Unip – Universidade Paulista Pós-Graduação em Psicopedagogia



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19. Vencendo os desafios


A inclusão dos portadores de necessidades especiais ao Movimento Escoteiro é uma questão humanista e de cidadania, uma vez que o Escotismo se propõe a preparar homens e mulheres de bom caráter e úteis à sociedade e ao país. Com certeza, os primeiros anos da prática da inclusão serão cheios de incertezas e desculpas, e até mesmo de resistência por parte de alguns. As principais resistências têm como origem o desconhecimento e ou as informações equivocadas a respeito do paradigma da inclusão. Portanto, além da persistência dos que acreditam na inclusão, é necessária uma atuação institucional de apoio, principalmente na capacitação de adultos e jovens líderes para atuarem nesse processo.

19.1. Quando Incluir?

Por outro lado, não devemos esquecer-nos do caráter de educação não-formal do Escotismo e da liberdade que há para a formação de Grupos Escoteiros, havendo os chamados Grupos Escoteiros “abertos” e Grupos Escoteiros “fechados”. Os primeiros (esmagadora maioria) não fazem restrições quanto à origem dos postulantes à filiação, enquanto os Grupos “fechados” restringem-se a determinados segmentos sociais ou religiosos. Estes Grupos normalmente são patrocinados por alguma instituição. Assim como há essa liberdade na própria constituição dos Grupos Escoteiros, há liberdade para adotarem o uniforme escoteiro (cáqui) ou o traje escoteiro (jeans), segundo decisão da Assembléia de Grupo, que também é livre e soberana para decidir se querem atuar com Seções mistas (meninos e meninas) ou não. Dentro desse princípio, acreditamos que a inclusão também deve ser tratada nos mesmos moldes, sendo amplamente discutida em cada Grupo e Seção, antes de se tomar “a decisão”. Em outras palavras, não é viável a imposição da inclusão em todos os Grupos Escoteiros do Brasil, mas é possível sua implantação naqueles que assim o desejarem. Reconhecemos também a importância de se trabalhar junto aos pais das crianças saudáveis, no sentido de convencê-los de que seus filhos saudáveis também lucram com essa troca. Trata-se de tarefa mais complexa que deve ser apoiada com material promocional a ser publicado pela UEB e fortalecida com testemunhos de casos positivos.

Numa segunda fase, quando a experiência no nível local for consistente e frutífera, deve-se promover atividades regionais e nacionais regidas pelo conceito de inclusão.

Levar a cabo a implantação do Escotismo inclusivo (“Escotismo para Todos”) no nosso país, é um desafio árduo, já aceito por alguns e proposto a todos. À medida que caminhamos, podemos fazer avaliações periódicas e decidir “correções de rumo” visando os resultados desejados. O importante é a definição de uma política nacional que regulamente as ações e princípios da inclusão, assim como a implantação do “Curso Técnico de Escotismo para Todos” pelas Equipes de Gestão de Adultos das diversas Regiões Escoteiras.

“Queremos especialmente ajudar os mais fracos a não sentirem sua fraqueza e a ganhar força e esperança” (Baden-Powell)58



20. Considerações Finais


Diante do exposto neste trabalho, acreditamos ser perfeitamente possível a inclusão de crianças e jovens portadores de necessidades especiais ao Movimento Escoteiro no Brasil. Além de ser mais um passo para a construção de uma sociedade inclusiva em nosso país, é o cumprimento de uma determinação da Conferência Mundial Escoteira de 1988, que até hoje não foi formal e oficialmente implantada pela União dos Escoteiros do Brasil.

Somos da opinião que o Programa Escotismo para Todos, aqui proposto, pode assimilar o Projeto Basta Passar a Ponte, desde que as ações que vêm sendo desenvolvidas pelos Grupos Escoteiros envolvidos com esse projeto adaptem-se às diretrizes gerais do Programa Escotismo para Todos. Para isso é necessário que a UEB confirme a proposta deste trabalho como o programa oficial de inclusão do Escotismo brasileiro.

É evidente que, após análise e discussão deste trabalho pela Comissão Nacional de Programa de Jovens, podem ser decididas modificações ou ajustes ao mesmo. Entendemos também que, depois da implantação do Programa, a CNPJ deverá realizar avaliações periódicas ao mesmo, fazendo os ajustes cabíveis.

A ocasião para a apresentação deste trabalho não poderia ser mais adequada, pois como já nos referimos anteriormente, a UEB escolheu como seu tema para o ano de 2002: “Escotismo para Todos”.


Não pode haver tarefa mais nobre que dar um melhor futuro a todas as crianças”.59

Escotismo – Um Jogo Alegre



21. REFERÊNCIAS e NOTAS

1 IBGE – “O Portador de Deficiência no Brasil – 1991”. Cabe ressaltar que o IBGE extraiu esses dados do Censo de 1991, mas não menciona que os dados foram colhidos em questionários que foram passados a cada dez domicílios visitados. Portanto, esses dados refletem uma amostragem da população do Brasil, e não à totalidade de pessoas portadoras de deficiências do país. A Organização Mundial da Saúde considera que, em países desenvolvidos, 10% da população é portadora de algum tipo de deficiência. Já o Governo Americano divulga que o Censo de 1995 encontrou 20% de pessoas com algum tipo de deficiência (US Census Bureau, United States Department of Commerce – www.sensus.gov).


2 Programa de Jovens: É o meio para alcançar os objetivos educacionais. Em sentido estrito, tudo aquilo que as crianças e jovens fazem no Movimento Escoteiro, incluindo a forma como o fazem (método escoteiro) e os fundamentos daquilo que fazem (propósito e princípios do escotismo).


3 SASSAKI, Romeu Kazumi, Inclusão – construindo uma sociedade para todos, Rio de Janeiro: WVA, 3a ed. 1997, p. 15.


4 Artigo: “Childhood disability: its prevention and rehabilitation” em “Assignment Children” no 53-54, “The disable child: a new approach to prevention and rehabilitation”, UNICEF, 1981, p. 45.


5 International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps: a Manual of Classification Relating to the Consequences of Disease, WHO, Geneva, 1980, citado em “Rehabilitation Digest”, Ontario, Canadá, agosto de 1992.


6 International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps: a Manual of Classification Relating to the Consequences of Disease, WHO, op. cit.


7 Lienhard, Beatriz; artigo “Extending Souting to Disabled Persons”, in “Europe Information”, no. 22, setembro de 1986, pp. 9-15.


8 International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps: a Manual of Classification Relating to the Consequences of Disease, WHO, op. cit.


9 Beatriz Lienhard, op. cit. pp. 9-15.


10 International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps: a Manual of Classification Relating to the Consequences of Disease, WHO, op. cit.


11 Beatriz Lienhard, op. cit. pp. 9-15.


12 International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps: a Manual of Classification Relating to the Consequences of Disease, WHO, op. cit.


13 SASSAKI, Romeu Kazumi, op. cit.


14 SASSAKI, Romeu Kazumi, op. cit.


15 UNESCO. Declaração de Salamanca e enquadramento da ação: necessidades educativas especiais. Espanha: Salamanca, 1994, p.5..


16 UNESCO, op. cit, p. 6.


17 Declaração Mundial sobre Educação para Todos, Jomtien, Tailândia, março de 1990, “Education for All: Propósito e Contexto”, temas para mesa redonda I, UNESCO, Paris 1991, p.91.


18 Programa Escoteiro: atualmente denominado Programa de Jovens.


19 AFONSO, A. J. “Sociologia da educação não-escolar: reactualizar um objecto ou construir uma nova problemática?”, in VON SIMSON, O. R. M. et. al., Educação Não-Formal – cenários da criação: Campinas, Editora da UNICAMP, 2001, p. 9.


20 A Educação da Juventude – uma declaração no limiar do século XXI, Documento produzido na 29a Conferência Geral da UNESCO em Paris, em 29 de outubro de 1997 e publicado no Brasil pela União dos Escoteiros do Brasil, Brasília, DF, 1998.


21 BADEN-POWELL, R. S. S., Jamboree, 1922, in Scouting: An Educational System, WOSM, World Scout Bureau, 1998, p.13.


22 REGO, Tereza Cristina; Vigotsky – uma perspectiva histórico-cultural da educação, 9a ed., Vozes, 2000, Petrópolis RJ


23 BADEN-POWELL, R. S. S., Guia do Chefe Escoteiro, Brasília, Editora Escoteira, 1982, p. 97, in ISHIZUKA, Katuoki, et. al., Anais da 6a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisadores Nikkeis, agosto de 1998, Ilha Solteira, SP, p. 305.


24 REGO, Tereza Cristina; op. cit., p. 98.


25 REGO, Tereza Cristina; op. cit. p. 98.


26 Vigotski, L. S.; Psicologia Pedagógica, 1a edição, Martins Fontes, 2001, São Paulo, pp. 63, 65.


27 Vigotski, L. S.; op. cit. p. 67


28 Vigotski, L. S.; Psicologia Pedagógica, 1a edição, Martins Fontes, 2001, São Paulo, pp. 63, 65.

Psicologia Pedagógica, 1a edição, Martins Fontes, 2001, São Paulo, p. 75.


29 ISHIZUKA, Katuoki, et. al., Anais da 6a Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Pesquisadores Nikkeis, agosto de 1998, Ilha Solteira, SP, p. 306.


30 Baden-Powell, “Headquarters Gazette”, maio de 1920, citado em M. Sica “Footsteps of the Founder”, Editrice Ancora Milano, Milano, 1984, p.58.


31 Baden-Powell, “Aids to Scoutmastership”, escrito em 1919, World Brotherhood edition, National Council, Boy Scouts of Canada, Ottawa, p. 54.


32 Baden-Powell, “Aids to Scoutmastership”, op. cit., p. 54


33 Baden-Powell, “Aids to Scoutmastership”, op. cit., p. 54


34 WOSM, Scouting With the Disabled, World Scout Bureau, Geneva, Switzerland, março de 2000, pp. 21-29.


35 LIENHARDT, Beatriz, artigo: “Extending Scouting to Disabled Persons”, in “Europe Information”, no 22, setembro de 1986, pp. 9-15.


36 LIENHARDT, Beatriz, op. cit., pp. 9-15.


37 Jamboree Mundial = acampamento, realizado a cada quatro anos, que congrega escoteiros de todos os países, reunindo de 30 a 35 mil escoteiros, durante uma semana.


38 “If I push him – will he break?” Understanding handicaps in Scouting”, © The Scout Association, United Kingdom, London. 1986.


39 “Healthy Ideas for Youth Members”, produzido pelo Projeto Escoteiro de Saúde Jovem, com fundos da Fundação Vitoriana de Promoção de Saúde, © The Scout Association of Australia, 1a ed., março de 1993.


40 “Integrated Scouting”, editor: Gerard Glynn, The Catholic Boy Scouts of Ireland, © The Scout Foundation, Dublin, 1a ed. outubro de 1986.


41 Livreto “Il suffit de passer le pont: Propositions et experiénces pus un Scoutisme ouvert aux handicapés”, publicado pela Federação de Escoteiros Católicos da Bélgica, Bruxelas, 1982.


42 Livreto “Integrar: Una Nueva Aventura”, © MSC, Collección Práxis, No 2, Barcelona, Espanha, 1982.


43 É evidente que todo esse material precisa ser traduzido e, em alguns casos, adaptado às nossas condições peculiares.


44 Alcatéia = Seção de um Grupo Escoteiro que trabalha com crianças de 7 a 10 anos.


45 Escotista = adulto ou jovem, maior de idade, que assume tarefas que correspondem ao educador adulto em uma seção de um Grupo Escoteiro.


46 Projeto Basta Passar a Ponte, www.escoteiros.org , União dos Escoteiros do Brasil.


47 UEB, Manual do Escotista do Ramo Escoteiro, Escritório Nacional,1a ed., novembro de 2001, Curitiba, PR, p. 272.


48 Conselho de Patrulha: Organismo máximo de tomada de decisões na Patrulha e sua única estrutura formal. Do conselho de Patrulha participam todos os seus membros, sob a presidência do Monitor. Deve abordar assuntos relevantes, como decidir as atividades de Patrulha, determinar as atividades de Tropa que a Patrulha irá propor à Assembléia, avaliar as atividades, conhecer a auto avaliação da progressão pessoal de seus membros e contribuir par ela, eleger o Monitor e o Submonitor e indicar os demais cargos da Patrulha.


49 Assembéia de Tropa: Um dos três componentes da estrutura da Tropa Escoteira, junto com a Corde de Honra e a equipe de Escotistas. Determina as normas de convivência, decide as atividades de Tropa e é integrada por todos os seus membros.


50 Roca de Conselho: Organismo máximo de tomada de decisões na Alcatéia, integrado por todos seus membros, Escotistas e Lobinhos.


51 Linhas de Formação: A UEB tem três linhas de formação para adultos voluntários: Escotistas, Dirigentes Institucionais e Dirigentes de Formação. Cada uma dessas linhas tem três níveis: Preliminar, Básico e Avançado. Cada um dos três níveis é composto por três etapas: Tarefas Prévias, Curso e Prática Supervisionada. Cf. “Diretrizes Nacionais para Gestão de Recursos Adultos”, UEB, Porto Alegre, RS, 2000.


52 Há centenas de jogos já preparados e adaptados para o Movimento Escoteiro, os quais estão sendo usados em outros países, e estão disponíveis para quem desejar usá-los, bastando para isso traduzi-los para a língua portuguesa (vide Anexos). Além disso, pode-se encontrar aproximadamente 10 mil páginas na Internet sobre jogos e recreação para deficientes, apenas na língua portuguesa, com milhares de “links” para serem explorados.


53 Vigotski, L. S.; Psicologia Pedagógica, 1a edição, Martins Fontes, 2001, São Paulo, p. 63.


54 COSTE, Jean-Claude, A Psicomotricidade, 4a ed., Guanabara Loogan, Rio de Janeiro, RJ, 1992.


55 Ficha em que é registrada toda a vida escoteira da criança e do jovem – ingresso, etapas de progressão, atividades internas e externas, conquista de especialidades, etc.


56 Adaptado para o Escotismo e ampliado de: Speaking of Equality, The Roeher Institute, Ontario, Canadá, 1995.


57 Adaptado ao Escotismo e ampliado de: FOREST, Marsha et. al., in Inclusion News/2000, Inclusion Press Internation, Toronto, Canadá, 2000.


58 BADEN-POWELL, “Headquarters Gazette”, maio de 1920, citado em “Footsteps of the Founder”, de M. Sica, Editrice Ancora Milano, 1984, p. 58.


59 UNICEF, Declaração Mundial sobre a Sobrevivência, Proteção e Desenvolvimento das Crianças – Acordada na Cúpula Mundial da Infância, Nova Iorque, setembro de 1990 – In: “First call for children”, p. 1.







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