Todas as pessoas verão a salvaçÃo de deus



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Preparação para o Natal 2012.

Este Texto do Evangelista Lucas nos surpreende pela beleza e pela mensagem da salvação para todos. Deus age livre dos esquemas e pretensões dos poderes políticos e religiosos.



TODAS AS PESSOAS VERÃO A SALVAÇÃO DE DEUS.

Não há pessoa no mundo que, por sua condição ou sua situação, possa sentir-se excluída do amor de Deus”.



Lc 3,1-6

1No décimo quinto ano do império de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia, seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide, e Lisânias a Abilene; 2quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes, foi então que a palavra de Deus foi dirigida a João, o filho de Zacarias, no deserto.

3E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados, 4como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías: “Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. 5Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. 6E todas as pessoas verão a salvação de Deus’”. – Palavra da salvação.

O capítulo 3º do Evangelho de Lucas começa com um cenário deliberadamente suntuoso, poderíamos dizer redundante.

Vamos ouvi-lo.

No décimo quinto ano do império de Tibério César”. Tibério foi o sucessor de Augusto, no mês de agosto do ano 14 d.C.. Portanto, começa com o mais alto representante do poder. Um imperador que não era apenas Imperador, mas ele mesmo se considerava Filho de Deus. Portanto, o ponto mais alto!

Quando Pôncio Pilatos era governador da Judéia, Herodes administrava a Galiléia” - esse Herodes é o filho de Herodes o Grande, isto é, Herodes Antipas – “seu irmão Filipe, as regiões da Ituréia e Traconítide” e aqui, o evangelista vai colocar até mesmo um certo “Lisânias a Abilene” - um príncipe semidesconhecido - quando Anás e Caifás eram sumos sacerdotes”. Atenção: o sumo sacerdote era um só! O evangelista acrescenta mais um, e veremos o porquê!

Por que o evangelista abre com este cenário? Apresenta os sete grandes da terra! Por isso, ele colocou dois sumos sacerdotes, em vez de um, para completar o número sete, que indica a totalidade. Poderíamos dizer, com uma linguagem moderna, que o evangelista apresenta os G7, os sete grandes da terra. Portanto, do imperador que pensa e acredita ser filho de Deus, aos sacerdotes que são os representantes de Deus!


E o evangelista cria suspense!

Foi então que a palavra de Deus foi dirigida...”.

Quando lemos o Evangelho, para saboreá-lo, devemos colocar-nos na pele dos primeiros ouvintes ou leitores que não conheciam o resto. O Evangelista apresentou os grandes da terra: do imperador filho de Deus, aos sumos sacerdotes representantes de Deus..., e “a Palavra de Deus”, a quem será dirigida...?
Será dirigida ao imperador? Será dirigida aos sacerdotes?

Aqui está a novidade trazida pelo evangelista: quando Deus deve intervir na história evita cuidadosamente lugares santos, pessoas religiosas e os palácios do poder, porque Ele sabe que todos eles são refratários e hostis a qualquer mudança!

E eis, então, a surpresa: a palavra de Deus foi dirigida a... João, o filho de Zacarias, no deserto”!

Por que no deserto? Por que João, o filho de Zacarias sacerdote, não exerce o sacerdócio como seu pai e não está no templo, o lugar sagrado por excelência? João não exerce não! Ele não escolheu o sacerdócio como o pai - contudo ele deveria ter escolhido o sacerdócio porque era filho do sacerdote Zacarias - mas vive no deserto.

João mora no deserto, longe de Jerusalém e do templo. Começa aqui o que poderíamos chamar de ‘de-clericalismo’ do povo por parte de Deus. É no deserto que a palavra de Deus é dirigida. Portanto, fora de todo ambiente sagrado, fora de qualquer lugar religioso.

E ele percorreu toda a região do Jordão, pregando um batismo de conversão para o perdão dos pecados”. O “batismo” era uma imersão na água. A palavra grega usada pelo evangelista para indicar a “conversão” significa “mudar de idéia”, “mudar a maneira de ver e de agir”, ou seja, se, até agora, você pensou apenas em si mesmo, de agora em diante pensa nos outros!

Agora entendemos por que não foi dirigida aos sacerdotes, aos escribas e aos religiosos uma mensagem de mudança. Não podia ser anunciada à casta sacerdotal, que tinha pavor de qualquer novidade! No mundo religioso, vigora um imperativo: “sempre foi feito assim”. Portanto, qualquer mudança proposta é vista como um ataque à sua própria segurança.

Pois bem, João prega um batismo como um sinal de uma mudança de vida, “para o perdão dos pecados”. O desafio que João Batista prega é tremendo! O perdão dos pecados era obtido indo a Jerusalém, ao templo, através de um ritual religioso.

Não, Deus não age no culto, e sim atua na vida. O perdão dos pecados acontece mudando sua própria existência, mudando vida! Em vez de viver para si, para os seus próprios interesses e para as suas próprias necessidades egoístas, é preciso decidir e ficar atentos às precisões e às necessidades dos outros.

Esta decisão apaga o passado pecaminoso!

Como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías” - o evangelista cita a segunda parte de Isaías que descreve o êxodo da Babilônia para Jerusalém - há um novo êxodo, uma nova libertação de um cativeiro feito por uma instituição religiosa, que escravizava as pessoas! Citando Isaías (40,3-5), o evangelista escreve: Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas”. Portanto, se trata de preparar o caminho para o Senhor! Depois o evangelista modifica o finalzinho: E todas as pessoas verão a salvação de Deus’”. O texto de Isaías falava: “verão a glória do Senhor”.

Por que essa mudança? Por que a glória do Senhor se manifesta a todas as pessoas na Sua salvação, e resplandece na proposta de uma mensagem de plenitude de vida. É muito importante lembrar que essa salvação é para todos os humanos, ninguém excluído!

Isso é típico da teologia de Lucas: o amor de Deus para toda a humanidade, um amor do qual ninguém pode se sentir excluído. Assim como Pedro formulará muito bem nos Atos dos Apóstolos: “O Senhor mostrou-me que não se deve considerar impuro nenhum homem” (At 10,28).
Não há pessoa no mundo que, por sua condição ou sua situação, possa sentir-se excluída do amor de Deus.
É com esse cenário grandioso que começa a pregação de João Batista, ele que anuncia a vinda de Jesus!
Boa caminhada no advento rumo ao Santo Natal!

Felicidades.



Pe. Bartolomeo Bergese




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