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UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA


FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS

Curso de Licenciatura em Comunicação Social e Cultural

UNIDADE CURRICULAR: Tradição dos Grandes Livros I (5.5 ECTS) 2009/2010


DOCENTE RESPONSÁVEL: Jorge Fazenda Lourenço 1.º Semestre

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

Como lembra Michel Foucault, “as margens de um livro nunca são muito nítidas nem rigorosamente distintas: para além do título, as primeiras linhas e o ponto final, para além da sua configuração interna e da forma que o autonomiza, encontra-se preso a um sistema de reenvio para outros livros, outros textos, outras frases: nó numa rede” (A Arqueologia do Saber [1969], trad. Miguel Serras Pereira, Coimbra: Almedina, 2005, p. 51). Uma rede que o acto da leitura vai estendendo e disseminando, ao longo do tempo, a novos contextos, problemas e lugares, num cruzamento de discursos que é o que vai fazendo a actualidade de uma obra. Daí que esta disciplina entenda a prática da leitura como uma actividade crítica, intertextual e interdisciplinar, de formação e reformulação de sentidos, propondo uma reflexão sobre o contributo dado por algumas obras do “cânone ocidental” para a configuração e problematização do mundo em que vivemos. Neste semestre, tomamos como nó dessa rede de leituras A República, de Platão. Com ela pretende-se explorar uma temática diversificada em torno de uma série de questões conexas, tendo em vista a construção da cidade-estado (a polis) platónica – as ideias de justiça e de liberdade, a educação (a formação individual) e a cidadania (o interesse colectivo), a estratificação social e a governação, a relação entre a filosofia e as artes –, procurando entender a posteridade e a actualidade destas questões, através da observação crítica da realidade social e política do nosso tempo e do cruzamento de leituras com outras obras, de natureza ensaística e literária: Utopia (1516), de Thomas Morus, Sobre a Liberdade (1859), de John Stuart Mill, A Rebelião das Massas (1937), de José Ortega y Gasset, A Quinta dos Animais (1945) e Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (1949), de George Orwell.



OBJECTIVOS DA UNIDADE CURRICULAR E COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR


Objectivos

A disciplina de Tradição dos Grandes Livros procura explorar o amplo e diversificado corpus do cânone da tradição ocidental, seleccionando obras que continuam a influenciar a vida contemporânea, com o objectivo de ensinar a ler o mundo de um modo crítico e plural. Sendo uma disciplina teórico-prática integrada no grupo das disciplinas de “formação complementar” do curso de licenciatura em Comunicação Social e Cultural, cumpre uma função geral formativa, de enquadramento cultural da formação de futuros profissionais com actividade no campo dos media e das relações culturais.


Competências

A disciplina procura fomentar a capacidade crítica de leitura e interpretação de textos, promovendo as relações interdisciplinares e de contextualização histórica, social, política, literária e cultural, estimulando o desenvolvimento das competências argumentativas e de expressão oral e escrita.



BIBLIOGRAFIA PRINCIPAL




Primária

1.- Obra nuclear

Platão (2008), A República, trad. e introd. Maria Helena da Rocha Pereira, 11.ª ed., Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

2.- Obras complementares, seleccionadas para ficha de leitura



Mill, John Stuart (2006), Sobre a Liberdade [1859], trad. e introd. Pedro Madeira, rev. Desidério Murcho, Lisboa: Edições 70.

Morus, Thomas (2006), Utopia [1516], trad. Aires A. Nascimento, introd. José V. de Pina Martins, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Ortega y Gasset, José (2007), A Rebelião das Massas [1937], trad. Artur Guerra, Lisboa: Relógio D’Água Editores.

Orwell, George (2007), Mil Novecentos e Oitenta e Quatro [1949], trad. Ana Luísa Faria, Lisboa: Antígona.

Orwell, George (2008), A Quinta dos Animais [1945], trad. Paulo Faria, Lisboa: Antígona.

Secundária (a alargar, ao longo do semestre)

Amouretti, Marie-Claire e Françoise Ruzé (1993), O Mundo Grego Antigo, dos Palácios de Creta à Conquista Romana, trad. Miguel Serras Pereira, Lisboa: Publicações Dom Quixote.

Blackburn, Simon (2006), Plato’s Republic: A Biography, Londres: Atlantic Books.

Droz, Geneviève (1993), Os Mitos Platónicos, trad. Fernando Martinho, Mem Martins: Publicações Europa-América.

Ferrari, G. R. F., ed. (2007), The Cambridge Companion to Plato’s Republic, Nova York: Cambridge University Press.

Jaeger, Werner (1986), Paideia: A Formação do Homem Grego [1936], trad. Artur M. Parreira, São Paulo: Martins Fontes.

Leão, Delfim F. et al. (2006), Paideia e Cidadania na Grécia Antiga, Coimbra: Ariadne Editora.

Pereira, Maria Helena da Rocha (1988), Estudos de História da Cultura Clássica, Vol. I – Cultura Grega, 6.ª ed., Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

Popper, Karl (1995), The Open Society and its Enemies [1945], Londres: Routledge.

Purshouse, Luke (2006), Plato’s Republic: A Reader’s Guide, Londres e Nova York: Continuum.

METODOLOGIA DE ENSINO (AVALIAÇÃO INCLUÍDA)



Ensino

O programa está estruturado em três partes: 1) Contexto: a Grécia Antiga, Atenas, Sócrates e Platão; 2) A República: análise e comentário; 3) Posteridade e actualidade da Politeia: críticas, confrontos, desenvolvimentos. Embora apelando a pequenas intervenções dos estudantes, as duas primeiras partes têm um carácter mais expositivo, sobretudo a dedicada à análise e comentário da obra nuclear do programa. A terceira parte permite uma maior participação dos estudantes, através da exposição oral, em pequenos grupos, de trabalhos de carácter interdisciplinar que, partindo de um tema da actualidade, tenham presentes a leitura de Platão e de uma das obras seleccionadas para ficha de leitura.

Cada estudante deve elaborar um portefólio, que será objecto de avaliação e discussão, em conjunto com o relatório final da disciplina. O portefólio deve ter o seguinte conteúdo mínimo: programa e calendário da disciplina; normas para apresentação de trabalhos da FCH; ficha de leitura; materiais utilizados no decurso do semestre (apontamentos, imagens, etc.); antologia de textos, imagens e/ou sons seleccionados pelo estudante, para além das leituras (de textos, imagens ou sons) recomendadas pelo professor; relatório final da disciplina. Deste relatório, com o máximo de 3 páginas A4, deve constar uma justificação do modo como está organizado o portefólio, uma descrição das actividades (curriculares e extra-curriculares) de aprendizagem e uma sucinta auto-avaliação da disciplina.

Esta disciplina contempla um horário de atendimento, semanal, dedicado ao acompanhamento do trabalho dos estudantes.


Avaliação

A avaliação é contínua, em regime presencial, e tem em conta os seguintes parâmetros:

1.- Assiduidade e participação de qualidade na aula (15% da nota final);

2.- Uma ficha de leitura (30% da nota final);



3.- Elaboração de um portefólio (35% da nota final);

4.- Um relatório final da disciplina (20% da nota final), a apresentar com o portefólio.


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