Typographia, papelaria, livraria casa livro azul (1876-1958)



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TYPOGRAPHIA, PAPELARIA, LIVRARIA - CASA LIVRO AZUL (1876-1958).

Maria Lygia C. Köpke Santos 1

Norma Sandra A Ferreira 2
D. Marili, D. Alice, D.Célia, D. Cidinha e D. Lúcia foram cinco mulheres que entrevistadas por nós, em 2002, nos contaram um pouco sobre sua infância e a sua formação como leitoras. Viveram, de certa forma, na mesma época (nascidas na década de 20), pertenceram à mesma sociedade (campineira), freqüentaram os mesmos espaços culturais e as mesmas escolas.Todas elas se tornaram professoras, já que esta era a única profissão “recomendada” às mulheres daquele tempo. Filhas de famílias tradicionais, eram leitoras de romances, livros de culinária, de orações. Suas grandes paixões foram M.Delly, Guilherme de Almeida, José de Alencar, Machado de Assis. Histórias com vários pontos comuns, somente percebidos após seus depoimentos.

Sociedades literárias, tipografias, livrarias, sebos, bibliotecas percorrem o universo destas memórias, entrelaçadas a imagens de mães, avós, pais e empregadas, em sessões de leitura e estudo, misturadas a ambulantes que vendiam às portas de suas casas, coleções de livros. Foi esta importância dada à leitura que as fez se lembrarem, entre outras coisas, dos espaços em que adquiriam e viam os livros: as livrarias.

Quando solicitadas a contar sua história de leitura, percebemos, pelas entrevistas, que estas leitoras davam uma certa importância e produziam significado para estes espaços. Que lugares eram estes? Que formas de leitura funcionariam ali? Como estas leitoras construíram estes espaços através de suas memórias?

Entre gestos, falas, livros e fotos, estas entrevistadas revelavam, em suas memórias, lembranças de livrarias e papelarias que existiram e floresceram em Campinas, no início do século passado: Casa Genoud, Casa Mascotte, Livraria Amêndola, Casa Livro Azul.

Na Casa Livro Azul, como nas demais, iam comprar seus livros e materiais escolares, entusiasmavam-se com os papéis, cartões postais. É neste local que elas destacam as belíssimas exposições de Natal com seu boneco de tamanho normal, um negrinho a fumar e chamar as pessoas para a loja, com bonecas importadas e caixas de música. Ali se encontravam escritores, leitores, artistas, políticos. Ali foi encenada a Pastoral de Coelho Neto, entre saraus musicais e literários. Em suas lembranças, a Casa não era apenas uma casa comercial, mas um centro cultural, ponto de encontro e difusor de idéias, ponto de sociabilização de uma época.

Hallewell, em O livro no Brasil: sua história3 destaca que, por volta de 1821/1822, com o fim da censura aos livros e a liberdade de imprensa, intensificou-se o número das livrarias, embora por muito tempo elas não conseguiam sobreviver apenas com a venda de livros e era muito comum haver também, paralelo ao comércio de livros, a venda de armarinho, artigos para casa, artigos de escritório e papelaria. Assim ocorreu também com a famosa Casa Garnier que funcionou em São Paulo, de 1844 a 1934, que vendia além de livros, também artigos de papelaria, artigos importados, guarda-chuvas, bengalas, pílulas e pomadas.



Isto explica num primeiro momento, uma imagem que fomos construindo a respeito da Casa Livro Azul, não como a concebemos hoje ou já foi possível de ser reconhecida como tal.

Ao Livro Azul

Daí em diante, estávamos tocadas por conhecer estes espaços, principalmente a Casa Livro Azul. Por onde começar esta busca? Estes espaços não existem mais e mesmo que existissem, não seriam os mesmos revelados pelas entrevistadas. Que significados tiveram para a época e como resistiram no imaginário destas mulheres por mais de cinqüenta anos? Que livros vendiam, para quem, de onde vinham?

Partindo da História Oral, colhendo entrevistas dessas cinco senhoras, passamos para as fontes impressas (jornais Gazeta de Campinas e Diário de Campinas, Almanaques de Campinas, Memoriais Comemorativos da Casa Livro Azul), mergulhando nos arquivos do Correio Popular, do Centro de Memória da UNICAMP, da Biblioteca do Centro de Ciências Letras e Artes, do Arquivo Edgar Leuenroth. Garimpando informações, aqui e ali, quisemos ouvir outros freqüentadores – descendentes dos proprietários desta Casa. À medida que manuseávamos e líamos um conjunto significativo de documentos impressos e entrevistávamos pessoas, este lugar destacava-se aos nossos olhos como um espaço que parecia ter desempenhado um papel importante para as pessoas de seu tempo, para historiadores da cidade de Campinas, para leitores mais recentes. A pertinência em investigar este espaço foi se revelando mais forte quando, durante os primeiros trabalhos de pesquisa documental, vimos que ainda não havia sido despertado algum interesse teórico e/ou histórico por ele.

A intimidade que fomos adquirindo com a Casa nos permitia pensar em um cenário meio Império, meio República, a formação de uma sociedade que se urbanizava, industrializava, impulsionada pelos ares de modernização.

Em uma primeira busca por jornais do final do século XIX, descobrimos que a Casa Livro Azul havia sido inaugurada em 1876 e cerrado suas portas apenas em 1958, tendo como proprietários o Sr. Antonio de Castro Mendes (1876-1938) e Clésio de Castro Mendes (1938-1958), configurando-se como um estabelecimento de caráter familiar, não só por pertencer a duas gerações (pai e filho), mas também por ter em alguns momentos, sócios sempre parentes e poder contar ainda em seu quadro de funcionários, com outros familiares.

Os quatro Memoriais Comemorativos da CASA LIVRO AZUL (Comemoração dos seus 50 anos, de 60 anos, 70 anos e 75 anos) publicados pela própria Casa, nos oferecem uma visão (muito particular) do que parece ter sido este estabelecimento no longo de toda sua existência. Nestes documentos encontramos em forma de narrativa, dados desde a fundação da Casa, suas principais dificuldades enfrentadas (epidemia da Febre Amarela, Queda da Bolsa de Valores, 1ª e 2ª Guerras Mundiais), pessoas que por lá passaram tanto como integrantes do quadro de funcionários, quanto como sócios proprietários, ou ainda, como clientes que usufruíram de seus produtos ou estiveram por lá a participar de suas atividades sociais, normalmente oferecidas depois do expediente fechado.

A Casa Livro Azul instala-se à rua Barão de Jaguara no dia 14 de novembro de 1876 acreditando, conforme depoimento do próprio Castro Mendes, ser um ramo promissor financeiramente, considerando que a cidade contava na época apenas com os trabalhos desta natureza executados pelas empresas jornalísticas, a Gazeta de Campinas e o Diário de Campinas.

De início, a pequena lojinha de apenas uma porta tem como especialidade a Encadernação e conta na Tipografia apenas com uma máquina Magand e umas 10 variedades de tipos destinados a imprimir cartões de visita. Conta ainda com uma seção muito rudimentar de fabrico de caixas de papelão que forneceu por muito tempo à antiga firma Bierrenbach & Irmãos, fábrica de chapéus.

Em seguida, amplia seus investimentos, instalando também uma pequena papelaria com estoque de caixas e artigos para escritórios que gradativamente também iam se proliferando pela cidade.

Seus primeiros clientes são os “novos” industriais locais que precisam de livros de caixa para registro de vendas e compras, acessórios de cartórios, caixas de embalagens, em uma sociedade que se urbaniza e passa a produzir objetos de consumo nacionais.

A Casa Livro Azul muda de endereço por quatro vezes, sempre devido a sua necessidade de maior espaço e, pouco a pouco, as oficinas novas incorporam mais máquinas impressoras, novas coleções de tipos importados das fundições norte-americanas e alemãs; aumenta seu quadro com mais funcionários especializados (alguns estrangeiros), aprendizes e oficiais. E a papelaria, sua especialidade, passa a receber grandes sortimentos completos de diversas mercadorias vindos diretamente da cidade do Rio de Janeiro e da Europa.

Nos anos de 1922 a 1923, ponto máximo de sua produção e oferta de produtos, a Casa já se configura como uma reconhecida tipografia com especialidade em encadernação, como papelaria com artigos principalmente para escritórios e comércio, como loja de pianos alemães e de partituras, e ainda loja de quinquilharias (álbuns, porta-retratos, caixas de músicas) e de louças e brinquedos importados e até de objetos de artes vindos diretamente da Europa. A Casa já se impusera à sociedade local e toda a região como um local em que se promove a música, a literatura, as artes com seus saraus, ensaios e encenações de peças, projeções de fitas em um cinematógrafo trazido pelo proprietário quando em visita à Exposição Universal, em Paris, em 1900.

Assim é que pelas fontes impressas, através dos Memoriais Comemorativos de aniversário da Casa, e em matérias escritas em jornais e Almanaques da época, a Casa já não poderia ser considerada como apenas um local de consumo e de venda, porque parece ter desempenhado um papel importante nas relações dos indivíduos como consumidores de bens culturais, como também parece ter contribuído para a imagem de uma cidade que se urbanizava, crescia, industrializava-se, adensava-se em diferentes ramos comerciais, modernizando-se e ao mesmo tempo nacionalizando-se, ainda articulada ao gostos e padrões estrangeiros. E, o cinema dava ao estabelecimento um aspecto cosmopolita fazendo com que a cidade incorporasse a imagem como centro de referência de cultura e arte para si mesma e para toda a região.

Enormes dificuldades surgiram com a explosão da Segunda Guerra Mundial, dificuldades na importação e exportação de máquinas e papel, uma paralisação total do porto de Santos devido à impossibilidade de navegação, uma significativa queda nas vendas e no comércio, em geral, a perda de grandes clientes (como a Companhia de Estrada de Ferro Mogiana e outras) que ou puderam adquirir sua própria tipografia ou optaram por outras concorrentes. A tipografia e a papelaria já não eram estabelecimentos totalmente desconhecidos pela sociedade, faziam parte de uma época em que livros e materiais para escritórios e negócios não precisariam mais ser importados. A produção local já havia se firmado.



C A S A L I V R O A Z U L

AO POVO DE CAMPINAS

Com uma tradição comercial que se estende ao longo de 82 anos de atividades ininterruptas, pois foi fundada em 1876, a CASA LIVRO AZUL encerra, agora, a sua existência efetiva. Cerram-se as portas que sempre estiveram abertas à nobre e culta sociedade campineira; param definitivamente, depois de quase um século de fecundos trabalhos, os prélos que tanto serviram ao desenvolvimento desta cidade e de outras praças do país. Operando no ramo da indústria gráfica e no comércio de papelaria, o estabelecimento consolidou seu renome por força de sua atuação modelar à base da ética, do aprimoramento de suas instalações e das iniciativas que sempre tomou a fim de corresponder à confiança pública. O próprio setor artístico não lhe passou desapercebido e, nesse capítulo, a CASA LIVRO AZUL, pôde prestar serviços à coletividade campineira.Por estas razões todas o estabelecimento se incorporou à crônica de Campinas, pois de seus prelos saíram, inclusive, obras de caráter histórico sobre a cidade. (...)

C. CASTRO MENDES, proprietário.

Campinas, 30 de março de 1958. (In: Diário do Povo, 01 de abril de 1958).

A Typographia

Campinas praticamente desconhecia a tipografia, primeiro porque, como tantas outras províncias, inclusive a Corte instalada no Rio e Janeiro, vivera por mais de dois séculos sob a proibição de Portugal para a instalação de “indústrias” impressoras nacionais. Além disso, Campinas, nos meados do século XIX, como outras cidades, fazia parte de um panorama de um país essencialmente agrícola, com poder e riqueza concentrada nas mãos de grande proprietários rurais, dispersos e isolados em suas residências e cidades destituídas de qualquer significação social e cultural, com infra-estrutura precária do ponto de vista de saneamento e moradias e ruas estreitas, com uma estrutura administrativa insignificante e uma população urbana considerada pequena.

Mas, no final do século XIX, Campinas convive ao lado de grandes propriedades de café a compor as tradicionais famílias paulistas, dos baronatos e de pessoas a freqüentar a Corte, com um progresso movido pelo comércio que se fortalece e uma indústria que ensaia seus primeiros passos, como fundições de ferro e bronze, fábrica de chapéus, fábrica de máquinas para lavoura e produção mais aos moldes capitalistas. Como muitas outras cidades, Campinas tem um crescimento e diversificação da população urbana em razão dos novos empregos oferecidos e à onda de imigrantes para o país, provocando uma complexidade crescente da estrutura administrativa e inchamento das cidades. Somam-se a isto a abertura de bancos, diante de uma nova estrutura financeira; de escolas, diante das intensas campanhas de alfabetização deflagradas pelo novo regime republicano.

É neste cenário que se encontra Campinas, quando o jovem Antonio Benedito de Castro Mendes junto com seu primo e amigo Roberto Alves, decide montar Ao Livro Azul, atento às mudanças de uma cidade que ganha identidade, cresce, urbaniza-se, moderniza-se, onde a tipografia ocupa um papel importante.

Neste artigo, queremos perguntar como esta sociedade se relaciona com os produtos impressos. Quais eram seus gostos, preferências, usos, enfim, que práticas se movimentavam em torno desses produtos? O que compravam, valorizavam, para quê e por quê?

Em torno deste conjunto de questões relacionadas ao ramo tipográfico, pretendemos nos deter apenas à matéria publicada no Almanaque de Campinas de 1889 e aos anúncios da própria Casa, encontrados nos jornais Gazeta de Campinas e Diário de Campinas, no período de 1876-1906.

Queremos rastrear, através principalmente dos anúncios, como os proprietários “vendiam” a imagem da Casa, insistindo em determinados aspectos que consideravam importantes para a sociedade que pretendiam conquistar.

Na leitura dos documentos que encontrávamos, passamos a considerar que determinadas insistências dada à importância da combinação estética entre papel, caracteres e encadernação com preço e entrega pronta poderiam ser reveladoras de um certo tipo de relação das pessoas daquela época com o impresso, que se expandia e se fortalecia como forma de escrita e como necessidade em uma sociedade não mais exclusivamente rural.

Estamos defendendo a idéia de que os proprietários, ao ressaltar a materialidade do objeto impresso que oferecia aos seus fregueses, mostrava uma certa maneira desses se apropriarem do impresso no interior de uma comunidade que fazia uso do material manuscrito para seus registros comerciais e pessoais, que desconfia do impresso produzido local.

Em uma das primeiras propagandas localizada por nós, na Gazeta de Campinas, de 24 de novembro de 1876, assim a Casa se apresenta à sociedade:



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O que podemos destacar neste anúncio em relação ao modo como os proprietários das primeiras tipografias anunciavam seus produtos para uma sociedade ainda pouco acostumada a produtos impressos nacionais ou locais? Quais qualidades eles oferecem como “sedutoras”, irrecusáveis para tal comunidade em busca de um povo consumidor? Como os anúncios podem ser indicadores de uma construção e permanência de uma certa consciência tipográfica de uma comunidade de consumidores que parece ter desaparecido para nós, quando os materiais impressos tornam-se objetos familiares, espalhados no nosso cotidiano doméstico e profissional, prontamente e de maneira fácil adquiridos em qualquer canto de nossa cidade?

Em primeiro lugar, há sinais de uma cidade que necessita de livros a serem encadernados. Por quê? Porque provavelmente ainda estamos em um tempo em que livros foram e são precariamente encadernados em brochuras ou vendidos de forma avulsa. Quais tipos de livros? Livros de músicas, pessoais, comerciais, folhetins de jornais.

Em segundo lugar, a importância de cartões de visitas e casamentos para uma sociedade que valoriza práticas orientadas por regras de etiqueta, a adensar traços de sociabilidade.

E, por último, uma loja disposta a atender ao comércio que cresce e busca afirmar-

se como um centro da região, necessitando de cartões comerciais, livros de registro das transações de compra e venda e ainda, de caixas de embalagem para seus produtos – tudo ao seu ramo de negócio.

Mas o que mais nos chama atenção desde esse primeiro anúncio é a oferta de produtos de boa qualidade (com perfeição), pronta entrega e preços módicos. Três aspectos que insistentemente aparecem em todos os demais anúncios localizados por nós.

A insistência na qualidade dos trabalhos tipográficos é reforçada sempre pela aquisição de novas e modernas máquinas escolhidas na Europa e no Rio de Janeiro. Para a encadernação dispõe de um hábil artista allemão, como podemos ler no anúncio de 24 de outubro de 1880, na Gazeta de Campinas. Máquinas aperfeiçoadíssimas e habilidades humanas parecem compor o segredo da produção de um trabalho de qualidade e perfeição.

Parece que os proprietários dessas primeiras tipografias campineiras anunciavam seus produtos para uma sociedade acostumada a produtos impressos importados, não produzidos no local e que para conquistá-la, deveria oferecer produtos com a mesma qualidade e por menores preços do que seus concorrentes já há mais tempo no ramo..

No Almanaque de 1901, uma matéria escrita por Leopoldo Amaral, historiador de Campinas, traz a descrição do estágio em que se encontra equipada a parte da tipografia da Casa:

É a parte que maior desenvolvimento tem tido, e possui um material abundantíssimo, tendo para muito mais de 300 sortes de typos de todos os corpos e de enorme variedade, todos adquiridos das fundições norte-americanas e ultimamente das allemãs. Tem quantidade extraordinária de emblemas, vinhetas de combinação e utensílios diversos e variados, trabalhando com aparelhos aperfeiçoadíssimos, de modo a produzir com facilidade os bons resultados que grangearam a fama das officinas do Livro Azul. Como casa especial de trabalhos finos, para o commercio em geral, dispõe de escolhido material para obras de luxo, tendo ultimamente introduzido a impressão denominada chromotypia, somente para serviços que exigem maior delicadeza e elegância.5

Variedade e enorme quantidade de tipos de corpos e caracteres, emblemas e vinhetas capazes de produzir resultados finos, delicados e luxuosos, elegantes. Diversidade a oferecer para todas finalidades e usos para atender a um mesmo tipo de gosto: o requintado, o exigente, mesmo o voltado para o comércio em geral.

Em outro momento da matéria, Amaral destaca a quantidade no menor tempo de produção, qualidade que cada vez se torna mais visível pela sociedade que visa lucro em seus negócios:

Possue para a impressão 7 prelos, sendo um grande de cylindro do autor francez Alauzel, dando uma tiragem de cerca de 18000 exemplares por hora; 2 prelos systema Libety n.3, que igualmente tem capacidade para 1500 exemplares por hora. Seguem-se ainda mais 3 prelos da mesma marca Libety, estes menores (n.2) que funccionam para os impressos pequenos e pode cada um dar uma tiragem de 2.000 exemplares por hora. Um elegante prelo, pequeno denominadado Official é exclusivamente destinado à impressão de cartões de visita, que a casa promptifica em 10 minutos. Póde a casa portanto produzir cerca de 60 a 70 mil impressos por dia de trabalho.(...).6

A rapidez na produção que, com certeza, pode proporcionar uma entrega mais rápida da encomenda vem garantida pela descrição minuciosa das máquinas com sua procedência importada e nomeada pelos seus fabricantes já reconhecidos provavelmente por seus consumidores. Longe está a nossa relação com a cultura impressa a partir dos nomes dos fabricantes das máquinas e de sua capacidade de produção e pela especialidade das máquinas.

Em outro trecho da matéria, podemos pensar mais alguns aspectos interessantes que foram destacados pelo autor para apresentar A Casa Livro Azul aos seus leitores. Mais do que propalar ou elogiar os produtos que neste estabelecimento podem ser encontrados, Amaral enfoca a variedade de máquinas na divisão e na multiplicação das tarefas e operações que caracterizam o processo de impressão:

Para a pautação e riscação a casa dispõe de uma soberba machina de pautar e riscar do fabricante H.Wull, de Hamburgo, trabalhando com pennas e rodisios, produzindo trabalho abundante e perfeitíssimo. (...) Para a encadernação (fábrica de livros em branco) dispõe de excellente machina de cortar do fabricante Carl Krause, de Leipsig; superior e fortíssima prensa de ferro, machina de cortar papelão, ambas do mesmo fabricante, uma machina Tesoura Circular destinada ao corte de cartões de quaesquers formatos. Para numeração das paginas dos livros possue excellente machina com 2 rodisios, fazendo algarismos de formatos diversos. Possue uma esplendida machina para costurar brochuras, fazendo serviços perfeitos em diminuto tempo. Dispõe ainda de prensa de endossar, automática, e de um magnífico balancer pra a impressão de letras e monogramas em relevo. Todo o machinismo é movimentado por um vapor de 4 cavallos de força, do fabricante Clayton & Schutlewort.7

A descrição minuciosa das máquinas, em sua precedência importada e nomeada pelo seu fabricante; em suas qualidades em relação ao seu desempenho perfeitíssimo e em sua rapidez na entrega; em suas especificidade para cada tipo de trabalho, na velocidade da quantidade no menor tempo de produção, parecem ser qualidades valorizadas pela sociedade que se industrializa, mas que ainda exige elegância nos trabalhos, numa relação mais personalizada, artesanal, cuidada quase que individualmente .

É a idéia de que o processo de impressão implica em pluralidade de espaços, de operações. De máquinas e de indivíduos especializados ou não.

Assim é que na leitura das propagandas em geral, e até mesmo nos Almanaques e Memoriais da Casa, no período de 1876 a 1906, algumas idéias caminham paralelas, principalmente nestes primeiros trinta anos: qualidade do material, prontidão na entrega e uma quantidade maior em menor tempo, com menores preços.

O que significaria para aquele tempo a idéia em torno da qualidade do produto impresso? De um lado, uma material legível, nítido, sem imperfeições tipográficas, para o consumidor que está se educando para o impresso (local) incorporando em suas práticas cotidianas e em seus negócios. De outro lado, um material de requinte, de luxo, de beleza para atender a uma sociedade acostumada aos padrões, gostos e costumes impostos pelo velho continente. Um consumidor que é cativado pela materialidade do objeto que oferece, mais do que pelas qualidades do produto do ponto de vista de sua utilidade. Um bom tipógrafo que ambiciona vender seus produtos tanto pelo que eles apresentam de inteligibilidade, quanto de elegância e conforto ao olhar.

Esses anúncios parecem revelar uma construção e permanência de uma certa consciência tipográfica de uma comunidade de consumidores que parece ter desaparecido para nós, quando os materiais impressos tornam-se objetos familiares, espalhados no nosso cotidiano doméstico e profissional, prontamente para nos servir em sua utilidade e facilmente adquiridos em qualquer canto de nossa cidade.

A segunda idéia é a de rapidez e prontidão de entrega, ligada a uma sociedade que se industrializa e cresce e que não pode perder tempo à espera de material para entrega ou registro de seus serviços, como convém em uma sociedade em que o lucro e o tempo caminham juntos.

A possibilidade da entrega de uma grande quantidade em menor tempo de espera do consumidor é uma outra idéia também ligada à imagem de modernidade e eficiência das máquinas.

Produtos com a mesma qualidade dos importados e da própria capital do país, com maquinaria eficiente e moderna, além da contratação de pessoa especializada na arte da encadernação atendem a uma sociedade exigente na qualidade do produto, mas disposta a pagar menos, talvez, visando o lucro de uma sociedade que se faz capitalista. Não é por acaso, que em todos os anúncios, em letras garrafais, os textos terminam com expressões como: preços modestísssimos, baratíssimos, módicos, baratos, modestos, não caros, reduzidos, etc.

A Papelaria

São muitos anúncios que destacam a exposição e a venda de produtos para escritório, comércio e negócios em geral pela textura, qualidade e diversidade do papel, quase que um vocabulário para descrever a estética do papel. Aprecia-se o papel em sua variedade de usos e valoriza-se a relação física com o material:

Na propaganda de 25 de outubro de 1882 (Gazeta de Campinas), Ao Livro Azul se apresenta como “loja de papel” anunciando aos seus clientes um completo sortimento de papel de todas as qualidades, papel de linho para o foro com 25 a 33 linhas. Papel flume com 25 linhas, próprio para escrivães. Papel hollanda. Dito em caixa diplomacia superior. Dito xadrez de cores (....). Papel bebê, último chique do Rio de Janeiro e a preço de 500 réis. Rico sortimento de penas de todos os autores. E, em outra propaganda datada de 21de junho de 1884 (Gazeta de Campinas) mais ofertas da Casa quanto ao seu sortimento para lojas e escritórios: grande quantidade de papel de luxo, próprio para presentes e muitos outros artigos de escritório, de desenho, etc,. papel quadriculado para os senhores engenheiros, dito"em tela, estojos matemáticos, tintas de cores etc.

Para um leitor de hoje, causa estranheza o detalhamento de tantos tipos de papéis, em número de linhas, em denominações, em tamanhos para diferentes finalidades em um anúncio de papelaria. Tal descrição minuciosa do estoque oferecido nos leva a pensar sobre a “novidade” de uma loja naquela sociedade em poder oferecer tal diversidade e a relação quase artesanal e pessoal que os indivíduos tinham com seus suportes de escrita, numa fase ainda não tão padronizada no meio comercial e industrial.

(...) para montar a nova Casa, foi ao Rio de Janeiro, onde comprou nas melhores condições, um variadíssimo sortimento de PAPELARIA EM GERAL para vendas por atacado e a varejo, tudo do melhor e do mais moderno. RECEBEU DIRETAMENTE DE PARIS, um explêndido sortimento de papéis e cartões de fantasia, chromos em folhas e sorpresas o que há de mais verdadeiramente belo. 8

A Livraria

Estávamos desde o início de nossa pesquisa procurando pelos livros de literatura citados pelas nossas leitoras em suas entrevistas. Procurávamos os clássicos da literatura francesa e portuguesa, ou mesmo, os da literatura brasileira já publicados no Brasil, pela livraria Garnier, em São Paulo neste mesmo período. Segundo Hallewell (1985) a Garnier foi considerada a principal responsável pela difusão de romances no Brasil, com a publicação, em livros dos folhetins. Publicou José de Alencar, Machado de Assis, Gonçalves Dias, Joaquim Manoel de Macedo, Graça Aranha, Álvares de Azevedo, Joaquim Nabuco, ao lado de Oscar Wilde, Alexandre Dumas, Walter Scott e Honoré Balzac, entre outros. E a Casa Livro Azul teria oferecido a esta sociedade além de seus serviços de encadernação e de impressão de cartões, recibos, circulares, memoranduns, livros em branco e ditos de facturas, livros de literatura?

Em propaganda anunciada em 25 de outubro de 1882, Ao Livro Azul, na Gazeta de Campinas, se apresenta como “loja de papel e livros”. Quais livros?

Um sortimento de livros para colégios. Livros em branco e de todos os formatos para escrituração comercial. Livros pontos para os empreiteiros de obra. Normas de escrita,(...) artigos para colégio, como livros, mallas, lousas.9

Nesta perspectiva sabemos que a Casa Livro Azul atende não somente às casas de comércio, mas também ao público escolar que parece se avolumar no período pelas escolas abertas em Campinas, principalmente com intensas campanhas de alfabetização que assolam o país no final do Império e início da República.

Quais livros vendiam, para quem, de onde vinham? Por que colocavam lado a lado a venda de livros, de pomadas, de partituras, caixas de costura e peças para toucador?

Interessante destacar que em relação á especificidade do material escolar não há uma descrição minuciosa: são lousas, são livros, são materiais escolares. Como também não há muito a diferenciar, conforme vemos em outros anúncios, as bonecas, os álbuns, as quinquilharias. Tudo continua como uma novidade, belo e moderno. Mas, o detalhamento fica mesmo pela variedade de papéis a oferecer pela eficiência das máquinas importadas para encadernação, para a pautação, douração, corte, numeração e impressão de caracteres.

A livraria, portanto, parece não se preocupar em diferenciar-se de seus concorrentes na venda do material ligada à escola, nos livros que oferece.

Mas há ainda um outro tipo de livros que parece exigir uma propaganda que ressalte as qualidades materiais do objeto-livro.

É o que podemos verificar no anúncio de 17 de março de 1886, na Gazeta de Campinas que destaca como novidade Ricos livros de HORAS MARIANAS, AULA DE MISSA, ricamente encadernados em velludo, pérola, marfim e tartaruga com inscrustrações de prata, todos próprios para um presente de valor.

Podemos entender que além dos livros para a escola, a livraria traz de fora da cidade, livros para rezar próprios para uma época, final do século XIX, quando as mulheres, dedicavam-se mais às prendas domésticas (costuras, doces e bordados) e raramente saíam de casa, a não ser para irem à missa.

A livraria, diferentemente do que imaginávamos ao entrevistarmos as senhoras no início de nossa pesquisa, não privilegiava os romances franceses, como era o gosto cultural também desta mesma época. Sabemos da existência de várias livrarias francesas na rua Ouvidor, algumas como filiais de Paris e outras pertencentes a franceses que haviam emigrado para o Brasil (Hallowell).

Ao lado de uma cidade que cresce, constrói obras, aumenta seus escritórios comerciais, escolas, indústrias, há ainda um certo tipo de cliente, as mulheres, que além dos romances franceses, liam também livros religiosos.

Uma outra fonte foi também utilizada por nós em busca dos livros vendidos na casa. Obtivemos no Centro de Memória da Unicamp uma lista de livros publicados pela Casa Livro Azul de 1888 a 1954, e disponíveis em seus arquivos.

Neste período foram impressos pela sua tipografia, num total de 78 anos, praticamente um livro a cada ano da Casa. Número, portanto, não significativo para caracterizá-la como uma editora, como uma empresa que gostaria de ser identificada como formadora de uma sociedade leitora.

Esta lista de livros nos apresenta uma diversidade de gêneros e títulos, que não nos leva a uma especialidade, tal como a Livraria Garnier.

Das 78 publicações, o maior número concentra-se nas publicações oficiais. São 18 contratos, decretos, leis, sendo que no período de 1876 a 1906 (período em que estamos nos detendo neste artigo) as publicações oficiais são apenas 06: Contracto entre o Governo Federal e a Companhia Mogyana (1893); Memorial da Câmara Municipal de Campinas sobre suas divisas administrativas e judiciárias com o município de Santa Bárbara e com a Comarca de Piracicaba (1900); Comarca de Campinas: minuta de desaggravo, questão relativa ao entupimento de poços, debatida perante o juízo da 1ª vara (1893); relatório apresentado a Câmara Municipal de Campinas sobre os serviços sanitários e instrucção pública (1893), Leis, resoluções e mais actos promulgados em 1896 (1896), Leis, resoluções e provimentos promulgados durante o ano de 1905 (1906).

O que este primeiro conjunto de livros nos leva a considerar é que a cidade, assim como muitas outras, necessita de aparato legal através de leis e resoluções, além de uma preocupação com o saneamento em uma cidade de ruelas, entupimento de poços, com dificuldades em seus serviços sanitários.

Ressalta-se a necessidade de se criarem e publicarem leis em uma sociedade que vê transformada sua mão de obra, antes escrava, agora assalariada. Dois livros tratam das leis trabalhistas: Transformações do trabalho (1888), Condições adaptadas nos contratos de colonos para a cultura de café, vinha e canna de assucar (1888).

No gênero ficção (poesias e romances) são 08 livros praticamente um a cada ano: Ananke (1906); A primeira culpa (1890), Páginas Contemporâneas (!901); Alice (1903), Feituras e feiçções (1905), Apólogos ( 1904), Coroa de Lyrios ( 1906), Estrelas Errantes (1905), provavelmente de campineiros ou aqui instalados. Mas ainda poderemos incluir no gênero narrativo, obras como Auto-biografia de Francisco de Assis Vieira Bueno (1899) e Observações criticas e descripções de viagens (1888), e ainda mais dois que buscam narrar a história de um município que se firma com suas divisas e legislação administrativa: História de Campinas (1905), Monographia de Campinas (1903).

No gênero didático-pesquisa sobre diferentes temas e preocupações: um sobre plantas Index floraes campinensis (1904), outro sobre Gramática A função subjetiva do pronome se (1906), e ainda outro sobre os meios de transportes na época: These sobre a viação férrea geral e navegação fluvial no Brazil (1902). Na Educação, um único e isolado: Palestras sobre Ensino (1900).

Mas além dos livros de horas e de rezas vendidos na papelaria, a Casa ainda publica livros ligados à Igreja Católica: Apocalypse por S. João (1903), Carta Pastoral despedindo-se da Diocese do Espírito do Santo seguida de algumas notícias sobre a mesma diocese (1901), Falsidades do protestantismo (1904).

O conjunto de obras publicadas neste período nos revela a existência (mesmo que virtual) de um público leitor não muito preocupado com as grandes questões políticas em relação às mudanças do regime da Monarquia para República ou às mazelas do país. São obras diretamente ligadas aos interesses da comunidade local: os contratos e leis municipais, leis trabalhistas diretamente envolvidas com fazendeiros de café e senhores de escravos, obras ligadas à Igreja Católica, romances, poemas e histórias de autores locais.

Duas imagens fortes podem ser associadas à relação dos indivíduos com a cultura impressa. Uma diretamente conectada com a Europa, berço da civilização, e com o mais significativo centro cultural (Rio de Janeiro) pelo que eles têm de mais moderno e mais requintado. A outra ligada à comunidade local, com seus interesses financeiros, sua identidade administrativa e política.

A Casa Livro Azul mais do que pelos livros que publica ou vende, mais pela contribuição na formação de uma sociedade leitora, configura-se como um lugar de requinte e bom gosto, movido pelos saraus de música e literatura que promove após expediente fechado, como 0s Concertinhos Livro Azul fundado por Coelho Neto. Pelos objetos de arte que vende e coleciona e expõe, pelos pianos de qualidade que importa, os modelos Carl Scheel de Cassel Alemanha e que são comprados pela sociedade da época Pela modernidade que traz no campo da tipografia e encadernação em uma cidade que deixa de ser apenas rural, para exportar chapéus, café, interligada pela Estrada de Ferro Mogiana, com seus tickets, mapas, embalagens. Uma cidade que concorre com os grandes centros a oferecer aos novos comerciantes a possibilidade de compra local. Um lugar com características de um tempo moderno rápido, eficiente, produtivo. Não é por acaso que é neste lugar que Campinas tem pela primeira vez a luz elétrica, assiste à fitas de cinema, possui máquinas movidas a vapor para a tipografia, o que dá à casa uma imagem comospolita, mas enraizada em sua cidade.

Ainda em um tempo que não havia escolarização em massa, que a vida cultural era privilégio de poucos, que a cidade tinha problemas sérios com saneamento, diferentes registros da época lidos e analisados por nós, parecem construir uma imagem da cidade como um centro de efervescência cultural como São Paulo e Rio de Janeiro. Sem uma preocupação em destacar ou contar os grandes problemas e mazelas do país, nem destacar a massa de excluídos deste acesso ao ambiente cultural de então, os documentos que temos em mão contam a história dos lugares, das pessoas que produziram uma versão da história de Campinas, como centro criador e difusor de cultura.



Bibliografia

Amaral, L Almanaque A Cidade de Campinas para 1901. Campinas: Typ. a vapor da Casa Livro Azul, 1899.

CASA LIVRO AZUL 1876-1926. Memorial commemorativo do cincoentenario da sua fundação. 14 de novembro de 1876. A. B.de Castro Mendes. Campinas: Casa Livro Azul, 1926.

CASA LIVRO AZUL. Memorial commemorativo do 60° aniversário de sua fundação. 1876-1936. Castro Mendes e Filho Ltda. Campinas: Casa Livro Azul, 1936.

CASA LIVRO AZUL. Memorial comemorativo do 70° aniversário. 1876-1946. C. de Castro Mendes. Campinas: Casa Livro Azul, 1946.

CASA LIVRO AZUL. Memorial comemorativo do 75° aniversário de sua fundação. 1876-1951. C. de Castro Mendes. Campinas: Casa Livro Azul, 1951.

MARTINS, Wilson. A palavra escrita: história do livro, da imprensa e da biblioteca. 3. 3d. São Paulo: Ática, 2001.

HALLEWELL, Laurence. O livro no Brasil: sua história. São Paulo: T.A. Queiroz: Ed. da Universidade de São Paulo, 1985.

1Bibliotecária da Escola Comunitária de Campinas, Mestranda do programa de pós-graduação e pesquisadora do grupo de Pesquisa “Alfabetização, Leitura e Escrita” da Faculdade de Educação – UNICAMP

2 Professora e pesquisadora do grupo de Pesquisa “Alfabetização, Leitura e Escrita” da Faculdade de Educação – UNICAMP

3 HALLEWELL, Laurence. O livro no Brasil: sua história. São Paulo: T.A. Queiroz: Ed. da Universidade de São Paulo, 1985.



4 Gazeta de Campinas, 24/11/1876, p.2.

5 Amaral, L Almanaque (org.). A Cidade de Campinas para 1901. Campinas: Casa Livro Azul,1899.

6 Ibidem.

7 Ibidem.

8 Gazeta de Campinas, 22/09/1886

9 Gazeta de Campinas, 25/10/1882.




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