Um romance proibido an improper affair



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UM ROMANCE PROIBIDO

AN IMPROPER AFFAIR



Anna DePalo


Milionário do mês: Ryan Sperling
Origem da fortuna: Vale do Silício
Objetivo: Vingança

O executivo Ryan Sperling se orgulhava de ser diferente de seu pai, um homem egocêntrico, que tivera várias amantes e não se preocupara com a empresa da família. E agora Ryan está concentrado em seu maior projeto: planejar a ruína dele! Ao conhecer uma mulher maravilhosa e com laços estreitos com os Sperling, ele não imaginava que iria se apaixonar justamente pela filha da amante de seu pai! E que seu grande desafio seria conhecê-la melhor... antes de se afastar dela!


Digitalização e Revisão: Crysty

Tradução Wilma Fernandes Mathias


HARLEQUIN

B O O K S

2008
PUBLICADO SOB ACORDO COM HARLEQUIN ENTERPRISES H~ B.V./ S.à.r.1.

Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.


Título original: AN IMPROPER AFFAIR

Copyright © 2007 by Anna DePalo

Originalmente publicado em 2007 por Silhouette Desire
Arte-final de capa: Isabelle Paiva

Editoração Eletrônica:

ABREU'S SYSTEM

Tel.: (55 XX 21) 2220-3654 / 2524-8037

Impressão:

RR DONNELLEY

Tel.: (55 XX 11) 2148-3500

www.rrdonnelley.com.br
Distribuição exclusiva para bancas de jornais e revistas de todo o Brasil:

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Aos cuidados de Virgínia Rivera



virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

O CORREIO DE CLAYBURN

Fofoquinhas da Glória Junho de 2007

A fofoca está à solta, e a história se repete!

Que filho de qual notório rei do comércio tem sido visto flertando com a filha da ex-amante do pai? Será uma alucinação coletiva? Ou o herdeiro de um império de lojas de departamentos está realmente cortejando a herdeira da arquiinimiga de sua mãe?

Será amor de verdade? Ou apenas um joguinho de sedução com objetivos bem menos louváveis? Fiquem ligados!



CAPÍTULO UM

Ficar durante um mês num lugar calmo à beira de um lago como no Hunter's Landing, não era o que Ryan chamaria de grande idéia, naquele momento. E, justamente agora, que estava à beira de experimentar o gosto do triunfo! E, como se costuma dizer por aí, a vingança é um prato que se come frio. Por isso, tencionava saborear lentamente cada bocado da vitória final!

Era o que ele pensava no mesmo instante em que caminhava pelas ruas da pequena cidade de Lake Tahoe, em busca de um presente de casamento. E, já que teria quer ficar por ali, durante todo o mês de junho, poderia aproveitar para descobrir os entretenimentos locais. O que não deveriam ser muitos a julgar pelo tamanho da cidade e o número de habitantes. Provavelmente a distração local principal se restringiria aos programas de TV a cabo ou internet.

Quanto a isso, Ryan não poderia se queixar, os serviços modernos de telecomunicação o tornaram um homem rico. A El Ray Technology era uma das mais renomadas empresas do ramo no estado da Califórnia. E, sem querer, o sabor da revanche fez brotar um sorriso em seus lábios: presidente da Webb Sperling bem como de toda a sua rede de lojas, dirigida pelo homem a quem chamava de pai, nem mesmo saberia por onde teria começado sua derrocada.

Do outro lado da rua, um painel disposto sobre uma barra de metal, com os dizeres "Distressed Success" em letras gigantescas, chamou-lhe a atenção.

Ao se aproximar um pouco mais, percebeu que se tratava de uma pequena loja de artigos para o lar, muito diferente das convencionais. A começar pela fachada pintada de um azul-claro com espalhafatosas listras amarelas, que lembrava a embalagem de um ovo de Páscoa.

Espiando por um dos cantos da vitrine, ele pode vislumbrar que a parte da frente do ambiente interno exibia uma espécie de showroom. No lado esquerdo havia uma mesa com quatro lugares, coberta com uma toalha de chita, e sobre ela um jogo de xícaras para café e chá, em cores diversas, sem o mínimo propósito de harmonização de tons. Do outro lado era exibida uma cama coberta com um edredom de cetim vermelho com uma barra franjada de cordões dourados, combinando com as duas almofadas bojudas, o que parecia lembrar o quarto de um motel.

A visão sugestiva atiçou-lhe os instintos, há muito tempo refreados.

Como aquela região da Califórnia era fronteiriça com Nevada, e em alguns lugares a instalação de bordéis era permitida, com certeza a procura por tais artigos garantiriam uma grande parte da clientela.

Mais para os fundos do recinto, ele pôde avistar diversas prateleiras repletas de bugigangas.

Curioso com o que pudesse descobrir, naquele recinto atraente, Ryan afastou a cortina trabalhada com sementes de madeira, que protegia a entrada da loja, e resolveu entrar para conhecer o interior da loja.

O som típico de pequenos sinos badalando, alertaram a sua entrada.

— Estes álbuns de fotos com capa protetora revestida em seda pura chegaram na semana passada...

Uma voz feminina suave agradou-lhe os ouvidos, tanto quanto a doce fragrância de flores frescas que lhe inundaram as narinas.

Assim que a dona da encantadora voz girou a cabeça na direção dele e sorriu, Ryan imaginou que estava tendo uma visão angelical.

— Olá! Bom dia! — exclamou a moça atrás do balcão revestido em fórmica branca, exibindo alguns álbuns de fotos para uma cliente do lado oposto.

— Ah! Oi!... — Ryan apenas murmurou, paralisado pela inesperada imagem da atraente jovem.

E era natural que se sentisse tão inseguro. Afinal, como reagiria um homem há tanto tempo sem contato íntimo com uma mulher, diante de uma "deusa" como aquela?

O olhar masculino foi direto nos dedos delicados da moça. Nenhum sinal de aliança. "Isso é muito bom!", pensou. Quem sabe os dias no Hunter's Landing não seriam tão monótonos assim?

A linda jovem era alta e esbanjava curvas perfeitas e harmoniosas. Os cabelos cacheados tinham um tom de castanho-avermelhado, mas não muito acentuado e caíam soltos sobre os ombros.

Ryan a comparou a uma Vênus — a estátua grega que representava a deusa do amor, que deixaria Botticelli boquiaberto se pudesse estar ali, naquele momento.

A pele clara e as feições arredondadas eram perfeitas para o rosto mimoso.

Trajava um top aveludado castanho que combinava com as saias longas de tecido multicolorido e sandálias de saltos altos.

A senhora de meia-idade, trajada com elegância, parecia impaciente com a interrupção, o que fez a jovem limpar a garganta e pedir em tom sonoro:

— Por favor. Dê uma olhada por aí e se gostar de algo é só me avisar! — Depois, hesitou por um minuto, como se estivesse analisando a maneira rude que talvez tivesse usado, então, tornou a falar. — Fique à vontade enquanto atendo esta senhora.

Ele imaginou como gostaria daquela bela companhia e sorriu com simpatia:

— Fique à vontade! Eu posso aguardar.

Ela retribuiu com um sorriso estritamente profissional e prosseguiu no atendimento da cliente.

Ryan sentiu-se um pouco frustrado com a atitude indiferente da moça e caminhou na direção de algumas prateleiras, aproveitando para estudar o perfil da jovem, ao mesmo tempo que fingia observar as mercadorias.

Durante anos ele esteve acostumado a ter certeza de que era um homem atraente, pela reação das mulheres que o cercavam. "Talvez meu charme esteja um pouco enferrujado pela falta de uso", pensou com zombaria. Contudo, a razão era plenamente justificada. O último romance que teve, se é que poderia chamar assim um flerte de apenas três meses, tinha terminado há quase um ano.

— Estes outros possuem intervalos com páginas de papel neutro e...

A voz da jovem ecoava em seus ouvidos, enquanto examinava uma seção de luminárias coloridas. Eram tão bonitas que parecia um paraíso de reflexos luminosos, lembrando um arco-íris. Mas, nada que pudesse avistar naquela mercadoria sorrida e atraente poderia comparar-se à beleza da atendente. Aquela moça o atraíra de uma maneira como nunca lhe acontecera antes.

— ...também temos alguns álbuns com capas de couro...

A voz da jovem era tão suave que parecia uma carícia aos ouvidos.

Por um instante, ele riu da sua própria reação. Definitivamente estava tempo demais sem um relacionamento amoroso. Tudo o que fizera durante os últimos meses fora apenas trabalho, trabalho e mais trabalho.

E, bem agora, que estava quase alcançando o objetivo principal de tanto empenho, graças a Hunter, seu antigo colega de faculdade, que morrera tão jovem; Ryan teria muito tempo para pensar em "diversão".

Os pensamentos divagaram para a época em que estudara em Harvard. Ele e Hunter, juntamente com mais cinco colegas, resolveram formar uma pequena banda de jazz.

E, numa determinada noite, durante uma rodada de cerveja no bar preferido dos amigos, resolveram firmar um compromisso de lealdade entre eles e prometeram deixar seus nomes inesquecíveis no mundo, embora todos fossem de famílias abastadas. Acertaram um compromisso de se juntarem naquela mesma mesa dali a dez anos para celebrarem o sucesso obtido e reiterar os votos de profunda amizade.

Porém, pouco antes da formatura, a morte prematura de Hunter, vítima de um melanoma, provocou a dissolução do grupo. E, aos poucos, o contato entre os remanescentes foi ficando cada vez mais escasso.

A distância entre eles prosseguiu até alguns meses atrás, quando Ryan e os outros cinco amigos, que faziam parte do grupo de jazz, que batizaram com o nome de "Os Sete Samurais", receberam um comunicado de uma firma de advocacia em Los Angeles, informando que estavam representando a Hunter Palmer Foundation.

De acordo com a explanação dos advogados, tratava-se de um testamento feito por Hunter antes de sua morte. Ele havia mandado construir uma mansão à beira do lago Tahoe e determinado que assim que fossem passados dez anos, os amigos seriam participados para honrar os votos de lealdade feitos naquela noite da reunião no bar.

Segundo os termos do testamento, cada um deles deveria permanecer durante um mês inteiro no local e ao término de seis meses, seria liberada a quantia de vinte milhões de dólares, previamente depositada em juízo, que seria utilizada para um fundo de caixa beneficente e o lugar deveria ser transformado em um centro de recuperação de vítimas de câncer.

E qual deles poderia ter a coragem de se recusar a oferecer uma participação mínima para uma causa tão gloriosa?

Por essa razão, Ryan seria obrigado a permanecer na Hunter's Landing pelo prazo de um mês, no exato momento em que estava perto de concluir a meta de tantos anos de trabalho árduo: Derrotar a Webb Sperling, Inc.

Ryan entortou um dos cantos da boca, mal disfarçando um sorriso irônico.

Não seria difícil encontrar em uma cidade tão pequena uma região com o nome Hunter's Landing. Deveria tratar-se de um bairro da periferia que fora batizado com esse nome em homenagem a Hunter, e o grande casarão que ele mandara construir naquela área e que provavelmente seria o centro de atenção de turistas e até mesmo de habitantes das regiões vizinhas.

Também nem mesmo estranhava o fato de que ele tenha deixado os amigos incumbidos de concluir a parte deles na promessa feita naquela noite após a rodada de cerveja na mesa do bar que costumavam freqüentar nos tempos da Harvard. Hunter sempre tivera um peculiar senso de humor.

Dos seis amigos remanescentes, três deles já haviam cumprido a sua parte. Assim, metade do tempo já havia se esgotado.

Era evidente que a maioria dos componentes do grupo a essa altura já estava casada ou comprometida. Como era o caso de Devlin, que acabara de completar o mês prometido.

Agora era a vez de Ryan.

Ele chegara um dia antes a Tahoe. Foi até preciso passar um tempo se distraindo em um Cassino, enquanto a administradora do casarão terminava de providenciar para que a mansão fosse limpa e arrumada antes de Ryan poder ocupá-la. Devlin se casaria no dia seguinte e convidara Ryan para ser seu padrinho de casamento. E foi por essa razão que ele resolveu chegar um pouco antes do que deveria. Pretendia escolher o presente para os noivos e sem muita pressa.

— Estou certa de que ficará satisfeita com o álbum escolhido.

A voz da "deusa" interrompeu-lhe os devaneios.

Ryan retornou a atenção para o momento e viu que a moça acompanhava a cliente até próximo da saída da loja.

Os pequenos sinos assinalaram a saída da mulher.

Só então, ela dirigiu-se até Ryan para oferecer-lhe auxílio.

— Posso ajudá-lo? — perguntou a moça, exibindo nos lábios um sorriso puramente profissional.

— Sim. Estou à procura de algo para dar de presente a um casal de noivos. Estava passando pela rua e o anúncio de sua loja me deixou curioso.

— Muitas pessoas já me disseram o mesmo — ela admitiu. — Acho que fui feliz com a escolha do nome. É uma boa propaganda para a loja.

— É uma comerciante muito esperta! — ele exclamou. Observando-a mais de perto, pôde constatar que na verdade os olhos dela eram da cor da avelã e as sobrancelhas marrons promoviam uma combinação perfeita. Os lábios de um rosa acentuado e a pele clara e isenta de qualquer tipo de mancha. Era muito difícil deixar de notar tanta perfeição em uma só pessoa!

— Obrigada. — ela agradeceu. — O objetivo é transformar coisas sem muito valor em arranjos elegantes...

— Elegantes? — ele interrompeu, e não conseguiu impedir-se de dar um riso escancarado. — Não foi bem o que me pareceu.

— É uma nova tendência — ela justificou, procurando disfarçar a contrariedade por conta do riso debochado que ele manifestara. — E o maior prestígio é quando se consegue fazer um arranjo final com coisas que de outra maneira não teriam utilidade alguma. Daí veio a idéia do nome Distressed Success, que quer dizer "aproveitar com sucesso coisas descartáveis".

— É mesmo? E eu que pensava que o nome da loja teria algo em comum com minha própria vida! — ele brincou.

A moça riu divertida com a presença de espírito do homem atraente na sua frente.

Ryan ficou encantado com o timbre musical contido naquela risada e imaginou como seria bom se pudesse ouvi-la sorrindo em sua cama. Em seguida, apanhou um relógio de uma prateleira próxima e arqueou as sobrancelhas quando viu o preço:

— Quer dizer que as pessoas estão pagando uma fortuna por objetos velhos?

Ela assentiu com um gesto de cabeça.

— Incluindo celebridades — acrescentou. — Afinal de contas, estamos em Tahoe.

— E existem compradores que paguem um preço exorbitante para um conjunto de xícaras e pires completamente discrepante como aquele? — ele perguntou com um dedo apontado na direção da mesa posta em exibição na entrada da loja.

Ela procurou manter a postura profissional e ignorar o que lhe parecia um insulto.

— Sim. É considerada uma arte, reunir peças diferentes para criar um aspecto harmonioso. E, também faço arranjos especiais para algum cliente que não encontre na loja o que exatamente está pretendendo.

Ryan evitou comentar a respeito, contudo, para ele o que havia de verdadeira arte era a incrível argumentação da bela vendedora.

— Teria alguma sugestão sobre um presente de casamento para um casal que já tem de tudo?

A pergunta suscitou um sorriso nos lábios dela.

— É um casal jovem?

— Sim. Ele é milionário e ela está próxima de se tornar uma também.

— Garota de sorte! — ela comentou e então percorreu os olhos pelas prateleiras, tentando encontrar algo que pudesse ser apropriado para um presente de casamento.

Ryan fez o mesmo, porém tudo o que seus olhos deparavam não lhe parecia apropriado para o gosto refinado do casal que pretendia presentear. A menos que a sua idéia de requinte estivesse ultrapassada.

De repente ela pareceu interessar-se por algo e rumou na direção de uma prateleira não muito distante de onde estava. Ele a seguiu.

— Que tal um par de castiçais de cristal? — ela sugeriu.

Ryan sabia que deveria comprar algo mais suntuoso pelo fato de ser padrinho de casamento, entretanto, como não achara mais nada que o interessasse e também não teria tempo suficiente para pesquisar outras lojas, seria melhor levar uma pequena lembrança do que aparecer com as mãos abanando. A moça insistiu:

— Peças de cristal são sempre muito bem recebidas. E...

— Tudo bem. São minhas! — decidiu Ryan, sem maiores delongas.

Embora surpresa com a decisão tão rápida, a jovem ficou satisfeita.

Ryan alcançou um dos castiçais e ergueu-o para espiar a etiqueta de preço colada na base do objeto. Um absurdo! Mas se a compra lhe rendesse alguns pontos com a "deusa", valeria cada centavo gasto.

Depois que ela apanhou o par que restava na prateleira, ele estendeu o braço para entregar-lhe o outro. Nesse momento, as mãos de ambos se tocaram por um breve instante, mas foi o suficiente para Ryan sentir uma carga de eletricidade percorrer-lhe o corpo inteiro. E, se não estava enganado, ela sentira o mesmo, a julgar pela súbita tensão nas feições e a maneira rápida com que ela contornou o balcão e se posicionou no lado oposto ao dele.

— Há algo mais que esteja precisando?



"Sim, você", pensou. Seria a resposta correta ao avaliar como aquele corpo escultural se ajustaria muito bem nos braços dele.

— Não. Obrigado. — Ele respondeu com polidez, pois não havia outra coisa a fazer. Pelo menos no momento. Mas ainda teria muitos dias pela frente para cortejar a moça.

Ela retirou as etiquetas dos preços e com muito cuidado protegeu as peças com um papel de seda.

A visão dos dedos ligeiros e das unhas bem feitas era um espetáculo para os olhos ansiosos de Ryan.

— Vai permanecer em Tahoe por algum tempo ou está apenas de passagem? — A voz suave da moça interrompeu-lhe a distração.

— Pretendo ficar no Hunter's Landing por algumas semanas.

— Ah, é mesmo? — ela demonstrou surpresa, erguendo as sobrancelhas. — Eu moro bem próximo dali.

— É um lugar tranqüilo — ele afirmou com um sorriso, presumindo que ela deveria estar supondo que ele estaria ali em férias. Principalmente por estar vestindo uma calça caqui e uma camiseta pólo. Bem diferente dos ternos feitos sob medida e as gravatas de seda pura, que eram o seu estilo habitual.

— Eu adoro lugares calmos — revelou a moça, sem retirar os olhos do trabalho que fazia.

Aquela afirmação não combinava com o que ele esperava descobrir. Talvez ela tivesse um compromisso com alguém e por isso não se interessasse em programas mais agitados. Mas, se era isso, por que não usava uma aliança?

— Como não conheço muito bem a região, poderia me indicar um bom restaurante? — ele solicitou, distorcendo um pouco a verdade.

Fora criado em Clayburn, que ficava a poucos quilômetros de distância dali e freqüentemente vinha a Tahoe. Porém, há muito tempo que nem mesmo chegava perto daquele lugar. Tinha estado ocupado no seu objetivo de vingança. Além do que, Tahoe era território de Webb Sperling. E, tudo isso, sem contar que a administradora da mansão, provavelmente, se preocuparia cm deixar o freezer lotado de suprimentos. Mas a moça não teria como descobrir isso.

Enquanto ela tentava recordar um bom lugar que pudesse recomendar, ele percorria com o olhar a extensão do corpo esbelto. Pelo menos o que podia avistar até a linha de onde começava o balcão. Principalmente o contorno dos seios erguidos que se expunham no decole em "V" do top. Depois, observando-lhe os olhos castanho-claros que mais se poderia definir como da cor da avelã com reflexos de verde e dourado que os tornavam ainda mais espetaculares.

— Bem... — ela começou — posso recomendar o Lakeside Diner ou, então, o Clearwater's, que possui um deck de onde se pode avistar o lago.

— Ah, ótimo! — ele exclamou, já imaginando um jantar romântico à luz do luar, seguido por uma escapada à mansão. Poderiam brindar com um champanha e, talvez, um banho juntos na hidromassagem ao som de um jazz suave. Depois a despiria aos poucos e fariam amor na suíte principal.

Enquanto ela terminava de empacotar o presente e o colocava dentro de uma sacola de plástico de um amarelo berrante com o nome da loja em destaque, Ryan tentava afastar os devaneios.

— Clearwater's parece excelente... — ele deu uma pausa, antes de prosseguir. — Ainda não sei o seu nome.

— Kelly.


— Kelly? — ele sorriu e estendeu-lhe a mão. — Eu sou Ryan.

O aperto de mãos lhe pareceu caloroso, embora ela pretendesse manter o ar de profissionalismo.

— Como pretende fazer o pagamento? Ele retirou a carteira do bolso e perguntou:

— Aceita cartão de crédito?

— Com certeza — ela confirmou com um sorriso. "O sorriso típico do bom vendedor", ele analisou. E, como crescera como um herdeiro da imperiosa Sperling, Inc. sabia muito bem avaliar esse tipo de comportamento.

Ryan entregou-lhe o cartão de crédito e aproveitou para convidá-la:

— Gostaria muito que me acompanhasse ao Clearwater's. Aceitaria jantar comigo amanhã à noite, Kelly...? Não ouvi seu sobrenome.

— Hartley. Kelly Hartley.

Enquanto ela observava o cartão de crédito, Ryan teve um estranho pressentimento de que esse nome não lhe era estranho. Uma das inúmeras amantes de Webb Sperling possuía o sobrenome Hartley e essa mesma mulher tinha uma filha cujo nome era Kelly.

O sorriso do rosto de Kelly desapareceu no mesmo instante em que os lábios dele congelaram.

"Que droga!", ele praguejou em pensamento ao notá-la boquiaberta e os olhos arregalados.

Ambos se reconheceram ao mesmo tempo.

Ryan suspirou contrariado. Por pouco ele não caíra nos laços de uma mulher "fatal". Bem do tipo que Webb Sperling mais gostava. Trabalhara duro para não precisar do pai e nem mesmo ser comparado a ele. E, ficava feliz de parecer-se apenas com a mãe. Uma jovem debutante de uma família rica, que lutou bravamente contra um câncer que a levara prematuramente ao túmulo, do mesmo modo que havia acontecido com Hunter.

E, é claro, que Kelly era linda. Exatamente o tipo que o pai dele adoraria. Linda e ambiciosa... Analisou friamente esboçando um sorriso irônico. Agora entendia a razão de ela ter-se referido à noiva de Dev como uma garota de sorte, quando ele lhe contou que o amigo era milionário.

Kelly escolhera muito bem o local para instalar sua loja. Tahoe era um lugar onde havia muitos turistas com dinheiro sobrando para gastar em futilidades. A exemplo da mãe, a filha parecia ter o mesmo dom de descobrir onde ganhar dinheiro da maneira mais rápida e fácil. Mas, se dependesse dele, a "deusa" estaria perdida!

— Então, você é o filho de Webb Sperling? — ela perguntou.

— Sim. E você é a filha de Brenda Hartley, não é? — retrucou Ryan sem muito entusiasmo.

Kelly baixou os olhos e perguntou-se como era possível que não o tivesse reconhecido. Porém, havia mais de dez anos que ela havia saído de Claybum, embora às vezes ela tivesse lido algumas notícias nos jornais locais a respeito dos negócios milionários em que Ryan Sperling estava envolvido. Mas era só isso.

Diante do silêncio dela, ele prosseguiu:

— Vou lhe dar um exemplo bem ilustrativo: seria como o chefe de cozinha fingir não saber que um crítico de culinária está em seu restaurante — ele argumentou. E, em seguida abanou as mãos no ar. — É uma pena que a sua estratégia não irá funcionar... Atualmente não tenho o mínimo contato com Webb Sperling.

"Então, o relacionamento de Ryan com o pai não melhorou com o passar do tempo", pensou Kelly. O adolescente revoltado havia se transformado em um filho renegado.

— Se esse é o caso, então como é que poderia estar sabendo sobre as negociações que estou pensando em fechar com a Sperling Departament Stores?

— Tenho minhas fontes.

Ela ergueu uma das sobrancelhas. A idéia de Ryan envolvido em saber o que acontecia na empresa lhe pareceu divertida:

— Uma espécie de espião?

— Não existe espionagem quando o grupo de negócios é da família — ele assegurou.

— É. E parece que todos os membros da família são muito parecidos! — ela devolveu com certo sarcasmo.

Kelly tinha conhecimento de que o grupo empresarial era propriedade exclusiva da família Sperling, não era preciso que ele falasse com tanta arrogância, concluiu mentalmente.

— Não tenho nada a ver com meu pai — ele falou com ar desdenhoso. — Isso eu posso lhe garantir. Mas, não acontece o mesmo com você. Nem sei como não a reconheci. Você é a cópia de sua mãe!

Kelly corou de raiva. Batalhara muito para desvencilhar-se da imagem da mãe e garantir um espaço próprio para poder levar uma vida decente. O que era diferente de certas pessoas que tinham uma família rica como suporte.

Quanto ao corpo curvilíneo e os cabelos em tom castanho-avermelhado que eram semelhantes ao da mãe, não havia o que pudesse fazer a respeito. No mais, os moradores de Tahoe a conheciam como a proprietária de um comércio bem-sucedido e uma respeitável cidadã. E era dessa forma que ela gostava de ser vista.

— Vou acompanhá-lo até a porta. — Ela ofereceu com um sorriso estritamente profissional.

Ryan jogou sobre o balcão algumas cédulas que no total valiam mais do que os cristais que estava levando e declarou:

— Considere como uma contribuição para a causa.


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