Um Estudo dos



Baixar 1.55 Mb.
Página8/21
Encontro20.07.2016
Tamanho1.55 Mb.
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   ...   21

CONCLUSÃO

A revolução cultural causada pela música rock durante a última metade do século XX é, em suas raízes, um movimento religioso, que está baseado em um entendimento panteísta de Deus. Para os roqueiros Deus não é um Ser transcendente além deles, mas um poder infinito presente ao redor deles e dentro deles. A música rock, o sexo, as drogas, e as danças são rituais importantes na religião do rock, porque se supõe que eles supram a seus seguidores com os meios para ultrapassarem a limitação de tempo e espaço e experimentarem o sobrenatural.

De muitas formas a música rock promete aos seus seguidores o que o Satanás prometeu a Adão e Eva: Você pode ser como Deus tomando do fruto proibido. Como nossos primeiros pais no começo da história humana, muitos hoje estão sucumbindo à tentação de Satanás na esperança de desfrutarem uma experiência divina.

Esta investigação realizada neste capítulo sobre as implicações religiosas, sociais e morais do movimento do rock and roll, convida-nos a considerarmos uma pergunta oportuna: Poder-se-ia dizer que a popularidade da mundial da música rock, que promove a adoração do eu e de ídolos humanos, é parte da estratégia de uma mente superior para promover a falsa adoração no tempo do fim descrita nas Três Mensagens Angélicas de Apocalipse 14?

É importante lembrar que a imagem apocalíptica da falsa adoração promovida pela Babilônia em Apocalipse, deriva do capítulo histórico de Daniel 3, que descreve um evento de significância profética para o tempo do fim. Na Planície de Dura, todos os habitantes do império babilônico foram chamados para adorarem a estátua de ouro do rei Nabucodonosor. Uma fornalha ardente foi preparada para aqueles que se recusassem render homenagem à estátua de ouro. Daniel nos informa que “todo tipo de música” (Daniel 3:7, 10) foi usado para levar todas as classes de pessoas de todas as províncias do império a juntamente adorarem a estátua de ouro (Daniel 3:10).

Em Daniel 3, por duas vezes, há uma longa lista dos diferentes instrumentos musicais usados para produzir “todo tipo de música” (Daniel 3:7,10). Esta


--- pág. 122 ---


música eclética foi tocada para induzir as pessoas à adoração da imagem de ouro. Poderia ser que, assim como na Babilônia antiga, Satanás esteja hoje usando “todo tipo de música” para levar o mundo a uma falsa adoração no tempo do fim, da “besta e de sua imagem” (Apocalipse 14:9)? Poderia ser que um golpe de mestre Satânico escreveria canções gospel que contivessem elementos de todos os gostos de música: música folclórica, jazz, rock, discoteca, country-western, rap, calypso, etc? Poderia ser que muitos cristãos cheguem a amar a estes tipos de canções gospel, porque elas se parecem em muito com a música de Babilônia?

O chamado das Três Mensagens Angélicas para sairmos da Babilônia espiritual, pela rejeição de sua falsa adoração, poderia muito bem incluir também a rejeição da música rock de Babilônia. Logo o mundo inteiro será ajuntado para o conflito final na antitípica planície apocalíptica de Dura e “todo tipo de música” será tocada para levar os habitantes da terra a “adorar a besta e sua imagem” (Apocalipse 14:9). É digno de nota que, no Apocalipse, o resultado do conflito envolva o silenciar dos instrumentos de música da Babilônia. “Com igual ímpeto será lançada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será achada. E em ti não se ouvirá mais o som de harpistas, de músicos, de flautistas e de trombeteiros.” (Apocalipse 18:21-22)

Aqueles que raciocinam de que não há nada de errado com a música de Babilônia, podem estar se condicionando a aceitarem a falsa adoração promovida por ela. Satanás tem suas próprias canções para promover a falsa adoração no tempo do fim. Será que, pela adoção da música de Babilônia, alguns perderão a chance de cantar o Novo Cântico de Moisés e do Cordeiro? Que esta pergunta possa ressoar em nossa consciência e nos desafiar a nos levantarmos pela verdade como os três dignos hebreus.
--- pág. 123 ---



NOTAS

1. Charles A. Pressler, “Rock and Roll, Religion and the Deconstruction of American Values,” em All Music: Essays on the Hermeneutics of Music, eds. Fabio B. Dasilva and David L. Brunsma, (Aldershot, England, 1996), p. 146.

2. Evan Davies, “Psychological Characteristics of Beatle Mania,” Journal of the History of Ideas 30 (Janeiro-Março de 1969), p. 279.

3. Robert G. Pielke, You Say You Want to Revolution (Chicago, 1986), pp. 133-136.

4. Ibid., p. 133.

5. Patrick Anderson, The Milwaukee Journal Magazine (12 de outubro de 1975), p. 43.

6. Rudolf Otto, The Idea of the Holy (London, 1923), p.5.

7. Charles A. Pressler (nota 1), p. 135.

8. Ibid., p. 136.

9. Ibid., p. 138.

10. Ibid., p. 140.

11. Ibid., p. 146.

12. Ibid.

13. Robert Pattison, The Triumph of Vulgarity: Rock Music in the Mirror of Romanticism (Oxford University Press, 1987), p. 184.

14. Jim Miller, “Forever Elvis,” Newsweek (3 de agosto de 1987), p. 54.

15. Ibid.

16. Frank Garlock and Kurt Woetzel, Music in the Balance (Greenville, South Carolina, 1992), pp. 81-82.

17. “The Big Business of Elvis,” New York Daily News (9 de agosto de 1987), p. C 28.

18. Ibid.

19. Hubert T. Spence, Confronting Contemporary Christian Music (Dunn, North Carolina, 1997), p. 72.

20. Citado por Steve Peters, Why Knock Music (Minneapolis, MN, 1992), p. 110.

21.Robert Pattison (nota 13), p. 90.

22. Citado por Steve Peters e Mark Littleton, The Truth About Rock (Minneapolis, MN, 1998), p. 79.

23. Ibid.

24. Frank Garlock and Kurt Woetzel (nota 16), pp. 82-83.
--- pág. 124 ---


25. Robert Pattison (nota 13), pp. 20-29.

26. Ibid., p. 108.

27. Ibid., p. 111.

28. Ibid., p. 29.

29. Ibid., p. 94.

30. Ibid., pp. 94-95.

31. Ibid., p. 197.

32. Ibid., p. 198.

33. Para uma seleção das letras sexualmente obscenas encontradas nas músicas rock, veja Steve Peters and Mark Littleton, Truth About Rock: Shattering the Myth of Harmless Music (Minneapolis, 1998), pp. 30-33; also Robert Pattison (nota 13), pp. 114-119.

34. Robert Pattison (nota 13), p. 114.

35. Ibid., p. 117.

36. Ibid., p. 115.

37. Ibid., p. 120.

38. Ibid.

39. Ibid., p. 121.

40. Jann Wenner, Lennon Remembers (New York, 1971), p. 53.

41. Para uma lista de nomes veja, Richard Peck, Rock: Making Musical Choices (Greenville, South Carolina, 1985), pp. 27-28.

42. Steve Turner, Hungry for Heaven: Rock and Roll Search for Redemption (London, 1994), p. 49.

43. Robert Pattison (nota 13), pp. 184-185.

44. Ibid., pp. 185-186.

45. Ibid., p. 186.

46. Ibid.

47. Bob Larson, The Day Music Died, (Carol Stream, IL, 1972), p. 21.

48. Hit Parade (novembro de 1986), p. 21.

49. Simon Frith, Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll (New York, 1981), p. 14.
--- pág. 125 ---


Capítulo 5
O RITMO ROCK
e
UMA RESPOSTA CRISTÃ
por:
Samuele Bacchiocchi

A música rock é o fenômeno cultural mais popular da segunda metade do século vinte, influenciando toda a nossa cultura. É a maior propagadora da revolução moral, social e estética que estamos experimentando hoje. O som e a filosofia da música rock penetra virtualmente todas as áreas de nossas atividades diárias. A sua batida insistente, pulsante, pode ser ouvida nas casas, nos escritórios e até nas igrejas. A música rock tem penetrado em todos os aspectos da vida.

A música rock tornou-se uma forma eficiente de comunicar um novo conjunto de valores e de produzir uma nova experiência religiosa para uma geração emergente. Antes da música rock, a família, como um todo, desfrutava da música como uma forma completa de entretenimento. A velha música européia influenciou a música da primeira metade do século vinte e era considerada como “boa para as crianças”.

Uma mudança radical começou nos anos 50 com a introdução da música rock, a qual tem criado um abismo entre a geração mais antiga e a mais jovem. Nada excita as paixões dos jovens hoje como a música rock. Como Allan Bloom, da Universidade de Chicago aponta, “Hoje, uma porção muito grande dos jovens entre as idades de dez e vinte anos, vivem para a música rock.... Quando estão na escola e com suas famílias, anseiam por se ligarem novamente em sua música. Nada do que os cerca – escola, família, igreja – tem qualquer coisa a ver com o seu mundo musical.” 1


--- pág. 127 ---


O que é que torna a música rock tão atrativa, um vício irresistível para muitas pessoas, a despeito da sua natureza anti-cristã e contra-cultural? Por que é que mesmo igrejas cristãs estão adotando cada vez mais formas cristianizadas de música rock para seus cultos de adoração e esforços evangelísticos? Existe algo de único na estrutura da música rock e/ou nas suas letras que torne esta música substancialmente diferente de qualquer outra forma de música? Quentin Schultze nota que “Musicólogos têm ponderado os enigmas da atração do rock e geralmente saem perplexos, pois a música rock dificilmente se encaixa na definição formalística da alta cultura para uma realização musical.” 2
Objetivos Deste Capítulo. Seria presunçoso afirmar que este capítulo resolve o enigma da atração do rock pela identificação de todos os fatores que contribuem para sua popularidade sem precedentes. Qualquer tentativa de ser abrangente na análise de um fenômeno social de tal complexidade corre o risco de ser superficial.

Este capítulo busca compreender as causas da popularidade tão duradoura e irresistível da música rock, através da continuação da investigação conduzida nos últimos três capítulos sobre a natureza da música rock. A suposição básica deste estudo é que as pessoas, tanto seculares quanto cristãs, são atraídas à música rock por causa do que ela oferece em termos de excitação, cosmovisão, sistema de valores e experiência religiosa.

Até aqui a nossa investigação se concentrou na cosmovisão da música rock, seu desenvolvimento ideológico e sua experiência religiosa. No capítulo 2 descobrimos que a música rock reflete uma concepção panteísta de Deus como uma força imanente, impessoal e sobrenatural, que o indivíduo pode experimentar através do ritmo hipnótico da música rock e drogas. A concepção panteísta de Deus tem facilitado a aceitação da música rock tanto entre os cristãos quanto entre pessoas de mente secularizada, porque ambos os grupos buscam preencher seu anseio interior por uma experiência prazerosa do sobrenatural através dos efeitos hipnóticos da música rock.

No capítulo 3 traçamos a evolução da música rock, enfocando os valores que emergiram durante o curso de sua história. Descobrimos que a música rock passou por um processo de endurecimento facilmente identificável, do rock and roll para o hard rock, acid rock, heavy metal, rap rock, trash rock, etc. Novos tipos de música rock estão aparecendo constantemente, porque os fãs do rock exigem constantemente algo mais forte para ir de encontro aos seus anseios.


--- pág. 128 ---


No capítulo 4 descobrimos que a cosmovisão panteísta promovida pela música rock tem levado, consequentemente, à rejeição da fé cristã e à aceitação de um novo tipo de experiência religiosa. Esta envolve o uso de música rock, sexo, drogas e dança, para transcender a limitação de tempo e espaço e criar uma conexão com o sobrenatural.

Este capítulo continua e completa a investigação a respeito da natureza da música rock olhando mais de perto as características que a definem, notadamente o seu ritmo. Faremos referências a estudos científicos que indicam que a batida do rock afeta o corpo de uma forma que é diferente de qualquer outro tipo de música. Ela altera a mente e causa várias reações físicas, inclusive excitação sexual.

Este olhar de perto na natureza da música rock fornece uma base para discutirmos a pergunta dominante deste estudo – A música rock pode ser legitimamente transformada em um meio adequado para a adoração a Deus e a proclamação da mensagem do Evangelho? Este capítulo é projetado de forma a ajudar na formulação de uma resposta final a esta questão, oferecendo uma compreensão da estrutura da música rock e seus efeitos.

Este capítulo é dividido em duas partes. A primeira parte examina a estrutura da música rock em si, especialmente seu ritmo e batida característicos. Será dada consideração especial aos efeitos da música rock sobre a mente, músculos e excitação sexual. A segunda parte discute como a igreja deveria responder à música rock escolhendo, em vez dela, uma música que respeite o equilíbrio apropriado entre a melodia, harmonia e ritmo. Tal equilíbrio reflete e promove a ordem e o equilíbrio em nossa vida espiritual, entre os componentes físicos, mentais e espirituais de nosso ser. O capítulo encerra oferecendo algumas sugestões práticas sobre como revitalizar o cântico dos hinos tradicionais e como apresentar novos hinos à congregação.


Parte 1
A ESTRUTURA DA MÚSICA ROCK
A característica que define a boa música é um equilíbrio entre seus três elementos básicos: melodia, harmonia e ritmo. Outros elementos tais como forma, dinâmica, texto e as práticas de apresentação poderiam ser listadas, mas para o propósito de nosso estudo, limitaremos nossa discussão aos três elementos mencionados acima. A música rock inverte esta ordem, fazendo do ritmo o elemento dominante, depois a harmonia e por último a melodia.
--- pág. 129 ---


Antes de analisarmos o papel que o ritmo representa na música rock e seus efeitos no corpo humano, pode ser útil para aqueles menos versados em música, que expliquemos como a melodia, a harmonia e o ritmo podem ser integrados na boa música.
A Melodia. A melodia é a parte mais destacada da música. É a “linha da narrativa” de uma peça musical e consiste do arranjo horizontal das notas, que é reconhecido primeiro quando cantamos uma canção como “Tudo Entregarei”. Aqueles que cantam o que é chamado de harmonia, tal como as partes de contralto, tenor e baixo, estão cantando uma melodia que se “harmoniza” com as outras três partes.

Aaron Copland, que é reconhecido como o decano dos compositores americanos, faz esta observação a respeito de uma boa melodia: “O por que uma boa melodia deveria ter o poder de nos mover tem desafiado até agora todas as análises... Embora possamos não ser capazes de definir antecipadamente o que é uma boa melodia, certamente podemos fazer algumas generalizações acerca de melodias que já sabemos serem boas.” 3

De acordo com Copland, uma boa melodia tem as seguintes características gerais:

“Ela deve ter altos e baixos (i.e., os tons devem subir e descer). Uma melodia que permanece estática (no mesmo tom) pode, através da repetição, produzir um efeito hipnótico....”

“Ela deve ter proporções satisfatórias (i.e, um começo, meio e fim) e dar uma sensação de integridade. Uma melodia conta a história da peça.”

“Ela deve, em algum ponto (normalmente perto do final) chegar a um clímax e então a uma resolução. Toda boa arte terá um clímax.”

“Ela será escrita de tal forma que leve a uma resposta por parte do ouvinte.” 4 A música rock, conforme veremos, não possui várias destas características essenciais à boa música.
A Harmonia. A harmonia é produzida pelos acordes que combinam com a estrutura da tonalidade na qual a música é escrita. É o som que ouvimos quando as várias partes coincidem. “Assim como uma melodia fornece o ‘perfil’ de uma peça de música, a harmonia é a sua ‘personalidade’.” 5

“Acordes podem fornecer tanto repouso (consonância) quanto tensão (dissonância) na música. A boa música terá um equilíbrio de repouso e tensão. Acordes harmônicos também podem dar cor ao nosso estado de espírito como ouvintes. Por exemplo: E


--- pág. 130 ---


se todas as canções fossem escritas com a harmonização em tonalidade menor? Isto afetaria definitivamente nosso estado de espírito. Este aspecto da música pode ser de difícil compreensão para quem não é músico. Você o reconhece quando ouve, mas pode não estar seguro na forma de como defini-lo.” 6
O Ritmo. O ritmo é o que faz a música se mover. Sem o ritmo, a música se torna um som contínuo, cansativo e desinteressante. “O ritmo é o movimento ordenado da música atreves do tempo. Assim como as batidas do coração são a vida do corpo, o ritmo é a vida da música e fornece a sua energia essencial. Sem ritmo, a música está morta. Melodia e harmonia devem progredir juntas, e o ritmo torna possível esta progressão simultânea.” 7

Tudo na natureza, inclusive o corpo humano, tem ritmo. Existe ritmo nas batidas do coração, na respiração e na fala. Cientistas descobriram que mesmo o cérebro funciona com ritmo. 8 As ondas cerebrais tem freqüências que são influenciadas pelos estados físicos e mentais.

O mesmo é verdade para a música, na qual o ritmo está organizado em batidas recorrentes regulares, o que constitui o que é conhecido como “métrica”. Usualmente o agrupamento de batidas vem em padrões de duas, três ou quatro. “A repetição destes padrões na música é dividida por compassos. Em qualquer boa peça de música, a batida mais forte em um padrão (compasso) é a primeira batida do padrão. Se um padrão tem quatro batidas, a batida mais forte é a primeira e a segunda batida mais forte é a terceira, como mostrado no compasso que se segue:
/UM, dois, TRÊS, quatro/ 9
O Ritmo da Música Rock. A música rock inverte a ordem comum das batidas, colocando a ênfase no que é conhecido como contra-golpe. No contra-golpe, a ênfase principal recai sobre a batida quatro e a batida secundária é a batida dois, conforme mostrado no compasso que se segue:
/um, DOIS, três, QUATRO/
O problema fundamental com a música rock é a sua batida incansável, que domina a música e produz um efeito hipnótico. Bob Larson, cuja carreira como um músico popular de rock lhe deu uma experiência de primeira mão do cenário do rock, aponta que “o assunto principal para consideração de um ponto de vista moral e espiritual é até que ponto uma batida pulsante ou sincopada se sobrepõe aos outros elementos musicais em uma canção, de forma que o nível de comunicação é primariamente excitante, física e sexualmente.” 10
--- pág. 131 ---


Na boa música, conforme Tim Fisher explica, “a ordem correta é uma boa melodia, apoiada por uma harmonia equilibrada, sobre um ritmo firme e consistente. A música de concerto (i.e., uma sinfonia ou outra peça de música instrumental) às vezes varia esta ordem por causa de um desejo de demonstrar os talentos do compositor ou a destreza do executante. Porém, nosso assunto aqui é música cristã e sua relação com a comunicação da palavra falada. Se você deseja comunicar um texto com música, a ordem é clara: melodia, harmonia, e então o ritmo.” 11 Deve ser esclarecido que “um ritmo firme e consistente” não significa um ritmo hiper-acentuado como encontrado na música rock.

A música rock inverte a ordem da boa música, tornando o ritmo a parte mais importante do som. Larson explica: “Diferentemente de outras formas musicais que podem revelar criatividade melódica, o foco do rock normalmente está na batida. É uma festa para o baterista.... O jazz tem um balanço rítmico. Ele flui com um sentimento excitante, embora liberador. Mas o rock é construído sobre um ritmo forte, um pulso direto de sobe-e-desce que produz energia frustrada. Alguns sons do rock enfatizam batidas alternadas, enquanto outros tipos de rock enfatizam o martelar de cada batida. Embora ele possa agregar enchimentos (breves explosões rítmicas), o trabalho do baterista é manter a força do rock movendo-se com a batida pulsante e sincopada.” 12


Batida Impulsionadora. A forte ênfase na batida é o que distingue o rock de todos os outros tipos de música. Quentin Schultze nota: O coração do rock and roll é o ritmo e a batida – estas forças gêmeas dão ao rock a sua energia e impulsionam a sua harmonia e melodia simples. O apelo não está na harmonia, porque a maioria da música rock and roll consiste em não mais do que quatro ou cinco acordes muito simples em uma tonalidade claramente definida. A atração não está tampouco na melodia, já que o vocalista do rock and roll não canta tanto quanto grita e uiva.” 13

A primeira e mais importante característica que define e distingue a música rock é a sua batida implacável, forte e que impulsiona. Em seu livro The Art of Rock and Roll, Charles Brown discute os vários tipos de música rock que tem aparecido desde os dias de Elvis Presley. Ele descobre que o denominador comum a todos os tipos de música rock é a batida: “Talvez a qualidade mais importante que define o rock and roll é a batida, ... Rock and roll é diferente de outras músicas primariamente por causa da batida.” 14


--- pág. 132 ---


É de importância vital compreendermos que a música rock é diferente de todas as outras músicas por causa da sua forte ênfase na batida implacável. O fato é reconhecido por músicos de rock. Em seu livro A Conceptual Approach to Rock Music, Gene Grier diz que “o ritmo é o elemento mais importante e básico da música rock por causa da forma como nos relacionamos com ele.” 15 Ele instrui os leitores sobre como escrever boas canções de rock seguindo os quatro passos seguintes:
“1. Decida uma fórmula de compasso

2. Decida uma progressão de acordes

3. Escreva a melodia

4. Escreva a letra” 16


Esta afirmação é abundantemente clara. O rock inverte a ordem correta dos elementos da música normal, fazendo com que o ritmo e a harmonia sejam mais importantes do que a melodia e a letra.

Bob Larson, que antes da sua conversão era um músico de rock de sucesso em shows de televisão e que tocou para platéias repletas no Convention Hall, na cidade de Atlanta, explica que a “batida pulsante e o ritmo rápido identificam, sem qualquer dúvida, a música rock.... Uma vez que o rock é um som híbrido de toda uma tradição musical (jazz, negro spiritual, música country, blues), fica difícil designar qualquer som como típico. Ele se tornou um cadinho musical para muitos estilos, todos centralizados em uma batida incessante.” 17

O papel essencial da batida incessante na música rock explica por que o seu impacto acontece musicalmente e não liricamente. Como o sociólogo Simon Frith aponta em seu livro Sound Effects, Youth, Leisure, and the Politics of Rock ‘n’ Roll, “Uma aproximação baseada em palavras não é útil para compreender o significado do rock.... As palavras, se é que são notadas, são absorvidas depois que a música deixou a sua impressão.” 18

Em um estudo importante sobre a Neurofisiologia do Rock, os pesquisadores Daniel e Bernadette Skubik enfatizam com impressionante clareza (para cientistas!) o impacto musical da batida do rock. “A conclusão destes estudos é dupla. Primeiro, a letra é de pouca importância aqui. Sejam as palavras maldosas, inócuas ou baseadas nas Santas Escrituras, o efeito neurofisiológico total gerado pela música rock permanece o mesmo. Simplesmente não existe uma coisa tal como rock cristão, que seja substancialmente diferente em seu impacto. Segundo, as implicações a curto prazo envolvem uma diminuição na receptividade da comunicação discursiva, enquanto que as implicações a longo prazo levantam sérias questões sobre a reabilitação das habilidades cognitivas do


--- pág. 133 ---


hemisfério esquerdo. Em um jargão menos técnico, e em um contexto específico, deveríamos esperar que as habilidades para receber e divulgar o evangelho, de orar de forma discursiva, e de estudar as Escrituras sejam comprometidas [pela música rock].” 19

Este fato científico de que “não existe uma coisa tal como rock cristão, que seja substancialmente diferente em seu impacto” é obviamente ignorado por aqueles que argumentam que a música rock pode ser legitimamente adotada para a adoração cristã pela alteração das letras. O fato é que a alteração das letras não afeta o impacto físico-mental do rock sobre o funcionamento da mente, dos músculos e da produção de hormônios, porque a batida ainda está presente.

Uma batida impulsionadora, mais suave, também está presente no soft rock, onde a batida é bastante sutil e menos “hostil” aos nervos. Mas, seja suave ou pesado, no final um ritmo muito acentuado tem o mesmo efeito.

1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   ...   21


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal