Um Estudo dos



Baixar 1.55 Mb.
Página2/21
Encontro20.07.2016
Tamanho1.55 Mb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   21

Método e Estilo. Este estudo foi escrito a partir de uma perspectiva bíblica. Pelo que sei, cada contribuinte aceita a Bíblia como norma para definir as convicções e práticas cristãs. Como as palavras da Bíblia contêm uma mensagem divina escrita por autores humanos que viveram em situações históricas específicas, todo esforço deve ser feito para se compreender o seu significado em seu contexto histórico. Esta convicção é refletida na metodologia empregada na análise dos textos bíblicos relacionados ao canto, instrumentos musicais e dança.
--- pág. 19 ---


Como poderia se esperar, escrito por sete contribuintes diferentes, o estilo do livro não é uniforme. Você descobrirá logo que alguns capítulos são mais fáceis de ler que outros. Para facilitar a leitura, tomei a liberdade, como editor, de dividir cada capítulo em partes principais e subdividir o texto em sub-títulos apropriados. Isto dá alguma consistência ao formato do livro. A menos que especificado de outra maneira, todos os textos da Bíblia são citados da Versão Standard Revisada, de 1946 e 1952. (N.T. – Para a tradução foram empregadas várias versões da tradução de João Ferreira de Almeida. Não são feitas indicações específicas.)
A Esperança dos Autores. Seria presunçoso esperar que este livro mudasse as mentes de todas as pessoas, especialmente aqueles que já se decidiram. Mas muitas pessoas estão confusas, porém abertas. Elas são sinceras, mas estão sinceramente erradas no que acreditam. Vários exemplos são dados a seguir, na segunda parte deste capítulo.

Um pastor me falou: “Eu era conhecido como ‘o Pastor do Pandeiro’ porque usava um pandeiro o tempo todo para acompanhar a música na igreja. Mas depois que li, em seu boletim informativo, que o pandeiro e outros instrumentos associados à música de entretenimento não eram permitidos no Templo, na sinagoga, ou na igreja primitiva, decidi que nunca mais traria o pandeiro à igreja.” Este é o tipo de pessoas que esperamos ajudar com este livro.

Muitos pastores, professores de Bíblia, líderes de jovens, membros leigos, e jovens em geral têm uma compreensão limitada da ameaça que a música rock representa para a fé cristã, e dos ensinos bíblicos relativos a música. Supõem que música é apenas uma questão de gosto e cultura e que a Bíblia não nos dá instrução alguma na área da música. Compartilhei a mesma visão até que me envolvi nesta pesquisa.

Desenterrar toda esta informação consumiu muito do meu tempo. Durante os últimos seis meses gastei em média de 12-15 horas por dia neste projeto, como minha esposa pode testemunhar. É óbvio que pastores ocupados ou pessoas leigas dificilmente poderão encontrar tempo para empreenderem uma pesquisa desta natureza. Aqueles de nós têm o tempo e habilidade para investigar novas verdades, têm a obrigação de compartilha-las. É disto que trata o cristianismo. Foi com este espírito que cada contribuinte apresentou suas descobertas neste livro.


Parte 2
UMA VISÃO GERAL DAS QUESTÕES
Por consideração àqueles que apreciam uma visão geral dos principais assuntos controversos examinados neste estudo, listei brevemente
--- pág. 20 ---


os oito assuntos principais, junto com um resumo da resposta fornecida por cada contribuinte em seus respectivos capítulos. Esperançosamente, esta avaliação aguçará o apetite por ler o restante do livro.
(1) A Moralidade da Música
Os defensores do uso da música rock “cristã” para a adoração e o evangelismo, mantêm que a música é isenta de qualidades morais boas ou más. Conseqüentemente, não há nada de errado em adotar a música rock, mudando suas letras, porque a mensagem não está na música, mas sim nas palavras. Esta visão é declarada enfaticamente no que é conhecido como o Credo do Roqueiro Cristão, publicado na popular revista CCM Magazine: “Nós defendemos que estas verdades são evidentes por si mesmas, de que todas as músicas foram criadas iguais, de que nenhum instrumento ou estilo musical é, em si mesmo, maléfico – de que a diversidade de expressão musical que flui do homem é nada mais de que uma evidência da criatividade ilimitada de nosso Pai Celeste”. 10

Declarações semelhantes poderiam ser multiplicadas, porque são abundantes na literatura evangélica. 11 Dois exemplos da literatura Adventista são suficientes para mostrar que esta visão está ficando popular nos círculos Adventistas. No artigo “Contemporary Music Is Christian Music”, que foi publicado na revista Ministry (setembro de 1996), Michael Tomlinson declara: “Acredito que a música em si mesma seja desprovida de qualidades morais, para o bem ou para o mal. A questão tem mais a ver com o que se diz ou se faz usando a música do que com a música em si” 12. Ele ainda vai além quando diz: “Alguns líderes da igreja denunciam o ‘rock’ cristão porque eles não o entendem ou talvez porque estejam cegos pelo preconceito das gerações ou por sua preferência pessoal?” 13 A visão de Tomlinson é clara. A música é moralmente neutra. Aqueles líderes de igreja que denunciam o rock “cristão” ou são ignorantes acerca dele ou preconceituosos em relação a ele. Isto é verdade? Descobriremos logo.

Harold B. Hannum, um músico adventista famoso e respeitado, expressa a mesma opinião, dizendo que “assuntos morais têm a ver com ações humanas e relações com os outros, não com as notas de uma composição”. 14 Mais adiante, no mesmo livro, Hannum afirma: “Os valores morais e religiosos deveriam ser mantidos separados dos valores puramente estéticos”. 15
A Resposta. A resposta principal para a alegada neutralidade moral da música é encontrada no Capítulo 13, “Música e Moralidade”, de autoria de Wolfgang H. M. Stefani, músico australiano, estudioso, pastor e que
--- pág. 21 ---


obteve graduação em música e um doutorado em Educação Religiosa na Andrews University em 1993. Sua dissertação intitulava-se “O Conceito de Deus e o Estilo da Música Sacra.” Ele ensinou música durante nove anos a universitários e pós-graduandos, inclusive no Seminário Teológico da IASD na Andrews University.

Tenho que confessar que ao ler pela primeira vez a dissertação de Stefani, fiquei preocupado em que ela pudesse ser muito aprofundada para o leitor comum. Ele é um erudito brilhante o qual respeito muito, mas seus escritos tendem a estar acima da compreensão do leitor comum. Um amigo de confiança me encorajou a incluir a dissertação de Stefani neste estudo porque alguns dos leitores são bem instruídos e apreciariam sua resposta erudita e convincente à alegada neutralidade moral da música.

Simplificando, Stefani apresenta quatro argumentos principais. O primeiro argumento é histórico. Nos últimos dois mil e quinhentos anos, a música tem sido considerada uma força tão potente e influente na sociedade, que os principais políticos e filósofos defenderam seu controle pela constituição da nação. Assim, historicamente, a música e a moralidade estiveram intimamente conectadas.

O segundo argumento é teológico. Em um mundo infestado pelo pecado, toda criação humana reflete um grau de comprometimento moral. A noção de que as artes criativas, como a música, não foram influenciadas pela Queda, foi desenvolvida durante a Idade Média quando a Igreja Católica controlava as produções artísticas.

Quando a igreja perdeu sua influência e a sociedade se tornou secular, a noção de que as artes estéticas não eram sujeitas à responsabilidade moral continuou. O resultado foi que “rock, rap, metal thrash, clássico, jazz, country e western, soul, e uma vasta gama de outras músicas, cada qual com seus próprios padrões estéticos individuais, tornaram-se, inevitavelmente, formas aceitáveis de expressão musical, até mesmo no contexto da adoração”. 16

Stefani observa que esta visão popular ignora a distorção radical que o pecado produziu em todos os campos da experiência humana, inclusive na música. Os cristãos são chamados a examinarem a música, não apenas para determinar se ela é bonita, mas também para estabelecer se é moralmente compatível com os ensinos bíblicos.

O terceiro argumento está baseado na pesquisa científica nas últimas décadas, a qual demonstra que a música “governa os sentimentos”. “Por exemplo, a incorporação de música na trilha sonora de um filme assume como certo que
--- pág. 22 ---


ela causa um impacto em todas as pessoas de modo semelhante. De fato, se este não fosse o caso, a trilha sonora não faria sentido”. 17 “Existe atualmente um conjunto de pesquisas que demonstra que a música comunica de uma forma significativa e de uma maneira tal que pode e deve ser avaliada por sua conveniência e até mesmo no sentido de ser certa ou errada num determinado contexto”. 18

O quarto argumento é filosófico e, no entanto, declarado de forma prática: “O que governa o coração, dá forma à arte”. 19 Stefani demonstra com uma lógica convincente que os estilos musicais não são neutros, mas carregados de valores. “Eles são genuínas manifestações de crenças”. 20 Em sua dissertação ele traça com clareza convincente a correlação entre a evolução da compreensão de Deus e o desenvolvimento de novos estilos musicais durante o curso da história cristã.

Este é um conceito importante, que eu explorei no Capítulo 2, porque mostra que, no final de tudo, a batalha sobre estilos musicais é uma batalha teológica a respeito da nossa compreensão de Deus. A música rock de hoje, tanto em sua versão secular quanto na “cristã”, reflete uma percepção imanente de “Deus em nós”. Esta visão de Deus promove uma música forte, estimulante física e emocionalmente, por meio de ritmos repetitivos com o objetivo de alcançar um contato direto ou uma experiência do divino.

Finalmente, o que está em jogo na batalha sobre a música é a compreensão da própria natureza do Deus que está sendo adorado. A questão é: A música na igreja serve para adorar o Deus santo e transcendente da revelação bíblica ou um Ser casual, um tipo de amante pessoal, criado pela imaginação humana? O debate sobre esta questão é intenso e não acabará porque, intuitivamente, as pessoas sentem que sua música representa o Deus a quem elas querem adorar.

A não neutralidade da música é reconhecida claramente pelos próprios músicos. Por exemplo, Howard Hanson, famoso compositor e ex-diretor da Escola de Música Eastman em Rochester, Nova Iorque, disse: “A música é composta por muitos ingredientes e, de acordo com a proporção destes componentes, pode ser calmante ou estimulante, enobrecedora ou vulgarizante, filosófica ou orgiástica. Ela tem poder tanto para o mal como para o bem”. 21

O astro de rock Jimi Hendrix declara, ainda mais enfaticamente, a mesma opinião : “Você pode hipnotizar as pessoas com a música e quando eles chegarem ao seu ponto mais fraco você pode pregar para os seus subconscientes o que você quiser dizer.” 22


--- pág. 23 ---


A verdade das palavras de Hendrix tem sido conhecida no mundo empresarial por muito tempo. Os empresários sabem que certos tipos de música podem aumentar as vendas, enquanto outros tipos podem de fato reduzi-las. A Corporação Musak, que distribui música para empresas, anuncia seus serviços dizendo: “A ciência da progressão de estímulo emprega o poder inerente da música em um padrão controlado, para alcançar efeitos psicológicos e fisiológicos predeterminados nas pessoas. As principais companhias e estabelecimentos comerciais agora empregam o conceito da Musak para melhorar o ambiente, as atitudes, e o desempenho.”

A própria Bíblia desautoriza a noção de neutralidade da música através da história de Davi, que foi chamado para acalmar o Rei Saul sempre que ele era perturbado por um espírito maligno. “E sucedia que, quando o espírito maligno, da parte de Deus, vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa e a dedilhava; então, Saul sentia alívio e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele.” (I Samuel 16:23). Note que Saul era afetado física, emocional e espiritualmente, não pelo canto de Davi, mas somente pela música instrumental.

A noção de que a música, isolada das palavras, é neutra, é questionada pela Bíblia, pela ciência, e pelo bom senso. Ainda assim permanece como um engano popular, usado para justificar a aceitação nos lares e nas igrejas cristãs, da música popular que estimula as pessoas fisicamente em vez de eleva-las espiritualmente.
(2) A Música Rock não é Imoral
Intimamente relacionada à alegada neutralidade moral da música é a suposição popular de que os vários tipos de música rock são apenas um outro gênero musical que as pessoas podem gostar ou não, dependendo de sua preferência ou cultura musicais. Assim, não há nada de imoral com a música rock em si. Somente o seu uso impróprio é que é moralmente errado. Mudando suas letras, os cristãos podem usar música rock legitimamente para adorar a Deus e proclamar o Evangelho.

Esta visão, popular entre muitas igrejas evangélicas, está ganhando aceitação também na igreja Adventista. Por exemplo, Steve Case, um veterano pastor Adventista de jovens e presidente dos Ministérios “Piece of the Pie” para jovens, freqüentemente responde às perguntas sobre “rock cristão” na revista Insight, que é a revista oficial dos Adventistas do Sétimo Dia para adolescentes. Sobre a pergunta: “Existe realmente alguma coisa como ‘rock cristão’? Deus ouviria ou aprovaria isto?” Case responde: “Eu costumava responder a esta pergunta dizendo que o rock cristão


--- pág. 24 ---


é a tentativa do diabo para se esgueirar para dentro da igreja.... Agora respondo às perguntas sobre o ‘rock cristão’ perguntando, Qual é o teu preconceito com relação ao ‘rock cristão’? Você já tem um pensamento formado se ele está certo ou errado?” 23

Para Case, o uso particular ou na igreja do “rock cristão” é uma questão de preconceito pessoal. Ele escreveu em outro artigo: “Preferências musicais são pessoais. O que também quer dizer que gostos ou preferências musicais podem mudar”. 24 O conselho que Case dá a adolescentes sobre escutar “rock cristão” é o seguinte: “Tua música aumenta tua fé em Deus e o amor por Ele? Nesse caso, continue a ouvi-la! Se não, esteja disposto a fazer grandes mudanças ou desligue-a”. 25

Uma opinião semelhante é expressa no estudo Shall We Dance?, que é patrocinado por várias organizações adventistas, inclusive a Divisão Norte Americana da IASD. Para sermos mais precisos, deve-se mencionar que a declaração inicial na parte introdutória traz a seguinte negativa: “Este livro não é uma declaração oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia com respeito a padrões e valores.” 26 É confortante saber que o livro, embora sendo patrocinado pelas principais instituições Adventistas, não reflete os valores e padrões da igreja.

Relativo ao uso do “rock cristão”, o estudo sugere que seu uso é uma questão de gosto e experiência pessoais. “Alguns experimentaram o impacto [espiritual] através das demandas altas e rítmicas do rock. Muito mais estão aprendendo as alegrias mais amplas de um gosto musical eclético, aceitando o impacto de uma variedade de estilos sobre uma variedade de estados de espírito e necessidades. Cada um de nós tem que dar nossa própria resposta à questão da música. Se seu impacto físico e emocional está em harmonia com o cântico espiritual que quero cantar, então posso julgar isto como aceitável. Se esse impacto lutar contra o meu senso espiritual, então tenho que concluir que essa música está errada para mim”. 27


A Resposta. O gosto pessoal ou a preferência de adolescentes são critérios válidos para determinarem ou não se eles deveriam escutar o “rock cristão”? Podemos esperar que os adolescentes entendam os valores éticos, sociais e religiosos comunicados pela música rock em qualquer forma? Podemos culpar aos jovens por escutarem música rock se nós não os ajudarmos a verem os perigos representados por tal música?

A mim me parece que parte do problema do número crescente de jovens Adventistas estarem se tornando viciados em várias formas de música rock, é a falta de uma liderança forte no lar, na igreja, e na escola. Um


--- pág. 25 ---


fator contribuinte é uma falta de entendimento da natureza intrínseca da música rock. Infelizmente, a maioria das pessoas não percebe que há mais na música rock do que aquilo que chega aos nossos olhos ou ouvidos. Tenho que confessar que eu próprio era ignorante sobre este assunto até que me envolvi nesta pesquisa. Verdadeiramente posso dizer que esta pesquisa foi para mim uma experiência para abrir meus olhos e só posso esperar que os resultados de nosso trabalho possam beneficiar a muitas pessoas.

Os vários meses de meticulosa investigação dos aspectos filosóficos, éticos, sociais, e religiosos do rock, convenceram-me de que esta música é um movimento revolucionário “religioso” contra-cultural e anti-cristão, que usa seu ritmo, melodias, e letras para promover, entre outras coisas, uma cosmovisão panteísta/hedonista, perversão sexual, desobediência civil, violência, satanismo, ocultismo, homossexualidade, masoquismo, e uma rejeição aberta da fé e valores Cristãos.

Minha análise da música rock está nos Capítulos 2, 3, 4, 5. De forma simplificada, eis o que aprendi. No Capítulo 2 “A Cosmovisão da Música Rock”, descobri que a música rock reflete uma concepção panteísta de Deus como um poder imanente, impessoal, sobrenatural o qual o indivíduo pode experimentar pelo ritmo hipnótico da música rock e das drogas. A concepção panteísta de Deus facilitou a aceitação da música rock entre os cristãos e as pessoas de inclinação secular, uma vez que ambos os grupos buscam preencher seu anseio interno por uma experiência agradável do sobrenatural através dos efeitos hipnóticos da música rock.

No Capítulo 3 “A Natureza da Música Rock a Partir de uma Perspectiva Histórica”, aprendi que a música rock passou por um processo facilmente reconhecível de endurecimento, passando do rock ‘n’ roll para hard rock, acid rock, heavy metal rock, rap rock, thrash rock, etc. Novos tipos de formas mais pervertidas de música rock estão constantemente aparecendo porque os viciados pelo rock constantemente exigem algo cada vez mais forte que satisfaça seus anseios.

No Capítulo 4 “A Religião do Rock and Roll”, descobri que a cosmovisão panteísta promovida pela música rock tem levado, como conseqüência, à rejeição da fé Cristã e à aceitação de um novo tipo de experiência religiosa. Esta última envolve o uso da música rock, sexo, drogas, e danças para transcender a limitação de tempo e espaço, e conectar-se com o sobrenatural.

No Capítulo 5 “O Ritmo Rock e uma Resposta Cristã”, descobri que a música rock difere de todas as outras formas de música por causa de sua batida forte, alta e incansável. Estudos científicos mostraram que a batida do rock pode alterar a mente e causar várias reações físicas, inclusive


--- pág. 26 ---


o excitamento sexual. Estas são discutidas de forma mais completa no Capítulo 8 “Os Efeitos da Música Rock”, de autoria de Tore Sognefest, músico norueguês e autor do livro The Power of Music (O Poder da Música).

A informação confiável acumulada sobre a natureza da música rock durante o curso desta investigação, trouxe-nos abundante clareza de que tal música não pode ser transformada legitimamente em música Cristã apenas mudando suas letras. A música rock, em qualquer versão, é e permanecerá sendo uma música que manifesta um espírito de rebelião contra Deus e contra os princípios morais que Ele revelou para nossas vidas.

Estimulando o aspecto físico e sensual da natureza humana, a música rock desequilibra a ordem da vida Cristã. Ela torna a satisfação da natureza carnal mais importante do que cultivar o aspecto espiritual de nossa vida.

Os cristãos deveriam responder à música rock, escolhendo boa música que respeite o equilíbrio apropriado entre melodia, harmonia, e ritmo. O equilíbrio apropriado entre estes três reflete e promove a ordem e o equilíbrio em nossa vida Cristã entre os componentes espiritual, mental e físico de nosso ser. A música boa e equilibrada pode contribuir e contribuirá para manter nosso “... espírito, alma e corpo ... conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Tessalonicenses 5:23).


(3) A Música Rock e o Evangelismo
O debate sobre “rock ou não rock” no evangelismo está acontecendo além das linhas interdenominacionais. Os defensores do uso do rock no evangelismo apelam a considerações práticas. Argumentam que o rock faz parte da cultura atual e que, portanto, ele seria necessário para penetrar na geração rock.

Um recente artigo de capa da revista Christianity Today (17 de julho de 1999), intitulado “The Triumph of Praise Songs–How Guitars Beat Out the Organ in the Worship Wars”, captura, vividamente, como a música popular está substituindo a música tradicional em muitas igrejas hoje. O autor do artigo, Michael S. Hamilton, relata que bandas de louvor e grupos de adoração estão rapidamente substituindo os órgãos e corais. O gosto dos baby boomers pela música rock, que transformou a nossa sociedade está agora governando também o culto de adoração. 28

“Desde os anos cinqüenta, as divisões denominacionais tornaram-se cada vez menos importantes na vida da igreja americana. E a maior parte disso pode ser creditado à geração baby boom. Mas no fundo ainda somos todos sectários; ainda preferimos congregar com os que pensam como nós. Nosso novo
--- pág. 27 ---


sectarismo é um sectarismo do estilo de adoração. Os novos credos sectários são os dogmas da música”. 29 (N.T. – O baby boom foi um aumento súbito e enorme na taxa de natalidade dos Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial, durante o período compreendido entre 1947 e 1961. O baby boomer é o cidadão nascido nesse período.)

Este novo “sectarismo do estilo de adoração” é caracterizado pela adoção do rock religioso, que reflete o gosto, som e identidade dos baby boomers. A batida rock se tornou parte tão integrante de suas vidas que eles querem, inevitavelmente, ouvi-la também na música de suas igrejas. Se a igreja quer atrair a geração rock-and-roll, então a melhor coisa que ela pode fazer é oferecer-lhes a música à qual eles estão viciados – ou não os atrairá.

Esta visão popular é defendida por um número cada vez maior de Adventistas. No artigo “Worship and Praise: One Model for Change in the Worship Hour”, que foi publicado na revista Ministry (fevereiro de 2000), John A. Solomon argumenta que, se quer alcançar a geração baby boomer, a igreja tem que oferecer- lhes o tipo de música ao qual eles estão acostumados. 30

Solomon escreve, citando uma recente pesquisa: “Os baby boomers foram fortemente influenciados pela música rítmica. Apenas seis por cento classificaram a música clássica como música de sua preferência, com um preconceito contra a música de órgão. Retroprojetores substituíram hinários; sintetizadores substituíram órgãos; e tambores e guitarras têm assumido seu lugar no repertório na música instrumental da igreja.” 31

Para justificar a adoção de música popular na adoração e evangelismo, Solomon apela a Moisés, Miriam, e Davi que usaram música “exuberante.” “Davi e outros que escreveram os Salmos compuseram algumas das maiores letras e canções da literatura, e quando cantavam acompanhados por pandeiros, címbalos e trombetas, o êxtase enchia o ar (Salmos 145-150). O ponto é que Deus usou esta música, estes instrumentos, e estas ações para trazer glória a Si mesmo. Se Ele fez isto naquela época, isto pode, certamente, ser feito de várias maneiras hoje em dia.” 32 Mostraremos adiante que nenhuma das músicas “exuberantes” mencionadas acima, foram usadas na adoração de Deus no Templo, na sinagoga, ou na igreja primitiva.

A noção de que a Bíblia sanciona música rítmica “exuberante” para adoração divina, está encorajando a adoção de MCC na adoração e no evangelismo Adventista, além de dar origem a numerosas bandas. O artigo “Making Waves”, publicado na revista Adventist Review (17 de julho de 1997), relacionou oito bandas Adventistas de sucesso. “Estes artistas vêem seu estilo de música não como rebelião contra o sistema, mas como uma ferramenta ministerial para salvar uma nova geração do secularismo prevalecente e mostrar a ela a graça salvadora de Jesus”. 33


--- pág. 28 ---


A Resposta. A principal resposta para o uso da música rock no evangelismo é encontrada nos Capítulos 10 e 11. O capítulo 10, “Música Popular e o Evangelho”, é de autoria de Calvin A. Johansson, Doutor em Música., Professor de Música Eclesiástica na Evangel University e autor de dois livros importantes, Music and Ministry: A Biblical Counterpoint e Discipling Music Ministry: Twenty-first Century Directions. O prof. Johansson é uma das principais autoridades em música eclesiástica e é citado freqüentemente por autores que lidam com este assunto. Sinto-me imensamente honrado por sua disposição em contribuir com dois capítulos para este estudo.

No Capítulo 10, o prof. Johansson compara e contrasta os valores da música popular com os do Evangelho em oito áreas específicas. Ele conclui que “as características do pop são antagônicas às características do Evangelho. Parece óbvio que uma música (pop) que seja tão distinta do elemento que ela pretende representar (o evangelho), é incapaz de incorporar o evangelho em seu meio de testemunho (música). Assim, o pop é inútil no esforço espiritual. Se for usado, trará muito dano à causa de Cristo, pintando um quadro falso do que é a vida Cristã”. 34

O capítulo 11, “O Rock Cristão e Evangelismo”, é escrito por Güenter Preuss, um músico Adventista alemão, que nos últimos 15 anos serviu, primeiro como Diretor do Departamento de Música do Colégio Adventista e Seminário Teológico em Collonges-sous-Salève na França (1985-1995), e atualmente como Diretor de Música da Conferência de Baden-Wuerttemberg da IASD na Alemanha (1995-2000).

Preuss tem estado profundamente envolvido no cenário do rock Adventista na Alemanha, buscando ajudar os jovens a superarem seu hábito pela música rock. Atualmente está trabalhando em sua dissertação doutoral sobre os hinos da reforma entre os anos 1700 e 1870 na Universidade de Sorbonne, em Paris. Ele me entregou um manuscrito de quase 100 páginas com um vasta documentação e muitos argumentos. Ele me convenceu imediatamente que é um verdadeiro erudito alemão, ansioso por uma visão ampla e completa. Posso lhes assegurar que não foi uma tarefa fácil para mim reduzir sua composição a um quarto de seu tamanho original. Espero que algum dia ele possa publicar sua pesquisa de forma não resumida.

Preuss recomenda a procura de meios eficazes para alcançar as pessoas de inclinação secular com o Evangelho, mas questiona a legitimidade de usar a música rock, em parte porque testemunhou o impacto de tal música sobre a juventude Adventista na Alemanha. Ele escreveu: “A música rock no evangelismo trabalha
--- pág. 29 ---


sobre a imaginação, as associações de pensamentos, como qualquer música. Ela representa falsamente o Evangelho ao encorajar valores mundanos. Faz com que as pessoas acreditem que está tudo bem com elas, quando na realidade elas precisam, desesperadamente, de uma mudança radical em suas vidas – uma experiência de conversão.” 35

Preuss acha que a linguagem da música rock é inadequada para comunicar o Evangelho, porque o meio afeta a mensagem. O meio usado para ganhar a juventude determina a natureza da mensagem para a qual eles são ganhos. Se a igreja usa uma música rock típica de entretenimento, a qual está associada a sexo, drogas, e violência, obviamente que não pode desafiar a juventude com as reivindicações morais do Evangelho.

O Novo Testamento nos convida a apresentarmos com clareza e convicção a santidade do caráter de Deus, o desesperado infortúnio humano, e a surpreendente graça do Evangelho. Estes são assuntos de vida e de morte, os quais não podem ser apresentados com a frivolidade e o desrespeito da música popular.

Os ouvintes do rock religioso nunca se humilharão diante da majestade de Deus, nem serão convencidos das reivindicações morais de Deus sobre suas vidas. O incansável ritmo rock, os movimentos, as luzes, e o comportamento dos cantores populares contêm muito de sensual e sexualmente sugestivo, de forma que dificilmente poderão comunicar a santidade e a pureza do Reino de Deus.

Se adotamos uma aparência mundana para atrair a multidão, como podemos pintar em cores vivias o contraste entre o reino deste mundo e o Reino de Deus? Paulo reconheceu que o Evangelho não pode ser proclamado por esquemas enganosos, mundanos. Ele falou assim aos Coríntios.: “A minha linguagem e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria [poderíamos dizer ‘com os sons excitantes de canções gregas’], mas em demonstração do Espírito de poder; para que a vossa fé não se apoiasse na sabedoria dos homens [poderíamos dizer ‘em excitações mundanas’], mas no poder de Deus.” (I Coríntios. 2:4-5). 36

O método de Deus, testado para o evangelismo é a ‘estupidez da pregação.’ Ele nos deu o ministério da reconciliação. (II Coríntios. 5:18). Nossa responsabilidade é não contaminar esta mensagem com linguagens mundanas, como a música rock. Não há nenhuma necessidade da manipulação e excitação da música rock para salvar as pessoas. O evangelismo foi grandemente ajudado por música semelhante a Cristo apresentada por executantes semelhantes a Cristo, mas no final das contas é a proclamação da Palavra de Deus, acompanhado pelo poder convincente do Espírito Santo que traz as pessoas para uma relação de salvação com Jesus Cristo”. 37


--- pág. 30--


(4) Música Rock e a Herança Negra
Na comunidade negra há uma suposição prevalecente de que a música rock faz parte da herança afro-americana e, por conseguinte, é uma forma legítima de expressão. Cada cultura define sua música de acordo com seus próprios critérios, e alega-se que a música rock reflete as raízes da cultura afro-americana, a qual pode ser traçada até a cultura dos escravos da África Ocidental. Negar aos negros o direito de tocarem música rock em suas igrejas é a mesma coisa que privá-los da sua herança cultural.
A Resposta. Este importante assunto é examinado no Capítulo 12, “A Música Rock e a Cultura”, por uma musicista afro-americana altamente respeitada, Eurydice V. Osterman, Doutora em Música, Professora de Música na Faculdade de Oakwood, compositora, e autora de várias publicações, inclusive o livro What God Says About Music.

A Dra. Osterman aponta que a “suposição prevalecente de que música rock é uma expressão legítima da herança afro-americana, ignora as diferenças significativas que existem entre os dois. A música da herança afro-americana é predominantemente melódica e baseada no ritmo do dialeto. A música rock, por outro lado, é baseada e conduzida por uma batida que obscurece e domina todos os outros elementos musicais. A música tradicional preserva e cultiva a unidade, enquanto a música rock cria divisão e influencia atitudes rebeldes em relação a valores morais e um desrespeito para com a autoridade”. 38

“As raízes da batida do rock não serão encontradas na música religiosa da herança afro-americana, mas na música secular e freqüentemente irreligiosa, conhecida como ‘Rhythm e Blues’. Esta música se tornou a expressão daqueles negros que se afastaram ou rejeitaram a fé Cristã. Eles queriam se tornar artistas respeitados tocando uma música secular. O estado de espírito do Blues é a tristeza, pontuada por uma batida regular e forte. A ênfase está nos prazeres deste mundo, especialmente o prazer do sexo ilícito, antes ou fora do casamento”. 39

“A distinção que encontramos na música afro-americana entre o Negro Spiritual religioso e o Rock and Roll secular e irreligioso nos lembra do simples fato de que em todas as culturas podemos esperar encontrar algumas músicas que são pró-cristãs e outras que são anti-cristãs em seus valores. Este é o resultado da queda da raça humana, a qual está presente em todas as épocas, países, e culturas. ‘Todos pecaram e carecem da glória de Deus’“ (Romanos 3:23). 40


--- pág. 31--


(5) A Música Rock e a Bíblia
Talvez o aspecto mais significativo na defesa do rock “cristão”, é o apelo a certos textos da Bíblia para defender o uso de tal música no evangelismo e na adoração na igreja. A hipótese prevalecente é de que a Bíblia sanciona o uso de música rítmica, dançante e dos instrumentos de percussão para a adoração divina.

Em seu livro The Contemporary Christian Music Debate, Steve Miller escreve: “A observação mais surpreendente na adoração bíblica é sua riqueza de variações e poucas restrições na forma”. 41 Ele continua listando uma variedade de instrumentos, volumes e sons, adoradores, maneiras, lugares, ocasiões, hora do dia, posturas, e estados de espírito mencionados na Bíblia. Ele conclui sua pesquisa declarando: “Muitas implicações relativas à presente controvérsia podem ser notadas. Primeiramente, nosso criativo Senhor permitiu que Suas criaturas exercessem uma grande criatividade na adoração. E a Palavra de Deus não nos restringe nem mesmo à variedade de formas listadas na Bíblia”. 42 Surpreendentemente, Miller não se dá conta de que a Bíblia é muito restritiva à música e aos instrumentos a serem usados na adoração divina.

A mesma opinião pode ser encontrada na literatura adventista. Em seu artigo “Sing the Song of Gladness,” publicado na revista Ministry (setembro de 1996), Anita J. Strawn de Ojeda argumenta que, como nós hoje, as pessoas nos tempos bíblicos adoravam ao Senhor louvando-O com “tambores, instrumentos de cordas, órgãos, harpas, címbalos, liras, trompetes, e saltérios.... I Crônicas 13:8 nos fala que Davi e todo o Israel alegravam-se perante Deus, com todas as suas forças.... Se meu pé bate ou minhas mãos batem palmas durante uma canção, eu estou cantando com ‘todas as minhas forças’. Quer dizer, meu ser inteiro está envolvido”. 43

“Se Davi estivesse escrevendo isso hoje, ele poderia ter dito, ‘Louvai-O com tambores e palmas; Louvai-O com guitarras, banjos e sintetizadores; Louvai-O com tambores altos; Louvai-O com guitarra elétrica’ (veja Salmos 150:3-5)? Pondo tudo no contexto, ele poderia muito bem ter dito algo semelhante”. 44 Isto realmente é o que Davi diria hoje com relação ao louvor a Deus durante o serviço divino? Uma visão detalhada do ministério de música estabelecido por Davi demonstra o contrário.


A Resposta. Este argumento popular é examinado especialmente no Capítulo 7 “Princípios Bíblicos de Música” onde analiso os ensinos bíblicos relativos à música. Aqueles que apelam às instruções bíblicas para louvar ao Senhor com uma variedade de instrumentos e volume, para justificar o uso da música rock hoje, ignoram dois pontos importantes.
--- pág. 32---


Primeiro, na maioria dos casos a linguagem do louvor é figurativa e dificilmente permite uma aplicação literal ao culto divino na Casa de Deus. Por exemplo, o Salmo 149:5 encoraja às pessoas louvarem o Senhor nos “leitos.” No verso 6 o louvor deve ser feito com “espada de dois gumes, nas mãos.” Nos versos 7 e 8 o Senhor deve ser louvado por castigar os povos, por meter os seus reis em cadeias e os seus nobres, em grilhões de ferro. É evidente que a linguagem é figurativa porque Deus dificilmente esperaria que as pessoas O louvassem durante um culto divino estando em pé ou saltando em suas camas ou balançando uma espada de dois gumes.

O mesmo é verdade no Salmo 150 que fala de louvar o Senhor “por seus poderosos feitos” (v. 2) em todo o lugar possível e com todo instrumento musical disponível. O lugar no qual louvar o Senhor é o “Seu santuário”, e “no firmamento, obra do seu poder”. Os instrumentos incluem oito instrumentos familiares.

Este salmo só faz sentido se considerarmos a linguagem como sendo altamente figurativa. Por exemplo, não há nenhuma maneira no qual o povo de Deus, na terra, possa louvar o Senhor “no firmamento, obra do seu poder”. O propósito do salmo não é especificar o local e os instrumentos a serem usados para o louvor durante o culto divino, mas sim convidar a tudo o que respira ou emite som a louvar o Senhor em qualquer lugar. O salmista está descrevendo com linguagem altamente figurativa a atitude de louvor que deveria caracterizar o crente a toda hora e em todos os lugares. Interpretar este salmo como uma licença para dançar, ou tocar tambores na igreja, é interpretar de forma errada sua intenção.

Um segundo ponto importante, ignorado por aqueles que acreditam que a Bíblia autoriza-os a tocarem qualquer instrumento e música na igreja, é a distinção bíblica entre música secular produzida para o entretenimento e a música sacra executada na Casa de Deus. Como mostrado nos capítulos 6 e 7, a música e os instrumentos usados para louvar a Deus fora do Templo, durante as celebrações das festas eram bem diferentes da música tocada dentro do Templo. Instrumentos como tambores, flautas, oboés, e o dúlcimer não podiam ser usados no Templo por causa de sua associação com o entretenimento secular. O mesmo princípio também foi respeitado na sinagoga e na igreja primitiva, onde não era permitido nenhum instrumento de qualquer tipo.

Se os instrumentos e a música associados ao entretenimento social (religioso) tivessem sido usados na Casa de Deus, os Israelitas teriam sido tentados a transformarem seu lugar de adoração em um lugar de entretenimento, como às vezes acontece em algumas igrejas hoje. Para impedir que isto acontecesse, instrumentos e músicas associados com entretenimento foram
--- pág. 33--


excluídos do Templo, da sinagoga, e da igreja primitiva. É a ignorância destes fatos que leva as pessoas a acreditarem que a Bíblia sanciona o uso da música rock para adoração e evangelismo. A lição da Bíblia e da história é evidente. A música, como o rock, que está associada ao entretenimento secular, está fora de lugar na Casa de Deus, na qual nos reunimos para adorar e não sermos entretidos.
(6) O Papel de Lutero
Um argumento popular usado para defender a adoção de melodias rock para a música na igreja de hoje é o alegado empréstimo da música secular por compositores cristãos do passado. Anita J. Strawn de Ojeda escreveu na revista Ministry: “A história mostra que os compositores Cristãos tomaram emprestados elementos da música secular”. 45 Ela se refere, especificamente, aos cristãos primitivos e a Lutero. O raciocínio é que se os cristãos no passado adotaram e adaptaram música secular para uso na igreja, poderíamos fazer o mesmo hoje.

O exemplo de Lutero é citado freqüentemente por causa da sua enorme influência na introdução do canto congregacional na época da Reforma. Steve Miller escreveu: “Os modelos para suas [Lutero] letras foram as baladas populares da sua época. As melodias foram emprestadas de músicas folclóricas alemãs, das música das massas, e até mesmo de um hino a Maria. Lutero não se preocupou com a associação ou a origem dessas melodias, e sim com sua habilidade para proclamar a verdade”. 46

Com pensamento semelhante, Michael Tomlinson escreveu na revista Ministry: “Eliminar as raízes seculares da música Cristã significaria dizer adeus aos hinos de Martinho Lutero, cujas as músicas foram tomadas emprestadas de melodias populares alemãs seculares”. 47
A Resposta. Devido à popularidade deste argumento, tomei tempo no Capítulo 2 para investigar se era verdade que Lutero tomou emprestado das melodias seculares, populares do seu tempo para compor seus corais. O que descobri é que este argumento é enganoso e inexato, assim como os outros mencionados anteriormente. Vou mencionar aqui apenas três fatos, já que o resto da informação está disponível no Capítulo 2.

Primeiro, dos trinta e sete corais compostos por Lutero, só uma melodia veio diretamente de uma melodia folclórica secular. Quinze foram compostas pelo próprio Lutero, treze vieram de hinos latinos ou músicas de culto, duas eram, originalmente, canções religiosas dos peregrinos, quatro derivavam de


--- pág. 34--


canções religiosas populares alemãs, e duas são de origem desconhecida. (46) O que a maioria das pessoas ignora é que mesmo a melodia que foi tomada emprestada de uma canção folclórica, e que “apareceu no hinário de Lutero de 1535, foi substituída mais tarde, por outra melodia no hinário de 1539. Os historiadores acreditam que Lutero a descartou porque as pessoas associavam esta melodia com o seu texto secular anterior”. 49

Segundo, Lutero mudou a estrutura melódica e rítmica das melodias que ele tomou emprestado de fontes seculares, para eliminar qualquer possibilidade de influência mundana. Em seu livro acadêmico, Martin Luther, His Music, His Message, Robert Harrell explica: “O modo mais eficiente de [se opor] à influência mundana seria ‘des-ritmar’ a música. Evitando as melodias de dança e ‘des-ritmando’ as outras canções, Lutero chegou a um coral com ritmo marcado, mas sem os dispositivos que lembravam as pessoas do mundo secular. Tão bem sucedido foi o trabalho feito por Lutero e outros músicos luteranos que os estudiosos eram freqüentemente incapazes de descobrir a origem secular dos corais. O outro modo pelo qual Lutero buscou remover associações seculares da mente da congregação, foi através do uso da Bíblia e de ilustrações bíblicas nos textos. Preenchendo seus corais com a Palavra escrita, Lutero buscava direcionar os pensamentos de seu povo para a Palavra Viva”. 50

Harrell conclui seu bem documentado estudo, dizendo: “Um estudo dos corais de Lutero revela dois fatos importantes sobre o uso de elementos seculares por Lutero em sua música sacra: (1) Embora houvesse muita música popular disponível para ele, de canções de tabernas a música de dança, de melodias religiosas populares a cânticos folclóricos, Lutero escolheu apenas as melodias que melhor se prestassem aos temas sacros e evitou as melodias vulgares, ‘músicas joviais de taberna’ e melodias de dança. (2) Nenhum material que Lutero usou para o canto coral permaneceu inalterado, com exceção de um caso descrito anteriormente. Ao contrário, ‘ele testava cuidadosamente as melodias consideradas, e quando necessário moldava-as convenientemente.... As alterações eram feitas livremente.” 51

Terceiro, Lutero organizou a música para os jovens do seu tempo de modo a guia-los para longe da atração da música mundana. Isto não pode ser dito da música rock “cristã” de hoje, a qual retém a melodia e ritmo do rock secular. Lutero explicou por que ele mudou os arranjos musicais de suas canções: “Estas canções foram organizadas em quatro partes, pela única razão que eu desejei atrair a juventude (que deveria e deve ser treinada em música e em outras belas artes) para longe das canções de amor e obras carnais, dando-lhes em lugar disto algo saudável que pudessem aprender, de forma que possam adentrar com prazer ao que é bom, como é próprio à juventude”. 52


--- pág. 35--


À luz destes fatos, qualquer um que use a declaração de Lutero “Por que o Diabo deveria ter todas as melodias boas?” para defender o uso da música rock na igreja, tem de saber que esse argumento é condenado claramente pelo que o próprio Lutero disse e fez. O uso da música secular por Lutero não nos ensina a “purificar” a música rock que promove sexo, drogas e violências, mas, ao invés disso, escolhermos a melhor música de nossa cultura e fazermos dela um veículo próprio para proclamar a Palavra de Deus. Que maravilhoso exemplo temos em Martinho Lutero! E como seu exemplo foi grosseiramente distorcido por aqueles que desejam legitimar o uso do rock para adoração e o evangelismo!
(7) A Música na Igreja e a Teologia Adventista
O debate corrente sobre o uso de música contemporânea na adoração Adventista está baseado, em grande parte, em gostos subjetivos ou tendências populares. Mas a música e o estilo de adoração da igreja Adventista deveriam refletir sua mensagem e missão profética únicas. Os Adventistas não deveriam aceitar sem crítica os estilos de adoração das outras denominações. Em seu livro And Worship Him, Norval Pease, meu antigo professor de adoração no Seminário Teológico Adventista do Sétimo Dia da Andrews University, afirma: “Somos adventistas, e temos que aproximar da adoração como adventistas. Um culto de adoração que satisfaz as necessidades de metodistas, episcopais, ou presbiterianos pode ser insatisfatório para nós”. 53

A resposta para a renovação da adoração adventista será encontrada, não na adoção de música rock “cristã”, mas em um reexame de como nossas crenças distintivas Adventistas deveriam ser refletidas nas várias partes do culto na igreja, inclusive na música. Um projeto tão ambicioso está além do escopo limitado deste livro. O que tentei fazer foi apresentar, no Capítulo 6, algumas reflexões preliminares sobre “Uma Teologia Adventista sobre a Música na Igreja”.

O capítulo tenta definir como as três crenças distintivas dos Adventistas do Sétimo Dia, o Sábado, o ministério de Cristo no santuário celestial, e o Segundo Advento, deveriam impressionar na escolha e na apresentação da música durante o culto divino. Resumidamente, estas são as conclusões.

O Sábado nos ensina a respeitar a distinção entre o sacro e o secular, não apenas no tempo, mas também em outras áreas, tais como na música e na adoração na igreja. Usar música secular para o culto na igreja durante o Sábado é tratar o Sábado como um dia secular e a igreja como um lugar secular.


--- pág. 36---


O estudo da música no Templo de Jerusalém, assim como no santuário celestial, revela que instrumentos e músicas associados ao entretenimento não eram permitidos nos serviços do Templo, nem são usados na liturgia do santuário celestial. A lição do santuário é que a música na igreja tem que expressar grande reverência e respeito para com Deus.

Crer na certeza e brevidade do aparecimento da Rocha Eterna, com a maior banda musical de anjos que este mundo jamais viu, pode inflamar a imaginação dos músicos de hoje a comporem novos cânticos, e inspirar os crentes do Advento a cantarem alegremente acerca da esperança que arde em seus corações.


(8) A Música Rock e o Engano no Tempo do Fim
Os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que vivemos hoje contagem regressiva final do grande conflito entre a verdadeira e a falsa adoração, conforme descrita no livro do Apocalipse pela imagem de uma besta que promove a falsa adoração de Babilônia. Esta profecia apocalíptica apresenta a Babilônia antitípica que lidera todas as nações na falsa adoração a Deus (Apocalipse 13:16; 14:8; 18:3).

É importante lembrar que a imagem apocalíptica da falsa adoração promovida pela Babilônia em Apocalipse, deriva do capítulo histórico de Daniel 3, que descreve um evento de significância profética para o tempo do fim. Na Planície de Dura, todos os habitantes do império babilônico foram chamados para adorarem a estátua de ouro do rei Nabucodonosor. Uma fornalha ardente foi preparada para aqueles que se recusassem render homenagem à estátua de ouro. Daniel nos informa que “todo tipo de música” (Daniel 3:7, 10) foi usado para levar todas as classes de pessoas de todas as províncias do império a juntamente adorarem a estátua de ouro (Daniel 3:10).

Em Daniel 3, por duas vezes, há uma longa lista dos diferentes instrumentos musicais usados para produzir “todo tipo de música” (Daniel 3:7,10). Esta música eclética foi tocada para induzir as pessoas à adoração da imagem de ouro. Poderia ser que, assim como na Babilônia antiga, Satanás esteja hoje usando “todo tipo de música” para levar o mundo a uma falsa adoração no tempo do fim, da “besta e de sua imagem” (Apocalipse 14:9)? Poderia ser que um golpe de mestre Satânico escreveria canções gospel que tivessem elementos de todos os gostos de música: música folclórica, jazz, rock, discoteca, country-western, rap, calypso, ect.? Poderia ser que muitos cristãos cheguem a amar a estes tipos de canções gospel, porque elas se parecem em muito com a música de Babilônia?
--- pág. 37---


A Música Rock e a Falsa Adoração no Tempo do Fim. Os Adventistas, historicamente, identificaram Babilônia com o poder do papado que conduzirá o mundo em formas de adoração pervertidas. Embora reconhecendo o papel profético representado pelo papado, ao levar muitas pessoas a acreditarem no papel intercessório de Maria e dos santos, poderíamos nos perguntar se a música rock também terá um papel vital em promover a falsa adoração no tempo do fim!

Esta não seria a primeira vez na Bíblia que a música aparece conectada à falsa adoração. No pé do Monte Sinai a música e a dança estiveram envolvidas na adoração do bezerro de ouro (Êxodo 32:19). Na planície de Moabe, próximo à Terra Prometida, os israelitas foram “atraídos pela música e dança54 para uma terrível apostasia (Números 25:1-2). Eles foram induzidos pela música a participarem na adoração pagã – algo que eles poderiam ter resistido sob outras circunstâncias.

O impacto universal e revolucionário da música rock sobre a humanidade em geral é reconhecido por muitos analistas sociais. Em seu livro Rock Music, o sociólogo William Schafer reconhece que a música rock se tornou mundialmente uma “ferramenta para alterar consciências”. 55 Quando Bob Geldorf organizou seu programa “Live-Aid” para arrecadar dinheiro para as vítimas da fome na Etiópia, bandas populares de rock se uniram desde os quatro cantos do mundo. Propagado via satélite, o programa despertou tanto interesse mundial que os sociólogos começaram a explorar a música como um fenômeno para “formação de uma cultura jovem internacional.... baseada nos valores e preferências comuns e mundiais”. 56

Nenhuma outra música hoje em dia transcende as fronteiras culturais e nacionais como o rock. De Mineápolis a Moscou e de Estocolmo a Joanesburgo, a batida do rock reina suprema. O impacto global da música rock, sua rejeição aberta à fé cristã, e sua promoção de uma nova experiência religiosa, caracterizada por uma música ritmada, sexo, drogas e danças, poderia muito bem provar ser o meio mais eficaz para conduzir o gênero humano à falsa adoração final apocalíptica.

Em seu livro provocativo e desafiador, “Music in the Balance”, Frank Garlock e Kurt Woetzel reconhecem que “um grande segmento da comunidade cristã abraçou entusiasticamente esta música do mundo, seu comportamento associado, e sua filosofia. Todos os três foram implantados na vida da igreja. Não apenas muitos cristãos têm aceitado esta música como apropriada para o louvor e adoração, mas uma atmosfera impregna os concertos cristãos contemporâneos, não diferindo dos primeiros concertos
--- pág. 38 ---


da era Elvis. Os crentes fizeram ídolos de seus próprios cantores do rock and roll e continuam a adorar a seus pés com sua devoção e seus talões de cheques.” 57

Wolfgang Stefani pergunta de forma sutil: “Poderia ser que pela promoção de um estilo musical global homogêneo – um estilo que está cada vez mais visível na cultura da música cristã – esteja se preparando o palco para uma resposta global de identidade religiosa? Uma resposta que permitirá às pessoas de todas as nações, e credos religiosos dizerem, ‘Sim, esta é minha música, isto é o que sou: esta é minha música por estar feliz e ser religioso e eu faço parte disto; tenho certeza de que agora estou em casa.’“ 58

O chamado das Três Mensagens Angélicas para sairmos da Babilônia espiritual, pela rejeição de sua falsa adoração, poderia muito bem incluir também a rejeição da música rock de Babilônia. Logo o mundo inteiro será ajuntado para o conflito final na antitípica planície apocalíptica de Dura e “todo tipo de música” será tocada para levar os habitantes da terra a “adorar a besta e sua imagem” (Apocalipse 14:9). É digno de nota que em Apocalipse o resultado da confrontação envolve o silenciamento da música de Babilônia: “Assim, com ímpeto, será arrojada Babilônia, a grande cidade, e nunca jamais será achada. E voz de harpistas, de músicos, de tocadores de flautas e de clarins jamais em ti se ouvirá, nem artífice algum de qualquer arte jamais em ti se achará, e nunca jamais em ti se ouvirá o ruído de pedra de moinho.” (Apocalipse 18:21-22).

Aqueles que raciocinam de que não há nada de errado com a música de Babilônia, podem estar se condicionando para aceitarem a falsa adoração promovida por Babilônia. Satanás tem suas próprias canções para promover a falsa adoração no tempo do fim. Será que, pela adoção da música de Babilônia, alguns perderão a chance de cantar o Novo Cântico de Moisés e do Cordeiro? Que esta pergunta possa ressoar em nossa consciência e nos desafiar a nos levantarmos pela verdade como os três dignos hebreus.


--- pág. 39 ---



1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   21


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal