Um breve relato de como escrevi, raul vivo seixas!



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Encontro29.07.2016
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UM BREVE RELATO DE COMO ESCREVI, RAUL VIVO SEIXAS!
Até que ponto uma idéia atinge o subconsciente humano. Quem é ator, musico, dramaturgo, ou até mesmo um louco visionário sabe do que estou perguntando. Um grande professor me disse certa vez que a idéia – seja ela positiva ou negativa – nos rodeia de certa forma, ela nos persegue. Mas essa idéia tem que ser grande e única, de um determinado porte que mude sua vida. Desde pequeno que ouço rock, para mim rock n´ roll, é filosofia, é vida e, sobretudo é aquilo que move as minhas veias para que eu me transforme num homem melhor, para que eu possa fazer algo pelo mundo, para que eu possa ajudar as pessoas. Muitos acham que isso é blasfêmia, é pecado. Mas não. O rock não se resume em musica, não se resume em usar cabelos longos e balançar a cabeça freneticamente, o rock te ensina a ser você mesmo, a guiar seus próprios passos rumo a tão esperada evolução humana.

Meu irmão mais velho, André, - ao qual eu devo um grande respeito pela sua inteligência, tanto cultural como pessoal – sempre ouviu Raul Seixas, de inicio eu muito moço não assimilava as letras de Raul, mesmo porque aquela época eu não ligava muito para os sons que ele ouvia, mas ai com o tempo fui vendo como as letras daquele compositor baiano eram grandiosas, fora dos padrões, porque eram frases futurísticas, Raul se transportava para o futuro e fazia suas letras, aí eu cai na real, Raul com certeza era o melhor compositor do Brasil.

Mas dizer que Raul é um grande compositor não me saciava, eu queria saber mais. Aí comecei a pesquisar suas músicas, e percebi que cada nota, cada ritmo, cada solo é totalmente interligado. Na musica “Você” por exemplo, encontramos uma letra muito linda, a qual Raul abre nossos olhos, para não termos uma vida simples e nem nos acomodarmos com pouca coisa, ele quer que nos chegamos mais além. Agora, se Raul pegasse esta letra e colocasse guitarras distorcidas e loucos gritos, todo o esforço de se escrever uma letra seria em vão, porque a musica ela tem que tocar o ser humano de todas as formas, e não agredi-lo. Foi nessa andança raulsexista, que descobri o livro “Um Roqueiro no Além”, um livro muito vago, muito vazio, onde o autor se preocupou tanto em tocar o coração de jovens leitores para evitar o consumo de drogas, que esqueceu-se de trabalhar a história, que virou um enredo sem amarras e sem vida. Porém o livro não era de se jogar fora. Em seu contexto havia ali um Raul diferente – eu sinceramente não acredito que aquele espírito seja Raul, mas eu ADAPTEI a história ao meu ver – e aquela história poderia sim informar aos jovens que iriam assistir ao espetáculo, que o uso de drogas podia te prejudicar – isso é obvio – e eu como odeio coisas obvias, resolvi buscar um outro lado da história, foi ai que eu comecei a adaptar para o teatro o livro, isso no início do ano de dois mil e um.

Muitos acham que Raul era somente um drogado. Mas não, drogado podia até ser, mas somente um drogado não. Raul era um cara metafórico, seus pensamentos, letras e ações sempre foram feitas em entrelinhas, onde as pessoas poderiam tirar as conclusões que quisessem, isso foi certo? Não sei. Só sei que eu ele nunca prejudicou. Nunca bebi ou fumei maconha porque Raul bebia e fumava, sempre bebi porque tive vontade e nunca fumei maconha. Porque uma pessoa é gaga. Porque o raciocino cerebral é muito rápido, e o corpo não acompanha o rítimo. É a mesma coisa com certos artistas, eles são tão inteligentes, que produzem material de trabalho tão avançado para certos níveis – não que o artista seja superior a outras pessoas – que poucos entendem o que eles querem dizer.



Foi descobrindo Raul, que essa idéia – que eu disse no início desse release – veio até mim. Perseguiu-me. Eu tinha que montar este espetáculo, mesmo sabendo que não seria nada fácil, como realmente não foi, de início quando terminei a primeira versão do texto, o elenco que e tinha era muito fraco, não conseguia acompanhar o rítimo, pelo menos era isso que eu achava. Comecei então a descobrir que o problema, era eu, ainda não estava preparado para dirigir um elenco grande, e uma peça de tal responsabilidade. Por isso resolvi dar uma pausa no texto. Nos anos seguintes comecei a montar vários espetáculos e aos poucos fui aumentando o elenco, aprendi muito com as peças do “Zé” que foram cinco produções, todas de improviso e grande elenco. Aí comecei a partir para outros horizontes, quando montei “Louca Banalidade por Falta de Afeto”, comecei a descobrir que os espetáculos seriam muitos mais interessantes se eu colocasse, música ao vivo neles – embora a maioria dos diretores saiba disso – foi o que fiz. Foi naquele momento depois de três anos que decidi voltar com o espetáculo “Um Roqueiro no Além”, mudei completamente texto, reformulei o elenco e montei a banda. Depois do espetáculo pronto, começamos a nos apresentar em várias cidades da região, lotávamos as salas de teatro, éramos tratados como digníssimos artistas, porém quando viemos para Sorocaba, mais uma vez a peça escorregou da minha mão. Infelizmente discussões, estrelismo e drogas acabaram com uma temporada na Usina Cultural que eu esperei por quatro anos. Naquele momento, minha desilusão foi tremenda, pois essa montagem é um sonho meu, decidi então deixar de fazer teatro. Por sorte, Deus nunca me deixou na mão. Aquela frase “Ao lado de um grande homem, sempre existe uma grande mulher” é fato, minha esposa Juliana Felippe, me enfernizou para que eu pudesse voltar com o espetáculo, e fazer aquilo que mais amo que é teatro. Decidi então voltar com a peça, e novamente fazer uma revisão no texto, dessa vez muito mais cômico, e inteligente. Em duas semanas montamos a peça, com elenco novo e banda nova, fizemos uma apresentação – eu digo uma pois, fizemos uma na sexta que foi um lixo. – na FUNDEC e novamente lotamos o teatro e levamos a platéia ao delírio. E agora em 2006 voltamos com a peça, porém totalmente diferente das outras, pois fomos obrigados a mudar o nome do espetáculo e quase tudo no texto, devido a uma ameaça de processo por parte de Nelson Moraes que psicografou o livro um Roqueiro no Além. E é isso aí, Raul Vivo Seixas” um espetáculo dinâmico , alegre, que conta a trajetória – mesmo que seja fictícia – fictícia do cara depois de sua morte, mostrando as dificuldade e barreiras que teve que enfrentar para atingir um grau de evolução. Além de um espetáculo de improviso também vai rolar muito som ao vivo para mostrar que Raul conseguiu evoluir com suas próprias músicas, que ficaram inesquecíveis na memória de todos, ou quase todos, brasileiros. A história dramática e divertida, vai prender sua atenção e ficar marcada na sua lembrança.
Viva Raulzito.

Viva a Sociedade Alternativa.


Augusto Roberto.


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