Tuneiras do oeste



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Especialização em Gestão Pública

Programa Nacional de Formação em Administração Pública







ESTUDO TEÓRICO DAS POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES VINCULADA AO TRIPÉ DA RELAÇÃO PROFESSOR/ TUTOR/ ALUNO NO ENSINO A DISTÂNCIA

 

TUNEIRAS DO OESTE

2011

SUZAMAR PEREIRA TORQUATO


ESTUDO TEÓRICO DAS POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES VINCULADA AO TRIPÉ DA RELAÇÃO PROFESSOR/ TUTOR/ ALUNO NO ENSINO A DISTÂNCIA

 

Trabalho de Conclusão de Curso do Programa Nacional de Formação em Administração Pública, apresentado como requisito parcial para obtenção do título de especialista em Gestão Pública, do Departamento de Administração da Universidade Estadual de Maringá.

Orientadora: Prof. Deisy Cristina Corrêa Igarashi, Dra.º


TUNEIRAS DO OESTE

2011

S

UZAMAR PEREIRA TORQUATO



ESTUDO TEÓRICO DAS POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES VINCULADA AO TRIPÉ DA RELAÇÃO PROFESSOR/ TUTOR/ ALUNO NO ENSINO A DISTÂNCIA

 

Trabalho de Conclusão de Curso do Programa Nacional de Formação em Administração Pública, apresentado como requisito parcial para obtenção do título de especialista em Gestão Pública, do Departamento de Administração da Universidade Estadual de Maringá.

Orientador: Profº

Professora................................................................, Dra. (orientadora)

Assinatura
Professora................................................................

Assinatura


Professora................................................................, Dra. (orientadora)

Assinatura




S

UMÁRIO




1 INTRODUÇÃO..................................................................................................
2 PESQUISA TEÓRICA......................................................................................

2.1 REVENDO UM POUCO DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA..........................................................................................................

2.2 A RELAÇÃO TUTOR/ALUNO/PROFESSORA NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.........................................................................................................

2.2.1 O Tutor......................................................................................................

2.2.2 O Professor..............................................................................................

2.2.3 A Relação com o aluno............................................................................

2.3 O PROCESSO DE INTERAÇÃO ALUNO/TUTOR/PROFESSOR E O SUCESSO DA EAD.............................................................................................


3 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................
REFERÊNCIAS....................................................................................................


6
8
8
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R

ESUMO


A Educação a Distância apresenta grande complexidade no processo de ensino-aprendizagem. Tal complexidade reside na interação entre professores, tutores, ferramentas tecnológicas e alunos. Neste estudo, é discutida a relação professor/ tutor/ alunos com o objeto discutir a relação professor/ tutor/ alunos, destacar as qualidades do ensino na Educação a Distância, através de uma análise das oportunidades e vulnerabilidades do tripé vinculado ao ensino na Educação a Distância, quanto à relação professor, tutor e aluno. Este estudo é desenvolvido apenas sobe a ótica teórica (pesquisa bibliográfica) com abordagem qualitativa. Desta forma, foi apresentada uma revisão da história da Educação a Distância; bem como o papel de cada um dos atores; e foi apresentada a relevância da relação professor/tutor/aluno para o sucesso da Educação a Distância. Com o resultado da pesquisa teórica concluiu-se que a forma como o tutor e o aluno se comunicam e interagem dependerá do esquema de aprendizado a ser usado pelo pólo, ou seja, da estratégia didática, da escolha dos métodos e meios instrucionais estruturados para produzir um aprendizado efetivo.


Palavras chave: ESTUDO TEÓRICO DAS POTENCIALIDADES E VULNERABILIDADES VINCULADA AO TRIPÉ DA RELAÇÃO PROFESSOR/ TUTOR/ ALUNO NO ENSINO A DISTÂNCIA

 

1 INTRODUÇÃO
A sociedade, na forma apresentada hoje, é conhecida como a sociedade da informação, onde co-existem um elevado número de idéias, variedade e produtos. Além disso, devido a diversidade das pessoas e aos avanços tecnológicos se estabeleceu uma nova ordem no mundo, a qual se refere a uma nova forma de organização social.

Nesse momento nota-se transformações na organização do trabalho, nos sistemas de produção, nos mecanismos de relacionamento social e no próprio acesso à informação.

Nessa sociedade observam-se a presença de inovações que provocaram um impacto sem precedentes na segunda metade do século XX (CARVALHO, 2007). Nesta sociedade a educação a distância assume um papel relevante no contexto educacional, devido a preocupação com a oportunidade de acesso ao ensino superior a um maior número de pessoa. Isto faz crescer a oferta por cursos de graduação na modalidade a distância.

Nesta modalidade de educação, aos professores cabe o desempenho de diversos papéis, e, nela, o sucesso do aluno em seu processo de aprendizagem é o foco principal. A Educação a Distância apresenta um caráter complexo devido à forma como ocorre a interação entre professores, tutores, alunos e ferramentas tecnológicas utilizadas (CARVALHO, 2007).

Neste caso, observa-se que o papel do professor desloca-se do ambiente de sala de aula para a interação através de outros meios e materiais, visando a mediação da construção do conhecimento pelo aluno, tendo como parceiro fiel, o tutor. Nesta modalidade de ensino há o rompimento da relação professor aluno face a face. Ocorre, também, o rompimento da questão espaço temporal. Esse rompimento só é possível graças à atuação do tutor, que assume a característica de mediador, de orientador. Essas características revelam o surgimento de um novo tipo de educador que sugere novos caminhos, realiza a interação entre conteúdos/ ensino/ aluno, fomentando novos pensamentos de forma a induzir o aluno ao hábito de pensar, criar, planejar, repensar conceitos tão importantes quanto os ensinados na educação presencial.

Nota-se que a função do tutor é a de orientar e acompanhar a vida acadêmica do aluno, num ato de parceria contínua em busca da solução de problemas. O tutor é o elo de ligação existente na relação professor aluno da Educação a Distância.

Neste estudo, tem por objetivo discutir a relação professor/ tutor/ alunos, destacar as qualidades do ensino na Educação a Distância, através de uma análise das oportunidades e vulnerabilidades do tripé vinculado ao ensino na Educação a Distância, quanto à relação professor, tutor e aluno. A partir do objetivo delineado foi estruturado o seguinte questionamento de pesquisa: Quais elementos vinculado ao ensino na Educação à Distância, quanto a relação professor,  tutor, aluno são considerados oportunidades e vulnerabilidades?

O presente trabalho se desenvolve mediante pesquisa bibliográfica com vistas em analisar elementos vinculados ao ensino na Educação à Distância, quanto a relação professor, tutor, aluno, apresentando um caráter puramente teórico, por meio de busca de fontes, para leitura, seleção e fichamento do material, objetivando a elaboração de um pré plano de trabalho e posteriormente a redação do texto sobre o assunto.

A pesquisa bibliográfica, de acordo com Gil (2002), é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. “E tem como vantagem [...] a cobertura de uma gama de fenômenos muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente” (GIL, 2002, p. 45).

Neste estudo serão utilizadas metodologias que priorizam a ótica qualitativa, pois Minayo (2006, p. 22-23) aponta as metodologias qualitativas como:


[...] aquelas capazes de incorporar a questão do significado e da intencionalidade como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais, sendo essas últimas tomadas tanto no seu advento quanto na sua transformação, como construções humanas significativas. 
Desta forma será apresentada uma revisão da história da Educação a Distância; será discutido o papel de cada um destes atores e; será apresentada a relevância da relação professor/ tutor/ aluno para o sucesso da Educação a Distância. Serão também apresentados os procedimentos utilizados no estudo, algumas considerações que não têm a intenção de dar o trabalho por concluído, mas de suscitar novos temas de estudos, bem como serão apresentadas, também, as referências utilizadas neste estudo.
2 PESQUISA TEÓRICA
2

.1 REVENDO UM POUCO DA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


A história da Educação a Distância não é recente. De acordo com Litwin (2001, p. 15) sua institucionalização:
[...] data do final do século XIX, nos Estados Unidos e Europa, com os chamados cursos por correspondência sem nenhum valor acadêmico. Entretanto, em 1892, a Universidade de Chicago instituiu um curso por correspondência, incorporando os estudos da modalidade na universidade, e, em princípios do século XX, outra instituição, como a Universidade de Calveft, em Baltimore - desenvolveram cursos para a escola primária. Em 1930, são identificadas 39 universidades norte-americanas que oferecem cursos a distância.
Segundo Lima Filho (2008, p. 01):
[...] a educação a distância é derivada da evolução do ensino tradicional presencial institucionalizado na sociedade moderna. Ao longo do desenvolvimento de toda a História da Educação, assim como na História da Humanidade, foram superados muitos obstáculos, tanto no sistema produtivo quanto no sistema educacional.
Isto se dá porque a educação a distância se apresenta como a educação não presencial que leva a alguns questionamentos: a preocupação com o repensar o papel da educação como elemento que pode tornar dinâmicos outros processos sociais importantes na reconstrução da eqüidade entre os diversos elementos de nossa sociedade, haja visto o crescimento econômico que não tem conduzido à superação das desigualdades sociais.

Em suas origens, a Educação a Distância inicia-se através das experiências de educação por correspondência no final do século XVIII. A Educação a Distância tem um amplo desenvolvimento a partir da utilização do material impresso, em primeiro momento, e das mídias e simuladores “online” onde a interação e a participação do aluno se da de maneira sincrônica (BERNARDO, 2008).

Levando-se em consideração um pouco da história da Educação a Distância, pode-se notar que as primeiras experiências formais de cursos a distância ocorreram no século XIX, levando esta modalidade de educação à dimensão restrita do ensino (ERBS, 2004).

Entretanto, observa-se que na segunda metade do século XX a Educação a Distância dá um grande salto, pois:


[...] países como França, Canadá, Japão, Inglaterra, Bélgica, institucionalizaram esta modalidade de ensino através da oferta de cursos regulares de formação profissional em nível técnico ou superior, ou de cursos mais rápidos de capacitação em habilidades específicas. Nestes mesmos países, a educação a distância objetivou e tem objetivado a complementação de estudos, configurando-se como uma alternativa educacional dirigida a concluintes da educação básica, tornando-a de certa forma, muito respeitável. (LITWIN, 2001).
Para citar, a “Open University”, criada em 1962 na Inglaterra objetivava promover a educação de adultos nos mais diferentes níveis, está entre as experiências que deram certo no que se refere à Educação a Distância. O seu modelo, hoje disseminado em diferentes países, tem possibilitado a criação das chamadas "Mega Universidades", que congregam mais de cem mil alunos em diferentes cursos, como é o caso da Universidade Indira Ghandi, na Índia (LITWIN, 2001 apud ERBS, 2004).

Em 2008, de acordo com Bernardo (2008) mais de 80 países, distribuídos por todo o planeta já utilizavam a Educação a Distância em todos os níveis de ensino, nos mais diversos tipos de programas alcançando milhões de alunos. A utilização da Educação a Distância se dá para os mais diversos fins, desde treinamento até aperfeiçoamento de professores que já estão a serviço.

Neste período, ainda de acordo com Bernardo (2008) programas não formais de Educação a Distância estavam sendo utilizados nas áreas de saúde, agricultura e previdência social, com o objetivo de atingir adultos. Também eram crescentes o número de empresas e organizações que já desenvolviam treinamentos de recursos humanos através desta modalidade.

Bernardo (2008) ressalta o exemplo da Universidade de Hagen, que tendo iniciado seus trabalhos em Educação a Distância através de material escrito em 1975, nesta década passou a iniciar programas com a utilização de material didático de áudio e vídeo, vídeo textos interativos e vídeo conferências.

De acordo com Erbs (2004, p. 6):
No Brasil, a primeira notícia que se tem do ensino a distância data de 1891 um curso de datilografia oferecido através de anúncio de jornal. Ao contrário dos países estrangeiros citados, o Brasil quando institucionalizou a educação a distância no âmbito de seus sistemas estaduais de ensino, na década de setenta, criando uma nova alternativa de concretização da educação básica através dos Centros de Ensino Supletivo (CES), dimensionou-a como modalidade educativa de "segunda categoria", dirigida às classes mais pobres, excluídas do acesso ou do direito de concluir os estudos básicos. Com esta "herança"- imagem de uma educação para o pobre e instrumento de dominação- a educação a distância aqui encontra dificuldades para se expandir.
De acordo com Bernardo (2008) com a fundação do Instituto Rádio Monitor, em 1939 e depois com o Instituto Universal Brasileiro em 1941, outras experiências foram iniciadas e levadas a diante com relativo sucesso, mas, os resultados obtidos no passado não tiveram força para serem aceitas pelos governos e pela sociedade e nem de fazer ser aceita a Educação a Distância no Brasil. Mesmo assim, essas poucas experiências foram suficientes para a geração de leis e o estabelecimento de normas que regulassem a Educação a Distância no Brasil.

Também a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/96) não pôde deixar de incluir em seu escopo um artigo (nº 80) voltado para a Educação a Distância, haja vista as demandas educacionais do país serão de ordem muito vultuosas.

Em relação ao uso das novas tecnologias, a Educação a Distância no Brasil passou e passa por um processo de indecisões políticas, por tratar-se de uma área muito grande e sem nexo e por haver poucas experiências relacionadas a um setor de muitas mudanças (CASTRO, 1996 apud ERBS, 2004).

Para Erbs (2004), A Educação a Distância se firma num novo cenário onde há a incorporação da separação física entre seus atores e há ênfase na interação como processo pedagógico, demonstrando a grande necessidade de uma reestruturação das instituições de ensino superior no que se refere a implantação de cursos nesta modalidade.

Em se tratando do uso de novas tecnologias, a Educação a Distância passou por várias fases, sendo que a Primeira Geração caracterização pela educação por correspondência, indo até meados da década de 1970; a Segunda geração, marcada pelo uso de áudio e vídeo e que teve início na década de 1970; a Terceira Geração, que caracterizava-se pelo uso de áudio e vídeo com amparo da tutoria com início em meados da década de 1980 e; a Quarta geração com a mediação de computadores a partir de meados de 1990 (ERBS, 2004)

A utilização da correspondência através dos correios para utilização de textos, o uso de fitas cassetes, de vídeos e da televisão são ferramentas utilizadas na Educação a Distância desde o início de sua história e que hoje estão incorporadas na informática. A informática, no entanto, traz consigo a possibilidade de interação em tempo real e a possibilidade de haver um processo de cooperação na aprendizagem entre os atores da Educação a Distância.



Gomes (2009) apresenta um quadro que retrata as gerações da Educação a Distância e aponta a Quinta Geração que não foi apresentada por Erbs (2004), apresentando ainda, os objetivos e métodos pedagógicos para cada geração, além de descrever as formas de comunicação, a questão da tutoria e da interatividade.


Gerações de Ead




Tecnologia e Mídia utilizada

Objetivos

Métodos

Forma de comunicação

Tutoria

Interatividade

1ª geração - 1880

Imprensa e correios

Atingir alunos desfavorecidos socialmente, principalmente mulheres.

Guias de estudos, auto-avaliação, material entregue nas residências.

Correios e correspondência

Instrução por correspondência.

Aluno/material didático escrito.

2ª geração - 1921

Difusão de rádio e TV

Apresentação de informações aos alunos, a distância.

Programas tele transmitidos e pacotes didáticos (todo material referente ao curso é entregue ao aluno pelos correios ou pessoalmente).

Rádio, TV e outros recursos didáticos como: caderno didático, apostilas, fita k-7.

Atendimentos esporádicos, dependendo de contatos telefônicos, quando possível.

Pouca ou nenhuma interação professor/aluno.

3ª geração - 1970

Universidades Abertas

Oferecer ensino de qualidade a custos reduzidos para alunos não universitários.

Orientação face a face, quando ocorrem encontros presenciais.

Integração áudio, vídeo e correspondência.

Suporte e orientação ao aluno. Discussão em grupos de estudo local e uso de laboratórios da universidade nas férias.

Guia de estudo impresso, orientação por correspondência, transmissão por rádio e TV, áudio teipes gravados, conferências por telefone, kits para experiências em casa e biblioteca local.

4ª geração - 1980

Teleconferências por áudio, vídeo ou computador.

Direcionado a pessoas que aprendem sozinhas, geralmente estudando em casa.

Interação em tempo real de aluno com alunos e instrutores a distância.

Recepção de lições veiculadas rádio ou televisão e áudio conferências

Atendimento sincrônico e assincrônico, dependendo de contatos eletrônicos.

Comunicação sincrônica e assincrônica com o tutor, professor e colegas.

5ª geração - 2000

Aulas virtuais baseadas no computador e na internet.

Alunos planejam, organizam e implementam seus estudos por si mesmos.

Métodos construtivistas de aprendizagem a distância.

Sincrônica e assincrônica.

Atendimento regular por um tutor, em determinado local e horário.

Interação em tempo real ou não, com o professor do curso e com os colegas.

Fonte: GOMES (2009, p. 31).

No caso do uso da correspondência, esta teve uma forte aceitação, principalmente por se tratar de um recuso alternativo para viabilizar o treinamento das tropas em serviço pela Marinha e pelo Exército. O uso da correspondência consagrou-se também experiência hoje valorizada do antigo Instituto Universal Brasileiro que, a partir de 1941 passou a oferecer cursos profissionalizantes por correspondência (FERNANDES, 2003).

A experiência da radiodifusão demonstrou-se tão marcante que favoreceu a criação, em 1961 do Movimento de Educação de Base pela Igreja católica que objetivava o desenvolvimento do Ensino Fundamental para adultos (Angelim, 2001).

Na segunda geração, o uso da TV e do vídeo-cassete, representou uma revolução em termos de possibilidades técnicas de aprendizagem uma vez que se transmitia som e imagem em tempo real ou não e davam a possibilidade de se fazer gravações para posteriores exibições, em qualquer lugar e a qualquer hora, tornando a educação sem distâncias.

Com a disseminação do uso do computador e de suas múltiplas funcionalidades nas décadas de 80 e 90 como suporte educacional produziu uma geração muito especial de teoria e teóricos, como Lévy (ano) com os conceitos de coletivos inteligentes e de ciberespaço.

Na quarta geração dá-se o surgimento das novíssimas tecnologias representadas pelas redes sem-fio e pela disseminação da tecnologia digital que permite maior interatividade, anunciando de modo utópico o surgimento de sala inteiramente interativa e um processo completamente centrado no aluno.

Na quinta geração com o surgimento dos primeiros sistemas de computação surge a idéia de instrução por rede eletrônica e algumas universidades começam utilizar programas em seus cursos com embasamento na web.
Do mesmo modo que cada geração anterior de tecnologia, isto é, cursos por correspondência, transmissão por rádio e televisão, vídeo interativo e áudio conferência, produziu sua modalidade específica de organização de aprendizagem a distância, a disseminação da tecnologia da internet estimulou novas ideias a respeito de como organizar o ensino a distância. (MOORE E KEARSLEY, 2008, p. 47)
Apresentadas estas questões, observa-se que o foco deste trabalho é a análise da qualidade do ensino a distância vista através da relação professor/ tutor/ aluno, a ser discutida no item a seguir.

2


.2 A RELAÇÃO TUTOR/ALUNO/PROFESSORA NA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Pode-se, atualmente, afirmar que Educação a Distância é uma forma de ensino que possibilita a auto-aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação, conforme dispõe o Decreto 2.494, de 10.02.1998.

Como se observa, a legislação brasileira definiu “educação a distância” para designar a forma de ensino em que professor e estudante não precisam estar no mesmo lugar e ao mesmo tempo para que a aprendizagem ocorra. Armengol (1982, p. 56) observa que :

 

O termo educação a distância cobre um amplo espectro de diversas formas de estudo e estratégias educativas, que têm em comum o fato de não se realizarem mediante a tradicional contigüidade física de professores e alunos em locais especiais para fins educativos; esta nova forma educativa inclui todos os métodos de ensino em que, devido à separação existente entre estudantes e professores, as fases interativa e pré-ativa são conduzidas mediante a palavra impressa e/ou elementos mecânicos e eletrônicos.



 

É de consenso que o acentuado enfoque na ausência do professor se deve, provavelmente, ao caráter inovador da educação a distância e à sua prática ainda recente em relação à educação presencial.

Segundo Neder (1999), os avanços da modernidade precisam ser questionados e este mesmo questionamento deve ser realizado através da própria educação.

Percebe-se que a Educação a Distância possibilita a formação de indivíduos que estão excluídos do sistema escolar por alguma forma, capacitando-os a enfrentar a luta pelo acesso a bens e serviços e dando-lhes a chance de escalar um outro degrau da educação, capacitando-o também, a viver num mundo onde o processo de competitividade acelera cada vez mais o distanciamento aos avanços tecnológicos próprios do atual mercado de trabalho. No entanto, ainda que a educação por si só não tenha o poder de assegurar toda a justiça social, entende-se que esta é imprescindível na luta por uma sociedade mais igualitária e integrada e integradora.

Nesse ponto a Educação a Distância funciona, uma vez que, não tendo certas exigências muito freqüentes como na educação presencial, dá chance ao educando de obter um pouco mais de igualdade perante os outros, via educação, pois poderá determinar o próprio tempo e espaço que respeite a sua posição de engajamento no mercado de trabalho. Isto tudo por que a ele é dada a liberdade para melhor adaptar seus estudos com autoconfiança e respeito por si próprio, coisa que lhe foi negada por tantas vezes quando dele foi tirada a chance de freqüentar a educação presencial, transformando-o em mais um elemento do enorme contingente dos discriminados sociais e culturais da sociedade atual.

Gutierrez e Prieto (1994, p. 58), defendem a oferta de programas e cursos de educação a distância, mas chamam atenção para o seguinte ponto:


No que se refere aos sistemas de ensino à distância tradicionais, partimos da evidência comprovada de que estão longe de ser prazerosos e lúdicos; antes, pelo contrário, por sua própria estrutura organizativa, pede-se dos estudantes muita força de vontade, sacrifício, disponibilidade e hábitos de estudo. Para que funcione tal qual está estruturado, o ensino à distância apela e tem de contar com a responsabilidade, e a capacidade de autonomia e autocontrole, a liberdade, a independência e o desejo de se comprometer do estudante.
Essa preocupação deve ser vista tanto na preparação, no planejamento, quanto na execução de cursos a distância, evitando-se de acordo com os autores, a mecanização das informações pelos estudantes e abrindo caminhos para uma aprendizagem verdadeiramente autônoma e criativa, que seja fundamental para o exercício plena da cidadania participativa.

A Educação a Distância tem sido objeto de tantas experiências e enfoques distintos que se torna difícil estabelecer uma definição consensual e definitiva para o termo. O que se pode afirmar com certeza é que os materiais impressos, utilizados freqüentemente na Educação a Distância têm, historicamente, uma íntima associação com a mesma - de início como única mídia disponível e, com a evolução técnica, consorciados a outras mídias, e pode ser entendido como um sistema dinâmico e eficiente, usado amplamente para atender às novas exigências de qualificação profissional, uma vez que os indivíduos e suas organizações já estão sempre atualizando informações, pesquisando, gerando novos conhecimentos, produzindo novos produtos e serviços. A Educação a Distância responde muito bem a estas exigências ao conseguir fazer a conjugação de uma multiplicidade de recursos pedagógicos e tecnológicos, facilitando e flexibilizando o acesso, sem rigidez de horário e local, para construção do conhecimento pelo aluno.

A Educação a Distância pode também ser entendida como um método alternativo de educação, assim caracterizado por Yalli (1984), como sendo viável em razão de que, as escolas tradicionais não atendem de forma efetiva a crescente demanda social para o trabalho; o trabalhador, em geral, está sujeito a um regime de trabalho que o impede de freqüentar uma escola formal; a necessidade de qualificar pessoas para o trabalho; em regiões geográficas dispersas; e o trabalhador nem sempre pode ser afastado do local de serviço, no horário de expediente.

Atualmente, observa-se uma constante renovação ou reconstrução dos saberes. A todo momento estes se superam e se reconstroem, não sendo mais aceitável conceber a educação como um mero repasse de conhecimento. Essa idéia deve ser ultrapassada a todo custo, pois a educação não se dá por um único meio ou modalidade.

Segundo Neder (1999) é necessário haver uma reestruturação da educação em virtude de todas as transformações pelas quais passa o mundo hoje e que exigem um novo papel do professor, uma nova formação para esse professor e uma nova visão sobre a educação.

De acordo com Rodriguez (1997) os professores assumem papéis importantes na organização do trabalho pedagógico, tornando-se necessário fazer sempre uma revisão no que se refere às dimensões educativa, tecnológica e comunicativa da Educação a Distância.

Segundo o autor, as multimídias são expressões do impacto que estas causam na sociedade contemporânea, além de permitir o armazenamento de uma enorme gama de informações por meio de novas linguagens da qual esta se utilizam. Desta forma, as multimídias não trazem transformações ao trabalho docente, elas apenas são importantes ferramentas para que este se desenvolva melhor.

Na Educação a Distância, a comunicação deve ser interativa e bidirecional, devendo ter a mediação situada pela ação tutorial onde há um constante acompanhamento pedagógico e uma avaliação sistemática da aprendizagem. Nestes casos, os projetos de Educação a Distância devem propor e desenvolver bases metodológicas consistentes no qual a educação deve ser concebida como uma ação consciente e co-participativa que possibilite ao aluno a construção de um projeto de educação inovador e competente. Percebe-se assim que, a ação do tutor objetiva propiciar ao estudante da Educação a Distância um ambiente de aprendizagem capaz de satisfazer suas necessidades educativas exigidas para o momento atual, como será observado no item a seguir.


2.2.1 O Tutor
Como já salientado, o tutor deve propiciar ao aluno formas capazes de lhe ajudar no processo aprendizagem. O professor tutor torna-se então, aquele que deve fazer a mediação no processo ensino aprendizagem, atuando um intérprete do curso junto ao aluno, buscando esclarecimento para as dúvidas que surgem e estimulando-o a prosseguir no caminho. Além disso, o tutor deve ser um participante ativo no processo de avaliação da aprendizagem do aluno da Educação a Distância.

De acordo com Preti (1996) quando o tutor respeita a autonomia da aprendizagem de seus alunos, busca constantemente orientar, dirigir e supervisionar todo o processo de ensino aprendizagem. Segundo o autor, “é por intermédio dele,, também, que se garantirá a efetivação do curso em todos os níveis” (PRETI, 1996, p. 27).

Entende-se assim que o objetivo da tutoria é dar orientação acadêmica, acompanhamento pedagógico e avaliar a aprendizagem dos alunos da Educação a Distância. Neste caso, o tutor deve possuir capacidades, habilidades e competências inerentes à função tutorial, além de assegurar um clima de motivação favorável à aprendizagem e expressar sempre uma atitude de receptividade para com os alunos.

Aretio (1996), citando Ibanez (1996) afirma ser importante o tipo de relação pessoal estabelecida entre os tutores, os alunos e demais profissionais envolvidos no processo de Educação a Distância. Do tutor exige-se muitas qualidades como, maturidade emocional, capacidade de liderança e empática, bom nível cultural, cordialidade, além de ser um bom ouvinte,

A relação tutor-aluno pode ser mediatizada pelas mais diversas modalidades de comunicação. A educação e formação de adultos são, portanto, uma atividade específica, comprometida com a realização do sujeito em todas as perspectivas de vida: humana, social, política, laboral, tecnológica, sob uma visão axiológica, ética e crítica da sociedade.

No contexto virtual de aprendizagem o tutor ganha importância, na medida em procura assegurar as comunicações bidirecionais entre tutor-estudante, aluno-professor e meio do conhecimento, além de assegurar condições essenciais para que ocorra a construção do conhecimento, sendo necessário que este acompanhe o desenvolvimento do aluno e atue com grande habilidade e agilidade nas respostas e retornos dados na relação mantida entre eles.

De acordo com Carvalho (2007) ao tutor cabe atender o aluno diretamente no pólo, dando orientações na execução de suas atividades, auxiliando o aluno ao organizar seu tempo e seus estudos. O tutor também tem como uma de suas atribuições, tirar as dúvidas dos seus alunos conforme se dá a apresentação dos conteúdos por ser a pessoa mais próxima dos alunos e por, nessa interação, o relacionamento entre ambos ser sempre estruturado com um grau considerável de afetividade.

De acordo com Moreira (2010, p. 35) há tutores que não exercem a função docente e são importantes coadjuvantes do professor de Educação a Distância, uma vez que contribuem para o aumento das possibilidades de sucesso do aluno no processo de ensino-aprendizagem, devendo este:


• Ser referência de apoio ao estudante, procurando, de acordo com os conhecimentos que irá obter antes e durante o curso sobre o aluno, ser capaz de elaborar estratégias e instrumentos com o objetivo de ampliar as chances de aprendizagem.

• Mediar relações entre a coordenação e os professores.

• Mediante interação com os estudantes, fazer com que estes desenvolvam atitudes favoráveis à construção do conhecimento. Nesse processo, a motivação do aluno deve ganhar grande enfoque.

• Procurar estabelecer um clima de confiança entre os integrantes do curso de forma a alcançar os objetivos propostos pelo curso.

• Orientar e resolver dúvidas dos estudantes em todo seu percurso, do início ao fim do curso. (MOREIRA, 2010, p. 35)
De acordo ainda com Moreira (2010) há tutores que também exercem a função docente, devendo este possuir um perfil de atuação não muito diferente do professor do ensino presencial. A este exige-se o "conhecimento do conteúdo, formação pedagógica relativa ao manejo e organização de classes, conhecimento curricular, visão crítica dos conceitos educacionais, suas raízes históricas e filosóficas” (MOREIRA, 2005, p. 7).

Esse tipo de atividade acontece quando há um número excessivo de alunos; falta de disponibilidade de tempo do professor para interagir com os alunos da forma desejável; ou por simples opção do professor em delegar tais funções ao tutor. Entretanto, cabe ainda ao professor o papel de produtor do material didático usado no curso e de orientador e supervisor do trabalho educativo desenvolvido. (MOREIRA, 2010).

A autora destaca alguns pressupostos norteadores do trabalho dos tutores-professores como:
• Os conhecimentos são resultantes de uma construção, com uma dimensão histórica. Essa dimensão deve ser considerada tanto na construção de novos conhecimentos como na transmissão de conhecimentos já instaurados. Levando isso em consideração, é importante compreender que os conhecimentos não são verdades inquestionáveis.

• O aluno deve possuir papel ativo nas situações de ensino-aprendizagem com a intencionalidade de que a aprendizagem seja melhor construída e internalizada, sempre levando em conta suas individualidades culturais e sociais, interesses e disponibilidade para interação com os outros atores do curso.

• Deve-se propiciar o envolvimento afetivo do aluno com seus colegas nas relações de ensino-aprendizagem, desenvolvendo atividades em grupos.

• Objetivando o desenvolvimento da autonomia do aluno, o tutor deve fazer uso de atividades cooperativas, como promover a participação em grupos de discussão e participação em redes interativas.

• Deve-se fomentar a discussão de questões e problemas e encorajar a descoberta de soluções através da mediação do professor de forma significativa.

• Com o advento da internet e de outras tecnologias digitais que possibilitam uma grande variedade de interações, o tutor redefine o seu papel, sendo facilitador, instigador e, muitas vezes, colega e colaborador.

• É preciso valorizar a diversidade cultural que existe em um curso a distância.

• Deve-se constantemente buscar programas (softwares) educativos que atendam às avançadas demandas de propostas em EAD, reforçando sua qualidade e sua proposta de democratização. (MOREIRA, 2010, p. 37-38).


Nota-se que, na Educação a Distância, é essencial para o processo de construção do conhecimento por parte do aluno que o tutor considere os conhecimentos prévios do mesmo, para poder definir os conteúdos e estratégias para o processo de ensino-aprendizagem.

Para que todos estes pressupostos citados, tantos para os tutores que exercem a função de professor quanto para os que não exercem essa função, sejam efetivados e realizados na Educação a Distância, já se observa a preocupação de muitas instituições de ensino superior na melhoria da qualidade da formação de seus tutores. Além disso, há por conta dessas mesmas instituições a preocupação com a ausência de vínculo entre os tutores e a instituição, a formação em ambientes tradicionais e a existência de vínculos afetivos que podem comprometer a integridade do processo avaliativo na Educação a Distância, além de outros fatores, conforme destaca Carvalho (2007).


2.2.2 O Professor
Um formato característico dos cursos de Educação a Distância é a presença constante da figura da equipe multidisciplinar e dos professores que, dentro do processo de ensino-aprendizagem, assumem diferentes papéis, que vão desde a gestão administrativa dos projetos até a atuação como professor virtual, através de teleconferências (CARVALHO, 2007).

Segundo esta mesma autora, os professores da Educação a Distância produzem as propostas de cursos, dão aconselhamento e acompanham os alunos, tornando-se seus parceiros quando, em conjunto com os especialistas em tecnologia, produzem oportunidades inovadoras de aprendizagem. Mesmo porque, é visível a não existência de um número suficiente de professores que demonstram desenvoltura no uso das Tecnologias de Informação e Comunicação, conhecidas por TICs.

É notório que a tecnologia da informação derruba as distâncias, as barreiras e as fronteiras para que o acesso à informação e à cultura, pois, muitos recursos técnicos desta estão bem acessíveis a todos e vem possibilitando o crescimento da Educação a Distância.

A tecnologia da informação tem se convertido em meio de propiciar igualdade de acesso ao conhecimento e democratização da educação e, é característica da Educação a Distância apoiar o aluno, motivando-o a permanecer no processo, facilitando sua estadia e avaliando continuamente sua aprendizagem.

Na educação presencial existe uma forte relação de responsabilidade entre professor e aluno, e na Educação a Distância, esta relação acontece entre a instituição e o aluno. Mesmo assim, somente usando as tecnologias de informação não se pode garantir o sucesso da Educação a Distância, havendo a necessidade de encontros e momentos presenciais para isto.

O que deve estar bem claro na Educação a Distância é que a incorporação das Tecnologias da Informação e da Comunicação não deve ser caracterizada como “uma nova roupagem para o velho determinismo técnico com a valorização da técnica em si e, conseqüentemente, com a ênfase posta no treinamento para a sua utilização correta” (BARRETO, 2003, p.21).

Esclarece-se que o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação na educação não acontece para a educação ser colocada como aquela que segue modismos ou para atualizá-la em relação às inovações tecnológicas. Esta forma de pensar o uso das tecnologias de informação na educação leva a uma utilização “burra”1 do potencial desta, além de causar grande ônus ao projeto e trazer poucos benefícios aos maiores interessados – os alunos.

Na Educação a Distância, o professor de uma determinada disciplina não precisa ser um especialista em tecnologia para operacionalizar propostas inovadoras, mas, precisa, necessariamente, ser um verdadeiro usuário das tecnologias para ser capaz de levantar propostas de interação entre seu conteúdo e outras mídias.

Para Carvalho (2007) o professor, além de acompanhar e operacionalizar a a formatação de sua disciplina durante o período em que ela está acontecendo, sendo ou não o autor do material utilizado pelo aluno, deve ser o responsável pela elaboração das provas e das atividades e deve orientar os tutores nos objetivos e quando do surgimento de entraves do conteúdo.

De acordo com a autora, a realização dos contatos do professor/aluno se dá através dos chats e dos encontros presenciais agendados para a disciplina, variando de instituição para instituição. Mesmo assim, a preocupação desse professor assenta-se na superação das dificuldades dos alunos, por meio de alternativas que objetivam facilitar o processo de aprendizagem. Seu papel então, caracteriza-se como ponte entre a aprendizagem realizada de modo presencial no contato que o aluno tem com o tutor e na aprendizagem realizada com a utilização de vídeos, ambiente virtual, CD-Rom, material impresso, etc.(CARVALHO, 2007).

Esses professores, em sua maioria, são advindos do ensino presencial das universidades, não apresentando experiência com a Educação a Distância, deverão através de cursos específicos, compreender o perfil dos alunos da Educação a Distância, desenvolver habilidades com as ferramentas tecnológicas, além de compreender a melhor forma, encontrar o melhor caminho para promover a aprendizagem de seus alunos (CARAVALHO, 2007).
Nessa perspectiva não resta apenas ao sujeito adquirir conhecimentos operacionais para poder desfrutar das possibilidades interativas com as novas tecnologias. O impacto das novas tecnologias reflete-se de maneira ampliada sobre a própria natureza do que é ciência, do que é conhecimento. Exige uma reflexão profunda sobre as concepções do que é o saber e sobre as formas de ensinar e aprender (KENSKI, 2003, p.75 apud CARVALHO, 2007). 
Para LIBÂNEO (1998, p.81) “a condução do processo de ensino requer uma compreensão clara e segura do processo de aprendizagem: em que consiste, como as pessoas aprendem, quais as condições externas e internas que o influenciam”. Torna-se necessário que todos os elementos envolvidos no processo de construção de curso de Educação a Distância estejam prontos para mudanças de atitudes, principalmente o professor que interage diretamente com o aluno.
2.2.3 A Relação com o aluno
Na Educação a Distância o aluno deve estar sempre voltado para o ato de aprender e de estudar, uma vez que este deverá estipular seus horários de estudos bem como os métodos do qual lançará mão para estudar. Compreende-se então que, seu tipo de estudo caracteriza-se como leitura e entendimento de materiais (impressos ou postados na internet), como produção de tarefas e compreensão dos conteúdos que lhes são apresentados (SCHLOSSER, 2010).

O aluno da Educação a Distância busca e necessidade de uma flexibilidade em horários para poder realizar a conciliação entre os estudos e seus afazeres comuns. Assim, ele acredita que realizando um curso de Educação a Distância torna-se mais fácil, pois, seu maior problema com o ensino tradicional foi sempre a aprendizagem por processos mecânicos de memorização, onde a ênfase era dada à repetição e à padronização (CARVALHO, 2007).

Dentro deste contexto, desse aluno não era exigido nem incentivado a construção do conhecimento crítico. Na Educação a Distância, este aluno se depara com a autonomia para desenvolver seus estudos, tendo que gerenciar o tempo que destina à realização das atividades propostas, bem como o relacionamento com os tutores e professores desta modalidade. Por estar de frente com esta dualidade, o aluno se sente confuso e apresenta muitas dificuldades de adaptação no início do percurso (CARVALHO, 2007).

De acordo com Schlosser (2010) o ato de aprender na modalidade a distância nem sempre é auto dirigido, este processo nem sempre está livre de interferências, uma vez que, um estudante adulto pode muito bem dar conta de suas responsabilidades profissionais e pessoais, no entanto, quando volta a ser estudante tudo pode parecer como no ensino tradicional e o aluno muitas vezes não tem condições de enfrentar certas dificuldades totalmente sozinho.

Para Schlosser (2010), o interesse desse aluno pelos estudos e pelo conhecimento, além do desejo próprio de aprender, centra-se muito mais na necessidade profissional. Mesmo assim, tudo o que este aluno já tem de conhecimento e de vivência como estudante, não desobriga a presença do professor. Este aluno sempre necessitará de alguém que o estimule a prosseguir, que o motive a estudar sozinho e que o oriente a encontrar os melhores caminhos para estudar.

Para Neder (2000 apud FLORIANO et. al, p. 257, 2005) é preciso acompanhar o percurso do estudante e isto significa que o tutor deve saber como ele estuda, que dificuldades apresenta, quando busca orientação, se há relacionamentos com os colegas para estudar, se consulta bibliografias de apoio, se realiza as tarefas e exercícios propostos e se é capaz de relacionar teoria e prática.

Floriano (2002 apud FLORIANO et. al., 2005) afirma que para acompanhar os “estudantes com eficiência e eficácia, deve-se levar e conta uma proposta clara do que se quer que o estudante aprenda; quais as competências a serem desenvolvidas por este; o que ele já sabe sobre o assunto a ser tratado; e, quais são as principais necessidades e dificuldades”. Para tanto, faz-se necessário um acompanhamento permanente, sistemático e com estímulo ao diálogo e a interação entre todos os atores.
Portanto, é necessário que a instituição estruture uma equipe de profissionais responsáveis pelo acompanhamento indireto. Serão aqueles que estarão trabalhando nos “bastidores” desde o planejamento do curso para uma determinada clientela, passando pela elaboração de todos os materiais didático-pedagógicos, pelo planejamento das aulas, pelo constante processo avaliativo e pela proposta de novas ações, a partir dos feedbacks constantes, analisados por meio do acompanhamento. E os responsáveis pelo acompanhamento direto, são aqueles que acompanham os estudantes desde início do curso até a conclusão. Estes atores podem ser representados por professores da própria disciplina, tutores e monitores, que deverão estar constantemente propondo melhorias no processo. A escolha destes agentes dependerá das especificidades do curso e do desenho educacional do mesmo. Sendo assim, pode haver tutores e monitores ou professores e monitores (FLORIANO et. al., 2005, p. 257).
De acordo com Carvalho (2007) a tecnologia que supostamente torna-se uma ferramenta poderosa no desenvolvimento da aprendizagem de alguns alunos, torna-se um pesadelo outros que descobrem que interagir com o ambiente virtual não é tão prazeroso como parecia a princípio.

Para a autora, este tipo de angústia é normal e provocada pelos mecanismos internos de adaptação, mas poderia ser minimizada com a realização de transição do aluno para um processo de aprendizagem novo se a este forem disponibilizados elementos que levem a uma sistematização do conhecimento e gerenciamento da aprendizagem por parte do aluno.

Mesmo assim, percebe-se grande dificuldade de adaptação à modalidade, independentemente da mídia escolhida para a realização dos estudos, seja lançando mão de um livro impresso comum ou uma plataforma de interação e aprendizagem. 

Ouve-se com certa freqüência que o aluno da Educação a Distância aprende sozinho, pois este vai conduzindo de forma autônoma seu próprio sistema de aquisição do conhecimento. Isto não pode ser considerado como verdadeiro, uma vez que há sempre a figura do professor ou do tutor dando assessoria a este aluno, um papel quase tão importante quanto o do professor do ensino presencial regular.

Isto demonstra que mesmo o aluno da Educação a Distância necessita do contato com professores de diferentes em cada disciplina (autor/formador, tutor, especialista em Educação a Distância), que lhes darão orientações, e, neste caso, por meio de diferentes mídias que objetiva a facilitação da sua aprendizagem (CARVALHO, 2007).
2.3 O PROCESSO DE INTERAÇÃO ALUNO/ TUTOR/ PROFESSOR E O SUCESSO DA EAD
No processo de interação aluno/tutor/professor, a tutoria deve ser compreendida como uma ação orientadora global, ou seja, como um conjunto de ações educativas voltadas ao desenvolvimento e a potencialização das capacidades básicas dos alunos, dando-lhes orientação para o crescimento intelectual e autônomo, e ajudando-os a tomar decisões em vista de seus como aluno.

Conforme Cortelazzo e Romanowski (2007, p. 17):


[...] considera-se que a diferença básica entre educação presencial e a distância está no fato de que, nesta, o aluno constrói o conhecimento - ou seja, aprende - e desenvolve competências, habilidades, atitudes e hábitos relativos ao estudo, à profissão e à sua própria vida, no tempo e local que lhe são adequados, não com a ajuda em tempo integral da aula e do professor, mas com a mediação de professores (orientadores ou tutores), atuando ora a distância, ora em presença física ou virtual, e com o apoio de sistemas de gestão e operacionalização específicos, bem como de materiais didáticos intencionalmente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados através dos diversos meios de comunicação.
Entende-se então, que a Educação a Distância de qualidade requer uma interação aluno-tutor contínua e estimulante.

Observa-se que a interação mediada entre alunos e tutor é um meio valioso para o suporte da aprendizagem e para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, uma vez que, na Educação a Distância, o aluno deverá sempre ser estimulado a demonstrar habilidade de trabalhar sozinho e em grupos, presenciais ou virtuais, e saber buscar apoio quando necessário.

Nesta relação, ao tutor cabe acompanhar as atividades discentes, motivar a aprendizagem, orientar e proporcionar ao aluno as condições de aprendizagem autônoma. É ele que deve estar atento para identificar os problemas relacionados à aprendizagem dos alunos; deve relembrar sempre os objetivos de aprendizagem a serem alcançados, bem como as etapas e o calendário e a serem cumpridos; deve utilizar os diferentes meios de comunicação como livros impressos, áudio, vídeo, informática, entre outros; deve organizar alternativas diferenciadas de aprendizagem e estimular o aluno a analisar os problemas de forma crítica; deve incentivar e reconhecer as contribuições dos alunos e criar um ambiente de confiança e solidariedade, estimular o interesse pelas atividades; deve valorizar a experiência de cada um e mediar os conflitos e solucionar os problemas relacionados à gestão educacional fornecendo  feedback  e, assim, cumprir com os prazos definidos pelos diversos atores do processo de Educação a Distância.

“O tutor deve ter bem claro para si e para os alunos de que tem sim a consciência de que não é ele o detentor exclusivo do conhecimento, mas que é, antes de tudo, uma ponte para a fluência dos saberes em construção” (GONZALEZ, 2005, p.85), para que o aluno tenha sucesso ao desenvolver disciplina nos estudos, isto é, ter uma rotina de estudos pré-estabelecida e buscar apoio e orientação com os tutores, pois uma relação pedagógica conclama a uma construção cotidiana.

Nesta modalidade, de acordo com Sá (1998), o tutor passou a ser visto como um orientador da aprendizagem do aluno solitário e isolado que, freqüentemente, necessita do docente ou de um orientador para indicar o que mais lhe convém em cada circunstância.

Percebe-se que para o sucesso do estudo na modalidade Educação a Distância deve-se haver a interação de alguns fatores, como: uma relação tutor/aluno motivadora que deixará mais fácil para o tutor empreender ações de apoio, reforço e orientações, adequadas e oportunas e fará com que o aluno se sinta realizado nos estudos; uma motivação e autoconfiança no êxito dos estudos; o diálogo e pesquisa através de uma educação aberta e centrada no estudante autônomo.


3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do que foi exposto, pode-se perceber que a Educação a Distância é uma modalidade educativa que busca a democratização do saber, uma vez que amplia oportunidades de acesso ao conhecimento, procura levar a educação a todos os cantos do país mesmo que este apresente características socioeconômicas, políticas e geográficas distintas em cada um de seus estados.

Com relação a questão da interação entre tutor/ professor/ aluno, observa-se que a forma de pensar o papel do tutor propõe que esse profissional tenha por parte dos envolvidos no campo da Educação a Distância uma preparação mais significativa diante da importância de sua função e diante do que este terá de desempenhar.

Dentro do modelo de Educação a Distância no qual o tutor desempenha sua função deverá buscar construir um modelo tutorial que atenda às especificidades de seus alunos, visando à construção de um ambiente adequado de trabalho, para que sua ação educativa seja absorvida e bem aproveitada pelo aluno, trazendo novos sentidos e significados que contribuirão para o sucesso de sua vida acadêmica, profissional e pessoal.

Sabe-se que na modalidade a distância, o tutor cumpre um importante papel que dialoga entre o que o curso e o professor propõem e, como isso se procede na formação do aluno. Ressalta-se também que as conquistas e os resultados positivos e negativos do aluno advêm da participação ativa do tutor.

A forma como o tutor e o aluno se comunicam e interagem dependerá do esquema de aprendizado a ser usado, ou seja, da estratégia didática, da escolha dos métodos e meios instrucionais estruturados para produzir um aprendizado efetivo.

Percebe-se assim, a relevância que as relações interpessoais entre professores e alunos apresentam uma vez que são extremamente válidas e ricas, mesmo que não dependa somente delas o sucesso de uma carreira profissional, mas sim da construção de conceitos e conhecimentos advindos da vida acadêmica do próprio aluno.

Ressalta-se ainda que os processos de interação comunicativa entre tutor/professor/aluno no ensino a distância que privilegiam o diálogo, o respeito e a afetividade deixando em evidencia a importância das relações interpessoais que dinamizam e vitalizam os espaços comunicativos.

Ressalta-se que, nesta pesquisa, objetivou-se discutir a relação professor/ tutor/ alunos, destacar as qualidades do ensino na Educação a Distância, através de uma análise das oportunidades e vulnerabilidades do tripé vinculado ao ensino na Educação a Distância, quanto à relação professor, tutor e aluno, e observou-se que esta relação somente apresentará êxito se o projeto apresentado para o curso a distância destacar a importância das relações inter pessoais no processo ensino aprendizagem e das interações ocorridas nos espaços mididáticos.

Notou-se, no entanto, que a falta de motivação para o estudo solitário e de conhecimento no que se refere à utilização das mídias, constitui-se pontos vulneráveis para o desenvolvimento do curso, mas a questão da autonomia na escolha do tempo e espaço designado para o estudo se constitui em oportunidades para a escolha do curso a distância, e para facilitar o êxito da relação professor, tutor e aluno.

Vale ressaltar, que este estudo não se esgota aqui. Há ainda muito mais que se discutir e pesquisar no que se refere às oportunidades e vulnerabilidades do tripé vinculado ao ensino na Educação a Distância, quanto à relação professor, tutor e aluno. Recomenda-se a continuidade deste estudo, uma vez que, como a própria sociedade está em constante processo de mudança, a Educação a Distância e os relacionamentos existentes no interior desta, também estão.



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