Trabalho 4 Tarefa



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Encontro29.07.2016
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ISCSP – UTL | Teoria da Imagem | Portefólio

Trabalho 4

Tarefa: Análise fílmica de um excerto do filme “Se7en”.

História: A história desenrola-se numa conturbada cidade, onde o detective Somerset (Morgan Freeman) prepara a sua reforma, com o objectivo de abandonar a cidade. Para o substituir na divisão de crimes violentos, o detective Mills (Brad Pitt) chega à divisão, vindo de uma pequena cidade e com um temperamento forte.

Nos primeiros dias que trabalharam juntos, deparam-se com um homicídio em que a vítima, um homem obeso, foi alimentada sucessivamente com esparguete até que o seu estômago rebentasse. Perante isto, Somerset investiga este homicídio, enquanto que Mills investiga o homicídio de um advogado de defesa, Eli Gould, em que o seu sangue foi usado para escrever "Avareza" no chão. Entretanto, Somerset encontra a palavra "Gula" escrita por trás do frigorífico do homem obeso e, assim, forma a teoria de que o assassino em série baseia os seus crimes nos Sete Pecados Mortais e, nesse caso, aconteceriam ainda mais cinco crimes.

Tracy (Gwyneth Paltrow), a mulher de Mills, convida o detective Somerset para jantar em casa do casal, com o objectivo de proporcionar aos dois uma oportunidade de estarem sozinhos e conversarem sobre trabalho. Depois de Tracy ir dormir, os dois investigadores analisam as provas das duas cenas de crime, descobrindo uma fotografia da mulher do advogado com sangue pintado a volta dos olhos. Os dois detectives encontram-se com a viúva num abrigo e esta repara que um dos quadros da cena do crime está de pernas para o ar. Somerset regressa ao local do crime e encontra impressões digitais por trás do quadro que estava invertido, na parede, que formavam a palavra "Ajudem-me".

Depois de correr as impressões digitais na base de dados, estas corresponderam a um pedófilo chamado Victor, que escapou a uma condenação por violação de uma menor, graças aos esforços do seu advogado: Eli Gould, a vítima da Avareza. Os SWAT e os detectives foram até à casa de Victor, uma vez que este era suspeito, no entanto, encontraram-no como uma vítima da preguiça. Victor estava preso na cama exactamente há um ano como demonstraram fotografias encontradas no local, tiradas diariamente. Victor estava vivo, ainda que apresentasse várias lesões físicas e mentais. A sua mão havia sido cortada para que fossem deixadas as suas impressões digitais no escritório do advogado. No hospital, os detectives são informados de que o cérebro de Victor tinha lesões graves e a morte era iminente.

Nessa tarde, Tracy telefonou a Somerset e pediu-lhe que se encontrasse com ela. Na manhã seguinte, Somerset encontra-se com Tracy numa café e os dois conversam sobre a vida na cidade e depois revela-lhe o verdadeiro motivo porque o chamou: Está grávida e tem medo de ter um bebé onde eles vivem e com medo de dizer ao seu marido, Mills.

No dia seguinte, usando um contacto que tinha no FBI, Somerset obtém uma lista de pessoas que consultaram livros relacionados com os Sete Pecados Mortais numa biblioteca. Essa lista leva os detectives a um homem chamado John Doe (Kevin Spacey), cujo apartamento visitaram pouco depois, Doe avistou-os e agarrou numa arma. Depois de uma perseguição, Doe acerta em Mills com uma jante, mantém-no subjugado por uma arma, mas deixa-o viver e foge. Enquanto examinam o apartamento de Doe, os detectives encontram apontamentos sobre os seus pensamentos, troféus dos seus crimes e uma fotografia de Mills afastando Doe que, na altura, era um jornalista fotográfico. Eles encontraram também uma fotografia de uma jovem rapariga, prostituta, que acreditam ser a próxima vítima. Um recibo leva-os a uma loja de cabedal onde Doe fez a compra de um adereço sexual. A rapariga foi encontrada morta pouco depois num quarto que tinha escrito "Luxúria" na porta. No quarto estava também um homem visivelmente abalado, que havia sido obrigado por Doe a usar o adereço que era uma cinta com um vibrador e uma lâmina incorporada, para que violasse e matasse a rapariga.

Na manhã seguinte uma modelo foi encontrada morta com a palavra "Orgulho" escrita na cena do crime. Doe cortou-lhe o nariz e deu-lhe a opção de se suicidar pela ingestão de comprimidos ou chamar ajuda e viver envergonhada por ter o rosto desfigurado. Quando os detectives regressaram aos seus gabinetes, Doe foi ter com eles com os dedos a sangrar, uma vez que tinha cortado a pele dos seus dedos para evitar a identificação, e entregou-se. Falou com o seu advogado e concordou em confessar os homicídios se pudesse levar Somerset e Mills a mais dois corpos. Com o objectivo de conseguirem uma confissão, Somerset e Mills concordaram.

Enquanto viajavam para um deserto nos arredores da cidade, Doe explicou a Somerset e Mills que todo o raciocínio existente por detrás dos homicídios foi usado como uma forma de mostrar às pessoas aquilo que o mundo é, bem como para punir os fracos. Doe continua dizendo que será lembrado e admirado pelo que fez, enquanto Mills descarrega a sua raiva gritando com Doe. Somerset permanece calmamente preocupado.

Mal chegam ao deserto, aparece uma carrinha e Somerset abre a caixa manda-a parar. O condutor diz que alguém lhe pagou 500 dólares para deixar uma caixa naquele sítio àquela hora. Quando Somerset abre a caixa fica horrorizado ao ver o que ela contém. Ao mesmo tempo que Somerset grita dizendo a Mills para não dar ouvidos a Doe, este confessa a Mills que admira a sua vida, ao ponto de crescer com inveja da sua esposa e do amor que partilham. Ele afirma que naquele dia tentou "brincar aos maridos" com Tracy, mas isso não resultou e, em vez disso, ele tomou dela uma pequena lembrança: "a sua linda cabeça". Era o plano de Doe para que Mills o matasse, uma vez que era culpado pela inveja. Doe revelou-lhe também que a sua esposa estava grávida. Chocado por saber que a sua esposa estava grávida e agora morta, Mills ignorou os apelos de Somerset e, entre lágrimas, apontou a arma a Doe, matando-o. Com isto, Mills encarnou no pecado da Ira, completando, assim, a lista dos Sete Pecados Mortais.

Estereótipos e clichés: Neste excerto, é possível observar uma clara contradição ideológica no facto de o polícia, supostamente defensor da lei, acabar preso. Este tema já foi largamente explorado em outras produções cinematográficas, embora com nuances diferentes. Normalmente, os polícias que acabam presos são vistos como os típicos polícias corruptos, o que não acontece neste caso, uma vez que Mills acaba preso, não porque tenha sido corrupto, mas porque se deixou levar pela ira, movida por uma razão muito forte, como a de Doe ter tirado a vida a uma das pessoas que mais amava, a sua esposa Tracy.

Há que notar ainda a enorme ironia no facto de Doe, para cumprir o seu plano, sacrificar a sua própria vida. Inicialmente, se víssemos os factos isoladamente, poderíamos pensar que com a morte do assassino em série é feita justiça, no sentido de tudo terminar com um final feliz. No entanto, se analisarmos no contexto de toda a história, percebemos que o assino não morre porque os polícias e a justiça social levaram a melhor sobre o mal e o incorrecto, mas porque era seu plano morrer. Desta forma, o facto de ele matar as pessoas com o intuito de as punir pelos seus pecados e excessos é altamente irónico quando ele impute uma punição a si próprio por ter cometido o pecado da inveja.

Ao mesmo tempo, ao articular todo um plano que leva a que no final Mills o mate, Doe faz com que este se torne igual a ele, uma vez que, ao longo de todo o filme, Doe mata as pessoas para as punir pelos seus pecados e, no final, é exactamente isso que Mills faz ao matá-lo. Paralelamente a isso, esse facto também faz com que Mills se torne cúmplice de Doe, porque este desempenha uma função de “justiceiro de Deus” e, ao punir Doe pela Inveja que sente, Mills acaba por cumprir também essa mesma função.

Código cinematográfico:

Neste excerto, existe uma grande variedade de planos. Logo na cena inicial, é mostrado um plano geral, em movimento mostrando as três principais personagens a caminhar pelo deserto, fazendo com que o espectador tome atenção para aquele cenário novo e inesperado.



Enquanto os três caminham pelo deserto, verifica-se um travelling para a frente, uma vez que a câmara acompanha os movimentos das personagens, aqui o ângulo é frontal e todos os planos (primeiro e de fundo) estão focados, o que nos leva a concluir que se trata de uma objectiva de focal curta.



Na mudança de cena observa-se um travelling vertical com um close-up em ângulo frontal e, aqui, temos uma profundidade de campo mais limitada, uma vez que o primeiro plano está focado enquanto o plano de fundo não.



Neste caso, mais uma vez temos um plano geral, mas desta vez não existe movimento de câmara, sendo que a cena é vista de um ângulo frontal com uma objectiva de maior alcance.



Nestas duas cenas, toda a construção cénica é semelhante, isto é, as cenas são apresentadas em close-up com o primeiro plano focado ao contrario do que acontece no plano de fundo, o que no remete para uma objectiva com maior distancia focal. A diferença reside no facto de que a primeira cena ocorre com um travelling para a frente e a segunda não regista movimento de câmara.



Nesta cena onde se denota grande dinâmica voltamos a ter uma percepção frontal em que o primeiro plano é o único que está focado havendo um traveling para a frente. Pela primeira vez no excerto, podemos constatar um plano americano.



Neste conjunto de três cenas, podemos dar como elemento comum o facto de não haver movimento de câmara, ainda que distingam os planos e os ângulos. No primeiro caso o plano é um close-up e o ângulo frontal; no segundo caso o plano é geral e o ângulo picado; no terceiro caso o plano é de detalhe e o ângulo contra-picado. Quanto a capacidade focal da objectiva, nos dois primeiros casos temos uma focal curta, ou seja todos os planos estão focados por igual, enquanto na última imagem o plano de fundo aparece desfocado e, por isso, a objectiva é de grande distância focal.



Fragmentação:

Nesta altura, Somerset intercepta o estafeta no sentido de aferir qual a sua missão e este responde-lhe que lhe pagaram para deixar uma caixa naquele sítio àquela hora.



Depois de verificar a identificação do estafeta Somerset percebeu que este não tinha qualquer envolvimento no caso e deixo-o partir. O detective decide abrir a caixa.



Ao abrir uma das abas da caixa, percebe que existe sangue no interior da mesma.



Depois de abrir completamente a caixa, Somerset depara-se com um cenário horrendo, ficando em choque.





Relação Som-Imagem:

O som é dramático desde a cena inicial e impute suspense, faz com que o espectador esteja a espera que algo aconteça a qualquer momento. Mantêm-se com estas características até a cena em que chega o estafeta com a caixa e há um primeiro contacto com a mesma. As cenas seguintes (desde que o estafeta tira a caixa da carrinha até que o detective Somerset a abre) decorrem sem som, sendo que o som dramático inicial regressa logo após a abertura da caixa e posterior reacção do detective.

Enquanto Doe revela a verdade a Mills, o som reduz em volume e intensidade. Quando o espectador observa a reacção de Mills, após saber da morte da sua esposa, cria expectativas e o som torna-se mais intenso a medida que as expectativas aumentam.

O som atinge o seu auge no momento imediatamente anterior ao que Mills avança para Doe e o mata, convergindo com o clímax do excerto e também de todo o filme. As cenas seguintes em que Mills é preso não são acompanhadas de som.



Assim, conclui-se facilmente que o som presente nas diversas cenas coincide com os picos de emoção e ansiedade do excerto e contribui para que o espectador crie expectativas quando é pertinente que as crie.

Soraia Isabel Lança Fernandes | Ciências da Comunicação – 2º Ano


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