Unidade I – a sociologia como ciência os clássicos da sociologia as escolas Sociológicas



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UNIDADE I – A SOCIOLOGIA COMO CIÊNCIA - OS CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA
1. As escolas Sociológicas
A Sociologia é o estudo CIENTÍFICO ou sistemático da sociedade, ou seja, dos fenômenos sociais, padrões de relações sociais ou interações sociais, enfim, e o estudo da cultura humana. Atualmente, as áreas estudadas pela sociologia podem variar da análise de contatos breves entre indivíduos anônimos na rua para o estudo de interação social global.

A Sociologia é considerada uma subdisciplina das Ciências Sociais, juntamente com a Ciência Política, a Antropologia e – de acordo com algumas classificações – também a Economia.

A Sociologia não é uma ciência de apenas uma orientação teórico-metodológica dominante. Ela traz diferentes estudos e diferentes caminhos para a explicação da realidade social. Assim, pode-se claramente observar que a Sociologia tem ao menos três linhas mestras explicativas, fundadas pelos seus autores clássicos, das quais podem se citar, não necessariamente em ordem de importância:
a) a Positivista-Funcionalista, tendo como fundador Auguste Comte e seu principal expoente clássico em Émile Durkheim, de fundamentação analítica;
b) a Sociologia Compreensiva iniciada por Max Weber, de matriz teórico-metodológica hermenêutico-compreensiva;
c) a linha de explicação sociológica Dialética, iniciada por Karl Marx que, mesmo não sendo um sociólogo e sequer se pretendendo a tal, deu início a uma profícua linha de explicação sociológica.

Estas três matrizes explicativas, originadas pelos seus três principais autores clássicos, originaram quase todos os posteriores desenvolvimentos da Sociologia, levando à sua consolidação como disciplina acadêmica já no início do século XX. É interessante notar que a sociologia não se desenvolve apenas no contexto europeu. Ainda que seja relativamente mais tardio seu aparecimento nos Estados Unidos, ele se dá, em grande medida, por motivações diferentes que as da velha Europa (mas certamente influenciada pelos europeus, especialmente pela sociologia britânica e positivista de Herbert Spencer).

Nos EUA a Sociologia esteve de certo modo "engajada" na resolução dos "problemas sociais", algo bem diverso da perspectiva acadêmica européia, especialmente a teuto-francesa. Entre os principais nomes do estágio inicial da sociologia norte-americana, podem ser citados: William I. Thomas, Robert E. Park, Martin Bulmer e Roscoe C. Hinkle.

A Sociologia, assim, vai debruçar-se sobre todos os aspectos da vida social. Desde o funcionamento de estruturas macro-sociológicas como o Estado, as classes sociais ou longos processos históricos de transformação social ao comportamento dos indivíduo num nível micro-sociológico. Deixando de lado as profundas diferenças entre os três modelos sociológicos, podemos dizer que é a idéia de que o homem só pode existir na sociedade e que esta, inevitavelmente, lhe será uma "jaula" que o transcenderá e lhe determinará a identidade é consensual a toda escola sociológica.

Para compreender o surgimento da sociologia como ciência do século XIX, é importante perceber que, nesse contexto histórico social, as ciências teóricas e experimentais desenvolvidas nos séculos XVII, XVIII e XIX inspiraram os pensadores a analisar as questões sociais, econômicas, políticas, educacionais, psicológicas, com enfoque científico.
2. Histórico do surgimento da sociologia
A Sociologia é uma área de interesse muito recente, mas foi a primeira ciência social a se institucionalizar. Antes, portanto, da Ciência Política e da Antropologia.

Em que pese o termo Sociologie tenha sido criado por Auguste Comte (1789-1857), que esperava unificar todos os estudos relativos ao homem — inclusive a História, a Psicologia e a Economia, Montesquieu também é considerado como um dos fundadores da Sociologia - talvez como o último pensador clássico ou o primeiro pensador moderno.

Em Comte, seu esquema sociológico era tipicamente positivista, (corrente que teve grande força no século XIX – vide item Positivismo, abaixo), e ele acreditava que toda a vida humana tinha atravessado as mesmas fases históricas distintas e que, se a pessoa pudesse compreender este progresso, poderia prescrever os remédios para os problemas de ordem social.

As transformações econômicas, políticas e culturais ocorridas no século XVIII, como as Revoluções Industrial e Francesa, colocaram em destaque mudanças significativas da vida em sociedade com relação a suas formas passadas, baseadas principalmente nas tradições. A Sociologia surge no século XIX como forma de entender essas mudanças e explicá-las. No entanto, é necessário frisar, de forma muito clara, que a Sociologia é datada historicamente e que o seu surgimento está vinculado à consolidação do capitalismo moderno. A Revolução Industrial significou, para o pensamento social, algo mais do que a introdução da máquina a vapor. Ela representou a racionalização da produção da materialidade da vida social.

O triunfo da indústria capitalista foi pouco a pouco concentrando as máquinas, as terras e as ferramentas sob o controle de um grupo social, convertendo grandes massas camponesas em trabalhadores industriais. Neste momento, se consolida a sociedade capitalista, que divide de modo central a sociedade entre burgueses (donos dos meios de produção) e proletários (possuidores apenas de sua força de trabalho). Há paralelamente um aumento do funcionalismo do Estado que representa um aumento da burocratização de suas funções e que está ligado majoritariamente aos estratos médios da população.

O quase desaparecimento dos pequenos proprietários rurais, dos artesãos independentes, a imposição de prolongadas horas de trabalho, e etc., tiveram um efeito traumático sobre milhões de seres humanos ao modificar radicalmente suas formas tradicionais de vida.

Não demorou para que as manifestações de revolta dos trabalhadores se iniciassem. Máquinas foram destruídas, atos de sabotagem e exploração de algumas oficinas, roubos e crimes, evoluindo para a criação de associações livres, formação de sindicatos e movimentos revolucionários.

Este fato é importante para o surgimento da Sociologia, pois colocava a sociedade num plano de análise relevante, como objeto que deveria ser investigado tanto por seus novos problemas intrínsecos, como por seu novo protagonismo político. Junto a estas transformações de ordem econômica pôde-se perceber o papel ativo da sociedade e seus diversos componentes na produção e reprodução da vida social.

Esta disciplina marca uma mudança na maneira de se pensar a realidade social, desvinculando-se das preocupações especulativas e metafísicas e diferenciando-se progressivamente enquanto forma racional e sistemática de compreensão da mesma. O surgimento da Sociologia prende-se em parte aos desenvolvimentos oriundos da Revolução Industrial, pelas novas condições de existência por ela criada. Mas uma outra circunstância concorreria também para a sua formação. Trata-se das modificações que vinham ocorrendo nas formas de pensamento, originada pelo Iluminismo. As transformações econômicas, que se achavam em curso no ocidente europeu desde o século XVI, não poderiam deixar de provocar modificações na forma de conhecer a natureza e a cultura.

Sociologia – uma ciência “moderna”

Podemos dizer que a Sociologia é “filha” da Modernidade, conseqüência das profundas transformações na Europa do século XIX com as chamadas Revoluções Burguesas. Costuma-se considerar modernidade como o conjunto de experiências históricas ambíguas e conflituosas que marcaram a sociedade européia em meados do século XIX até a atualidade. Um período de profundas transformações sociais, econômicas e políticas.

As mudanças na Europa trouxeram 2 aspectos importantes para a sociedade moderna:


1) Desenvolvimento da sociedade burguesa e consolidação de sua hegemonia e valores, com a criação do Estado Burguês. Surge uma nova configuração social e o sistema societal feudal entra em colapso.
2) Consolidação do capitalismo como modo de produção.
Didaticamente, podemos compreender o período das revoluções burguesas sobre três aspectos diferentes: econômico, cultural-científico e político.
a) Revolução Econômica: corresponde a ao longo processo de superação da economia agrária feudal (assentada sobre a servidão) que desencadeou a chamada Revolução Industrial. Com o desenvolvimento do mercantilismo e a acumulação primitiva de capitais o modo de produção feudal entra em colapso observa-se a expropriação dos terrenos comunais da propriedade feudal (política dos cercamentos) e destruição da agricultura familiar, transformando-se em propriedade privada moderna.

As conseqüências foram à expulsão das famílias rurais para as grandes cidades, que buscavam na indústria emergente a garantia de sua sobrevivência, originando o operariado urbano (proletariado). A velocidade que a expropriação solapava camponeses e artesãos era maior do que a absorção da mão de obra pelas fábricas originando o fenômeno do desemprego, aumentando os índices de miseráveis, mendigos e excluídos. Como conseqüências a Revolução Industrial trouxe:

- O fim do produtor independente.

- Êxodo rural e explosão demográfica urbana.

- Processo de proletarização.

- Miséria (doenças, prostituição, suicídios, alcoolismo, violências, etc.).

- Primeiras manifestações operárias (ludismo, cartismo).

- Criava-se uma sociedade altamente competitiva e individualista.


b) Revolução cultural-científica: correspondente ao chamado Iluminismo (França) fruto de um longo processo de separação das concepções teológicas da Igreja Católica (autoridade política da época).

Com as transformações do renascimento comercial e urbano surgem intensas transformações culturais e na forma de conhecer do homem (marco inicial com o Renascentismo):


- Instala-se um movimento anti-clerical, opondo-se diametralmente ao teocentrismo.

- O antropocentrismo inaugura um novo tipo de pensamento voltado para o homem como chave explicativa do mundo.

- O conhecimento deixa de ser objeto de revelação divina para ser interpretado pela razão (Ciência).

- O racionalismo baseava-se no uso exclusivo da razão e no empirismo.

- Derrocada do Teocentrismo como forma explicativa do mundo

- Consolidação do Liberalismo

- Notório desenvolvimento das Ciências Naturais e Humanas

O Iluminismo buscava transformar não só as formas de conhecimento, mas a própria sociedade, implantando os valores do Liberalismo político e econômico. Como, temos a derrocada do teocentrismo (no plano das idéias), a consolidação do Liberalismo (no plano político) e o notório desenvolvimento das Ciências Naturais e Humanas. Como expoentes do Iluminismo, temos Descartes, Newton, Locke, Montesquieu, Voltaire, Rousseau, Diderot e d´Alembert, Adam Smith.


c) Revolução Política: correspondente a Revolução Francesa que com os ideais iluministas (liberdade, igualdade e fraternidade) questionaram a monarquia absolutista. Foi um movimento que contou com forte apoio popular, mas de forte caráter burguês. Suas conseqüências principais foram:
- Queda do Estado monárquico e origem do Estado Moderno Burguês (executivo, legislativo e judiciário).

- Criação do Estado Laico e fim do predomínio político da autoridade da Igreja Católica.

- Burguesia toma o Estado e assume papel hegemônico
O conjunto desses processos históricos trouxe não somente progressos como também uma infinidade de problemas sociais que conturbaram a Europa do século XIX. Esse “turbilhão social” faz com que surjam intelectuais preocupados e propostos a por uma “ordem social” oriunda dessas revoluções. Neste contexto é que surge a Sociologia.
Sociologia versus Filosofia Social
Ao contrário das explicações filosóficas das relações sociais, as explicações da Sociologia não partem simplesmente da especulação de gabinete, baseada, quando muito, na observação casual de alguns fatos. Muitos dos teóricos que almejavam conferir à sociologia o estatuto de ciência, buscaram nas ciências naturais as bases de sua metodologia já mais avançada, e as discussões epistemológicas mais desenvolvidas. Dessa forma foram empregados métodos estatísticos, a observação empírica, e um ceticismo metodológico a fim de extirpar os elementos "incontroláveis" e opinativos recorrentes numa ciência ainda muito nova e dada a grandes elucubrações.

Uma das primeiras e grandes preocupações para com a sociologia foi eliminar juízos de valor feitos em seu nome. Diferentemente da ética, que visa discernir entre bem e mal, a ciência se presta à explicação e à compreensão dos fenômenos, sejam estes naturais ou sociais.

Como ciência, a Sociologia buscou, de início, obedecer aos mesmos princípios gerais válidos para todos os ramos de conhecimento científico, apesar das peculiaridades dos fenômenos sociais quando comparados com os fenômenos de natureza e, conseqüentemente, da abordagem científica da sociedade. Entretanto, outras abordagens metodológicas, apropriadas à abordagem de fenômenos sociais, foram propostas, tais como os desenvolvimentos das escolas compreensivas e dialéticas.

Tais peculiaridades, no entanto, foram e continuam sendo o foco de muitas discussões, ora tentando aproximar as ciências, ora afastando-as e, até mesmo, negando às humanas tal estatuto com base na inviabilidade de qualquer controle dos dados tipicamente humanos, considerados por muitos, imprevisíveis e impassíveis de uma análise objetiva.


3. Os precursores do pensamento sociológico
a) SAINT-SIMON

Claude-Henri de Rourroy, o Conde de Saint-Simon, (1760-1825), nascido em Paris, foi um filósofo e economista francês, um dos fundadores do Socialismo moderno e teórico do Socialismo Utópico.

Para este autor, o avanço da ciência determinava a mudança político-social, além da moral e da religião. É considerado o precursor do Socialismo, pois, no futuro, a sociedade seria basicamente formada por cientistas e industriais. O pensamento Saint-simoniano pode ser visto nas obras de 1807 a 1821, com o lema: "a cada um segundo sua capacidade, a cada capacidade segundo seu trabalho".

Em um dos seus primeiros livros, Lettres d'un habitant de Genève à ses contemporains, publicado em 1803, ele propõe que os cientistas tomem o lugar dos padres para conduzir a era Moderna. A violência da guerra napoleônica leva-o a se abrigar no Cristianismo, e de uma base Cristã construir as bases para uma sociedade socialista.

Previu a industrialização da Europa e sugere uma união entre as nações para acabar com as guerras. Quando Saint-Simon falou sobre a nova sociedade, imaginou uma imensa fábrica, na qual a exploração do homem pelo homem daria lugar a uma administração coletiva. Assim, a propriedade privada não caberia mais nesse novo sistema industrial. Para ele, subsistiria uma pequena desigualdade e a sociedade só seria perfeita depois de reformar o Cristianismo. Um “novo Cristianismo” substituiria o “Cristianismo degenerado”, e teria como imperativo a justiça social, pois o núcleo deveria se consolidar no que seria a fraternidade do homem, resultando num mundo de homens livres.

Para ele, o homem não seria apenas algo passivo na História, pois sempre procurava alterar o meio social no qual está inserido. Defende também a idéia de uma sociedade hierarquizada, daí a desigualdade natural (no topo estariam os diretores da indústria e de produção, engenheiros, artistas e os cientistas; na parte de baixo estariam os trabalhadores responsáveis pela execução dos projetos feitos pelos inventores e diretores). Tal hierarquia possibilitaria um grau máximo da capacidade de produção. Mesmo sendo um defensor da sociedade industrial, Saint-Simon foi o primeiro a perceber que o conflito de classes estava relacionado com a economia e que seria nas mãos dos trabalhadores que o futuro seria construído. Ao contrário de Marx, entretanto, achava que os trabalhadores não seriam o sujeito das transformações, mas deveriam ser guiados por alguém.

Saint-Simon é considerado um dos fundadores da Sociologia, que estaria sendo sustentada por duas forças opostas: orgânicas (estáveis) e críticas (mudam a história). Só a sociedade industrial poderia acabar com a crise que a França passava.

Este autor ainda marca a ruptura com o Antigo Regime. Para Saint-Simon, a Política era agora a ciência da produção, porém a Política vê seu fim com a justiça social.

A obra principal de Saint-Simon é New Christianity (1825). Nele declara que a Religião tendia a melhorar a condição de vida dos mais necessitados. Ele morreu no ano da publicação desse livro, no dia 19 de maio. Em três anos seus seguidores tinham desenvolvido o que podemos chamar de um culto quase religioso baseado na interpretação das suas idéias, e difundiram as suas idéias através da Europa e América do Norte, influenciando socialistas e outros românticos do início do século XIX, como Sainte-Beuve, Victor Hugo e George Sand.





b) AUGUSTE COMTE
Isidore Auguste Marie François Xavier Comte (1798-1857) foi filósofo francês, considerado o pai da Sociologia e o fundador do Positivismo. Nascido em Montpellier, no Sul da França, Augusto Comte desde cedo revelou uma grande capacidade intelectual e uma prodigiosa memória. Seu interesse pelas ciências naturais era conjugado pelas questões históricas e sociais.

No período de 1817-1824 foi secretário do conde Henri de Saint-Simon (1760-1825), expoente do socialismo utópico; todavia, como Saint-Simon apropriava-se dos escritos de seus discípulos para si e como dava ênfase apenas à economia na interpretação dos problemas sociais, Comte rompeu com ele, passando a desenvolver autonomamente suas reflexões. São dessa época algumas fórmulas fundamentais: "Tudo é relativo, eis o único princípio absoluto" (1819) e "Todas as concepções humanas passam por três estádios sucessivos - teológico, metafísico e positivo -, com uma velocidade proporcional à velocidade dos fenômenos correspondentes" (1822) (a famosa "lei dos três estados").

A filosofia positiva de Comte nega que a explicação dos fenômenos naturais, assim como sociais, provenha de um só princípio. A visão positiva dos fatos abandona a consideração das causas dos fenômenos (Deus ou natureza) e torna-se pesquisa de suas leis, vistas como relações (abstratas) constantes entre fenômenos observáveis.

Tendo por método dois critérios, o histórico e o sistemático, outras ciências abstratas antes da Sociologia, segundo Comte, haviam atingido a positividade: a Matemática, Astronomia, a Física, a Química e a Biologia. Assim como nestas ciências, em sua nova ciência chamada de Física Social e posteriormente Sociologia, Comte usaria da observação, da experimentação, da comparação, da classificação e da filiação histórica como método para a obtenção dos dados reais. Comte afirmou que os fenômenos sociais podem ser percebidos como os outros fenômenos da natureza, ou seja, como obedecendo a leis gerais.

Em 1851 Comte instituiu uma sétima ciência, a Moral, cujo âmbito de pesquisa é a constituição psicológica do indivíduo e suas interações sociais.

Pode-se dizer que o conhecimento positivo tem como fundamento "ver para prever, a fim de prover" - ou seja: conhecer a realidade para saber o que acontecerá a partir de nossas ações, para que o ser humano possa melhorar sua realidade. Dessa forma, a previsão científica caracteriza o pensamento positivo.

O espírito positivo, segundo Comte, tem a ciência como investigação do real. No social e no político, o espírito positivo passaria o poder espiritual para o controle dos "filósofos positivos", cujo poder é, nos termos comtianos, exclusivamente baseado nas opiniões e no aconselhamento, afastando-se a ação política prática desse poder espiritual - o que afasta o risco de tecnocracia.

O seu método, em termos gerais, caracteriza-se pela observação, mas deve-se perceber que cada ciência, ou melhor, cada fenômeno tem suas particularidades, de modo que o método de observação para cada fenômeno será diferente.

Além da realidade, outros princípios caracterizam o Positivismo: o relativismo e o espírito de conjunto (hoje em dia chamado de "holismo"). Na verdade, na obra "Apelo aos conservadores", Comte apresenta sete definições para o termo "positivo": real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático.

Todavia, é importante notar que uma grande confusão terminológica ocorre com a obra de Comte e seu "Positivismo": ele não tem nenhuma relação (ou, se tiver, tem poucas relações) com o chamado Positivismo Jurídico, ou Juspositivismo, de Hans Kelsen; com a "Psicologia positivista", ou "behaviorismo" (ou "comportamentalismo"), de Skinner; com o Neopositivismo, do Círculo de Viena, de Otto Neurath, nem com tantos outros "positivismos" de outras áreas do conhecimento.




A lei dos três estados
O alicerce fundamental da obra comtiana é, indiscutivelmente, a "Lei dos Três Estados", tendo como precursores nessa idéia seminal os pensadores Condorcet e, antes dele, Turgot.

Segundo o marquês de Condorcet, a humanidade avança de uma época bárbara e mística para outra civilizada e esclarecida, em melhoramentos contínuos e, em princípio, infindáveis - sendo essa marcha o que explicaria a marcha da história.



A partir da percepção do progresso humano, Comte formulou a Lei dos Três Estados. Observando a evolução das concepções intelectuais da humanidade, Comte percebeu que esta evolução passa por três estados teóricos diferentes: o estado 'teológico' (ou 'fictício'), o estado 'metafísico' (ou 'abstrato') e o estado 'científico' (ou 'positivo').
Estado teológico - neste estágio, os fatos observados são explicados pelo sobrenatural, ou seja, as idéias baseadas no sobrenatural são usadas como ciência. Ainda nesta fase, a sociedade se encontra em uma estrutura militar fundamentada na propriedade e na exploração do solo.
Estado metafísico - neste estágio, já se encontram as idéias naturais (idéias que buscam explicar a natureza através de conceitos e não entidades sobrenaturais), mas ainda há certa presença do sobrenatural nas ciências. A indústria já se expandiu, mas não totalmente, a sociedade já não é francamente militar. Pode-se dizer que este estado serve apenas de intermediário entre o primeiro e o terceiro.
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