Um romance da inadaptaçÃO: planalto (1939), de flávio de campos



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UM ROMANCE DA INADAPTAÇÃO: PLANALTO (1939), DE FLÁVIO DE CAMPOS

Emerson Tin - Doutorando em Teoria e História Literária - IEL/UNICAMP - Bolsista da FAPESP



32 é parte importante dos mitos da história do nosso Estado.

Vavy Pacheco Borges

Um dia, há mais de 70 anos, São Paulo pegou em armas, pretendendo dar uma Constituição ao Brasil. O episódio, que passou à História com o nome de Revolução Constitucionalista de 32, é o centro de um romance esquecido escrito por um também esquecido escritor paulista. Planalto, romance de Flávio de Campos publicado pela Livraria José Olympio em 1939, gira em torno de um grupo de jovens amigos, a maior parte deles recém-formada, às voltas com relacionamentos amorosos e a monotonia de uma vida sem grandes perspectivas, tendo como cenário principal os bares e cabarés da capital paulistana.

Flávio Seabra Pires de Campos, “um rebento da velha cepa dos Campos de São Paulo”, no dizer de Monteiro Lobato1, nascido na Capital em 18 de maio de 1903, e falecido no Rio de Janeiro em 22 de fevereiro de 1947, formou-se, em 1932, pela Faculdade de Direito de São Paulo. Foi, além de romancista e poeta, crítico, jornalista e cronista, tendo trabalhado no jornal “O Estado de S. Paulo” e na União Jornalística Brasileira.2

Segundo Rui Ribeiro,


Composto, ao que tudo indica, com elementos vivenciais do autor, o romance Planalto (1939), de Flávio de Campos, tem personagens fictícios e reais, estes com seus nomes verdadeiros. A amplitude da ação abrange o período 1931-1935, pródigo em convulsões políticas e sociais que atingiram São Paulo na fase em que a cidade grande se transformava em metrópole. Na trama, as inter-relações de um grupo heterogêneo de amigos, em que predominam membros das classes alta e média da sociedade. Jovens intelectuais românticos, eles debatem, entre doses de uísque, os próprios problemas e os males que afligem a cidade e o país. Avultam no centro da história o drama existencial do advogado Lauro Rocha e os desencontros afetivos de Fernando Ribeiro, um alter ego do autor, igualmente bacharel em direito, cronista de importante jornal e participante ativo da Revolução Constitucionalista de 1932.3
A publicação de Planalto em outubro de 1939 motivou a pena de dois dos maiores escritores paulistas da primeira metade do século XX. Monteiro Lobato, em novembro desse ano, escreveu um artigo intitulado “Planalto – um romance que prenuncia outro”4; e Mário de Andrade, em 17 de dezembro de 1939, no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, menciona Flávio de Campos como um autor que “exige um comentário cheio de simpatia”.5
Mas, antes disso, Lobato já havia escrito uma carta ao autor:
Comecei, e hoje, domingo, fui até a página 256. Lauro vai à Bras­serie com Fernando e deixa-o lá. Também deixei o livro, com os olhos já cansados – e fui reler o que disse V. na dedicatória. “Mas sei que sou um escritor – tenho certeza! Sei que vivo unicamente pelo con­solo e pelo orgulho de me sentir escritor.” Como está certo isso... Mas V. é mais que um escritor – é um grande escritor. Planalto está me impressionando seriamente. Comecei-o com desconfiança – tantos são os logros que os amigos literatos nos pregam. Só vi farra no começo – esse pobre joguinho de sexo e álcool com que a mocidade fina de São Paulo se aturde para iludir as insuficiências próprias e a chatice de uma civilização oca de qualquer propósito decente. Mas as almas começaram a delinear-se e o crescendo me foi dando a resposta à per­gunta final da dedicatória: “Onde está o escritor neste livro?” Está nele inteirinho – a começar no título, Planalto, planura, a sórdida vida brasileira sem um ponto luminoso, sem um pico – redoleira. Conhece o carrapato redoleiro?

E mesmo antes de concluir a leitura vim dar-te a notícia da minha reação do meu gosto de ver, afinal, surgir destas plagas um verda­deiro, um grande escritor.6


O romance concorreu ao Prêmio “Antônio de Alcântara Machado” de 1940, promovido pela Academia Paulista de Letras, mas não foi contemplado, vencendo o romance Floradas na serra, de Dinah Silveira de Queiroz. No parecer da Academia, percebe-se uma pontinha de orgulho ferido:
O bar, que surge em quase todo o romance em questão, cantado como “a casa de todos, a casa dos que não têm casa, o refúgio, o consolo, o templo dos que não têm deus”, absorve, na obra do sr. Flávio de Campos, os ambientes de família, de trabalho e de ideal, característicos de S. Paulo. Diante do Bar do Municipal não mais existem a casa de D. Siomara, o escritório de Lauro Rocha e as trincheiras de 32.

E é pena que a exagerada preocupação de boêmia assim desvirtue esse livro, cortando o enredo dum romance que poderia ser uma bela obra!


Planalto apresenta-se como um retrato de São Paulo, não a São Paulo mítica e heróica dos bandeirantes, da gente forte que tem o trabalho como valor maior, mas uma São Paulo indecisa, em dúvida diante dos impasses impostos pelo mundo. O retrato de São Paulo em Planalto talvez esteja mais próximo daquele traçado nas crônicas de Sylvio Floreal, publicadas em livro pela primeira vez em 1925:
Visitando bares, cabarés, restaurantes, feiras-livres, mas também presídios, asilos, hospitais e hospícios, descrevendo o cotidiano nada agradável nem higiênico da vida nas instituições de seqüestro, no momento em que se iniciava a industrialização e a modernização, Floreal desmistifica a visão edulcorada da cidade, construída pelos memorialistas interessados em produzir um discurso laudatório da modernidade paulistana.7
Como bem observa Luís Gonçales Bueno de Camargo em sua tese de doutorado sobre o romance brasileiro de 30, o
...tema da inquietação em Planalto [...] ganha sentido especial exatamente porque trata de um tempo de impasse a partir de um outro momento de impasse: o final da década olha para seu início. Se lá a simples definição de um caminho a seguir constituía vitória suficiente, aqui parece não haver vitória possível. De um jeito ou de outro aqueles rapazes de São Paulo abandonaram o ceticismo, mas os impasses não cessaram.8
No romance, cada personagem, na tentativa de encontrar um objetivo, envereda por uma via ideológica: Chico e Nondas aderem ao comunismo; Fernando flerta com o georgismo; Ralpho abraça o integralismo; Edgard aliena-se em suas idéias estéticas. Somente Lauro se revela um cético – o que precipitará o desfecho do romance.
E não só. O retrato da própria Revolução de 32 aparece como um equívoco.9 Desde o estopim da revolução – o episódio de 23 de maio – a descrição da Revolução aparece como uma reação do orgulho paulista ferido:
S. Paulo fervia. Há muito tempo a atmosfera andava carregada, grandes ódios acumulados estavam azedando, fervendo, fermentando. Mais dia menos dia, aquilo irromperia. Carnegão amarelo, túrgido de pus, era fatal a explosão do orgulho pisado. Mais dia menos dia, aquilo rebentaria.

E arrebentou, afinal.

Foi uma coisa medonha, anárquica e desorganizada. De todos os pontos da cidade acorreu gente, trazendo suas armas domésticas, e houve um tiroteio tremendo durante toda a noite. Entrincheirados no arranha-céu, uns homens respondiam com fuzis ao fogo vivo de milhares de revólveres concentrados no jardim fronteiro. Houve exaltados de parte a parte, um japonês maluco arranjou uma lata de gasolina, atravessou a linha de fogo, tentou incendiar o prédio atacado.

Ralpho formou ao lado dos assaltantes. Abrigou-se atrás de umas pedras, junto do lago, e começou a esvaziar o bolso cheio de balas. Levou um tiro no pulso, fez curativo na Assistência e voltou ao reduto para continuar sua revanche. Foi grande à sua moda, à altura de seu cérebro, e sentiu-se, no outro dia, tão mártir e glorioso quanto os quatro moços mortos, – quatro corpos que a exaltação coletiva transformou em heróis. (pp.122-123)


É interessante, nesse ponto, ler o relato do mesmo episódio do 23 de maio por uma testemunha dos fatos:
No dia 23 de Maio, às 23 horas, após comício-monstro na Praça do Patriarca, em que usaram da palavra vários oradores, inclusive o Grande Tribuno Ibrahim Nobre, a multidão frenética dirigiu-se à sede do Partido Popular Paulista — P.P.P. à rua Barão de Itapetininga, visando protestar contra a atitude dessa organização, que lançara manifesto apoiando Getúlio Vargas. [...] Naquela tarde de reação, porém, junto a alguns elementos entusiasmados procuramos nos entrincheirar por trás de árvores da Praça da República, pois de lá visávamos ao edifício da esquina da Rua Barão onde era a sede do P.P.P.. Poucos de nós dispúnhamos de revólveres; a maioria estava desarmada. Travou-se tiroteio; nós respondendo aos tiros que partiam das janelas do primeiro andar do edifício. Mesmo em desvantagem. não arredávamos e a qualquer custo pretendíamos invadi-lo, mesmo notando a forte porta de ferro que o protegia. Esgueirando-nos pelas paredes conseguimos nos aproximar dessa porta fechada. Dali, através da vidraça interna notamos encontrar-se em escada curva um atirador armado de fuzil, que alvejava qualquer vulto que vislumbrasse. Observado o risco, gritávamos para que ninguém se aproximasse. A onda humana, porém, estava incontrolável. Vi quando um rapaz armado com simples pedaço de pau, ou ferro, tentou quebrar o vidro da porta, recebendo um tiro que o fez rodopiar, caindo morto no meio da rua. Logo a seguir, um garoto é baleado e também perece. Cidadão que passava pela calçada fronteira é atingido por projétil, falecendo dias depois, conforme noticiário nos jornais. Outros dois moços são baleados e morrem entre a Praça da República e rua Barão. Feitas as contas, constata-se que nessa noite fatídica sucumbem quatro pessoas, além de número incalculável de feridos.

Após esse doloroso episódio o povo começou a dispersar-se, permanecendo, apenas, os poucos elementos precariamente armados que haviam se entrincheirado na Praça da República. Já madrugada quando chegou ao local a cavalaria e forte contingente da Força Pública, cercando o prédio e isolando-o. Não vimos como os assassinos que se acoitavam na tal sede do P.P.P foram retirados dessa sua fortaleza.

Através do noticiário posterior na imprensa, além de muitas fotos, é que tivemos conhecimento da farta munição e armamento disponíveis que utilizaram, além de reservas, tudo em desordem e espalhado pelo chão.

As janelas da sede e paredes do prédio, apresentavam-se picotadas por balas. Na verdade, esse triste acontecimento significou a colocação de fogo no estopim. Daí, para o inicio da Epopéia de 9 de Julho, foi um pulo!...

Os quatro jovens que pagaram com a vida, o seu Ideal, que já o era também da quase totalidade dos paulistas, tiveram os seus nomes (MARTINS, MIRAGAIA, DRÁUSIO, CAMARGO) — formando a sigla incentivadora M.M.D.C. que daí por diante passou a simbolizar a NOSSA REVOLUÇÃO! Pois que essas letras significavam: Morrer Magnetizado Dever Cívico.10
Reação do orgulho paulista ferido que, por vezes, apresenta tom dramático e ridículo, como exigia Mário de Andrade em seu artigo sobre o romance11. É o que podemos ver no trecho seguinte:
O capitão mandou os moços se alinharem, perfilarem-se, permanecer em posição de sentido. Fixou durante segundos os guerreiros improvisados, depois falou-lhes com a voz segura:

– Eu preciso de três homens para um reconhecimento, hoje à noite. Quem for homem, dê um passo à frente.

Os moços consultaram-se com o olhar. Indecisos, ninguém se animava. O capitão encarou-os de novo:

– Vamos. Quem se apresenta? Um! dois!

Uns dez jovens destacaram-se da fila. O militar escolheu-os, e deu aos outros a ordem de debandar.

O reconhecimento era arriscado. Tinham que escalar o morro, à meia-noite, para trazer informes sobre a posição do inimigo, que estava acampado nas imediações. Quando os três moços alcançaram o cabeço do morro e transpunham uma cerca de arame farpado, rebentou uma fuzilaria a pequena distância. Dois retrocederam espavoridos, conseguiram alcançar seus acampamentos, rastejando, meio-mortos de susto e de cansaço. Mas um ficou. Ficou dobrado sobre o mais alto fio da cerca, como um judas rural, esquartejado nas aleluias, a cabeça, tronco e braços distendidos para lá, as nádegas e pernas voltadas para o campo de onde partira.

Era o mais alto, o mais corpulento, o mais corajoso dos três. Chamava-se Ronoel Fornellas. (pp.221-222)
Não só no front, porém, revela-se o tom dramático e ridículo da revolução. Um dos melhores exemplos é a cena seguinte, em que a mãe de um dos personagens decide dar “ouro para o bem de São Paulo”:
Os jornais descreviam vitórias fulminantes em todas as frentes de combate. O speaker enchia o ar de exclamações de entusiasmo, concitava o alistamento contínuo de voluntários e convidava as famílias a entregarem jóias e metais preciosos à campanha do “dei ouro para o bem de S. Paulo”. Nas ruas das cidades havia barris solicitando donativos para a guerra. Havia hospitais de sangue, havia muitas “Casa do Soldado”, havia boatos, intrigas, denunciadores, derrotistas.

Dona Eponina, comovida com a atitude do marido, juntou broches, barretes, pulseiras, todas as jóias-de-família com que se adornaram outrora sua mãe e a avó, e levou-as à sede da campanha. Ao pedirem-lhe o nome, ela respondeu altiva: uma paulista! Insistiram, entretanto, e ela desfiou, orgulhosa, seu nome de família acrescido do sobrenome de seu Arnaldo – Eponina Eulália Mascarenhas de Mello e Siqueira César. (p.223)


A Revolução de 32, nesse sentido, é o centro do romance, que se divide em duas partes: a primeira entre os anos de 1931 e 1932, até a eclosão da Revolução de 32; a segunda entre 1934 e 1935, com a narração das trajetórias dos personagens e, sobretudo, a afirmação de Lauro como protagonista, culminando com seu suicídio no final do romance. Segundo Camargo,
A primeira parte, que trata do momento da decisão é mais longa e mais desenvolvida, enquanto a segunda, passada nos anos de 1934 e 1935, o tempo da polarização, vai simplesmente mostrar o resultado – seria melhor talvez dizer o fracasso – das opções feitas. O romance acaba fazendo o percurso que leva de um impasse ao outro.12
Ora, Camargo fala em “fracasso das opções feitas”. Esse fracasso se explicita nos personagens inadaptados que habitam o romance, o que faz com que Planalto possa ser chamado de “romance da inadaptação”.
Desfilam por todo o romance personagens em descompasso com o mundo que então se configurava. Percebem-se ainda “rabichos do século XIX” 13 numa sociedade em que já não tinham mais lugar. Jovens que, confrontados pela vida, resvalam para uma existência sem perspectivas:
[Lauro] Desceu em frente ao Heidelberg e apanhou um táxi ao lado do Municipal, na esplanada onde havia há tempos um recanto iluminado no casarão às escuras. Fecharam o bar, fecharam o consulado onde os moços de velhos troncos paulistas transformavam em carraspana suas inadaptações, seus protestos, os livros que poderiam escrever e as revoluções que deveriam fazer. Agora, todo o prédio era uma abóbada às escuras, uma abóbada de luto, encravada entre o preto do céu e o preto do asfalto. (p.299)
Destaquemos, nesse sentido, alguns desses personagens. Um dos que podemos entender como inadaptados é o “dândi anacrônico” Ralpho, um “moço de velho tronco paulista”:
Cacete era ele, o pobre! Cacetes eram a eterna polaina sobre o calçado luzente, seu monóculo avant-guerre, a bengala de castão de ouro e sua imponência de príncipe de cera. Cacetes e ridículos. Mas ele não percebia nada, e sentia-se superior a todos. Ah! entendia um pouco de heráldica, é verdade, de heráldica e de genealogia. Fora daí, sempre que em sua presença se discutia um assunto, que suas luzes não podiam alcançar, era fatal – desabrochava um sorriso de desprezo e de superioridade, fulminava os pedantes com a frase-chapa: “Taine... Taine já dizia...” E digno, imponente e inatingível, puxava uma fumacinha de seu bout-doré.

Esta história de Taine é engraçadíssima. Ralpho Nogueira nunca lera Taine e sem dúvida nem sabia como se escreve Taine. Lera-o o tio – o famoso tio Pompeu, estróina de marca maior, que emigrara ali por 1880, mocinho ainda, para a Europa, e lá vivera até 1910, quando retornou ao Brasil, reumático e areado, para morrer onde nasceu. O solteirão gotoso, que terminou a existência a expensas do irmão mais moço, pai de Ralpho, tomou-se de amores pelo sobrinho. Este, por sua vez, adorava aquela ruína humana que lhe contava, entre pigarros e baforadas de goiano, o que fora sua mocidade em Paris, a glória de suas farras, sua intimidade com Eduardo VII, e a alegria com que torrara friamente, sem se arrepender, os cafezais que foram a fortuna da família. Graças a essas farras – o janota percebia-o vagamente – seu pai reduziu-se a funcionário da contadoria da Mogiana, Ralpho trabalhava na Recebedoria de Rendas, a família perdera o brilho mundano que ostentara até a queda do Império. Mas um gozou!, refletia o guri, brilhou lá fora em nome da família, embasbacou o rei da Inglaterra com suas gandaias monumentais. Por isso Ralpho não só perdoava o tio reumático como para ele convergira a mais alta admiração de sua vida. Estavam contando farras, alguma pândega fora do comum? Tio Pompeu tinha feito muito maiores... Estavam falando difícil, sobre astronomia, arquitetura ou matemática? “Taine... Taine já dizia”... (pp.59-60)


Como bem observa Camargo,
Ralpho traz em si o que há de pior no espírito quatrocentão. Sem qualquer valor intelectual próprio, escora-se em seu passado nobre, do qual é fisicamente uma caricatura. Os únicos assuntos que o interessam – heráldica e genealogia – completam o quadro de uma personalidade ridícula e fora do tempo.14
As escolhas de Ralpho o levam ao integralismo, como ficamos sabendo através do comentário de Fernando:
Até o Ralpho, você sabe?, até o Ralpho é conspirador! Imagine, um cretino como ele a pregar o integralismo... Que é que esse besta pode entender de alguma coisa? (p.350)
Também Chicão é um personagem inadaptado, pois vê a si mesmo como estranho a um meio social que não é o seu próprio:
No bar estava apenas o Chicão, triste, meio bebido, pois era o único da roda que não fora à casa de Fernando, porque sabia – bem sabia ele! – que havia sido convidado por simples camaradagem, e inventara um pretexto para não ir, pois aquela gente que se divertia no solar dos Ribeiro não era seu meio social. O próprio Chico, que não perdera, de todo, aquelas idéias livrescas, de igualdade humana, à última hora ouvira a voz de sua casta, e lá estava, naquele momento, na grande casa iluminada, entre as toilettes e os lorgnons, os abdomens e os charutos, os risinhos e cochichos das moças, as piadas e as graçolas dos fifis. (p.102)
Inadaptado também, Chicão decide-se por partir para o interior, numa “entrada pelo Araguaia”. Os amigos, então, refletem sobre sua decisão:
Fernando atribuiu a aventura à dispersão da turma. Chicão era um afetivo, que proibira o coração de se deter num amor de mulher e encaminhara sua capacidade de querer para os amigos, – para a turma que a vida estava desfazendo. Lauro não pensava assim. Para ele, Chicão sempre fora um inadaptado, um desses tipos que nasceram para viver num meio social mais primitivo, mais corajoso, leal e menos astuto, um desses tipos que fatalmente serão ludibriados pela civilização por que ficam sempre um pouco meninos.

Nenhum deles distinguia precisamente as forças que empurravam o gigante. Chicão fugia porque de fato era bom demais e excessivamente ingênuo para poder triunfar onde a luta é astúcia, hipocrisia e traição. (p.121)


Decisão que se precipita com a morte de sua mãe e o choque ao lembrar-se da vergonha que sentia dos parentes – numa “página muito bem realizada”, segundo Mário de Andrade15:
Assim que dobrou a rua Scuvero, e começou a subi-la, Chicão teve um pressentimento. A casa acesa àquela hora... Que significava aquilo? A velha levantava-se cedo, mas ainda eram quatro horas, estava escuro. Estugou as passadas, e em pouco tempo começou a ouvir os gemidos de choro. Foi a velha! adivinhou. Bem que ele quis jantar em casa, naquela noite, pois sentia uma coisa dizendo que ele devia ir. Mas o Edgard insistiu, os companheiros estavam juntos, pronto, – ele transferiu o perigo da asma, que piorara muito, nos últimos dias. Há tantos anos que a velha sofria aqueles achaques e passava as noites quase em claro...

Mafalda veio ao seu encontro, como uma desesperada. Levantou as mãos para o alto e assim ficou, no meio da calçada, sacudindo o irmão, chorando alto, repetindo aos gritos: “A mamãe, Chico! a mamãe, Chico!” Ele entrou na casinhola, amparando a irmã, dez anos mais velha que ele, cheia de filhos e de dificuldades, mas ainda assim mais filha do que ele no apego à pobre viúva emigrada, que morrera naquela tarde. Recebeu os abraços de pêsames dos vizinhos, ficou parado, muito alto e branco, olhando o cadáver da velha que foi sua mãe, parado, sem murmurar uma palavra, sem saber o que dizer, com vergonha de falar, emburrecido pelo choque. Depois sentou-se numa das cadeiras postas de encontro às paredes, voltadas para o caixão onde a velha era uma ausência com as mãos cruzadas sobre o peito, e ali deixou-se ficar, perto do cunhado, incapaz de dizer qualquer coisa, incapaz de um soluço, examinando os vizinhos que trouxeram as mulheres para chorar. De repente uma tristeza aguda invadiu sua cabeça, e o gigante abandonou a sala, como um doido, estabanado, desabou sobre sua cama, no quartinho escuro. Estirou-se de bruços, com o lenço na boca, e ficou resfolegando ruidosamente, mordido de remorsos, porque sempre teve vergonha de sua gente, – aquela velha heróica e resignada, que lá estava, depois de tanto sofrimento e tantas privações, muito pálida, meio azulada, dentro do caixão preto, Mafalda e o marido, simples e bons, querendo sempre bem a ele, que sempre teve vergonha de todos os seus. (pp.190-191)


Lauro, um dos personagens centrais – e protagonista da segunda parte do romance – é descrito, logo à p.13, como “inadaptado”:
Inadaptado, sofria a tortura de todos os que se rebelaram. Conduzia no cérebro, como uma acusação, o chumbo de todos os dramas. E, quando estava a sós, no silêncio de seu sétimo andar, rememorava, ruminando-a, a frase-dístico do avô:

– Menino: a vida é trabalho! O homem que não trabalha não vive...


Dois dos motivos-condutores do romance, sobretudo em sua segunda parte, aí se apresentam: de um lado, a inadaptação de uma geração de jovens diante de um mundo que se transformava de modo acelerado; de outro, o confronto entre um orgulho atávico de casta e a premente necessidade de sobrevivência:
Para que devanear, para que perder tempo com essas divagações? Ele precisava de dinheiro. Não hoje, mas daí a dois-três dias, a necessidade de dinheiro apareceria, imperiosa, sem devaneios, e é preciso comer, é preciso andar, mexer-se, viver, – é preciso dinheiro. E o dinheiro não vem. (p.386)
Note-se que esses dois motivos-condutores ressurgem quando da tentativa de suicídio de Nondas, também um inadaptado, e que parece prefigurar o suicídio de Lauro, ao final do romance:
Se [Lauro] estivesse na escrivaninha, voltaria a pensar naquele Nondas, que conhecia pouco, e cuja tentativa de suicídio despertava-lhe simpatia. Refletiria que o jovem era outra figura comum de inadaptado, que seu desejo de deserção nascia do muito que desejara e do pouco que pudera ser, do muito alto que concebera a Vida e a humanidade. (p.314)
Um outro fator chama a atenção no romance: a descrição dos personagens é, muitas vezes, mediada pelo mundo da leitura. Como bem assinala Marisa Lajolo,
Se ler livros geralmente se aprende nos bancos da escola, outras leituras se aprendem por aí, na chamada escola da vida: a leitura do vôo das arribações que indicam a seca – como sabe quem lê Vidas secas de Graciliano Ramos – independe da aprendizagem formal e se perfaz na interação cotidiana com o mundo das coisas e dos outros. Como entre tais coisas e tais outros incluem-se também livros e leitores, fecha-se o círculo: lê-se para entender o mundo, para viver melhor.16
Irene, a amante de Fernando no início do romance, é descrita como uma mulher que “pouco estudara nos livros” e, moça, ainda não aprendera na “escola da vida”:
Vinte-e-três anos. Nem loura, nem morena. Um metro e cinqüenta-e-cinco, mais ou menos. Calma; passiva. Inteligente e bronca. Pouco estudara nos livros e a vida ainda não tivera tempo de a ensinar. Mas boa. Boa de alma. (p.23)
Noutros trechos do romance é possível perceber uma influência maior ou menor do mundo da leitura na vida dos personagens. Bastante ilustrativa é a fala de Gabriel, colega de redação do jornal de Fernando, a respeito de relacionamentos amorosos:
Aí está, sem você querer, a confissão de que pode se apaixonar outra vez. Seu coração está apto, está trabalhando para receber outra paixão. Vocês erram, vocês que se estabilizam, pretendendo tornar eterna e única a paixão. Isso é absurdo, é dos romances. Cinco, seis meses, pronto! está ótimo! o homem teve uma paixão que nasceu, cresceu, desenvolveu-se e morreu. Paixão normal, biológica, se assim posso dizer. Agora, querer eternizá-la, isso é contra as leis da natureza, as leis que eu transgrido com minha inconstância e vocês querem transgredir com uma constância artificial. (p.37)
O romance descreve, como já vimos, uma época de mudanças, de dissolução de paradigmas, daí possivelmente a inadaptação de seus personagens, com a crise da própria representação: “absurdo” procurar no mundo da “vida real” aquilo que é do mundo “dos romances”.
É o que se nota, também, na misteriosa paixão de Edgard, em que é possível apreender resquícios do Romantismo:
Rua morta iluminada por lampiões de gás. Silêncio. Solidão. Junto de uma árvore, rente ao tronco, um vulto contempla a camiseta do lampião, que está de saia branca, e ouve, extasiado, sons puríssimos que fogem de um retângulo iluminado para o côncavo escuro da noite. (p.155)
Paixão construída sobre lugares-comuns do imaginário romântico que, por fim, acaba por se esfumar diante do choque com a realidade:
Ele bebia – há vários dias que se excedia nas libações, contra seu hábito – porque rompera um encantamento secreto, que guardava no seu íntimo, há mais de ano. Ele não iria mais, todas as noites, ocultar-se naquela rua escura, rente à árvore, olhando o lampião de gás, enquanto seus ouvidos se extasiavam à escuta de uma harpa de madrugada.

Porque...



Numa das últimas noites, uma mulher gorda, uma mulher enorme, de voz estridente, saiu à rua correndo atrás de um cãozinho japonês, que fugira de seu portão, e enquanto a virago esteve na rua, a harpa puríssima, que ele imaginava tocada por uma fada esgalga, de dedos finos e longos cabelos louros derramados junto ao dorso dourado do instrumento... (p.190)
No palacete em que vive a família de Fernando, também as personagens se deixam revelar pelo mundo da leitura:
Dona Siomara suspendeu a leitura de Han Ryner, suspirou, e observou a filha, que também lia um livro, sob a luz de um abajur, no grande hall do primeiro andar, imerso em penumbra. (p.319)
A mãe, Dona Siomara, ocupa-se da leitura de Han Ryner (1861-1938), pensador e escritor anarquista individualista francês, nascido na Argélia, autor, entre outras obras, de alguns opúsculos de temáticas religiosas. Já da Graça, irmã de Fernando e viúva de Ronoel Fornellas – morto, como vimos, durante a Revolução de 32 –, “tão boa, tão prendada, tão sensível aquela filha que cresceu entregue ao piano e aos romances – da Graça, pouco depois do casamento, perdeu o marido naquela guerra que o sarcasmo político transformou num equívoco” (p.354), em contraste com seu próprio destino, lê romances com “final feliz”:
Dona Siomara parou o tricô e olhou para a filha que lia [...] algum romance cuja heroína foi feliz (p.353)
O maior de todos os leitores, porém, é Lauro que, na segunda parte do romance, assume a posição de protagonista da narrativa. No trecho seguinte vemos algumas das leituras de Lauro:
Vestiu o pijama, acendeu o cachimbo e recostou o corpo na poltrona mole, baixinha, que conservava no próprio quarto de dormir. Instalado sob o halo de luz, que caía sobre sua cabeça do abajur de pé alto, colocado atrás da poltrona, os pés metidos nos chinelos de feltro, apanhou Marco Aurélio e começou a folheá-lo. Admirava o grande estóico, que ficara conhecendo por intermédio de Commelin. Desde o tempo de preparatoriano, aquele volume em que estão reunidos o manual de Epíteto e o alto e claro pensamento de Marco Aurélio ao lado de Cebes, o platoniano, era seu livro de cabeceira. Houve ocasiões em que Descartes, Nietzsche e Kant, cada qual por sua vez, enxotaram o romano magnífico. Passada a crise, entretanto, Marco Aurélio voltava. Nessa noite, Lauro ia lê-lo, como sempre que se sentia desarvorado. (p.267)
Lauro é leitor de Filosofia, com certa predileção pelo Estoicismo, o que não o impede de procurar outras leituras, como Armand Carrel (1800-1836):
E Lauro – bem acertaram os amigos – está enfurnado no apartamento, lendo o otimismo e a ingenuidade social de Carrel, bem agasalhado num pijama de flanela, os pés no chinelo de feltro, sentado na poltrona baixinha em que seu pai morreu, – cachimbando, pensando, lendo, cachimbando... (p.319)
Ou a grafologia de Rochetal, ou a “Voyage au Xingu”, de Codreau:
Fernando subiu ao apartamento de Lauro. Lá estavam, na mesinha do centro, junto à poltrona das cismas, a grafologia de Rochetal e um livro “Voyage au Xingu”, de Codreau. Fernando examinou-os enquanto Lauro enchia o cachimbo de fumo (p.351)
A própria descrição da biblioteca de Lauro dá uma dimensão de seu caráter:
Enquanto Lauro enchia calmamente o cachimbo que fumava no apartamento, Edgard pôs-se a examinar a toca modesta onde se escondia aquele solteirão retraído, generoso e bom. A não ser a radiola – móvel caro, que devia ter ficado, com os discos, nuns vinte contos – nada mais havia, no apartamento, que se pudesse considerar supérfluo. A cama, o criado-mudo, a poltrona baixinha e uma outra de encosto graduável, onde Edgard se assentara, e a mesinha baixinha, em cujo topo ficavam o cinzeiro e o cachimbo e, na parte de baixo, os livros que andava a ler. Fora isso, uma estante giratória, num canto, e as paredes cobertas de prateleiras, atopetadas de livros. Na saleta de entrada, outra mesinha de vime, também com livros em cima e embaixo, e outra estante pequena no pedaço de parede entre o guarda-roupa embutido e o resto de parede que separava a saleta do banheiro. Só, tanto no quarto de dormir como na saleta, o que havia por toda a parte, ocupando todos os espaços, dando o cunho característico daquela moradia, eram livros. Livros, o que havia ali era livros, – livros e uma cama de solteiro, livros e duas poltronas, livros e uma mesa baixinha e outra, redonda, de vime, livros e o dono da casa, dono dos livros, dono e escravo daqueles papéis que uns loucos da ciência e uns loucos da beleza escreveram. (pp.356-357)
Cético, Lauro passa a pensar no suicídio como uma idéia reconfortante. Identifica-se, como vimos, com o suicídio de Nondas, outro inadaptado, na sua opinião. Por fim, decide-se. E mesmo o suicídio de Lauro é mediado pela leitura: é num livro, num texto de Medicina Legal – provavelmente o Vade-mecum du médecin-expert, de Alexandre Lacassagne (1843-1924) – que Lauro encontrará o meio que julga mais eficaz para dar cabo da própria vida.
Lauro encaixou a chavinha Yale na fechadura, acendeu a luz, fechou a porta. Retirou com um gesto lento o chapéu, dependurou-o no gancho da porta, ficou parado, em pé, acariciando com o olhar as paredes, as prateleiras cheias, a poltrona das introversões e da leitura, a radiola cuja quina enxergava da saleta de espera. Em seguida, com passos lentos – proteladores – dirigiu-se ao quarto, apanhou o Lacassagne, percorreu com um último olhar o capítulo sobre o “gaz d’éclairage”. Lá estava a fração: 7/100. E os sintomas: vômitos, relaxamento muscular, uma tontura ligeira, uma convulsão rápida, a síncope final. Fácil. Muito fácil. E seguro. Sem estertores, indolor. Depois de paralisada a vida nervosa e sensorial, a lâmpada do pensamento era a última a apagar-se. Ele próprio se veria. Seria a única testemunha da sua deliberação. (p.390)
Do mundo da leitura, para a leitura do mundo. Contudo, nem sempre a leitura é clara, nem sempre é unívoca. Uma revolução, uma guerra civil “que o sarcasmo político transformou num equívoco” (p.354) e arrastou toda uma geração para as armas, ou um suicídio podem ser alguns dos melhores exemplos.

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1 LOBATO, José Bento Monteiro. “Planalto” – um romance que prenuncia outro. In: Miscelânea. Obras Completas, São Paulo: Brasiliense, 1948, vol.10, p.227.


2 MELO, Luís Correia de. Dicionário de autores paulistas. São Paulo: Comissão do IV Centenário da Cidade de São Paulo, Serviço de Comemorações Culturais, 1954, p.121.

3 RIBEIRO, Rui. Flagrantes paulistanos em quatro livros raros. Jornal da UBE, out. 2002, n. 100, p.20.





4 Incluído posteriormente no volume Miscelânea de suas Obras completas.


5 ANDRADE, Mário de. Os definitivos. In: Vida literária, pesquisa, estabelecimento de texto, introdução e notas de Sonia Sachs. São Paulo: Hucitec / Edusp, 1993, p.131.

6 Trecho de carta de Monteiro Lobato a Flávio de Campos, datada de 29 de outubro de 1939. In: NUNES, Cassiano (org.) Monteiro Lobato Vivo, Rio de Janeiro: MPM Propaganda/Record, 1986, p.62.


7 RAGO, Margareth. Nas margens da Paulicéia. In: FLOREAL, Sylvio. Ronda da meia-noite. São Paulo: Paz e Terra, 2003, p.5.


8 CAMARGO, Luís Gonçales Bueno de. Uma história do romance brasileiro de 30, Tese de Doutorado. Campinas, SP: IEL, UNICAMP, 2001, tomo III, p.624.

9 Id., ibid., p.623.

10 MELLO, Darcy Siciliano Bandeira de. Entre índios e revoluções, Editora Soma Ltda., segunda parte, capítulo II, pp.195-197. Disponível em: (Sociedade Veteranos de 32 – M.M.D.C. – Site oficial). Acesso em: 29 jun. 2003.


11 Art. cit., p.132.


12 Op. cit., p.619.


13 A expressão é de Marisa Lajolo (Monteiro Lobato, o mal-amado do Modernismo brasileiro. In: LOBATO, José Bento Monteiro. Monteiro Lobato – Contos Escolhidos. São Paulo: Brasiliense, 1991, p.11).


14 Op. cit., p.623.

15 Art. cit., p.132.

16 Do mundo da leitura para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 6ª edição, 2002, p.7.



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