Universalidade: o sus



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Encontro06.08.2016
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Durante a Supervisão Clínica Institucional no município de Iguatu-Ceará, notamos a necessidade de estar proporcionando mudanças significativas com relação à Humanização no serviço, objetivando uma melhor formação e capacitação da equipe do CAPS - ad do município de Iguatu-Ceará, no tocante a melhor satisfação dos trabalhadores e dos usuários atendidos pelo CAPS – ad. Trabalho esse desenvolvido seguindo os princípios integradores do SUS (Universalidade, Integralidade, Equidade, Intersetorialidade, Resolubilidade e Participação Social).

Nossa proposta inicial foi trabalhar a percepção da equipe com relação ao trabalho em equipe, para tanto utilizamos perguntas norteadoras para que pudéssemos estar traçando o perfil da equipe e a necessidade da mesma.

Algumas perguntas norteadoras:




  • Trabalho desempenhado no CAPS

  • Prática profissional

  • Integração com a equipe

  • Humanização no CAPS - ad

  • Anseios com relação a Supervisão Clínico Institucional.

Diante do que foi colhido com as perguntas norteadoras, sentimos a necessidade de estarmos trabalhando sobre:



  • Princípios norteadores do SUS

  • Humanização

  • Trabalho em equipe interdisciplinar

  • Interação da equipe com o serviço de Saúde Mental

No primeiro momento após a aplicação da perguntas norteadoras focamos nossos trabalhos sobre os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), e consequentemente a criação de um suporte para a equipe do CAPS – ad e posterior abordamos sobre a Humanização.
Princípios do Sistema Único de Saúde (SUS)
Universalidade:

  • O SUS deve atender a todos sem distinções ou restrições oferecendo toda a atenção necessária, sem qualquer custo.

Integralidade:

    • O SUS deve oferecer a atenção necessária promovendo ações contínuas de prevenção e tratamento em todos os níveis de complexidade

Equidade:

    • O SUS deve disponibilizar recursos e serviços com justiça, de acordo com as necessidades de cada um, canalizando maior atenção aos que mais necessitam.

Intersetorialidade:

    • Desenvolvimento de ações integradas entre serviços e saúde e outros serviços públicos com a finalidade de articular políticas e programas de interesse para a saúde.

Resolubilidade:

    • O SUS deve ser capaz de dar uma solução aos problemas do usuário do serviço de saúde de forma adequada, no local mais próximo de sua residência ou encaminhando-o aonde suas necessidades possam ser atendidas conforme o nível de complexidade.

Participação Social:

    • É a criação de canais de participação popular na gestão do SUS, em todas as esferas, municipal, estadual e federal, como forma de garantir a efetividade das políticas públicas de saúde através do controle social.

Após o trabalho exaustivo sobre os princípios do SUS, abordamos sobre o processo de Humanização no serviço de saúde no quais nos respaldam as leituras e aprendizados do livro Acolher Cidadão, estratégias de aperfeiçoamento do SUS em Quixadá, Ceará e durante as aulas do Mestrado Acadêmico em Saúde Pública na Universidade Estadual do Ceará.

Segundo Sampaio (2006), no campo da saúde, Humanização diz respeito a uma aposta ético-estético-política: ética porque implica a atitude de usuários, gestores e trabalhadores de saúde comprometidos e co-responsáveis; estética relativa ao processo de produção da saúde e de subjetividades dos protagonistas; política porque se refere à organização social e institucional das práticas de atenção e gestão na rede do SUS.

Para tanto Sampaio (2006) enfatiza que a política Nacional de Humanização da Atenção e da Gestão em Saúde - PNH coloca como prioritário para a consolidação do SUS trabalhar as dimensões básicas do cuidado e da organização dos serviços de saúde em nosso país Estas dimensões básicas compreende quatro dimensões de competências.


Competência Técnica:

Envolve desde a formação profissional e a condição de exercício do cuidador, até o salário do trabalhador, o espaço físico do posto de trabalho, o planejamento estratégico e a gestão participativa.



Competência Narrativa:

Envolve a capacidade de observar e respeitar a subjetividade do outro, valorizando a sua história única, contemplando a integralidade, o acolhimento e a clínica ampliada.



Competência relacional:

Envolve a formação para a interdisciplinaridade, a vivência com o outro, o colega no corpo coletivo de trabalho.



Competência Política:

Envolve a construção da cidadania, estabelecimento do vínculo entre o profissional de saúde e seu cliente.


Para tanto quando nos deparamos com o processo de Humanização percebemos que os Pilares da Humanização compreendem gestores, trabalhador, usuário e comunidade.


A Humanização do SUS se operacionaliza com:


  • A troca e a construção de saberes;

  • O trabalho em rede com equipes interdisciplinar;

  • A identificação das necessidades, desejos e interesses dos diferentes sujeitos do campo da saúde.

  • Pacto entre os diferentes níveis de gestão do SUS (federal, estadual e municipal), entre gestores, trabalhadores e usuários desta rede;

  • O resgate dos fundamentos básicos que norteiam as práticas de saúde no SUS, reconhecendo os gestores, trabalhadores e usuários como sujeitos ativos e protagonistas das ações de saúde;

  • Construção de redes solidárias e interativas, participativas e protagonistas do SUS.

Sampaio e Vasconcelos Filho (2006) acreditam que os serviços de saúde mais e mais adquirem complexidade interna de funções e integração a sistemas e redes. Levamos em conta o CAPS - ad de Iguatu- Ceará, que atende uma demanda espontânea da população do sistema básico de saúde (agentes de saúde, PSF, postos de saúde), exigindo uma prática multiprofissional interdisciplinar, pois o trabalho em saúde, sobretudo em saúde mental.

Durante as supervisões utilizamos exposições teóricas e práticas, grupos de estudos e atividades grupais envolvendo todos os setores do CAPS - ad, onde a qualificação e um bom desempenho da equipe no processo de humanização requere uma ação mobilizadora e envolvimento da equipe. As atividades eram sempre voltadas para: Os desafios de compartilhar a construção do trabalho de saúde em equipe no processo de humanização.

Durante as supervisões enfocamos os principais preceitos do Ministério da Saúde (2005) com relação ao trabalho em equipe.



  • Quando trabalhamos com saúde precisamos de novas lentes, novos olhos, novos sentidos para quebrar as fronteiras impostas e que nos limita ao espaço físico.

  • Para tanto precisamos ampliar nossos horizontes para enriquecer nosso cuidado, cuidar mais e melhor é uma forma de humanizar as práticas de saúde e de organizar um sistema de saúde de acordo com as necessidades sociais.

  • Temos que estar aberto e nos propor a sair do nosso espaço físico, para quebrar as fronteiras, rompendo barreiras e propor novas estratégias em consonância com o sistema de saúde do município. Realizar interlocuções com a equipe de saúde mental do município.

  • O trabalho em equipe é uma forma eficiente de estruturação, organização e de aproveitamento das habilidades humanas.

  • Possibilita uma visão global e coletiva do trabalho, reforça o compartilhamento de tarefas e a necessidade de cooperação para alcançar objetivos comuns.

  • O trabalho em equipe constitui uma prática em que a comunicação entre os profissionais deve fazer parte do exercício cotidiano do trabalho, no qual os agentes operam a articulação das intervenções técnicas por meio da linguagem.

  • Se não houver interação entre os profissionais das equipes de saúde, corre o risco de repetir a prática fragmentada, desumana e centrada na individualidade. Interligação a rede de saúde do município: PSF, NASF, atenção básica.

A equipe de saúde que se nomeia como um grupo de pessoas com objetivos comuns voltados para promover a saúde na comunidade. Trabalho em equipe é uma modalidade do trabalho coletivo, sendo caracterizado pela relação recíproca entre as dimensões complementares de trabalho e interação.

Carneiro (2006) aborda sobre equipe humanizada como:



    • Lugares de vivência cotidiana, lugar onde se tecem as relações.

    • Construir uma equipe coesa tem sido a meta de muitos gestores.

    • Gerentes de unidades de saúde comprometidos com a melhora da qualidade dos serviços oferecidos à população perseguem o entrosamento e a superação cotidiana de conflitos.

Nesse contexto a idéia de equipe perpassa por duas concepções distintas:



  • Equipe como agrupamento de agentes - caracterizada pela fragmentação das ações.

  • Equipe como integração entre relações e práticas - caracterizada pela construção de possibilidades de recomposição, estaria integrada com a proposta da integralidade das ações de saúde e a necessidade de recomposição dos saberes.

Nos grupos de Supervisão Clínico Institucional, permitimos a equipe do CAPS - ad que o trabalho em equipe constitui uma prática em que a comunicação entre os profissionais deve fazer parte do exercício cotidiano do trabalho, no qual os agentes operam a articulação das intervenções técnicas por meio da linguagem. Buscamos nesse contexto de equipe.



  • Barrar a fragmentação

  • Singularidade

  • Ausência da hegemonia de um saber

  • Conflito

  • Importância da lei

  • Formação profissional

  • Profissional de saúde e paciente sujeito de ação

  • Ética – discurso e ação comprometida

  • Valorização da clínica centrada no paciente e não no procedimento

  • Integração, valorização do conhecimento.

  • Responsabilidade e afetividade

  • Comunicação clara e não contraditória

  • Discussão e planificação do trabalho, socialização do conhecimento.

  • Autocrítica e avaliação periódica dos resultados.

  • Unificar a atuação a partir da troca dos conhecimentos e olhares diversos.

O trabalho em equipe é uma forma eficiente de estruturação, organização e de aproveitamento das habilidades humanas. Possibilitando uma visão global e coletiva do trabalho, reforça o compartilhamento de tarefas e a necessidade de cooperação para alcançar objetivos comuns para tanto se não houver interação entre os profissionais das equipes de saúde, corre-se o risco de repetir a prática fragmentada, desumana e centrada na individualidade.

Segundo o Mistério da Saúde (2005), As equipes vivem imersas nesse mundo contemporâneo, em meio as relações de poder, de afeto, de trabalho, de gênero, relações sociais, históricas, culturais, que produzem pensamentos, sentimentos, modos de agir e desejo, não é possível separa essas relações.



Referência:

Carneiro, C; Ruiz, E; Landim, L; Sampaio J. Acolher cidadão estratégia de aperfeiçoamento do SUS em Quixadá, Ceará. Laboratório de humanização da atenção em saúde. Ed. UECE, Fortaleza 2006.


Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Rio de Janeiro?FIOCRUZ, 2005.


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