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CONCLUSÃO

Em seu livro The Secret Power of Music, David Tame conclui sua análise da música rock com palavras que expressam adequadamente a conclusão deste presente estudo. Ele escreveu: “O rock afetou inquestionavelmente a filosofia e o estilo de vida de milhões. É um fenômeno global; uma batida pulsante, pulsante e destrutiva que é ouvida desde a América e Europa Ocidental até a África e Ásia. Seus efeitos sobre a alma tornam praticamente impossível o verdadeiro silencio interior e a paz necessários para a contemplação das verdades eternas. Seus ‘fãs’ são dependentes, embora não saibam disto, da ‘sensação prazerosa’, ampliadora do egocentrismo, dos efeitos para-hipnóticos de sua batida insistente.” 89

Tame não é um educador religioso, mas um musicólogo que traça de forma erudita a influência da música sobre o homem e a sociedade desde o tempo da sociedade antiga até o presente. Todavia, ele crê fortemente que a música rock representa uma séria ameaça à própria sobrevivência da nossa civilização. “Creio firmemente que o rock em todas as suas formas é um problema crítico, com o qual a nossa civilização tem que lidar de alguma forma genuinamente eficaz, e sem demora, se deseja continuar a sobreviver.” 90

De muitas formas, o julgamento que Tame faz da música rock concorda perfeitamente com as conclusões que emergiram durante o curso de nossa investigação levada a efeito nos últimos quatro capítulos, sobre os aspectos filosóficos, históricos, religiosos e musicais da música rock.

Filosoficamente, descobrimos, no capítulo 2, que a música rock rejeita a visão bíblica transcendental de Deus, promovendo, em vez disto, uma concepção panteísta do sobrenatural como uma força impessoal, que o indivíduo pode experimentar através do ritmo hipnótico da música rock, drogas e sexo.

Historicamente, notamos, no capítulo 3, que a música rock passou por um processo de endurecimento facilmente reconhecível, promovendo de forma ousada, entre outras coisas, uma cosmovisão panteísta/hedonista, uma rejeição aberta dos


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valores e fé cristãos, perversão sexual, desobediência civil, violência, satanismo, ocultismo, homossexualismo e masoquismo.

Religiosamente, vimos, no capítulo 4, que a música rock tem levado à rejeição da fé cristã e à aceitação de um novo tipo de experiência religiosa. Esta última envolve o uso de música rock, sexo, drogas e dança para transcender a limitação do tempo e espaço e fazer a conexão com o sobrenatural.

Musicalmente, mostramos, neste capítulo, que a música rock difere de todas as outras formas de música por causa de sua batida impulsionadora, forte e implacável. Estudos científicos tem demonstrado que a batida do rock pode alterar a mente e causar várias reações físicas, inclusive excitação sexual.

A informação factual que amealhamos a respeito da natureza da música rock durante o curso desta investigação torna abundantemente claro que tal música não pode ser legitimamente transformada em música cristã pela alteração de sua letra. Em qualquer versão que seja, a música rock é e continua sendo uma música que personifica um espírito de rebelião contra Deus e os princípios morais que Ele revelou para nossas vidas.

Pelo estímulo ao aspecto físico, sensual da natureza humana, a música rock tira do seu equilíbrio a ordem da vida cristã. Isso faz com que a gratificação da natureza carnal seja mais importante do que o cultivo do aspecto espiritual de nossa vida.

Esforçando-se conscientemente para causar um impacto físico, o rock “cristão” reduz as verdades espirituais a uma experiência física. Os ouvintes são enganados, sendo levados a crer que tiveram um encontro espiritual com o Senhor, quando, na verdade, aquela experiência foi apenas excitação física.

Os cristãos deveriam responder à música rock escolhendo, em vez dela, a boa música que respeita o equilíbrio adequado entre a melodia, harmonia e ritmo. O equilíbrio adequado entre estes três reflete e incentiva a ordem e o equilíbrio em nossa vida cristã entre os componentes espirituais, mentais e físicos de nosso ser. Música boa e equilibrada pode contribuir e contribuirá para manter nosso “espírito, e alma e corpo ... conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Tessalonicenses 5:23)

No limiar de um novo século e milênio, os cristãos tem uma oportunidade sem precedentes para construírem com base em sua rica herança de música religiosa. Em um tempo no qual a tendência é substituir os hinos sacros com canções seculares que estimulam as pessoas fisicamente em vez de eleva-las espiritualmente, é bom relembrarmos que Deus nos chama a adora-Lo na “beleza da Sua santidade” (I Crônicas 16:20; cf. Salmos 29:2; 96:9).


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A santidade na adoração evita o trivial repetitivo no som e nas palavras. A santidade na adoração evita o ritmo degenerado e o estilo sussurrado dos artistas populares. A santidade na adoração exige compromisso com os mais altos padrões razoáveis de execução. A santidade na adoração é adorar ao Senhor verdadeiramente, com nossa máxima reverência e respeito.

Nossa música de adoração deveria refletir a música que esperamos cantar na comunhão do Pai e do Filho no mundo porvir. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são honrados por nossa música? A nossa música reflete a paz, pureza e majestade de nosso Deus? Podemos nos imaginar cantando nossa música da igreja um dia, quando estaremos em pé diante da indescritível majestade do Deus triúno? Paulo nos lembra que “a nossa pátria está no céu” (Filipenses 3:20). Isto significa que qualquer aspecto das nossas vidas, inclusive nossa música, deveria ser visto como uma preparação para aquela gloriosa experiência na Nova Terra, onde “uma única palpitação de harmonioso júbilo vibra por toda a vasta criação.” 92



NOTAS

1. Allan Bloom, The Closing of the American Mind (New York, 1987), p. 69.

2. Quentin J. Schultze, Dancing in the Dark (Grand Rapids,MI, 1991), p. 151.

3. Aaron Copland, What to Listen for Music (New York, 1957), p. 40.

4. Ibid., p. 46.

5. Jay Cannon, Striving for Excellence (Oakbrook, IL, 1989), p. 5.

6. Tim Fisher, The Battle for Christian Music (Greenville, SC, 1992), p. 68.

7. Jay Cannon (nota 5), p. 10.

8. Veja Lawrence Walters, “How Music Produces Its Effects on the Brain and Mind,” Music Therapy (New York, 1954), p. 38.

9. Tim Fisher (nota 6), p. 79.

10. Bob Larson, The Day Music Died (Carol Stream, IL, 1972), p. 15.

11. Tim Fisher (nota 6), p. 69.

12. Bob Larson (nota 10), p. 16.

13. Quentin J. Schultze (nota 2), p. 151.

14. Charles T. Brown, The Art of Rock and Roll (Englewood Cliffs, NJ, 1983), p. 42.
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15. Gene Grier, A Conceptual Approach to Rock Music (Valley Forge, PA, 1976), p 30.

16. Ibid., p. 61.

17. Bob Larson, (nota 10), pp. 9,12. Ênfase acrescentada.

18. Simon Frith, Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll (New York, 1981), p. 14.

19. Daniel and Bernardette Skubik, The Neurophysiology of Rock, publicado separadamente como um apêndice em John Blanchard, Pop Goes the Gospel: Rock in the Church (Durham, England, 1991), p. 191.

20. Verle L. Bell, “How the Rock Beat Creates an Addiction,” em How to Conquer the Addiction to Rock Music (Oakbrook, IL, 1993), p. 82.

21. Daniel and Bernardette Skubik (nota 19), p. 187.

22. John Diamond, Your Body Doesn’t Lie (New York, 1979), p. 101.

23. Ibid., pp. 159-160.

24. Stephen Halpern, Tuning the Human Instrument (Belmont, CA, 1978), p. 45.

25. Don Campbell, The Mozart Effect. Tapping the Power of Music to Heal the Body, Strengthen the Mind, and Unlock the Creative Spirit (New York, 1997), p. 67.

26. Ibid.

27. Entrevista, Entertainment Tonight, ABC, 10 de dezembro de 1987. Citado em Leonard Seidel, Face the Music (Springfield, VA, 1988), p. 26.

28. Entrevista em Newsweek (4 de janeiro de 1971), p. 25.

29. Fort Lauderdale News (6 de março de 1969), p. 14.

30. Rolling Stones (7 de Janeiro de 1971), p. 12.

31. U. S. A. Today (13 de Janeiro de 1984), p. 35.

32. Daniel and Bernardette Skubik (nota 19), pp. 187-188, 32.

33. Anne H. Rosenfeld, “Music, the Beautiful Disturber,” Psychology Today (dezembro de 1985), p. 54.

34. Bob Larson (nota 10), p. 123.

35. Calvin M. Johansson, Discipling Music Ministry: Twenty-first Century Directions (Peabody, MA, 1992), pp. 50-51.

36. Ibid.

37. Ibid., p. 52.

38. Veja Lawrence Walters, “How Music Produces Its Effects on the Brain and Mind,” em Music Therapy (New York, 1954), p. 38; Arthur Winter, M. D., e Ruth Winter, Build Your Brain Power (New York, 1986), pp.79-80.


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39. Ira A. Altshuler, A Psychiatrist’s Experiences With Music as a Therapeutic Agent: Music and Medicine (New York, 1948), pp. 270-271.

40. G. Harrer and H. Harrer, “Musik, Emotion und Vegetativum,” Wiener Medizinische Wochenschrift 45/46 (1968).

41. Bob Larson (nota 10), p. 110.

42. Quoted in Leonard Seidel, Face the Music (Springfield, VA, 1988), p. 64.

43. John Diamond (nota 22), p. 164. Ênfase acrescentada.

44. Ibid. Ênfase acrescentada.

45. Jeffery Arnett, “Heavy Metal and Reckless Behavior Among Adolescents,” Journal of Youth and Adolescents (1991), p. 6.

46. William J. Schafer, Rock Music (Minneapolis, MN, 1972), p.76. Veja também C. H. Hansen and R. D. Hansen, “Rock Music Videos and Antisocial Behavior,” Basic and Applied Social Psychology, 2:4 (1990), pp. 357-370; Phyllis Lee Levine, “The Sound of Music,” New York Times Magazine (14 de março de 1965), p. 72.

47. Newsweek (16 de fevereiro de 1976), p. 24. Ênfase acrescentada.

48. Stephen Halpern (nota 24), p. 103.

49. Timothy Leary, Politics of Ecstasy (New York, 1965), p. 165.

50. Hit Parader (Janeiro de 1968), p. 12.

51. Melody Maker (7 de outubro de 1967), p. 9.

52. Hit Parader Yearbook, No. 6 (1967).

53. Bob Larson (nota 10), p. 111.

54. Ibid.

55. Citado por Joel Dreyfuss, “Janis Joplin Followed the Script,” Wichita Eagle (6 de outubro de 1970), p. 7A.

56. Citado por Lawrence Laurent, “ABC New Format Proves Successful,” The Washington Post (19 de julho de 1968), p. C7.

57. Ralph Rupp, um fonoaudiólogo da Clínica da Fala da Universidade de Michigan, propôs que os governos locais deveriam fazer cumprir um limite de 100 decibéis no rock tocado em clubes. (Citado por Jeff Ward, “Cum On Kill the Noize!” Melody Maker 48 [8 de dezembro de 1973], p. 3.) Veja também “Nader Sees Deaf Generation from Excessive Rock ‘n’ Roll,” New York Times (2 de junho de 1969), p. 53.

58. Calvin M. Johansson (nota 35), p. 25.

59. Ibid.

60. David A. Noebel, Rock ‘n’ Toll: A Prerevolutionary Form of Cultural Subversion (Tulsa, OK, n.d.), p. 3.


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61. Ibid., p. 10.

62. R. H. Rookmaaker, Modern Art and the Death of a Culture (Downers Grove, IL, 1970), p. 188.

63. Jim Miller, “Hymning the Joys of Girls, Gunplay and Getting High,” Newsweek (2 de fevereiro de 1987), p. 70. Ênfase acrescentada.

64. Frank Garlock and Kurt Woetzel, Music in the Balance (Greenville, SC, 1992), p. 108.

65. Richard S. Taylor, A Return to Christian Culture (Minneapolis,MN, 1973), p. 87.

66. Frank Garlock and Kurt Woetzel (nota 64), p. 93.

67. Calvin M. Johansson (nota 35), p. 73.

68. Ralph Novak, “Peoples Picks & Pans,” People (24 de junho de 1985), p. 20.

69. Ellen G. White, Educação (Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP), p. 25.

70. H. Lloyd Leno, “Music and Morality,” Adventist Review (26 de fevereiro de 1976), pp. 7-8.

71. Charlie Peacock, At the Crossroad: An Insider’s Look at the Past, Present, and Future of Contemporary Christian Music (Nashville, TN, 1999), p. 15.

72. Ibid.

73. Ibid., p. 16.

74. Jiggs Gallager, Insight, edição especial.

75. Ibid.

76. Frank Garlock and Kurt Woetzel (nota 64), p. 57.

77. Ibid., p. 59.

78. Ibid.

79. John Diamond (nota 22), p. 156.

80. Simon Frith (nota 18), p. 240.

81. David Tame, The Secret Power of Music (New York, 1984), p. 199.

82. Ibid., p. 15.

83. Frank Garlock and Kurt Woetzel (nota 64), p. 62.

84. Ibid., p. 63.

85. O material desta seção “Tornando os Hinos Significativos” é adaptada do ensaio “The Music of Worship” preparado por Elsie Buck, que atualmente está servindo como presidente da International Adventist Musicians Association.


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86. Ibid.

87. O endereço da The Hymn Society of the United States and Canada é Boston School of Theology, 745 Commonwealth Avenue, MA 02215-1401.

88. Hope Publishing Company, 380 South Main Place, Carol Stream, IL 60188.

89. David Tame, The Secret Power of Music (Rochester, VT, 1984), p. 204.

90. Ibid.

91. Ibid.

92. Ellen G. White, O Grande Conflito (Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, SP), p. 678.
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Capítulo 6
UMA TEOLOGIA ADVENTISTA
DA MÚSICA NA IGREJA
por:
Samuele Bacchiocchi

A controvérsia sobre o uso da música rock religiosa na adoração na igreja é fundamentalmente teológica, porque a música é como um prisma de vidro, através do qual brilham as verdades eternas de Deus. A música divide esta luz em um espectro de muitas belas verdades. Os hinos cantados e os instrumentos tocados durante o culto na igreja, expressam o que esta igreja acredita sobre Deus, Sua natureza e Sua revelação para nossa vida presente e destino final.

A música define a natureza da experiência da adoração, revelando a forma e o objeto de adoração. Quando a música é orientada no sentido de agradar ao eu, então a adoração reflete esta nossa cultura de elevação das pessoas acima de Deus. A tendência hedonista de nossa cultura pode ser vista na popularidade crescente de várias formas de música rock usada para adoração na igreja, porque elas fornecem uma auto-satisfação fácil.

Muitos cristãos reclamam que os hinos tradicionais da igreja estão mortos, porque estes não têm mais nenhum apelo para eles. Por outro lado, música rock religiosa contemporânea lhes dá um “pontapé”, - uma sensação agradável. Aqueles que clamam por uma música eclesiástica que lhes ofereça satisfação pessoal, ignoram que estão buscando uma excitação física egocêntrica, em lugar de uma celebração espiritual das atividades criadoras e redentoras de Deus, centralizada nEle.

No capítulo 2 notamos que há uma íntima conexão entre a música e a teologia. Durante a história Cristã a produção musical foi grandemente influenciada pela evolução da compreensão de Deus. A
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mudança histórica da compreensão transcendental de “Deus além de nós” durante o período medieval, para a concepção imanental de “Deus por nós” durante a reforma no décimo sexto século, e para a percepção “Deus em nós” do décimo sétimo século até nossos dias, é refletida na evolução gradual da música eclesiástica do canto medieval, para o coral luterano, para o rock religioso de hoje.

A manifestação moderna de uma forte concepção imanental “Deus em nós”, tem levado as pessoas a buscar uma experiência emocional imediata de Deus através do estímulo da música popular rítmica e estridente. Tal música, freqüentemente usada durante o culto na igreja, reflete em grande extensão a perspectiva teológica da congregação e, muito provavelmente, da denominação que esta representa.


Teologia Insuficiente. O número crescente de igrejas cristãs em geral e de igrejas adventistas em particular que estão adotando estilos de adoração contemporâneos, onde várias formas de música rock religiosa são executadas, sofrem de uma condição que pode ser chamada de “empobrecimento teológico”. A característica que define esta condição é a escolha de música com base estritamente no gosto pessoal e tendências culturais, em lugar de convicções teológicas claras.

Este problema tem sido reconhecido até mesmo por alguns músicos Cristãos contemporâneos. Em seu livro At The Crossroads (1999), Charlie Peacock, um artista com gravações ganhadoras de prêmios, produtor e compositor de canções populares tais como “Every Heartbeat” (gravada por Amy Grant), reconhece francamente que Música Cristã Contemporânea (MCC) tem operado “sob uma teologia insuficiente”.1 Ele escreve: “O que está faltando na MCC é uma teologia abrangente da música em geral, e uma teologia da arte, indústria, e público da MCC em particular. De modo a começarmos a repensar a música cristã contemporânea, teremos primeiro que reconhecer a necessidade de desenvolver uma teologia abrangente”.2

Peacock acha que as teologias da música contemporânea freqüentemente “erram nos seus objetivos” porque estão baseadas em gostos pessoais ou demanda popular ao invés de basear-se em ensinamentos Bíblicos. “Sem os pensamentos de Deus e os caminhos de Deus, somos deixados com nossas próprias idéias obscurecidas e insuficientes. Se voluntariamente escolhemos negligenciar o trabalho de edificar teologias verdadeiras para nossas vocações, nos veremos despedindo-nos do brilho que ilumina a vida. Nos acharemos tropeçando cegamente pelo caminho que parece certo aos homens, mas leva a nada mais do que escuridão”.3
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O desafio de repensar o arcabouço teológico da música contemporânea, não afeta apenas o movimento de MCC, mas as igrejas cristãs em geral, inclusive a Igreja Adventista do Sétimo-Dia. Muito freqüentemente as canções populares cantadas durante o culto na igreja são baseadas em uma teologia inadequada ou até mesmo herética orientada para a auto-satisfação. Isto é verdade não só para o rock religioso, mas também para outras canções.

Um exemplo é a canção, “We Get Lifted Up”,4 que começa: “Eu aprendi um segredinho que você já deve saber”. O segredo vem a ser que louvar ao Senhor “faz tanto por nós quanto faz por Ele, porque somos levados ao alto”. O refrão repete a mesma mensagem: “Somos levados ao alto, somos levados ao alto, somos levados ao alto quando louvamos ao Senhor; Oh, somos levados ao alto, somos levados ao alto, somos levados ao alto quando louvamos ao Senhor”. A segunda estrofe começa, “Eu costumava pensar que meu louvor era só para servir ao Rei”, mas agora descobrimos que louvar ao Senhor “faz tanto por nós quanto faz por Ele”.

Realmente, adoração nos eleva, mas se a razão para adoração é somente conseguir uma elevação emocional, então a adoração se torna uma gratificação centrada no eu, em vez de ser uma adoração centralizada em Deus. Em última instância, cantamos sobre nós mesmos em vez de cantarmos sobre a glória, beleza, e santidade de Deus, manifestadas na criação e na redenção.
Música Orientada às Emoções. Teologia inadequada e enganosa está freqüentemente presente também nas músicas para crianças. Por exemplo, na série popular de fitas para crianças Psalty, produzidas pela Maranatha Music, a criança menor pergunta: “Psalty, eu sou tão pequeno. Como eu posso louvar ao Senhor?” Psalty responde: “Você consegue pular prá cima e prá baixo? Você consegue se abaixar no chão? Você consegue gritar com toda a tua força, ‘Louvado seja o Senhor?’ Se você faz isso com todo o teu coração, então você pode louvar ao Senhor”. A canção seguinte, com um som decididamente contemporâneo, começa com todas as crianças cantando: “Eu vou pular prá baixo / dar voltas / tocar o chão / e louvar ao Senhor”.

A mensagem falsa desta canção é típica da música e adoração orientadas às emoções. Nós não louvamos a Deus simplesmente saltando para cima e para baixo ou gritando o Seu nome. Louvar a Deus simplesmente não é um assunto de exercícios externos, mas uma resposta interna, sincera.

É impressionante que muitos adultos estejam satisfeitos em cantar corinhos simples, próprios para crianças. De fato, o cântico de corinhos tem encorajado muitas igrejas a ignorar completamente o hinário e, ao invés dele, optar por corinhos facilmente memorizáveis, que podem ser cantados e dançados como se se estivesse em uma festa. “Estou-feliz-feliz-feliz-todo-o-dia”
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é repetido uma dúzia de vezes. Outro exemplo, “Tenho uma sensação que tudo vai dar certo. Tenho uma sensação que tudo vai dar certo. Tenho uma sensação que tudo vai dar certo, certo, certo, certo”.

Tais corinhos não apenas são muito banais, mas são também heréticos, fazendo com que aquilo que a pessoa está sentindo, ao invés das promessas de Deus, seja a base da certeza. “Na adoração... fé, não os sentimentos, deveria ser a guia de referência. Uma fé praticada com base em emoções não é fé de forma alguma. Tais músicas podem ser divertidas para se cantar e nos fazer sentir-se bem, mas o seu efeito sobre a adoração e a vida é devastador”.5


Espiritualidade Obscura. A ênfase de muitas músicas religiosas contemporâneas em “mim”, “meu”, e “eu” reflete a teologia egocêntrica que é tão prevalecente hoje. No seu artigo “Gospel Music Finds Its Amazing Grace”, Philip Gold mostra que a mensagem das canções religiosas contemporâneas “raramente varia: Eu estou OK, você está OK, Deus está OK, e tudo vai ficar OK”.6

A teologia egocêntrica das canções contemporâneas é refletida nessas letras que contêm referências apenas vagas e obscuras a coisas espirituais. Tomemos, por exemplo, a canção popular cristã contemporânea “You Light Up My Life”. A letra fala de um você nebuloso, que poderia facilmente ser uma referência a um namorado, amante, cônjuge ou, possivelmente, o Senhor.


E você ilumina minha vida.

Você me dá esperança, prá continuar.

Você ilumina meus dias e enche minhas noites de cânticos.

Não pode estar errado quando sinto ser tão certo,

Porque você, você ilumina minha vida.
Por causa de sua teologia nebulosa, esta canção é cantada em virtualmente qualquer ambiente, dos corredores de cassinos em Las Vegas até cruzadas evangelísticas “como uma música de fundo durante um apelo para aceitar a Jesus Cristo como Salvador”.7

As implicações desta canção, chamada de cristã, são que quando se sente ser certo, não pode estar errado. Se você se sente bem, então faça! Coincidentemente, esta foi a natureza da tentação de Eva. Ela achou que o fruto proibido era “bom”, assim ela o tomou e “comeu, e deu a seu marido” (Gênesis 3:5-6). A Bíblia adverte por exemplos e preceitos que nossos sentimentos não são um guia moral seguro para a conduta cristã, porque nossa mente carnal está em inimizade para com Deus (Romanos 8:7).


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Outro exemplo de espiritualidade obscura é a canção popular de Amy Grant “Who To Listen To”:
Não aceite caronas de estranhos

Não há como saber para onde eles vão

Você pode ser deixado em uma estrada longa e escura

Perdido e só

Não fique lembrando o que sua mamãe lhe falou

Você tem que aprender a diferenciar o quente do frio.


Esta canção dificilmente ensina qualquer valor espiritual substancioso. Não dá nenhuma instrução ou propósito bíblico às pessoas. Note os comentários que um repórter de um jornal de Boston fez sobre um dos concertos de Amy onde ela cantou “Who To Listen To”: “‘Você quer cantar, cante! Você quer dançar, dance até seu cérebro sair prá fora! Esta noite nós estamos celebrando!’ Com essas palavras, ela [Amy Grant] deu o pontapé inicial em um tipo próprio de reunião de reavivamento no Worchester Centrum na segunda-feira à noite.... Durante quase duas horas, ela manteve o espírito se movendo - através de vocais forte mas calmos, sobre uma mistura de música pop eletrônica que parecia melhor apropriado para uma festa de dança do que para uma igreja. ‘Who To Listen To,’ um número agitado, figurou até mesmo em um episódio de ‘Miami Vice’”.8

Música que é apropriada para “Miami Vice”, dificilmente pode ser satisfatória para a adoração no santuário de Deus. Isto é especialmente verdade para a Igreja Adventista do Sétimo Dia onde a música usada no culto de adoração deveria expressar a sua identidade teológica como um movimento profético chamado para preparar um povo para a breve volta do Salvador. De fato, muitas das canções no hinário adventista encarnam tais crenças distintivas como a criação, o sábado, a expiação, o sacerdócio divino de Cristo, o julgamento, o Segundo Advento, e o mundo por vir.

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