Traduzido do Inglês por Amadeu Duarte



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Aprendizagem e Humildade



Saanen 1967
O que é aprender? Alguma vez chegamos a aprender? Será que aprendemos com a experiência? Será mesmo? Nos últimos cinco mil anos aconteceram à volta de umas quinze mil guerras- o que consiste numa imensa dose de experiência para a humanidade. Mas será que com tais experiências aprendemos que a guerra é a coisa mais pavorosa, a que devemos pôr cobro? Além disso, será a questão do aprender uma questão de tempo? Durante estes cinco mil anos não aprendemos que a guerra, o crime organizado, a morte de outro ser humano- seja por que razão for- é a coisa mais... Nem sei que palavra empregue. E, se nestes cinco mil anos não aprendemos, nesse caso será a aprendizagem uma questão de tempo? Aparentemente não aprendemos nada com essa vasta experiência de matar o outro. E que coisa será que nos ensinará? Aparentemente, nem as circunstâncias do meio nem as pressões, as perturbações, a destruição, a fome nem a brutalidade nos ensinaram, e precisamos de cinco mil anos para chegar à conclusão de que não aprendemos.

Por isso, o que é aprender? Por favor tenham em mente que não se trata aqui de nenhuma questão de garoto de escola. Em que consiste o aprender e quando é que tal coisa sucede- se será de mera questão de tempo ou um processo gradual. Se investigarmos a questão do aprender- se envolve de todo algum tempo, penso de devamos investigar a questão da humildade. Por humildade não nos referimos à aspereza e severidade dos santos ou dos padres nem do homem vaidoso, que cultiva a humildade. É evidente que, se pretendo aprender sobre determinado assunto deverei não tirar nenhuma conclusão a seu respeito, nem abrigarei nenhuma opinião nem conhecimento formado previamente.

Só uma mente bastante inocente poderá investigar a questão da humildade- inocente no sentido de desconhecedora, capaz de uma enorme liberdade. É óbvio que a aprendizagem nada tem que ver com a acumulação de conhecimentos, experiência ou tradição, e somente uma mente livre pode achar-se em estado de humildade- somente uma mente assim é capaz de aprender. E num acto de aprendizagem assim podemos acercar-nos do complexo problema do medo Mas não podereis aprender sobre o medo somente por terdes escutado aqui uma série de explicações que passareis a aplicar, porque tal aplicação é mero processo mecânico e como tal não pode actuar.

Por isso, quando começarmos a aprender por nós próprios, e não de acordo com quem quer que seja, sobre o que seja a humildade- que é não possuir a mente a abarrotar de opiniões, juízos de valor, conhecimento, então sucederá um estado em que somos capazes de aprender.

Vejam senhores, aquilo que estamos aqui a debater é uma questão muito séria e não uma forma de entretenimento nem algo para se escutar de modo casual por curiosidade, e pomos de lado. Ou o escutam com atenção ou deixam de o fazer. Mas será preferível que não escutem; será melhor irem dar uma volta à chuva, se gostam da chuva, ou divertirem-se por entre as árvores. Se estiverem presentes porém, prestem toda a atenção porque aquilo que estamos a tratar é coisa bastante séria pois o que está implícito a tudo isso é uma revolução psicológica total que se situa para além da sociedade. Produzir esta revolução radical na psique do próprio indivíduo- estamos interessados unicamente com a mutação completa do indivíduo, pois o indivíduo é a colectividade; ambos não são aspectos distintos.. Já que a sociedade está no indivíduo e o indivíduo reside na sociedade, para podermos então produzir uma transformação na estrutura da sociedade o indivíduo deve mudar completamente. E é disso que estamos a falar, e para o fazer temos de descobrir e aprender sobre esta mutação completa.

Mas para aprendermos com efectividade requer-se enorme dose de humildade. A maioria, infelizmente, está ancorada em conclusões, opiniões, juízos de valor, crenças, dogmas, a partir do que avalia e enceta, por assim dizer, uma plataforma través da qual vive. Mas possivelmente uma mente assim jamais poderá aprender, do mesmo modo como o homem não aprendeu com as guerras e com todas as coisas horríveis envolvidas na morte do semelhante! Muito simplesmente não aprendemos.

Desse modo, para podermos aprender devemos começar com enorme humildade. Se formarmos opiniões e conclusões, dogmas irrevogáveis, estaremos muito simplesmente a acumular, e dessa forma a resistir, criando desse modo conflito em nós e com os demais- o que engloba a sociedade inteira.
Portanto, será o aprender uma questão de tempo? Será a humildade coisa a ser cultivada? A humildade é liberdade, e só com liberdade podemos aprender, e não com acumulação de lembranças. Poderá a humildade ser questão de cultivo e, assim, questão de tempo? Poderemos adquirir humildade através de um processo gradual? Por favor percebam as implicações de tal coisa porque se for questão de tempo- tempo em que acumulamos humildade- então nesse caso estaremos a cultivá-la; mas no momento em que cultivarmos ou reunirmos qualidades de humildade, ela deixará de ser humildade.

É óbvio que aquele que se diz humilde é o mais vaidoso. A humildade não reside no tempo e portanto, não se trata de questão de cultivo mas de percepção instantânea, mas essa percepção instantânea será negada quando fizermos da humildade uma ideia.
Vós escutais dizer que só uma mente com clareza, uma mente inocente pode aprender e quereis aprender com relação ao medo. Escutais isso e isso torna-se logo uma ideia- queremos ser livres do medo e escutamos dizer que podemos aprender sobre ele somente se a nossa mente tiver bastante clareza e for simples- toda esta estrutura se torna então numa forma de pensamento organizado, uma ideia. E depois esperamos poder aprender com essa ideia, porém, não aprendemos de todo, e estamos sim a transpor uma ideia para a acção. No entanto entre a ideia e a prática subsiste o conflito E em tudo isso não percebemos instantaneamente a verdade sobre o aprender, a verdade do aprender, a verdade da humildade, na qual o próprio acto de perceber é agir.

Benares 1960
A virtude é coisa espontânea e não reside no tempo, mas sempre se torna activa no presente. A mente que cultiva meramente a humildade jamais poderá conhecer a plenitude nem a profundeza, a beleza de ser verdadeiramente humilde. E se a mente não se achar nesse estado não me parece que possa aprender. Pode muito bem actuar de forma mecânica mas, seguramente, aprender não é a acumulação mecânica do conhecimento.
Sinto ensejo de saber em que consiste a liberdade- não uma liberdade especulativa que seja auto- projectada como uma reacção a determinada coisa. Existirá tal coisa como liberdade autêntica- um estado em que a mente se livre de todas as formas de tradição, de pensamento e dos padrões que lhe foram impostos ao longo de séculos? Tenho vontade de saber que coisa extraordinária será essa porque as pessoas têm lutado ao longo de todas as eras. Quero descobri-lo, quero aprender tudo referente a isso. Mas, como haverei de o conseguir se não possuo nenhum sentido de humildade? A humildade não tem nada a ver, absolutamente, com a modéstia auto-protectora que a mente impõe a si mesma. Isso é uma coisa feia. A humildade não pode ser cultivada; trata-se de uma das coisas mais difíceis de experimentar certamente porque já estabelecemos determinadas posições em que nos ajustamos. Possuímos determinadas ideias e valores, certo número de experiências e conhecimentos e esses antecedentes ditam as actividades e os pensamentos que devemos ter. O homem idoso que acumulou conhecimento por meio das próprias experiências e por intermédio das experiências de outros, e que se conduz pelo próprio anseio de importância, que estabeleceu para si próprio uma posição de poder e prestígio- como poderá tal homem achar-se num estado de humildade e por meio dele aprender acerca das trivialidades do seu viver? Portanto, parece-me que temos de ser tremendamente atenciosos e profundamente conscientes desse sentido de humildade.

Bombaim 1958
O acto de aprender requer que se tenha humildade. A mente que acumulou enorme dose de conhecimentos e pensa que sabe, é incapaz de aprender por se achar lotada de conclusões, opiniões, crenças, preconceitos e dogmas. Uma mente assim é destituída de humildade. Para podermos aprender necessitamos de muita humildade. É essencial que tenhamos certo sentido- uma certa sensação de humildade- porém, ela será negada se a mente funcionar simplesmente de modo mecânico na recolha de conhecimento, experiência e informação, para depois poder agir e funcionar. Uma mente assim nunca aprende. A vida não é nenhuma conclusão nem se move entre pontos fixos nem de uma experiência para outra. Ela é muitíssimo vasta no seu todo, pois trata-se de uma coisa viva, verdadeira e imensurável pela mente. E para podermos aprender acerca da vida necessitamos de humildade em abundância.
Assim, parece-me que a aprendizagem é admiravelmente difícil, do mesmo modo que prestar atenção, escutar. Na realidade jamais prestamos atenção ao que quer que seja, devido a que a nossa mente não possua liberdade; temos os ouvidos entulhados com as coisas que são do nosso conhecimento de modo que escutar, torna-se uma coisa extraordinariamente difícil. Eu penso, ou melhor, é um facto que, se quisermos escutar alguma coisa com todo o ser, com vigor e vitalidade, então o próprio acto de escutar torna-se um factor libertador, mas como, infelizmente, nunca aprendemos a escutar, também não o podemos fazer. Afinal, só aprendemos quando nos empenhamos com inteireza em determinada coisa. Ainda que seja matemática, se lhe dermos toda a nossa atenção, aprenderemos. Já quando nos achamos em contradição, quando não queremos aprender mas somos obrigados, nesse caso trata-se simplesmente de um processo de acumulação.
A aprendizagem requer a nossa inteira atenção e não uma atenção contraditória. Se quisermos aprender com relação a uma folha de uma planta- uma folha que brota na Primavera- devemos olhá-la, perceber a simetria (das suas nervuras), a sua textura e a sua qualidade de ser vivente. Pode existir beleza, vigor e vitalidade numa simples folha de árvore. Desse modo, para podermos aprender com relação a uma folha de árvore ou sobre uma flor ou uma nuvem, o pôr do sol ou o ser humano, temos de olhar com intensidade. E se pudessem escutar do mesmo modo não só aquilo que está a ser dito mas igualmente tudo ao vosso redor- o choro de uma criança, o som das vagas a espraiar-se na areia, o ruído do avião que passa por cima, então nesse profundo acto de escutar sucederá uma enorme compreensão. A compreensão não nasce do reunir ou acumular informação. A compreensão é sempre instantânea.
A mente estreita, instruída, que foi ensinada, fortalece unicamente a memória- como acontece em todas as universidades e escolas onde unicamente cultivais a memória a fim de poderdes passar nos exames e conseguirdes obter um emprego. Mas isso não é adquirir inteligência. A inteligência ocorre quando estiverdes a aprender. Não existe fim no aprender e nisso reside a beleza da vida- o sagrado da vida.

Bombaim 1962
Sem aprendizagem não podemos aprender pois a aprendizagem não é mera acumulação- quando acumulamos isso torna-se mero conhecimento.(...)
Sem humildade jamais seremos livres dessa coisa extraordinária chamada medo. Aprender (sobre nós e a vida) requer (que tenhamos) uma mente que possua clareza e compaixão escrupulosos; sem estes aspectos não poderá haver humildade. Quero dizer, uma mente que seja capaz de raciocinar com bastante clareza, de modo sensato e racional, sem perversões e um coração escrupuloso- ambos esses aspectos devem existir se houver humildade, mas a humildade implica aprender.(...)

Humildade não é virtude; desse modo existe a todo o momento. Existe quando a mente presta atenção aprende e examina, e deixa-se absorver por uma dada questão. A humildade- essa qualidade é essencialmente da natureza da afeição, porque sem afeição, sem um profundo sentido de amor, não podemos aprender.(...)
A humildade jamais aceita nem nega seja o que for. Fazê-lo é arrogância. Mas a humildade é essa extraordinária capacidade de aprender, de descobrir, de investigar. Porém, se tivermos já acumulado a partir dessa investigação, nesse caso não seremos humildes e cessaremos mesmo de o ser.(...)
Sem humildade não poderemos sentir amor mas o amor não é coisa que possua raízes na mente, no pensamento. Portanto, somente a partir deste extraordinário sentido de humildade brotará o sentido de cuidado meticuloso da compaixão e da clareza da mente. E somente então o medo deixará de existir.

Nova Deli 1962
Quando o conhecimento se torna primordial paramos de aprender. Somente a mente capaz de aprender pode começar a ter a sensação do significado da criatividade porque, de certa forma, possui humildade. Portanto, uma mente que não esteja a adquirir conhecimento e portanto não se discipline de acordo com o desejo de adquirir, será capaz de aprender.(...)
Não conseguiremos compreender a tristeza nem essa imensa coisa chamada vida se não houver humildade. E o conhecimento inibe a humildade. Uma mente que esteja a aprender, a observar, a olhar sem jamais acumular, essa mente encontra-se num estado de humildade- não se trata da humildade dos santos nem dos políticos nem da humildade do erudito, que finge ser humilde- mas dessa humildade que jamais trepou os degraus do sucesso, a humildade que não acumulou nem se fortaleceu por meio do conhecimento.

Saanen 1962
A humildade não é uma virtude que possamos cultivar. Se a cultivarmos deixará de ser humildade. Ou somos humildes ou não somos. Para possuirmos um sentido de completa humildade, temos de perceber estes movimentos- interior e exterior- como um processo unitário. Temos de entender o significado da vida no seu todo- a vida contida na tristeza, no prazer, na dor, a vida que levamos ao procurar infatigavelmente um local de repouso ou em busca de algo a que chamam Deus, ou outro nome qualquer. Significa escutar sem escolha a vossa esposa, marido, o vento a soprar por entre as árvores, a água do ribeiro que corre; significa perceber os montes, ser atento a tudo de modo negativo. Neste estado de atenção negativa haverá uma percepção compreensiva do externo e do interno como um movimento unitário total; e com essa compreensão ocorre um enorme sentido de humildade.(...)
Portanto, a humildade não é algo que se possa obter, mas chegaremos a ela de modo natural, fácil e gracioso quando este movimento do externo e do interno é percebido como um processo total; então começaremos a aprender. Aprender é aquele estado da mente que jamais acumula experiência sob a forma de memória, conquanto ela possa ser agradável; é o estado da mente que não evita a tristeza nem a frustração. Essa mente está constantemente num estado de aprendizagem e possui enorme humildade. E descobrireis que dessa humildade provém toda a disciplina.

Ajustamento não é disciplina mas um simples resultado do medo, o que, portanto, torna a mente estreitada, estupidificada e embotada. Mas estou a referir-me a uma disciplina que passa a existir de forma espontânea quando passa a existir esse extraordinário sentido de humildade em que, portanto, a mente se acha num estado de aprendizagem. Então não teremos de impor disciplina mental nenhuma porque esse estado de aprendizagem é, em si mesmo, disciplina.(...)
É o estado de aprendizagem que sucede quando a mente compreende o processo total do viver. Ela comporta uma disciplina que não é a da Igreja nem a da tropa ou a do especialista, a do atleta, nem a do indivíduo que persegue o conhecimento. Trata-se da disciplina gerada pelo profundo sentido de humildade. Mas não poderemos ter humildade se a mente não ficar só.

Nova Deli 1960
Eu pergunto-me se alguma vez tiveram o sentimento de humildade. A maioria, estou certo, já sentiu respeito. Mas onde existe o respeito também pode existir o desrespeito. Vós curvais-vos longamente diante do homem que está acima de vós e colocais de lado outros que não vos interessam. São eles os serventes, os oprimidos e os subalternos. Mas existe uma qualidade de sentimento que não possui nem ponta de respeito nem de desrespeito, como um sentido de humildade. A mente que se acha num estado de humildade não é nem respeitosa nem desrespeitosa. Se desrespeitar, tratará de cultivar o respeito- como uma forma de resistência ao desrespeito; de modo que, o desrespeito continua a inflamar-se qual ferida na mente, da mesma forma que o respeito. Mas a mente que possuir humildade está num estado completamente diferente. Agora, se, da forma como estamos a escutar esta tarde, puderdes ser sensíveis e experimentar directamente esse estado de humildade, então teremos penetrado algo que não pode ser reconhecido. Entendem?

Não podem (simplesmente) dizer: "Bom, sou humilde portanto conheço o significado disso". Por favor, entendam que no momento em que o processo de reconhecimento ocorrer, nesse momento deixará de existir humildade.

Quando dizemos amar determinada pessoa fazemos uso do termo para expressar um sentimento; porém, no momento em que reconhecermos e expressarmos esse sentimento, a sua qualidade já se terá alterado. Aquilo que certamente podemos fazer por nós próprios consiste em perceber que, enquanto a mente se achar num estado de respeito e desrespeito, não possuirá essa qualidade de humildade.(...)
Dessa forma temos de ter atenção pelos nossos modos de expressão e pelos modos que temos; temos de descobrir o que as palavras, os gestos, as atitudes encobrem. Através da negação chegamos ao "positivo"- o que significa ser humilde. Contudo a humildade não é reconhecível nem passível de ser descrita como o são o respeito e o desrespeito, mas possui uma qualidade positiva que pode ser sentida quando o outro estado não existir.(...)
Viver no anonimato é das coisas mais difíceis. A maioria deseja o anonimato e alcança um ponto em que deseja o anonimato porque o anonimato total contém beleza e faz-nos sentir completamente livres. E então, que fazemos? Vestimos uma peça de linho ou damos entrada num mosteiro, ou assumimos um nome diferente. Interiormente porém, ainda nos achamos repletos de ambição, só que de tipo diferente. Agora queremos ser reconhecidos como alguém espiritual de forma que substituímos uma peça de roupa por outra; livramo-nos de um nome para assumir um outro. Externamente assumimos um espectáculo de anonimato enquanto que interiormente somos consumidos por uma vaidade e perseguição de poder. A nossa humildade consiste (nisso); tudo o que é reconhecido pela sociedade como respeitável.

Bem vejo como todos vós sorris e concordais mas andais todos atrás do mesmo. Não riam, senhores. Todos vós desejais poder, todos quereis uma posição de prestígio, muito embora possa haver uma ou outra excepção. Mas a mente que busca o poder- pensando que praticará o bem- é uma mente bastante destrutiva, por estar preocupada consigo mesma. Olhem, senhores, a menos que a mente seja completamente anónima não podereis encontrar a verdade.

Pergunto-me se já repararam como o amor é anónimo! Eu posso amar a minha esposa, os meus filhos, porém, essa qualidade de amor é anónima. Da mesma forma que o sol poente, o amor nem é vosso nem meu. Portanto, quando a mente está imersa pelo poder passa a haver maldade e corrupção. Mas o desejo de poder é uma das coisas mais difíceis de exterminar. Não é fácil não ser ninguém, interiormente anónimo. Quando possuímos este sentido de completa animosidade, então descobriremos que sucede uma atitude compreensiva que nada tem que ver com o passado nem com a sede de poder- poder esse que cria esta animosidade e maldade no mundo. Todo o poder é um mal- seja o poder das nações, o poder dos líderes, o poder da mulher sobre o marido ou do homem sobre a esposa ou os filhos. Se se observarem bem quando não se fazem passar por ninguém, perceberão nos recessos secretos da mente como também vós quereis poder, como quereis dominar e tornar-vos conhecidos, ou de ver o vosso nome fixado nos jornais. Mas quando a mente persegue o poder torna-se destrutiva, e jamais poderá haver paz no mundo.
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