Um passeio suplementar consideraçÕes sobre o leitor na contemporaneidade



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UM PASSEIO SUPLEMENTAR - CONSIDERAÇÕES SOBRE O LEITOR NA CONTEMPORANEIDADE

Ana Cristina Coutinho Viegas


A literatura tem sido um personagem importante na obra de Rubem Fonseca. Sempre povoaram seus textos as sombras de outros autores; e as palavras alheias, entre aspas ou não, sempre fizeram parte do seu instrumental, deixando entrever um projeto estético.

Em Romance negro, abordar questões diretamente ligadas à literatura se torna um recurso dominante e não é por acaso que o personagem-escritor está presente em quatro contos. Entre eles, encontra-se “A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro”, cujo protagonista caminha noite e dia, buscando material para escrever um livro intitulado A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro.

Considerado símbolo fundamental da vida moderna, o espaço da rua tem sido escrito e reescrito em textos diversos. Desse conjunto de narrativas, faz parte uma tradição de escritos sobre a cidade do Rio de Janeiro e, mais especificamente, sobre o seu centro. Tradição a que se somam ilustradores e caricaturistas, outro grupo de leitores importantíssimos da vida dessa cidade. Exercitando-se em diferentes gêneros literários – contos, romances e, principalmente, crônicas –, vários escritores (Joaquim Manuel de Macedo – autor da epígrafe do conto em questão –, José de Alencar, Machado de Assis, Lima Barreto, João do Rio e tantos outros) percorreram as ruas do centro, construindo diversas interpretações. O texto de Rubem Fonseca insere-se em toda essa tradição e com ela dialoga.

O projeto de escrever um livro visa estabelecer uma comunhão com a cidade. O personagem Epifânio lê nas fachadas, nos telhados, nos letreiros luminosos, nos edifícios, nas paredes das igrejas, momentos da história de sua infância. Dessa forma, a memória e o projeto associam-se na constituição de sua identidade de andarilho e escritor, marcada, inclusive, pela adoção de um pseudônimo, Augusto. Lendo a cidade presente, Augusto tenta ler a cidade passada, percorrendo um mapa afetivo por meio de um processo anacrônico – andar a pé. Escondida em seu enigma, a cidade desafia o artista a decifrá-la.

Logo nos primeiros parágrafos, o leitor é informado de que Epifânio ganha na loteria, pede demissão da companhia de águas e esgotos, passa a se chamar Augusto e se dedica a escrever. Com a nova identidade, tem início sua biografia de escritor, que deverá ser construída ao longo da narrativa. Paralelamente, inicia-se também o processo de formação do leitor. Atento à necessidade de preparar os futuros leitores do seu próprio livro, Augusto põe em prática uma pedagogia da leitura. Utilizando-se de matérias de jornais, ensina prostitutas a ler. Em suas andanças, Augusto lê a cidade e quer trazer para seu livro segmentos excluídos da sociedade. Ao mesmo tempo, quer que sua obra – a cidade em palavras – seja lida por esses segmentos.

No centro, misturam-se raças, sotaques, ofícios, artes, juntamente com tantos outros signos: o sonho (casas lotéricas, pontos de jogo do bicho), o imprevisível (a sensação de que de cada esquina pode surgir o insólito), a passagem do tempo (nas igrejas, nos sobrados) etc. Esses signos, contudo, não são lidos da mesma forma nem com a mesma intensidade pelas diferentes “tribos” que por ali circulam. Até mesmo os grafites, que, a princípio, indicariam traços de ilegibilidade, para determinados grupos não são ilegíveis. Na verdade, os grafites também indicam o caráter fragmentado da leitura de uma cidade como o Rio, que, mergulhada em mensagens infinitas e diversas, não pode ser representada na sua globalidade, mas somente na parcialidade do olhar subjetivo. E esse vem a ser um dos motivos que levam o projeto de Augusto a fracassar. Na contramão dos objetivos previamente traçados pelo personagem, a cidade apresenta-se polifônica, comunicando-se com vozes diversas e copresentes. Para pensar a cidade, é necessário querer “perder-se”, ter prazer nisso, aceitar ser “desenraizado”, “estrangeiro”, condições fundamentais para se atingirem novas possibilidades cognitivas, através de um resultado de misturas imprevisíveis entre níveis racionais, perceptivos e emotivos, como só a cidade sabe conjugar1.

Ao longo do conto, mergulhado no próprio narcisismo, Augusto estabelece relações que têm por objetivo apenas a construção de seu livro. Para isso, percorre roteiros pré-estabelecidos e tem hora marcada para escrever. Quer reconstruir a alma da cidade, incluindo nesse projeto grupos marginalizados. Paradoxalmente deixa transparecer certo preconceito no que diz respeito a esses grupos, o que fica mais claro na sua relação com Kelly, a quem vai ensinar a ler.

Assim como faz com outras prostitutas, ao ensinar Kelly “a ler e a falar de maneira correta”, Augusto oferece-lhe dinheiro para ouvir suas lições, pois “tem consciência de que ensinar prostitutas a ler e a falar corretamente” pode ser para elas “uma forma de tortura”2. Já que os termos “de maneira correta” e “corretamente” tanto podem se referir ao ato de falar quanto ao ato de ler, nota-se que o personagem-escritor privilegia um determinado uso da língua, assim como tem em mente um leitor ideal. Preso a paradigmas da alta cultura, menospreza seu público, ao destacar, por exemplo, as diferenças nos hábitos de consumo entre ele e sua nova aluna. Esta se recusa a entrar num sebo. Não é uma consumidora de livros, mas de quinquilharias vendidas nos camelôs.

Convidada para passear na avenida Rio Branco e apreciar prédios antigos, Kelly responde que não se interessa por velharia. Em contrapartida, da mesma forma que as velharias da cidade do sonho de Augusto não interessam à prostituta, esta fala uma língua que Augusto não domina nem faz questão de conhecer. Não quer ouvir a história da vida de Kelly, pois já ouviu vinte e sete histórias de vida de prostitutas e são todas iguais. Além disso, não faz parte de seu horizonte de expectativas envolver-se com nenhuma prostituta a quem resolva alfabetizar. É irrelevante para seu projeto, que almeja reconstituir um texto muito próprio e preparar os leitores que receberão esse texto.

Essa preocupação em criar o público para uma obra pode remeter ao Romantismo, período em que, sob influência iluminista, se consolidou a vida literária brasileira e, portanto, a primeira platéia para nossa literatura. Naquele momento, teve papel de destaque Joaquim Manuel de Macedo, lembrado na epígrafe do conto de Rubem Fonseca.

Em A moreninha, um outro Augusto recitava sonetos em festas, numa sociedade em que a literatura ajudava a compor uma cultura de verniz. No romance de Macedo, são comuns as referências a situações de leitura e a obras realmente disponíveis para os leitores cariocas da época3.

A Moreninha parece testemunhar o esforço educativo de Macedo, ao tempo de publicação do primeiro sucesso popular de nossa literatura. Não só o estilo literário moderno é debatido em suas páginas, como isso acontece em termos e padrões que provavelmente tornavam a discussão acessível aos destinatários do livro.

Nesse sentido, também a menção ao romantismo tem função de mergulhar o romance no mundo brasileiro contemporâneo, familiar, portanto, aos leitores. Isso se verifica nos momentos em que Macedo incorpora o aqui e o agora do Rio de Janeiro dos anos 1840, extraindo daí elementos que favorecem a identificação, o reconhecimento e, a partir deles, o envolvimento de sua audiência. Com essa estratégia, o autor parece viabilizar seu projeto de criação do público brasileiro para romances nacionais.4

Tendo em vista o público da Corte, Macedo dosava cuidadosamente suas intervenções, o que pode ser observado em seu livro Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. No capítulo do qual foi extraída a epígrafe do conto de Rubem Fonseca, o escritor romântico trata da corrupção e da impunidade a que estava submetida a cidade do Rio de Janeiro no século XVII. O capítulo se encerra, porém, com a seguinte ressalva:

Adivinho que vos achais fatigados, e que me íeis pedir para terminar aqui este passeio.

Vou fazer-vos a vontade, anunciando-vos outro um pouco menos árido e um pouco mais divertido, na próxima sessão.”5
O mesmo livro se abre com um prólogo – “Aos meus leitores” – em que o autor delineia o tipo de leitor da época.

Até hoje só tenho escrito com a idéia de aproveitar ao povo e àqueles que pouco sabem.

Ora, escrevendo eu também para o povo esta obra, cuja matéria é árida e fatigante, não quis expô-la ao risco de não ser lida pelo povo, que prefere os livros amenos e romanescos às obras graves e profundas.

Que fiz eu? Procurei amenizar a história, escrevendo-a com esse tom brincalhão e às vezes epigramático que, segundo dizem, não lhe assenta bem, mas de que o povo gosta; ajuntei à história verdadeira os tais ligeiros romances, tradições inaceitáveis e lendas inventadas para falar à imaginação e excitar a curiosidade do povo que lê, e que eu desejo que leia os meus Passeios; mas nem uma só vez deixei de declarar muito positivamente qual o ponto onde a invenção se mistura com a verdade.

Acertei ou errei, procedendo assim?

Decida o público, que é meu juiz ...”6

Se Joaquim Manuel de Macedo participou do período de formação do público brasileiro, Rubem Fonseca vive a crescente industrialização das produções culturais e a expansão de nosso mercado editorial desde as últimas décadas do século XX.

A obra fonsequiana circula, de forma exemplar, em pólos recepcionais distintos – o que a diferencia de grande parte das obras brasileiras contemporâneas. Poucos são os escritores que conseguem alcançar grandes marcas de vendagem, mais raros são os que atingem, ao mesmo tempo, o sucesso e o reconhecimento acadêmico. Os livros de Rubem Fonseca são expostos nas vitrines das livrarias, em locais destinados aos best-sellers e a poucos escritores nacionais. Paralelamente a esse movimento de circulação no grande público – caso seja possível falar em grande público para a literatura no Brasil –, consultando catálogos de teses, anais de congressos ou revistas produzidas nos meios universitários, encontram-se muitos trabalhos dedicados a sua obra.

Ao contrário de modelos da moderna ficção brasileira, como Clarice Lispector e Guimarães Rosa, escritores que tiveram seu valor exacerbado na medida em que eram estudados como artífices da palavra, criadores de uma prosa-poética que requer leitores sofisticados e que estavam em plena atividade na época da estréia de Rubem Fonseca em 1963, este produz uma literatura que se caracteriza, entre outros fatores, por uma técnica de fôlego e ação, que tenta seduzir o leitor contemporâneo, imerso no mundo da cultura de massa.

Assim como o detetive, o personagem-escritor é recorrente em seus textos e, com uma obsessão tão intensa quanto a do primeiro, expressa uma aguda consciência do espaço de circulação da literatura nos nossos dias. O valor comunicacional da literatura tornou-se um tema freqüente na própria obra. Sempre constituíram matéria de preocupação de seus narradores o crítico, o editor, o leitor e a mídia. Esta, por atuar muito mais diretamente que a academia na ampliação do mercado, determina condições tanto para a produção como para a recepção das obras. Cínicos ou não, a tudo isso estão atentos os narradores fonsequianos.

Na medida em que se entende a literatura de acordo com uma perspectiva comunicacional, texto e leitor tornam-se indissociáveis. E este último é constantemente tematizado nos textos de Rubem Fonseca, como no caso de seu livro mais recente – Diário de um fescenino – em que cita até mesmo teóricos da leitura:

(...) o leitor é também um produtor (Iser, Barthes, Eco já esgotaram esse assunto).”7


Enquanto a recepção dos produtos ditos “comerciais” é menos dependente do nível de instrução dos receptores, a literatura é um produto acessível aos consumidores dotados de certa competência, a qual deve ser desenvolvida basicamente pelo sistema de ensino. Além de formar leitores, a instituição escolar também reivindica um papel de consagradora, isto é, depois de um longo processo, canonizam-se determinadas obras pela sua inscrição nos programas de ensino. Apesar de não desenvolver aqui a questão de como esse trabalho vem sendo realizado em nossas escolas, questiona-se o lugar nelas reservado para a leitura dos escritores brasileiros, principalmente os contemporâneos.

No romance E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto, o personagem-escritor Gustavo Flávio é bastante pessimista em relação a esse problema.



(...) leitura obrigatória nos colégios – aquele esforço pedagógico bem-intencionado que tenta induzir estudantes estúpidos e semi-analfabetos a aprender a gostar de ler.8
O fracasso do sistema escolar no que diz respeito à formação de novos leitores para os textos literários também é apontado em outros textos de Rubem Fonseca. Em Vastas emoções e pensamentos imperfeitos, o narrador questiona:

(...) Quem, entre os milhões de semi-analfabetos fabricados pelas instituições de ensino, consumidores de uma arte cômoda representada pela música pop, pelo cinema e pela televisão, conhecia Babél?”9


As últimas pesquisas divulgadas no primeiro semestre de 2003 não são nada animadoras, uma vez que, além de constatarem a existência de 16 milhões de analfabetos no Brasil, ainda afirmam que a grande maioria dos alfabetizados não é capaz de entender um texto escrito. De que maneira a literatura se torna uma prática social num país que nem ao menos completou o processo de alfabetização de seu povo?

Se o sistema de ensino não está conseguindo formar leitores, quem exerce influência sobre os jovens consumidores de literatura? A questão recai, conseqüentemente, no poder do mercado e da mídia. Restringe-se a autonomia do escritor, expondo-o às exigências ou às encomendas de forças externas.



Muitas análises dos meios de comunicação de massa modernos (...) demonstram como os papéis desempenhados tradicionalmente no sistema literário, as condições de ações e o conceito de obra de arte literária têm sido transformados de maneira drástica sob as condições da mídia eletrônica institucionalizada (...) história literária tem de ser também uma história da mídia e tem de respeitar o fato de que os meios não-técnicos, como também os técnicos, definem o que pode ser realizado como fenômeno literário pelos agentes em um sistema literário.10
Além da importância de se analisar o poder de influência da mídia, também precisam ser observadas as modificações no modo de os indivíduos perceberem e representarem realidades a partir da convivência com essa mídia11. Os profissionais de ensino, os produtores culturais e os críticos, representantes de uma cultura letrada, também têm, hoje em dia, sua formação mediada pelos novos meios de comunicação de massa. Sem contar que grandes parcelas da população brasileira nunca tiveram acesso à instrução escolar clássica e têm na telenovela uma grande fonte de educação.

No conto de Rubem Fonseca, um banco escolar é usado na rua por um apontador de jogo do bicho. Opera-se, assim, uma ressemantização do objeto, levando a pensar nos diversos significados e valores que diferentes segmentos sociais atribuem à instituição escolar. Esta, muitas vezes, por não atender às expectativas de certos grupos, torna-se ineficaz. As esperanças não são depositadas na escola, mas sim, segundo o narrador, em jogos e apostas.

Na globalização eletrônica, o modelo de comunicação de massa tradicional – concentrado em monopólios onde poucos produzem para muitos – cede lugar a uma coletivização de produção e consumo de informações, acompanhada de uma desmassificação – como no caso da internet. Ao lado desse processo, consolida-se, para as grandes camadas da população, uma cultura, cujos exemplos paradigmáticos, no caso brasileiro, são os seriados norte-americanos e as telenovelas. O Brasil é um grande consumidor de ficção, mas via TV. Para a grande maioria das pessoas, oferece-se um modelo de comunicação de massa, concentrado em grandes monopólios e apoiado em programações repetitivas de entretenimento “light”, de onde está praticamente excluída a figura do escritor – só uns poucos conseguem ultrapassar essa barreira – e por onde também não se veicula nenhuma política efetiva de incentivo à leitura.

A rede de elementos que separam a literatura da maior parte das pessoas pode ser observada sob vários ângulos, até mesmo na segregação geográfica, uma vez que, numa cidade como o Rio, a quase totalidade da oferta cultural “clássica” – na qual se incluem bibliotecas e livrarias – concentra-se no centro e na Zona Sul, o que reforça a desigualdade, o acesso antidemocrático aos bens culturais. Como admitiu o próprio Rubem Fonseca:

O problema realmente é este: no lazer as pessoas lêem cada vez menos (...) É que a leitura é uma atividade elitista.”12
No período de consolidação do Romantismo brasileiro, Joaquim Manuel de Macedo, reconhecendo o caráter superficial das relações entre texto e leitor, procurou “amenizar” suas histórias na tentativa de atrair leitores e formar um público. Rubem Fonseca, por sua vez, compõe uma obra que se abre a diferentes tipos de leitores. Ao mesmo tempo em que estabelece cumplicidade com o leitor mais sofisticado que participa de jogos metalingüísticos, intertextuais etc., também seduz aquele leitor que se limita a acompanhar um enredo envolvente. Para isso, entre outras estratégias, optou por um gênero desprestigiado pela academia, mas consagrado pelo público – a narrativa policial. Assim como outros escritores contemporâneos, afastou-se de uma postura modernista de produzir o “biscoito fino” em meio à cultura da barbárie.

Já o personagem-escritor de “A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro” não se mostra preocupado em conquistar seus futuros leitores. Percorre as ruas do centro da cidade e se aproxima de algumas pessoas com um único objetivo – compor seu livro. A narrativa em terceira pessoa se parece com uma câmera indiscreta que acompanha a ação dos personagens pelo prisma do protagonista. De repente, entretanto, muda-se o foco dessa filmagem. Como a aluna está aprendendo a ler rapidamente, Augusto resolve presenteá-la com uma pedra semipreciosa. Ao entregar-lhe o presente, surpreende-se com a rebeldia de Kelly.

Você pensa que eu sou um cachorro de circo? Estou aprendendo a ler porque quero. Não preciso de agradinhos.”13
Augusto trata sua futura leitora como um “bichinho amestrado”. O questionamento de Kelly, contudo, leva a uma confusão de papéis. Agora quem ensina a quem?

O escritor não consegue formar seu leitor ideal. As estratégias para conduzir o leitor fogem ao seu controle. Kelly não é submissa aos seus ensinamentos e tem seu modo particular de ver a cidade. Ele também não consegue terminar de escrever seu livro. A heterogeneidade das ruas metropolitanas apresenta um mosaico de mundos. A cidade resiste a explicações ou descrições totalizantes, que dêem conta da complexidade e da fragmentação desses mundos. Algo se desarrumou e o método elaborado por Augusto acaba falhando.

O relógio dá três da madrugada. Hora de escrever. Augusto está no cais Pharoux – lugar que não existe mais na cidade atual. De frente para o mar poluído, não quer voltar para casa. Não sabe que rumo dar a seu livro, nem como lidar com seus leitores. Tendo fracassado em seu projeto, quer ficar ali parado, como se passasse a compor a foto do embarcadouro reproduzida no livro de Macedo14.Rubem Fonseca, ao contrário de seu personagem, nos apresenta uma narrativa que se sabe tecida de textualidades múltiplas e convida o leitor para um passeio sem fim por essa cidade de papel. Passeemos.

Bibliografia

CANEVACCI, Máximo. A cidade polifônica – ensaio sobre a antropologia da comunicação visual. São Paulo: Studio Nobel, 1993.


FONSECA, Rubem. Diário de um fescenino. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

_______ . E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

_______. Romance negro. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

_______. Vastas emoções e pensamentos imperfeitos. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

LAJOLO, Marisa & ZILBERMAN, Regina. A leitura rarefeita: leitura e livro no Brasil. São Paulo: Ática, 2002.

MACEDO, Joaquim Manuel de. Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Zélio Valverde, 1942.

SCHMIDT, Siegfried. Towards a constructivist theory of mídia genre. North-Holland: Poetics 16, 1987. p. 371-395.



Escritores desmentem crise de criatividade. Revista Visão, São Paulo, 10 nov. 1975.





1 CANEVACCI. 1993: 15.

2 FONSECA. 1992: 19.

3 LAJOLO & ZILBERMAN, 2002: 91.

4 Ibidem. p. 93.

5 MACEDO, 1942: 193.

6 Ibidem. p. XVI.

7 FONSECA. 2003: 16.

8 FONSECA, 1997: 11.

9 FONSECA, 1988: 16.

10 SCHMIDT. op. cit.: 125.

11 The way an individual in a social group construes realities and defines the modes of referring to them is different in social groups with only two means of communication (let’s say speech and handwriting) from groups which also possess electronic mass-media. (SCHMIDT. 1987: 388.)

12 Trata-se de uma mesa-redonda de escritores, promovida pela Revista Visão, em 1975. Além do próprio Rubem Fonseca, participaram do encontro Nélida Piñon, Autran Dourado e Antônio Houaiss.

13 FONSECA: 1992, 47.

14 No livro Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro, encontra-se a reprodução de uma foto do embarcadouro em frente ao Hotel Pharoux.


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