Ufpb-prg XIII encontro de Iniciação à Docência



Baixar 9.26 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho9.26 Kb.

UFPB-PRG XIII Encontro de Iniciação à Docência


0074.DH.CCHLA.MT.10.R.P.9
              USO DE CINEMA EM SALA DE AULA: RECONSTRUINDO PERSPECTIVAS

André Fonseca Feitosa1, Regina Maria Rodrigues Behar2, Acácio José Lopes Catarino3


             A sala de aula urge de transformações que a torne mais capaz de interagir com as linguagens presentes no cotidiano dos estudantes. Faz-se necessário conhecer melhor não apenas o conteúdo específico a ser ensinado, mas as linguagens que o professor pode lançar mão e suas potencialidades. 

              Discutiremos o uso didático do cinema, sob uma perspectiva que contempla três objetivos principais: aprendizagem de um conteúdo específico – o conhecimento histórico; perspectiva alternativa à tradição historiográfica hegemônica; e apreensão de instrumentos que permitam refletir historicamente a linguagem áudio visual.

              Analisamos a relação entre cinema e o conhecimento histórico e propomos, a partir de um exemplo concreto, a facilitação do conteúdo específico do Governo de Juscelino Kubitschek através do filme Conterrâneos Velhos de Guerra de Wladimir Carvalho.

              Para Marc Ferro, em certos filmes podemos identificar uma contra história, na medida em que admitem uma perspectiva histórica que se contrapõe ao que está consolidado como história. Como o filme possui uma característica pedagógica e ideológica, na medida em que através de sua linguagem sedutora representa o mundo a partir de uma determinada perspectiva, podemos utilizá-lo como um elemento para trazer dinamicidade e prazer –  através de seu caráter sedutor  - e também como conteúdo alternativo ao conhecimento apresentado pelos instrumentos didáticos dominantes como o livro didático.

              Mais que isso, o estudo da história através do cinema permite também historicizar a linguagem áudio visual, permitindo a análise do cinema enquanto obra política e historicamente localizadas; também permite discutir a linguagem visual, identificando seus instrumentos de persuasão, levando o aluno a adquirir instrumentos que lhe permitam filtrar as informações que recebe na mídia; por último, podemos pensar na perspectiva que a historiografia concorre cada vez mais com outras linguagens que se propõe a constituir discursos históricos: documentários, ficções, jornais, programas de TV – todos se propõe também a representar o passado, alguns com maior acessibilidade e alcance que a tradição historiográfica.

              Em sala de aula utilizamos o documentário Conterrâneos Velhos de Guerra (1990), a fim de contrapor o discurso progressista consolidado acerca do governo de Juscelino Kubitschek, que resume o período ao desenvolvimento da indústria e modernização do país, símbolos construídos durante o governo juscelinista. Essa abordagem, no entanto, não contempla os aspectos sociais envolvidos no processo que sintetiza o governo JK: a construção da capital do país, ou seja, a exploração da força de trabalho em condições desumanas e exclusão daqueles que construíram Brasília de seu usufruto.

              Assim, podemos identificar que temos a mesma oposição de uma historiografia progressista e de uma história social, - vista de baixo - que procura contemplar aqueles que foram oprimidos  e negado a voz sobre o processo histórico do qual foram atores.

              Concluindo, o presente trabalho problematiza as perspectivas e usos do cinema em sala de aula como veículo de inserção de uma história contra hegemônica e social, em uma linguagem que é muitas vezes mais sedutora e atual que a velha insistência em métodos antigos de ensino desconectados da sociedade contemporânea e suas novas linguagens.

 
PALAVRAS-CHAVE: Ensino de História; Linguagens Cinematográficas; Juscelino Kubitschek.



1


2


3




©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal