Um carisma sempre atual!



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Encontro25.07.2016
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Um carisma sempre atual!
Celebramos, no dia 25 de outubro, 107 anos da fundação da Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo - Scalabrinianas. É um momento importante para reafirmarmos o compromisso com a causa e o carisma que inspiraram seu nascimento. A Congregação não foi criada para estar a serviço de si mesma, nem para buscar apenas a auto-reprodução. Na sua origem encontramos a inspiração do Espírito Santo e uma clara opção pela evangelização dos migrantes, pobres e excluídos. Em outras palavras, o carisma das Missionárias de São Carlos só floresceu pela combinação de dois fatores: a santidade de algumas pessoas e o crescimento e expansão do fenômeno migratório.

Mas o carisma é ainda atual? Hoje existem ainda os desafios que indignaram João Batista Scalabrini, José Marchetti, Assunta Marchetti, as primeiras irmãs e todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram para o nascimento e o fortalecimento da Congregação? Neste memorial da fundação das Missionárias de São Carlos Borromeo - Scalabrinianas, queremos mostrar sucintamente os paralelismos existentes entre o contexto histórico que deu origem à Congregação e a conjuntura hodierna, a fim de reafirmar a atualidade do carisma congregacional e o nosso compromisso com os migrantes.

A Congregação foi fundada num contexto de migração massiva. Para termos uma idéia, na diocese de Scalabrini havia 28 mil migrantes num total de 200.000 habitantes! A causa principal desta migração intensa estava na pauperização que assolava vastas regiões da Itália, principalmente nas áreas rurais. Diante desta situação, a emigração era interpretada como uma verdadeira libertação de uma condição insustentável de miséria. A saída da própria pátria era menos uma escolha que uma necessidade. “Ou roubar ou migrar”, escrevia um migrante à Scalabrini. A migração era compulsiva e não voluntária. O bispo de Piacenza defendia a “liberdade de migrar, não de fazer emigrar, porque tanto é boa a migração espontânea, quanto é danosa a forçada”.

A exploração dos migrantes continua, apenas mudou de “endereço”. A miséria agora assola, sobretudo as populações do Sul do mundo. Os excessos populacionais estão presentes nos países mais pobres. Quem precisa de mão-de-obra são os povos do Norte do mundo, que possuem um baixo índice de natalidade e progressivo envelhecimento populacional. Hoje, é no Sul do mundo que milhões de pessoas são impelidas a fugir da própria terra, colocando em risco a própria vida e a própria dignidade. Os agentes de emigração, que já foram objeto das duras denúncias de Scalabrini, hoje são as máfias do mundo inteiro que vendem sonhos e compram vidas. A “tonelada humana”, como era definida a “carga” de migrantes transportada pelos navios no final do século XIX, hoje tem outros nomes: “clandestinos”, “ilegais”, “indocumentados”, “extra-comunitários” ou “supostos terroristas”!

Em breve, passaram-se 107 anos da fundação da Congregação, mas os desafios do fenômeno migratório continuam presentes. É por isso que, fiéis ao nosso carisma e à intencionalidade do fundador e co-fundadores, queremos reafirmar nossa solidariedade com as vítimas das migrações, sem cairmos em posturas maniqueístas ou falsos irenismos, mas com a plena consciência de que apenas uma cultura fraterna, planetária, multilateral e dialógica pode extinguir as causas estruturais das migrações compulsivas. Infelizmente, os fracassos das recentes Cúpulas multilaterais sobre alimentação (Roma) e desenvolvimento (Johannesburg) evidenciam uma conjuntura histórica em que os interesses particulares são antepostos ao bem comum da humanidade. Neste contexto, a nossa missão se torna mais urgente do que nunca.

São Carlos Borromeo, que lembramos no dia quatro de novembro, pode nos inspirar nesse constante processo de fidelidade ao carisma, conversão a Deus, ao próximo e, especialmente, ao migrante: “A caridade deve tornar-se a nossa veste. Comprova-la-eis não apenas manifestando-a com palavras, mas com vossas ações, as esmolas, as obras de misericórdia e tudo aquilo que no Evangelho o Senhor nos ensinou a fazer para os outros”. Assim como São Carlos solidarizou-se com as vítimas da peste, queremos nos comprometer na cura de todas as “pestes contemporâneas” que afligem os migrantes, sendo solidárias e solidários com seus sofrimentos e buscando caminhos locais e globais de promoção de uma cultura de paz e de fraternidade. Esta é a nossa alegria! Este é o nosso carisma!



Centro Scalabriniano de Estudos Migratórios - CSEM

Brasília -DF, Outubro, 2002.


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