Uma breve história de quase tudo



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RESUMO DE

UMA BREVE HISTÓRIA DE QUASE TUDO

Bill Bryson

Companhia das Letras – 2005


Para você estar aqui agora, trilhões de átomos agitados tiveram de se reunir de uma maneira intrincada e intrigantemente providencial a fim de criá-lo.
Por mais complexa que seja, no nível químico a vida é curiosamente trivial: carbono, hidrogênio, oxigênio e nitrogênio, um pouco de cálcio, uma pitada de enxofre, umas partículas de outros elementos bem comuns – nada que você não encontre na farmácia mais próxima -, e isso é tudo de que você precisa.
A vida na Terra, além de breve, é desanimadoramente frágil.
Se você tivesse se desviado um mínimo que fosse de qualquer das mudanças evolucionárias, poderia estar agora lambendo algas em paredes de cavernas, espreguiçando-se como uma morsa em alguma praia pedregosa ou lançando ar por um orifício no alto da cabeça antes de mergulhar vinte metros para se deliciar com uns suculentos vermes.
O astrônomo britânico faz uma analogia com uma enorme loja de roupas: “Se houver um grande sortimento de roupas, uma pessoa não se surpreenderá se encontrar um terno que lhe sirva. Se houver muitos universos, cada um governado por um conjunto diferente de números, num deles existirá um conjunto particular de números adequado à vida. Estamos exatamente nele.”

A maioria dos sistemas solares no cosmo é binária (com duas estrelas), o que torna o nosso Sol solitário uma leve excentricidade.


Frank Drake, professor de Cornell na década de 1960, formulou uma equação para calcular as chances de existência de vida avançada no cosmo. Divide-se o número de estrelas num trecho selecionado do universo pelo número de estrelas com probabilidade de possuírem sistemas planetários; divide-se o resultado pelo número de sistema planetários; divide-se o resultado pelo numero de sistema planetários que poderiam teoricamente conter vida; divide-se o numero assim obtido pelo numero daqueles em que a vida, tendo surgido, avança até um estado inteligência; e assim por diante. (...) mesmo com os dados mais conservadores, o numero de civilizações avançadas, somente na Via Láctea, sempre se situa na casa dos milhões.
Pouca coisa no universo é visível para nós. Somente cerca de 6 mil estrelas são visíveis da Terra a olho nu, e somente cerca de 2 mil podem ser vistas de um só lugar. Com binóculo, o numero de estrelas visíveis de um só lugar aumenta para umas 50 mil e, com um pequeno telescópio de duas polegadas, salta para 300 mil.
As 3 leis do movimento de Newton:

  1. uma coisa se move na direção em que é impelida

  2. continua se movendo em linha reta até que alguma outra força atue para retardá-la ou desviá-la

  3. e toda ação possui uma reação oposta e igual

E a lei da gravitação universal: todo objeto no universo exerce atração sobre todos os outros. E a atração entre quaisquer 2 objetos é “proporcional à massa de cada um e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre eles”.


Definição dada por Lyell para unidades de tempo geológico desde a era dos dinossauros:

  • Pleistoceno – a mais recente

  • Plioceno – mais recente

  • Mioceno – moderadamente recente

  • Oligoceno – quase nada recente.

O tempo geológico divide-se primeiro em 4 grandes blocos conhecidos como eras:

Pré-cambriano, Paleozóico (do grego “vida antiga”), Mesozóico (“vida média”) e Cenozóico (“vida recente”). Cada uma delas se divide em subgrupos, denominados períodos. Ex: Cretáceo, Jurássico, Triássico, Siluriano etc.
Em nenhum ponto a Bíblia afirma que Deus criou o Céu e a Terra no primeiro dia, mas meramente “no princípio”.
As 3 principais leis da termodinâmica são expressas de forma jocosa como:


  1. Não é possível vencer

  2. Não é possível atingir o equilíbrio.

  3. Não é possível abandonar o jogo.

Ernest Rutherford descobriu que elementos radioativos decaiam em outros elementos – que um dia se tinha um átomo de urânio, digamos, para no dia seguinte se ter um átomo de chumbo. Era alquimia, pura simplesmente; ninguém jamais imaginar que tal coisa pudesse acontecer natural e espontaneamente. Ele também observou que, em qualquer amostra de material radioativo, o decaimento de metade da amostra levava sempre o mesmo tempo – a célebre meia-vida – e que essa taxa constante e confiável de decaimento poderia servir como uma espécie de relógio.


A meia-vida é apenas uma conveniência estatística – uma espécie de tabela atuarial para coisas elementais. Cada átomo sobreviverá na verdade por um período de tempo totalmente aleatório, sem nenhuma relação com múltiplos de trinta; poderia durar dois segundos ou oscilar durante anos, ou décadas, ou séculos, antes de desaparecer. Ninguém sabe ao certo. Mas o que podemos dizer é que, para a amostra como um todo, a taxa de desaparecimento será tal que metade dos átomos desaparecerá a cada trinta segundos.
A datação do carbono funciona apenas para objetos com até cerca de 40 mil anos.

Tendo acabado de solucionar vários dos mistérios mais profundos do universo, Einstein candidatou-se a um emprego de professor universitário e foi rejeitado, e depois a um de professor do curso secundário e foi igualmente rejeitado. Assim, ele voltou ao seu emprego de perito de terceira classe, mas sem parar de refletir. Ele estava longe de terminar.


Somos todos reencarnações – embora efêmeras. Ao morrermos, os nossos átomos se separarão e procurarão novas aplicações: como parte de uma folha, outro ser humano ou uma gota de orvalho. Ninguém sabe ao certo por quanto tempo um átomo consegue sobreviver, mas de acordo com Martin Rees provavelmente uns 1035 anos.
Um átomo está para uma linha de um milímetro de espessura assim como a espessura de uma folha de papel está para a altura do Empire State Bulding.
Em 1986 a venda de gasolina com chumbo foi finalmente suspensa. Quase de imediato, os níveis de chumbo no sangue dos norte-americanos caíram 80%. O chumbo continua a ser despejado na atmosfera como resultado de atividades industriais.
Os clorofluorcabonos foram proibidos em 1974 nos Estados Unidos, mas eles continuam a ser produzidos pelas fábricas americanas no exterior. Ele só será proibido nos países do terceiro mundo em 2010.
A cada segundo, a Terra é visitada por 10 mil trilhões de trilhões de neutrinos minúsculos, quase desprovidos de massa (a maioria liberada pela combustão nuclear do Sol).
Em que ponto atingimos a base irredutível? Carl Sagan, em Cosmos, levantou a possibilidade de que, se descesse até um elétron, você descobriria que ele continha um universo próprio: “Dentro dele, organizadas no equivalente local de galáxias e estruturas menores, está um numero imenso de outras partículas elementares bem menores, que são, por sua vez, universos no próximo nível, e assim por diante para sempre – uma regressão descendente infinita, universos dentro de universos, incessantemente. E para cima também.
Kalr Popper, sugeriu que talvez não exista uma teoria definitiva da física – talvez cada explicação possa requerer uma explicação adicional, produzindo uma “cadeia infinita de princípios cada vez mais fundamentais”.
Ou nas palavras de Martin Rees: “Nossa satisfação atual com nosso estado de compreensão pode refletir a escassez de dados, e não a excelência da teoria”.
A história de qualquer parte da Terra, como a vida de um soldado, consiste em longos períodos de tédio e breves períodos de terror.” Derek V. Ager, geólogo britânico.
Tóquio, uma cidade de 30 milhões de habitantes, é “uma cidade aguardando a morte” na descrição de um especialista em riscos.
As camadas da Terra:

  1. crosta: de 0 a 40 km

  2. manto superior: de 40 a 400 km

  3. zona de transição: de 400 a 650 km

  4. manto inferior: de 650 a 2700 km

  5. camada “D”: de 2700 a 2890 km

  6. núcleo externo: de 2890 a 5150 km

  7. núcleo interno: de 5150 a 6370 km

Sabemos que a força do campo magnético da Terra se altera de tempos em tempos: na época dos dinossauros, era até três vezes maior do que agora. Sabemos também que ocorre uma inversão aproximadamente a cada 500 mil anos em media, apesar de essa media abrigar alto grau de imprevisibilidade. A ultima inversão foi há cerca de 750 mil anos, Às vezes, ela permanece inalterada por milhões de anos – 37 milhões de anos parece ter sido o período mais longo – e em outras se inverteu após apenas 20 mil anos. No todo, nos últimos 100 milhões de anos, ela se inverteu cerca de duzentas vezes, e não temos nenhuma idéia da causa. Essa é considerada “a maior pergunta não respondida das ciências geológicas”.


As propriedades dos elementos podem tornar-se mais curiosas quando eles são combinados. Oxigênio e hidrogênio, por exemplo, são dois dos elementos mais amigos da combustão, mas, ao se juntarem, formam a água incombustível.


Richard Feynman costuma fazer uma brincadeira sobre as conclusões a posteriori, como são chamadas. “Veja bem que coisa espantosa aconteceu comigo esta noite. Vi um carro com a placa ARW 357. Você acredita? Das milhões de placas do estado, qual a chance que eu visse hoje à noite justamente essa? Impressionante!”. O que ele queria mostrar era que é fácil fazer qualquer situação banal parecer extraordinária se você tratá-la como fatídica.
A água está por toda parte. Uma batata é 80% água, uma vaca, 74%. Uma bactéria, 75%. Um tomate, com 95%, tem pouca coisa além de água. Mesmo os seres humanos são 65% água o que nos torna quase 100% mais líquidos do que sólidos.
Um tipo de verme chamado alvinelídeo foi encontrado vivendo bem nas margens, com a temperatura da água em sua cabeça 78 graus C mais quente do que na cauda. Antes disso, acreditava-se que nenhum organismo complexo conseguisse sobreviver em águas com mais de 54 graus, e ali estava um sobrevivendo em temperaturas superiores àquela e, ainda por cima, ao frio extremo.
Desde 1946 os Estados Unidos transportavam tambores de 208 litros de lixo radioativo para as ilhas Farallon, uns cinqüenta quilômetros ao largo da costa da Califórnia, na altura de San Francisco, onde eram simplesmente lançados ao mar.

Tudo era feito no maior desleixo. A maioria dos tambores era exatamente do tipo que se vê enferrujando atrás de postos de gasolina ou do lado de fora das fábricas, sem nenhum revestimento protetor. Quando um tambor não afundava, o que era comum, os atiradores da Marinha crivavam-no de balas para deixar a água entrar (e, é claro, plutônio, urânio e estrôncio vazarem).


Christian de Duve diz que “a vida é uma manifestação obrigatória da matéria, fadada a surgir sempre que as condições forem apropriadas” e ele acha provável que essas condições se encontram talvez 1 milhão de vezes em cada galáxia.
As chaminés marinhas borbulhantes são na atualidade as candidatas mais populares ao berço da vida.
Em setembro de 1969 uma bola de fogo (um meteorito) explodiu sobre a cidade de Murchison, na Austrália. (...) Descobriu-se que o meteorito possuía 4,5 bilhões de anos e estava repleto de aminoácidos – 74 tipos no topo, oito dos quais estão envolvidos na formação das proteínas terrestres.
Em certo momento, em um passado inimaginavelmente distante, uma pequena bolsa de substâncias químicas nervosamente adquiriu vida. Ela absorveu alguns nutrientes, pulsou com suavidade, teve uma existência breve. Apenas isso já poderia ter acontecido antes, talvez. Muitas vezes. Mas esse pacote ancestral fez algo adicional e extraordinário: partiu-se e produziu um descendente. Um feixe minúsculo de material genético passou de uma entidade viva para outra e nunca mais parou. Os biólogos costumam chamar esse momento inicial de Grande Nascimento (Big Birth, em analogia ao bib-bang).
Na verdade, não adianta tentar se esquivar das suas bactérias, pois elas estão sempre presentes, em números que você nem consegue imaginar. Se você goza de boa saúde e tem bons hábitos de higiene, terá um rebanho de cerca de 1 trilhão de bactérias pastando em suas planícies carnudas – cerca de 100 mil em cada centímetro quadrado de pele. Elas estão ali para consumir os aproximadamente 100 trilhões de flocos de pele que você perde todo dia...
E essas são apenas as bactérias que habitam sua pele. Existem mais trilhões escondidas em suas tripas e nos orifícios nasais, presas a seus cabelos e cílios, nadando na superfície de seus olhos, perfurando o esmalte de seus dentes. Seu sistema digestivo sozinho abriga mais de 100 trilhões de micróbios, de pelo menos quatrocentos tipos. (...) Cada corpo humano consiste em cerca de 10 quatrilhões de células, mas hospeda cerca de 100 quatrilhões de células bacterianas.
No todo, apenas cerca de um micróbio em mil é um patógeno para os seres humanos, de acordo com a National Geographic – embora, diante do que alguns conseguem fazer, nada seja mais natural do que acharmos que esse numero já é suficiente. Conquanto na maior parte benignos, eles ainda são o assassino numero 3 do mundo ocidental, e mesmo muitos micróbios menos letais já fazem com que lamentemos profundamente sua existência.

No todo os micróbios estão começando a ganhar a guerra de n ovo: só nos hospitais americanos, cerca de 14 mil pessoas por ano morrem de infecções hospitalares.


Um vírus é uma entidade estranha e desagradável – “uma porção de acido nucléico cercada de más noticias”, na expressão memorável do premio Nobel Peter Medawar. Menores e mais simples que as bactérias, os vírus por si mesmos não estão vivos. Isoladamente, são inertes e inofensivos. Mas introduzidos no hospedeiro adequado, entram em atividade – ganham vida.
É quase impossível para nós, cujo tempo na Terra se limita a umas poucas décadas animadas, conceber quão remota foi a explosão cambriana. Se você pudesse voltar no tempo à velocidade de um ano por segundo, levaria cerca de meia hora para atingir a época de Cristo, e pouco mais de três semanas para retroceder até os primórdios da vida humana. Mas seriam necessários vinte anos para chegar à aurora do período Cambriano. Ou seja, aquilo já faz muito tempo, e o mundo era um lugar diferente.
[Sobre criaturas fossilizadas encontradas em Burgess Shale, no Canadá por Doolittle Walcott.] Muitas das criaturas empregavam planos corporais não apenas diferentes de qualquer coisa vista até então ou depois, mas estranhamente diferentes. Uma delas, de nome Opabinia, possuía cinco olhos e um focinho em forma de bocal com garras na ponta. Outra, um ser em forma de disco chamado Peytoia, assemelhava-se, quase hilariamente, a uma fatia de abacaxi. Uma terceira havia evidentemente cambaleado sobre filas de pernas semelhantes a estacas, e de tão estranha recebeu o nome de Hallucigenia.
Para Stephen Jay Gould contrariamente ao que prega Richard Dawkins: “A história da vida é uma história de retirada maciça seguida de diferenciação dentro de algumas estirpes sobreviventes, não a lenda convencional de um aumento constante da excelência, complexidade e diversidade.”
Tendemos a ignorar o pensamento de que a vida simplesmente existe. Como seres humanos, estamos propensos a achar que ela precisa de um objetivo. (...) Mas o que é a vida para um líquen? Todavia, seu impulso por existir, por ser, é tão forte quanto o nosso – possivelmente até mais forte. Se eu fosse informado de que teria de passar décadas como uma cobertura felpuda de uma rocha na floresta, acho que perderia a motivação para continuar vivendo. (...) Como quase todo ser vivo, eles sofrerão qualquer adversidade, agüentarão qualquer insulto, por um momento de existência adicional. A vida, em suma, simplesmente deseja ser. Mas, em geral, não deseja ser muita coisa.
Estamos tão habituados à noção de nossa própria inevitabilidade como a espécie dominante de vida que é difícil compreender que estamos aqui somente devido a choques extraterrestres oportunos e outros eventos aleatórios. Nas palavras Gould: “Os seres humanos estão hoje aqui porque nossa linhagem específica nunca se rompeu – nem uma vez em qualquer dos bilhões de momentos que poderiam ter nos apagado da história.
Se você imagina os cerca de 4.500 bilhões de anos da história da Terra comprimidos em um dia terrestre normal, a vida começa muito cedo, em torno das quatro da madrugada, com o surgimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não avança mais nas próximas dezesseis horas. Somente quase às oito e meia da noite, com cinco sextos do dia já decorridos, a Terra consegue exibir ao universo algo alem de uma cobertura irrequieta de micróbios. Finalmente as primeiras plantas marinhas aparecem, seguidas vinte minutos mais tarde da primeira medusa e da enigmática fauna de Ediacaran, vista pela primeira vez por Reginal Sprigg, na Austrália. Às 21h04 entram em cena os trilobites (a nado), seguidos mais ou menos imediatamente pelas criaturas bem formadas de Burgess Shale. Pouco antes da 22 horas, plantas começam a brotar em terra firme. Logo após, faltando duas horas par o fim do dia, despontam os primeiros animais terrestres. Às 22h24 a Terra é coberta pelas grandes florestas carboníferas cujos resíduos fornecem todo o nosso carvão, e os primeiros insetos com asas se fazem notar. Os dinossauros entram em cena pouco antes das 23 horas e dominam por cerca de 45 minutos. Faltando 21 minutos para a meia-noite, desaparecem, e a era dos mamíferos começa. Os seres humanos emergem um minuto e dezessete segundos antes da meia-noite. Nessa escala, toda a nossa história registrada não furaria mais do que alguns segundos, e a vida de um único ser humano mal duraria um instante. Nesse dia grandemente acelerado, continentes deslizam e se chocam num ritmo positivamente frenético. Montanhas se erguem e se desfazem, bacias oceânicas surgem e desaparecem, lençóis de gelo avançam e recuam. E o tempo todo, cerca de três vezes por minuto, em algum ponto do planeta, um fulgor marca o impacto de um meteoro do tamanho do de Manson, ou até maior.
A vida na Terra possui outra qualidade bem pertinente: ela se extingue. Com certa regularidade. Apesar de todo o esforço para se formarem e se preservarem, as espécies entram em colapso e morrem bastante rotineiramente, e quanto mais complexas se tornam, mais rápido parecem se extinguir.

99,99% de todas as espécies que já viveram não estão mais conosco. “Numa primeira aproximação”, como gosta de dizer David Raup, da Universidade de Chicago, “todas as espécies estão extintas.”


A Terra assistiu a cinco episódios de extinção em grande escala durante sua existência – no Ordoviciano, no Devoniano, no Permiano, no Triássico, e no Cretáceo, nessa ordem – e a muitos menores. As extinções do Ordoviciano (440 milhões de anos atrás) e do Devoniano (365 milhões) exterminaram, cada uma, cerca de 80 a 85% das espécies. As extinções do Triássico (210 milhões de anos atrás) e do Cretáceo (65 milhões de anos) exterminaram, cada uma, de 70 a 75% delas. Mas a maior de todas foi a do Permiano, há aproximadamente 245 milhões de anos, que pôs fim ao longo reinado dos dinossauros. No Permiano, pelo menos 95% dos animais conhecidos através do registro fóssil saem de cena para nunca mais voltar. Até mesmo cerca de um terço das espécies de insetos desapareceu – a única ocasião em que insetos pereceram em massa. Nunca estivemos tão perto da extinção total.
As seguintes causas foram identificadas como estando na origem dos casos das grandes extinções:

  1. aquecimento global

  2. resfriamento global

  3. mudança dos níveis dos oceanos

  4. esgotamento do oxigênio dos mares

  5. epidemias

  6. vazamentos gigantescos de gás metano do fundo do oceano

  7. impactos de meteoros e cometas

  8. furacões descontrolados de um tio conhecido como hiperfuracão

  9. enormes subidas de águas profundas vulcânicas

  10. explosões solares catastróficas



Richard Fortey, do Museu de História Natural de Londres: “Aquele era um sujeito bem legal chamado Norman, que passou 42 anos estudando uma única espécie de planta, a erva-de-são-joão. Ele se aposentou em 1989, mas continua vindo todas as semanas.”

Bill Bryson: “Como é possível passar 42 anos estudando uma única espécie de planta?”

Fortey: “É notável, não é? Parece que ele é muito meticuloso.”
Se seu travesseiro tem seis anos, estimou-se que um décimo de seu peso será constituído de “pele que se soltou, ácaros vivos, ácaros mortos e estrume de ácaros”. “Se você lava roupa suja a temperaturas baixas, tudo o que obtém são ácaros mais limpos”.
Porque não podem fugir dos predadores, as plantas tiveram de criar defesas químicas e estão, portanto, particularmente enriquecidas com compostos químicos intrigantes. Mesmo agora, cerca de um quarto de todos os remédios prescritos são derivados de apenas quarenta plantas, enquanto outros 16% advêm de animais ou micróbios.
O rotífero bdeloídio, um organismo microscópio, é capaz de sobrevier a quase tudo. Quando as condições são adversas, eles se enrolam em uma forma compacta, desligam o metabolismo e aguardam épocas melhores. Nesse estado, você pode jogá-los em água fervente ou congelá-los até quase o zero absoluto – nível em que até os átomos entregam os pontos. Quando terminar o tormento e eles forem devolvidos a um ambiente mais ameno, os bdeloídios se desenroscarão e seguirão em frente como se nada tivesse acontecido.
Tudo começa com uma única célula. A primeira célula divide-se em duas, e as duas em quatro, e assim por diante. Após apenas 47 duplicações, você tem 10 mil trilhões de células em seu corpo e está pronto para entrar em ação como um ser humano. Cada uma dessas células sabe exatamente o que fazer para preservar e acalentá-lo, do momento de sua concepção até seu ultimo alento.
Composição de uma célula:

  • um invólucro ou membrana externa

  • um núcleo onde residem as informações genéticas necessárias para manter você em funcionamento. Local onde estão, no ser humano, 46 pequenos feixes de complexidade, dos quais 23 vêm de sua mãe e 23, de seu pai.

  • um espaço movimentado entre os dois chamado citoplasma

Tipicamente uma célula conterá cerca de 20 mil tipos diferentes de proteínas, dos quais cerca de 2 mil estarão representados, cada um, por pelo menos 50 mil moléculas. Isso significa um mínimo de 100 milhões de moléculas de proteína em cada célula. Tal cifra desconcertante dá uma idéia da imensidão pululante da atividade bioquímica dentro de nós.


Os genes são nada mais (e nada menos) que instruções para produzir proteínas. Combine os genes, como você combinaria teclas do piano, e podem-se criar acordes e melodias de variedade infinita. Junte todos esses genes, e você terá a grande sinfonia da existência conhecida como o genoma humano.
Os pilares da estrutura em caracol de uma molécula de DNA são feitos de um tipo de açúcar chamado desoxirribose, e a totalidade da hélice é um acido nucléico – daí o nome “ácido desoxirribonucléico”. Os degraus são formados por duas bases que se juntam no espaço intermediário, combinadas de dois jeitos: guanina sempre com citosina, e tiamina sempre com adenina.
Ocasionalmente, cerca de uma vez em 1 milhão, uma letra vai parar no lugar errado. Isso se denomina polimorfismo de nucleotídeo único. O equilíbrio entre precisão e erros na replicação é sutil. O excesso de erros impede o funcionamento do organismo, mas sua falta sacrifica a adaptabilidade. Um equilíbrio semelhante deve existir entre a estabilidade e a inovação em um organismo.
A humanidade é atualmente representada por 6 bilhões de genomas. Somos todos 99,9% iguais, mas também, nas palavras do bioquímico David Cox, “podemos dizer que todos os seres humanos não compartilham nada, e isso seria igualmente correto”.
O DNA-Lixo é a parte empregada nas “impressões digitais” do DNA.
Na maior parte, nosso destino e nosso conforto – e até a cor de nossos olhos – não são determinados por genes individuais, e sim por complexos de genes funcionando em aliança.
O crescimento da barba do homem, por exemplo, é em parte uma função de quanto ele pensa em sexo (porque pensar em sexo produz um aumento da testosterona). [!!!!!!!!!]
Nunca é demais dizer: todas as formas de vida têm algo em comum. Essa é, e suspeito que sempre será, a afirmação mais profundamente verdadeira que existe.
O mais extraordinário de tudo é que não sabemos o que é mais provável: um futuro oferecendo uma eternidade de frio mortal ou períodos igualmente longos de calor sufocante. Só uma coisa é certa: vivemos no fio da navalha.
John Reader em Missing Links (Elos perdidos): “É notável a freqüência com que as primeiras interpretações de dados novos confirmam as idéias preconcebidas de seu descobridor”.
As batatas-doces são nativas da América do Sul. Portanto, como foram parar em Papua, Nova Guiné? Não sabemos. Não temos a menor idéia. Mas o que é certo é que as pessoas vêm se deslocando com bastante certeza por mais tempo do que tradicionalmente se pensava, e quase sem dúvida compartilhando genes, além de informações.
A teoria mais aceita pelas pessoas da área para explicar os movimentos humanos é que os seres humanos se dispersaram pela Eurásia em duas ondas. A primeira consistiu no Homo erectus, que deixou a África com uma rapidez espantosa – logo depois de surgir como espécie -, a partir de 2 milhões de anos atrás. Com o tempo, ao se fixarem em diferentes regiões, esses erectus antigos evoluíram ainda mais em tipos diferentes: o Homem de Java e o Homem de Pequim, na Ásia, e o Homo heidelbergensis e finalmente o Homo neanderthalensis na Europa.
Sabe-se também que o homem de Neandertal e os seres humanos modernos coexistiram, de algum modo, por dezenas de milhares de anos no Oriente Médio.
Não se acredita que uma certa “promiscuidade” entre os homens de Neandertal e os modernos tenha resultado em uma descendência reprodutivamente bem-sucedida. Uma possibilidade é que os homens de Neandertal e os Cro-Magnon tivessem números deferentes de cromossomos, complicação que costuma surgir quando espécies próximas, mas não totalmente idênticas se unem. No mundo eqüino, por exemplo, os cavalos possuem 64 cromossomos e os burros, 62. Se você acasalar os dois, obterá um rebento com um número reprodutivamente inútil de 63 cromossomos. Obterá, em suma, uma mula estéril.
No final de 200, um estudo sueco sobre 53 pessoas, concluir que todos os seres humanos modernos emergiram da áfrica nos últimos 100 mil anos e descendem de uma linhagem reprodutora de não mais de 10 mil indivíduos.
“Para obter um espécime realmente puro, é preciso escavá-lo em condições de esterilização e realizar os testes no local da descoberta. Não contaminar um espécime é a coisa mais difícil do mundo.”
Na América, trinta gêneros de animais grandes – alguns bem grandes – desapareceram praticamente de um só golpe após a chegada ao continente dos seres humanos modernos, entre 10 mil e 20 mil anos atrás.
Em 1907, quando um conhecido colecionador percebeu que havia abatido os três últimos espécimes do black mamo, uma espécie de pássaro silvestre descoberta apenas na década anterior, observou que a noticia o enchia de “júbilo”.
Na década de 1940, a Virgínia Ocidental oferecia uma bolsa de estudos universitária anual a quem trouxesse mais pragas mortas – e “pragas” era liberalmente interpretado como qualquer animal que não fosse de estimação n em criado em fazenda.
Chegamos a esta posição de proeminência em um período incrivelmente breve. Os seres humanos comportamentalmente modernos – ou seja, pessoas capazes de falar, produzir arte e organizar atividades complexas – existiram por apenas cerca de 0,0001% da história da Terra. Mas sobreviver mesmo durante esse tiquinho exigiu uma cadeia quase incessante de boa sorte.

GLOSSÁRIO


Singularidade – é o termo usado para indicar a compressão de tudo o que no universo em um ponto tão infinitesimalmente compacto que não terá nenhuma dimensão (um espaço inconcebível).
Códons - palavras em que as instruções genéticas estão escritas.
Bases – são as letras do alfabeto genético (Adenina, Tiamina, Guanina e Citosina, ).
Densidade critica – é o termo usado para definir a gravidade na medida certa que manterá o universo coeso exatamente nas dimensões certas para que as coisas prossigam indefinidamente.
J. B. S. Haldane (biólogo): “O universo não é apenas mais estranho do que supomos; ele é mais estranho do que conseguimos supor.”
Entropia – é a forma de medir quão desordenado é um estado e de determinar a probabilidade de resultados específicos com novos embaralhamentos.
Panspermia – teorias da origem extraterrestre da vida.
Eucarioto – significa “realmente nucleado”.
Procarioto – significa “pré-nucleado”
Isótopo – um átomo com um numero anormal de nêutrons.
Tetrápodes – animais com quatro membros que terminam em no máximo cinco dedos. Dinossauros, baleias, aves, seres humanos, peixes.


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