Um sonho desfeito (continuação) 11 e os Silva Pinto, novos bandeirantes



Baixar 17.06 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho17.06 Kb.
Um sonho desfeito (continuação)
11

E os Silva Pinto, novos bandeirantes,

Não procuraram pedras preciosas

Mas produtos nas terras dadivosas

A encherem seus paióis de frutos tantos,

Onde puderam não beligerantes

Viver a vida bem, não viciosa;

12

José, João, Manoel em seus campos,

Afeitos ao trabalho a cada dia,

Com Baltazar irmão, em parceria,

Nestas bandas ficaram em seus anos

De Bragança esquecidos, e aos encantos

Entregues desta nova freguesia;

13

Não abusivos, nem eram uns profanos

Pois em Deus confiavam, tinham fé,

Se a terra boa não era ao café,

Milho e feijão plantavam sem demora,

Porcos a engordar para em fins de anos

Lá vender em São Paulo, indo a pé;

14

José sem seus irmãos, tão só, agora,

Vivia com seus filhos sem ter um só escravo;

Deu-se ao trabalho firme, foi um bravo,

Com sua companheira, a Maria,

Dos seus filhos mãe, de todos escora,

Da vida a tirar do seu gosto o travo;

15

Seu pecúlio José então fazia

Em moeda esterlina tão somente,

Para a velhice do trabalho ausente;

Mas vejam sós o que lhe aconteceu

E ao seu tesouro que ajuntado via,

Com seu trabalho e mais da sua gente;

16

Com muares cargueiros percorreu

De São Paulo a cidade em burburinho,

Arrostando emboscadas no caminho

Ao levar sua produção do ano,

Em busca das moedinhas que escolheu,

Como penhor do seu amado ninho;

17

Como não há só sorte, desengano

Aconteceu também em sua vida;

De quem não esperava tal sortida

Uma sorte má já lançada estava,

Do seu trabalho e dos seus, em anos,

Toda riqueza sendo assim perdida;

18

De há muito uma visita esperava:

Com a filha de São Paulo o genro veio,

Passear, qual se fora em veraneio

Na fazenda onde havia só fartura,

Da alegria sendo então morada

Com gestos dos pais, sem qualquer receio;

19

Os dias se passaram na doçura,

Lembranças renovadas e afetos

De avós ao genro, filha e netos,

Eles com costumes finos da cidade

Uns reparos fazendo à rapadura

E, de tantos animais os seus dejetos;

20

Desenganos marcaram sem piedade

O sonho de José na doce vida,

E a esperança em si jamais contida;

Vejam o que de fato aconteceu:

Dos seus queridos filhos da cidade

Após o tão vazio da partida,

21

Saudade a já sentir do neto seu,

Por falta deu José da Silva Pinto

Do seu tesouro no baú já limpo;

Por um filho pôs sua voz clamando,

Que ao vê-lo assim também se comoveu

Ao sentir do labor, valor extinto;

22

O evento foi José traumatizando

Por não reaver seu grande tesouro,

Pelo qual trabalhou tal qual um mouro,

Sonhando aos filhos, netos, tudo dar,

E a fazenda então modernizando,

Aos descendentes sem qualquer desdouro;

23

Morreu assim sem ouro ter, gozar

Com sua Maria e outros lares,

Sendo seus filhos já doze pilares,

Perdendo um capital considerável

Que podia pra Conchas frutos dar,

E progresso com outros cultivares.

24

Se houve em Conchas parente execrável

Até os dias de hoje não se sabe,

Mas bem que um comparsa na história cabe

E parente, de casa bem chegado,

De muita confiança, bem provável,

Que fundo lesou a posteridade.


O autor é neto do Albino da SILVA PINTO,

filho do José da SILVA PINTO protagonistas

desta história verídica, cujo desfecho se deu por

volta de 1.892.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal