Twkliek Vampire Romance Jenna Black



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Vampire Romance

Jenna Black





Jenna Black

Presas para Contratar

(Pertencente à coletânea de histórias: Vampire Romance)


Gemma Johanson é uma assassina por contrato e desta vez

seu trabalho é fazer desaparecer Ross Blackburn, a quem o enteado

acusa de ter assassinado sua mãe para ficar com sua herança.
Disp. em Esp: novelvampir

Envio do Arquivo: Gisa

Revisão Inicial: Luana

Revisão Final: Elinôr

Formatação: Greicy

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Comentário da Revisora Luana: Uma história curta, mas bem agradável e engraçada...
Comentário da Revisora Elinôr: História curtinha. A autora poderia ter feito um livro maior, tinha enredo para mais umas 50 ou 100 páginas. Vale a leitura.
Sim, o livro Mammoth de Vampire Romances é verdadeiramente enorme, contendo 25 histórias curtas e você vai reconhecer os nomes da maioria dos 23 autores. Ele reúne o maior numero de novos fenômenos paranormais, historia românticas jamais reunidas sob uma mesma coberta. A coleção se centra em um dos personagens originais e mais antigos do gênero paranormal - o vampiro - e inclui não só aos autores que construíram sua carreira escrevendo sobre chupasangues, mas sim também uma variedade de escritores que estão dentro do gênero paranormal, mas que escrevem pela primeira vez sobre vampiros. Isto significa que você encontrará diversão, grande variedade de histórias, todo tipo de vampiros inesperados, os mundos tradicionais de horror, o romance gótico e histórico, fantasia urbana contemporânea, a típica comédia e o material erótico, mas quente, e até a história romântica - onde o menino conhece a garota, histórias de amor de tentar e alcançar o verdadeiro amor (embora com uma mordida arrancada do coração e um copo cheio de sangue).

Também, alertamos para a existência de histórias autônomas que apresentam conexões com sagas existentes de um escritor particular, ou algum personagem intrigante que não obteve a oportunidade para mostrar seu potencial em um livro completo prévio, e cuja história pode ser contada aqui pela primeira vez.

Mas a verdadeira pergunta que se fará, uma e outra vez nestas pagina é a seguinte: Pode ser um vampiro tudo o que pintam? Claro que viver para sempre e nunca envelhecer, ter um magnetismo sexual além de todos os sonhos humanos, deve ser bom... mas vale a pena? Esta pergunta é como um eco através de muitas destas histórias. Assim que terá que ir a jugular (... e a carótida, a artéria femoral na coxa interna, a sola dos pés, a curva do cotovelo, o tornozelo...). Com este Mamute de vampiros para averiguá-lo.

Uma vez que estas histórias são realmente contos, os términos são um pouco abruptos.


PRESAS PARA CONTRATAR
Eu conheci meu cliente em um bar desagradável. Não porque eu gostasse desses lugares, mas sim porque é o que os clientes esperam quando contratam um mercenário, ou, no meu caso, uma mercenária.

Minhas narinas dilataram enquanto eu abria a porta e entrava. O lugar cheirava a cerveja rançosa, suor rançoso, o aroma rançoso dos cigarros e a uma vida rançosa. Apesar de que já era tarde da noite de sábado, melhor hora de um bar, o lugar estava virtualmente vazio. Como me foi dito pelo porteiro, lá dentro havia alguns motoqueiros se agarrando com suas garotas em cima da mesa de sinuca. No balcão do bar, havia dois homens que bem poderiam ter tido "perdedor” tatuado em suas testas. Os dois se viam muito bêbados.



Me lembre por que escolhi este lugar para um encontro? OH, sim! Pela atmosfera!

Pude cheirar meu cliente claramente em toda a habitação. Não porque cheirava mal, mas sim porque cheirava como se tivesse tomado vários banhos na última semana, que era mais do que se podia dizer dos outros finos clientes deste estabelecimento. Ser um vampiro tem suas vantagens, mas o sentido do olfato é algo do que eu me desfaria feliz.

Meu cliente ocupava um dos cubículos mais sujos do bar. Ele parecia muito mais jovem e muito mais suave do que eu esperava. Supus que teria 22 ou 23 anos e, embora tivesse se vestido um tanto despojado para encontrar-se comigo, sua calça jeans evidenciava que tinha sido envelhecida artificialmente e a camiseta branca ainda tinha as dobras de recém comprada. Eu apostaria que geralmente usava terno ou, no mínimo, roupas de marcas famosas. Seu aroma mudou quando me viu chegando: uma deliciosa mescla de medo e de almíscar, misturada com sua cara loção de barbear.

Sem dúvida, se ele soubesse que eu era uma vampira, ao invés de uma mercenária comum, ele teria saído gritando do bar. Eu, é obvio, tinha me vestido para a ocasião. Não havia razão para colocá-lo naquela atmosfera e então aparecer como alguém normal. Se eu não estivesse transmitindo essa sensação especial de vampiro de não-me-notem, para todo mundo menos para meu cliente, todos os homens do bar teriam ido atrás de mim, com a vã esperança de ter sorte.

Calça de couro, salto agulha e um decote bonito, surtem efeito todo o tempo. Meu cliente, ou na verdade deveria dizer, meu cliente em potencial, porque ele não tinha me contratado oficialmente, tragou saliva quando deslizei no cubículo em frente a ele. Eu não estava segura se ele sentia luxúria ou medo. Sorri agradavelmente e estendi minha mão através da mesa.

—Gemma Johanson, a seu serviço — eu disse, e como um bom menino ele me deu a mão. Eu poderia ter posto o estereotipado olhar de fria psicótica, mas pensei que o garoto já estava sacudido o suficiente. Não havia porque afugentar um cliente.

Ele esclareceu a garganta.

—Olá. Sou Jeffrey Reeves.

Eu arqueie uma sobrancelha.

—Eu percebi que era você.

Inclusive na escuridão do bar, eu pude ver como o rubor deslizava até o pescoço dele e como avermelhavam suas bochechas.

—Desculpe, eu nunca... uh… fiz isso antes.



Não me diga.

—Por que não me conta sobre o trabalho? — Apressei-o, porque se eu fosse esperar que ele encontrasse uma forma de começar o assunto, eu ficaria lá a noite toda.

Jeffrey lançou um olhar nervoso ao redor do bar, mas ninguém estava prestando atenção em nós. Ele inclinou-se sobre a mesa e sussurrou.

—Quero contratá-la para matar alguém.

Aparentemente, meu potencial cliente tinha um talento especial para afirmar o óbvio. Fiz um gesto de "continue falando". Ele lambeu os lábios, então respirou profundamente, o que pareceu acalmá-lo um pouco.

—É meu padrasto, —ele disse, enquanto seus lábios encresparam inconscientemente, acredito que com desgosto— Seu nome é Ross Blackburn, e ele é um assassino filho da puta, que merece morrer.

A linguagem corporal de Jeffrey mudou por completo, seu medo e a incerteza se esconderam debaixo da raiva que agora o enchia. Suas mãos estavam apertadas em punhos, tinha os ombros rígidos e pude ouvir o golpe furioso de seu coração. Tenho que admitir que era bem desconcertante. Ele se via tão suave e inofensivo, quando o vi pela primeira vez. Agora se parecia com alguém que realmente poderia fazer o trabalho por si mesmo.

—OK, — eu disse sem me importar se Ross Blackburn merecia morrer ou não. Eu ainda não havia sido contratada para matar alguém que não merecesse, de uma maneira ou outra. Eu deixei isso muito claro para Miles, meu chefe - ou meu cafetão, como ele rindo se chamava – que eu não mataria nenhuma pessoa inocente que só se encontrasse no lugar errado, no momento errado. Estou segura que ele atribui esses trabalhos a outras pessoas, mas enquanto eu não esteja segura disso, eu posso justificar deixá-lo viver.

Jeffrey pareceu surpreso por eu concordar facilmente.

—Você, ehh… não precisa saber nada mais? — A ira se dissipou tão rápido como havia chegado. Agora ele tinha esse olhar perdido e vagamente patético, que tinha colocado a primeira vez que o vi.

—Eu precisarei do endereço. E, é obvio, um depósito. Ele tragou saliva de novo.

—Sim. Claro que sim. —inclinou-se para frente enquanto tirava sua carteira do bolso de trás da calça— Quando você… o fará?

Eu estava segura de que Miles havia explicado meu “modo de operar” quando Jeffrey entrou em contato com ele. (Como esse moço conseguiu encontrar Miles em primeiro lugar, poderia ser uma história interessante, se eu fosse mais curiosa.) Mas como ele parecia muito nervoso e aturdido para recordar, respondi-lhe generosamente, de todos os modos. Ele deslizou um envelope fino sobre a mesa para mim.

—Dentro das próximas duas semanas ele vai desaparecer, nunca mais será visto.

Comprovei a quantia no cheque dentro do envelope, então olhei para cima e chamei a atenção de Jeffrey com um de meus olhares mais ameaçadores.

—Se quer matá-lo por uma herança, terá que esperar muito tempo antes que o declarem morto. Seu corpo nunca vai ser encontrado.

Ele estremeceu-se.

—Não me importa o dinheiro. Só o quero morto. — Havia um brilho de lágrimas nos olhos dele, embora nenhuma caísse.

Geralmente, eu não gosto de fazer perguntas à meus clientes. Eu confiava em Miles – mais ou menos – para não me atribuir vítimas inocentes, e hei, desde que eu tenho que comer de alguma maneira, eu poderia muito bem ser paga por isso. Mas talvez eu estivesse me abrandado com a idade. Não pude evitar me sentir um pouco curiosa, ao ver que este garoto não tinha nada parecido com meus clientes habituais.

—O que ele fez? — Eu perguntei. Acredito que Jeffrey se sentiu aliviado ao poder me dizer isso.

—Ele matou minha mãe. — A angústia em sua voz me disse que sua dor ainda era fresca e crua.

—Ele se casou com ela por seu dinheiro, porque sabia que ela já estava doente. Logo, como o câncer não a matou com suficiente rapidez, ele envenenou-a.

Está bem. Isto definitivamente não soava como meus casos habituais. Sei que eu disse que não me preocupava com os detalhes, mas não pude evitar perguntar um pouco mais.

—E disse isso à polícia?

Ele agitou a mão com desdém.

—Todo mundo diz que ela morreu de causas naturais, mas eu tenho melhor critério. Supunha-se que ela devia viver pelo menos dois anos mais, e então, seis meses depois de casar-se com este imbecil, ela está morta. E ele tem metade de seus bens.

Isso me soou meio suspeito, pelo menos vindo de um filho em luto. Coloquei o cheque em meu bolso, e me perguntei se ia terminar matando uma pessoa inocente depois de tudo. Mas então me lembrei. Eu tinha duas semanas para matá-lo, e tinha um (reconhecidamente) prazer quase felino de brincar com minha comida. Com uma pequena investigação, poderia me inteirar se realmente Ross matou sua velha esposa ou não. Se resultasse que não, então o Júnior aqui presente poderia ser meu sabor do mês. Eu não tinha o costume de matar meus clientes. Miles franziria o cenho sobre isso, mas eu poderia fazer uma exceção se resultasse que Jeffrey tinha me contratado sob falsas acusações. Não era como se a morte de Jeffrey me seria atribuída algum dia.

—Me dê duas semanas — eu disse me levantando para estreitar sua mão— depois disso, você não terá de preocupar-se com ele nunca mais.


Depois que Jeffrey foi embora, eu entrei novamente no bar e sentei no balcão, ao lado de um dos bêbados perdedores que havia notado mais cedo. Ele era uma triste espécie, eu nem sequer necessitei de meus poderes sobrenaturais de persuasão para envolvê-lo ao redor do meu pequeno dedo mindinho, mas não queria ficar junto deste tipo mais tempo que o necessário. No momento em que consegui chamar sua atenção – o que não foi fácil, já que sua tequila era muito mais interessante – eu o fascinei com meu olhar. Ninguém nos deu atenção quando o levei ao imundo banheiro unissex. Baseada no gosto dele, havia mais álcool que sangue correndo por suas veias, juro até que me senti um pouco bêbada depois de beber.

Não, eu não o matei. Apesar de que preciso me alimentar toda noite, só tenho que matar uma pessoa a cada poucas semanas, para recarregar minha bateria psíquica. Se eu não a recarregar, meu corpo pouco a pouco vai murchando e morrendo, e é aí que meu tipo de trabalho vem a calhar.

Depois que fui embora, eu tive uma curta, escura e desagradável sesta para descansar um pouco, então decidi fazer o primeiro passeio pela casa do meu alvo. Isso era bem depois da meia noite, então não esperava fazer nada mais que um passeio só para me familiarizar com o bairro, mas quando cheguei lá, pude ver luzes acesas em toda a casa.

Depois de estacionar meu carro (um Camry marrom intencionalmente indefinido) ao lado da estrada, tomei nota dos detalhes.

Era um bairro agradável, um exemplo típico dos ricos bairros suburbanos da América. Casas que eu estimava que tinham uns 4.000m2 cada lote, muitas delas ocultas da estrada por metros de um generoso jardim na frente. Ricos, mas não ultra-ricos, se sabe o que quero dizer. Eram casas, não mansões. Franzi o cenho um pouco e me perguntei se alguém que vive aqui realmente tinha dinheiro suficiente para tentar um homem a casar-se para então matá-la. Eu não teria pensado que sim, mas o dinheiro faz com que pessoas de todo o mundo atuem como idiotas.

Começou a chover, uma chuva de verão pesada que poderia durar cinco minutos ou cinco horas. Tomei uma decisão impulsiva de conhecer minha vítima esta mesma noite.

De jeito nenhum eu sairia do carro nessa chuva com minha calça de couro cara. Felizmente, eu tinha o costume de guardar uma bolsa com uma muda de roupa no assento traseiro. Vinha a calhar quando minhas refeições não eram... tão limpas como deveriam ser. A rua estava deserta, todo mundo com sentido comum dormia comodamente em suas camas, então não me preocupei em ser observada enquanto eu trocava minhas roupas por uma calça jeans e uma camiseta. A camiseta foi um presente irônico de Miles. Era branca, com a palavra MORDA-ME estampada em letras maiúsculas de cor preta no peito.

Abri a porta do carro e saí na chuva. Já estava encharcada antes de ter fechado a porta atrás de mim. Por sorte, era uma noite quente e confortável. Fui descendo a rua pelo caminho de acesso para a casa Blackburn, lançando olhadas para as janelas iluminadas enquanto me aproximava, mas não divisei minha presa. Eu ia ficar muito incomodada se tivesse me encharcado toda só para não encontrá-lo em casa depois de tudo. Toquei a campainha da porta, então aproveitei a varanda coberta para escorrer a água do meu cabelo. A luz da varanda piscou sobre mim, e me dei conta que minha camiseta branca se tornou transparente com a chuva. Meu sutiã garantia que meus bens não fossem claramente visíveis. Eu não sou o que se diz modesta, mas imaginei que seria melhor se me disfarçasse de uma donzela indefesa em perigo, assim cruzei os braços sobre os peitos quando senti passos aproximando-se. Inclusive encolhi os ombros um pouco, como se tivesse frio.

A porta abriu, e tive minha primeira visão de Ross Blackburn. Minha impressão imediata foi que ele era muito jovem para haver se casado com uma mulher de idade suficiente para ser mãe de Jeffrey. Não teria dado nem um dia mais que 30 anos. Minha segunda impressão foi…

Hubba Hubba! Se eu estivesse em busca de um brinquedo masculino, eu teria que limpar a baba do meu queixo. O olhar que ele me deu – um longo, lento olhar de cima a baixo, seguido por um cenho franzido e um farejar desdenhoso – sugeriu que ele não teve uma impressão similar a minha. Tirei meus braços, aparentemente para liberar minha mão para tirar o cabelo dos olhos. Tenho que admitir, entretanto, que me incomodei um pouco quando ele nem sequer olhou meus peitos.

—Sim? — Ele apressou, porque pelo que parecia, eu tinha estado de pé ali muito tempo.

—Meu carro quebrou — eu disse enquanto pestanejava - Posso usar seu telefone para chamar um guincho? — A paquera não pareceu dar melhor impressão que meus peitos. Devo estar perdendo meu toque.

—Não tem um telefone celular? — Blackburn perguntou com uma sobrancelha levantada.

Que imbecil! Aqui estava esta indefesa, encharcada, sexy mulher, de pé na porta dele, numa hora tardia e ele até agora não tinha mostrado inclinação a me convidar a entrar para me proteger do frio. Está bem, não fazia realmente frio, mas a intenção era fazer parecer.

—Deixei-o em casa — eu disse e deixei ele ouvir uma ponta de moléstia em minha voz - Olhe, a sua é a única casa com luzes acesas. Desculpe incomodar você, mas se você apenas me deixar fazer uma rápida ligação, vou estar fora daqui imediatamente.

Ele apertou os lábios com desgosto, mas se colocou a um lado e abriu a porta o suficientemente ampla para que eu entrasse, um convite falado teria sido muito mais agradável, mas me pareceu que eu não ia conseguir um. Apertei os dentes contra a resistência dolorosa ao cruzar a porta. O não verbal convite dele era suficiente para atravessá-la, mas não o suficiente para que fosse uma experiência agradável. Por sorte, eu era uma atriz boa o bastante para ocultar meu desconforto, ou ele estava tão zangado por minha intrusão não desejada, que parecia ser inconsciente do esforço que me levou entrar.

—Espere aqui, — ele ordenou-me, e eu quis bater nele. De onde ele tirou a ideia de que podia me dar ordens? Eu não era uma empregada! Pensei no querido Jeffrey e deixei um pequeno sorriso curvar meus lábios. De algum jeito, eu era uma empregada depois de tudo.

Blackburn não se foi por muito tempo. Antes que eu tivesse tido a chance de olhar ao redor, ele saiu do que presumi que fosse um armário, trazendo uma toalha nas mãos branca e fofa. Pela primeira vez, percebi que o piso da sala era feito de uma bela e brilhante madeira, e que eu estava molhando o pequeno tapete que dava para a porta. Peguei a toalha dele quase com gratidão. Supus que não podia culpá-lo por não querer que eu gotejasse por todo seu piso.

—Obrigado — eu disse enquanto começava a secar a água do meu cabelo.

—Sem telefone celular e sem guarda-chuva — ele refletiu— Parece que você estava despreparada para sua saída desta noite.

Eu o olhei por sob minha franja. Eu, sinceramente, não sabia se ele estava sendo um imbecil ou se isso se supunha que era uma brincadeira amistosa. Normalmente sou melhor que isso quando leio as pessoas.

—Eu tampouco trago um carro reserva, um secador de cabelo ou camisinhas. — Eu disse sarcasticamente - Estou despreparada para tudo, exceto uma noite tranquila em casa.

Pela primeira vez um toque de humor brilhou em seus olhos. Olhos, que devo acrescentar, eram do tipo de cor cinza esfumaçado, que podiam ver-se azuis se ele estivesse com uma camisa azul. Hummmmm.

—Não posso ajudá-la com o carro ou o secador de cabelo, mas se você precisar de camisinhas, sinta-se livre para perguntar.

Deixei a toalha ao redor dos meus ombros e levantei a vista para olhá-lo com atenção, tentando obter uma leitura dele. Notei o anel de ouro que rodeava seu dedo anelar. Tive o descuido de não perguntar a Jeffrey há quanto tempo sua mãe havia morrido, embora soubesse por sua dor crua, que foi recentemente. Pareceu-me notável, entretanto, que Blackburn ainda estivesse usando o anel de casamento. Se ele se casou e a assassinou por seu dinheiro, parecia-me que ele poderia deixar de usar o anel enquanto estava na privacidade de sua casa.

Ele viu a direção do meu olhar e seu sorriso desvaneceu.

—Por favor, perdoe minhas… maneiras erradas. Minha esposa morreu mês passado, e não estou totalmente recuperado ainda.

—OH! — Soltei uma exclamação de surpresa fingida — Eu sinto muito! — Toquei seu braço em um gesto de solidariedade feminina. Ele se via apropriadamente triste, mas foi difícil ver esse comentário a respeito das camisinhas como outra coisa, exceto paquera. É obvio, alguns homens paqueram por instinto. Isso não quer, necessariamente, dizer nada

—Obrigado — ele disse, gentilmente soltando seu braço do meu agarre — O telefone está por ali.

Tirei minhas sapatilhas molhadas e as deixe no tapete, então segui Blackburn pela sala de jantar e entrei na cozinha. Ele me indicou o telefone na parede, e logo se instalou na borda do balcão da cozinha, de frente para mim, olhando com uma intensidade desconcertante como eu discava no telefone.

—Não devem ser novos os problemas com o carro para você — ele disse.

Eu franzi o cenho quando o telefone começou a soar.

—Por que diz isso? —logo que as palavras saíram da minha boca, meu cérebro trabalhou e eu soube o que ele estava para dizer.

—Sabe de cor o número do guincho.

Eu sorri tristemente, eu estava me pondo muito quente e incomodada pelo Sr. Ross Blackburn. Hormônios e pensamento claro não andam juntos.

—Meu carro é um pedaço de merda — eu confidenciei— Perdoe meu francês.

Finalmente, Miles atendeu o telefone com sua brutalidade habitual.

—Sim?


—Olá — eu disse — é Gemma Johanson. Preciso de um carro de reboque na… levantei uma sobrancelha interrogativa para Blackburn, e ele me deu o endereço, que eu obedientemente repeti.

—É mesmo? —Miles perguntou. Ele estava acostumado às chamadas desse tipo, embora geralmente, eu avisava com antecedência que eu ia ligar para ele, e avisava o que se supunha que ele devia fazer.

—Quanto tempo demorará?

—Quanto tempo você quer que demore? — ele respondeu.

—Uma hora! — Eu gemi com desespero falso, e Miles bufou de rir com minha atuação.

—Já passou da meia-noite, e eu estou presa na casa de um desconhecido. Você não pode fazer que alguém venha aqui mais rápido?

—Uma hora, né? Suponho que esse sujeito vai morrer com um sorriso na cara?

Eu suspirei dramaticamente, desejando que Miles tirasse sua mente da sarjeta. Não importa que a minha estivesse lá com a dele.

—OH, muito bem! — Eu disse com paciência exagerada. —Mas eu não vou manter meu anfitrião acordado por uma hora inteira.

Outra gargalhada.

—Estou seguro de que você é muito capaz de fazer isso.

—Eu estarei esperando do lado de fora na varanda. Na chuva. Assim, se puder chegar mais rápido, eu realmente apreciaria — Eu tinha sido atriz nos dias quando "atriz" era frequentemente um eufemismo para referir-se há algo completamente diferente. Entretanto, meu talento para interpretação era suficiente para me manter séria, sem estourar em gargalhadas pelas repetidas insinuações dele.

Eu desliguei antes que Miles pudesse dizer outro tipo de pensamento como o de antes. Eu era boa, mas não era tão arrogante para pensar que seria capaz de ocultar minha diversão para sempre.
Do outro lado da cozinha, em frente a mim, Blackburn me olhava com um curioso sorriso nos lábios e um brilho em seus olhos. Isso era quase como se ele tivesse escutado os dois lados da conversa, mas eu estava segura de que o volume do telefone não foi o suficientemente alto para isso acontecer. O meio sorriso dele se alargou em um sorriso completo.

—Suponho que quer que eu me sinta culpado e não te faça esperar na varanda como sugeriu ao reboque.

Bom, sim. Se ele ia fazer uma mulher esperar sozinha lá fora, em uma noite escura e tormentosa, então eu ia brincar com a comida mais do que o habitual. E eu não acredito que minhas brincadeiras fossem divertidas.

—Bem, senhor…?

—Blackburn — Ele amavelmente disse. O que? Nenhum convite para me dirigir a ele por seu nome de batismo? Matador de esposa ou não, ele era um imbecil do inferno.

—Bom Sr. Blackburn — comecei de novo, apesar da minha guerra interna, minha voz soava um pouco frágil— Não vou sair por aí contando a todo mundo a respeito de seu bom coração e generosidade, se me fizer esperar lá fora. Entretanto, é sua casa e sua decisão — Eu dei-lhe um olhar desafiante, desafiando-o a demonstrar o pouco cavalheiresco que ele poderia ser. Para minha surpresa, ele fez.

—Me alegro de que você seja tão compreensiva — ele disse— Eu estava a ponto de… — Ele bocejou, embora eu apostaria que ele estava tão cansado como eu, o que quer dizer: nem um pouco — Embora não é meu costume deixar mulheres bonitas no frio, por assim dizer, eu tenho que levantar cedo amanhã de manhã. Entretanto, há uma cadeira de balanço na varanda, e lhe asseguro, é muito cômoda. Gostaria de uma xícara de café enquanto você espera? Acredito que posso manter os olhos abertos tempo suficiente para preparar uma.

Eu tive a leve impressão de que ele se burlava de mim, embora não demonstrasse em sua expressão. Eu considerei a possibilidade de esmagar meu punho através de seus dentes. Então considerei a possibilidade de matá-lo ali mesmo. Entretanto, uma morte rápida, era muito boa para ele.

—Me perdoe por rechaçar uma oferta tão generosa — eu disse zombeteiramente, para assegurar duplamente que lhe chegasse o sarcasmo— mas acredito que vou recusar o café. Eu não gostaria de atrasar de nenhuma maneira seu sono de beleza por mais tempo — Eu virei sobre meus calcanhares e saí da cozinha. Embora seus passos fossem muito silenciosos, eu sabia que ele me seguia até a porta. Para melhor me chutar o traseiro para fora, eu suponho. Bastardo.

Eu esperava que não estivesse saindo vapor dos meus ouvidos quando me inclinei para arrebatar meus sapatos molhados do tapete.

—Foi um verdadeiro prazer conhecê-lo, senhor Blackburn. — eu disse.

—O prazer foi meu. — ele respondeu brandamente.

Eu não me atrevi voltar a olhá-lo quando abrir a porta e saí. Eu estava tão zangada que minhas presas saíram. Normalmente, não é tão fácil me tirar do sério, mas não há nada como um homem bonito comportando-se mal para deixar meu sangue fervendo. Tal desperdício de um bom bolo de carne vermelha.

A porta fechou atrás de mim, Blackburn não perdeu tempo com um adeus, e momentos mais tarde, a luz da varanda apagou. Apertei meus punhos dos lados. Não só o idiota ia me deixar esperando do lado de fora na chuva no meio da noite, mas também não ia nem sequer deixar a luz acesa para mim.

Resistindo ao impulso de arrancar a porta das dobradiças e afundar minhas presas na garganta desprezível de Ross Blackburn, deixei-me cair na cadeira de balanço e me sentei para esperar a hora que era suposto que o reboque chegaria – só para o caso de Blackburn ter insônia induzida por um ataque de culpa, eu não queria estragar meu disfarce. Mas eu não tinha estado sentada ali mais de dez minutos quando as luzes da casa se apagaram uma por uma.
É muito fácil para um vampiro ser sobrecarregado pelo tédio quando os anos, as décadas e até os séculos passam. Aqueles de nós que vimos múltiplos séculos e ainda desfrutamos de nossas vidas, fazemo-lo porque seguimos aprendendo, crescendo e mudando, razão pela qual nestes últimos dez anos, tinha-me transformado em uma perita da internet. Isso também me era muito útil no meu trabalho.

Eu passei o que sobrou do meu “dia” (quer dizer, as horas da escuridão) procurando tudo o que podia sobre Ross Blackburn. Alguns dos meus métodos eram altamente ilegais, mas pela discrição e histórias criativas (também conhecidas como mentiras) consegui uma grande quantidade de dados destinados só aos agentes da lei. Eu utilizava esses recursos sem piedade - e já que vários deles custavam muito dinheiro – sem pena do dinheiro.

Depois da minha busca, percebi que a propriedade da senhora Blackburn estava provavelmente avaliada em um milhão de dólares, incluindo a casa. Por um lado, sim, isso era muito dinheiro. Por outro lado, Blackburn só ficaria com a metade disso. Pensei que se ele escolhia mulheres ricas com quem se casar e as assassinava depois, ele podia ter encontrado alguém muito mais rica que isso. E com sua aparência, ele seria um candidato perfeito para a posição de marido troféu. É claro que ele não tinha exatamente a personalidade para completar o pacote.

Mas o que realmente me convenceu de que ele não estava atrás do dinheiro dela, foi que Blackburn tinha pelo menos dez vezes muito mais dinheiro. Infernos, para ele sua casa estava na periferia. Apostaria que nem Jeffrey nem a finada senhora Blackburn tinham tido alguma ideia de quanto dinheiro Ross Blackburn valia. É obvio, o dinheiro era só uma possível motivação para o assassinato e, embora não podia dizer que conseguiu uma leitura muito boa sobre sua personalidade, não havia nada sobre Blackburn que me fizesse duvidar de que fora capaz de matar sua esposa. E a morte da senhora Blackburn parecia repentina, ou inexplicável. Segundo a autópsia na qual Jeffrey havia insistido, a causa de morte foi por complicações relacionadas com a quimioterapia. Mas isso soava um pouquinho a “não temos nenhuma pista” para mim.

A polícia tinha investigado devidamente as acusações de Jeffrey de que sua mãe havia sido assassinada, mas o caso foi arquivado por falta de provas. Por sorte, eu tinha alguns recursos – e algumas habilidades – das quais a polícia carecia. Depois de seu comportamento anterior, eu estava mais que feliz de matar Ross Blackburn, sendo ele um assassino ou não. Mas eu teria muitíssima mais diversão se ele fosse.

Depois do descanso de um dia dormindo, fiz meu caminho de volta à casa de Blackburn com um novo jogo de enganos preparado. Incomodou-me encontrar as luzes apagadas quando cheguei. Que ousadia do homem, não estava em casa quando eu queria que ele estivesse! Estacionei meu carro e, enquanto eu estava debatendo se devia esperar, voltar mais tarde ou dar uma olhada ao redor da casa na ausência de seu dono, um BMW negro apareceu no caminho da entrada. Os faróis iluminaram um pôster de "VENDE-SE" no pátio. Ou eu estava terrivelmente distraída ontem à noite, ou Blackburn acabava de pôr o lugar à venda hoje. Interessante.

Esperei dez minutos depois que as luzes da casa ligaram, antes de deslizar fora do meu carro e me dirigir à porta da casa. Preferia que ele não soubesse que eu estive espreitando sua casa, embora meu pretexto desta noite era que eu era uma investigadora privada.

Ele demorou todo tempo que quis em atender a porta. Fiquei um pouco irritada, apenas porque eu me sentia bem ficando irritada. Mas quando a porta abriu, quase esqueci pelo que estava irritada.

Eu meio que tinha me convencido que ele não poderia ser tão maravilhoso como eu recordava, mas ele era. Seu cabelo negro grosso estava úmido, por uma recente ducha, talvez isso explicasse seu atraso em abrir a porta, e ele cheirava a sabão e a pasta de dente de hortelã. Sua camisa branca não tinha dobras, seus pés estavam nus e duvido que ele pudesse estar mais sexy se ele tivesse tentado.

Ainda ficava o problema da personalidade, entretanto. Ele não disse uma palavra, olhou-me com as sobrancelhas arqueadas e um débil sorriso zombador nos lábios. Esperei uma pulsação para ver se ele ia pelo menos dizer olá, mas ele não o fez.

—Lembra-se de mim? —Perguntei-lhe muito estupidamente, eu temo.

—De fato. Como poderia esquecê-la? — Ele ainda estava sorrindo.

—Será que eu posso entrar? — Eu perguntei-lhe com um sorriso que eu supunha que era agradável. Não estou segura de que fosse.

—O que você faria se eu dissesse não? — Respondeu ele, e por um momento tive a ideia louca de que ele sabia quem eu era. Mas não, isso realmente seria uma loucura. Pessoas normais não acreditam em vampiros, e muito menos acreditariam que havia um de pé em sua porta.

—Provavelmente algo muito infantil, como tocar a campainha por quatro horas seguidas. Ou talvez atirar papel higiênico no seu pátio. — Entre outras coisas.

—Bem, pelo que tudo isso significa, entre.

Ele deu um passo atrás, fazendo um varrido com o braço como um convite. Melodramático como o inferno, mas me refreei de lhe dizer isso. Notei que, enquanto ele tinha me deixado espaço suficiente para entrar, ele não era exatamente generoso com o espaço pessoal. Mesmo enquanto eu dava um passo adiante e atravessava a soleira, ele estava inquietantemente próximo e não se afastava.

Não foi até que ele fechou a porta atrás de mim que eu notei. Escondido sob o forte odor da pasta de dente de hortelã. O fraco perfume de sangue.

Senti meu coração acelerar-se com pânico repentino. Se eu podia cheirar sangue em seu fôlego, queria dizer que não me encontrava apanhada dentro desta casa com um humano indefeso, depois de tudo. Também queria dizer que Jeffrey estava certo, e Ross Blackburn era um assassino (a panela falando do caldeirão).

Tomei um fôlego profundo, tentando acalmar meu coração. Ele sem dúvida podia cheirar meu medo e, a menos que ele já houvesse descoberto o que eu era, ele poderia não ter uma boa explicação para isso.

Ele poderia ter descoberto? Teria cheirado meu fôlego a noite passada? Deu-se conta de minha hesitação ao cruzar a porta?

Todos estes pensamentos se moveram freneticamente na minha cabeça no segundo e meio que ele levou para fechar a porta, logo, repentinamente, ele se virou para mim. Antes que eu pudesse esquivar, ele agarrou meus dois braços e me empurrou de cara contra a parede. Eu deixei escapar um gemido de dor enquanto ele torcia um de meus braços para cima, atrás das minhas costas. Toda minha força superior de vampiro não estava fazendo nada por mim. Ross Blackburn era maior e mais forte que eu, e que eu seja uma vampira não mudava as coisas. Merda!

Seu mau trato teve um lado positivo, embora possivelmente era um efeito paradoxal: o medo se dissipou, sendo substituído pela raiva. Obriguei-me a deixar de lutar.

—Pensei que você era só um idiota, — eu disse de algum jeito sem fôlego— Eu não sabia que era um psicopata também.

Ele pressionou seu corpo contra minhas costas, prendendo-me ainda mais forte contra a parede enquanto ele ria em meu ouvido.

—Valentes palavras para uma mulher sozinha em uma casa com um, presumível, hostil psicopata — ele disse.

Ele arrastou seu nariz contra o comprimento do meu pescoço, e eu assumi que ele estava cheirando o perfume do meu sangue. Ia doer como o inferno se ele me mordesse, mas eu sabia que isso não me mataria. O que eu não sabia era se ele poderia deduzir pelo sabor do meu sangue, que eu não era humana. Eu intencionalmente mordi meu lábio, forte o suficiente para tirar um pouco sangue. Talvez não fosse inteligente, quando Blackburn era capaz de sentir o cheiro, mas era muito tarde para voltar atrás agora. Provei a simples gota de sangue de minha boca, tentando determinar se parecia o gosto de sangue humano ou não. Eu pensei que parecia, mas possivelmente meu próprio sangue era muito familiar para eu saber.

—Estou esperando sua réplica engenhosa. — disse Blackburn, empurrando meu braço um pouco mais alto atrás de mim.

Eu sussurrei um repentino gemido de dor, mas ele não devia ser muito sádico, já que imediatamente diminuiu a pressão.

—Sou mais engenhosa quando meu rosto não está sendo feito purê contra uma parede. — Eu disse, me perguntando por que ele não acabava de uma vez e me mordia.

Ele riu brandamente e, desta vez, em vez de passar o nariz na minha carótida, ele passou sua língua. Deveria ter sido uma sensação asquerosa, mas me pareceu vagamente erótica. Tratei de me dizer que era só um truque de mente de um vampiro. Mas era suposto que isso não funcionava com outros vampiros.

—Me diga por que está aqui — ele disse — Se eu gostar de sua resposta, eu poderia deixar você ir.



E isso não seria uma vergonha?, uma pequena voz sussurrou na minha cabeça. Assustei-me de mim mesma. Esta não era uma situação erótica!

—Você matou sua mulher? — Encontrei-me balbuciando. Suponho que era parte da minha atuação como investigadora privada.

—É por isso que está aqui? — Perguntou ele incrédulo — Para saber se matei minha esposa?

Tentei afirmar com a cabeça, mas isso era difícil de fazer em minha posição atual, assim murmurei um "Sim", em vez disso.

—E o que você faria se descobrisse que eu o fiz?

Eu pensei que "Te matar" provavelmente não era uma boa resposta.

—Chamar a polícia. — eu disse em vez disso.

Ele bufou.

—Uma história bonita. É por isso que seu serviço de guincho perguntou-te se eu iria morrer com um sorriso em minha cara?

Oops. Tinha esquecido de que, com seus sentidos superiores, ele tinha escutado ambas as partes da minha conversa com Miles. Não era estranho que não tivesse me permitido ficar na casa depois. Franzi o cenho. Por que não me matou ou, pelo menos, tentou me matar ontem à noite?

—Se você vai me matar, faça de uma vez! — eu disse. Eu não estava fazendo nenhum progresso em minha atual posição, o que significava que tinha que inspirá-lo a baixar a guarda. Se ele me mordesse, talvez isso poderia acalmá-lo com uma falsa sensação de segurança.

—Tentador, — ele murmurou, e logo roçou minha pele com seus dentes. Dentes, não presas – Mas eu quero saber mais. Jeffrey te contratou?

Devido a fatores fora de meu controle (quer dizer, a necessidade de comer), às vezes me via obrigada a extraviar de propósito minha consciência. Entretanto, ela sempre parecia encontrar seu caminho de volta a mim. Não queria Jeffrey morto, não quando era óbvio que teve razão a respeito de Ross Blackburn.

—Quem? — Perguntei-lhe, com a esperança de que soasse convincentemente perdida.

—Eu sei que ele estava muito chateado por sua mãe, — Blackburn disse, fazendo caso omisso a minha pergunta – Eu não o culpo. Elizabeth não merecia morrer tão jovem, mas seu câncer tinha outras ideias. Saiba ele ou não, é melhor ele não ter tido que passar o próximo ano vendo-a sofrer.

—Então está admitindo que a matou? – Senti que ele encolhia os ombros.

—Não é que lhe sirva de algo, mas sim. Após o pedido dela, deveria adicionar. Ela já estava começando a piorar. Agora me diga, Jeffrey te contratou?

—Eu não conheço ninguém com esse nome. — Sou uma boa mentirosa, mas eu não acreditava que tinha muita probabilidade de salvá-lo.

Blackburn, obviamente tinha razões para acreditar que seu enteado tinha me contratado. Entretanto, eu tinha meu orgulho profissional e eu não estava renunciando a meu cliente. Decidi que ia tratar de distraí-lo.

—Como sabe o que meu ajudante disse no telefone? — perguntei-lhe – Não há maneira que houvesse falado o suficientemente alto para que você pudesse escutá-lo através da cozinha.

Para minha surpresa, ele riu e me soltou, embora ainda estivesse incomodamente perto, as palmas de suas mãos estavam contra a parede, de ambos os lados da minha cabeça. Pouco a pouco, virei para olhar em seus olhos cinzas. Ele sorria-me, sem fazer nenhuma tentativa de ocultar suas presas completamente estendidas.

—Você ainda tem a impressão de que eu não sei o que você é? — ele perguntou— Pensei que fosse mais rápida para entender isso. Se você pode cheirar o sangue sobre minha pasta de dente, o que a faz pensar que eu não posso cheirá-lo sobre o uísque, ou o que quer que seja que você usou para tentar encobrir o cheiro.

Pois bem, aí se foi minha tentativa de acalmá-lo com um sentido falso de segurança.



Com toda minha sorte de merda!

Por que tive que pegar um contrato para matar alguém que resultou ser um vampiro muito maior e mais forte que eu? Eu suspirei, teria que cruzar meus braços se ele invadia meu espaço pessoal um pouco mais.

—Eu não tentava ocultá-lo. O homem de que bebi estava totalmente bêbado. Então, você sabe o que eu sou, e eu sei o que você é. Onde isso nos deixa?

—Com minha sede de sangue de Jeffrey.

Abri a boca para continuar com minha farsa de que Jeffrey não me tinha contratado, mas Blackburn me fez calar plantando sua boca na minha.

Eu lutei inutilmente por um momento e logo me deixei afrouxar e fique passiva.

O toque de seus lábios e sua língua fez coisas pecaminosas em minhas vísceras, mas eu não tive inclinação para ceder a meus desejos luxuriosos. Condenados hormônios, não lhes deixaria sair-se com a sua com um valentão sexual. Blackburn rapidamente se aborreceu da minha resistência passiva e se afastou.

Ele sorriu, e eu estava segura de que sabia que havia me despertado.

Ao que parecia, inclusive os séculos de experiência não me impediam de ser atraída pelos meninos maus. Mas eles me deram experiência suficiente para me manter longe de me deixar levar por esses desejos.

—Eu não tenho nenhuma intenção de matar Jeffrey — ele me disse — Ele me odiou desde a primeira vez que nos conhecemos, mas apesar de que te contratou para que me mate, não lhe guardo rancor. A dor enlouquece os homens.

—OK, então não vais matar Jeffrey. E quanto a mim?

Seu sorriso aberto era positivamente lupino.

—Eu prefiro te foder que te matar.

Francamente, eu preferia isso, também. Mas como, infelizmente, nem uma das duas coisas faziam parte dos meus planos, minhas presas se estenderam e me preparei para a batalha.

—Tenta-o, e perderá partes do corpo.

Ele elevou as sobrancelhas.

—Eu não queria te dar a entender que ia te tomar sem seu consentimento. — Ele deixou cair os braços e me deu espaço. Eu olhei à porta, tão tentadoramente perto.

—Eu não sou particularmente vingativo — ele disse, dando outro passo para trás — Não vou matar Jeffrey, porque havia bons motivos para te contratar. Eu simplesmente vou desaparecer de sua vida para que não sucumba à tentação de novo. E não vou te matar porque você se importou o suficiente para saber se realmente eu matei minha esposa antes de completar seu contrato. Eu claramente não estou soltando um assassino indiscriminado no mundo se te deixar ir.

Eu franzi o cenho.

—E o que eu soltarei eu se eu deixo você ir?

Ele agora tinha cruzado todo o espaço para o outro lado do vestíbulo, e se apoiava contra a parede. Não havia dúvida em minha mente de que eu poderia correr pela porta neste momento, o que acalmou meu instinto de brigar-ou-fugir o suficiente para me fazer permanecer no lugar.

—Elizabeth e eu nos conhecemos porque ambos éramos voluntários em um asilo — ele disse, e seu sorriso agora era sarcástico —Isso te dá isso uma pista de como supro minhas necessidades?

Eu fiz uma careta. —Você caça vítimas indefesas e inocentes?

—Não, eu caço vítimas que estão sofrendo, morrendo. Melhor dizendo, escolho vítimas que escolheriam não sofrer mais.

Minha consciência começou a rodar ao redor disso por algum tempo, mas eu não conseguia resolver o que eu pensava a respeito disso. Eu decidi que isso não era muito pior do que o que eu fazia, se isso fosse mesmo pior.

—E quanto a Elizabeth? — Eu perguntei.

Algo em seu olhar, que se via como genuíno sofrimento, passou por sua cara.

—Elizabeth teve câncer de ovário. Ela fez uma cirurgia particularmente brutal, e então ela começou a quimioterapia. Os efeitos colaterais desse tipo de quimio podem ser dolorosos, e ela parecia ter dor todos os dias. Seu futuro estaria cheio de dor, mais cirurgias e uma longa estadia em hospitais. Ela tinha me amado por algum tempo, e eu fui carinhoso suficiente para querer dar a ela alguma felicidade antes que ela morresse. Então eu me casei com ela pouco depois que ela foi diagnosticada, cuidei dela e facilitei o caminho dela se libertar quando ela esteve pronta para pedir isso.

Eu cravei meus olhos nele ceticamente.

—E você a convenceu a te deixar metade de seus bens.

Ele fez gestos com as mãos em desagrado.

—Isso foi decisão dela, e eu não sabia sobre isso. Eu a teria impedido se tivesse sabido. Eu não preciso do dinheiro, e certamente não precisava dar a Jeffrey qualquer razão a mais para me odiar.

Podem me chamar de velha sentimental, mas eu acreditei nele. Principalmente por tudo de mau que ele pôde ter feito comigo mas não fez. Eu esperava que o fato de que eu o desejasse não tivesse afetado minha decisão, mas eu não podia dizer isso com certeza.

—Então você simplesmente é um cara muito bom, huh? — Eu disse.

—Algo como isso. Agora você está partindo ou ficando? Porque se você ficar, estou seguro de que podemos encontrar algum lugar mais confortável que o vestíbulo.

O brilho em seus olhos me disse exatamente para onde ele tinha em mente que nós deveríamos ir. A tentação me inundou, embora eu pensasse que não seria exatamente profissional para mim que eu dormisse com meu suposto alvo.

Um sorriso roçou meus lábios quando um pensamento me ocorreu.

Os olhos de Blackburn se alargaram.

—Agora esse sim é um sorriso verdadeiramente mau — ele me disse— Eu quero saber no que você está pensando?

—Você disse que estava planejando desaparecer da vida de Jeffrey.

Ele piscou ao ver que tinha tirado uma conclusão errada. —Sim, — ele respondeu cautelosamente.

—Você estaria disposto a desaparecer dentro das próximas duas semanas?

Ele inclinou a cabeça para mim, sua testa estava franzida pela perplexidade.

—Posso perguntar por quê?

—Meu acordo com Jeffrey foi que você desapareceria, e nunca mais se saberia de você outra vez. E seu corpo nunca seria encontrado. Eu realmente não disse que te mataria.

Blackburn jogou a cabeça para trás e riu.

—Então você vai dizer que “cuidou" de mim , e vai tirar dinheiro do Jeffrey?

—Eu recebo meu dinheiro, Jeffrey tem sua vingança e nem um de nós dois tem que morrer. O que mais você poderia pedir?

Ele não se apoiava mais contra a parede. Agora, ele se aproximava através do vestíbulo em sua completa e predadora glória. A porta já não parecia nem remotamente tentadora.

—OH, posso pensar em algumas coisas a mais para pedir — ele murmurou enquanto voltava a ficar na posição anterior, entrando no meu espaço pessoal.

—O que te faz pensar que eu te daria algo? — Eu perguntei —Você foi um completo idiota ontem a noite, e foste um grande valentão até agora hoje a noite.

Seu sorriso aberto fez meu libido dançar.

—OH, e você teria tido toda cortesia e hospitalidade se tivesse encontrado um vampiro desconhecido em sua porta? E depois de descobrir que ele tinha a intenção de te matar?

Tive que lhe conceder isso.

—Eu ainda não consegui entender por que me você me deixou ir embora ontem à noite.

Ele encolheu os ombros.

—Te achei divertida. E sabia que iria retornar.

O bastardo arrogante!

—Teria sido bom para ti se eu tivesse te colocado uma estaca no peito assim que você abriu a porta. — queixei-me.

Ele se pressionou contra mim... deixando-me sentir sua própria, er... estaca. Acredito que as ameaças de morte eram atraentes para ele.

—Se me acha tão terrivelmente pouco atraente, você sempre pode sair — ele disse. —Não tentarei te deter, e mesmo assim desaparecerei para que possa cobrar seu contrato.

Eu olhei mordazmente sua aliança, embora não fiz uma tentativa de me mover.

—Você não está de luto?

Uma sombra de pena cruzou sua cara.

—Quando perdi Elizabeth, perdi uma amiga estimada. Mas não uma amante. Se explorássemos nossa atração mútua, não me sentiria desleal à memória dela.

Eu estava ficava sem razões para rechaçá-lo.

E, verdadeiramente, havia muitas vantagens em ter um amante vampiro.

Especialmente um ardente e relativamente decente (se tal término pudesse ser aplicado a qualquer vampiro) como Ross Blackburn.

—Está bem, — eu disse — Eu tomarei você para um test drive.

Ele sorriu para mim de uma forma que teria me enfurecido se ele não fosse tão malditamente sexy.

Eu agarrei um punhado do cabelo dele e puxei sua cabeça contra a minha.

E me acreditem, aquele sorriso morreu, com uma rápida e gloriosa morte.


FIM





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