Tradução de Nelson Rodrigues Digitalização: Argo



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— Não sei.. . Talvez seja cedo demais. As pessoas po­deriam não achar direito.

Ele assentiu, concordando. Sabia o que ela estava pensando. O Sr. Carson, presidente do banco, era um pres­biteriano austero e tinha idéias próprias sobre a maneira como seus empregados deveriam comportar-se. Não deixava de falar sobre a influência desagregadora do pensamento mo­derno na moral do país.

— Esperarei mais um pouco — assegurou John Randall.

— Obrigada — disse ela.

Três meses se passaram antes que eles saíssem juntos pela primeira vez. Foram ao cinema e depois jantaram num restaurante. Verônica chegou a casa às onze horas da noite e ele despediu-se na porta. Ao voltar para seu carro, John Randall sentia-se extremamente satisfeito. Era uma casinha maravilhosa, limpa, bem-cuidada, num bairro bom. Verônica daria uma excelente esposa para qualquer homem, até mesmo para um futuro presidente de banco.

Eles passaram a lua-de-mel nas cataratas do Niagara. Na primeira noite, John ficou parado diante da janela, de pijama novo e roupão de seda. A garrafa de champanha que o hotel oferecia a todos os recém-casados estava num balde de gelo a seu lado. O folheto prometia uma vista das cata­ratas, mas esquecera de mencionar que -se podia ver apenas uma parte minúscula, por entre as fachadas dos dois hotéis que havia em frente. John estava contemplando o céu nu­blado quando ouviu Verônica entrar no quarto.

Ela usava uma camisola de seda, com rendas na altura dos seios, sob o négligé transparente. Havia uma expressão quase assustada em seu rosto.

— Quer tomar champanha, Verônica?

Ela assentiu. Desajeitadamente, John abriu a garrafa. A rolha saltou e ricocheteou no teto. Ele riu.

— É assim que se pode distinguir um champanha bom de outro ruim. Se a rolha pula ou não.

Ela riu também. John encheu duas taças e entregou uma a Verônica.

— Um brinde. . . a nós.

Eles tomaram um gole do champanha.

— Está ótimo, John.

— Venha até a janela para ver a paisagem.

Verônica fitou-o nos olhos por um momento, depois sacudiu a cabeça.

— Acho que vou para a cama. Estou um pouco can­sada da viagem de carro.

John ficou observando-a tirar o négligé e colocá-lo nas costas de uma cadeira, deitar-se na cama e fechar os olhos.

— Há muita luz para você, querida?

Verônica assentiu, sem abrir os olhos. John apagou a luz do teto e foi para o outro lado da cama. Podia ouvi-la respirar suavemente. Hesitante, estendeu a mão e tocou-a no ombro.

Ela não se mexeu.

Ele virou o rosto dela em sua direção. À luz fraca, viu que os olhos de Verônica estavam abertos.

— Vai ter que me ajudar... — disse ele, embara­çado. — Eu nunca. . . você sabe. . . — Sua voz falhou.

— Está querendo dizer. . . ?

— Exatamente. Eu podia ter feito, mas achei que nun­ca deveria fazer com outra mulher que não fosse a minha esposa.

— Acho isso maravilhoso, John. — O medo dela de­sapareceu subitamente. Pelo menos ele não seria como Bob, sempre comparando-a com outras mulheres e sempre insistin­do em que jamais seria realmente bom, a menos que ela também aproveitasse. Verônica compreendeu então que fi­zera a escolha certa. John Randall seria um bom marido. — John...

— O que é?

Ela estendeu os braços para o marido,.

— A primeira coisa que você tem a fazer é vir bei­jar-me.

Lentamente, Verônica lhe apresentou os mistérios de seu corpo, até que a trêmula ansiedade dele se tornou quase insuportável. Ela segurou então o membro dele e o guiou para dentro de seu corpo.

Com um gemido involuntário, John alcançou o orgasmo quase no mesmo instante. Depois, ficou em silêncio, a respiração ofegante. Verônica saiu de baixo dele.

O marido acariciou o rosto dela, com uma expressão maravilhada.

— Nunca senti nada parecido antes.

Verônica não respondeu.

— Foi bom para você?

— Muito bom.

— Ouvi dizer que, se um homem goza muito depres­sa, a mulher não aproveita nada.

— Isso não é verdade. — Ela sorriu. — Talvez possa acontecer com algumas mulheres, mas não com as normais. O que me deu foi tudo o que sempre desejei.

— Não está dizendo isso só para me agradar?

— Estou dizendo a verdade. Nunca tive nada tão bom, nem mesmo com Bob. Estou muito satisfeita.

— Não sabe como fico contente por saber disso, Ve­rônica.

Ela se inclinou e beijou-o, murmurando:

— Eu o amo.

— E eu também a amo. — Depois de uma breve pausa, John murmurou, com um tom de espanto: — Sabe. . . acho. . . acho que estou ficando excitado novamente. . .

— Tente não pensar nisso. Mais de uma vez por noite pode fazer mal. Pode ser-lhe prejudicial.

— Toque-me, Verônica. . . Estou pronto novamente.

Ela deixou que John pegasse a sua mão e a pusesse onde queria. Ele parecia esculpido em rocha. Verônica ficou surpresa. Nem mesmo Bob jamais se recuperava tão rapida­mente.

— Acho que só esta vez não vai fazer mal algum, Verônica. Ponha-me dentro de você.

Quase relutantemente, ela o pôs novamente dentro de si. Dessa vez, ele demorou um pouco mais, mas mesmo assim explodiu em poucos minutos. Gemeu, numa estranha com­binação de prazer e dor, enquanto os testículos quase vazios se esforçavam para expelir mais sêmen.

Ele rolou para o outro lado da cama, fitando-a. Ainda respirava ofegantemente.

— Talvez você esteja certa, Verônica.

— Estou, sim — disse ela, beijando-o no rosto. — Agora, procure dormir um pouco. Estará tudo bem amanhã.

E a partir daquele momento, foi sempre assim que aconteceu.




Capítulo sete

Ao vê-la, Bernie desceu do seu poleiro de salva-vidas, do outro lado da piscina. Foi até o lugar onde ela acabara de estender sua toalha.

— Está zangada comigo por causa do que aconteceu ontem à noite, JeriLee?

— E deveria estar? — perguntou ela, com um sorriso.

— Eu não quis. . .

— Está tudo bem, Bernie. Não aconteceu realmente nada. Além disso, eu também gostei.

— JeriLee!

— Há algo de errado nisso? Você não gostou?

Bernie não respondeu.

— Por que eu não deveria gostar? Os homens não são os únicos que têm sentimentos.

— Mas as garotas são diferentes, JeriLee!

— Se são, então há uma porção de garotas fazendo uma coisa de que não gostam — disse ela, rindo.

— Não consigo entendê-la, JeriLee. Um dia você é de um jeito, outro dia é completamente diferente.

— Pelo menos nisso estou de acordo com o que di­zem. Todo mundo garante que as mulheres são volúveis. — Ela riu e acrescentou: — Você estragou meu vestido. Disse a mamãe que havia derramado um molho no vestido, na cozinha.

— Não vejo onde está a graça, JeriLee. Eu me sinto terrivelmente culpado pelo que aconteceu ontem à noite.

— Não precisa ficar. Basta apenas ter um pouco mais de cuidado na próxima vez.

— Não haverá uma próxima vez, JeriLee. Não quero perder a cabeça novamente.

Ela fitou-o com uma expressão zombeteira.

— Estou falando sério, JeriLee. Eu a respeito muito.

— Está querendo dizer que não pretende fazer nova­mente, mesmo que eu queira?

— Sei que você não vai querer, JeriLee — disse Bernie, absolutamente convencido.

— Se é assim que você pensa, por que acha que eu o deixei fazer?

— Porque você também perdeu a cabaça.

— Não, Bernie, não foi essa a razão. Deixei porque queria que você o fizesse. De repente, descobri por que estava me sentindo de forma estranha, por que estava sem­pre nervosa e perturbada. É porque eu estava tentando fugir às coisas que sinto dentro de mim.

— Você não sabe o que está dizendo, JeriLee.

— Estou apenas sendo franca, Bernie. Não quero fin­gir, para mim mesma, que não queria ou não gostei. Talvez, assim, eu encontre uma maneira de enfrentar o que sinto.

— JeriLee, as moças decentes não falam desse jeito — disse Bernie, visivelmente aborrecido. — Talvez seja melhor você conversar com alguém.

— Com quem? Com minha mãe, por acaso? — disse JeriLee, sarcasticamente. — Não posso nem pensar em conversar com ela. Minha mãe jamais compreenderia.

— O que pretende fazer então?

— A mesma coisa que você vai fazer. Talvez, com o tempo, a gente descubra tudo.

Bernie voltou para seu posto, sem responder. Durante toda a tarde, ficou observando JeriLee. Não havia mais nada certo. E ele lamentava profundamente ter começado tudo aquilo.

— Acabou o livro? — perguntou Martin, quando ela o devolveu.

— Já.

— E o que achou?



— Há uns trechos que não entendi. E na maior parte do tempo, senti pena de todos eles. Pareciam sempre per­didos e infelizes, não importando o que fizessem.

— E o que foi que não entendeu?

— Você disse que a história o fazia lembrar-se de sua família. Mas você não é nada parecido com Studs Lonigan.

— Eu poderia ser parecido, se bebesse como ele. E meus pais são tão hipócritas quanto os dele. Estão sempre me fazendo sermões, mas não vivem da maneira como dizem que eu deveria viver.

— Alguma vez já foi com uma garota, como ele?

— Não — respondeu Martin, corando.

— E já fez alguma outra coisa?

— Eu... eu não sei o que está querendo dizer.

— Acho que sabe, sim.

Martin ficou vermelho como um tomate.

— Santo Deus, JeriLee! Ninguém costuma fazer per­guntas desse tipo!

— Você está ficando corado, Martin. Gosta de fazer isso?

Ele não respondeu.

— Já fez muitas vezes?

— Não está direito você me perguntar essas coisas, JeriLee. Gostaria que eu lhe fizesse uma pergunta dessas?

— Talvez você tenha razão, Martin — disse JeriLee, depois de uma breve pausa. — Fui à biblioteca e peguei mais dois livros de James Farrell. Gosto muito dele. Pelo menos, é um sujeito franco.

— Ele é um bom escritor. Tentei fazer com que papai lesse um livro dele, mas não houve jeito. Papai disse que já tinha ouvido o Padre Donlan falar sobre Farrell, na igreja. Segundo o padre disse, Farrell foi excomungado, por causa das palavras obscenas que usou em seus livros.

— Entendo essa reação, Martin. Quando peguei os livros, a mulher da biblioteca ficou me olhando com uma expressão esquisita. E me disse que eu era jovem demais para ler James Farrell.

Martin riu.

— Às vezes, eu me pergunto o que será que eles pen­sam que somos. Crianças?

JeriLee estava no terraço, escutando a música pelas portas abertas. A orquestra de pretos estava tocando no clube há algumas semanas. No início, alguns sócios haviam levantado objeções. Disseram que o Sr. Corcoran só os con­tratara porque eram mais baratos do que as orquestras de brancos. Mas depois da primeira noite em que eles se apre­sentaram, todos, à exceção apenas dos mais obstinados, haviam reconhecido que era a melhor orquestra que o Praia Clube já tivera.

JeriLee e Lisa estavam sentadas na grade quando a música cessou e os membros da orquestra saíram para o terraço. Foram para um dos lados, conversando entre si. Alguns minutos depois, o rapaz que cantava aproximou-se da grade e ficou olhando para o mar.

— O último número que cantou foi muito bonito — disse-lhe JeriLee. — Cantou igualzinho a Nat King Cole.

— Obrigado.

JeriLee teve a impressão de que ele não gostara muito do elogio.

— Aposto que todo mundo diz a mesma coisa. Você já deve estar cansado de ouvir.

Ele virou-se para olhá-la.

— É justamente o que as pessoas gostam de ouvir.

— Desculpe. — JeriLee sentiu o antagonismo dele. — Mas queria que soubesse que falei como um elogio.

— Nós temos que dar às pessoas o que elas querem — falou ele, parecendo relaxar.

— Não há nada de errado nisso.

— É, acho que não.. .

— Meu nome é JeriLee Randall. Trabalho aqui.

— Meu nome é John Smith. E também trabalho aqui. — Ele riu subitamente. JeriLee também riu.

— John Smith. . . É o seu nome verdadeiro?

— Não. — Os olhos dele brilharam. — Mas meu pai sempre me aconselhou a não dizer o meu nome verdadeiro para nenhum branco.

— Qual é o seu nome?

— Fred Lafayette.

— Prazer em conhecê-lo, Fred — disse JeriLee, estendendo-lhe a mão.

Ele apertou a mão dela, fitando-a atentamente.

— O prazer é meu, JeriLee.

— E gosto realmente da maneira como você canta.

— Obrigado — disse ele, sorrindo, no momento em que a orquestra começava a voltar para a sala. — Tenho que ir, agora.

Depois que ele se afastou, Lisa sussurrou:

— Ele até mesmo se parece com Nat King Cole.

— É mesmo — murmurou JeriLee, pensativa. Ela sen­tiu o excitamento dominá-la, sua mão ainda latejava do contato dele. Ela se perguntou se seria sempre assim com qualquer rapaz que conhecesse ou apenas haveria alguns com uma atração especial. Virou-se para a amiga. — Lisa, você seria capaz de me responder a uma pergunta com toda a franqueza?

— Claro.

— Você é virgem?

— JeriLee! Mas que diabo de pergunta é essa?

— É ou não?

— Claro que sou! — afirmou Lisa, indignada.

— Então não pode saber.

— Saber o quê?

—- Como é.

— Não tenho a menor idéia.

— E não pensa como deve ser?

— Às vezes.

— Já perguntou a alguém?

— Não. A quem eu poderia perguntar?

— Tem razão.

— Acho que é uma coisa que toda moça tem de des­cobrir por si mesma — disse Lisa.

JeriLee achou que a amiga, à sua maneira, conseguira resumir todo o problema.



Capítulo oito

O sol batia forte, espalhando seu calor pelo corpo de JeriLee. Ela cochilava, o rosto entre os braços, os olhos fe­chados por causa da claridade. Reconheceu a voz no momen­to em que ele falou, apesar de só a ter ouvido uma única vez, e quase um mês antes.

— Olá, JeriLee. Estou de volta e ainda quero pagar-lhe uma Coca-Cola.

Ela olhou primeiro para os pés. Já estavam agora bronzeados pelo sol.

— Por onde é que você andou?

— Estive na Califórnia, visitando minha mãe. Meus pais se divorciaram. — Ele fez uma pausa, antes de per­guntar: — Você ainda está preocupada com os regulamentos?

JeriLee sacudiu a cabeça. À medida que a temporada se estendia, os regulamentos sobre confraternização entre empregados e sócios iam afrouxando. Ela soubera por Lisa que isso acontecia todos os anos. Levantou-se. Ele era mais alto do que se lembrava.

Walt segurou-a pelo braço, quase indiferentemente, ao seguirem para a cabana que funcionava como bar. Parecia que uma corrente elétrica saía pela mão dele, criando uma sensação de comichão no lugar em que a tocava. JeriLee sentiu uma ligeira fraqueza nas pernas e um nó no estômago. E se perguntou por que essa sensação era mais forte com ele do que com qualquer outro.

Ele indicou uma das mesinhas, por baixo de um guar­da-sol.

— Sente-se aqui. É mais fresco do que no bar. Vou buscar as bebidas.

— Quero uma Coca-Cola.

Ele voltou um momento depois com uma Coca-Cola para JeriLee e uma lata de cerveja para si. Sentou-se em frente a ela e sorriu.

— Saúde! — disse ele, tomando em seguida um gole de cerveja.

JeriLee tomou um gole de Coca-Cola, pelo canudo. Ele era mais velho do que ela pensava. Devia ter mais de dezoito anos, para poder comprar uma cerveja.

— Está gostando?

JeriLee assentiu.

— Tem sido bom durante todo o verão?

— Tem, sim.

— Estou falando do tempo.

— Eu sei.

Houve um silêncio constrangedor. Depois de alguns minutos, ele voltou a falar.

— Você foi a primeira pessoa que procurei, assim que voltei.

O olhar de JeriLee foi direto.

— Por quê?

— Talvez porque você seja tão bonita — disse ele, sorrindo.

— Há outras garotas mais bonitas. — JeriLee não estava querendo bancar a coquete nem a fingida. Era sim­plesmente uma afirmativa.

— É uma questão de opinião — disse ele, sorrindo. — Sabe, não esqueci seu nome. Mas tenho certeza de que esqueceu o meu.

— Walt.


— E qual é o resto?

— Você nunca me disse.

— Walter Thornton, Jr. E qual é o resto de seu nome?

—- Randall. Seu pai é o. . . ?

— Ele mesmo. Você o conhece?

— Não posso dizer que sim. Ele apenas se sentava a meu lado no ônibus, todas as manhãs, a caminho da estação.

— É mesmo o meu pai. — Walt riu. — Ele não sabe guiar.

— Ele está aqui agora? Ouvi dizer que tinha ido para a Europa.

— Voltou ontem. Vim de avião de Los Angeles para recebê-lo.

— Eu não sabia que ele era sócio. Nunca o vi no clube.

— Ele nunca vem ao clube. Acho mesmo que jamais pôs os pés aqui. Comprou o título de sócio para minha mãe. Ela vivia queixando-se de que não tinha nada para fazer, quando ele não estava em casa.

— É uma pena — disse JeriLee, desapontada. — Eu tinha esperanças de poder conversar com ele. Quero ser escritora, e acho que ele é um dos melhores que existem.

— Posso pedir a papai para conversar com você.

— Obrigada.

— Agora, talvez eu consiga fazer com que você con­verse comigo — disse ele, sorrindo.

— Estou conversando com você.

— Na verdade, não está, não. Praticamente, está ape­nas respondendo a perguntas.

— Não sei sobre o que conversar.

— Gostei de sua sinceridade — disse ele, rindo. — Em que está interessada?

— Já disse. Quero ser escritora.

— E além disso? Gosta de esportes? Gosta de dançar?

— Gosto.


— Isso não chega a ser uma resposta.

— Receio não ser muito interessante. Não sou como as garotas que você conhece.

— Como é que sabe disso?

— Elas sabem como se divertir, enquanto eu não sei. Port Clare não é um lugar dos mais interessantes para se viver. Nada acontece por aqui.

— Vai ao baile esta noite?

JeriLee assentiu.

— Vamos nos encontrar lá?

— Está bem — disse JeriLee, levantando-se. — Obri­gada pela Coca-Cola. Agora, tenho que ir.

— Até mais tarde.

Walt ficou observando-a afastar-se. Ela estava certa numa coisa: era diferente das outras garotas que ele conhe­cia. De uma forma ou de outra, todas as outras só queriam provocar e nada mais. Mas ele pressentia que JeriLee jamais faria tal coisa.

JeriLee sentiu os músculos do estômago relaxarem, ao voltar para a sede do clube. Era estranho o efeito que Walt causava nela. A súbita consciência de seu próprio ego, o aumento do desejo sexual. . . Durante todo o tempo em que estivera conversando com Walt, JeriLee sentira a constante umidade entre as pernas.

Foi para o vestiário, tirou o maiô e tomou um banho frio de chuveiro. Mas aquilo não pareceu ajudar. Ao ensaboar-se, tocou o púbis e quase caiu de joelhos, com a inten­sidade e rapidez de seu orgasmo.

Depois de um momento, recuperou o autocontrole, encostando a cabeça nos ladrilhos frios do boxe. Havia algu­ma coisa de errado com ela. E muito errado mesmo! Tinha certeza de que nenhuma das garotas que conhecia estava passando pelo que ela passava.

— Parece que você vai perder sua amiguinha, Fred — disse Jack, o baterista, apontando com a vareta para a pista de danças.

JeriLee e Walt estavam dançando, ao som de um foxtrote muito lento. Ele estava segurando-a, muito colada, colada demais, pensou Fred. JeriLee tinha no rosto uma expressão que ele nunca vira antes, uma intensidade que se podia quase sentir. Abruptamente, Fred se pôs a cantar uma música bem rápida. A orquestra, depois de um mo­mento de hesitação, passou a acompanhá-lo. Jack sorriu.

— Isso não vai adiantar nada. Tem sido muito mole, rapaz.

— Ela não é desse tipo — sussurrou Fred, aspera­mente. — É uma garota direita.

-— Não discuto isso. Ela pode ser muito direitinha. Mas está pronta para deixar de ser. Aquela gatinha branca está tremendo e implorando para ser apanhada.

— Por que acha que é tão conhecedor assim dessas coisas? — perguntou Fred, furioso.

— Porque só penso em duas coisas, meu chapa. Em bateria e gatinhas. Se não estou pensando numa dessas coisas, é porque estou pensando na outra. — Riu e acres­centou: — Vá por mim.

Fred tornou a olhar para a pista de danças, mas Jeri­Lee e Walt já haviam desaparecido.

No momento em que JeriLee se ajeitou entre os braços dele, na pista de danças, Walt sentiu os seios dela a se com­primirem contra seu corpo. JeriLee não estava usando sutiã. Ele não tinha a menor dúvida. No mesmo instante, Walt sentiu que estava tendo uma ereção e procurou afastar-se um pouco para que ela não percebesse. Mas JeriLee acom­panhou-lhe o movimento, suspirando ligeiramente, e encos­tou a cabeça no ombro dele.

— Ei... — disse ele.

JeriLee levantou o rosto.

— Você sempre dança assim?

— Não sei. . . Eu apenas acompanho...

— Sabe o que está fazendo comigo? Estou ficando cada vez mais excitado.

— Eu não sabia que estava fazendo isso com você. — JeriLee fitou-o com uma expressão inocente. — Pensei que você é que estava fazendo isso comigo.

— Está querendo dizer que também está excitada?

— Acho que, se me largasse agora, eu cairia. Minhas pernas estão tão fracas. . .

Walt ficou olhando para ela em silêncio. Ele se enga­nara. Durante todo o tempo, pensara que ela fosse apenas mais uma garotinha inocente. Abruptamente, a orquestra se pôs a tocar uma música muito rápida. Ele parou de dançar.

— Vamos sair daqui, JeriLee.

— Está bem. — Ela seguiu-o, pelas portas abertas, para o terraço. Atravessaram o gramado na direção do esta­cionamento. Ela não disse nada, até que Walt abrisse a porta do carro para que entrasse. — Para onde nós vamos, Walt?

— Para algum lugar onde possamos ficar a sós.

Ela assentiu, como se soubesse que ele iria dizer exa­tamente isso. Entrou no carro. Dez minutos depois, entra­ram no caminho de uma pequena casa junto à praia. Walt desligou o motor e olhou para JeriLee.

— Não há ninguém em casa. Meu pai só chegará de Nova York amanhã e a empregada já foi para a casa dela.

JeriLee fitou-o, sem dizer nada.

— Não tem nada para dizer?

Ela baixou os olhos para as próprias mãos, cruzadas sobre o colo, depois voltou a fitá-lo nos olhos.

— Estou um pouco assustada.

— Com quê?

— Não sei.

— Não precisa ficar — disse Walt, desconhecendo os verdadeiros motivos do temor dela. — Ninguém jamais sa­berá que esteve aqui. O vizinho mais próximo está a um quilômetro daqui, lá embaixo, na praia.

JeriLee não respondeu.

— Temos uma piscina de água quente nos fundos. É maravilhoso nadar à noite. Vamos?

— Mas eu não trouxe maiô— disse ela.

— É uma das boas coisas de se nadar a noite. — Ele sorriu. — É escuro. . . — Saltou do carro e deu a volta, abrindo a porta para ela. — Vamos?

— Por que não? — disse ela, rindo subitamente.

— De que está rindo?

— Receio que você jamais compreenderia. — Pela pri­meira vez em um mês, JeriLee estava começando a sentir-se melhor. Era quase como se ela sempre tivesse sabido que seria assim que aconteceria.

Eles atravessaram a casa e saíram para a piscina, pela porta dos fundos. Walt apontou para um pequeno vestiário.

— Pode deixar as suas coisas ali dentro.

— Está certo — disse JeriLee, encaminhando-se para o vestiário. Parou de repente, ao ver que ele estava voltando para a casa. — E você, para onde vai?

— Estarei de volta num minuto. Vou apenas buscar uns drinques gelados.

Entrando no vestiário, JeriLee contemplou-se no espe­lho grande da penteadeira. Havia uma serenidade em seu rosto que a surpreendeu, pois não refletia o excitamento que fervilhava dentro dela. Rapidamente, ela desabotoou a blusa e os seios pularam para fora, inteiramente soltos. Os mamilos estavam inchados e duros. Tocou-os de leve. Ainda doíam, mas o contato era agradável. Fora na verdade por isso que ela não pusera o sutiã. É que os seios doíam demais dentro dele. Tornou a apertar os seios e sentiu uma onda de prazer descer até a virilha. Tirou a saia. A calcinha estava úmida, e ela podia ver os pêlos púbicos pretos por baixo do náilon. Lentamente, tirou a calcinha, estendendo-a sobre um banco, para que secasse.



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