Uma realidade eclesial



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UMA REALIDADE ECLESIAL


Comunhão e Libertação (CL) é um movimento eclesial fundado por Dom Luigi Giussani (1922-2005), e hoje guiado por padre Julián Carrón, cujas origens remontam a 1954, quando surgiu como proposta aos jovens nas escolas da cidade de Milão com o nome de Juventude Estudantil (GS). Depois de ter-se difundido rapidamente por toda a Itália, hoje está presente em cerca de setenta países em todos os continentes. Na América Latina existem comunidades de CL nestes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.



O carisma de Cl

CL se auto-define um movimento porque não se configura antes de mais nada como uma nova organização ou estrutura (não há ficha de inscrição), nem como insistência especial sobre algum aspecto ou prática particulares da vida de fé. A essência do carisma dado a Comunhão e Libertação consiste no chamado a viver no presente a experiência cristã própria da Tradição e pode ser indicado por três fatores: antes de tudo, o anúncio de que Deus se fez homem (a admiração, a razoabilidade e o entusiasmo por isto): «O Verbo se fez carne e habita entre nós»; em segundo lugar, a afirmação de que este homem – Jesus de Nazaré morto e ressuscitado – é um acontecimento presente num “sinal” de “comunhão”, isto é, de unidade de povo guiado como garantia por uma pessoa viva, em última instância, o Bispo de Roma; terceiro fator: somente no Deus feito homem, por isso, somente através da forma experimentável de Sua presença (portanto, em última instância somente dentro da vida da Igreja), o homem pode ser homem mais verdadeiro e a humanidade pode ser realmente mais humana. Escreve São Gregório Nazianzeno: “Se não fosse teu, meu Cristo, me sentiria criatura acabada”. E portanto, é da Sua presença que brotam com segurança a moralidade e paixão pela salvação do homem (missão).


A vida de CL tem o objetivo de propor a presença de Cristo como única resposta verdadeira às exigências profundas da vida humana de todos os tempos, e de reafirmar a centralidade do método da Encarnação contra toda redução espiritualista, gnóstica e pelagiana e contra toda separação dualística entre o que se refere ao temporal e o que se refere à fé. Comunhão e Libertação si dirige a qualquer pessoa, sem distinção de idade, de ocupação e de posição social.

Uma presença educativa, cultural e social

Nestes últimos anos, nas sociedades até muito diferentes dos Países nos quais está presente, a realidade de CL foi se esclarecendo em sua natureza de presença educativa, cultural e social.


Numa época em que, por diversas causas, até a política e a batalha das idéias parecem ter perdido capacidade de envolvimento popular, o movimento mira à raiz de todas as crises sociais e políticas: a crise da educação. Mediante a ação social e também política de aderentes e simpatizantes, não se cansa de propor a questão que marcou outrora uma das primeiras batalhas de GS na década de 50: o direito à liberdade de educação. «Mandai-nos sair nus, mas deixai-nos a liberdade de educar» era e é um slogan de CL. Nessa liberdade, de fato, confluem todas as liberdades autênticas que uma sociedade não opressora deve garantir e valorizar: desde a liberdade de empreendimentos até a de associação.
Do ponto de vista da vida do movimento, as últimas décadas são marcadas pela centralidade sempre maior do momento de catequese semanal denominado Escola de comunidade e pelo crescimento da experiência dos grupos de Fraternidade, grupos livremente formados por adultos que empenham a própria vida no desejo da santidade mediante uma «regra» de ascese pessoal, de comunhão vivida e de caridade.
No método educativo de CL existem alguns gestos que têm um valor fundamental. São eles: a oração comunitária, a Escola de comunidade, a caritativa, as férias comunitárias, a leitura, o canto e o fundo comum. São gestos “fundamentais”, mas nenhum deles é considerado obrigatório. A experiência de CL, de fato, antes de visar a definição rígida daquilo que qualifica o pertencer ao movimento, confia na comunicação dos passos fundamentais, e, portanto, dos gestos que os favorecem, através da «osmose» que se dá entre os envolvidos numa amizade não superficial.


As três dimensões da experiência cristã

Na pessoa que encontra e adere à presença de Cristo se gera um movimento de conversão e de testemunho, o qual tende a incidir sobre o ambiente em que ela vive (família, trabalho, escola, bairro, sociedade etc.). Tal mudança exalta os fatores originais da experiência humana segundo três dimensões: um juízo novo que se torna cultura; a caridade como ímpeto de partilha e de afirmação gratuita do destino do outro, de seu bem que é Cristo, até ao perdão; a missão como consciência de que tudo nos é dado por Cristo e a vida doada por causa d’Ele (cf. 2Cor 5) torna-se desejo ardente de que todos O conheçam.



Cultura: verificação da experiência, ação política, ecumenismo

A vida de CL sempre foi caracterizada por uma fecunda atividade cultural que nasce da paixão por verificar a capacidade da fé cristã de oferecer um critério mais fecundo e completo para ler a realidade e os fenômenos. A sugestão de São Paulo: “Examinai tudo e guardai o que for bom” continua a ser para CL a melhor definição do trabalho cultural.


Desde o início, os estudantes de Dom Giussani, imersos num ambiente cultural e escolar que, naquela época e ainda hoje, tende a marginalizar o fato cristão como hipótese de leitura da realidade, empenhavam-se por meio de instrumentos os mais diversos em posicionar-se diante daquilo que as aulas ou a atualidade social e cultural colocavam em pauta. Ao lado desse trabalho, eram descobertos e propostos autores, textos e problemas censurados ou deixados de lado pela cultura dominante.
Nessa “escola” cresceram pessoas e grupos que fizeram nascer ou colaboraram para que nascessem, sob a sua responsabilidade, obras culturais de relevo nacional e internacional. Desse modo, nasceram dentro e fora da Itália centenas de centros culturais, dezenas de escolas livres, promovidas geralmente por cooperativas de pais; surgiram casas editoras, realizaram-se atividades editoriais e jornalísticas, promoveram-se Institutos e Fundações de nível acadêmico, congressos internacionais (como o “Meeting para a amizade entre os povos”, que acontece todos os anos em Rímini) que envolveram os nomes mais ilustres da cultura internacional e debateram os temas mais quentes e autênticos do momento.
Numa experiência cristã autentica, a dimensão política descende naturalmente da dimensão cultural. Paulo VI definiu a ação política como «forma exigente de caridade»: na concepção de CL, ela é um dos campos em que um cristão é chamado com maior responsabilidade e generosidade ideal a verificar o critério unitário que move a existência diante dos problemas colocados pela vida da sociedade e das instituições. Não surpreende, portanto, que das fileiras de CL tenham saído personalidades engajadas, diretamente e sob a própria responsabilidade, na ação política.
Seguindo o caminho traçado pela Doutrina social da Igreja, a ação política típica de quem foi educado em CL tende à defesa do sumo bem que é a liberdade, condição para que o homem busque respostas adequadas àquilo que o seu coração deseja e as suas necessidades indicam, chegando até a dar vida a obras produtivas, culturais e associativas. Uma síntese da concepção de CL sobre política é bem expressa no texto Assago 1987. Senso religioso, obras, política, que reproduz a colocação de Dom Giussani numa assembléia da Democracia Cristã da região Lombardia. O texto, publicado em L. Giussani, O eu, o poder, as obras, é editado já em diversas línguas, entre elas o espanhol e o português do Brasil. (Ed. Cidade Nova, 2000).
Enfim, a concepção de cultura própria de CL coincide com o significado mais autêntico do termo ecumenismo. Este não consiste na busca de um mínimo denominador comum entre experiências diferentes a fim de justificar uma tolerância que se assemelha, de fato, ao pouco amor recíproco. O ecumenismo, como significado verdadeiro de cultura, indica, ao contrário, a capacidade de abraçar até a experiência mais distante e diferente (por exemplo a experiência dos monges budistas do Monte Koya, a cultura ortodoxa russa, a tradição judaica), pois ter encontrado a verdade, por graça e não por mérito próprio, permite reconhecer cada vislumbre de verdade e valorizá-lo.

Caridade: a gratuidade como lei, a obra da caridade

Um dos gestos propostos pelo movimento desde 1958 foi a caritativa na “Baixada” de Milão. Toda semana, algumas centenas de jovens iam até essa região da periferia de Milão, justamente a Baixada, onde as condições de vida de muitas famílias estavam perto da indigência e a vida social era muito limitada. Aqueles jovens ficavam durante uma tarde por semana com os garotos do lugar brincando, organizando momentos de alfabetização e de catequese, de comum acordo com os párocos locais. Além disso, tentavam ajudar as famílias nas necessidades que encontravam.


«Para criar uma mentalidade de caridade - explica Dom Giussani -, o meio mais humilde e eficaz é o de começar a viver, expressa e propositalmente, alguns trechos de tempo livre como partilha da vida dos outros. O compromisso com um sacrifício físico, afinal, é essencial para influenciar a nossa mentalidade». A proposta da caritativa era e é, pois, o instrumento educativo para realizar esta “conversão”.
Hoje as formas de caritativa são as mais diversas: ir a um centro de acolhida infanto-juvenil ou a um bairro de periferia para fazer as crianças brincarem, ir a um asilo para fazer companhia aos idosos, ajudar os meninos menores nos deveres de casa, compartilhar situações difíceis como a pobreza, a doença psíquica ou as fases terminais de enfermidades incuráveis, ajudar na procura de emprego etc. Também neste caso, como para a dimensão cultural, os desenvolvimentos operativos, desde os mais simples aos mais complexos, estão ligados à iniciativa livre e à escolha de compromisso de indivíduos ou de grupos de aderentes a CL e não empenham o movimento enquanto tal.


Missão: um testemunho católico

Desde o início do movimento os jovens eram educados para a missão também através do interesse por figuras de missionários empenhados em lugares distantes e difíceis. Ao longo de toda a sua história, CL colaborou com a ação missionária de personalidades significativas (como Marcelo Cândia, Dom Piróvano, padre Werenfried, madre Teresa) ou de entidades e ordens religiosas (os padres do PIME, os padres Combonianos). Mas pesou sobretudo a proposta que se fez àqueles jovens estudantes de sustentarem inteira e responsavelmente (talvez pela primeira vez na história da Igreja) uma ação missionária no Brasil, em Belo Horizonte, em 1962.


A missão no Brasil tem um significado que vai além do fato de que com as partidas de jovens de vinte anos foram lançadas as primeiras sementes da presença do movimento na América Latina: durante toda a história do movimento, aquele gesto significou que não existe distinção entre anúncio cristão vivido em Países distantes bem como na vida cotidiana. A missão no próprio ambiente em que se vive, o testemunho a que o movimento convida, são entendidos antes de mais nada como oferta da própria disponibilidade a Cristo, mais do que como capacidade de iniciativa ou de estratégia de comunicação. Com efeito, também a difusão do movimento em todos os continentes não seguiu planos preestabelecidos nem estratégias e, com o passar dos anos, tornou-se mais premente o convite por parte de Bispos e sacerdote de todas as partes do mundo a fim de que CL enviasse padres e leigos educados no movimento.

Diversas formas associativas nascidas da experiência do movimento

Da vida de Comunhão e Libertação nasceram ao longo dos anos diversas formas associativas, hoje reconhecidas pela Santa Sé, por meio das quais numerosos adultos participantes da experiência do movimento fundado por Dom Giussani vivem a vocação de chamado à santidade própria de cada cristão.



Fraternidade de Comunhão e Libertação

A Fraternidade de CL é a forma de vida associada que sobressai entre as que nasceram do movimento, do qual compartilha origens e objetivos. Os primeiros grupos de “Fraternidade” nasceram em meados dos anos 70, por iniciativa de algumas pessoas de CL, “ex-universitários” que desejavam aprofundar, através de um método de comunhão, o pertencer à Igreja também dentro da condição da vida adulta e das responsabilidades que ela comporta.


A adesão à Fraternidade prevê uma regra mínima de ascese pessoal, momentos cotidianos de oração, a participação a encontros de formação espiritual entre os quais um momento anual de exercícios espirituais e o compromisso de apoio, também econômico, a gestos caritativos, missionários e culturais promovidos ou sustentados pela própria Fraternidade.
A vida da Fraternidade se realiza normalmente através da livre formação de grupos, cujos componentes colocam como motivo da sua amizade e da sua partilha o compromisso numa forma de vida que sustente a caminhada rumo à santidade, reconhecida como autêntica finalidade da existência.
Como se lê na carta de acompanhamento do Decreto pontifício de reconhecimento, a contribuição da Fraternidade de CL para a obra de evangelização da Igreja é “de particular interesse e urgência pastoral”, especialmente nos lugares “distantes” e descristianizados, onde “estão em jogo os princípios fundamentais da vida do homem e da convivência social”.
A natureza eclesial da Associação torna óbvia a sua plena disponibilidade e comunhão com os Bispos, tendo à frente o supremo Pastor da Igreja, até o ponto de oferecer “a sua experiência e as suas contribuições” à vida da pastoral diocesana.
A Fraternidade de CL foi reconhecida a 11 de fevereiro de 1982 como associação de leigos de Direito Pontifício. Hoje a Fraternidade reúne em seus grupos cerca de 50.000 pessoas de 40 Países nos quais o movimento está presente.

Memores Domini

A Associação Memores Domini reúne pessoas de Comunhão e Libertação que seguem uma vocação de dedicação total a Deus vivendo no mundo. Os fatores fundamentais na vida dos Memores Domini são a contemplação, entendida como memória tendencialmente contínua de Cristo, e a missão, isto é, a paixão para levar o anúncio cristão à vida de todos os homens.


Como disse Dom Giussani, O Memor Domini "é um leigo que livremente vive uma existência totalmente imersa no mundo com uma total responsabilidade pessoal" e que se empenha com a missão vivendo o próprio trabalho profissional como o lugar da memória de Cristo, traduzindo-o em oferta. Os associados desejam seguir uma vida de perfeição cristã praticando os conselhos evangélicos sintetizados nas categorias nas quais a Igreja tradicionalmente resume a imitação de Cristo: obediência, pobreza, e virgindade, como dedicação, inclusive formalmente, mais total a Cristo.
Os Memores Domini praticam a vida comum em casas cujo objetivo, sustentado pelo clima de silêncio, pela oração comum e pela partilha fraterna, é a edificação recíproca na memória em vista da missão.
A Associação foi reconhecida canonicamente em 1981, depois de se difundir por várias Dioceses italianas, no dia 8 de dezembro de 1988, os Memores Domini foram aprovados pela Santa Sé, que a reconheceu juridicamente como “Associação Eclesial privada universal”.

Atualmente os Memores Domini estão presentes em 32 países.




Fraternidade sacerdotal dos missionários de São Carlos Borromeu

A Fraternidade dos missionários de São Carlos Borromeu nasceu em setembro de 1985, no seio de Comunhão e Libertação, como Associação Sacerdotal. Foi reconhecida como Sociedade de Vida Apostólica de direito diocesano em 1989 e obteve o reconhecimento pontifício em 1999. Hoje está presente com seus sacerdotes em 15 Países, tem sua casa de formação principal em Roma, à qual recentemente se juntou uma segunda na Cidade do México.


Fraternidade e missão são as palavras programáticas dessa jovem comunidade: servir aos homens com a disponibilidade de ir aonde as necessidades da Igreja e a vida do movimento solicitam a presença de sacerdotes. Os membros da Fraternidade São Carlos são homens desejosos de pertencer ao movimento, que pretendem continuamente deixar-se educar pelo seu carisma levando em todo o mundo a experiência de CL «através de uma energia missionária sacerdotal», como escreveu o seu fundador, padre Mássimo Camisasca, que se faça presente nos diversos ambientes: paróquias, escolas, universidades.
Os padres da Fraternidade São Carlos vivem em “casas” que, já espalhadas por cinco continentes, querem ser para os homens um sinal da companhia de Cristo e uma ocasião para que Ele seja conhecido de maneira nova. A Fraternidade São Carlos quer mostrar em particular, com a sua própria existência, que o carisma dado a padre Giussani é capaz de educar e de sustentar no caminho sacerdotal jovens que receberam ou amadureceram a sua vocação através do movimento e que foram chamados a viver o seu sacerdócio para toda a Igreja e por toda a vida.

Congregação das Irmãs de Caridade da Assunção

Faz parte também do carisma dado a padre Giussani o Instituto Religioso das Irmãs de Caridade da Assunção, que, em 1993, por um Decreto Pontifício foi elevado a Instituto autônomo separado das Irmãzinhas da Assunção fundado na França no século XIX por padre Pernet.


Desde os anos 60, Dom Giussani encaminhava para aquela experiência as vocações mais sensíveis ao aspecto da caridade que surgiam no seu movimento. A trajetória eclesial do pós-Concílio levou a uma progressiva diferenciação, que culminou no nascimento de uma nova família religiosa, da qual Dom Giussani foi reconhecido pela Santa Sé como fundador (2006) junto com o padre Pernet.
Impressionado com a miséria material e moral em que se achavam as famílias operárias e pela sua distância da Igreja, padre Pernet deu vida a uma obra em que mulheres consagradas se colocavam a serviço da família, compartilhando as necessidades concretas, testemunhando assim o amor de Cristo presente na Igreja e despertando de novo a fé por meio da caridade, mediante uma obra apostólica, que tendia, como dizia o fundador, a “refazer um povo para Deus”.
As Irmãs de Caridade da Assunção continuam hoje a mesma missão, levando em consideração as mudanças da sociedade. A sua obra é voltada à família mediante um trabalho a domicílio de assistência aos doentes, às crianças em dificuldade, aos anciãos, levando sempre em consideração a dignidade da pessoa, digna de estima somente pelo fato de existir.
O Instituto atualmente é formado por uma centena de Irmãs. O itinerário da formação, fiel às características próprias da vida religiosa na Igreja, segue de perto os métodos e conteúdos dos Memores Domini, reconhecendo neles a riqueza que o carisma de Dom Giussani oferece para a vivência da experiência de virgindade. As Irmãs estão presentes na Itália e na Espanha.



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