Torá que é constituída pelos cinco primeiros livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio; pelos Profetas



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O JUDAÍSMO

João Oliveira Souza

A palavra judaísmo vem do nome do reino de Judá. Daí surgiu o termo judeu, que é como conhecemos os adeptos do judaísmo. Tudo começa com Abraão, chefe de um clã semita, estabelecido na cidade de Ur, na Mesopotâmia (atualmente é o Iraque). Os hebreus que viviam nesta região organizavam-se em doze tribos hebraicas, que professavam a fé em diversos deuses. A liderança das tribos hebraicas, nesse período, ficava a cargo dos chamados patriarcas, que eram anciãos que tinham grande influência sobre cada uma das tribos. Um desses patriarcas era Abraão, que iniciou a unificação das tribos, combatendo o politeísmo e afirmando a existência de um único Deus.

Segundo Abraão, este Deus único e verdadeiro, a quem os hebreus chamam Iavé, havia escolhido esses mesmos hebreus como seu povo. Ihawhe, por revelação divina, ordenou a Abraão que retirasse os hebreus da Mesopotâmia e os conduzisse à “Terra Prometida (Genesis 12,1-9). Essa terra seria Canaã, hoje a Palestina. A divindade, que lhe falara em Haram, continuava a manifestar-se, prometendo-lhe uma grande descendência e a posse de toda a região de Canã (Gênesis 15). Surgiu assim a Aliança de Javé com o povo de Israel. Abraão teve vários filhos. Um desses, chamado Isaque, deste nasceu Jacó, apelidado de Israel. Os 12 filhos de Jacó formaram as 12 tribos de Israel.

7.1 OS TEXTOS

São numerosos e foram escritos ao longo de anos de história, em várias línguas, prevalecendo o hebraico e o aramaico. O livro principal é a Bíblia, organizada em sua forma atual no séc. X, dividida em três parte: Torá que é constituída pelos cinco primeiros livros: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio; pelos Profetas e os livros Hagiógrafos que contém o reste dos livros bíblicos: Salmos, Crônicas, Provérbios etc. Além disso, há uma Lei oral, chamada Talmud, que comp0leta e interpreta a Lei escrita. A obra reúne 73 livros legais, éticos e históricos.



    1. OS RITOS

Toda a vida de um judeu é marcada por práticas e obrigações religiosas. O menino recém-nascido recebe o nome durante uma oração na sinagoga. Oito dias depois há a circuncisão, isto é, o prepúcio do menino é cortado durante uma celebração em sinal de pertença à comunidade. Ao atingir a idade de treze anos, o jovem judeu torna-se responsável pela prática dos 613 mandamentos fundamentais. A menina também recebe seu nome formalmente na sinagoga uma semana depois do nascimento. “Seu pai é chamado até a Torá, e se faz uma oração pela mãe e pelo bebê” (GAARDER, 2000, p. 113). Aos 12 anos há um ritual específico para a menina e aos 15 anos a menina aprende o principal da história e dos costumes judaicos, particularmente as regras alimentares, que são responsabilidade da mulher. Outros rituais importantes na festa da páscoa, no casamento e no enterro.

    1. AS FESTAS

As festas judaicas são associadas ao calendário judaico e em geral têm uma base histórica. Os judeus contam o tempo em relação à criação do mundo, a qual, segundo nosso calendário, ocorreu em 3761 a.C. Em 2008 o calendário religioso judaico está no ano 5768. As principais festas anuais são: Ano-Novo é celebrado em setembro ou outubro. Marca o começo do ano religioso. Dá inicio a um período de dez dias de penitência, terminando com o Dia do Perdão, consagrado ao jejum e à oração. Festa dos tabernáculos, nela se constrói tendas no jardim de casa ou próximo à sinagoga, lembra a travessia do deserto quando o povo viva em tendas, após ter se libertado do Egito. Mas essa festa é também uma alegre ação de graças pela colheita. No último dia se conclui o ciclo anual da leitura da Torá, e um novo ciclo se inicia, recomeçando a leitura a partir do Gênesis” (GAARDER, 2000, p.116). Páscoa em hebraico é chamada Pessach ou “festa do pão ázimo” (sem fermento) que é celebrada em março ou abril. Durante oito dias comemora o êxodo dos judeus da escravidão do Egito que saíram às pressas, sem tempo de esperar o pão crescer, fermentar. A celebração da Pessach acontece em família. Ao sentarem-se à mesa para a refeição uma criança pergunta “Por que esta noite é diferente de todas as noites?”. E o pai então explica como os judeus saíram do Egito e se tornaram um povo. A refeição da Páscoa segue um ritual fixo, toda refeição tem um significado simbólico, tanto nos tipos de comida quanto o jeito de se comer.

Devem-se mergulhar ramos de salsa numa tigela com água salgada, simbolizando as lágrimas dos judeus no Egito. As ervas amargam lembram a infelicidade da escravidão sob o domínio do faraó. Uma mistura de maça ralada, nozes, vinho e mel representam o cimento que os judeus utilizavam para fazer tijolos. Um osso de carneiro assado simboliza o sacrifício pascal. Ovos cozidos recordam os sacrifícios feitos no Templo. Bebe-se também vinho, o símbolo da alegria (GAARDER, 2000, p.117).

A Festa das Semanas, os judeus agradecem a Javé pelo dom da Torá e oferecem a ele os primeiros frutos das colheitas. Essa festa é celebrada em maio ou junho, na ocasião são lidos os dez mandamentos e o livro de Rute. A história deste livro “se passa durante a colheita de trigo, e no antigo Israel os peregrinos chegavam ao Templo com cestas carregadas das primeiras espigas de trigo” (GAARDER, 2000, p.117)

Para o judaísmo a história do ser humano é o lugar sagrado da revelação de Deus. Partindo desse principio, os lideres religiosos sempre se referem à história como a fonte inesgotável de inspiração para todas as gerações. Alguns fatos mais importantes da história do povo judeu:

- Abraão fez uma aliança com Javé seu Deus: em troca de descendência e terra, a sua família prometia fidelidade ao Senhor. Apenas esboçado por Abraão, esse pacto foi na verdade costurado e selado por Moisés. O grande líder político e religioso conduziu o povo da escravidão do Egito para a liberdade da terra de Canaã, dando-lhe as normas que deviam orientar sua vida e a das futuras gerações. Uma das características fundamentais da fé judaica é o monoteísmo.

- Depois de Moisés, outras figuras importantes apareceram: lideres populares que organizaram o povo na conquista e defesa do território, reis corajosos e sábios que levaram o povo à prosperidade e profetas que, em momentos críticos, souberam despertar nas pessoas desiludidas a vontade de viver e lutar.

- Com a morte do rei Salomão (931 a.C.), que era filho de Davi, brigas e intrigas acabaram provocando a divisão do reino. A estrutura política e administrativa de uma monarquia enfraquecida não soube resistir aos constantes ataques dos numerosos inimigos. Em 587 a.C, o Reino de Judá é invadido, antes disso o Reino do Norte já havia desaparecido. Com o domínio babilônico o Templo é destruído e o povo massacrado. Os sobreviventes foram exilados na Babilônia. Ali, sem lei, sem Templo, sem terra e sem rei o povo é orientado pelos profetas para renovar a aliança com Javé. Setenta anos depois, os exilados voltam para a terra perdida pelos seus pais, tudo começa a ser reconstruído. Coube ao sacerdote Esdras reorganizar a religião, dando destaque à vida de oração e às celebrações na sinagoga.

Posteriormente, a Palestina foi ocupada pelos gregos e no ano de 70 d.C., os romanos destroem o novo Templo de Jerusalém. Novamente atacados pelos romanos em 135 d.C., os judeus são vencidos, daí começa o período de dispersão (diáspora). Foram perseguidos e massacrados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1948, é criado o Estado de Israel como nação independente. O judaísmo é de fundamental importância para o cristianismo, pois este entenderá que o Messias prometido aos judeus é Jesus Cristo, que, na realidade, vem estabelecer um reinado divino não terreno, mas espiritual.


    1. O JUDAÍSMO NO BRASIL

A chegada de judeus ao Brasil está ligada ao tempo da colonização. Quando da reconquista da Península Ibérica pelos espanhóis e portugueses em 1492, os judeus que viviam nestes territórios foram expulsos e perseguidos. Os judeus convertidos ao cristianismo participaram em diversos empreendimentos no tempo da conquista e colonização portuguesa do Brasil. Segundo Scherer

Quando da dominação holandesa no nordeste brasileiro (1624-1654), muita judeus que haviam fugido de Portugal e procurado refúgio na Holanda resolveram acompanhar o Príncipe Maurício de Nassau e se fixaram e Pernambuco. Em 1645, dos 6.500 brancos que moravam em Pernambuco, 1.500 eram judeus e formavam a primeira comunidade judaica na colônia, reunido-se na sinagoga Tzur Israel (Rocha de Israel) em Recife. (SCHERER, 2005, p.31-32).

oHolando

Com o incentivo à imigração na segunda metade do século XIX, entre 1840 e 1942 imigraram para o Brasil aproximadamente 71.360 judeus, vindos sobretudo da Alemanha, Rússia, Lituânia, Romênia e Polônia. Com o fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo no Brasil melhoraram as condições para que os judeus pudessem mostrar sua identidade, defender seus interesses. Em 1947 no Rio de Janeiro foi fundada a Federação das Sociedades Israelitas.



Através da Federação Israelita, o judaísmo no Brasil tem se mostrado muito ativo na defesa dos direitos humanos e na promoção do diálogo inter-religioso. O número de brasileiros que se declararam pertencentes à religião judaica no Censo Demográfico de 2000 (IBGE) foi de 86.819 pessoas sendo o maior contingente nas cidade de São Paulo e Rio de Janeiro (SCHERER, 2005, p.33).

Atividades complementares:

- Explique sobre a origem e o significado da palavra Judaísmo

- Pesquise, na bíblia, os nomes dos profetas. Escolher 2 desses profetas e apresentar uma síntese dos aspectos gerais das suas profecias (A quem eles se dirigiram? Importância? Local onde viveram? Seus objetivos, etc.)

- Aponte o que você achou de mais interessante nos rituais e festas na religião judaica? Comente. O que você já conhecia sobre essas festas? Qual a semelhança dessas festas com as vivenciadas no cristianismo?

- Mostre algum aspecto da cultura judaica que está presente na cultura, nos costumes da sociedade brasileira (por exemplo: comida, dança, literatura, música, comércio, pessoas que tem ou tiveram influências na nossa sociedade, exemplo: cientistas, religiosos etc...)

Referências bibliograficas

CISALPINO, Murilo. Religiões.São Paulo: Editora Scipione, 1994. (Coleção Ponto de apoio)


SCHERER, Burkhard (Org.) As grandes religiões: temas centrais comparados. Trad. Volney J. Berkenbrock. Petrópolis: Vozes, 2005.
GAARDER, Jostein (Org.) O livro das religiões. Tradução Isa Mara Lando. São Paulo: Companhia das letras. 2000.
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