Uma Fantasia Maravilhosa Anne Eames



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Uma Fantasia Maravilhosa

Anne Eames

Título Original: The Pregnant Virgin (2000)





1º Banco de Bebês

Desejo 958




Trabalhar em um banco de espermas tinha suas vantagens. Ali Celeste poderia ficar grávida sem ter que esperar seu príncipe azul.

Mas uma vez posto em ação o “Projeto Menino”, Ali conhece o doador, um bonito médico chamado Brad Darling. E a atração entre eles foi inegável.

Depois de uma noite de paixão, Ali descobriu que estava grávida. Mas as contas não saíam e Brad pensou que, nem ele era o pai do menino, nem ela era tão inocente como parecia.
Ali teria que convencê-lo de que aquilo não era nenhuma armadilha para casar-se com ele, simplesmente, o destino e a medicina moderna tinham conspirado para reunir duas almas gêmeas.

Série: Multi Autor – 01 Banco de Bebês

Editora: Harlequín Ibérica

Gênero: Contemporâneo

Protagonistas: Brad Darling e Ali Celeste
DISPONIBILIZAÇÃO: ROSANGELA NUTRI

TRADUÇÃO: DENISE FERREIRA

REVISÃO: BRUNA CARDOSO

FORMATAÇÃO: ALE MODOLON



CAPITULO UM

― O quê?


― Que vou ter um menino – repetiu Ali Celeste, desfrutando da expressão de perplexidade no rosto de sua irmã Lynne.
― Mas como...? Eu nem sequer sabia que você tinha um noivo! – exclamou sua irmã a ponto de um colapso.

Ali decidiu esclarecer a situação.


― Disse que vou, não que estou – explicou, afastando o prato de salada.
Lynne se apoiou no encosto da cadeira e jogou uma toalha pela abarrotada cafeteria do hospital de Detroid. Provavelmente, para comprovar se alguém escutava a conversa, pensava Ali, incapaz de apagar o sorriso de seu rosto.
― Não tem graça ― disse Lynne, tentando mostrar-se séria. ― Me destes um susto de morte!
― Por quê?
― Grávida antes de contrair matrimônio? Mamãe se levantaria de sua tumba.
― Antes de contrair matrimônio? – riu Ali. Essa é uma expressão do século passado.
― Os princípios seguem sendo os mesmos - replicou Lynne, olhando a sua irmã com cara de reprovação.
Ali olhou o romance que havia ao lado de seu prato. Se pudesse encontrar um homem como o daqueles romances, pensava.
― Acreditei que queria te manter virgem até que chegasse o teu Príncipe Azul.
― E esse segue sendo o plano.
Lynne a olhou confusa.
― Do que está falando, Aléxis Enjoe?
― Bom, já sabe que trabalho em uma clínica de fecundação assistida...
― E o que tem isso...? – De repente Lynne abriu os olhos como pratos – Não está querendo dizer...?
― Por que não? Ali posso conseguir o que necessito... – seguiu dizendo Ali, para escândalo de sua irmã.
Por favor, Ali, para que você necessita de um banco de esperma? Só tem vinte e oito anos...
― Já, mas dentro de um mês cumprirei outro ano mais – a interrompeu Ali.
― Esse é o problema? Sente-se velha?
Ali negou com a cabeça.
― Nunca pensei que na minha idade seguiria sendo solteira. E não me diga que continuo sendo uma menina...
― Mas ainda é. Ainda continuará por muitíssimo tempo.
Isso era o que Ali estava acostumada a pensar. Mas em sua mente seguia aparecendo a fantasia que tinha acariciado durante anos, a imagem de um homem forte e, de uma vez, sensível, que se apaixonaria loucamente por ela. Quase podia ver seus olhos: intensos, sinceros. E cheios de amor.
Ali olhou a capa do romance.
Exatamente como os daquele homem.
― Não te ofenda, Lynne, mas você pensava que tinha todo o tempo do mundo e olhe o que demorastes a ter um menino – disse Ali em voz baixa.
– Tinha quase quarenta anos quando ficou grávida.

Recorda os anos de ansiedade, por não mencionar a dinheirama que você e Ken gastaram em tratamentos?


Lynne assentiu com falta de apetite.
― Como vou esquecer? Se não tivesse sido pela herança de mamãe, ainda estaria pagando o empréstimo... Mas não me queixo, Keri merece cada centavo que gastamos.
― Estou de acordo – sorriu Ali, recordando as rosadas bochechas de Keri. Se gostava tanto de sua sobrinha, o que sentiria por um filho próprio? Sempre gostou de crianças e não tinha dúvidas de que iria fazer o correto. Seria uma inocente se esperasse o homem dos seus sonhos. Além disso, que possibilidades tinha de encontrá-lo? Era hora de tomar providências no assunto e se dava conta de que sua irmã começava a entendê-la.
― E não se esqueça de Bárbara. Ela não teve tanta sorte como você. Timmy é um céu e ela o quer como se fosse filho dela, mas nós duas sabemos que a adoção é o último recurso, quando todo o resto falhou.
Lynne tomou a mão de sua irmã.
― Carinho, que eu tenha tido problemas para ficar grávida não significa que você os vá ter.
― Mas não quero esperar até o último momento para saber. Além disso, não conheci um homem decente em dois anos. Dentro de nada terei trinta e continuarei tentando me atirar em cima de alguém. Por favor, compreenda-me. Necessito de apoio.
Ali olhou para Lynne, esperando que ela entendesse a seriedade de sua decisão.
― Vejo que está decidida – suspirou sua irmã por fim – Bom, se o que queria era minha benção, já a tem.
Ali desejava saltar da cadeira para abraçá-la.
― Obrigada Lynne, significa muito para mim. – Sorriu aliviada – O que você acha que Bárbara dirá?
― Provavelmente o mesmo que eu. Primeiro dirá que está louca e depois que faça o que achar melhor.

Nunca fomos capazes de te diz não pra tudo, irmãzinha, e você sabe.


Irmãzinha. Esse era o problema. Às vezes se perguntava se seu desejo de ter um filho não era uma forma de fazer com que suas irmãs deixassem de vê-la como uma menina. Sempre a tinham tratado desse modo, embora morasse sete anos sozinha e estava indo muito bem. Exceto nas relações amorosas. Os homens seguiam sendo um enigma para Ali.
― E falando em Bárbara – disse, mudando de assunto – O que acontece com a volta de Tom a Detroid?
― Pensava que voltariam antes do Natal, mas têm que esperar até a primavera – respondeu sua irmã, olhando a seu redor. – Por favor, te incomodas de jogar uma toalha? – sussurrou – Neste hospital há um montão de homens bonitos e não acredito que todos estejam casados.
Ali suspirou frustrada. De novo aquele assunto.
Ela não estava procurando um médico. A experiência a tinha mostrado. E, se, além disso, era bonito, era melhor esquecer o assunto. Provavelmente tinha um ego do tamanho de Saturno.
Mas Lynne pensava de forma diferente.
― Olhe esse loiro, o alto do canto.
― Por favor, Lynne. Deve medir dois metros. Justo o que me falta, um homem que meça quarenta centímetros a mais que eu.
E esse com pinta de estudioso, o de óculos? – Insistiu Lynne.
― É homossexual.
― Como sabe?
― Não sei. – Riu Ali – Mas poderia ser. O assunto voltaria a aparecer. Sua irmã era imbatível ao desânimo.

― O que?


― Abaixe a voz – disse Brad Darling, olhando ao seu redor. ― Ouvistes perfeitamente.
― Mas, porque vais fazer… Isso? – perguntou Craig, escondendo a cara detrás de seu copo de suco, como se temesse que alguém pudesse ler seus lábios.
Brad riu gostosamente.
― Porque é rápido, fácil e lhe pagam muito bem. Nem todos nasceram em um berço de ouro como você, Craig.
― E quantas vezes tem-no feito? – Perguntou Craig.
― Hoje vai ser a primeira vez. Há uma clínica de fecundação assistida na nova ala do hospital e vou assim que terminar de comer. – respondeu Brad, perguntando-se se teria feito bem em contar ao seu amigo.
― E não tem medo de que alguém o reconheça?
― Por favor, Craig, não vou cometer nenhum crime.
― Mas tem uma reputação a manter. É médico…
― Apenas.
― Bom, somos residentes no hospital, mas ainda assim…
― Olhe, não vou de jaleco. Trocarei de roupa e entrarei pela porta principal, como se chegasse da rua. Se alguém me vir, que me veja. – Du de ombros Brad – Mas tão pouco penso em me anunciar.
Crag soltou uma gargalhada.
― Já posso imaginar as brincadeiras: “Brad, te interessa uma visita ao banco de esperma? Não tinham me dito que ganhas o salário com o suor da sua… mão.”
― Muito engraçado. – disse Brad, dando uma última dentada no sanduíche. – Tenho que ir. Falamos-nos depois.
― Até te diria: “Não faça nada que eu não faria”, mas…
― E é assim. Vão me pagar por isso. – sorriu Brad, pegando sua bandeja.
Desejava estar tão seguro como tinha feito Crag acreditar, mas na realidade, estava engasgado.
E Craig tinha razão sobre uma coisa. Se seus companheiros ficassem sabendo o que iria fazer, passariam um bom tempo rindo aos seus custos.


CAPÍTULO DOIS

Às duas da tarde, Ali abriu seu romance e, escondendo-se atrás do computador, começou a ler da onde tinha parado:


Sabia que seria naquela noite. A luz das velas iluminava o local e a chaminé estava acesa. Levantou sua taça de champanha…
Pelo amor da minha vida – brindou com um olhar tão intenso que a enjoava. Depois, deixou a taça sobre a mesa e a tomou em seus braços. Seus olhos cravados na boca feminina, seus lábios aproximando-se até que…
― Darling – escutou Ali, confusa.
― Sim – murmurou ela, com os olhos semi-fechados.
― Brad Darling. Tenho uma entrevista.
Ali saiu de seu romântico estupor e ficou atônita ao ver frente a ela o homem da cafeteria.
― Ah… Sim, claro. – murmurou, fechando o romance e procurando no arquivo. Mas quando voltou a levantar os olhos, ele sorriu e ali teria jurado que o ar condicionado tinha deixado de funcionar.
Rapidamente, desviou o olhar e se concentrou no relatório. – Vejo que fez os testes preliminares e parece que está tudo em ordem. – disse sem olhá-lo ― Quantas vezes pensa vir?
― Perdão?
― Uma vez na semana, no mês?
― Pois... – começou a dizer ele, esclarecendo a garganta. Ali se deu conta de que ele estava nervoso. Era normal na primeira vez. ― Não sei, digamos que uma vez na semana.
― Hoje tudo bem pra você?
― Sim. Tudo bem pra mim.
― Se não se importa, sente-se, alguém o atenderá imediatamente.
Enquanto chamava a enfermeira para informar que tinham um doador esperando, Ali o observou pelo canto do olho. Usava uma camisa azul e jeans gastos, que lhe caiam como uma luva. Gostava mais assim do que com o jaleco do hospital, embora no jaleco também ficasse maravilho...

“Mas no que está pensando?”, disse-se irritada. Ali era a primeira que criticava os homens por fixar-se somente no físico de uma mulher. Além disso, ela nunca sairia com um médico. Todos os médicos se acreditavam tocados pela mão de Deus... “Droga!”, pensou. Tinha ido ali com a esperança de criar pequenos deuses. Sua contribuição à raça humana.


Ali colocou o relatório no arquivo, repreendendo a si mesma por seus frívolos pensamentos. Felizmente, a enfermeira logo o levaria dali.
Mas a enfermeira não saía e, cinco minutos mais tarde, o homem se aproximou dela e lhe deu de presente um sorriso tão ofuscante como o de Brad Pitt.
― Sabe quanto tempo terei que esperar? Tenho que voltar ao trabalho.
Se fosse loiro, poderia ser o dobro de seu ator favorito, pensava Ali.
― Vou ver o que está causando o atraso – murmurou levantando-se. Mas o homem estava posicionado entre sua escrivaninha e a porta do corredor e não lhe deixava espaço para passar. Ali ficou olhando o pêlo escuro que aparecia pelo botão aberto da camisa, esperando que ele se afastasse. Como não o fazia nervosa, levantou o olhar.
Grande engano.
Os olhos do homem eram muito azuis. Muito intensos.
A porta se abriu atrás deles e os dois se viraram de uma vez.
― Senhor Darling? – chamou a enfermeira.
― Sim - respondeu ele, sorrindo uma última vez antes de afastar-se.
Ali voltou a senta-se, suspirando. Pegou o romance e, depois de um último olhar ao descamisado herói da capa, guardou-o na bolsa. Possivelmente sua irmã tinha razão. E, certamente, aquele não era o melhor lugar para ler romances de amor.
Felizmente, o telefone começou a tocar e o trabalho a fez esquecer momentaneamente aqueles incríveis olhos azuis.
Mas quando Brad Darling passou na sua frente, uns minutos mais tarde, seguiu-o com o olhar.
E, nesse momento, uma idéia começou a tomar raízes.
Brad caminhava com pressa, zangado consigo mesmo. O que lhe tinha acontecido? – perguntava-se. Paquerar com uma empregada do banco de esperma que pensava visitar uma vez na semana...

“Muito inteligente, certamente”, disse-se.


Tinha que esquecer daquela garota por completo. Embora parecesse uma das salva-vidas da praia e tivesse um coeficiente intelectual acima de cem. Ele não tinha tempo para fazer vida social. Ao menos até que tivesse lugar fixo como medico do hospital. E inclusive não teria problemas para pagar o aluguel.
Enquanto colocava o jaleco na sala dos médicos, Brad tentava não recordar os anos que demoraria a devolver o empréstimo de 120.000 dólares com que tinha pagado seus estudos.

Mesmo assim, durante o dia, suas preocupações monetárias foram substituídas pela imagem daquela garota. Recordava seu longo e sedoso cabelo loiro, perguntando-se que aspecto teria quando estivesse despenteada, com o cabelo caindo sobre seu rosto...


Quando as coisas começaram a se acalmar, por volta de meia-noite, Brad encontrou uma cama vazia e se deitou para dormir um pouco. Como sempre o dia tinha sido longo e exaustivo. Suspirando, fechou os olhos... Ali estava ela de novo.
Ali tinha ficado na cafeteria do hospital com Michelle Singleton, a programadora de informática que a tinha ajudado a conseguir o emprego na clinica. Tinha conhecido Michelle em seu emprego anterior e, quando ela apresentou sua demissão, farta dos arrogantes cirurgiões, ali lhe tinha pedido que a ajudasse a procurar outro emprego. Após isso, ficaram muito amigas.
Ali chegou uns minutos adiantada e escolheu a mesma mesa do dia anterior, mas daquela vez se sentou na cadeira que tinha ocupado sua irmã. As pessoas são animais de costume, pensava, e se o homem dos olhos azuis se sentava no mesmo lugar, poderia olhá-lo à vontade.
Michelle chegou sorrindo uns minutos mais tarde.
― Que tal o trabalho? – perguntou, deixando a bandeja sobre a mesa.
― Muito bem.
A mesa atrás de Michelle continuava vazia e as duas conversavam enquanto comiam, até que Ali encontrou coragem suficiente para contar a sua amiga a razão pela qual a tinha chamado.
― Eu gostaria de te fazer uma pergunta pessoal, mas se não quiser responder, eu vou entender.
― Não posso imaginar o que pode ser tão pessoal, mas pergunte.
― Sua inseminação – disse Ali, direta ao ponto. Michelle lhe tinha dito que tinha ido há clínica uns anos antes e Ali queria que lhe desse detalhes.
― Ah, isso – sorriu Michelle – O que quer saber?
Antes de responder, Ali lhe contou que tinha decidido ter um filho e que fez os testes em outra clínica de inseminação artificial que trabalhava em coordenação com a do hospital de Detroid.
― Sim, é melhor que tenha feito em outra clínica. Assim economiza as fofocas. – disse Michelle – Me surpreende que tenha tomado essa decisão sendo tão jovem, mas suponho que tenha suas razões.
― A verdade é que ainda tenho certas reservas. Vai parecer uma bobagem, mas... Não te assustava pensar que não conhecia o rosto do pai e, que...? – Nesse momento Brad Darling entrava na cafeteria e Ali deixou a frase pela metade.
― Pois sim – disse Michelle. Ali não podia deixar de olhar o homem dos olhos azuis, que, como esperava, sentou-se no mesmo lugar do dia anterior e se dispôs a ler o jornal, aparentemente sem reparar nela. ― Por isso inventei o homem dos meus sonhos.
― O homem dos seus sonhos? – repetiu Ali, tentando concentrar-se na conversa.
― Soa patético, mas olhava fotografias nas revistas procurando o rosto do homem pelo qual me sentiria atraída.
― E o encontrou?
Michelle sorriu. ― Nas revistas não. Conheci Kevin em um cruzeiro no mesmo dia em que me inseminaram. E você já conhece o resto da história.
Ali voltou a olhar por cima do ombro de Michelle e se encontrou frente a um par de intensos olhos azuis. Brad Darling estava olhando-a com expressão de estupor. Possivelmente estava tentando recordar onde a tinha visto antes. Ou possivelmente sabia onde e se sentia envergonhado.
― Ali, você está bem?
― Hã? Sim. Tinha me perdido um momento. Acontece muitas vezes. – respondeu ela.
― Isso era tudo que queria perguntar?
― Não pense que sou uma covarde, mas lhe fizeram mal?

― Mais do que tinha imaginado, mas é muito rápido. Muito mais rápido que o resultado do processo, te garanto – sorriu sua amiga. – Estou certa de que ouvirá muitas histórias quando chegar o momento.


Por cima do ombro de Michelle, Ali viu o olhinhos azuis sair da cafeteria com a bandeja na mão.
Caminhava com segurança, mas não com arrogância e de novo se fixou em seus musculosos braços e suas largas pernas. Bons genes, pensava. Que mais poderia pedir?
― Já marcou uma hora?
Brad Darling desapareceu e Ali voltou a dar a Michelle toda sua atenção. Nem sequer havia dito aquilo a sua irmã, mas se sentia mais confortável com sua amiga. Além disso, estava desejando contar a alguém, e quem melhor do que sua amiga que já tinha passado por isso?
― Pois... Qualquer dia desses.
― É maravilhoso Ali. – disse Michelle tomando sua mão. – Te desejo sorte. Conte comigo para o que quiser.
― Obrigada – sorriu ela. Gostava de falar com Michelle porque não a tratava como se fosse uma menina. Embora fosse da idade de Bárbara e Lynne, sempre a tinha tratado como uma adulta.

Enquanto saiam da cafeteria, Ali se sentia tentada a lhe contar mais, por exemplo, que acreditava ter encontrado ao pai de seus sonhos. Mas no final decidiu que era melhor guardar pra si mesma.


Mais tarde, em seu apartamento, Ali estudava a lista de potenciais doadores em sua base de dados. Depois tirou da bolsa o número de ordem de Brad Darling e o contrastou com os dados da clínica de fecundação assistida. Encontrou-o na página cinco. Dizia:

Um metro e oitenta centímetros, setenta e cinco quilogramas, olhos azuis e cabelos escuros. Campo de trabalho: medicina.


Antes que pudesse mudar e opinião, pegou o telefone e ligou pra clínica. Quando a enfermeira respondeu a ligação, Ali se identificou e, com a voz tensa, disse o número de doador que tinha selecionado. A enfermeira lhe assegurou que tudo estaria disposto para o dia em que ela estivesse preparada.
Mas não foi até sábado pela manhã, o dia do jogo, que Ali descobriu que era o momento. Fez o teste duas vezes e comprovou que estava ovulando. Felizmente, a clínica estava aberta e lhe disseram que não havia nenhum problema.
Seu coração pulsava a toda velocidade enquanto conduzia pela auto-estrada e, antes de entrar na clínica, voltou a repassar mentalmente as razões pelas que tinha tomado àquela decisão: os problemas de fertilidade de sua família, que não tinha encontrado nenhum homem que a interessasse, que tinha elegido um bom doador... Ali ficou pensando neste último. Ela não pensava em pedir ao olhinhos azuis que mantivesse seu filho, não queria nada dele. Só queria ver um rosto detrás da ria seringa de injeção.
E por fim, pensou no cuidado de seu filho. Suas irmãs poderiam ajudá-la se desejasse voltar a trabalhar e, se não fosse assim, felizmente a herança de sua mãe lhe permitiria ficar em sua casa cuidando de seu filho. Ali fechou os olhos, imaginando a suave pele de um menino, o aroma de talco... E os preciosos olhos azuis de seu pai.
Sim, era o momento de fazê-lo. Aquele era o dia.

CAPÍTULO TRÊS

De volta em sua casa, Ali secava uma lágrima.

Tudo tinha ido bem. Muito bem. De uma forma fria, eficiente. Ali acariciava o ventre com a mão. Na clínica a tinha advertido que não tivesse muitas esperanças, que frequentemente tinham que tentar varia vezes. Mas não tinham advertido de que se sentiria tão triste.
Ela desejava um filho, mas em seus sonhos sempre tinha existido um homem maravilhoso que a adorava, a quem amava com total abandono e que a abraçaria em um momento como aquele.

Nunca havia se sentido mais só em sua vida.


Ali fechou os olhos, tentando imaginar os olhos azuis de Brad Darling. Mas era só uma imagem imprecisa.
O telefone começou a tocar. Era Lynne.
― Irei te buscar em vinte minutos. – disse sua irmã – Ali não respondeu. ― Você está bem?
― Hã? Sim. Só estou um pouco cansada.
― Bom, pois se anime. Faz um dia lindo pra ir ao jogo.
Ali pendurou o telefone e se levantou do sofá. Aquele era um dia para celebrar, não para estar pensando tolices, dizia-se. Estava levando o assunto com muita seriedade.
O jogo seria uma boa diversão... Enquanto não contasse a Lynne o que tinha feito. Não, antes de contar a sua irmã, assegurar-se-ia de que tinha noticias a lhe dar.
Enquanto colocava um jeans e uma camiseta, se olhava no espelho.
Tinha um aspecto diferente? Perguntava-se. Em realidade, não. Mas, quando saía de seu apartamento, sentia como se tivesse um letreiro luminoso sobre a cabeça, anunciando o que tinha feito.
Quando faltavam cinco minutos para terminar a primeira parte, o Michigan ia ganhando.
― Vou tomar um refresco antes que derreta – disse Ali, voltando-se para sua irmã. ― Quer algo?
― Um cachorro quente com mostarda e uma Coca-Cola. – responde Lynne – Quer que eu vá contigo?
― Não precisa. – respondeu ela.
Ali se levantou de seu lugar e se dirigiu a barraca de cachorros quentes no que, felizmente, só havia duas pessoas.
― Ali! – ouviu uma voz atrás dela. Quando se virou, viu Michelle e as duas mulheres se abraçaram. ― Não sabia que vinha ao jogo. Poderíamos ter vindo juntas.
― Estou com a minha irmã Lynne. Veio com seu marido?
― Sim, está por ai, veio com dois médicos amigos dele. – Respondeu sua amiga.
Ali estava com vontade de lhe contar o que tinha feito naquela manhã, mas tinha começado a formar a idéia e temia que alguém a ouvisse. Imaginava toda aquela gente em completo silêncio assim que pronunciasse as palavras banco de esperma e teve que conter uma gargalhada ― Porque não jantamos todos juntos?
― Por mim ótimo. Perguntarei a Lynne.
― Será impossível nos encontrarmos quando terminar a partida, assim nos veremos no State Grill – disse Michelle.
― Muito bem. Se não pudermos ir, te ligo essa semana. – se despediu Ali, depois de comprar os refrescos.
Quando voltou para o seu lugar e perguntou a sua irmã se gostaria de ir jantar, Lynne aceitou encantada.
Ao final da partida, as calçadas estavam cheias de fãs do Michigan festejando sua equipe.
A alegria era contagiosa e Ali levantou o rosto para o céu. O entardecer era lindo, tinham desfrutado de um bom jogo e, o mais importante, um de seus sonhos poderia tornar-se realidade naquele dia. Seu estado de ânimo tinha mudado completamente.
― No que está pensando? – perguntou Lynne.
― Em nada. Quero que conheça Michelle – sorriu Ali, quando estacionavam em frente ao State Grill.
O restaurante estava abarrotado e Ali viu Michelle lhe fazendo gestos de uma mesa do fundo.

Sentado ao seu lado estava Kevin, seu marido, um homem de aspecto distinto e sorriso muito agradável.

Mas quando os dois jovens médicos que os acompanhavam se viraram, Ali ficou sem ar. Era ele!
Lynne tinha sentado ao lado de Michelle e, com seu habitual desembaraço, apresentou-se ela mesma. Só ficou um lugar livre. Ao lado de... Ele.
Michelle apresentou o seu marido e aos dois homens, Craig e Brad. Ali se deu conta de que Brad a tinha reconhecido e, por sua expressão, não parecia lhe fazer nada de bom encontrar-se com ela.
― Ali me disse que tem gêmeos – estava dizendo Lynne nesse momento – Muito trabalho.
― É mesmo, mas temos muita sorte com as babás. Suas avós devem estar os mal-criando agora mesmo.
― As duas avós ficam com os meninos?
― Bom, na realidade não são suas avós. Minha mãe morreu antes que nascessem os gêmeos e a mãe de Kevin vive na Europa. São duas senhoras melhores às que virtualmente adotamos como avós – explicou Michelle.
― Millie e Hazel são voluntárias no hospital e duas pessoas de cuidado – riu Kevin ― As conhecemos em um cruzeiro, no dia em que Michelle e eu nos vimos pela primeira vez.
Depois, Michelle explicou o papel de cupido que tinham feito às duas senhoras, mas Ali quase não prestava a atenção porque sentia dois intensos olhos azuis cravados em seu rosto. Felizmente, a conversa derivou para o trabalho e Brad distraiu em uma conversa com Brad.
Aproveitando que ele tinha deixado de olhá-la, Ali estudou o seu perfil.

Gostava de como caía à franja sobre sua testa, lhe dando um aspecto juvenil e despreocupado. E seus olhos seguiam sendo tão azuis como recordava. Brilhantes, profundos...


Na realidade, gostava de tudo nele. E sua proximidade a estava deixando muito nervosa. Tudo aquilo era absurdo. Estavam sentados um ao lado do outro, como se não passasse nada, enquanto poderia levar o filho daquele homem em seu ventre.

E, apesar do absurdo da situação, sua imaginação não deixava de trabalhar. Perguntava-se se poderiam sair alguma vez, se gostaria de ir dançar, se...

“Você está ficando louca” Disse-se a si mesmo. Podia imaginar a apresentação: “Está é Ali, trabalha no banco de esperma que sou doador.”.
― Ba! É mais tarde do que eu pensava. – disse Craig, quando terminaram de jantar.
― Tem uma entrevista? – sorriu Brad.
― A verdade é que sim. Mas não estava pensando nisso. Estava pensando que será noite quando chegarmos a casa.
― Não se preocupe Craig, o homem do saco não existe.
― Muito obrigado simpático. Mas eu estava pensando em sua garota – replicou seu amigo. Ali ficou gelado ao ouvir aquilo. ― Sally estará na janela, esperando que chegue. Como todas as noites.
― O que acontece é que está com ciúme porque não tem ninguém te esperando. – brincou Brad, enquanto todos riam. Todos menos Ali.
Porque lhe incomodava que Brad tivesse uma garota? Perguntava-se. E o que significava isso, que tinha noiva ou que estava casado? Em qualquer caso, estava claro que vivia com uma mulher.
Ali ficou um pouco para trás enquanto saíam do restaurante. Não queria que ninguém visse sua expressão. Porque tinha acreditado que aquele homem tão bonito estaria solteiro? Perguntava-se.

Embora ficasse tudo igual. Nunca tinha pensado em ter relações com ele. Brad Darling não era nada mais que um rosto pra ela.


Entretanto, enquanto se despediam, dava-se conta que tinha esperando muito mais.
― O que aconteceu? – perguntou Lynne quando se dirigiam ao carro.
― O que?
― Brad – respondeu sua irmã. ― Parecia o homem perfeito pra ti, mas já tem uma garota. – sorriu, passando o braço por seus ombros.
― O que posso fazer – murmurou Ali.
Lynne permaneceu calada durante quase todo o caminho e ela agradeceu. Estava cansada de dissimular. Não tinha por que enganar Lynne, poderia ter lhe contado a verdade. Mas se sentia muito vulnerável para suportar as recriminações de sua irmã. Além disso, tinha seu orgulho. Lhe contar que se sentia triste, seria como admitir que tinha cometido um engano.
E não era assim, dizia a si mesma. Seria uma boa mãe e daria a seu filho todo o amor do mundo. Para isso tinha feito o que tinha feito. Se tinha cometido algum engano, tinha sido deixar voar sua imaginação sobre o homem dos olhos azuis.
Se ele tivesse seguido sendo um estranho, dizia-se. Mas conhecê-lo, compartilhar um jantar, ter amigos comuns...
Simplesmente, tinha que tirar Brad Darling de seus pensamentos.
Mas quando estava sozinha em seu apartamento, parou diante da janela que dava para o rio, perguntando-se se Brad continuaria indo a clínica, se sua garota saberia que era doador de esperma, se haveria se sentindo tão incomodo naquela noite como ela. Mas, sobre tudo, perguntava-se o que ele estaria pensando naquele momento.
Craig e Brad desceram do carro no Greektown, insistindo em não desviar os Singleton do seu caminho.
Brad era o que morava mais perto, em um pequeno apartamento na Rua Monroe, a menos de um quilometro do hospital, o que era muito conveniente porque não podia contar que seu velho cachorro arrancasse todos os dias. Embora, na realidade, preferia voltar caminhando do hospital, para clarear as idéias. Nem sempre era possível deixar o trabalho pra trás, especialmente quando se tratavam de casos terminais.
Mas naquele dia tinha tido sorte. Todos os seus pacientes estavam em condição estável e tinham desfrutado do jogo sem preocupar-se com nada. Tudo tinha sido perfeito, o tempo, o jogo, a companhia. Tudo até que...
Brad sacudiu a cabeça, tentando tirar Ali de seus pensamentos. Que curioso o destino, que fazia ambos se encontrarem continuamente, dizia-se. Primeiro na clínica, o que lhe tinha dado estimulo suficiente para fazer o trabalho que tinha que fazer, depois na cafeteria. E de novo naquela tarde. E cada vez a achava mais atraente.
― O que te aconteceu? Tem cara de preocupado. – sorriu Craig ― Venha, menino, te anime. É sábado de noite. Vamos pra festa.
― Não trabalhas amanhã?
― Não. E você?
― Alguém tem que fazer com que o hospital funcione.
Seguiram caminhando sem dizer nada e Brad pensou que Craig não iria mencionar Ali. Mas tinha se enganado.
― O que você achou?
― A que te referes?
― A Ali, homem! Não tem sangue nas veias?
Brad encolheu os ombros, tentando aparentar desinteresse.
― Não sei. Não nos falamos muito.
― E o que isso tem a ver? Não viu como ficava a camiseta? – riu seu amigo, fazendo um gesto muito descritivo. ― Acreditei que iria explodir a qualquer momento. Eu acredito que seja loira natural. E que olhos! Nunca tinha visto olhos de cor violeta. São como os de Elizabeth Taylor.
Brad teve que rir, apesar de tudo.
― Porque não a convida para jantar?
― Eu? Não me olhou nenhuma só vez – disse Craig. ― Só tinha olhos pra ti.
― O que disse?
― Ficou te olhando durante todo o jantar, Brad. Quase não provou um pouquinho.
― Por favor...
― Sério. Porque não a convida para jantar?
― Não.
― Mas, o que você é, uma espécie de monge? Não lembro quando foi a ultima vez que te vi com uma mulher. Durante o terceiro ano de medicina? – riu seu amigo. Brad ignorou a pergunta. Os dois lembravam como tinha terminado sua história com Valerie. ― Me dê uma boa razão para não convida-la para sair.
― Estou muito ocupado.
― Vamos, homem! – exclamou Craig. ― Eu também estou muito ocupado, mas sempre há tempo para conhecer outras pessoas.
― Eu não tenho a sua energia – insistiu ele. “Nem seu dinheiro”, se pudesse acrescentar. Um fato que Craig nunca se dava conta. Ainda assim, Brad sabia que nem o tempo, nem o dinheiro eram as razoes pra evitar Ali.
― Mas tem que passar bem alguma vez.
― Hoje passei bem.
Craig parou no meio da rua, como se acabasse de ter uma idéia brilhante.
― Poderia me informar de onde trabalha...
― Esquece, Craig – interrompeu Brad irritado.
― Parece que tem algo estranho. Tenho razão? Perguntou seu amigo.
Brad suspirou. Só havia uma forma de fazer Brad se calar, e era contando a verdade.
― Sim. Mas não quero ouvir nada, já lhe advirto isso.
― Me conta.
― Trabalha na clínica.
― Que clínica? Perguntou Craig. Brad fechou os olhos. ― Não! Não me diga que...? Brad assentiu. ― Está certo que não quer que saiamos esta noite?
― Estou certo.
― Você que está perdendo. – murmurou Craig.
Tinha se passado muito tempo desde a ultima vez em que Brad tinha se sentido atraído por uma mulher, mas durante o jantar, a proximidade de Ali lhe tinha feito sentir algo especial. Era estranho. Apenas se tinha dirigido à palavra e, entretanto...
Craig parou em frente um bar e, quando duas enfermeiras do hospital saíram para saudá-lo, Brad, despediu-se e seguiu caminhando para sua casa. Ia passar a noite pensando no que fazer com Ali...
Embora não houvesse nada para pensar, dizia-se. Mas, se houvesse, preferia pensar em sua cama a um local com a música a todo volume.
Sua caseira estava sentada frente à janela do primeiro piso, como sempre, observando o mundo de sua cadeira de balanço.
― Já vais dormir? – sorriu Sally, quando Brad entrou no vestíbulo.
― Sim. – suspirou ele.


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S%C3%A9rie%20Multi%20Autores -> Editora nova cultural ltda


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