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UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA


FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS

Curso de Licenciatura em Comunicação Social e Cultural

UNIDADE CURRICULAR: Tradição dos Grandes Livros II (5.5 ECTS) 2009/2010


DOCENTE RESPONSÁVEL: Jorge Fazenda Lourenço 2.º Semestre

CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS

Como lembra Michel Foucault, “as margens de um livro nunca são muito nítidas nem rigorosamente distintas: para além do título, as primeiras linhas e o ponto final, para além da sua configuração interna e da forma que o autonomiza, encontra-se preso a um sistema de reenvio para outros livros, outros textos, outras frases: nó numa rede” (A Arqueologia do Saber [1969], trad. Miguel Serras Pereira, Coimbra: Almedina, 2005, p. 51). Uma rede que o acto da leitura vai estendendo e disseminando, ao longo do tempo, a novos contextos, problemas e lugares, num cruzamento de discursos que é o que vai fazendo a actualidade de uma obra. Daí que esta disciplina entenda a prática da leitura como uma actividade crítica, intertextual e interdisciplinar, de formação e reformulação de sentidos, propondo uma reflexão sobre o contributo dado por algumas obras do “cânone ocidental” para a configuração e problematização do mundo em que vivemos. Neste semestre, tomamos como nó dessa rede de leituras um dos livros fundadores do pensamento moderno: Candide, ou l’Optimisme, de Voltaire, publicado em 1759. Com ele, e a partir dele, pretende-se explorar uma temática diversificada em torno de questões como a descoberta do Outro e a construção da Identidade, as ideias do Mal, da Tolerância, do Progresso e da Liberdade, os fenómenos da Guerra e da Doença, ou seja, questões éticas, antropológicas e filosóficas que contribuem para problematizar conceitos como Cultura e Civilização. A abordagem destes temas tem em especial atenção os respectivos processos de representação literária, artística e cultural, tomando como referentes os mitos do Eldorado, do Paraíso Perdido, da Utopia, da América, ou acontecimentos históricos como o Terramoto de Lisboa de 1755, as “guerras religiosas” do século XVIII ou a colonização. Como leituras complementares, que permitem avaliar a antiguidade e a posteridade destas questões, o programa propõe diversas obras, desde a Carta de Pêro Vaz de Caminha à recente Cultura e Barbárie Europeias, de Edgar Morin, passando pelo ensaio seminal de Claude Lévi-Strauss, Raça e História, ou pela reflexão de Susan Sontag sobre o fotojornalismo de guerra, Olhando o Sofrimento dos Outros (ver Bibliografia).



OBJECTIVOS DA UNIDADE CURRICULAR E COMPETÊNCIAS A ADQUIRIR


Objectivos

A disciplina de Tradição dos Grandes Livros procura explorar o amplo e diversificado corpus do cânone da tradição ocidental, seleccionando obras que continuam a influenciar a vida contemporânea, com o objectivo de ensinar a ler o mundo de um modo crítico e plural. Sendo uma disciplina teórico-prática integrada no grupo das disciplinas de “formação complementar” do curso de licenciatura em Comunicação Social e Cultural, cumpre uma função geral formativa, de enquadramento cultural da formação de futuros profissionais com actividade no campo dos media e das relações culturais.


Competências

A disciplina procura fomentar a capacidade crítica de leitura e interpretação de textos, promovendo as relações interdisciplinares e de contextualização histórica, social, política, literária e cultural, estimulando o desenvolvimento das competências argumentativas e de expressão oral e escrita.



BIBLIOGRAFIA PRINCIPAL




Primária

1.- Obra nuclear

Voltaire (2006), Cândido ou o Optimismo [1759], trad. Rui Tavares, Lisboa: Tinta da China.
2.- Obras complementares, seleccionadas para ficha de leitura

Caminha, Pêro Vaz de (2000), Carta de Pêro Vaz de Caminha a El-Rei D. Manuel sobre o Achamento do Brasil, estudo crítico e notas de Ana Maria de Azevedo e de Maria Paula Caetano e Neves Águas, Mem Martins: Publicações Europa-América.

Cendrars, Blaise (1996), Brasil, vieram os homens…, trad. Célia Henriques e Vítor Silva Tavares, Lisboa: & etc.

Lévi-Strauss, Claude (2008), Raça e História [1952], trad. Inácia Canelas, 9.ª ed., Lisboa: Presença.

Morin, Edgar (2007), Cultura e Barbárie Europeias [2005], trad. Ana Paula de Viveiros, Lisboa: Instituto Piaget.

Sontag, Susan (2003), Olhando o Sofrimento dos Outros, trad. José Lima, Lisboa: Gótica.

Secundária (a alargar, ao longo do semestre)

Bronowski, Jacob e Bruce Mazlish (2002), A Tradição Intelectual do Ocidente [1960], trad. Joaquim João Braga Coelho Rosa, Lisboa: Edições 70.

Cortesão, Jaime (1994), A Carta de Pêro Vaz de Caminha, Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Franco, José Eduardo e Ana Cristina da Costa Gomes, coord. (2008), Jardins do Mundo: Discursos e Práticas, Lisboa: Gradiva.

Hazard, Paul (1983), O Pensamento Europeu no Século XVIII (de Montesquieu a Lessing), trad. Carlos Grifo Babo, Lisboa: Presença.

Neiman, Susan (2005), O Mal no Pensamento Moderno. Uma História Alternativa da Filosofia [2002], trad. Vítor Matos, Lisboa: Gradiva.

Outram, Dorinda (2001), O Iluminismo [1995], trad. Joaquim C. Machado da Silva, Lisboa: Temas e Debates.

Todorov, Tzvetan (1990), A Conquista da América. A Questão do Outro [1982], trad. Maria Isabel Braga, Lisboa: Litoral, 1990.

METODOLOGIA DE ENSINO (AVALIAÇÃO INCLUÍDA)



Ensino

O programa está estruturado em três partes: 1) Voltaire e o Iluminismo; 2) Cândido: análise e comentário; 3) Posteridade e actualidade da obra: críticas, confrontos, desenvolvimentos. Embora apelando a pequenas intervenções dos estudantes, as duas primeiras partes têm um carácter mais expositivo, sobretudo a dedicada à análise e comentário da obra nuclear do programa. A terceira parte permite uma maior participação dos estudantes, através da exposição oral, em pequenos grupos, de trabalhos de carácter interdisciplinar que, partindo de um tema da actualidade, tenham presentes a leitura do Cândido e de uma das obras seleccionadas para ficha de leitura.

Cada estudante deve elaborar um portefólio, que será objecto de avaliação e discussão, em conjunto com o relatório final da disciplina. O portefólio deve ter o seguinte conteúdo mínimo: programa e calendário da disciplina; normas para apresentação de trabalhos da FCH; ficha de leitura; materiais utilizados no decurso do semestre (apontamentos, imagens, etc.); antologia de textos, imagens e/ou sons seleccionados pelo estudante, para além das leituras (de textos, imagens ou sons) recomendadas pelo professor; relatório final da disciplina. Deste relatório, com o máximo de 3 páginas A4, deve constar uma justificação do modo como está organizado o portefólio, uma descrição das actividades (curriculares e extra-curriculares) de aprendizagem e uma sucinta auto-avaliação da disciplina.

Esta disciplina contempla um horário de atendimento, semanal, dedicado ao acompanhamento do trabalho dos estudantes.


Avaliação

A avaliação é contínua, em regime presencial, e tem em conta os seguintes parâmetros:

1.- Assiduidade e participação de qualidade na aula (15% da nota final);

2.- Uma ficha de leitura (30% da nota final);



3.- Elaboração de um portefólio (35% da nota final);

4.- Um relatório final da disciplina (20% da nota final), a apresentar com o portefólio.


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