Universidade do sul de santa catarina unisul



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Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação da Unisul – ITEC.UNISUL


UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA - UNISUL

INSTITUTO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO DA UNISUL

(ITEC.UNISUL)

AUTORES

Ademar Schmitz, Fabio Zabot Holthausen, Ingo Louis Hermann, Paulo Roberto Boff, Rafael Ávila Faraco



COLABORADORES

Ana Regina Aguiar Dutra, Solange Maria Leda Gallo



AGOSTO, 2008

SUMÁRIO


  1. INTRODUÇÃO

No documento que traçava perspectivas para os próximos 40 anos de atuação da Unisul, o magnífico reitor da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) reiterava sua posição em favor de uma transformação, citando Peter Drucker e completando com suas próprias idéias, as quais registramos no texto que segue. “Daqui a 30 anos as universidades serão como cemitérios, ou desertos sem alma alguma” e complementa que isso ocorrerá se a universidade não se renovar, incorporando mudanças e sendo agente dessas (SILVEIRA, 2005). Para Silveira:

Esta incorporação da mudança como processo permanente implica mudar permanentemente conceitos, mentalidades e posturas de modo que a mudança seja vista como oportunidade ou vida da organização, ao invés de ameaça ou desestabilização. Na verdade, se o futuro nos acena para uma era do conhecimento e, sendo a Universidade, por definição, verdadeiro centro gestor de cérebros e, portanto, de conhecimento, mais do que como uma profecia, a afirmação de Peter Drucker deve ser entendida como um alerta. Para atender ao alerta, no entanto, a nova Universidade deve buscar bem mais do que preparar profissionais competitivos para o Mercado de Trabalho, numa visão estreita e reducionista do homem e de suas funções, embora deva fazer esse preparo também, e fazê – lo de modo competente (2005, p. 7).

Inspirada nas palavras do nosso Reitor surgiu a proposta deste trabalho, considerando que o relacionamento universidade/setor produtivo constitui-se na célula de um novo modo de ver e atuar na universidade.

O rumo necessário deverá cada vez mais identificar a UNISUL como um centro estratégico de conhecimento ou de saber, onde se realizem as funções de produzir conhecimento, ciência e tecnologia, guardá-lo e difundi-lo. Na verdade, não há o que ensinar, ou o que difundir, se a Universidade não dispuser, em contínuo reabastecimento ou em acréscimo contínuo, de um patrimônio científico próprio, mas universal, integrado, portanto, com o mundo, em via de mão dupla (SILVEIRA, 2005, p. 12).

De modo geral, as Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras atravessam um momento de crise entre as quais destacamos a evasão de alunos. Essa crise instaurou-se por razões de diferentes ordens, e, sem dúvida, a situação econômica do País é uma das razões mais fortes. É bom lembrar também razões regionais, que, no caso de Santa Catarina, estão relacionadas ao fato de o estado ter atingido, nos últimos anos, um volume de oferta de curso superior que se equilibra ao da demanda, em certos pontos geográficos, até maior que a própria demanda.

Destaca-se, também, atualmente, uma razão de ordem acadêmico-jurídica, referente à legislação em tramitação no Congresso que exige das universidades um reposicionamento para que não percam o seu status. Essa legislação prevê, entre outros parâmetros mínimos, que as universidades consolidem três Mestrados e um Doutorado recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). As instituições que não cumprirem essa exigência até o ano de 2010 passarão à categoria de “centros universitários”, ou “faculdades isoladas”. Depreende-se daí que a vinculação entre ensino, pesquisa e extensão será condição sine qua non das universidades.

Sendo assim, todas as IES são chamadas a tomar uma decisão estratégica: investir na consolidação da universidade ou especializar-se como centro universitário. Esses constituirão mercados cada vez mais diferenciados, tanto pelo preço que praticarão quanto pelo tipo de formação que oferecerão.

A Unisul assume um compromisso com a transformação da sociedade e com a sua própria transformação, ao definir a sua missão, como:

Educação e gestão inovadoras e criativas no processo do ensino, da pesquisa e da extensão para formar integralmente, ao longo da vida, cidadãos capazes de contribuir na construção de uma sociedade humanizada, em permanente sintonia com os avanços da ciência e da tecnologia.

A partir da definição da sua missão e para garantir a prática de suas políticas e diretrizes, entre outras questões, a universidade trata da inserção da pesquisa e da extensão no processo de ensino, promovendo a sua indissociabilidade. Por meio do Projeto Pedagógico Institucional (2003), muitos esforços estão sendo empregados pelo conjunto da comunidade acadêmica, para a consolidação dessas concepções estratégicas. Apesar disso, a Unisul tem se mantido em uma posição intermediária, até hoje.

Por um lado, a universidade expandiu e diversificou a oferta de cursos de graduação, muitas vezes até inovando nessa esfera, trazendo propostas inéditas. Expandiu também geograficamente a sua capacidade de oferta na última década, implantando novas unidades e campi.

Por outro lado, manteve na sua órbita projetos de extensão e pesquisa em desenvolvimento, de modo a ter alguns resultados interessantes e pontuais nesse âmbito. Salientam-se os serviços assistenciais que consolidam o caráter comunitário da Unisul e que fazem parte do programa de extensão da universidade. Igualmente foram empreendidos esforços para a manutenção e o fortalecimento da Pós-Graduação, notadamente do stricto sensu.

Estamos, hoje, portanto, em um turning point (ponto de mutação), certos de que precisaremos optar por uma forma de atuação para as próximas décadas: ou continuamos nossas ações de fortalecimento do ensino, e desaquecemos os projetos de pesquisa e extensão, optando claramente por uma condição de centro universitário ou mudamos a proporção de investimento e foco para igualar instâncias de ensino, pesquisa e extensão para se consolidar como universidade.

Por que não há caminho intermediário? Porque em razão da alta competitividade, só sobreviverão as IES que tiverem um posicionamento claro para dentro e para fora, aquelas que não desperdiçarem energia em ações equivocadas e que souberem aproveitar todas as oportunidades. A Unisul já tomou a sua decisão: ela quer ser uma Universidade. Portanto, deverá investir em pesquisa e extensão.

Para atingir essa condição, a Unisul terá que adequar-se e isso implica em reformular as suas atividades, equilibrando-as entre ensino, pesquisa e extensão. Como 90% das nossas atividades, hoje, estão voltadas para o ensino, será necessário focar mais a pesquisa e a extensão como formas de produção do conhecimento. Ou seja, temos que abrir o campo para o desenvolvimento auto-sustentável de projetos de pesquisa e extensão, nos quais possamos envolver toda a comunidade acadêmica. As agências de fomento representam uma fonte de incentivos e é nesse sentido que devemos buscar incessantemente, através da apresentação de propostas, recursos para o desenvolvimento da pesquisa e da extensão. Porém, todos os indicadores, tanto os internos como os externos apontam para um significativo volume de recursos que tem sido aportado nas universidades pelo setor produtivo, público e privado, muito maior do que aquele provindo de agências de fomento o que não é diferente na Unisul.

Infelizmente esses recursos não estão sendo canalizados adequadamente para o crescimento da nossa capacidade de pesquisa e muito menos para a consolidação da nossa pós-graduação, incluindo o stricto sensu, embora essa seja uma conquista em outras universidades brasileiras. A relação com o setor produtivo tem se pautado por contratos fragilmente assessorados, o que impede a implementação da necessária política de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I).

Não podemos continuar com projetos orbitais e pontuais justificando nossas ações de pesquisa, ou nos contentar com os parâmetros exigidos pela legislação, estritamente, em termos de pós-graduação, pois o modelo de oferta maciça de ensino, apenas pontuada com ações de pesquisa e extensão, não garante mais sustentabilidade às universidades.

Se, por um lado, nossos programas próprios de pesquisa começam agora a provocar um movimento salutar de discussão entre os nossos alunos e professores, por outro lado, não estamos organizados suficientemente para aproveitar o potencial que estamos fomentando. Corremos o risco de estar investindo sem retorno para nós e para os alunos, já que não temos um programa estratégico de fixação de pesquisadores.

Nossas atividades de pesquisa e extensão deverão articular-se ao ensino, de tal modo que a educação continuada seja uma decorrência completamente natural do processo. Os alunos poderão estar envolvidos em projetos que estarão inicialmente vinculados aos cursos de graduação e, posteriormente, aos de pós-graduação, sem ruptura no processo de produção de conhecimento.

Nossa proposta visa à organização do cenário que consideramos necessário para que possamos atingir a auto-sustentabilidade da universidade, mediante a articulação do ensino e da pesquisa com o financiamento proveniente do setor produtivo público e privado.

Com a oficialização dos grupos de pesquisa em 1998, a Unisul alcançou um patamar de organização da pesquisa que permite o fomento de alunos e professores à pesquisa científica básica e aplicada. Atualmente, com os trabalhos realizados pela Coordenação de Pesquisa da Unisul, tem-se incrementado o acesso à pesquisa de um número significativo de alunos e professores.

As informações acerca da produção científica indicam que ao longo desde últimos cinco anos tem-se evoluído significativamente. Pesquisadores, individualmente, e núcleos e grupos de pesquisa têm obtido o reconhecimento da comunidade científica e também do mercado. Exemplos disto são as pesquisas realizadas em arqueologia, meio ambiente, energias alternativas e renováveis, usabilidade e engenharia de software, software para acesso remoto, engenharia química, tecnologia de produção de fármacos, tecnoligas da para a saúde, entre outros.



No entanto, junto a esta evolução, tem sido constatada a necessidade de organizar na Unisul um mecanismo institucional para atuar como agente facilitador do processo de interação entre o desenvolvimento da pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Universidade e o setor produtivo público e privado. Esta constatação é advinda do número significativo de projetos aprovados junto ao setor produtivo por pesquisadores da Universidade e os principais problemas constatados durante o processo de elaboração, aprovação e execução destes projetos. Acredita-se que as maiorias dos problemas identificados são decorrentes da ausência de um organismo institucional que trate exclusivamente da prospecção, organização e execução deste segmento da pesquisa.

    1. Objetivos



      1. Objetivo Geral

O objetivo geral deste projeto é:

  • Estruturar, na Fundação Universidade, o Instituto de Ciência Tecnologia e Inovação (Itec.Unisul), para promover, em parceria com o setor produtivo público e privado, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).



      1. Objetivos Específicos

Para que o objetivo geral deste projeto seja atingido, será necessário:

  • Realizar uma análise situacional e ambiental sobre PD&I;

  • Propor a estrutura acadêmica para P&D;

  • Organizar os fluxos que alinhem o Instituto com a estrutura acadêmica para P&D;

  • Propor a estrutura do Institituto;

  • Definir modelo de gestão do Instituto;

  • Propor um escritório de projetos de P&D;

  • Propor um escritório de propriedade intelectual e transferência de tecnologia; e

  • Propor políticas e diretrizes para a implantação de parques tecnológicos nos campi.



    1. Resultados Esperados

Com a estruturação do Instituto, espera-se:

  • Aproximar a Unisul do setor produtivo público e privado para geração de P&D;

  • Desenvolver ações de P&D em áreas estratégicas da Unisul;

  • Dar sustentabilidade para as ações de PD& da Unisul;

  • Otimizar os recursos de P&D visando atender o setor produtivo de forma ágil e flexível;

  • Proteger os direitos sobre os resultados obtidos nos projetos de P&D;

  • Transferir para as empresas o conhecimento gerado nos projetos de P&D;

  • Fortalecer a academia por meio do conhecimento gerado nos projetos de P&D;

  • Consolidar a Unisul como uma instituição de PD&I;



  1. ASPECTOS TEÓRICOS



    1. Bases Conceituais

Para Jung (2004), a pesquisa é utilizada como instrumento ou ferramenta para a descoberta de novos conhecimentos, enquanto que o desenvolvimento é a aplicação destes novos conhecimentos para se obter resultados práticos.

Estes resultados podem ser divulgados através de artigos técnicos e científicos, registrada em forma de patentes, sem, contudo, ter uma aplicação comercial efetiva. Para que haja inovação, deve ocorrer a efetiva aplicação prática dos conhecimentos gerados na pesquisa e desenvolvimento. Conforme a Lei de Inovação (Lei 10.973/04), inovação é a introdução de novidade ou aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos ou serviços.

As inovações podem ocorrer de várias formas. De acordo com o Manual de Oslo (2006), as inovações podem ocorrer em produtos, processos e mudanças organizacionais. Um produto tecnologicamente novo é aquele cujas características fundamentais diferem significativamente de todos os produtos previamente produzidos pela empresa. Inclui também o aperfeiçoamento tecnológico de produto previamente existente cujo desempenho foi substancialmente aprimorado através da utilização de novas matérias-primas ou componentes e subsistemas de maior rendimento.

Já as inovações de processo referem-se a formas de operação tecnologicamente novas ou substancialmente aprimoradas, obtidas pela introdução de novas tecnologias de produção, assim como de métodos novos ou substancialmente aprimorados de manuseio e entrega de produtos.

As inovações organizacionais, por sua vez, referem-se a mudanças que ocorrem na estrutura gerencial da empresa, na forma de articulação entre suas diferentes áreas, na especialização dos trabalhadores, no relacionamento com fornecedores e clientes e nas múltiplas técnicas de organização dos processos de negócios.

As mudanças tecnológicas podem ser diferenciadas pelo seu grau de inovação. As inovações incrementais são as mais elementares e são graduais, ou seja, acorrem de forma contínua. Elas abrangem melhorias feitas no design ou na qualidade de produtos, aperfeiçoamentos em layout e processos, novos arranjos logísticos e organizacionais e novas práticas de suprimentos e vendas (JUNG, 2004). Já as inovações radicais rompem as trajetórias das tecnologias existentes, inaugurando uma nova rota tecnológica. A inovação radical geralmente é fruto de atividades de P&D e tem um caráter descontínuo no tempo.

Não se pode falar em inovação sem pensar nas questões relacionadas à propriedade intelectual. Segundo a Convenção da Organização Mundial da Proprietade Intelectula (OMPI), propriedade intelectual é a soma dos direitos relativos às obras literárias, artísticas e científicas, às interpretações dos artistas intérpretes e às execuções dos artistas executantes, aos fonogramas e às emissões de radiodifusão, às invenções em todos os domínios da atividade humana, às descobertas científicas, aos desenhos e modelos industriais, às marcas industriais, comerciais e de serviço, bem como às firmas comerciais e denominações comerciais, à proteção contra a concorrência desleal e todos os outros direitos inerentes à atividade intelectual nos domínios industrial, científico, literário e artístico.

Para a Convenção de Paris de 1883 (art. 1 e 2), propriedade intelectual é o conjunto de direitos que compreende as patentes de invenção, os modelos de utilidade, os desenhos ou modelos industriais, as marcas de fábrica ou de comércio, as marcas de serviço, o nome comercial e as indicações de proveniência ou denominações de origem, bem como a repressão da concorrência desleal.

Temos na inovação um dos pressupostos da pesquisa e desenvolvimento no âmbito da parceria com o setor produtivo. Os resultados desta inovação, ou seja, produtos e processos devem ser devidamente protegidos, pois somente a aquisição do direito de propriedade possibilitará sua exploração industrial e comercial. O título de propriedade denomina-se patente e é obtida, no Brasil, após a concessão do Instituto Nacional e Propriedade Industrial (INPI), deflagrado com o pedido de patente. As patentes são depositadas por país e cada país possui o órgão próprio para permitir estas patentes.

O mecanismo que permite que empresas explorem as inovações geradas é o contrato de transferência de tecnologia. Recebendo o direito de exploração (exclusivo ou não), a empresa obtém resultados financeiros e retorna com investimentos em P&D com a universidade, pois a patente é um ativo mensurável (TIGRE, 2006).

Para a Lei de Inovação (Lei 10.973/04), uma Instituição Científica e Tecnológica (ICT) é um órgão ou entidade da administração pública que tenha por missão institucional, dentre outras, executar atividades de pesquisa básica ou aplicada de caráter científico ou tecnológico. Esta mesma lei define ainda que cada ICT deverá dispor de um Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT), próprio ou em associação com outras ICT, com a finalidade de gerir sua política de inovação.


    1. Institutos de Pesquisa e Agências de Inovação

Os institutos privados de pesquisa sem fins lucrativos atravessam um momento que exige repensar sua forma de atuação. É visível o redirecionamento e um crescente contingenciamento dos recursos públicos, dificuldades de fluxo de caixa devido à volatilidade do faturamento oriundo dos projetos, custo fixo alto da instituição para manter suas competências, aumento significativo do número de institutos e, conseqüentemente, da concorrência. Ao mesmo tempo, a busca de recursos no setor privado pode gerar uma concorrência predatória com empresas nas regiões, onde o instituto estiver operando, fator indesejável para o efetivo desenvolvimento regional, objetivo maior de um sistema de ciência, tecnologia e inovação (PERINI, LORENZI & CARVALHO, 2007).

Tais condições levam à necessidade de se buscar mudanças na forma de atuar desses institutos privados, mudanças que são corroboradas pelo desejo de uma maior e mais efetiva contribuição dos institutos de pesquisa junto à comunidade na qual está inserido. Basicamente, há dois tipos de instituições que precisam ser considerados.

O primeiro são os institutos privados de pesquisa que existem em número reduzido e emergente, sendo, portanto, um novo ator que busca definir seu papel entre os atores presentes no sistema nacional de inovação. Muitos desses institutos de pesquisa – não pertencentes ao sistema público - surgiram na última década e podem ser entendidos como resultado direto de políticas de fomento à inovação. Exemplos disso são o Instituto Eldorado, Certi, Genius, Cesar e CITS que representam mecanismos institucionais que tiveram grande parte dos seus projetos financiados pela Lei de Informática – primeira lei consistente de alocação de recursos para P&D no setor industrial. Por esse caráter privado e ligado ao setor industrial, acredita-se que estes novos mecanismos institucionais devam possuir um modelo de atuação e características gerais que privilegiem, em primeira instância, uma atuação voltada à inovação e, desta maneira, podem contribuir significativamente para a aceleração da dinâmica de aprendizagem e inovação no Brasil.

O segundo tipo de instituição é uma tendência recente. As agências de inovação, ou agencias de gestão da inovação, surgiram como mecanismos que visam, primeiramente, atuar como agente de fomento e facilitador do processo de interação Universidade-Empresa, estabelecendo redes de relacionamentos e viabilizando e estimulando a criação de projetos entre diversas instituições e empresas, geralmente ligadas a parques tecnológicos. Estes novos mecanismos mais “enxutos” desenvolveram-se sob a perspectiva de uma política de C&T organizada por fundos setoriais. Exemplo destes são a Agência de Inovação da Unicamp e a AGT – Agência de Gestão Tecnológica da PUC-RS (Tecnopuc) (PERINI, LORENZI & CARVALHO, 2007).

Em uma busca na literatura com o intuito de aprofudar a diferença entre institutos de pesquisa e agências de inovação, constatou-se que não existe na verdade uma definição clara sobre a diferença entre elas. O que se percebe na prática é que existem características inerentes a cada um dos tipos de organização.

Um instituto de pesquisa, com constituição jurídica própria, seja público ou privado, possui uma infra-estrutura física e de pessoas e pode ou não estar conectado a universidades. Normalmente, possui um foco de atuação em uma área bem delimitada e uma capacidade de desenvolvimento de projetos de prestação de serviços e inovação tecnológica.

Já uma agência de inovação, não necessariamente com constituição jurídica própria, tem por objetivo “atuar como agente de fomento e facilitador do processo de interação universidade-empresa” em diversas áreas do conhecimento (PERINI, LORENZI & CARVALHO, 2007). Uma agência possui uma proposta mais ágil e prospectiva, por conta do seu relacionamento com universidades, institutos de pesquisa, outras agências e entidades de classe. Com uma estrutura mais enxuta, é normalmente vinculada e patrocinada por uma instituição, como, por exemplo, uma universidade, que subsidia as suas operações diárias de modo a fazer com que o conhecimento acadêmico chegue ao setor produtivo por meio de projetos de inovação tecnológica.


  1. METODOLOGIA

O projeto que deu origem a este relatório é resultado de debates e discussões travadas por um grupo de colaboradores da Unisul. É, portanto, um trabalho coletivo, que, no primeiro momento, teve a participação dos professores Ademar Schmitz, Paulo Roberto Boff, Rafael Ávila Faraco e Solange Leda Gallo.

Inicialmente os autores da proposta que teve o título “Projeto de Criação de um Programa de Interação Universidade–Empresa, para a Geração de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I)” apresentaram o projeto ao reitor da Unisul, ao Pró-Reitor Acadêmico, ao diretor do Campus de Tubarão e Araranguá, ao Diretor da Faepsul e ao chefe de Gabinete do Reitor, em reunião realizada no dia 18 de outubro de 2006. Ao fim da exposição, o Reitor designou, através da Portaria 432/06-85 - GR, de 20 de outubro de 2006, uma comissão1 para proceder aos estudos sobre a criação e implantação de um programa de interação universidade/empresa, com a finalidade de geração de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I).

Para definir o modelo de gestão desse programa de interação universidade/empresa foi necessário conhecer experiências onde esse tipo de estrutura estava em funcionamento. No Brasil, foram realizadas visitas ao Tecnopuc (Pucrs) em Porto Alegre/RS, ao Centro Tecnológico da Univap em São José dos Campos/SP e à Inova (Unicamp) em Campinas/SP. Foi também realizada visita à Escola de Tecnologia Superior (ETS) da Universidade de Montreal, no Canadá (visita que fez parte do estágio do curso de Especialização em Gestão e Liderança Universitária (IGLU)).

De posse das informações colhidas nas visitas às diversas universidades, o grupo entendeu que o mais adequado para a Unisul, seria a criação de um instituto, que foi denominado “Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação da UnisulItec. Unisul”. A partir disso, foi estruturado um plano de negócio para a implantação do instituto, que, por solicitação do Reitor da Unisul, deveria ser encaminhado à Pró-Reitoria Acadêmico para análise e parecer.



O documento foi entregue ao Pró-Reitor Acadêmico em dezembro de 2007 e contava com os seguintes itens: a) introdução ao plano de negócio: bases conceituais, análise situacional, relato das visitas a universidades com centros de inovação implantados, análise situacional de P&D na Unisul e justificativa para a implantação do Itec.Unisul; b) análise ambiental: segmentação, alinhamento estratégico da pesquisa na Unisul com as redes de pesquisa consolidadas e emergentes, análise externa com as oportunidade e ameaças, análise interna com os pontos fortes e pontos fracos, clientes e produto; c) plano de operações: modelo de gestão - premissas para a elaboração do Itec.Unisul, parcerias e responsabilidade social; d) plano organizacional: descrição legal, estrutura organizacional, equipe dirigente, assessoria jurídica, escritório de projetos e escritório de propriedade intelectual e transferência de tecnologia (Epitt), parque tecnológico da unisul – Tecnouni; e) plano financeiro; f) apresentação do empreendimento; g) cronograma de implantação; e h) benefícios do Itec.Unisul.
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