Uma metodologia para aprendizagem da geometria baseada em perfis intelectuais dos alunos



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UMA METODOLOGIA PARA APRENDIZAGEM DA GEOMETRIA

BASEADA EM PERFIS INTELECTUAIS DOS ALUNOS

NO NÍVEL FUNDAMENTAL
Eliana Moreira de Oliveira – Colégio Santa Cecília – elianaoliveira2001@yahoo.com.br
1.INTRODUÇÃO

A Geometria é considerada como um instrumento em que o indivíduo pode: descrever, interagir e compreender o espaço onde vive (ICMI, 1995).

Presente no processo ensino-aprendizagem, possibilita o aluno desenvolver habilidades ao conduzi-lo na solução de situações práticas e lúdicas, como por exemplo: na orientação para dirigir um veículo, na utilização de um mapa, ou mesmo, para jogar uma partida de xadrez ou futebol.

Essas são algumas atividades que necessitam de conhecimentos geométricos, pois se relacionam com noções de espaço e localização. Noções estas que poderiam ser melhores desenvolvidas nos alunos, caso a escola oferecesse mais oportunidades de se trabalhar conteúdos da Geometria em suas salas de aula.

Observa-se que a Geometria é uma disciplina que oferece ao aluno possibilidades, frente a situações-problema, para desenvolver suas potencialidades. Para Lorenzato (1995) ela é um dos ramos da matemática mais propícia ao desenvolvimento de capacidades e habilidades, a saber: a criatividade, a percepção espacial, o raciocínio hipotético-dedutivo, conduzindo a uma “leitura interpretativa” do mundo.

Desta forma, por ser uma disciplina que não contempla apenas uma capacidade ou habilidade, favorece a conexão de vários estilos de aprendizagem que possam existir na sala de aula durante o processo de apreensão de seus conteúdos por parte dos alunos.

A importância da Geometria para o processo de ensino-aprendizagem justifica-se pelas competências que podem ser desenvolvidas nos alunos, frente suas relações com as outras áreas do saber e a possibilidade de se trabalhar com as diferenças individuais dos alunos.

Assim, a junção das competências individuais combinadas com recursos tecnológicos, materiais manipulativos, livros didáticos, jogo e outros, são meios de aproveitar e estimular parcerias para o desenvolvimento cognitivo dos alunos.

Portanto, ao se fazer uma análise das possibilidades de conexão entre a Geometria e as capacidades e habilidades do aluno, argumenta-se que o processo de ensino-aprendizagem, moldados sobre as potencialidades e inclinações, conduz a criar ambientes educacionais que estimulem o potencial individual, assim como o grupal (GARDNER, 1995).
2.Delineando Propostas para as Aulas de Geometria na Educação Fundamental sob a Percepção do Perfil Intelectual dos Alunos, baseada nas Inteligências Múltiplas de Gardner

Howard Gardner (1983) e sua equipe de pesquisadores da Universidade de Haward propuseram a teoria das inteligências múltiplas, em que enfoca a inteligência como uma forma de analisar as capacidades cognitivas de um individuo de maneira mais diversificada.

Considera-se que a teoria das inteligências múltiplas busca abranger a diversidade de capacidades dos indivíduos e para alcançar este objetivo é preciso criar ambientes educacionais sensíveis à heterogeneidade dos alunos presentes na sala de aula, com suas competências variadas, sejam lingüísticas, espaciais, lógico-matemática, pictóricas, intrapessoais, musical, corporal-cinestésico e/ou outras.

Na concepção de Gardner (1987) esse conjunto de capacidades, limitações e preferências significam as variadas formas de acessar o conhecimento e a aprendizagem, dessa forma um estudante pode ter dificuldades em determinadas áreas, mas bom desempenho em outras.

É uma teoria que ocasiona reflexões na educação sobre novas possibilidades de uma organização nos componentes curriculares. Neste contexto, a Matemática e em particular a Geometria como parte dessa organização podem se inserir nesta proposta.

As competências do aluno identificam o seu perfil individual segundo as suas potencialidades cognitivas, suas inclinações e dificuldades, bem como suas propensões intelectuais específicas (lingüística, lógica, espacial e assim por diante).

Segundo Gardner:
A identificação de potencialidades, entretanto, pode ter um efeito mais integral sobre a realização educacional. Às vezes é possível usar uma área de potencialidade como “ponto de entrada” para uma área em que havia dificuldades. Por exemplo, [...] uma criança especialmente talentosa em narrativas pode entrar em contato com conceitos matemáticos musicais ou científicos através do confortável veículo de uma história (1995, p. 177).
A observação das competências do indivíduo favorece a construção do conhecimento através dos vários “pontos de entrada”.

O termo “ponto de entrada” relaciona-se a afinidade intelectual mais presente no aluno para conduzi-lo no processo de aprendizagem. Sendo importante notar que:


[...] quase todos os conceitos que valem a pena ser entendidos podem ser conceitualizados de várias maneiras, e representados e ensinados também de várias maneiras. [...] Dada uma variedade de pontos de entrada, deve ser possível encontrar pelo menos um que seja adequado a cada aluno (GARDNER, 1995, p. 195).
Gardner (1994) afirma que uma aula de Geometria pode valer-se dos seguintes pontos de entrada, como as competências: espaciais, lógicas, lingüísticas ou numéricas.

No tocante à dimensão lingüística, a forma de estabelecer uma conexão para o estudo dos conteúdos geométricos é propor ações, como por exemplo:



  1. Contextualizar a Geometria usando a sua história;

  2. Abordar a sua linguagem própria;

  3. Elaboração de textos pelo aluno sobre a compreensão dos conteúdos geométricos.

A inteligência espacial é outra referência de interface entre a Geometria e as competências. Relativo à compreensão espacial está associada à capacidade de “perceber o mundo com precisão, efetuar transformações e modificações sobre as percepções iniciais e ser capaz de recriar aspectos da experiência visual, mesmo na ausência de estímulos físicos relevantes” (GARDNER, 1995, p. 135).

A inteligência lógico-matemática relaciona-se com a Geometria como um caminho que leva o aluno a desenvolver o pensamento e a compreensão para alcançar o nível mais alto de uma teoria formal, permitindo que ele passe do estágio das operações concretas para o estágio das operações abstratas, e assim, para a axiomatização da Geometria.

Nas dimensões da inteligência intrapessoal e interpessoal compõem-se as relações que o indivíduo tem consigo mesmo e com os outros. Do ponto de vista educacional a inteligência interpessoal favorece aos alunos na construção dos conhecimentos geométricos e/ou matemáticos, por meio das interações sociais: na explicação do professor, na discussão com os colegas, na troca de idéias sobre procedimentos, propostas e problemas apresentados.

Ao apresentar as parcerias entre as inteligências e a Geometria (Geometria / Lingüística, Geometria / Inteligências pessoais, Geometria / Percepção espacial. Geometria/ Inteligência Lógico-Matemática) é preciso perceber o fato que essas parcerias listadas não são independentes e isoladas, mas podem se combinar e apresentar interfaces e intersecções entre elas.


3. A Geometria e o Ambiente Computacional

No âmbito da utilização do computador para aprendizagem de conteúdos geométricos o estudo de um ambiente computacional, baseado em objetos de aprendizagem, poderá ser um recurso auxiliar como ferramenta para a construção desse conhecimento.

Os objetos de aprendizagem são recursos digitais, que podem ser vídeos, imagens, figuras, gráficos e outros recursos que são disponibilizados para auxiliar na aprendizagem dos alunos e o ambiente computacional é o suporte para eles.

O termo Objeto de Aprendizagem (OA) citado na literatura muitas vezes como sinônimo de “recurso digital” ou ainda “suporte digital”, encontra em Wiley (2000) sua primeira referência: “sendo qualquer recurso digital que possa ser reutilizado no suporte à aprendizagem”.

No Brasil existem repositórios dos objetos de aprendizagem que são encontrados nos seguintes sites: www.labvirt.futuro.usp.br, www.merlot.org, www.eoe.org, rived. proinfo.mec.gov.br.

Dentre destes repositórios,a Rede Interativa Virtual de Educação (RIVED) tem por objetivo utilizar a tecnologia do computador para melhorar o ensino/aprendizagem nas áreas de Ciências e Matemática e utilizam como apoio a internet.

No RIVED, os OAs são acessados livremente, trazendo variados formatos de apresentação de conteúdos :textos, imagens, animações, simulações e geralmente trazem situações contextualizadas.

O Rived possui diversos OAs para a Matemática e em particular para a Geometria, como o OA “A Matemática e as Artes Visuais”.

Pesquisas realizadas com alunos usando estas novas tecnologias têm demonstrado ser um recurso que promove a aprendizagem pela abrangência de recursos que possui contemplando as variadas habilidades dos alunos. No entanto, o fato de ter acesso à tecnologia não significa necessariamente que as soluções para as dificuldades encontradas na aprendizagem dos alunos serão superadas. É preciso que esses recursos sejam desenvolvidos de forma que contribua para despertar e motivar o processo de aprendizagem, pois se for utilizado como tecnologia de “ponta” com moldes de ensino tradicional, trará pouco significado para os alunos.

Assim, aplicar objetos de aprendizagem que aborde os conteúdos geométricos centrados no perfil do aluno, em que ele seja motivado a ser o participante do seu processo de desenvolvimento cognitivo, tendo liberdade de acessá-los em acordo com as habilidades que mais lhe sobressaem, pode ser uma associação que melhor venha favorecer o processo de ensino-aprendizagem dessa disciplina.


4. Metodologia

Aplicou-se a grupos de alunos de 5ª séries questionamentos subjetivos para que descrevessem como melhor compreendiam os conteúdos geométricos, relacionados às figuras geométricas planas.

Também foram aplicadas as atividades abaixo:

a) Apresentação do filme “Donald no país da Matemágica”, de Walt Disney.

b)Uma atividade sobre o filme,em que o aluno deveria realizar uma história em quadrinho das cenas que lhe chamaram mais atenção.

c) Confecção do Quebra-cabeça tangram. O tangram é um quebra-cabeça que apresenta as figuras geométricas planas.

d) Atividade realizada em sala de aula sobre as figuras geométricas planas, para respondê-la o aluno usou o quebra-cabeça “tangram”.

e)Atividades usando o ambiente computacional.

E ainda solicitou aos alunos que sugerissem propostas para trabalhar os conteúdos geométricos e como sugestão alguns deram à utilização do computador.

Através destas atividades foi possível selecionar os perfis dos alunos desta série e também encontrar ramificações destes perfis, conforme se apresenta na figura 4.1:




Figura4.1- Perfis intelectuais dos alunos selecionados
Os perfis selecionados nesta pesquisa foram: perfil perceptivo viso-espacial, perfil de raciocínio lógico-matemático, perfil lingüístico, perfil múltiplo, perfil interpessoal e intrapessoal. Dentro do perfil perceptivo viso-espacial retirou um perfil pictórico.

Observou-se dentro das sondagens e atividades aplicadas que o perfil perceptivo viso-espacial é o mais evidente entre todas as pesquisas. Uma vez que os alunos sugerem trabalhar com os jogos de xadrez, dama e jogos de bilhar, os desenhos, a construção de maquetes, a localização em mapas e o trabalho com as formas geométricas.

O aluno de perfil lógico-matemático é reconhecido naquele que gosta de problemas lógicos, monta mosaicos com facilidade ou quebra-cabeça, prefere as operações matemáticas e consegue descobrir enigmas.

Os alunos inclinados para o perfil lógico-matemático possuem capacidade para a resolução de situações-problema e conseguem pensar em conceitos abstratos. Também são capazes de elaborar hipóteses, argumentar e encontrar as soluções através de um encadeamento de idéias.

Classificou-se como perfil múltiplo, os alunos que indicam duas ou mais habilidades para desenvolver as suas atividades em Geometria.

Os alunos que também propõem atividades que usam os desenhos, mapas, plantas de casa, favorecem a percepção espacial. No entanto, este aluno pode estar mais direcionado para a habilidade pictórica.

O aluno de perfil lingüístico é reconhecido pela facilidade que tem em escrever até mesmo quando usa os conteúdos de Geometria.. Alunos que possuem este perfil creditam sua aprendizagem através desta habilidade, pois com um desenho, um quadro ou uma paisagem podem escrever uma história associando-os aos conteúdos da Geometria. Estes alunos apontam como idéias interessantes aprender os conteúdos geométricos escrevendo histórias em quadrinhos ou compondo poemas e paródias. Alunos com a habilidade lingüística aprendem melhor quando se expressam por meio da escrita e da fala.

Através de atividades, como a confecção do tangram em sala de aula e as atividades realizadas em dupla na sala de informática, observou-se que os alunos da 5ª série apreciam as interações sociais, pois gostam muito do trabalho em dupla ou em grupo, verificando-se então os perfis com habilidade interpessoal.

.A habilidade intrapessoal é percebida por meio da autonomia e segurança que alguns alunos apresentam nas suas escolhas e na resolução de suas atividades. Os alunos que propõem a realização de pesquisas individuais revelam a habilidade intrapessoal.

Reconhecem-se ainda os alunos de perfil múltiplo como aqueles que gostam de realizar as atividades por meio de mais de uma habilidade, ou melhor, alunos que não expressam com clareza qual habilidade estão fazendo uso.

A seguir (Quadro 4.1) apresenta-se um resumo das características dos perfis intelectuais identificados nessa seleção, baseado nos estudos teóricos de Gardner (1995), porém com adaptações feitas pelos autores do trabalho:


Perfil Intelectual dos Alunos

Selecionados de 5ª Série

Característica dos Perfis

Perceptivo viso-espacial

Tendem a pensar através do espaço tridimensional e precisam de uma imagem mental ou material para sua melhor compreensão.

Lógico-Matemática

Possuem capacidade para a resolução de situações-problema e conseguem pensar em conceitos abstratos. Também são capazes de elaborar hipóteses, argumentar e encontrar as soluções através de um encadeamento de idéias.

Lingüístico

Aprendem melhor quando se expressam por meio da escrita e da fala.

Interpessoal

Apreciam as interações sociais

Intrapessoal

Estes alunos gostam de trabalharem sozinhos e são capazes de aprender de forma independente. Possuem autonomia e segurança nas suas escolhas.

Múltiplo

São alunos que possuem mais de uma inclinação intelectual na resolução de suas atividades

Pictórico

Pode ser considerado um apêndice do perfil perceptivo viso-espacial. Apreciam o trabalho de atividades com desenhos.

Quadro 4.1 – Características dos Perfis de Alunos de 5ª série

A seleção dos perfis de alunos conduz a aprendizagem dos conteúdos geométricos centrado no aluno. A sala de aula vista como um ambiente que apresenta heterogeneidade terá que ampliar as possibilidades para que todos sejam capazes de aprender, não privilegiando algumas habilidades em detrimento de outras.

Esta abordagem de seleção de perfis levou a desenvolver uma metodologia que se baseasse nestes perfis e propõe utilizar os ambientes computacionais. Estes ambientes foram configurados por uma linha construtivista, rompendo com a linearidade, estimulando o raciocínio dos alunos, dando-lhes oportunidade para explorar e descobrir os meios de aprender, permitindo que usem a intuição na perspectiva de fazê-los caminhar para o saber científico.
4.1 Ambientes Computacionais Selecionados para Geometria Associados aos Perfis de alunos de Ensino Fundamental e/ou Médio.

No Quadro 4.1.1 apresentam-se os ambientes computacionais com as respectivas habilidades que podem ser exploradas com os alunos.



Habilidades

Atividades

Softwares / OA

Lógico-matemática

-Identificação de figuras através de suas diferenças e semelhanças;

-Agrupamento de figuras que possuem as mesmas propriedades;

-Classificação de poliedros

- Aplicações diretas de fórmulas, demonstrações e teoremas.



●Cabri Géometre ;

●Geometricks ;

●Geometria da cidade

(http://rived.proinfo.mec.gov.br/)

●Applets do Merlot (http://www.saltire.com/gallery.html) (Geometry Applet Gallery)


Percepção viso espacial

-Orientação espacial, como: busca de ruas em uma cidade, localização de mapas, desenhos de figuras vistas em diferentes ângulos, planificação das figuras 3D e a reconstituição das figuras;

-Simetria das figuras; Plantas de casas ou outros ambientes.

-


●Software Poly( vista das figuras tridimensionais de diversas formas)

●Geometria da Cidade (localização de ruas em uma cidade) (http://rived.proinfo.mec.gov.br/ )

•A matemática e as artes visuais

(http://rived.proinfo.mec.gov.br/ )

•Applets do Merlot (http://www.saltire.com/gallery.html) (Geometry Applet Gallery)

- Cabri Géometre ;

-Geometricks ;


Associado a lingüística e as artes


-Abordam situações-problema que envolvem os conteúdos geométricos relacionados com as Artes ou a História;

-Possuem Gravuras de ambientes que mostram as formas geométricas.



-Objetos de aprendizagem do RIVED como “A Matemática e as artes visuais” com o sub-tema “A arte dos mosaicos”. Abrange a Geometria relacionando com a História dos mosaicos. http://rived.proinfo.mec.gov.br/modulos/matematica/artedosmosaicos/atividade1.htm

O site “Arte e cultura” da tv cultura

http://www.tvcultura.com.br/artematematica/home.html




Quadro 4.1.1 - Ambientes computacionais e suas respectivas habilidades
Abaixo o ambiente computacional “Arte e Matemática” (Quadro 4.1.2) e sua aplicação aos perfis intelectuais. Este site divide-se em várias atividades e para cada uma selecionou-se as habilidades mais específicas que podem ser desenvolvidas com os alunos.





Lógico-matemática

Percepção Espacial

Lingüística e Artes


Arte e Números



Utiliza o espaço bidimensional



Mostra a evolução da arte e da Matemática, como amostra de quadros.

O artista e a Matemática







Relaciona os artesanatos com as formas geométricas.


A ordem

no caos







Apresenta os padrões matemáticos e a relação com os padrões artísticos.

Ex:as obras do Pintor Escher.




Simetria

Apresenta as equações matemáticas como exemplo de simetria.








Forma dentro

da forma




Mostra os objetos no plano bidimensional e no espaço tridimensional

Elabora uma atividade que sugere ao aluno colecionar fotos variadas para identificar as habilidades empregadas por um fotógrafo como a perspectiva.

Forma que se transforma




Estuda os planos e os sólidos




Quadro 4.1.2 - Site “Arte e Matemática” e associação aos “Perfis Intelectuais”

5.Conclusão

Verificou-se que selecionar os perfis de alunos existentes em uma sala de aula é importante para a condução de aprendizagem com eles e em particular para a Geometria, objeto de estudo deste trabalho.

Constatou-se que os alunos não aprendem da mesma forma, visto que ao serem colocados diante de situações-problema que lhes deram a oportunidade de escolher ou sugerir que caminho tomar para sua aprendizagem foram capazes de optar por aquelas que melhor se conectam com suas capacidades, verificando-se então que existem perfis variados presentes na sala de aula.

Assim é possível desenvolver o conhecimento geométrico através de diferentes representações, como a expressão escrita, pictórica, oral e visual e integrar os aspectos intuitivo, experimentais e teóricos que essa disciplina possui.

A diversificação das práticas metodológicas para a aprendizagem da Geometria atinge o meio heterogêneo da sala de aula e as dificuldades desta disciplina são amenizadas, uma vez que se fará a inclusão dos alunos que se diferenciam em suas capacidades e habilidades.

Bem como, oferecer recursos variados e adequados para abranger os diferentes perfis intelectuais dos alunos serão meios auxiliares para que o conhecimento seja construído respeitando a individualidade de cada um, para tanto os ambientes computacionais são uma das ferramentas indicadoras para exercer este papel.

Ressalta-se que a aprendizagem da Geometria no Ensino Fundamental e também no Ensino Médio dar-se-á geralmente utilizando-se o método axiomático, baseado em demonstrações e/ou método calculista, por meio de cálculos e fórmulas e basicamente pelos recursos lápis e papel, giz e lousa, livro-didático e a exposição oral do professor. Esta abordagem metodológica é favorável para o desempenho de alguns alunos, principalmente aqueles com inclinação para o raciocínio lógico-matemático, porém outros não terão o mesmo desempenho.

Alcançar a seleção de perfis intelectuais, não é uma tarefa fácil, pois a investigação demanda diversos meios e processos para chegar aonde se deseja, mas é tarefa da escola identificar as aptidões e habilidades do aluno para que venha a diversificar sua metodologia em função das destrezas intelectuais dos alunos.

Para a inclusão dos alunos, foram utilizados inicialmente os ambientes computacionais, sugestões dadas pelos próprios alunos para a aprendizagem da Geometria. Como existem variados ambientes computacionais inseridos dos conteúdos geométricos, eles foram favoráveis a oportunizar as diferenças individuais dos alunos. Essa ferramenta possui flexibilidade para se adaptar as diferentes necessidades dos alunos, uma vez que têm o potencial de diversificar as formas de apresentar os conteúdos geométricos, quer na apresentação de softwares de Geometria dinâmica, no uso de objetos de aprendizagem, além de outras mídias, os sites e outros materiais que a WEB disponibiliza.

Considera que a aprendizagem da Geometria por meio do ambiente computacional ampliou as condições de aprendizagem destes alunos e favoreceu a metodologia proposta para essa pesquisa, influindo satisfatoriamente para este resultado.

Os fatores favoráveis para esta conclusão, elencam-se:

a) Os alunos foram contemplados com o uso de diferentes representações de um mesmo conteúdo geométrico;

b) A aprendizagem dos conceitos geométricos conduziu-se em consonância com as preferências e perfis intelectuais dos alunos;

c) O aluno explorou o ambiente computacional como uma ferramenta não linear, pois explorou os conteúdos geométricos, segundo seu ritmo e suas inclinações;

d) Os alunos foram construindo o conhecimento geométrico gradativamente, pois passaram por várias etapas, do conhecimento intuitivo ao formal;

e) Tiveram condições de refletirem sobre seus processos metacognitivos;

f) A autonomia na busca do conhecimento ao acessar espontaneamente o ambiente computacional e construir o conhecimento de forma não-sequencial e não-linear.

Percebe-se que a maioria dos alunos estimulou-se em aprender os conteúdos propostos através do ambiente virtual. A visualização oferecida no ambiente virtual foi um fator de motivação para os alunos. No computador puderam ver o movimento das figuras na construção de outras figuras, tiveram a oportunidade de obter resultados mais imediatos e também foi possível fazer a autocorreção, quando cometeram algum erro.

No entanto, precisa-se perceber a importância que o professor tem durante o processo de aprendizagem do aluno, pois o computador contribui, mas ele sozinho, não é capaz de fazer argumentações, instigar o aluno a fazer descobertas, levantar conjecturas. Este papel compete ao professor que usando dos recursos do ambiente virtual, conduz o aluno para uma aprendizagem significativa e para sua autonomia.

Os recursos tecnológicos podem ser adaptados e ajustados, segundo as diferenças individuais dos alunos, pois a variedade de recursos que possuem como som, imagem e dinamismo, podem ser organizados e desenvolvidos para melhorar as condições de acesso a todos.

Nesse sentido, a condução da aprendizagem da Geometria para alunos do Ensino Fundamental, principalmente de 5ª série, baseado em suas inclinações intelectuais, seja perceptivo viso-espacial, lógico-matemática, lingüística, pictórico, interpessoal, intrapessoal e mesmo de perfil múltiplo, virá a ser um meio inicial para que o aluno se sinta motivado neste estudo. Porém, feito essa trajetória preliminar de maneira mais direcionada e dinâmica, o aluno estará pronto posteriormente para a aprendizagem da Geometria dentro do contexto lógico - dedutiva.

Portanto, é papel da escola propiciar espaços de aprendizagem que estejam inseridos de metodologias diversas, como textual, pictórica, visual e interativa, uma vez que darão acesso aos estilos cognitivos distintos presentes na sala de aula. E ainda as tecnologias trazem para a escola uma variedade de recursos didáticos para oportunizar a estes estilos diferentes, uma vez que possuem flexibilidade para se adaptar a diversidade de perfis intelectuais dos alunos.



6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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