Universidade da beira interior



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UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR

Ciências Sociais e Humanas



Compasso

Memória


Pedro César Marques Falcão

Relatório de projecto final



Realização Cinematográfica

(2º ciclo de estudos)


Orientador: Prof. Doutor Vasco Diogo

Co-orientador: Prof. Doutor Frederico Lopes


Covilhã, Outubro de 2011

Dedicatória

Dedicar o resultado final a todas as pessoas que me ajudaram.



Agradecimentos

Todos os elementos que participaram directa e indirectamente.




Prefácio

Nós queremos imitar deus, e por isso há artistas... Artistas que querem recriar o mundo, como se fossem pequenos deuses, fazem uma serie o constante repensar, sobre a história... A vida, coisas que se vão passando no mundo, nós queremos que se passaram, mas porque acreditamos... que podemos acreditar na memória.

Porque afinal tudo passou, quem nos garante que isso que imaginamos que isso que se passou, passou realmente, a quem devemos perguntar?! Então esse mundo com essa suposição então é uma ilusão. A única coisa verdadeira é a memória, mas a memória é uma invenção, no fundo a memória é, ou seja o cinema, a camara pode captar um momento, mas esse momento já passou, no fundo o que o cinema traz é um fantasma desse momento, e já não temos a certeza se esse momento existiu fora da película, ou a película é uma garantia da existência desse momento, não sei, ou disso sei cada vez menos, vivemos afinal numa dúvida permanente, no entanto vivemos com os pés na terra, comemos, usamos a vida...

Manuel de Oliveira

Resumo

História situada nos anos 80 e 90, base principal anos 90. Uma família humilde de uma pequena aldeia do Interior de Portugal, dá à luz o seu primeiro herdeiro. Infelizmente a mãe não aguenta o parto e acaba por falecer. O Pai com uma criança em seus braços para cuidar, com a escassez de trabalho resolve entregar o seu filho a uma instituição de acolhimento jovem. Para poder ter educação, comida e roupa lavada na mesa todos os dias. O Pai Abdica de todos os confortos, água, luz, gás...Para conseguir juntar o máximo de dinheiro, o objectivo é conseguir trazer o seu filho de volta, com todas as condições que sempre sonhou dar-lhe.


Palavras-chave

A Monotonia que se quebra com Beleza, Compasso.

A espera pelo reencontro, Compasso.

A ilusão da Saudade e noção da Realidade, Compasso.

Compasso de espera, Compasso.

Índice

1 Introdução

1

1.1 Contextualização

2

1.2 Simbologias

4

1.3 Dificuldades de Produção

6

    1. Influências

    2. Conclusão

9

10



Lista de Acrónimos

GRP

Gabinete de Relações Públicas

UBI

Universidade da Beira Interior







Capítulo 1
Introdução
O meu projecto final de Mestrado em Cinema, ramo, realização cinematográfica, tem como avaliação uma Curta-Metragem com o título, Compasso. Toda a construção narrativa e técnica teve como fundamento o tema, Memória.
Começo por apreciar a fase de criação em relação ao tema. Visto que as condições de produção não eram extremas, mais especificamente em relação ao dinheiro disponível, tive de elaborar uma forma de conseguir juntar qualidade à realidade, além de que tinha mais tarefas a desempenhar no projecto (Realização, guionista, Director de Fotografia).
O processo de Criação foi executado de forma inversa. Antes de ter a História/Ideia, tinha os locais de filmagens elegidos, passo a explicar.

Com a escassez de meios financeiros, Resolvi filmar na aldeia onde nasci (Ladoeiro), ajudou-me bastante nas localizações, devido ao facto de as conhecer muito bem, sempre tive em mente utilizar alguns locais que me tocavam na “minha” aldeia, como também usar as tradições/vivências das gentes dessa Terra.


Foi a partir desse ponto que comecei, comecei por aproximar-me... Aproximar-me das histórias Reais para conseguir uma relação como o tema, Memória. Memória, passado, Passado, Trabalho...

Assim cheguei à minha História, uma ideia que aparenta ser triste, mas que na realidade pretende chegar de forma inversa, pretende ser considerada uma história de esperança, persistência e Amor.



Contextualização
Nesta aldeia do Interior de Portugal onde quase todas as pessoas viviam do que a terra lhes dava, principalmente nos Anos 80, tinha-se de ter tudo muito bem elaborado no seio da Familiar para que nenhum imprevisto/surpresa, estragasse o caminho/vida tão difícil de construir.
A época representada está situada nos anos 90, com a força da história situada 10 anos antes, anos 80.

Uma Família tipicamente Portuguesa do Interior de Portugal, a sua casa normalmente “adoptado” onde as gerações anteriores já viveram e construíram as suas vidas sempre com muito sacrifício.

Uma Família unida em prol de um futuro, ter filhos, conseguir juntar o máximo de dinheiro possível para que o/os seus estudem e não tenham de viver da “Terra” como os progenitores.

Ele com 24 anos ela com 25, estão bastante felizes, um rebento vem a caminho para dar continuidade à Árvore Genealógica, cada vez mais ramificada e com mais Vida. Rebento esse que iria contribuir para a quebra de um dos ramos.

Com a vida bem encaminhada desta humilde família, a tristeza absorve essa imensa alegria. Ao nascimento do tão esperado rebento, o inesperado acontece, a sua progenitora perde a Vida.
A partir deste momento começa o guião, a Hístória=Curta-Metragem. Contando de forma linear surge da seguinte forma:

O Pai desta família destroçada fica sozinho no seu lar com uma criança recém nascida para cuidar, as suas responsabilidades de chefe de família redobram. O Funeral da mulher “destruiu” grande parte das economias da pequena e humilde família, com uma criança para cuidar, tem de trabalhar menos horas, em consequência também ganha menos dinheiro, se antes já era escasso, neste momento é utópico.


Como toda a base da história, são recordações da minha infância e vivências por mim presenciados em famílias da minha aldeia, tinha necessidade de introduzir um elemento novo, resolvi recorrer a mais uma situação infelizmente bastante normal, nas famílias mais necessitadas das aldeias do interior despovoadas e sem meios de sustento, na época por mim representada.

O Pai resolve por livre e espontânea vontade entregar o seu filho a uma instituição de acolhimento, o dinheiro que ele ia conseguindo juntar era suficiente para os dois sobreviverem, mas como todos os bons Pais, querem sempre mais e melhor para os seus Filhos.


Esse Pai além de querer ser um exemplo, queria dar a oportunidade ao seu filho de estudar, ter comida sempre na mesa e “roupa lavada”. Abdicou do seu único amor vivo, para um dia mais tarde as suas gerações próximas não terem de passar pelo mesmo.

Esse pai apaixonado pelo filho fez um pacto, apesar de ser um pacto de um homem para uma criança, tinha como aditivo um grande Amor. O Pai prometeu ao seu filho um dia quando todas as condições estiverem reunidas, ir busca-lo, e cada dia que passe o vai Amar mais...

Como prova do grande amor pelo seu filho e demonstração de uma vontade própria para que o seu filho volte, o Pai abdica de tudo o que pode para conseguir juntar o máximo de dinheiro, abdica de água, luz, gás, “boa comida”, de ter roupa além da necessária, a fim de conseguir um pequeno império, para quando do regresso do seu filho, não sentir falta de nada, além do grande calor humano cheio de amor e saudades.


Simbologias

A história contada desta forma era um pouco dada, resolvi através da montagem e realização ir dando indícios do que se passou e iria passar. Por exemplo em relação à “pré-história” como sabemos que a mãe morreu e quando?

Existe um símbolo que indica o luto dos homens principalmente nas terras do interior, a quando da entrega do filho à senhora da instituição, o Pai traz uma camisa preta, simbolizando o luto, a perca de alguém mais próximo. De quem seria o luto?! Poderia pensar o espectador...

A ausência de uma pessoa feminina em casa, poderia levar a pensar que a senhora que foi buscar o filho, fosse sua mãe, é legítimo pensar dessa forma, é algo que não pretendo responder nesta altura do filme, nem que se espere pelo fim para essa dúvida seja dissipada.


O Luto junto com o romper do passado, representação essa que acontece quando o personagem está no seu quarto e tira a sua aliança. Ele vai colocar a aliança junto a outra que se encontra numa fotografia de uma mulher grávida. Mais um indício da perca da sua mulher. Essa cena é muito importante na história, existe um romper com o passado/memória, o personagem retira a aliança e deixa-a em “paz” ao lado da aliança da falecida mulher. Esse romper, quebra também a sua maneira de estar interiormente, esse sentimento está demonstrado na música, o instrumento base, guitarra clássica (dedilhada) está também presente nas restantes músicas, mas contém mais elementos sonoros, demonstra uma evolução interior em relação ao personagem, a música deixa de ser tão minimalista e ganha acordos mais bélicos,
Existe outras ideias que não pretendo passar facilmente, como a cena inicial do jantar, em que o personagem está a preparar o jantar e tem dois pratos na mesa para servir, esse prato a mais, é para o seu fiel companheiro (um cão) que ama incondicionalmente. A presença do cão na história é mais uma vez para reforçar a ideia de que o Pai, é um bom homem e está talhado para cuidar dos seus, a ausência do filho leva o personagem a conseguir uma companhia para colmatar a grande solidão que sente. Nessa cena o cão está no escuro, não queria dar essa informação “gratuitamente”, cuidou do seu filho durante 5 anos, a sua ausência criou um vazio muito grande na sua vida, essa ausência também é bem visível na pequena cadeira junto à lareira.

Uma pessoa com um coração tão grande, necessita de algo ou alguém de quem cuidar e fizesse companhia, mas sem grandes pressas, nunca se quis desviar do seu caminho.


Existe outro pormenor no filme que vou tornando mais notado a quando do passar do tempo, pode passar despercebido ao espectador, mas a sua compreensão dá mais força à história. O personagem denota alguma ansiedade quando sai ou chega a casa em relação à caixa de correio, à primeira impressão pode ser algo “dado” como uma simples notícia do seu filho. Mas não, a ideia dessa carta é dar um ponto de viragem na sua forma de estar na Vida, para demonstrar que algo mudou e vai acontecer. Uma ideia simples de poder económico, sinal que já não necessita de fazer mais esforços e que o seu filho em breve vai voltar.
A chegada dessa carta significa que em breve vai voltar a ter electricidade em casa, o personagem já sabia que mais dia, menos dia, a sua solicitação para ter electricidade em casa, em breve iria chegar, mas não era isso que o deixava mais ansioso, a ansiedade advinha de algo mais justificado e desejado, ele esperava a chegada da electricidade para poder recuperar o seu filho e recebe-lo nas condições desejadas.

Dificuldades de Produção
O início do filme (genérico inicial) começa com um pôr-do-sol, o próximo plano exterior (personagem a sair de casa) pretendia mostrar o nascer do Sol, mas infelizmente, as condições climatéricas nesse dia (06:00 horas) parecia mais duas da tarde com o céu nublado, foi uma semana de gravações complicada, um projecto de três dias, transformou-se em seis, devido ao meu tempo, algumas cenas tiveram de ser canceladas devido à chuva e a compromissos por parte do actor. Voltando à ideia do “Sol”...

Pretendia com a sua chegada a casa (genérico inicial) com o pôr-do-sol e sair no dia seguinte ao nascer do sol, vincar mais uma vez o esforço para conseguir ter de volta o seu filho, trabalho duro e de sol a sol.


Em relação à cena em que o actor se encontra no seu local de trabalho, teve de ser tudo alterado em relação ao story Board, por me encontrar a viver em Barcelona, fiz as localizações no Natal, altura em que fui a Portugal. A profissão do personagem como estava pensado no guião, era um homem que trabalhava numa exploração de carvão, onde tinha uns fornos em formado de iglo feitos em barro. Infelizmente quando cheguei a Portugal para filmar deparei-me com o triste panorama... Os “iglos” tinham sido destruídos, tive de improvisar e jogar com os recursos disponíveis na exploração de carvão. A ideia inicial era ter o actor mais sujo, mais desgastado do seu trabalho, um trabalho duro e bastante precário, como não tinha os fornos e não tinha como justificar essa sujidade, o personagem tem uma imagem mais limpa no filme.

O recurso utilizado não me consegue convencer, tentei com os melhores enquadramentos possíveis remediar, recorri a uma alteração narrativa.

O filme até então tinha uma estética bastante ficcional, transformei a etapa do trabalho em algo mais documental, mais ruidoso, menos estético em termos de imagem, necessitei de dar uma imagem mais vérité, para jogar melhor com os recursos disponíveis mas não estou totalmente satisfeito com o resultado. Viste que a ideia inicial era mais rica, em enquadramentos, em cenografia, em representação e traria muito mais força à história, filmado da forma inicialmente pensada.
Continuando nos decores, tive outro imprevisto, a loja onde filmei estava fechada faz alguns anos, mas estava intacta, pronta para abrir portas e vender ao público no minuto seguinte. Infelizmente com o falecimento da mulher do proprietário da loja (que também iria fazer de actor) algumas coisas mudaram, chegamos ao local, tinha “desfeito” a loja e dado muitas das coisas, o local era perfeito como o conheci, estava como que parado no tempo, não se deixando consumir/engolir pelo consumismo e as lojas clones.

Mostrei uma foto à cenógrafa e com o que tínhamos disponível no espaço, reconstruímos o cenário que está registado, tentando chegar o mais próximo possível ao que tinha em mente. Infelizmente muita coisa mudou, o balcão era central, ficou lateral, devido à escassez de elementos cenográficos, o actor ia ser o dono da loja, devia ao falecimento da sua companheira de Vida, não o consegui convencer a se colocar perante uma camara, com um micro e projectores apontados. A sua forma física, forma de vestir, maneira de estar, ficava perfeita no papel, uma simples figuração que ficaria muito bem na imagem, representando de forma perfeita a época que pretendia passar ao espectador. Coloquei o meu pai nesse papel, não me convence de todo...


A escolha dos dois actores para fazer o papel de filho, também não foi uma tarefa fácil. O miúdo aparecia com 5/6 anos no filme e cerca de 10 anos depois. Para estar a conseguir actores profissionais era uma despesa bastante elevada para o orçamento que tinha disponível, deslocações para o local de filmagens, mais estadia... O que me deixava apreensivo era o facto de pelo menos a “criança adulta” ter de ter uma noção mínima de representação, além disso tinha de conseguir duas pessoas minimamente parecidas, visto que existe um dissolve na cena final que cola a transição, memória (passado/presente). Um romper com a memória e construir uma vida nova a partir desse ponto.

A solução encontrada foi colocar o meu irmão como “criança maior”, é bastante parecido com a “criança menor”, claro que com isso tinha bastantes condicionantes, tendo de recorrer a vários tack's para conseguir ter minimamente a representação por mim desejada, além do actor não ter mínima noção de representação, a forma como está filmada a cena, também não é de fácil concepção, o plano final além de um travelling também tem zoom ao mesmo tempo, um actor profissional e fiel ao seu registo iria facilitar bastante, mas como não foi possível, tive de recorrer ao melhor plano representação/técnica. Havia planos que tecnicamente estavam melhores conseguidos e vice-versa, mas no global este era o que juntava melhor harmonia. Além de mais o rosto do meu irmão e as suas expressões fazem parte do meu dia-a-dia, causa-me um pouco de estranheza, pode ser que para o espectador funcione melhor, atribuindo mesmo um Oscar à sua representação.


No filme todos os decore foram recriados, loja, quarto, sala de jantar, instituição, casa (exterior e interior, são locais distintos). A facilidade em conseguir os locais para filmar foram bastante grandes, as pessoas mostraram-se super disponíveis, para ajudar em tudo o que necessitei, locais, adereços, autocarro...

Influências

Trilogia Três Cores Azul, Branco, Vermelho. Krzysztof Kieslowski.

Nuit Noir - Die schwarze Nacht. Olivier Smolders

The Road. John Hillcoat

Hunger. Steve Mcqueen

Requiem for a Dream. Darren Aranofsky

Arena. João salaviza

Laço Branco. Michael Haneke


Bibliografia:

Camara clara. roland barthes

siddhartha. hermann hesse

Música:

Réne Aubry

Zeca Afonso

Joaquim Pires




Conclusão
As influências por mim referenciadas anteriormente, não estão todas totalmente ligadas à concepção da obra, em dois ou três casos, nem a estética nem a história tem nada a ver com a que procuro no meu filme. Apenas estão referidas porque surgiram em terminada altura da concepção da minha história e me fizeram sentir bem vê-las/revê-las ou lê-las (estado de espírito), transmitindo-me estímulos positivos que mais tarde iriam influenciar a minha maneira de pensar/concepção da obra.
A grande influência para o meu projecto foi o realizador Krzysztof Kieslowski. A minha ideia surgiu à cerca de um ano, inverti a lógica criativa inconscientemente, em vez de pensar na história e depois nos locais, deixei que os locais me trouxessem à História.
Desde de sempre quis filmar no sítio onde vivo, Ladoeiro, uma aldeia no interior de Portugal, o sol que se faz sentir de uma forma maravilhosa, as paisagens, a ruralidade a rotina de um sitio como estes, sempre me cativaram, a forma como as pessoas através da terra conseguem subsistir, porque as grandes industrias não chegam, nem chegaram até lá, merece ser “elogiada”.

A estética do filme é bastante parada, isso é reflexo do estado de espírito dos habitantes e suas vivências, algo calmo, mais genuíno, sem as pressões constantes das grandes Cidades. O meio de transporte do Personagem (bicicleta pasteleira) reflecte essa diferença de ritmos.


A minha história tem como objectivo retratar um simples acontecimentos que se notou muito nos locais menos habitados de Portugal, logo menos capital financeiro, no final dos anos 80 início dos 90, as pessoas tinham muitos filhos e não tinham condições para os criar, os produtos que extraiam da terra não eram suficientes para sustentar as inúmeras famílias. Este foi o ponto de partida, com esta premissa cheguei à minha história.
Um homem com cerca de 43 anos que tem um trabalho duro, trabalha de sol a Sol, com um objectivo, objectivo esse que não vai ser dado/gratuito ao espectador, também não faço questão de o “esconder” mas prefiro que seja o espectador a chegar à conclusão que o homem se sujeita ao esforço visível para poder trazer o seu filho de volta a casa.

O personagem principal como já foi referido, trabalha em prol de um objectivo, com rotinas delineadas, por vezes cansativas mas que à chegada do momento chave, tornam-se rotinas bem vindas, como sinal de recompensa. A natureza vai estar sempre presente, o Sol, o campo, os animais (nem que seja apenas em som), simboliza a vida, estado de espírito purificado.


Para explicar melhor a concepção do filme, vou voltar às influências, em termos de enquadramentos, é um filme muito estético, com a fotografia e som também muito cuidado. A trilogia Azul, Branco, Vermelho do Krzysztof Kieslowski, foram os grandes impulsionadores da estética base, a fotografia mais no Nuit Noir e Hunger. No filme The road surgiu uma ideia que vem dar mais força à história. Visto que nesse filme (The road) não existe sol e o personagem principal é-lhe dado o poder de transportar o fogo, resolvi utilizar essa ideia no meu projecto.
O sol é um pouco o guia do meu personagem, visto que o sol não dura o dia todo, e que ele pretende juntar o máximo dinheiro possível, resolvi utilizar também o “fogo” para pintar o quadro nas cenas passadas em casa do personagem (noite), não apenas como opção estética mas também para dar mais força à ideia. O personagem pretende trazer o filho de volta, para passar uma ideia de poder económico, antes do espectador perceber que vai acontecer, vou-lhes “oferecer” essa transição, ao haver uma quebra do passado, quando o personagem receber a notícia que não necessita mais utilizar candeeiros, e finalmente vai ter electricidade.
Como acontece em grande parte do filme, vou contar esta cena com palavras, é um filme simbólico, com vários sinais semióticos, além de ser uma forma apreciada por mim, é também no meu ponto de vista a melhor forma de contar a minha história tendo em conta que se trata de uma curta-metragem. Os diálogos vão ser escassos, apenas vai surgir por uma vez, senti necessidade contar a minha história com imagens, por diversos motivos, mas principalmente pela origem da ideia.

A forma como filmei é sempre muito estável, camara fixa, com movimentos muito cuidados, um pouco à imagem da curta-metragem Arena, curta-metragem que ganhou a Palma de Ouro em Cannes no ano de 2009.

No início do filme o travelling utilizado foi de difícil execução. O personagem vai descer um estrada de bicicleta, a camara estava num reboque puxado por um carro, este plano exigiu um risco elevado, filmado a quando do pôr-do-sol, esse “acontecimento” dura poucos minutos, por esse motivo foi necessário muita preparação prévia para quando todas as condições estivessem reunidas.
Em relação ao meu relatório, não sinto necessidade de escrever algo mais, a minha primeira versão tinha mais algumas páginas. Por momentos dei por mim a ler o meu relatório e falar mais do que devia a cerca do Filme.

Não quero com esta conclusão, retirar mérito à função do relatório, mas visto que já tenho a curta como ferramenta de trabalho e defesa do tema. Já expliquei em termos gerais, onde me inspirei, como cheguei ao processo criativo, que problemas tive de ultrapassar, o que menos me atrai (vice-versa).



Acho por bem de todos, deixar mais apreciações, para a altura da defesa. Na minha opinião vai ser melhor para ambas as partes, para mim, perceber se o espectador (Júri) absorveu a minha ideia, e para “vocês”, júris, ouvirem algo mais do que o que contenho no relatório.



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