Um mapeamento histórico do hipertexto surgimento, desenvolvimento e desvios da aplicação da escrita hipertextual



Baixar 75.71 Kb.
Encontro27.07.2016
Tamanho75.71 Kb.
UM MAPEAMENTO HISTÓRICO DO HIPERTEXTO

Surgimento, desenvolvimento e desvios da aplicação da escrita hipertextual
Maria Clara Aquino1

Resumo: Apresentando inicialmente, um histórico do surgimento e do desenvolvimento do hipertexto, o presente trabalho pretende comparar sua atual aplicação nas páginas web com a sua noção básica formada em séculos passados. Finalizando a exposição, são apresentados projetos que utilizam como base a construção coletiva do hipertexto, no intuito de resgatar os propósitos inicias deste tipo de escrita.

Palavras-chave: hipertexto – web – construção coletiva

1. Introdução
Com o avanço da globalização, o mundo hoje vem passando por significantes transformações na sua forma de organização. Castells (2002, p. 78) afirma que hoje vivemos o que ele denomina de “sociedade da informação”, cuja estrutura em forma de redes configura o novo espaço global e que para Mattelart (2003, p. 66), já se configurava na década de 70. Segundo Mattelart, este tipo de sociedade “só pode existir sob a condição de troca sem barreiras”, o que hoje se traduz num dos mais significantes postulados da Internet. Santaella (2003, p.13), também versando sobre este novo panorama social, diz que “não só as redes digitais, mas qualquer meio de comunicação é capaz não só de moldar o pensamento e a sensibilidade dos seres humanos, mas também de propiciar o surgimento de novos ambiente socioculturais”.

Frente a esta nova morfologia social, o presente trabalho pretende elaborar um mapeamento da história do hipertexto, desde seu surgimento até a criação e o desenvolvimento de seu principal suporte, a Internet. A partir desse resgate histórico do termo, pretende-se comparar o objetivo inicial da técnica hipertextual com a forma como é aplicada nas atuais páginas web.

O texto será estruturado em partes que abordarão, respectivamente, o surgimento da idéia de hipertexto, onde será exposto o histórico do termo, bem como os contextos em que a prática hipertextual foi sendo desenvolvida, uma comparação entre a idéia inicial do hipertexto e o desvio que ocorreu com a sua aplicação dentro das páginas web, e finalmente uma avaliação do futuro do hipertexto, onde será questionada a possibilidade de sua construção de forma coletiva.

2. Hipertexto – das marginàlias à Internet
O hipertexto não nasceu junto com a Internet, nem logo após o surgimento desta, mas mesmo assim, grande parte das definições que hoje encontramos acerca do termo hipertexto remetem a sua forma de utilização dentro do contexto das páginas web.

Lemos (2002, p. 130) apresenta uma definição de hipertexto:


Os hipertextos, seja online ou offline são informações textuais combinadas com imagens, sons, organizadas de forma a promover uma leitura (ou navegação) não-linear, baseada em indexações e associações de idéias e conceitos, sob a forma de links. Os links funcionam como portas virtuais que abrem caminhos para outras informações. O hipertexto é uma obra com várias entradas, onde o leitor/navegador escolhe seu percurso pelos links.
De acordo com as palavras de Lemos, o hipertexto configura-se exatamente como a quantidade infinita de links com os quais nos deparamos hoje nas páginas web. De forma semelhante, Lévy (1993, p.33) formula um conceito de hipertexto enfatizando a possibilidade multimídia e a conexão de nós através do hipertexto:
...um hipertexto é um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, seqüências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular. Navegar em um hipertexto significa portanto desenhar um percurso em uma rede que pode ser tão complicada quanto possível. Porque cada nó pode, por sua vez, conter uma rede inteira.
Lévy (1993, p.73) considera o hipertexto como uma metáfora da comunicação humana quando diz que esta já passou muito tempo sendo analisada sobre o prisma da teoria matemática de Shannon e Weaver (Lévy, 1993, p.72)2. Este caráter metafórico é utilizado pelo autor no sentido de que o hipertexto conecta palavras e frases cujos significados ligam-se uns aos outros, ou seja, o texto, na verdade, é sempre um hipertexto, já que estabelece na mente do leitor uma rede de associações.

Ted Nelson (2005, online)3, considerado o “pai” do hipertexto, já que foi o responsável pela criação do termo, não considera que a estrutura das páginas web de hoje configurem uma rede hipertextual. Para ele “The Web isn't hypertext, it's DECORATED DIRECTORIES!”4. Na verdade, o que Nelson chamou de hipertexto, nunca existiu, pelo menos na Internet. Isso porque a concepção de hipertexto do autor é diretamente ligada a idéia de links bi-direcionais, ao contrário da unidirecionalidade dos links atuais. Hoje, ao clicar num link, o usuário é levado por caminhos únicos e pré-determinados, não lhe sendo permitida a inclusão de novos destinos na trilha daquele hipertexto, mas somente a escolha entre opções que lhes são oferecidas pelo programador da página. O que Nelson pretendia quando criou o termo hipertexto, era que este fosse construído de forma bilateral, ou seja, como ele mesmo afirma: “Links must go both ways.” 5

Mesmo sendo o primeiro a utilizar o termo, Ted Nelson não foi o inventor da idéia de hipertexto. Segundo Burke (2002, p.54), os manuscritos do início da Europa Moderna continham textos “menos fixos e mais maleáveis do que os impressos”. Isso em função da possibilidade do responsável pela transcrição desses manuscritos poder “acrescentar ou subtrair algo dos versos que copiava”. Assim, pode-se comparar as transcrições dos manuscritos com a idéia de hipertexto, pois a bilateralidade que Nelson propunha, encontrava-se nos manuscritos, quando modificações nos seus conteúdos eram realizadas por aqueles que não eram originalmente seus autores, mas que os liam e os transcreviam. Esta birateralidade que já ocorria na Europa Moderna, ainda não ocorre na web, pois as páginas atuais ainda não permitem que os usuários interfiram na sua construção através de edição do texto e/ou pela inclusão de novos links.

Segundo o site Hipertexto (http://www.facom.ufba.br/hipertexto/leo.html), coordenado pelo professor André Lemos que traz dados da Portico - The British Library's Online Information Server (online), no início do século XVI, Leonardo da Vinci (1452-1519) já praticava a escrita hipertextual quando realizava anotações nas margens das páginas de seus escritos. Segundo as informações do site, manuscritos do artista, que pretendia escrever um livro sobre as propriedades físicas e os efeitos geográficos da água, datados de 1508, foram encontrados na Itália pelo colecionador de arte inglês Thomas Howard. Em 1681 Henry Howard, neto de Thomas, presenteou a Royal Society com os documentos, que posteriormente foram transferidos para o Museu Britânico em 1831.

Da mesma forma que as anotações de Da Vinci nas margens de seus manuscritos, havia nos séculos XVI e XVII, as chamadas marginalias. Primo e Recuero (2004, p.28) citando Chartier (2002, p.14) explicam que as marginalias eram anotações feitas a mão nas margens dos livros impressos da época. Em forma de índices pessoais, citações de textos e remissões a outras partes ou outros textos, as marginalias eram transpostas para um caderno de “lugares comuns”, para posteriores consultas.

Comparadas com a prática do hipertexto, as marginálias configuram uma construção coletiva de textos e possibilitam a bidirecionalidade proposta por Nelson, pois ficavam expostas nas margens e os leitores tinham a possibilidade de visualizar o que outros leitores tinham escrito sobre o tema através dos cadernos chamados de “lugares comuns”. Assim, os livros acabavam sendo escritos coletivamente, na medida em que às palavras do autor inicial eram acrescentadas as anotações dos leitores.

Comparando as marginálias com o hipertexto das páginas web e com a concepção de Ted Nelson, Primo e Recuero (2004, p. 28) acreditam haver limitações na prática atual, pois na medida em que o livro possui sobras de espaço nas margens para que as anotações possam ser efetuadas, na Internet, é necessário que os sites e os servidores permitam a intervenção do usuário nos seus conteúdos, armazenando estas modificações e disponibilizando-as para os próximos usuários, o que atualmente ainda não é possível. Novamente pode-se perceber que a web não alcançou aquilo que Ted Nelson pretendia com o hipertexto e que já podia ser percebido com a prática das marginálias: a participação ativa dos leitores na construção dos textos.

Contudo, foi no século XX que o hipertexto começou a tomar forma. Em 1945, o físico e matemático americano Vannevar Bush6, com a publicação de seu artigo “As We May Think7”, traz a tona, mais uma vez, a noção de hipertexto quando do esboço do seu Memex8, instrumento que hoje poderíamos comparar com os nossos computadores pessoais. Bush que na época (Pelegrino e Filho, 1998, online)9 era responsável por uma Agência de Desenvolvimento e Pesquisa Científica do Governo Norte Americano, coordenava o trabalho de mais de seis mil cientistas e sofria com a existência de uma quantidade muito grande de dados que deveriam ser armazenados e disponibilizados para uma consulta rápida e eficiente por outros pesquisadores. Nas palavras de Landow (1993, online)


Struck by the "growing mountain of research" that confronted workers in every field, Bush realized that the number of publications has already "extended far beyond our present ability to make real use of the record. 10
Landow (1993, online) acredita que duas observações devem ser feitas sobre a concepção do Memex de Bush. A primeira seria a de que Bush acreditava que ao mesmo tempo em se lia, era necessário recorrer ao individual, resgatando pensamentos transitórios e reações a textos anteriores. A segunda é a de que o físico reconhecia a necessidade de uma tecnologia virtual para a aplicação de seus preceitos, a qual levaria a uma nova concepção de texto, e que hoje podemos associar ao hipertexto.
Segundo Dias (online):

...para Vannevar Bush, a mente humana não funciona dessa forma, mas sim através de associações. Ela pula de uma representação para outra ao longo de uma rede intrincada, desenha trilhas que se bifurcam, tece uma trama infinitamente mais complicada do que os bancos de dados de hoje ou os sistemas de informação de fichas perfuradas existentes em 1945. Bush reconhecia não ser possível duplicar o processo reticular que embasa o exercício da inteligência. Ele propunha apenas que nos inspirássemos nele. Imaginou então o dispositivo, que denominou Memex, para mecanizar a classificação e a seleção por associação, paralelamente ao princípio da indexação clássica 11.


Dessa forma, o físico e matemático utilizou a idéia das trilhas para esboçar o Memex. Reis (2000, online)12 explica o funcionamento que consistiria em uma mesa de trabalho, com telas para projeção, teclado e botões e alavancas. Para folhear as páginas existiria uma alavanca que avançaria ou retrocederia dentro da publicação; um botão levaria à página inicial do repositório. A idéia de Bush aproxima-se da do hipertexto de Ted Nelson, no sentido de que os documentos armazenados no Memex seriam conectados uns aos outros através de códigos, o que possibilitaria aos leitores relacionarem os conteúdos, igualmente à uma trilha hipertextual. O Memex também possibilitaria a criação de caminhos entre essas conexões, nos quais poderiam ser inseridos comentários. Os caminhos ficariam armazenados para que pudessem ser adicionados em outro Memex, possibilitando que outros leitores possuíssem a mesma trilha.

O artigo de Bush é uma preocupação com a organização do pensamento humano e com o armazenamento do conhecimento obtido com as pesquisas desenvolvidas durante os anos. Santaella (2003, p. 92) afirma que “para lidar com a explosão do conhecimento científico no período da segunda guerra mundial, em 1945, Bush descreveu o primeiro sistema hipermídia, chamado de memex, que tinha por função suplementar a memória pessoal”.

O que Bush pretendia não era hierarquizar o conhecimento, mas criar trilhas associativas que possibilitassem o acesso às informações através da relação, da conexão entre os assuntos. A Internet armazena uma quantidade enorme de informações, mas é carente de um mecanismo de busca de informações mais eficiente. Quando digitamos palavras-chave nos buscadores atuais, estes nos “despejam” uma vasta quantidade de dados sem relacionar as informações obtidas e que dentro das quais, muitas são desnecessárias. Estes sistemas de busca atuais ainda não fazem associações entre os conteúdos, o que constituía o objetivo de Bush com a construção do Memex.

Até esta época, o termo hipertexto ainda não havia sido mencionado. Foi em 1965, mesmo ano em que a Digital Equipment introduz o PDP-8, o primeiro minicomputador comercial e com preço competitivo no mercado informático, que o filósofo e doutor em Sociologia, Theodor Holm Nelson13, mais conhecido como Ted Nelson, concebeu o que ele denominou de Projeto Xanadu14.

Nelson (online) 15considerava extremamente importante a habilidade de trabalho com documentos paralelos e assim projetou um hipertexto que, segundo ele, ainda não existia, com “links which can be followed in either direction”16. Para ele, a idéia de hipertexto baseava-se em “Links that don’t break”17, ou seja, documentos que mesmo sendo modificados frequentemente, se mantivessem conectados entre si.

A aplicação da prática hipertextual, no entanto, só foi sendo utilizada e disseminada com o surgimento da World Wide Web, mas essa aplicação não era exatamente o que Nelson tinham em mente, com a sua noção de hipertexto, quando elaborou o Projeto Xanadu.

Em 1990 (Castells, 2003, p. 18), o engenheiro de sistemas inglês, Tim Berners-Lee18, concebeu a World Wide Web no âmbito do trabalho de apoio aos sistemas de documentação e colaboração entre investigadores e cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear – CERN – com base na Suíça. A invenção do inglês surgiu em função de um problema de troca de informações sofrido pelos pesquisadores do CERN. Primeiramente, Berners-Lee inventou o HTML19, um formato para armazenar documentos no disco rígido de um computador que tivesse acesso permanente à Internet. Cada computador teria uma localização específica, a qual acabou sendo denominada de URL20. Para acessar a URL era necessário um protocolo que foi criado e denominado de HTTP21 . Em seguida forma criados os links, que dependiam das URLs. Para experimentar todo o seu trabalho, Berners-Lee, com a ajuda do engenheiro Robert Cailliau, criou um servidor22 e um brownser23.

Ted Nelson (2005, online)24, afirma que o seu Projeto Xanadu serviu de inspiração para Berners-Lee, mas que sua idéia de hipertexto foi utilizada de forma superficial na criação da World Wide Web. No site do Projeto Xanadu (http://xanadu.com/), Nelson afirma que desde o advento da criação de Berners-Lee, vem tentando aplicar seus conceitos no ambiente imposto pela web.

O hipertexto de Nelson previa a criação de links bidirecionais, construídos de forma coletiva entre leitores e usuários, o que fortalecia a idéia de que o hipertexto, desde os tempos das marginálias, sempre foi coletivo. Porém, a estrutura da web, criada por Berners-Lee, estancou a concepção bilateral de Nelson e acabou fazendo com que o hipertexto atuasse com um caráter individual, pois o que ocorre hoje em dia é a criação de links de acordo com a vontade do programador, de forma unilateral. Não é possível que, hoje, usuários da web possam incluir novos links ou modificar os conteúdos das páginas, o que conseqüentemente configura a ausência de coletividade através da prática hipertextual.

Contudo, a evolução da web parece se dirigir para o desenvolvimento de um sistema mais interligado, pelo menos é no que Nelson concentra seus esforços, e que permita o cruzamento de informações. Assim, o hipertexto começa a servir de base para a construção de projetos que atentam para a participação do usuário na construção das páginas web. Ao passo em que os sistemas de armazenamento e de acesso a informações começam a se estruturar de uma forma mais interligada, transparecendo uma formação em rede, o hipertexto, que já possui esta característica, pelo menos em suas origens, avança para o início de um período em que deverá ser construído de forma coletiva, como fora nas suas primeiras manifestações.


4. Hipertexto: individual ou coletivo?
Através do resgate histórico do hipertexto, percebe-se que, desde o início, a sua idéia básica, além da conexão entre os documentos, era a de ser construído coletivamente, permitindo que escritores e leitores pudessem participar ativamente da elaboração do texto. Desde as marginálias até a concepção do Memex por Bush, o espírito de coletividade ainda se fazia presente quando se pensava na idéia de uma escrita hipertextual, mas convém lembrar que até este momento o termo ainda não havia sido cunhado. Nas marginálias este aspecto é claramente visível, na medida em que os leitores dos livros tornavam-se construtores do texto, juntamente com o autor original, na medida em que realizavam as anotações nas margens. Essa coletividade também se manifestava no momento em que os leitores podiam ler, a qualquer tempo, as anotações de outros leitores através dos cadernos de “lugares comuns”. No Memex a ocorrência da coletividade se dava quando os caminhos criados com as trilhas associativas dentro de um Memex, podiam ser transferidas para outros Memex e assim, possibilitando que os leitores trocassem informações sobre as trilhas que vinham criando com as leituras.

Quando Ted Nelson finalmente nominou a prática sob o termo “hipertexto”, a idéia de uma construção coletiva ainda permanecia forte. Os links bidirecionais propostos por Nelson e a conectividade constante entre os documentos salientavam a possibilidade de uma construção coletiva dos textos. O desvio ocorreu com o advento da web, a qual acabou não sendo projetada de forma a aproveitar as potencialidades da noção de hipertexto e que permitiriam a participação ativa, no mesmo nível, de programadores e usuários das páginas. Aqui então, encontra-se a grande crítica de Nelson ao hipertexto existente hoje nas páginas web. Ele acredita que hoje, o hipertexto, que deveria ser coletivo, acabou tornado-se individual em função desse estancamento do caráter bidirecional que o hipertexto possui desde as suas primeiras manifestações. Nelson (2005, online) considera que o atual panorama da web seja uma simplificação do que ele imaginou com a criação do seu Projeto Xanadu.

Coletividade é um conceito ligado diretamente ao de interação e a Escola do Interacionismo Simbólico traz uma definição adequada de uma situação de comunicação efetivamente interativa. Teóricos dessa escola postulam que o mundo simbólico é construído através da interação entre os indivíduos de uma relação social, os quais se condicionam mutuamente e constroem estruturas simbólicas nas interações. Estas passam a regular-se umas às outras fazendo com que o indivíduo componha uma circularidade. Assim, é através das diferentes interações que mantém entre si que os indivíduos vão cultivando símbolos variados e assim conseqüentemente diversificando suas relações interacionais com os outros. Autores como, respectivamente, David Berlo (1999, p. 135) e Watzlawick et. al. (1967, p. 27) salientam a importância da interdependência entre os atores da relação de comunicação para a ocorrência da interação.
O termo interação denomina o processo de adoção recíproca de papéis, o desempenho mútuo de comportamentos empáticos. Se dois indivíduos tiram inferências sobre os próprios papéis e assumem o papel um do outro ao mesmo tempo, e se o seu comportamento de comunicação depende da adoção recíproca de papéis, então eles estão em comunicação por interagirem um com o outro.

Uma cadeia em que o evento a gera o evento b, e b gera então c, e c, por sua vez, provoca d etc., teria as propriedades de um sistema linear determinístico. Se, porém, d conduzir de volta a a, o sistema é circular e funciona de um modo inteiramente diferente. Manifesta um comportamento que é, essencialmente, análogo ao daqueles fenômenos que tinham desafiado a análise em termos de um estrito determinismo linear.


De acordo com os preceitos do Interacionismo, não é possível considerar a prática hipertextual da Internet de hoje como efetivamente interativa. Isso porque o usuário da rede não interage totalmente nas páginas, ou seja, ele não possui a possibilidade de se manifestar criando novos links, mas age de forma limitada, somente escolhendo caminhos que o levarão a lugares pré-determinados pelos programadores das páginas.

Primo (2003), baseado no Interacionismo, classifica o hipertexto em três formatos:

· Hipertexto potencial: aquele em que os caminhos associativos estão pré-determinados pelo programador da página, sendo que ao usuário não é permitido realizar qualquer tipo de inclusão de novas associações, lhe restando apenas seguir as trilhas pré - dispostas pelo programador.

· Hipertexto colagem: permite uma atuação mais ativa do internauta do que no hipertexto potencial, pois este só poderia executar modificações que já estariam previstas pelo autor da página. No hipertexto colagem é permitido ao internauta criar, no entanto não existe debate entre usuário e programador quanto a esta criação.

· Hipertexto cooperativo: Este tipo remete à questão da construção coletiva, pois é construído através do debate entre autor e usuário da página. Assim, a discussão contínua é responsável por modificar a trilha de associações a medida em que é construída, tanto por usuário quanto por programador.

A classificação de Primo aponta diversas questões acerca da utilização do hipertexto e do seu caráter coletivo. Nos hipertextos potencial e colagem verifica-se a limitação sofrida pelo usuário para interferir na construção do hipertexto. Exatamente como ocorre na web atual, esses tipos de hipertextos são construídos individualmente, pois é o programador que determina o que será linkado. Já no cooperativo pode-se perceber claramente que não é o tipo de hipertexto presente hoje nas páginas web, pois permite uma plena atividade do usuário e assim é considerado coletivo.

Neste sentido a possibilidade da escrita hipertextual de forma coletiva depende e muito da efetivação de um hipertexto cooperativo, cuja prática depende da realização de uma situação de comunicação que efetivamente possibilite interação, ou seja, um atuação recíproca de seus atores, caso contrário não será possível se falar em coletividade. Contudo, a rede ainda não alcançou o estágio fundamental de interação para que o conhecimento seja construído de forma plenamente coletiva, pois a unidirecionalidade dos links ainda prevalece, não permitindo que os usuários da rede incluam links nas páginas da web.

Ainda assim, esforços para a modificação deste atual panorama eletrônico começam a surgir e alguns projetos que visam a participação ativa do usuário na construção e ampliação da rede já começam a ganhar visibilidade.


4. O futuro do hipertexto: a cooperação?
Em uma entrevista concedida ao site Janela na Web (http://www.janelanaweb.com/), Ted Nelson, perguntado sobre o que haveria de errado com a web criada por Tim Berners-Lee, respondeu:

Foi uma simplificação, uma brilhante simplificação. Mas é muito limitada. O que eu sempre pretendi evitar foi exactamente o que a lógica da Web criou.

Os links que ele criou funcionam numa só direcção. Eu não concordo com o HTML, com o facto de ser unívoco. A minha solução é uma estrutura mais rica do que as páginas HTML. Permite duas coisas: ligações visíveis e explícitas entre conteúdos que são diferentes e cópias virtuais – acto a que eu chamo de transclusão – de conteúdos que são idênticos. Permite, também, a gestão de várias versões e dos direitos da propriedade intelectual dos conteúdos.
Nesse sentido, Ted Nelson evoca o que está faltando para que a web possa ser uma espaço de construção efetivamente coletiva: um espaço onde programadores e usuários possam interagir completamente entre si, trocando informações e construindo, coletivamente, novos caminhos por entre a infinita rede de dados do ciberespaço.

Impulsionados pela necessidade de uma nova forma de escrita hipertextual projetos como o Co-link25 e o Liquid Information26 preocupam-se em possibilitar a participação ativa do usuário na construção do hipertexto.

O Co-link é um projeto brasileiro, desenvolvido em conjunto pelos professores Alex Primo e Raquel Recuero, ambos de universidades localizadas no Rio Grande do Sul. A proposta principal é resgatar a idéia das “trilhas associativas” propostas por Bush, com o Memex. Segundo o site do projeto:

Tais trilhas, contudo, não ligam uma idéia a apenas uma outra. Diversas associações podem ser feitas à mesma palavra. Como se sabe, à medida que se lê determinado texto, diversas leituras anteriores são mobilizadas. Com a utilização de co-links, essa rede de remissões pode ser gravada no próprio texto. Mas mais do que um registro individual, o documento hipertextual passa a ser o registro cooperado de diferentes olhares


particulares.
Assim, o Co-link permite a participação ativa do usuário que pode editar o texto, transformar palavras que ainda não são links em novos links e também inserir múltiplos caminhos em cada palavra linkada, ao contrário do que ocorre hoje quando a partir de um link temos apenas uma única possibilidade de destino. Além disso, pode acessar os caminhos percorridos por outros usuários, da mesma forma que o Memex de Bush também pretendia.

Partindo da mesma premissa, o Liquid Information, desenvolvido em Londres, na University College London Interaction Centre em parceria com Douglas Engelbart27, também preocupa-se com a participação ativa do usuário na construção do hipertexto. O mecanismo da ferramenta consitui-se na possibilidade de o usuário poder editar os textos das páginas web, porém, ao contrário do Co-link, o Liquid Information não permite que o internauta crie novos links dentro dos textos das páginas, o que ainda acaba limitando a atuação do usuário e não atendendo aos preceitos hipertextuais de Ted Nelson.

Ainda enfatizando a importância da construção coletiva de conhecimento, a Wikipédia (http://www.wikipedia.org) apresenta-se como uma outra possibilidade que os internautas possuem para participar da tecitura da teia de nós da Internet. Criado em 1995, por Ward Cunningham, o sistema wiki (que significa “rápido” no Havaí) funciona através de um script instalado no servidor permitindo que qualquer usuário da Internet possa alterar/editar o conteúdo das páginas que funcionam dentro desse sistema, sem a prévia autorização do autor da página, o que acaba fazendo com que todos sejam autores e que o texto nunca tenha uma versão definitiva, mas que fique em constante modificação. Cada alteração realizada permanece salva dentro do sistema, podendo ser verificada retrospectivamente.

Em janeiro de 2001, Larry Sanger e Jimmy Wales lançam a Wikipédia, a qual acabaria se tornando o maior projeto wiki até hoje realizado. Anterior a esta criação, Sanger já trabalhava no projeto Nupedia (http://www.nupedia.com) , criado por Wales, que consistia em uma enciclopédia online escrita por especialistas28. Porém, diferente da Nupedia, que era construída por especialistas, a Wikipédia tinha como proposta ser redigida por internautas comuns, ou seja, não exigia nenhum pré-requisito, apenas a disposição do usuário para fazer parte do projeto.

A Wikipédia é estruturada em verbetes, os quais estão disponibilizados em diversos idiomas, entre eles até mesmo o latim e o esperanto. O sistema também possui uma versão em português (http://pt.wikipedia.com/wiki.cgi?HomePage). De acordo com Primo e Recuero (2003) convém lembrar que cada alteração, cada inclusão de link dentro de um verbete modifica toda a rede hipertextual da Wikipédia e dessa forma constrói-se um hipertexto do tipo cooperativo. Assim, o sistema condiz com a noção inicial de hipertexto, pois concede a plena atividade do usuário na construção da trilha hipertextual.

Com o surgimento desses tipos de projetos, tanto programadores quanto usuários já perceberam as possibilidades que possuem para atuar dentro da rede e a idéia de um hipertexto individual começa a ser combatida através desses esforços para modificar a atual estrutura da web.


5. Conclusão
O objetivo principal dessa exposição era realizar um mapeamento histórico do hipertexto e comparar a sua utilização desde as primeiras manifestações de sua prática até os dias de hoje com a sua utilização na web.

Como já foi exposto inicialmente, o hipertexto não nasceu com a Internet, ele já se manifestava em séculos passados, desde a Idade Média. No entanto, nem sempre foi utilizado de acordo com sua idéia básica e por isso o intuito deste trabalho foi demonstrar que de coletivo, o hipertexto, com a criação da web, passou a ser algo individual.

Desde seu surgimento nas marginálias e nos manuscritos, mesmo sem denominação formada, o hipertexto sempre trouxe consigo a idéia de uma escrita coletiva. A possibilidade de armazenar conhecimento aliava-se a de renovação constante do conteúdo, à medida em que as margens dos livros eram preenchidas com comentários e citação de outros textos pelos leitores. Com o advento da web, o hipertexto tem a possibilidade de ter estas características fortalecidas, já que torna-se bem mais fácil modificar conteúdo e construir ligações com outros documentos a partir de tecnologias digitais. Infelizmente, este desenvolvimento foi distorcido, paralisado, na medida em o hipertexto começou a ser construído de forma unilateral nas páginas web.

Enfim, o hipertexto precisa ser reformulado, ter seu preceito inicial recuperado, para então ampliar as suas possibilidades de criação e assim convergir com o potencial democrático da rede. Os esforços neste sentido proliferam na Internet, através de projetos como os citados acima, esta saber o quanto falta para que se possa falar de uma construção efetivamente coletiva.


6. Bibliografia
1. AQUINO, Maria Clara. O Hipertexto como Estrutura Editorial Básica da Internet: Construção Coletiva e Interatividade na Escrita Hipertextual. 2004.

2. AQUINO, Maria Clara. Uma Análise da Interação Mútua na Construção Coletiva de Conhecimento: o caso do Projeto Co-link. 2004.

3. BERLO, David K. O Processo da Comunicação: Introdução à Teoria e à Prática. São Paulo: Martins Fontes, 1999. 330p.

4. BURKE, Peter; BRIGGS, Asa. Uma história social da mídia: De Gutenberg à Internet. Jorge Zahar Editor. Rio de Janeiro, 2002. 377p.

5. BUSH, Vannevar. As We May Think. 1945. Disponível em:< http://www.theatlantic.com/unbound/flashbks/computer/bushf.htm>.

6. CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2003.

7. CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Editora Paz e Terra. 2002. 698p.

8. DIAS, Maria Helena Pereira. Encruzilhadas de um labirinto eletrônico: uma experiência hipertextual. Disponível em: .

9. FERRAZ, M Ronaldo. Construindo sites com padrão Web. Disponível em: < http://kb.reflectivesurface.com/br/artigos/sitesComPadroesWeb/introducao>.

10. FILHO, Leme Trajano. Os 50 maiores erros da humanidade. Axcel Books. Rio de Janeiro, 2004.

11. HAMMAN, Robin. History of Internet, WWW, IRC, ad MUDs. Disponível em: .

12. LANDOW, George. Hypertext: the Convergence of Contemporary Critical Theory and Technology. Disponível em: <http://www.cyberartsweb.org/cpace/ht/jhup/contents.html>.

13. LEMOS, André. Cibercultura – tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Editora Sulina. Porto Alegre 2002.320p.

14. LÉVY, Pierre. As Tecnologías da Inteligência. Editora. 34. São Paulo 1993. 230p.

15. LÉVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34. São Paulo 1999. 264p.

16. LIMA, de João Gabriel. Isso sim é revolução. Revista Veja. Editora Abril, edição 1885, ano 37, 22 de dezembro de 2004.

17. MATTELART, Armand e Michèle. História das Teorias da Comunicação. Edições Loyola: 6º edição. São Paulo, 2003.

18. NEITZEL, Luiz Carlos; SUBTIL, Maria José Dozza; GOMES, Rita de Cássia Guarezzi. Hipertexto e interdisciplinaridade. Disponível em: < http://www.geocities.com/Athens/Sparta/1350/hipertex.html>.

19. PELEGRINO, Egnaldo; FILHO, Otávio. História do hipertexto. Disponível em: < http://www.facom.ufba.br/hipertexto/historia.html> .

20. PRIMO, Alex Fernando Teixeira. Quão interativo é o hipertexto? Da interface potencial à escrita coletiva. In. Compós 2002 – Encontro da Associação Nacional dos 21. Programas de Pós-Graduação em Comunicação, 11, 2002, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro, 2002. Disponível em: <http://www.pesquisando.atraves-da.net/quao_interativo_hipertexto.pdf.>

21. PRIMO, Alex Fernando Teixeira; RECUERO, Raquel da Cunha. Co-links: Proposta de uma nova tecnologia para a escrita coletiva de links multidirecionais. 2004

22. PRIMO, Alex Fernando Teixeira; RECUERO, Raquel da Cunha. Hipertexto Cooperativo: Uma Análise da Escrita Coletiva a partir dos Blogs e da Wikipédia. In: VII Seminário Internacional da Comunicação 2003, Porto Alegre, Anais... Porto Alegre, 2003. Disponível em: http://pesquisando.atraves-da.net/hipertexto_cooperativo.pdf.

23. PRIMO, Alex. Interação Mediada por Computador: a comunicação e a educação a distância segundo uma perspectiva sistêmico-relacional. 2003. 292p. Curso de Pós-Graduação em Informática na Educação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2003.

24. RECUERO, Raquel da C. Comunidades Virtuais no IRC: O Caso do #Pelotas. 2002. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação). Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2002.

25. REIS, Christian. Resumo: Da forma com que pensamos Vannevar Bush. Disponível em: .

26. RUDIGER, Francisco. Introdução à Teoria da Comunicação. Edicon. São Paulo, 1998

27. SANTAELLA, Lúcia. Culturas e artes do pós-humano: Da cultura das mídias à cibercultura. Editora Paulus. São Paulo, 2003. 357p.

28. WATZLAVICK, Paul; BEAVIN, Janet Helmick; JACKSON, Don D. Pragmática da comunicação humana: um estudo dos padrões, patologias e paradoxos da interação. São Paulo: Cultrix, 1967. 263p.





1 Estudante de Jornalismo e Bolsista do Programa de Incentivo às Bolsas de Iniciação Científica da Universidade Católica de Pelotas.

2 É sabido que a teoria matemática da comunicação, elaborada nos anos quarenta, mede a quantidade de informação através da improbabilidade das mensagens de um ponto de vista estatístico, sem levar em conta seu sentido. As ciências humanas, entretanto, necessitam de uma teoria da comunicação que, ao contrário, tome a significação como centro de suas preocupações. (Lévy, 1993, p.72)

3 http://ted.hyperland.com/buyin.txt

4 “A Web não é um hipertexto, são diretórios decorados”

5 Tradução da autora: “Links devem ir em ambos os caminhos”.

6 http://www.iath.virginia.edu/elab/hfl0034.html

7 http://www.ps.uni-sb.de/~duchier/pub/vbush/vbush.shtml

8 http://www.iath.virginia.edu/elab/hfl0051.html

9 http://www.facom.ufba.br/hipertexto/historia.html

10 Tradução da autora: “Golpeado pela "crescente montanha de pesquisa" que confrontava trabalhadores em todas as áreas, Bush sabia que o número de publicações já tinha "largamente se extendido além de nossa presente habilidade de fazer uso real dos registros.”

11 http://www.unicamp.br/~hans/mh/memex.html

12 http://www.async.com.br/~kiko/papers/think/

13 http://ted.hyperland.com/

14 http://xanadu.com/

15 http://www.xanadu.com.au/ted/TN/PARALUNE/paradoxx.html

16 Tradução da autora: “links que podem ser seguidos em ambas as direções”.

17 Tradução da autora: “Links que não quebram”.

18 http://www.w3.org/People/Berners-Lee/

19 http://www.icmc.usp.br/ensino/material/html/html.html: “HTML significa HyperText Markup Language - Linguagem de Marcação de Hipertexto. Não é possível programar em linguagem HTML, pois ela é simplesmente uma linguagem de marcação: ela serve para indicarmos formatações para textos, inserir imagens e ligações de hipertexto. Os browsers são os responsáveis por identificar as marcações em HTML e apresentar os documentos conforme o que foi especificado por essas marcações.”

20 http://www.icmc.usp.br/ensino/material/html/url.html: “O sistema de endereçamento da Web é baseado em uma sintaxe chamada URI (Universal Resource Identifier - Identificador Universal de Recursos). Os endereços que utilizamos atualmente são os URLs, que seguem essa sintaxe.”

21 http://www.icmc.usp.br/ensino/material/html/http.html: “HTTP significa HyperText Transfer Protocol - Protocolo de Transferência de Hipertexto. O HTTP é o protocolo usado para a transmissão de dados no sistema World-Wide Web. Cada vez que você aciona um link, seu browser realiza uma comunicação com um servidor da Web através deste protocolo”.

22 http://www.zonazero.com.br/perguntas2.htm#servidor%A0%A0: “Servidor é um computador conectado à Internet vinte e quatro horas por dia, onde ficam armazenados todos os dados que poderão ser visualizados por meio da Web. Para que um site esteja no ar, é necessário que ele tenha um servidor onde as informações estejam permanentemente disponíveis para o acesso em qualquer ponto da rede”.

23 Navegadores que possibilitam a visualização de páginas web. Ex: Internet Explorer, Mozilla.


19


20


21


22


23


24 http://xanadu.com/nxu/index.html

25 http://www.co-link.org

26 http://www.liquidinformation.org

27 http://www.thocp.net/biographies/engelbart_douglas.html

28 PRIMO, Alex Fernando Teixeira; RECUERO, Raquel da Cunha. Hipertexto Cooperativo: Uma Análise da Escrita Coletiva a partir dos Blogs e da Wikipédia. In: VII Seminário Internacional da Comunicação 2003, Porto Alegre, Anais... Porto Alegre, 2003. Disponível em: http://pesquisando.atraves-da.net/hipertexto_cooperativo.pdf.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal