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A Questão da Confiança




18 Julho, 1948
Porque nos achámos confusos? Um dos factores óbvios é o de termos perdido a confiança em nós mesmos, razão por que temos tantos líderes, gurus e livros sagrados a dizer-nos o que devemos ou não fazer. Perdemos a auto confiança. Mas, que queremos dizer com auto-confiança? Evidente será que há pessoas, técnicos etc., que têm bastante confiança pela simples razão de obterem resultados. Por exemplo, dêem uma máquina qualquer a um mecânico e ele a entenderá. Quanto mais conhecimento técnico possuirmos mais capacitados estaremos a lidar com as coisas técnicas. Mas, certamente, isso não é auto-confiança. Não estamos a empregar a palavra "confiança" do mesmo modo que se aplica às questões técnicas. Quando um professor expõe determinado assunto, naturalmente ele revela possuir toda a confiança- pelo menos, numa situação em que outros professores não estejam a prestar atenção. Um burocrata ou um indivíduo com um elevado cargo oficial pode sentir confiança por ter trilhado o topo da escala da experiência burocrática, e desse modo podem exercer a sua autoridade. Ainda que possam estar enganados, eles mostrar-se-ão cheios de confiança, da mesma forma que o mecânico, a quem damos um motor- sobre o que ele sabe tudo.
Porém, não é esse tipo de confiança que referimos, pois não? Simplesmente porque não somos meras máquinas a trabalhar a um determinado ritmo, a mover-se numa determinada velocidade, a percorrer um certo número de voltas por minuto. Nós somos a vida, não máquinas. Talvez preferíssemos tornar-nos máquinas porque aí seríamos capazes de lidar connosco de uma forma mecânica, repetitiva e automática; talvez seja isso que a maior parte das pessoas procura. Mas desse modo criamos muros de resistência, de disciplina e controle, trilhos que percorremos em termos de exclusividade. Mas mesmo assim condicionados e dispostos, tendo-nos tornado tão automáticos e mecânicos, ainda subsiste uma vitalidade que se reflecte numa busca de coisas variadas, geradora de contradição.
Senhores, a nossa dificuldade decorre do facto de sermos influenciáveis, de que nos achemos vivos e não mortos. Mas porque a vida é sobremodo incerta e subtil, e passa tão depressa, não queremos tentar compreendê-la e, portanto, perdemos a confiança. A maioria recebeu preparo técnico porque temos de ganhar a vida, além de que, a civilização moderna exige tecnologia cada vez mais avançada.

Mas com esta mente técnica, esta capacidade técnica não é que havemos de poder seguir a nós próprios, porque somos demasiado rápidos e mais influenciáveis e complicados do que uma máquina. Desse modo, estamos a aprender como possuir uma cada vez maior confiança na máquina, e a perder a confiança em nós próprios. Quanto mais imitadores nos tornamos, tanto menos confiança possuímos, e maior tendência temos para fazer da vida um caderno de cópia.

Logo a partir da infância, é-nos dito o que devemos fazer; devemos fazer isto e não fazer aquilo. Portanto, que esperais? Não precisaremos de confiança para podermos descobrir o que fazer? Não devemos possuir essa extraordinária certeza interior de conhecer a verdade quando lhe fizermos frente?

Portanto, tendo tornado a vida um mero aspecto técnico, ajustando-nos a um determinado padrão de acção- o que não deixa de ser um simples aspecto técnico- naturalmente perdemos a confiança em nós mesmos, e dessa forma incrementámos a nossa luta íntima, a dor e a confusão interiores. Mas a confusão só poderá ser dissolvida pela auto-confiança, contudo essa confiança não pode ser adquirida por intermédio de ninguém. Temos de empreender o caminho de descoberta sobre todo o processo de sermos nós próprios, por nós próprios e em proveito próprio, a fim de o compreendermos. Não quer isso dizer que vos torneis introvertidos ou reservados. Antes pelo contrário, a confiança surge no momento em que compreendemos, não aquilo que os outros dizem, mas os próprios pensamentos e sentimentos, aquilo que se passa connosco e ao nosso redor. Sem essa confiança, que provém do conhecimento dos próprios pensamentos, sentimentos e experiências- da sua verdade ou falsidade, do seu significado ou do absurdo que referem- sem termos conhecimento disso, como haveremos de poder esclarecer todo o aspecto da confusão que comportamos? (...)

Tendo perdido a auto-confiança- se alguma vez chegamos realmente a tê-la- é nosso problema descobrir de que modo recuperá-la. Porque é evidente que sem o elemento da confiança podemos ser desencaminhados por qualquer pessoa com quem cruzemos- e isso é exactamente o que está a suceder.

Através do desenvolvimento da iniciativa surge a confiança . Todavia, toda a iniciativa que se acha enquadrada num determinado padrão, só poderá produzir auto-confiança- o que é inteiramente diferente da confiança destituída do "eu". Sabeis o que significa ter confiança? Se fizerdes alguma coisa com as mãos, se plantardes uma árvore e a virdes crescer, se pintardes um quadro ou compuserdes um poema, ou então quando fordes mais velhos construirdes uma ponte ou dirigirdes algum trabalho administrativo extremamente bem feito, isso vos dará o sentimento de confiança de serdes capazes de fazer qualquer coisa.

Mas, vejam bem, tal qual a conhecemos presentemente, a confiança circunscreve-se sempre na prisão que a sociedade- seja comunista, hindu, cristã- construiu ao nosso redor. E toda a iniciativa, mesmo circunscrita nessa prisão, é capaz de criar uma certa confiança, pois sentis ser capazes de fazer coisas: podeis conceber um motor, tornar-vos um médico competente, um excelente cientista, etc.
Porém este sentimento de confiança que sobrevem com a capacidade de ser bem sucedido dentro da estrutura social, ou de a reformar, ou de lhe conferir clareza- decorar o interior da prisão- na verdade é somente auto-confiança. Sabeis que podeis fazer determinada coisa e sentis-vos importante pelo facto, ao passo que, se pela compreensão e pela investigação romperdes com a estrutura social de que sois parte, então sobrevirá um tipo de confiança completamente diferente, destituído de sentido de auto-importância. E se pudermos compreender a diferença existente entre ambos os aspectos- da auto-confiança e da confiança destituída de "eu", penso que isso poderá adquirir um enorme significado na nossa vida.
Quando jogamos de forma excelente um jogo qualquer, como o badminton, o cricket ou o futebol, podemos ter esse sentido de confiança, não é mesmo? Isso confere-nos a sensação de sermos bastante bons no que fazemos. Se formos destros na resolução de problemas matemáticos, isso também nos transmitirá um certo sentido de certeza. Quando a confiança brota da acção enquadrada na estrutura social, isso faz-se acompanhar sempre de uma estranha arrogância, não é? A confiança do homem que é capaz de executar certas coisas e de alcançar certos resultados, é sempre colorida por essa arrogância do eu, a sensação de ser "eu que faço".(...)
Porém, se formos capazes de divisar, por entre essa estrutura social, esse padrão cultural da vontade colectiva, a que chamamos civilização; se pudermos compreender isso tudo e afastar-nos, e irromper da prisão da nossa sociedade particular, veremos que ocorrerá um sentimento de confiança que não é tingida por esse sentido de arrogância. Trata-se da confiança que brota da inocência, que se assemelha à confiança de uma criança completamente inocente, e que é capaz de fazer qualquer tentativa. Há de ser essa confiança inocente que produzirá uma nova civilização; todavia, ela não poderá surgir enquanto nos mantivermos no actual padrão social.(...)
A função da educação não é simplesmente a de vos fazer encaixar num padrão social qualquer. Ao contrário, é o de vos ajudar a compreender de forma total e completa as coisas, de modo a poderdes afastar-vos de todo padrão, e poderdes ser destituídos da arrogância do "eu", e também possuir a confiança para serdes verdadeiramente inocentes. E não será uma verdadeira tragédia que a maioria das pessoas só se preocupe, seja com a forma de se ajustar socialmente, ou com a reforma da sociedade? Já notaram como a maioria das questões que colocaram reflecte esse tipo de atitude? Aquilo que de facto estais a dizer é: "como poderei encaixar, obter um lugar nesta sociedade? Que dirão a minha mãe e o meu pai, e que acontecerá se não o conseguir"? Essa atitude destroi toda a confiança e iniciativa que possuirdes, e deixareis a escola e a faculdade exactamente do mesmo modo que a maioria- como autómatos, talvez muito eficientes porém sem esta chama criativa.(...)
Vejam, este é um problema de todo o mundo. O Homem busca um novo tipo de resposta, um novo tipo de abordagem á vida, porque as velhas respostas estão a decair. A vida é um desafio contínuo; a simples tentativa de produzir uma ordem económica melhor não constitui uma resposta completa a esse desafio, que é sempre novo. A menos que sejamos adequadamente educados, a menos que tenhamos essa extraordinária confiança da inocência, seremos inevitavelmente absorvidos pelo colectivo e perder-nos-emos na mediocridade. Adicionareis algumas maiúsculas ao vosso nome, podereis casar e ter filhos, mas isso será tudo o que realizareis.


Saanen, 24 Julho 1980

Pergunta: Exerço o cargo de professor mas vejo-me em constante conflito tanto com o sistema escolar como com os padrões da sociedade. Deverei deixar de exercer? Qual será o modo correcto de ganharmos a vida? Poderá existir um modo de viver que não perpetue o conflito?

Krishnamurti: Eis aqui de uma questão de grande complexidade que exige que se proceda a uma resposta gradual.

Em que consistirá sermos um professor? Um professor tanto dispensa informações acerca de História, Física, Biologia, etc., como também aprende sobre si mesmo, juntamente com o aluno. É isso que perfaz o processo de compreensão de todo o movimento da vida. Se eu exercer o cargo de professor e os ensinar- psicologicamente, não quero dizer um professor de Biologia nem de Física nem qualquer outra disciplina- será que conseguirei que o aluno me compreenda ou que a minha indicação o auxilie na compreensão de si próprio?

Devemos ter muito cuidado e clareza com o que pretendemos dizer com o termo ”professor”; existirá mesmo "o professor", psicologicamente falando, ou só existe o professor que ensina factos? Haverá um professor que vos ajude a compreender a vós mesmos?
O interrogante diz ser um professor que se debate não só com o sistema educativo e escolar como também com a sua própria vida, encontrando-se num permanente estado de conflito e pergunta se deve ou não desistir de tudo, e, nesse caso, o que será dele se o fizer. E, questiona-se não só sobre o modo correcto de ensinar como também pretende conhecer um modo correcto de viver.
Em que consiste o viver correcto? Do modo como actualmente se apresenta a sociedade não há um "viver correcto". Temos que ganhar a vida, casar, ter filhos e tornar-nos responsáveis por eles, e para o efeito aceitamos desempenhar funções de engenheiro ou professor. Assim, poderá haver um modo correcto de vida nos moldes em que a sociedade se apresenta? Ou será isso a mera busca da Utopia, o desejo de alguma coisa além?
Que poderemos fazer numa sociedade que é tão corrupta e cheia de contradições, injustiça, sociedade essa que é aquela em que vivemos? Desse modo, e não só como professores a exercer numa escola, questionamo-nos sobre o que fazer.

Será possível vivermos nesta sociedade sem conflito e não somente procurar uma forma correcta de viver? Poderemos desse modo viver correctamente, pondo um fim a todo o conflito que existe em nós?

Mas, serão essas duas coisas distintas- ganhar a vida correctamente e não possuir conflitos pessoais? Permanecerão ambos esses aspectos separados de forma estanque ou estarão ambos interligados?
Viver uma vida sem conflitos exige uma enorme dose de auto-compreensão, assim como uma enorme dose inteligência- não a sagacidade intelectual, mas capacidade de observar objectivamente o que sucede, tanto externamente como dentro de nós, e de ter consciência da inexistência de diferenças entre o exterior e o interior. É como uma maré que vai e volta.

Desse modo, será possível vivermos nesta sociedade, que é criada por nós, sem abrigarmos conflitos no íntimo, e ao mesmo tempo viver correctamente? Qual dos aspectos deveremos enfatizar- o do viver correcto ou o da forma correcta de viver? Ou seja, o de descobrirmos o modo de vivermos uma vida sem sombra sequer de conflito.

Qual virá em primeiro lugar? Não permitais que seja eu a falar enquanto que vós escutais, concordando ou dizendo que isso não é prático, assim ou assado, pois trata-se de um problema que vos diz respeito por inteiro; porque é vosso.
Assim, perguntávamos se existirá alguma possibilidade de vivermos de tal forma que possibilite um modo naturalmente correcto e nos capacite de igual jeito a viver sem sombra de conflito; existirá tal possibilidade?

Porque tem-se dito que não se pode viver assim excepto se nos retirarmos para um mosteiro, porque assim poderemos renunciar ao mundo e a toda a sua tristeza e comprometer-nos ao serviço de Deus, entregando a nossa vida a uma ideia ou pessoa, a uma imagem ou símbolo, na esperança de que cuidem de nós.

Mas são já muito poucos os que acreditam na renúncia ou nos mosteiros. Se eles renunciam, fazem-no com relação a uma imagem que criaram de determinada pessoa, imagem essa que projectaram.

Só será possível vivermos uma vida sem conflito quando tivermos compreendido todo o significado do viver, que consiste em acção e relacionamento. E o que é a acção correcta, que o seja em todas as circunstâncias? Existirá tal coisa? Existirá uma acção correcta absoluta, ao invés da relativa?

Se quisermos encontrar uma acção correcta de carácter absoluto teremos de descobrir uma forma correcta de nos relacionarmos, porque a vida é acção, conversar, adquirir conhecimento e do mesmo modo travar relações com os outros, seja de forma profunda ou superficial. Mas, se excluirmos o lado romântico imaginário ou superficial que em poucos minutos se esvai, em que consistirão as nossas presentes relações? Em que consiste o nosso relacionamento com uma pessoa em particular? Talvez uma relação íntima envolvendo sexo, dependência mútua, sentimento mútuo de possessão, o que gerará sentimentos de ciúme e antagonismo?
O homem e a mulher saem para o escritório ou então empreendem um tipo qualquer de trabalho físico, possivelmente ambicioso, com um sentimento de cobiça, competitividade, agressivamente votados à busca do sucesso, e depois regressam a casa e tornam-se um marido dócil e uma esposa atenciosa e obediente. Penso que isso reflectirá os presentes modos de relacionamento, que ninguém poderá negar.

Mas, perguntar-se-á: o relacionamento correcto será isso? Por certo que não; seria absurdo dizer o contrário.

Mas nós afirmamos que não e no entanto continuamos do mesmo modo; dizemos tratar-se de uma forma errada de viver mas parecemos incapazes de compreender o que seja o relacionamento correcto, excepto se isso estiver em acordo com um modelo estabelecido antecipadamente, por nós ou pela sociedade.
É certo que podemos desejar um modo correcto com uma ânsia e vontade de o estabelecer na nossa vida, todavia nem essa vontade nem essa ânsia produzirão a referida diferença. Temos que penetrar a questão com seriedade a fim de o podermos descobrir.

Qualquer forma de relacionamento começa geralmente por ser sensual porque através da sensualidade sobrevem um sentido de companheirismo e de interdependência. Mas quando nessa dependência surge alguma forma de incerteza, a panela ameaça logo começar a transbordar.

Assim, devemos inquirir sobre esse enorme sentido de dependência mútua para podermos encontrar uma forma correcta de relacionamento.
Porque seremos tão dependentes, psicologicamente, nas nossas relações pessoais? Será porque nos sentimos desesperadamente sós? Será porque não confiamos em ninguém, nem mesmo no nosso marido nem esposa?

Por outro lado, a dependência confere um sentimento de segurança e protecção neste vasto mundo de terror. Nós dizemos: ”eu amo-te”, porém esse sentimento comporta um constante sentido de possuir e ser possuído. E se a situação sofrer qualquer ameaça, lá aparece novamente todo o conflito; é esse o tipo de relações que actualmente mantemos, quer seja ou não íntimo. Criamos uma imagem de cada um para depois nos agarrar-mos a ela. Mas, no momento em que nos agarramos a determinada pessoa ou nos prendemos a uma ideia ou conceito, nesse exacto momento tem início a corrupção. Precisamos de ter consciência disso mas isso é justamente tudo o que não queremos. Assim, não poderemos viver junto com outra pessoa, sem nos prendermos nem nos tornarmos psicologicamente dependentes um do outro? Porque a menos que o descubramos, viveremos necessariamente em perpétuo conflito porquanto a vida é feita de relacionamentos.

Será que podemos observar as consequências do apego, objectivamente e sem qualquer motivo- desactivando-as assim imediatamente? O apego não é o contrário do desapego; se eu sinto apego é natural que me esforce por tornar-me mais desapegado, ou seja crio o oposto. Mas no momento em que crio o oposto também tem início o conflito. Contudo, não existe contrário disso ”que é”. Só existe o que acontece, que neste caso é o sentimento de apego. Existe unicamente o facto do apego- no qual, agora, vemos todas as consequências e inexistência de amor- e não a motivação do desapego.
O cérebro foi treinado, condicionado, educado para observar aquilo que é, e criar o oposto: ”se sou violento não devo sê-lo”; mas desse modo chega a gerar conflito.

Porém se observar somente a violência, observar a sua natureza- não analisar mas observar- então o conflito dos opostos será totalmente eliminado.

Se quisermos viver sem conflito tem que se lidar somente com o ”que é”, pois tudo o mais não é.

E se chegarmos a viver desse modo- o que é inteiramente exequível- e chegarmos a permanecer com o ”que é”, também isso se esvairá. Senão experimentai-o.
Quando realmente compreendermos a natureza das relações pessoais, que só se efectivam quando não há apego nem imagem com relação ao outro, poderá então resultar um estado de comunhão autentica entre ambos.
A acção correcta significa acção precisa, exacta; acção não baseada em motivo nenhum, acção que não é direccionada nem comprometida. E a compreensão dessa acção correcta, dessa relação correcta, produz inteligência, não aquela da capacidade intelectual mas um sentido profundo de inteligência que não é vosso nem meu.

E essa inteligência ditará o que devereis fazer para ganhar a vida; se subsistir essa inteligência podereis ser um jardineiro ou um cozinheiro que isso não terá a menor importância. Mas senão possuirdes essa inteligência o vosso viver será ditado pelas circunstâncias.
Existe uma forma de viver que não conhece conflito e justamente por isso possui inteligência- inteligência essa que revelará a forma correcta de vivermos.


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