Universidade castelo branco



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Encontro05.08.2016
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UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

Centro de Ciências da Saúde e Biológicas

Departamento de Educação Física e Desportos

Disciplina: Lutas

Prof. ms. Chuno Mesquita
O judô ensinado com uma consciência educacional
* Chuno Mesquita
Para que eu possa através deste estudo trazer ao leitor um bom entendimento de minhas idéias, é preciso que se tenha claro as seguintes questões: Qual a concepção que o professor tem do judô? Quais as pretensões que o professor tem com os seus alunos nas aulas e nas competições? Estas duas questões serão fundamentais para que haja uma perfeita harmonia com os princípios básicos do judô, em seus conceitos teóricos e técnicos.

O que deve ser bem colocado são os objetivos que o professor pretende alcançar com os alunos e a forma didática que pretende utilizar. Fazer com que o aluno desperte o gosto pela prática do judô, dá ao professor a chance de desenvolver em seus objetivos os princípios ditados por Jigoro Kano em seus aspectos educacionais e sociais.

O professor deve ter uma visão clara de seus objetivos nas aulas de judô. Para isso, ele deve estar sempre atento para não se deixar atropelar pelos anseios da vitória, pois caso isto aconteça, o aluno poderá ser prejudicado por atividades e treinamentos que ainda não estejam ao seu alcance técnico, o que certamente prejudicará seu desenvolvimento no futuro, pois dependendo do momento em que forem feitas estas cobranças de resultados em competições, suas bases em fundamentos técnicos ainda não estarão solidificadas perfeitamente.

O professor que possui grande habilidade técnica deve ser cuidadoso com seus alunos no sentido de não esquecer que, para alcançar o caminho do conhecimento é necessário que todos os obstáculos que surgirem no momento da aprendizagem deverão ser ultrapassados de forma racional e didática. “Professores habilidosos se tornam muitas vezes insensíveis à dificuldade dos alunos nos momentos de pânico intelectual, e desta forma o aluno não aprende uma técnica por falta de uma melhor explicação ou de um caminho mais fácil para aprender”.

É fundamental que o aluno tenha um bom entendimento dos princípios básicos do judô, como também dos conceitos teóricos que dão sustentação para o enriquecimento do judô em seus aspectos educacionais. O professor deve procurar se utilizar o máximo possível de ações didáticas que favoreçam a sua forma de passar seus conhecimentos teóricos e práticos para os alunos.

O ser humano convive com as tradições culturais de seu povo, elas fazem parte de sua referência de vida, porém essas tradições se transformam de uma forma lenta e gradual. Estas mutações são tão lentas que em muitos casos uma geração não percebe tais mudanças, de tão pequena ou sutil em que ela acontece. Nas aulas de judô eu não diria que é uma mudança, mas uma questão de conscientização dos “porquês” das mais variadas situações que ocorrem no dojô.

Seguindo esse processo de conscientização o aluno passa a ter um perfeito entendimento de tudo o que é feito desde o início de uma aula de judô até o seu final. O judô pode ser trabalhado com toda a sua riqueza de fundamentos educacionais e filosóficos que Jigoro Kano idealizou, desde que o professor saiba adaptá-los aos padrões culturais de quem o pratica.

As aulas de judô devem ser trabalhadas em seus conteúdos técnicos, no sentido do aluno ter entendimento da forma como acontecem as execuções das técnicas, como e porquê. À medida que o aluno for tendo esta aprendizagem dos porquês, a prática do judô vai se tornando algo mais interessante e prazerosa.

O judô deverá ser ensinado em seus primeiros passos dentro de uma proposta em que o aluno aprenda a formar convicções dentro de uma prática conscientizadora, em que o mais importante será entender os movimentos e aprender a desenvolver estratégias para vencer a resistência de seu companheiro, que está se movimentando e oferecendo resistência à sua frente durante todo o treinamento. Estas aulas deverão ser promovidas dentro de um clima prazeroso, em seus aspectos de coletividade e camaradagem, em que o bem estar comum deve ser sempre o ponto convergente de toda programação didática.

Assim o aluno será um elo de ligação entre o professor e o que está sendo aprendido, mantendo viva desta forma, a proposta de Jigoro Kano sobre o princípio máximo do judô, que é o “desenvolvimento da máxima eficiência com um mínimo de esforço”, através de uma prática racional e de cooperação mútua. Trabalhando com o aluno dentro desta linha de pensamento, o professor estará colaborando na formação de seu aluno como cidadão.

Saber trabalhar com a heterogeneidade e a cooperação entre os alunos de forma que eles se sintam assistidos e bem orientados, são qualidades que o professor não deve prescindir em suas aulas de judô. Desenvolver a cooperação entre os alunos através de formas simples de ensino mútuo é uma característica na prática do judô, pois podemos observar que é comum o aluno mais antigo passar seus conhecimentos para os colegas mais novos, assim se criando uma roda viva de ensino informal entre eles, diria inclusive que tal formalidade faz parte da forma cavalheiresca que a prática do judô promove no aluno que tem prazer em ensinar ao colega mais novo as técnicas de melhor conhecimento.

O professor deve estar sempre incentivando que a cooperação entre os alunos seja constante e que o ensino mútuo esteja presente no cotidiano de suas aulas, esta reciprocidade entre os alunos e o trabalho em equipe proporcionado pelo professor, certamente servirá para colaborar no desenvolvimento da autonomia e da responsabilidade, como também o desenvolvimento de uma cultura de solidariedade e camaradagem.



* Chuno Mesquita, 7º dan, mestre em didática da educação física .


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