Tradução de Nelson Rodrigues Digitalização: Argo



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— Ela é a mais falsa de todas, JeriLee. Todos os rapazes sabem que ela só gosta de provocá-los.

Sem o saber, Bernie dissera exatamente o que JeriLee operava ouvir. Ela abrandou imediatamente.

— Eu já estava começando a imaginar coisas. Ela não o deixa em paz um só momento.

— Ela nunca deixa nenhum rapaz em paz!

Bernie tornou a estender as mãos para JeriLee. Ela chegou para mais perto dele, erguendo o rosto, à espera do beijo. Depois de um momento, JeriLee apoiou a cabeça no ombro dele.

— Está tudo tão quieto aqui, Bernie. . .

— Está, sim — disse ele, erguendo o rosto dela e beijando-a novamente.

Dessa vez, os lábios dele apertaram com mais força, mais sofregamente. JeriLee sentiu o excitamento dele e a sua própria reação. O coração dela começou a bater mais forte. Entreabriu a boca, e a língua de Bernie foi encon­trar-se com a sua. Ela sentiu um calor invadir-lhe o corpo, deixando-a estranhamente fraca. Chegou o corpo para mais junto dele, apertando-o.

As mãos de Bernie desceram pelos ombros dela, segurando-lhe os seios. Ele sentiu os mamilos endurecerem.

— Oh, Deus. . . — gemeu Bernie baixinho, tentando abrir a blusa dela.

JeriLee segurou a mão dele, detendo-o.

— Não, Bernie, por favor. . . Não estrague tudo. . .

— Está me deixando louco,. JeriLee. Quero apenas to­cá-los, nada mais.

— Não dá, Bernie. Você sabe muito bem que isso sem­pre acaba levando a outras coisas.

— Mas que diabo! — disse Bernie, numa raiva súbita, afastando as mãos. — Você provoca a gente mais que Ma­rian Daley. Ela pelo menos deixa que o cara toque seus peitos.

— Pois então saia com ela.

— Não quero! — Bernie acendeu um cigarro.

— Pensei que você não pudesse fumar.

— Não estou em período de treinamento.

— Como pode saber o que Marian deixa fazer ou não, se nunca saiu com ela?

— Conheço uma porção de gente que saiu. E eu tam­bém poderia ter saído, se quisesse.

— Mas por que não sai, se é isso o que está querendo?

— Não é ela que eu quero e sim você. Você é que é minha garota e não quero saber de nenhuma outra.

JeriLee percebeu que o rosto dele estava transtornado, com uma expressão magoada.

— Bernie, somos jovens demais para fazer essas coisas.

Mas mesmo enquanto falava, JeriLee sentia estranhas correntes elétricas percorrendo seu corpo, impelindo-a cada vez mais de encontro à consciência sexual.




Capítulo cinco

— É nova por aqui, não é?

JeriLee estava deitada ao lado da piscina, com o rosto virado para baixo. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que ela viu foram os pés muito brancos dele, de morador da cidade. Ela rolou para o lado e levantou os olhos semicerrados, por causa do sol.

O rapaz era alto, embora não tão alto e largo como Bernie, mas mesmo assim bastante forte, de cabelos pretos, encaracolados. Ele sorriu.

— Vou comprar-lhe uma Coca-Cola.

JeriLee sentou-se e disse polidamente:

— Não, obrigada.

— Ora, deixe disso. Somos todos amigos aqui.

— Eu trabalho aqui — disse ela, sacudindo a cabeça. — É contra os regulamentos.

— Os regulamentos são uma estupidez — disse o ra­paz, sorrindo e estendendo-lhe a mão. — Eu sou Walt.

— E eu sou JeriLee. — Ela apertou a mão dele e foi bruscamente levantada.

— De qualquer maneira, vou comprar-lhe uma Coca-Cola. Quero ver alguém tentar impedir-me.

— Por favor, não faça isso. Não quero confusões co­migo. — Ela recolheu a toalha e acrescentou: — Além do mais, tenho que ir pôr as mesas para o jantar. — E come­çou a afastar-se.

— Talvez possamos encontrar-nos na dança, mais tarde.

— Também não temos permissão para ir à dança.

— Então poderemos ir a outro lugar, para dançarmos um pouco.

— Já será muito tarde. Terei que voltar para casa.

— Algo me diz que você não está querendo sair co­migo.

Sem responder, JeriLee afastou-se apressadamente, com urna estranha sensação a embrulhar-lhe o estômago e provocando-lhe uma tremedeira nas pernas.

Naquela noite, ela tornou a vê-lo, no restaurante, com um grupo de rapazes e moças. Estava sentado ao lado de Marian Daley e parecia profundamente interessado na con­versa dela. Ele levantou os olhos de repente e viu-a pas­sando. Sorriu e meneou a cabeça em sua direção. JeriLee passou pela porta de vaivém que dava para a cozinha, sen­tindo novamente aquela estranha sensação de fraqueza. Ficou contente por ele não estar numa das mesas que tinha de servir.

— Vai ver a dança esta noite? — perguntou Lisa, uma das garçonetes, no momento em que arrumavam os últimos pratos.

JeriLee terminou de enxugar as mãos.

— Acho que não. Vou direto para casa.

— Dizem que o cantor que vai apresentar-se esta noite é igualzinho ao Sinatra.

— Estou muito cansada hoje. Se encontrar Bernie, avi­se a ele que fui direto para casa. Acho que ainda posso pegar o ônibus das onze e meia.

— Está certo, JeriLee. Até amanhã.

— Até amanhã, Lisa. Divirta-se.

Ela foi ouvindo os acordes da música, ao se afastar da sede do clube. Imaginou a cena na pista de danças.

Ele estava dançando com Marian Daley, os dois bem apertados. Os seios dela ameaçavam pular por cima do decote e ela sorria, os lábios úmidos e entreabertos. Ele olhava para o decote e os dois passavam a dançar ainda mais cola­dos. Depois, ele sussurrava alguma coisa no ouvido dela. Marian ria e assentia. Um momento depois, os dois deixavam a sala e seguiam para o carro dele.

Tudo parecia tão real que, por um segundo, JeriLee chegou a pensar que ia vê-los no estacionamento. Ela come­çou a andar mais depressa, só para não os encontrar. Mas estacou bruscamente.

JeriLee, disse ela a si mesma, o que há com você? Será que está ficando louca?

— Está indo pegar o ônibus, JeriLee? — disse alguém, atrás dela.

Ela virou-se. Era Martin Finnegan, um dos salva-vidas da praia, que trabalhava no restaurante nas noites de sábado. Todos o achavam um tanto estranho, porque ele não era de conversar com ninguém.

— Vou, sim, Martin.

— Importa-se se eu a acompanhar?

— Claro que não.

Em silêncio, o rapaz pôs-se a andar ao lado dela. Per­correram quase um quarteirão antes que ele finalmente fa­lasse:

— Você e Bernie brigaram?

— Não. Mas por que pergunta?

— Nunca a vi voltar de ônibus antes.

— É que estou cansada demais para ficar assistindo à dança esta noite. Você também nunca fica para a dança, não é?

— Não.


— Não gosta de dançar?

— Claro que gosto.

— Então por que não fica?

— Porque tenho de acordar muito cedo para trabalhar.

— Você só começa a trabalhar na praia às dez e meia.

— Mas eu trabalho com Lassky nas manhãs de domin­go e tenho que estar na estação às cinco horas, para pegar os jornais de Nova York. Durante a semana, vocês recebem em casa o Herald Tribune, mas nos domingos querem tam­bém o Times.

— Como é que sabe disso?

— Sou eu que separo os jornais que são entregues em casa. Sei exatamente o que cada um lê.

— Isso é muito interessante. . .

— Claro que é. É surpreendente o quanto se pode saber das pessoas, pelo conhecimento dos jornais que cada um lê. O chefe do seu pai, por exemplo, o Sr. Carson, adora ler o Daily Mirror.

— O Daily Mirror? Mas por que será?

— Eu sei por quê — disse Martin, sorrindo. — É o único jornal que publica os resultados das corridas de cava­los nas pistas de todo o país. Muitas vezes eu me pergunto o que pensariam as pessoas se soubessem que o presidente do único banco da cidade gosta de apostar em corridas de cavalos.

— Acha mesmo que ele aposta?

— Lassky também encomenda o Green Sheet, que é um jornal exclusivamente sobre corridas de cavalos.

Eles estavam quase no ponto de ônibus.

— Você está namorando firme com Bernie?

— Ele é um bom amigo.

— Bernie diz que você é a namorada dele.

— Gosto muito de Bernie, mas ele não tem o direito de dizer uma coisa dessas.

— Você sairia com outro rapaz, se ele a convidasse?

— É possível.

— Sairia comigo?

JeriLee não respondeu.

— Não tenho tanto dinheiro quanto Bernie e também não tenho carro, mas posso levá-la a um cinema e depois oferecer-lhe uma Coca-Cola, uma noite dessas. Se você qui­ser. — A voz dele era hesitante.

— Talvez possamos mesmo, uma noite dessas — disse JeriLee, gentilmente. — Mas se sairmos, vamos rachar as despesas.

— Não é preciso. Pelo menos isso posso pagar-lhe.

— Eu sei. Mas sempre que saio com Bernie, cada um paga a sua.

— É mesmo?

— É, sim.

— Então está certo — disse ele, sorrindo subitamente. — Ufa, não sabe como estou me sentindo bem. Tive vontade de convidá-la uma porção de vezes, mas sempre tive medo.

— Não foi muito difícil, não é? — disse ela, rindo.

— Claro que não. Uma noite da próxima semana?

— Está bem.

O ônibus freou no ponto e a porta se abriu. Ele insistiu em pagar a passagem de JeriLee. Como custava apenas dez cents, ela deixou.

— Puxa, JeriLee, como você é bacana!

— E devo dizer que também não é de todo ruim, Sr. Finnegan. — Notou que Martin estava carregando um livro e perguntou: — O que está lendo?

The young manhood of Studs Lonigan, de James T. Farrell.

— Nunca ouvi falar. É bom?

— Acho que sim. De certa forma, faz-me lembrar de minha própria família. É a história de uma família irlandesa no South Side de Chicago.

— Quer me emprestar, quando acabar de ler?

— Peguei na biblioteca. Mas vou renovar o pedido e lhe emprestarei na semana que vem.

JeriLee olhou pela janela. Estavam quase chegando ao ponto em que ela saltava.

— Vou saltar aqui.

— Eu a deixarei na porta de casa — disse Martin, levantando-se junto com ela.

— Não precisa, Martin. Chegarei bem a casa.

— Já é quase meia-noite — falou ele, firmemente. — Eu a acompanharei até sua casa.

— Mas terá que esperar meia hora pelo próximo ônibus!

— Não há problema.

Chegando à porta de sua casa, JeriLee virou-se para ele.

— Muito obrigada, Martin.

— Obrigado a você, JeriLee. — Apertou-lhe a mão. — Não se esqueça de que prometeu que poderíamos ir a um cinema juntos.

— Não esquecerei.

— E eu não esquecerei de lhe emprestar o livro. Boa noite.

— Boa noite, Martin. — Ficou observando-o descer os degraus da varanda, depois virou-se e entrou em casa.

Os pais estavam na sala de estar, assistindo à televisão. Levantaram os olhos, quando ela entrou.

— Não ouvi o carro de Bernie — comentou a mãe.

— Vim de ônibus. Não fiquei lá no clube para ver a dança.

— Está se sentindo bem, querida?

— Claro que estou, mamãe. Apenas me sinto um pouco cansada.

— Veio para casa sozinha? — perguntou John. — Não me agrada a idéia de você andar sozinha pelas ruas tão tarde assim. Da próxima vez, deve telefonar e eu irei buscá-la.

— Não vim sozinha. Martin Finnegan trouxe-me até a porta de casa. — JeriLee percebeu a mudança de expres­são no rosto do pai e tratou de acrescentar: — Ele se mos­trou muito atencioso.

— Pode ser um bom rapaz, mas a família dele tem péssima reputação. O pai há anos que não trabalha e passa quase o tempo todo nos bares. A esposa faz a mesma coisa. Não sei como eles conseguem arrumar-se.

— Martin é diferente. Sabia que ele trabalha com Lassky todas as manhãs e depois vai para o Praia Clube?

— O que mostra que ele é um bom rapaz. Mesmo assim, eu não gostaria que se encontrasse muito com ele. Não quero que as pessoas pensem que aprovo uma família como aquela.

— Não creio que seja da conta das outras pessoas saber com quem nos encontramos ou deixamos de nos encontrar.

— Quando se é banqueiro, tudo o que se faz é da conta dos nossos vizinhos. De que outra maneira eles iriam depositar em nós toda a confiança?

JeriLee pensou no Sr. Carson e no que Martin lhe contara a respeito dele. Por um momento, sentiu-se tentada a contar a história ao pai, mas acabou ficando calada. E limi­tou-se a dizer:

— Estou cansada hoje. Vou tomar um banho quente e cair na cama.

JeriLee deu um beijo de boa-noite nos pais e subiu a escada, indo para seu quarto. Abriu a torneira da banheira e começou a despir-se. Pensou primeiro em Martin e depois em Walt. Novamente, sentiu aquele calor estranho percor­rer-lhe o corpo, a mesma fraqueza nas pernas.

Contemplou seu corpo nu no espelho do armário. A brancura dos seios contrastava com o bronzeado do resto do corpo. Os mamilos doíam e pareciam estar querendo explo­dir para fora dos seios. Ela tocou-os. Um estranho excitamento invadiu-lhe o corpo, culminando com uma onda de calor no púbis. Ela estendeu a mão para o armário, a fim de não perder o equilíbrio.

Entrou na banheira cheia de água quente e deitou-se. Sentia uma dor entre as pernas e uma comichão nos seios, como nunca antes lhe acontecera. A água quente envolvia-a, de maneira agradável. Lentamente, começou a ensaboar-se. A mão desceu pelo corpo, aumentando cada vez mais um prazer doloroso. Quase como num sonho, ela tocou o púbis, o sabonete transformando-se em espuma, sobre os pêlos. Fechou os olhos, sentindo o calor e o excitamento domina­rem-na completamente. Os movimentos da mão tornaram-se quase automáticos.

Quando o rosto de Walt apareceu à sua frente, todos os músculos da virilha se expandiram e depois se contraíram, numa explosão estranha e angustiante. JeriLee quase soltou um grito, no êxtase do seu primeiro orgasmo. Depois, a sen­sação desapareceu, deixando-a inerte, satisfeita, mas também estranhamente vazia.

Será que o amor era realmente assim?, perguntou-se ela. E pelo resto da noite, deitada na cama, insone, continuou a se perguntar e a imaginar.

Capítulo seis

Subitamente, estava em toda parte, ao redor dela — nas revistas, jornais e livros que ela via, nos filmes a que assistia, nos anúncios e comerciais da televisão, na conversa das amigas. E tudo contribuía para aumentar cada vez mais a consciência de sua própria sexualidade.

Parecia que Walt desencadeara uma reação que a im­pelia inapelavelmente por uma estrada que ela não tinha muita certeza de querer trilhar. Insegura sobre as novas sensações, ela procurava conter o impulso de explorar, sem realmente saber o que queria descobrir.

Seus sonhos eram agora repletos de fantasias sexuais, envolvendo todas as pessoas que conhecia, até mesmo os pais e o irmão. Pela manhã, ela acordava exausta, de tanto lutar com o sono.

Durante todo esse período de confusão interior, Jeri­Lee permaneceu, exteriormente, como que inalterada. Tal­vez se mostrasse um pouco mais rígida em seu relaciona­mento com os rapazes, porque não confiava em si mesma. Começou a procurar evitar contatos com os rapazes, até mes­mo com Bernie, sempre que possível. Agora, já não ficava esperando que ele a levasse para casa. Saía mais cedo, a fim de ir refugiar-se na segurança de sua cama. Um dia, Bernie finalmente pressionou-a:

— Mas o que há com você, JeriLee? Fiz alguma coisa errada?

— Não sei do que você está falando. — Corou. — Não há nada comigo.

— Faz mais de duas semanas que não ficamos a sós. Você nunca mais me deixou levá-la para casa.

— Isso nada significa. Apenas me cansei de ficar es­perando você acabar o serviço.

— É isso mesmo?

— É.

— Mas vai esperar por mim esta noite?



Ela hesitou por um momento, depois acabou concor­dando.

— Está certo. — Sentindo-se sufocada e quase em lágrimas, JeriLee foi preparar as mesas do restaurante para o jantar.

Ao saírem do Praia Clube, Bernie seguiu direto para o estacionamento na extremidade do promontório. Muito tensa, JeriLee pediu:

— Não vamos parar esta noite, Bernie. Estou muito cansada.

— Eu queria apenas conversar um pouco com você — disse ele, desligando o motor. A música do rádio do carro se espalhava pelo ar noturno. Bernie acendeu um cigarro.

— Você continua fumando, Bernie.

— Tem razão. — Bernie olhou para ela. A moça estava encostada na porta do outro lado, o mais longe pos­sível dele: — Não gosta mais de mim, JeriLee?

— Continuo gostando de você tanto quanto antes.

— Há outro, JeriLee? Sei que você foi ao cinema com Martin, há cerca de duas semanas.

Ela limitou-se a sacudir a cabeça. Visivelmente con­fuso, Bernie murmurou:

— Não estou entendendo mais nada...

— Leve-me para casa, Bernie.

— JeriLee, eu a amo.

As palavras abriram as comportas. JeriLee desatou a chorar subitamente, cobrindo o rosto com as mãos, o corpo sacudido por soluços. Bernie estendeu as mãos e puxou-a para junto de si, perguntando gentilmente:

— Qual é o problema, JeriLee?

— Não sei — disse ela, a voz abafada pelo rosto com­primido contra o ombro dele. — Acho que estou ficando doida. Tenho tido alguns pensamentos de doida.

— Que pensamentos?

— Não posso falar. São horríveis demais. — Ela re­cuperou o autocontrole rapidamente. — Desculpe, Bernie.

— Não há nada para desculpar. Eu apenas gostaria de poder ajudá-la.

Bernie pôs a mão debaixo do queixo dela e levantou-lhe o rosto, beijando-a gentilmente. A princípio, os lábios dela eram macios e trêmulos. Depois, subitamente a língua de JeriLee forçou a passagem para dentro da boca de Bernie.

Por um momento, ele ficou surpreso, depois reagiu ao excitamento dela. Com força, puxou-a para mais perto de si, esmagando-lhe os seios contra seu peito.

Hesitante, ele colocou a mão sobre um dos seios de JeriLee. Ouviu a respiração dela se acelerar. Mas, dessa vez, JeriLee não a repeliu, como sempre fazia. Animado pela falta de resistência dela, Bernie enfiou a mão por dentro do vestido e do sutiã. Sentiu a carne quente do seio de JeriLee, o mamilo se endurecendo sob seus dedos. Enquanto ela gemia e começava a tremer, Bernie sentiu que começava a endurecer por baixo da calça muito apertada.

— JeriLee!

Ele forçou-a a estender-se sobre o banco, quase cobrindo-a totalmente com seu corpo. Puxou o vestido dela e um dos seios pulou fora, livre. Bernie pôs-se a beijar o mamilo saliente. Apertou-a, comprimindo-se de encontro a ela.

A sensação era por demais intensa. O orgasmo apanhou Bernie de surpresa. Ele estremeceu, espasmodicamente, a ejaculação passando incontrolável através da calça.

— Oh, Deus! — murmurou ele, ficando imóvel.

JeriLee continuou a mexer-se por mais um instante, os olhos fechados. Depois, parou também e abriu os olhos.

Bernie fitou-a nos olhos. Havia na expressão dela algo que ele nunca vira antes. Era como se ela tivesse descoberto e confirmado algo que sempre soubera. Bernie sentou-se, sem tirar os olhos dela. Ele molhara a própria calça e o vestido dela.

— Desculpe, JeriLee.

— Não há problema.

— Perdi a cabeça. E manchei seu vestido.

Ela sentou-se, lentamente.

— Não se preocupe com isso, Bernie. — Subitamente, JeriLee parecia extremamente calma.

— Prometo que isso nunca mais vai acontecer.

— Eu sei, Bernie. Poderia levar-me para casa agora?

— Está zangada comigo?

— Não, Bernie. Não estou zangada com você. — De­pois, JeriLee sorriu e beijou-o no rosto rapidamente. — Obrigada.

— Obrigada de quê?

— De me ajudar a compreender.

Bernie levou-a até a casa dela, sem saber o que ela quisera dizer.

Por mais estranho que possa parecer, tudo tornou-se mais fácil depois disso. Tendo confirmado os piores re­ceios a respeito de si mesma, JeriLee começou a aceitar a própria sexualidade. Infelizmente, ela não tinha ninguém com quem pudesse conversar. A mãe era a última pessoa do mundo com quem poderia entrar em confidencias.

Verônica pertencia àquela geração de antes da guerra, para a qual as regras eram muito rígidas e bem simples. As meninas decentes não pensavam em tais coisas, as me­ninas más eram punidas ou ficavam grávidas. Em sua pró­pria cama, Verônica mostrava-se sempre reservada e decorosa. Mesmo com o primeiro marido, o pai de JeriLee, que tinha a capacidade de excitá-la quase além de qualquer controle, Verônica sempre conseguia parar a tempo, pouco antes de chegar ao orgasmo. E ela nunca sentia falta. Uma mulher decente tinha muitas outras coisas com que ocupar seus pensamentos. O sexo era algo acidental. As coisas im­portantes eram manter um lar em boas condições e criar uma família adequadamente. E Verônica sentia-se feliz pelo fato de o segundo marido ser tão conservador quanto ela. John Randall não fora para a guerra, o que o deixara bastante desapontado. Ele bem que se apresentara diversas vezes, mas fora sempre rejeitado. Enquanto os outros par­tiam para a guerra, ele permaneceu em seu trabalho no banco. Como era um dos poucos jovens que haviam ficado, teve automaticamente várias promoções. Verônica Gerraghty começou a trabalhar no banco durante a guerra, quando o marido estava longe. E desde então John Randall ficou im­pressionado com ela.

Verônica não era como a maioria das jovens casadas, que viviam dizendo que sentiam muita saudade do marido, ao mesmo tempo em que insinuavam encontros e outras pro­messas. Verônica era sossegada e simpática. Sorria freqüen­temente, mas era um sorriso cordial, não um convite. De­pois que o marido voltara da guerra, John Randall deixou de vê-la, exceto nas ocasiões em que Verônica aparecia no banco, para fazer um depósito ou uma retirada. Nessas oca­siões, Verônica sempre passava pela mesa dele e lhe per­guntava como ia passando. E era sempre muito cordial.

Aconteceu então a tragédia. O marido de Verônica morreu num acidente de automóvel, na estrada, logo depois da saída da cidade, de madrugada. Houve rumores sobre o acidente. Bob sempre fora um homem impetuoso. E na­quela noite ele andara bebendo e fora visto em companhia de uma mulher de má reputação. Mas nada disso foi noti­ciado no relato publicado pelo jornal da cidade sobre a mor­te do primeiro herói de guerra de Port Clare.

John Randall verificou a ficha de Bob Gerraghty logo depois da morte. Para um homem tão extravagante, os ne­gócios dele estavam admiravelmente em boa ordem. Na oca­sião, ele tinha pensado que a Sra. Gerraghty era provavel­mente a responsável por tal situação. Eles tinham mais de onze mil dólares na conta de poupança conjunta e cerca de setecentos dólares na conta corrente. Ela possuía também dois mil dólares em bônus de guerra. A hipoteca da casa, feita pelo banco, ficava totalmente liquidada pelo seguro, da mesma forma que um pequeno empréstimo de mil dólares, contraído por Bob Gerraghty um mês antes de morrer. Ha­via também o seguro de vida de ex-combatente, no valor de dez mil dólares, convertido em seguro comum. John Randall fora informado também de que existiam outros seguros de vida, cujo total não pudera determinar. Além de tudo isso, a viúva ainda teria direito a pensões para si e para as crian­ças. Assim, ela ficava em melhor situação do que a maioria das pessoas pensava.

John Randall enviou uma mensagem de condolências a Verônica e recebeu um telefonema polido de agradecimen­to. Poucas semanas depois do funeral, ela apareceu no ban­co e John Randall ajudou-a a passar as contas para o nome dela. Depois disso, ele não a viu por quase dois meses. Foi então que Verônica tornou a procurá-lo, querendo sa­ber se não havia um emprego para ela no banco. Declarou que não agia assim em decorrência de pressão financeira, mas porque queria sentir que estava ajudando a manter-se. John Randall pensou que ela demonstrava com isso um extraordinário bom senso. Se mais mulheres fossem assim, elas teriam menos problemas. Felizmente, acabara de se abrir uma vaga no banco. Verônica começou a trabalhar na sema­na seguinte, como caixa do guichê de contas de poupança.

Ela estava trabalhando no banco havia uns três meses quando John Randall a convidou para saírem. Ela hesitou.



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