Sol teve duas sessões privadas com Krista em seu quarto de exame para completar sua transformação, enquanto que ela era equipada com o último em aparelhos de plástico invisível. No momento de que seus dentes desparelhos estavam notavelmente melhor, converteu-se em um homem novo -não mais humano e sim não-morto até a medula.

Os benefícios foram visíveis. O cabelo de Sol cresceu de forma exuberante, negro e ondulado. Sua cintura se reduziu a um tamanho de 28. Começou a usar jeans negros apertado, mocassins sem meias e camisas do Armani.

Sua irmã, Glenda Faye, estava maravilhada de sua transformação. Lhe disse que tinha recebido um transplante de cabelo, contratou a um treinador pessoal e visitava um nutricionista. Imediatamente, queria lhe apresentar a uma de seus amigas. Sabia o que queria dizer e habilmente se negou.

Até a tia Blanche lhe telefonou uma noite, com vontades de arrumá-lo em um encontro às cegas com a filha de um amigo. Mas Sol tinha algo em coluna vertebral agora. Infelizmente, disse, que devia declinar. Ele estava muito ocupado para o encontro.

E o estava. A partir dessa transcendental primeira semana de julho, os novos pacientes tinham chegado a seu escritório em uma corrente sem fim. Ele contratou a uma recepcionista disposta a trabalhar de noite, já as sessões diurnas estavam fora. Encontrou-se com uma linda higienista dental com afeição pelo turno da noite. E trabalhou do entardecer até a saída do sol, cada noite, exceto na sexta-feira, embora ainda não se atrevia a sair, mas dormia esgotado frente à nova televisão de plasma.

E assim, apesar de sua transformação drástica, a vida de Sol -à exceção da diminuição de exposição a luz solar, a aversão ao alho, e a necessidade de infusões de sangue-não parecia muito diferente de antes.

Em outras palavras, Sol não teve tempo de voltar para Clube Blood Lust. Ele não tinha assistido a outra orgia. E, enquanto tomava as doações de sangue em lugar de serviços de pagamento de vez em quando, cada vez se sentia mais inquieto. Estava ao mesmo tempo quente e aborrecido.

Chamou Brice para pedir um conselho.

—Ainda não caçaste um humano? — Brice perguntou, sabendo que Sol não tinha feito.

—Eu nem sequer tenho uma arma. — Sol disse consternado.

—Não esse tipo de caça. — replicou Brice.— Quero dizer; espreitar, saltar e dizer: Eu quero beber seu sangue.

—Você de verdade faz isso? — Sol perguntou.

—Todos os vampiros fazem. —disse Brice. — Eu te mostrarei como.

A lição teve lugar em uma noite nublada e fria, no fim de outubro. Brice e Sol se reuniram em um parque escuro passando o rio Hudson, no lado superior oeste de Manhattan.

Com sua boca larga, uma mofa sensual e seus olhos pesados, Brice estava tão dissoluto vendo-se como um jovem Mick Jagger. Levava um casaco negro de couro e calças de couro ajustadas. Ele caminhava com um rebolado. Sol não estava nada mal, apesar de que se sentia mais cômodo com seus jeans negros e camisa Armani apertada sob uma parca bonita e cálida.

—Só olhe. Observe o que eu faço. — disse Brice e começou a caminhar para o norte ao longo de um atalho iluminado.

Um vento uivava solitário. A umidade se infiltrou nos ossos de Sol. O único ruído de passos era o seu. Nenhuma pessoa sensata estaria sozinha neste lugar escuro e solitário. Sol pensou que Brice poderia caçar melhor aos humanos no Time Square.

De repente, Brice tirou Sol do caminho e o situou nas sombras. Um peixe saltou no rio detrás deles. Um rebocador assobiou. Sol soprou em suas mãos para as esquentar.

—Shh. — disse Brice e assinalou.

Uma jovem mulher se deteve para acender um cigarro, não estava nem a cinquenta pés de distância. No broto da chama do isqueiro Sol pôde ver manchas de lágrimas nas bochechas. Uma briga com um amante lhe tinha enviado ao ar livre, adivinhou ele. Que tolo!, pensou.

Brice saiu das sombras no caminho. Sol ficou atrás e observou. A moça olhou surpreendida. Voltou-se para longe de Brice fugindo, mas ele foi mais rápido. Ele a agarrou pelo braço e a girou para si. Tinha os olhos arregalados pelo terror. Mas ela não gritou. Ela simplesmente o olhou.

Brice disse algo que Sol não conseguiu ouvir. A mulher sorriu e se meteu nos braços do vampiro. Brice levou a boca à sua em um beijo. Ficou imóvel em seu abraço. Ele a arrastou na grama detrás de uns arbustos. Seus incisivos cresceram fortes e brilhantes na luz do poste. Mordeu-lhe a garganta branca e bebeu. Quando terminou, saiu de um pequeno furo na garganta um fio magro de sangue.

—Eu não sei se posso fazê-lo. — disse Sol ao olhar de perto o corpo da jovem, atirado na grama com a cabeça arremessado para trás.

—Não está ferida, você sabe. —disse Brice.— Eu poderia ter sido um assaltante. Teve sorte.

Sol olhou de novo.

—Ela tem uma ampla brecha entre os dentes. Talvez devesse deixar um cartão.

—Não é uma má ideia, — Brice esteve de acordo. — Agora, vamos procurar uma vítima para ti.

A primeira tentativa de Sol foi uma loira com muito busto caminhando apagada, guiando seu Yorkshire terrier. Ela sorriu quando ele se aproximou. Ele se deteve e lhe perguntou as horas. Ela disse que ela teria gosto em lhe dizer as horas e ainda mais. Por que ele não foi à casa dela? Uma vez que superou sua surpresa, pensava: Onde estava o terror? Onde estava a caça? Sacudiu a cabeça e se negou. Retirou-se às sombras, onde Brice lhe esperava, estirando os pés e chupando uma hortelã Altoid.

—Volta a tentá-lo. — aconselhou Brice.

Sol tomou um tempo para fazê-lo bem. Por último, mordeu uma estudante asiática de cabelo comprido com uma tatuagem de uma serpente enroscada em seu tornozelo. Ela desmaiou em seus braços e ele bebeu até fartar-se.

Era interessante, era excitante e Sol ficou fisicamente satisfeito. Emocionalmente, entretanto, ficou insatisfeito e vazio por dentro. Com audácia inusitada, Sol decidiu que ele e Brice precisavam ter uma conversação íntima. Ele precisava fazer as coisas melhor no departamento sexual e no romântico que seu velho amigo Howie. Tinha que ser capaz de gabar-se de suas conquistas. Ele precisava encontrar a garota de seus sonhos.

Uns dias mais tarde, na sábado de noite antes do Halloween, Sol olhou para a porta de um pub do East Village pela centésima vez. Outra moça vestida de negro com piercings em cada orifício visível abriu passo no interior úmido do Poço de Mac e não lhe deu um segundo olhar.

Nenhuma delas é meu tipo de todos os modos, Sol Tytel pensou de mau humor. Também estava decepcionado. Tinha querido converter-se em um vampiro para tornar-se irresistível para as mulheres, para ter a garota de seus sonhos em sua cama. Entretanto, a dica de Brice para utilizar este bar em particular, escondido em uma rua lateral da Segunda Avenida em Manhattan, para o primeiro voo solo de Sol no submundo da sedução e chupadores de sangue foi um fracasso. Não tinha produzido uma só Introdução de qualquer bocado digno, nenhuma doce jovem cuja carne cheirasse a morangos e cujos peitos encheriam suas mãos como melões.

Sol se contemplou no espelho detrás da barra. Ele era bonito: era um fato. Mas não acontecia nada para ele. Talvez ele emitia as vibrações equivocadas. Considerou terminar a noite, mas ele pediu outro Martini em seu lugar, decidido a dar a esta sua primeira viagem como um autêntico vampiro à caça, seu melhor.

Exatamente às 12:10 a.m, justo depois de uma terceira genebra com apenas um spray de vermouth, a porta do Poço de Mac se abriu uma vez mais. Sol jurou que ouviu um rufo de tambor, porque sua cabeça girou nessa direção.

Ali estava ela. Por debaixo de uma jaqueta de visom falso, trazia um sutiã rosa com correias empurrando para baixo para deixar os ombros nus e levava uma micro minissaia por cima das pernas magras e bronzeadas. Quando entrou no interior do bar, levantou a cabeça, mostrando seu pescoço e seu comprido cabelo loiro. Seus melancólicos olhos azuis escanearam o lugar. O coração de Sol quase sofreu um enfarte, quando esta visão sexualmente atraente partiu direto a pôr seu traseiro perfeito no tamborete ao lado dele. O coração disparou, seu corpo respondia como um soldado estalando por atenção. Ele girou para ela.

—Posso te convidar para beber algo ? — Ele perguntou. Seus olhos se aferraram à curva na parte superior de seu sutiã, onde os seios apareciam em um fluxo tentador.

—OH, eu adoraria. — a loira disse e pediu um Gim-tônica.

Seus lábios vermelhos cereja se separaram em um sorriso deslumbrante. Sol viu imediatamente, tinha os dentes para frente, não tão maus como os de Krista. Estes poderiam ser facilmente corrigidos e teve que admitir, -embora ele tendia a ser crítico a respeito dos dentes de uma mulher-, este desalinhamento era algo lindo.

— Vem aqui frequentemente? — Ele soltou, tratando de pensar em algo engenhoso para dizer.

Ela movia seus cubos de gelo com o enfeite do coquetel. Eles chocaram contra o cristal. Levantou-o e bebeu. Sol observava-a com olhos famintos enquanto tomava.

—Minha primeira vez. — Ela disse.

—Eu também, —Sol admitiu—. Acredito que temos algo em comum.

A loira lhe deu um olhar significativo, com seus dois olhos azuis, pintados de azul.

—Acredito que sim. — Ela sorriu com um sorriso amplo. Seus dentes afiados como agulhas, brilharam em seus olhos. O coração de Sol acelerou. Seu fôlego ficou preso em sua garganta. Ela claramente tinha dado um sinal.

—Ahh, errr, quando terminar sua bebida, quer vir comigo? Eu vivo no Brooklyn. É um curto trajeto de metrô, mas melhor ainda, podemos tomar um táxi.

A loira o examinou de novo. Ela não poderia estar decepcionada. Ele era um vampiro agora, forte e viril. Um olhar estranho cruzou pelo rosto formoso da jovem, mas só durante um nanosegundo antes que ela respondesse.

—Eu não posso pensar em nada que eu gostaria mais.

Acariciaram-se mutuamente no táxi. lançaram-se, respirando agitadamente, à porta. Beijaram-se no corredor. Tiraram-se mutuamente a roupa no quarto de Sol.

—Por favor, me diga que seu nome é Bunny, —Sol sussurrou enquanto lambia o pescoço.

—Não, é Londres, como a cidade. — Respondeu ela lhe mordiscando a orelha.— Mas meus amigos me chamam Sunny. Serve?

—OH, sim, — Sol gemeu.

Um raio de luz da lua pareceu dançar através da janela. E em alguma parte do céu de Nova Iorque, Sol esteve seguro de que as estrelas caíram.

Depois de um encontro quente usando todas as posições que Sol poderia recordar, sentiu-se satisfeito, bastante esgotado e, entretanto um pedacinho dele se sentiu decepcionado, algo que negou a admitir. O sexo tinha sido bom, mas não mais imaginativo que alguns dos pulos que tinha tido na universidade quando era mais jovem e ainda 100% humano. Sunny se sentou na cama. Ela tinha um grande conjunto de seios, Sol pensou, e logo esqueceria todo o resto.

— Importa-te se fumar? — Ela perguntou. Sol nunca fumou os cubanos que tinha fantasiado. Descobriu que não gostava do sabor do tabaco ou do aroma desagradável.

Ia dizer que lhe importava, mas, como seus olhos passearam sobre a pele de Sunny, que era a mais suave que tinha visto, murmurou:

—Adiante.

Viu-a de pé, caminhar a sua penteadeira, onde havia deixado sua carteira, e derramou o conteúdo, enquanto revolveu ao redor de seu pacote de Camel e um isqueiro. Ele a devorou com olhos ambiciosos, quando ela apoiou seu quadril contra a cômoda, com a cabeça inclinada para trás enquanto inalava profundamente, fazendo seu peito subir e baixar. Suas unhas estavam pintadas de vermelho. As unhas dos pés lindos estavam pintadas de vermelho também. Um anel de ouro atravessava o umbigo perfeito. O peito de Sol ficou tão estreito com o desejo que acreditava estar sufocando. Ela era uma deusa, Afrodite. Ele a amava.

—Faz quanto tempo que é um vampiro? — Perguntou soprando uma nuvem de fumaça. Sol ficou de lado e apoiou seu peso sobre seu cotovelo. Tratou de fazer com que seus olhos fossem sensuais como os de Brice.

—Faz tempo. — mentiu.— E você?

—Um par de décadas. Eu estava a passeio pela Itália depois da graduação e me encontrei com um conde florentino. Ele me seduziu, mordeu-me e me abandonou. O resto é história. Você gosta da vida?

Inalou profundamente a última vez o cigarro antes de olhar ao redor do aparador procurando algo para usar como cinzeiro. Ela encontrou um gesso de uma mandíbula superior, deu-lhe a volta e apagou a bituca no palato. Sol sentiu uma moléstia breve até que se distraiu pela curva de suas nádegas. Sua voz tinha um rastro de irritação quando pergunto outra vez.

—Perguntei: você gosta da vida? Você sabe, as restrições e tudo isso. Tenho que usar bronzeador artificial agora. — Ela suspirou e olhou um pouco triste à parede da habitação bege.

—Estou bem contudo. — Sol respondeu, fixando na cartola rosa de seu mamilo direito. — Foi um grande impulso para minha prática dental e sempre fui de todos os modos um trasnoitador. Está pronta para voltar a cama?

A noite começou a desaparecer e o horizonte se converteu em uma linha brilhante no Oriente sobre as águas turbulentas da baía do Gowanus. Sol sentiu um revoo de pânico em seu estômago. Não podia suportar que essa ninfa, esta Vênus, este manjar de pêssegos e nata, este bocado de amor a dentadas deixasse seus braços.

—Err, — disse enquanto a loira estava de costas olhando ao teto, com expressão indecifrável.— Sei que isto soa um pouco repentino, mas…

Ela voltou a cabeça no travesseiro para olhá-lo.

—Mas?


—É quase o amanhecer. Por que não fica aqui. Pelo resto do fim de semana. Acabo de comprar uma nova televisão de plasma e tenho uma biblioteca de DVDs. É bastante impressionante.

—Aceito. — disse, com voz curiosamente calma. Ela o estudou por um momento e fechou os olhos.

—Sol, — disse. — o que sente por mim? Diga a verdade.

A língua de Sol estava muito grande para sua boca.

— A verdade? A dizer a verdade, estou louco por ti. Espero que não te assustar…eu... Eu não quero que me deixe nunca.

A loira se levantou e deu suas formosas costas a ele. Levantou-se da cama e se dirigiu à cômoda para recuperar outro cigarro. Seus dedos com as pontas vermelhas pareciam tremer um pouco quando ela tirou um Camel do pacote. Ela escavou entre o conteúdo derramado de sua carteira pelo isqueiro, ao acender a chama, iluminou seu rosto. Seus olhos azuis brilhavam quando se voltou para Sol.

—Vou ter que morder outros meninos, já sabe. — Sua voz era um desafio— Uma menina tem que comer.

—Não há problema! Eu também, quero dizer que acredito que eu também. É só uma comida. Podemos resolvê-lo. — Seus olhos marrons se iluminaram com a esperança.— Está dizendo…

—Sim? Sim. Estou dizendo que sim. Quero dizer nesta vida é difícil, difícil para encontrar a alguém com a mesma… a mesma perspectiva. Sabe o que quero dizer?

Sol não sabia, mas assentiu com a cabeça. Seu olhar se reduziu a intrigante escuridão entre as coxas e sua atenção se desviou a outras coisas.

—O que estou dizendo é, — a loira continuou—, apenas nos conhecemos, mas às vezes a gente sabe imediatamente que isto é. Este é o indicado. É a isso a que te referia?

Sol arrastou seu pensamento de sua entreperna.

— Bunny, quero dizer Sunny, você é a mulher que sonhei, — Disse com franqueza total. — O que queira, está bem comigo. Está por terminar com esse cigarro?

Ela o apagou e se aproximou com frouxidão; seus movimentos eram fluídos, elegantes e eróticos, enquanto ela voltou para a cama e se estendeu junto a Sol. Ela agasalhou seus braços ao redor de seu pescoço e lhe beijou, sua língua explorou sua boca. Brevemente o pensamento de Sol se deslizou para seus dentes: plástico invisível novos aparelhos, o melhor do mercado, o corrigirá. Logo Sol deixo de pensar a respeito de algo.

Mais tarde, na penumbra de um amanhecer, Londres também conhecida como Sunny, ou como preferia Sol, Bunny (não lhe importavam os nomes de qualquer maneira) falou de novo, seus lábios tentadores a uns centímetros dos de Sol.

—Solly, — sussurrou, e seu coração se agitou. — Eu preciso saber, realmente quer um compromisso comigo? Eu sou quase uma perfeita desconhecida.

—Sinto como se sempre tivesse te conhecido. Sonhei contigo. Desejei-te. — Neste momento Sol foi o mais perto da poesia do que nunca tinha estado.— Eu sou teu. Para sempre, se quiser. O que você queira lhe darei.

Era um homem que tinha perdido seu coração. A razão tinha pirado. Foi impulsionado por uma necessidade primária para fundir-se e liberar a fome presa em sua alma. A loira sorriu, com seus dentes muito brancos.

—Sabe, acredito que… Quero reorganizar os móveis no dormitório. Estou muito metida no feng shui. — sussurrou.

— Huh? — Os olhos de Sol se agitaram um pouco ao sentir seus dedos movendo-se sobre seu ventre. —Mas mais tarde. Agora, tome, louco tolo. — Ela riu e abriu as pernas para recebê-lo uma vez mais.

A cama sacudiu. As paredes vibraram. A cômoda que tinha a bolsa da loira sacudiu. Um cartão de visita, que tinha estado descansando precariamente em uma malha, caiu no chão. Ficou ali de barriga para cima e, se Sol Tytel não tivesse estado ocupado em outras coisas, poderia ter lido:
Blanche Stein

Casamenteira

Vou encontrar alguém perfeito para você

Brooklyn, Nova Iorque 212-555-1212
Nota do autor: Qualquer semelhança com pessoas reais -vivas ou mortas-é pura coincidência e isso inclui a todos meus parentes no Brooklyn e Florida, especialmente minha prima Glenda.

Fim




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Blog: http://tiamatworld.blogspot.com/

1 Uma bebida

2 No original está sweet sixteen que seria a comemoração dos 16 anos americana. Aqui no Brasil equivale a debutar nos 15 anos.

3 Quando uma criança judia atinge a sua maturidade (aos 12 anos de idade, mais um dia para as meninas; e aos 13 anos e um dia para os rapazes), passa a tornar-se responsável pelos seus atos, de acordo com a lei judaica. Nessa altura, diz-se que o menino passa a ser Bar Mitzvá ( בר מצוה , "filho do mandamento"); e a menina passa a ser Bat Mitzvá (בת מצוה, "filha do mandamento").O Bar Mitzváh não é só uma comemoração comum de aniversario, mas normalmente o menino, passa por uma bonita cerimônia de "mazal-tov" que seria como um "boa sorte" ou "parabéns"(dependendo da situação), normalmente o Mazan-tov é feito com o(a) menino(a) sobre uma cadeira e ele(a) é levantado varias vezes, e assim fazem com toda a família do Barmitzvano.





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