Unicentro 2014 Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 4



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PRIMEIRO ANO-REVISÃO

UNICENTRO 2014



Leia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 4.
Que é demasiada metafísica para um só tenor, não há dúvida; mas a perda da voz explica tudo, e há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados. Eu, leitor amigo, aceito a teoria do meu velho Marcolini, não só pela verossimilhança, que é muita vez toda a verdade, mas porque a minha vida se casa bem à definição. Cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quatuor ... Mas não adiantemos; vamos à primeira tarde, em que eu vim a saber que já cantava, porque a denúncia de José Dias, meu caro leitor, foi dada principalmente a mim. A mim é que ele me denunciou.
(ASSIS, M. Aceito a teoria. In: Dom Casmurro. Rio de Janeiro: Otto Pierre Editores, 1980. cap.X. p.34. (Coleção Os Grandes Clássicos).
01. A partir das informações do texto, assinale a alternativa correta.

a) O trecho “... demasiada metafísica para um só tenor, ...” comprova a preocupação do narrador por ter perdido a voz.

b) O texto revela a preocupação do narrador por estar desempregado, como comprova o trecho “... e há filósofos que são, em resumo, tenores desempregados.”.

c) O trecho “... um duo terníssimo, depois um trio, depois um quatuor ...” pode ser relacionado à história de vida do narrador.

d) O trecho “... em que eu vim a saber que já cantava, ...” revela a profissão do narrador e, por isso, sua preocupação com a voz.

e) O trecho “A mim é que ele me denunciou.” marca o sentimento de revolta do narrador em relação a José Dias. 0

02.2 Acerca dos recursos linguístico-semânticos, considere as afirmativas a seguir.



I. No trecho “Eu, leitor amigo, aceito a teoria do meu velho Marcolini, ...”, o termo sublinhado é um vocativo.

II. Em “Cantei um duo terníssimo, depois um trio, depois um quatuor ... Mas não adiantemos; ...”, a palavra em destaque tem sentido adversativo.

III. Em “vamos à primeira tarde, em que eu vim a saber que já cantava, porque a denúncia de José Dias [...] foi dada principalmente a mim.”, a conjunção destacada expressa conclusão.

IV. No trecho “A mim é que ele me denunciou.”, há uso inadequado da norma padrão da língua portuguesa.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

03.3 Sobre a classe gramatical das palavras dispostas no texto, relacione a coluna da esquerda com a da direita.



(I) perda (A) adjetivo

(II) muita (B) advérbio

(III) porque (C) conjunção

(IV) depois (D) pronome

(V) mim (E) substantivo
Assinale a alternativa que contém a associação correta.
a) I-B, II-A, III-D, IV-C, V-E.

b) I-B, II-D, III-E, IV-A, V-C.

c) I-C, II-B, III-A, IV-E, V-D.

d) I-E, II-A, III-C, IV-B, V-D.

e) I-E, II-B, III-A, IV-D, V-C.

04. Quanto ao tipo de texto, assinale a alternativa correta.
a) É informativo, com presença de objetividade marcada nos verbos.

b) É argumentativo, pois lança uma tese e a defende com argumentos.

c) É prescritivo, uma vez que revela passo a passo como fazer algo.

d) É descritivo, marcado pela descrição das ações sem passagem temporal.



e) É narrativo, marcado por verbos no passado e progressão temporal.

Leia o texto a seguir e responda às questões de 5 a 8.
Junho de 2013 já fez história. É provável que, daqui a algumas décadas, brasileiros que tomaram as ruas do País no final do outono deste ano se reúnam num café, num boteco ou mais possivelmente na timeline de uma rede social para recordarem, cheios de orgulho, “daquele junho de 2013”. Quando se formaram multidões que, de um modo contraditório, pareciam gigantescas afirmações de individualidades. Com seus rostos únicos, bandeiras variadas, gritos independentes e gestos singulares. A completa expressão do novo. Daquilo que ninguém ousou prever e do futuro que ninguém assegurou adivinhar. Esses brasileiros se sentirão como a geração de 1968, que ainda cultiva as lembranças das heroicas passeatas contra a ditadura, como os manifestantes de 1984, que se emocionam com as imagens dos comícios das Diretas-já, e como os caras-pintadas de 1992, que decretaram o fim de um governo corrupto. Não se pode subestimar o que já aconteceu nem convém ignorar o que ainda possa vir. Nas duas últimas semanas, com suas diferentes tribos e interesses assumidamente difusos, jovens emergiram das redes sociais, conseguiram levar mais de um milhão de pessoas às ruas, deixaram a classe política atordoada e fizeram com que prefeitos de 13 capitais e 65 cidades anunciassem a redução das tarifas do transporte público. A voz das ruas, que parecia anestesiada, se impôs. A opinião pública revelou sua força. Mesmo sem uma grande causa aglutinadora, fez reverberar por todos os cantos do País uma insatisfação latente que o poder institucionalizado desconhecia. Pelo menos 480 cidades participaram dos protestos. Os manifestantes transformaram as principais avenidas brasileiras em verdadeiros bulevares da liberdade de expressão. A nação acordou e, com o recuo dos governantes, descobriu que, sim, é possível provocar mudanças.

(Adaptado de: PARDELLAS, S. Especial A Voz das Ruas. IstoÉ. São Paulo: Ed. Três. 26 jun. 2013. ano 37, n.2275. p.50.)



05. Com base no texto, considere as afirmativas a seguir.

I. A opinião pública soltou a voz nas ruas e mostrou uma convicção: construir um novo Brasil.

II. As redes sociais facilitaram a organização das manifestações ocorridas nas últimas semanas.

III. O aumento das tarifas de transporte público foi o mote para os primeiros atos de manifestação.

IV. O movimento obteve resultado negativo porque a multidão tinha interesses individuais e singulares.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.

c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.


06. Acerca da estrutura e formação das palavras, considere as afirmativas a seguir.
I. O termo “timeline” é um neologismo.

II. O termo “Diretas-já” é formado de adjetivo e advérbio.

III. A palavra “caras-pintadas” é formada de substantivo e adjetivo.

IV. A palavra “bulevares” é de origem francesa.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.

b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.



c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.

d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

07. No fragmento “Esses brasileiros se sentirão como a geração de 1968, que ainda cultiva as lembranças das heroicas passeatas contra a ditadura, como os manifestantes de 1984, que se emocionam com as imagens dos comícios das Diretas-já, e como os caras-pintadas de 1992, que decretaram o fim de um governo corrupto”, as três ocorrências do termo “como” marcam a presença do recurso de linguagem
a) ironia.

b) metonímia.

c) exemplificação.

d) metáfora.



e) comparação.
08. No trecho “Não se pode subestimar o que já aconteceu nem convém ignorar o que ainda possa vir”, a palavra em destaque atribui ao enunciado o sentido de
a) oposição.

b) explicação.

c) condição.

d) conclusão.



e) adição.

Considere o texto a seguir:

"Mais do que uma República repressiva, criou-se um Estado policial. Os suspeitos passavam por interrogatórios, torturas, perda de empregos. Disseminava-se na população o medo e o convite à delação. Anulava-se o cidadão, gerando o pânico. Pode-se constatar isso no 'Decálogo de Segurança' que os Dops distribuíram nas portarias de prédios, fábricas, escolas, escritórios etc."

"Se você for convidado ou sondado para conversas sobre assuntos que lhe pareçam estranhos ou suspeitos, finja que concorda e cultive relações com a pessoa que o sondou e avise a Polícia ou o quartel mais próximo. As autoridades lhe dão todas as garantias, inclusive de anonimato".

(Júlio Chiavenato, "O Golpe de 64").

O texto anterior refere-se ao período em que o general-presidente foi

a) Costa e Silva.

b) Emílio Médici.

c) Castelo Branco.

d) Ernesto Geisel.

e) João Figueiredo.


Como um movimento de militares que, sem comando único ou propósito definido, conspirou contra a democracia e, em menos de 24 horas, derrubou o presidente do Brasil


Sérgio Gwercman | 01/04/2004 00h00

( 2 ) Ao longo do dia, as notícias só fariam colocar água na bebida dos dois políticos. Começava a ficar claro que Mourão (o general Olympio Mourão Filho) não estava liderando simples jogos militares. Suas tropas marchavam para o Rio de Janeiro com o objetivo de derrubar o governo. Nas bancas da cidade – que apesar de não ser mais a capital, continuava sendo o termômetro das ações políticas do país e sede de seu comando militar – , o jornal Correio da Manhã dava destaque em sua primeira página para um editorial intitulado “Basta!” – nenhum brasileiro precisava de mais informações para saber que o destinatário da mensagem era o presidente. Entre os autores do texto, os jornalistas Carlos Heitor Cony e Otto Maria Carpeaux. O poder de João Goulart estava por um fio.

( 1 ) O presidente João Goulart atendeu o telefone. Era manhã de 31 de março e ele estava no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Do outro lado da linha, falava o senador Arthur Virgílio. “Presidente, o Almino (Affonso, líder do PTB, o partido do presidente) está dizendo que há movimentação de tropas.” Goulart consultou seu chefe do Gabinete Militar, general Assis Brasil. “O Mourão deslocou as tropas em exercício militar”, respondeu o general. O presidente então voltou ao telefone. “Isso é coisa da oposição que quer tumultuar”, disse. Satisfeitos com a resposta, Virgílio e Affonso tomaram um uísque para comemorar.

( 5 ) Jango, apelido que o presidente carregava desde a infância, perdia não só apoio militar, mas também o político. Num país cada vez mais polarizado entre a direita e esquerda, Goulart desagradava os dois lados. No último mês, no entanto, era acusado de aderir aos ventos que sopravam do leste europeu. Prometia conduzir as “reformas de base”, antiga exigência do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que incluía a reforma agrária e o controle das remessas de lucros das multinacionais. Com isso, perdeu o apoio da classe média e dos empresários. Também viu-se abandonado pelos militares ao tolerar a revolta da baixa patente, que colocava em xeque a hierarquia dentro das Forças Armadas.



( 3 ) Entre os oficiais mais importantes do país, crescia as adesões ao movimento detonado por Mourão. E ninguém, militar ou civil, parecia seriamente disposto a pegar em armas para defender o regime. No fim da noite, Goulart mais uma vez foi chamado ao telefone. Era o general Amaury Kruel, chefe das tropas de São Paulo e Mato Grosso. Ele exigia que o presidente rompesse com a esquerda. “General, eu não abandono meus amigos”, respondeu Goulart. “Se essas são as suas convicções, eu não as examino. Ponha as tropas na rua e traia abertamente”, completou. Kruel desligou o telefone e aderiu ao levante. O dia seguinte amanheceu com cinco tanques de guerra protegendo o Palácio das Laranjeiras, com seus canhões preparados para atirar. Para quem via de fora, era um sinal de força do governo. Para quem sabia o que estava ocorrendo, representavam uma das últimas linhas de defesa de Goulart.

( 4 ) O general Kruel havia acabado de evidenciar a falência do poder militar da presidência. Estava arruinado o “dispositivo” montado por Assis Brasil, como ficou conhecido o sistema de nomeações e promoções que colocou aliados do governo nos cargos mais importantes das Forças Armadas. A idéia era ter as tropas ao lado do presidente em caso de um levante da direita. Não era o que estava ocorrendo.


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