Traços e Formas na Gravura Contemporânea Brasileira



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Encontro07.08.2016
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Traços e Formas na Gravura Contemporânea Brasileira
Esta exposição na Casa Guayasamín vem a dar continuidade ao projeto de intercâmbio de gravadores cubanos e brasileiros iniciado concretamente em 2002 como resultado de minha visita a diversos ateliês, galerias e instituições especializadas em gravura nos dois países nos últimos anos.
A primeira etapa do projeto foi realizada na Galeria Gravura Brasileira em São Paulo através da exposição “Figuras e Mitos na Gravura Contemporânea Cubana”, na qual foram apresentadas obras de Rafael Zarza, Luis Lara Calaña, Sandra Ramos, Julio César Peña Peralta, Ángel Ramírez, Norberto Marrero Pirez, Max, Rubén Rodríguez, Frank Martinez, Ibrahim Miranda, Hugo Azcuy, Abel Barroso e Janette Brossard Duarte. Tal mostra foi acompanhada de workshops e palestras como forma ativa de integração e troca de experiências. A imprensa nacional deu grande ênfase ao evento chamando a atenção de instituições distantes da metrópole brasileira como o museu Centro Cultural Brasil Estados Unidos de Belém do Pará, que adquiriu obras expostas para seu acervo.
A mostra “Traços e Formas na Gravura Contemporânea Brasileira” nos prova que os artistas contemporâneos continuam seduzidos pelo risco da gravura: pois somente a impressão em si os revela todos os traços empregados. Toda firmeza, intenções, sutilezas, deslizes ou enganos passam a ser registrados no processo de produção exigindo coragem e precisão. Esta exposição é formada por obras de artistas atuantes, que não somente produzem para si e o mercado consumidor, mas que também têm a consciência de propagar a técnica unindo a princípios milenares suportes e materiais inovadores. Em todas as obras se tem claramente a preocupação com o caráter estético e a fidelidade ao monocromático, sendo elas figurativas, geométricas ou abstratas. A herança do desenho é visível em várias obras como de Ernesto Bonato. Suas gravuras são habitadas por figuras que se sustentam em seus próprios traços e no contraste claro/escuro. Já Francisco Maringelli explora detalhadamente o ser humano e o urbano em processo de interação plena. Rodrigo Cunha transpõe através da precisão de traços e tons uma expressividade marcante em seus personagens. Rosa Esteves se apropria de partes de seu corpo como matriz para a gravura, isolando-o de todo e qualquer elemento externo, dando-lhe um caráter escultural. Sandra Kaffka cria formas construtivistas que se assemelham a seres de postura imponente. Armando Sobral desenvolve volumes compostos pela densidade da trama conquistada pela incansável repetição do movimento. Tal gesto também é reconhecido nas gravuras de Cássia Gonçalves que explora o movimento sobre uma superfície de acrílico, que atua duplamente como matriz e resultado artístico. Eva Castiel apresenta também uma obra não convencional, pois seu trabalho é desenvolvido sobre o próprio papel resinado sem fazer uso de uma matriz. Os relevos se sobrepõem em um universo branco autônomo.
Esta mostra nos confirma que a diversidade da produção atual de gravura está centrada no caráter subjetivo e artístico distante de compromissos comerciais, políticos e outros com os quais esteve ligada em períodos remotos. Esta firmeza e autonomia a leva à internacionalidade de feiras e bienais de arte contemporânea.
Tereza de Arruda

Berlim, setembro de 2003.


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