Tradução de marcadores culturais em Rosa Branca de Inge Scholl Flora Azevedo Bonatto Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas- departamento de Letras Modernas- Área de Alemão usp, sp



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Tradução de marcadores culturais em Rosa Branca de Inge Scholl

Flora Azevedo Bonatto

Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas- Departamento de Letras Modernas- Área de Alemão - USP, SP.



  1. Objetivos

Este trabalho visa estudar estratégias de tradução de elementos definidos como marcadores culturais, que são termos específicos de determinada realidade, cultura e/ou época e não possuem equivalentes em outras culturas ou línguas. Tais elementos significam um desafio especial para a tradução. A função deste estudo é discutir estratégias para a tradução destes elementos.


  1. Materiais e Métodos

O livro Die Weiße Rose [A Rosa Branca], de Inge Scholl é o corpus do trabalho. Este livro foi organizado em 1955 pela irmã de Hans e Sophie Scholl, dois estudantes universitários que fizeram parte de um grupo de resistência ao nazismo chamado Rosa Branca. O grupo produzia e enviava panfletos contra o regime para intelectuais e cidadãos em geral e se dissolveu com a prisão e condenação à morte dos principais membros. O corpus da análise é o ensaio inicial de 60 páginas de autoria de Inge Scholl sobre a história do grupo Rosa Branca. O texto de Elisabeth Markstein (2006) foi usado como base para o estudo do conceito de marcadores culturais e estratégias de tradução. Para aprofundar o contexto histórico e cultural, fundamental para a compreensão de marcadores culturais, recorremos ao estudo linguístico realizado por Victor Klemperer em seu livro “LTI - A Linguagem do Terceiro Reich” (2009). O autor foi um filólogo judeu que sobreviveu ao regime nazista e escreveu diários com um estudo detalhado a respeito do uso da linguagem da época.

  1. Resultados

O principal resultado deste projeto, enquanto enfoque individual, consiste no estudo de alguns casos significativos de tradução de marcadores culturais, ou seja: a análise detalhada do termo, seu contexto histórico, o contexto de seu uso, suas conotações, bem como a discussão de opções de tradução já existentes ou o desenvolvimento de novas soluções a partir das estratégias apresentadas por Markstein. Nessa perspectiva, já pudemos observar algumas categorias de marcadores culturais. Por exemplo: a) marcadores culturais simples são termos que se referem a um elemento de uma cultura local que se apresenta de forma mais estável no tempo; b) marcadores culturais históricos, palavras só utilizadas em determinada época e c) marcadores culturais ideológicos, são termos que adquirem conotação ideológica em determinado momento ou contexto. Alguns exemplos desses casos, respectivamente, são: a) Abteil, b) Volksgemeinschaft, c) Volk. A palavra Abteil se refere ao compartimento do trem em que os passageiros viajam. Uma opção de tradução seria “cabine”, mas este termo poderia ser associado erroneamente a “cabine do maquinista”. Volkgemeinschaft, ou “comunidade do povo” se refere a um conceito do Estado Nazista relacionado à coletividade e a comunidade. Volk é uma palavra que aparentemente possui correspondente em português, “povo”, mas é preciso considerar o contexto em que ela se apresenta, pois traz consigo uma grande carga ideológica relacionada ao sentido de coletividade promovido pelo regime nazista – o que não se apresenta no correspondente em português. A tradução parcial deste livro, ainda inédito no Brasil, compõe um dos resultados do projeto em grupo “Rosa Branca”.

  1. Conclusões

Os estudos de tradução de marcadores culturais realizados neste trabalho podem auxiliar no enriquecimento de discussões sobre estratégias que buscam minimizar as perdas que ocorrem no processo de tradução, em função das diferenças culturais, e permitem a compreensão aprofundada de um tema histórico complexo a leitores de outra cultura. Nesta perspectiva, buscaremos verificar até que ponto as estratégias divergem para as diferentes categorias de marcadores culturais.

  1. Referências Bibliográficas

KLEMPERER, Victor. LTI. A linguagem do Terceiro Reich. Rio de Janeiro. Contra Ponto, 2009. Tradução de Miriam Bettina Paulina Oelsner.


MARKSTEIN, Elisabeth. Realia. In: HÖNIG, Hans G.; SNELL-HORNBY, Mary; KUβMAUL, Paul; SCHMITT, Peter A. (Hrsg.). Handbuch Translation. Tübingen : Stauffenburg-Verlag, 2006.
SCHOLL, Inge. Die weisse Rose. Frankfurt am Main: Fischer Taschenbuchverlag. 9.Auflage, 2001.


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