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UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS – UNICAMP


NÚCLEO DE INFORMÁTICA APLICADA À EDUCAÇÃO - NIED

INSTITUTO EDUMED PARA EDUCAÇÃO EM MEDICINA E SAÚDE

CURSO: INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA NEUROCIÊNCIA

PROFESSOR: RENATO M. E. SABBATINI

PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA

uma incursão histórica da filosofia à biologia


CARMEM SYLVIA DIAS LEMOS


RIO DE JANEIRO

2003

CARMEM SYLVIA DIAS LEMOS


PSICOLOGIA COMO CIÊNCIA

uma incursão histórica da filosofia à biologia


Trabalho de conclusão do curso de Introdução à História da Neurociência, apresentado ao Prof. Dr. Renato M. E. Sabbatini, como parte da exigência dos critérios de avaliação de curso de extensão universitária on-line.


RIO DE JANEIRO

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AGRADECIMENTOS



aos educadores — filósofos e cientistas, os que começaram e os que continuam a apresentar a verdadeira natureza das coisas em processo, supondo o universo inacabado...

ao Prof. Renato Sabbatini que aponta oportunidades de reorganização do meu saber com uma base bio-lógica e assim nutre a intensidade da minha busca pessoal.

aos colegas que partilharam sempre suas virtudes e seus ideais.


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RESUMO

No presente trabalho estão apresentados cenários, atores e trajetórias que contribuíram para a fundação da Psicologia como ciência dos seus primórdios aos dias atuais.

Os tempos contemporâneos começam a fazer uma tessitura transdisciplinar que gera oportunidade de formar uma teoria unificada da consciência humana.

Está evidente a nova direção do caminho paralelo da pesquisa sobre corpo e mente, assentando-se na fundamentação biológica.


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SUMÁRIO


INTRODUÇÃO




1. Primórdios da História da Psicologia

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2. Modernidade e Percurso da Psicologia

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2.1. Revolução Cartesiana

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2.2. Locus Nascendi da Psicologia Pré-científica

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2.2.1. Epistemologia da Mente

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2.2.2. Epistemologia do Sistema Nervoso

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2.3. Revolução Darwiniana

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2.4. Locus Nascendi da Psicologia Científica

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2.5. Fundação da Psicologia

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3. Contemporaneidade e Percurso da Psicologia

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Considerações Finais

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Referências Bibliográficas

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INTRODUÇÃO


O objetivo deste trabalho é abordar sobre o percurso das questões psicológicas na linha do tempo, desde os primórdios do pensamento grego — o período socrático aos paradigmas moderno e contemporâneo.

Nesta perspectiva, o estudo passa pela identificação do processo de produção de conhecimento da Grécia antiga à Europa e à América, levando as questões psicológicas a constituírem-se no campo científico chamado Psicologia, tanto do lado filosófico como do lado fisiológico.

As primeiras observações sobre a Psicologia partiram do apelo eclesiástico para o apelo à razão. Posteriormente passou para a evidência dos fatos, gerando o interesse de explicar as atividades humanas pelo mecanicismo e analisando a natureza humana à maneira atomística. Enfim foi-se tornando empírica e depois experimental.

Desta forma o surgimento da Psicologia como ciência, no século XIX – oitava década, refletiu na Europa, trouxe os estudos referentes à interação mente e corpo, o avanço do progresso das ciências sociais emergentes e o interesse no estudo das formas de vida coletiva.

Já nos Estados unidos, na mesma época, trouxe forte orientação proveniente das ciências naturais nas questões mente e corpo e da busca de métodos eficazes.

Considerando na Psicologia a original relação da Filosofia com a Fisiologia, torna-se necessário interrelacionar para redirecionar esforços em torno de um campo biológico que premeie a união e a distinção.

A contemporaneidade vem avançando por substituir o pensamento dualista, disjuntivo e redutor, por um estilo intersubjetivo e complexus — que é tecido junto.

Epistemologicamente a neurociências vem criando alternativas para dar suporte a uma teoria integrada da consciência biológica.

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. PRIMÓRDIOS DA HISTÓRIA DA PSICOLOGIA

O fascínio pela Natureza (phýsis) e pelo comportamento humano remonta a muitos campos do conhecimento, em especial, orientados pelo pensamento grego, durante o período socrático.

Basicamente atentos para a estrutura da Natureza e seu funcionamento e interessados em interpretar os fenômenos naturais em termos racionais, os filósofos gregos identificaram que o conhecimento é humano e que havia uma distinção entre o conhecimento adquirido pelos sentidos e aquele obtido pela mente.

Já no final do século V a.C. e início do IV a.C., graças a Sócrates, (469 – 399 a.C.) o objetivo da Filosofia deslocou-se do estudo dos fenômenos naturais para o estudo da criação humana e da ética. Naquele tempo, procurando explicações racionais para o mundo e seus fenômenos, sem recorrer aos mitos e às religiões, os filósofos formaram a ciência e a Medicina constituiu-se ciência da época.

Sócrates acreditava que, através do seu método de investigação — a maiêutica socrática, um tipo de conhecimento poderia ser obtido — o do próprio eu. Esse conhecimento indica o que os homens deveriam fazer, permitindo-lhes viver uma vida virtuosa — em sua natureza integral. Este era o princípio da sua ética e a característica básica da sua abordagem psicológica — os homens não são como unidades isoladas, mas sempre em relação com seus semelhantes e o Estado.

Sucedendo Sócrates, seu discípulo Platão (429 – 347 a.C.), homem de vida contemplativa, tem seu pensamento formado por dois elementos: o metafísico e o moral, daí a sua famosa “teoria das formas”, muitas vezes erradamente traduzida como “teoria das idéias”. Para ele o mundo sensível apreendido pelos sentidos (variável e mutável) era um aspecto do mundo real, “constituído por formas puras, fixas e imutáveis que só podiam ser conhecidas intelectualmente, através da razão pura”... Assim acreditava que a alma já existia antes do corpo, continuava a existir após a morte e posteriormente entrava em um novo corpo prestes a nascer... A alma era capaz de contemplar sem obstáculos o mundo das formas. (www.warj.med,br/fil/fil03.asp). Daí Platão começou a estabelecer uma distinção e uma oposição entre mente e matéria. Mente identificava-se com o extraterreno ou metafísico.

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ompletando o ciclo da Antiguidade, Aristóteles (384 – 322 a.C.), discípulo de Platão diferenciou-se do mesmo. Investigou o mundo em termos de matéria e forma como um contínuo — a matéria é forma potencial e o objeto é forma atualizada na matéria. Então Deus não é matéria, mas forma pura, alvo para o qual toda a natureza se encaminha. Portanto “na natureza existem apenas seres e objetos concretos e reais que podem ser percebidos pelos sentidos e analisados em termos de forma, constituição, construção e finalidade. Todas as coisas têm caracteres gerais, que permitem agrupá-las e caracteres específicos, que as distinguem umas das outras... Sua contribuição fundamental à Filosofia foi, sem dúvida a criação da lógica formal e da lógica material, métodos que organizam e ordenam o raciocínio e o pensar. (www.warj.med.br/fil/fil06.asp). Com ele encerrou-se o período mais original e produtivo do pensamento grego. Aristóteles atravessou inconteste a Idade Média continuando na Idade Moderna do Ocidente.

Entre os gregos, antes da Psicologia existir como disciplina independente, outras áreas de conhecimento fundamentaram as questões da natureza humana, ora a cosmologia e a ética, ora a teoria social. Todas formulavam tentativas para compreender o universo ou organizar uma maneira racional de viver. Diante disto muitos temas abordados pelos gregos — substância e processo, partes e todo, mente e matéria, indivíduo e sociedade, causa remotas e próximas, cálculo e entendimento, etc. — têm servido desde sempre de referência como conceitos fundamentais nas cogitações da Psicologia.



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. MODERNIDADE E PERCURSO DA PSICOLOGIA

O período moderno desenvolveu uma trajetória repleta de antecipações dos sistemas psicológicos contemporâneos.

A modernidade foi uma virada de três séculos de uma visão teocêntrica e da filosofia teológica medieval a serviço dos dogmas eclesiásticos, que levaram as civilizações a profundas transformações sobre o modo de olhar o mundo físico e conceber novamente o universo.

2.1. REVOLUÇÃO CARTESIANA

O destino da humanidade corria risco no confronto entre a dúvida e o silêncio. A dúvida inundava o pensamento e só podia ser atingida por ele mesmo. O silêncio poderia fazer calar o pensamento. O ser humano só teria uma alternativa na jornada do conhecimento — descobrir o imediato ou buscar arduamente a certeza confrontando o problema.

Foi neste lugar que o humanismo formou seu corpo ético e moral e contribuiu para a formação e a discussão de uma nova alternativa de pensamento e um novo estilo, compondo uma nova ordem de pensar e dizer — refletindo, analisando, duvidando, discutindo, argumentando e usando as virtudes da natureza humana individual.

Consolidando-se no século XVII, esse período da história universal foi o início do grandioso império do saber racional que se denominou ciência.

René Descartes entrou nesse cenário, inaugurando a era do pensamento como produto da reflexão sobre a experiência a partir de si mesmo.

Esse foi o modo pelo qual ele fundamentou o racionalismo através do “método da dúvida” descrito no Discours de la Metode (1637):

Pensei que tinha de... rejeitar como absolutamente falso tudo o que pudesse supor que levantava a mais pequena dúvida, para ver se depois disso permanecia alguma coisa que pudesse considerar inteiramente indubitável. Assim, considerando que os nossos sentidos por vezes nos enganam, quis por a hipótese de que não existe nada que corresponde àquilo que eles nos fazem imaginar. E como alguns homens cometem erros no raciocínio — mesmo a respeito dos mais simples assentos de Geometria — e se deixam cair em falácias, julguei-me tão sujeito a cometer erros como outro qualquer e resolvi rejeitar como pouco sólidos todos os raciocínios que até tinha tomado por demonstrações... Resolvi imaginar que tudo o que tinha entrado até então na minha cabeça não era mais verdadeiro do que as ilusões dos meus sonhos.

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onstituiu-se assim o axioma conhecido universalmente: Penso, logo existo.

E o mundo conheceu a obra de Descartes. De Homine (1633) foi o primeiro ensaio do mundo sobre a Psicologia Fisiológica e refere-se à descrição sobre o mecanismo da reação automática como resposta a estímulos externos, tornando-se a primeira explicação do interacionismo mente/corpo ou teoria do reflexo, (publicado pós-morte). Discours de la metode (1637) foi concebido como um procedimento, que visava a estabelecer regras e princípios a serem praticados imprescindivelmente. Meditationes de prima philosophia, in quibus Dei essência, & animal à corpore distinctio, demonstratur (1641) oferece a explicação do dualismo mente e corpo: o corpo é um mecanismo que pode executar muitas ações sobre si sem a intervenção da mente e esta é a pura substância pensante que pode sempre regular o corpo. Les passions de l’âme (1649) é a mais importante contribuição à Psicologia, que explica o interacionismo mente-corpo na pineal, ou melhor, mente, cérebro e sistema nervoso.

Para Descartes a mente era uma substância tão especial, sem localização no espaço e sem princípio e sem fim como a matéria/corpo na qual o mundo natural está dividido. Então a mente age sobre o corpo e sofre a influência dele mesmo através da sensação, emoção e ação. Assim Descartes estabeleceu a posição de dualismo e interacionismo.

Descartes acreditava que o corpo humano e o animal funcionavam como máquina semelhante aos chafarizes mecânicos acionados hidraulicamente nos jardins. Justificava o funcionamento físico — a digestão, a circulação, a respiração, a locomoção — em termos mecânicos. Comparava os nervos do corpo a canos e os músculos e os tendões a motores. Compreendia os movimentos de natureza voluntária causados por objetos externos e os de natureza involuntária como ocorrência sem intencionalidade pessoal. A partir daí criou a noção da undulatio reflexa — movimento não determinado pela vontade de mover-se.

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projeto da modernidade então, centrado no pensamento, caracterizou-se pela busca do indivíduo como sujeito pensante, dotado de consciência individual caracterizado por uma estrutura cognitiva e uma capacidade de realizar experiências empíricas sobre a realidade, a exemplo do racionalismo e do empirismo, que suplantou o argumento metafísico medieval. O sistema mecânico era explicitado pela filosofia mecanicista.

Descartes ofereceu especialmente duas contribuições de grande influência para a Psicologia da época. A proposta mecanicista interacionista — corpo em si sujeito à mente e a natureza das idéias que se originava da mente — idéias derivadas e idéias inatas. A mente age sobre o corpo e sofre a influência do mesmo através da sensação, emoção e ação, produzindo idéias. As idéias derivadas são oriundas da aplicação de um estímulo externo e as idéias inatas desenvolvem-se internamente a partir da própria mente, independente das experiências sensoriais. São verdades necessárias ou axiomas que se evidenciam por si mesmas.

Descartes permaneceu sempre voltado para a substância pensante. Conduziu o pensamento sem dar-se conta da necessidade de um interlocutor, mesmo que interiorizado. As suas reflexões reduziram-se a monólogos e portanto não explicitou quando e como o ser humano tem acesso à substância pensante, viabilizando a si mesmo o Penso, logo existo.

Assim a doutrina cartesiana tem perseguido filósofos, fisiólogos e psicólogos desde então.

O racionalismo cartesiano tornou-se insatisfatório e problemático, tendo em última instância alcançado o patamar do solipsismo, desde o próprio século XVII.

2.2. LOCUS NASCENDI DA PSICOLOGIA PRÉ-CIENTÍFICA

Os primeiros movimentos racionalistas pós-Descartes, contra o dualismo mente e corpo de ordem filosófica, datam dos séculos XVII e XVIII, especificamente na Inglaterra e na Alemanha com os empiristas e contribuíram com a expansão e explicações das questões básicas sobre a preocupação humana.

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s movimentos pró-Descartes no século XIX comprometeram-se com o desenvolvimento científico voltando-se para a física e a fisiologia sensorial e oferecendo contribuição para os métodos experimentais e o acervo de informações sobre os estudos dos fenômenos.

Citando Robert H. Wozniac, Bryn Mawr College, ... “se o mundo está radicalmente dividido entre o mental e o físico, de modo que o físico é extenso no espaço e o mental não..., e se a natureza da causalidade é tal que as causas e os efeitos devem ter uma conexão necessária e ser do tipo similar, então o interacionismo mente/corpo cartesiano é obviamente insustentável”.



2.2.1. Epistemologia da Mente — séculos XVII e XVIII

abordagem filosófica

Com tantas previsões de problemas e teorias, o movimento de maior consistência envereda na crítica à Descartes formulada com apelos empiristas dos ingleses John Locke, George Berkeley e David Hume e do alemão Johann F. Herbart.

Locke (1632 – 1704), inglês interessou-se pelo funcionamento cognitivo e descreveu a mente como uma tabula rasa (o que negava a existência de idéias inatas propostas por Descartes), alegava que os seres humanos nasciam sem qualquer espécie de conhecimento, que indicasse repertório comportamental de origem genética.

Berkeley (1685 – 1753), irlandês, criador do idealismo monístico ou mentalismo, propôs que o mundo inteiro é de teor mental, portanto, todo conhecimento era função da pessoa que passa ou percebe através da experiência. Esse conhecimento é uma composição de idéias ou elementos unidos pela associação. Berkeley é o autor do primeiro tratado exclusivamente psicológico: New Theory of Vision (1909); que mostra como se percebe pela visão: a distância, a grandeza e a posição dos objetos.

Hume (1711 – 1776), o escocês que se fez o mais implacável e cético dos empiristas, concluindo que a mente só é observável através da percepção, não incluindo o fluxo de idéias, sensações e lembranças. Distinguiu duas espécies de conhecimento mental (impressões e idéias) e propôs duas leis de associação: a semelhança ou similaridade e a antiguidade no tempo e espaço.

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abordagem desses pensadores delineou o associocismo britânico — a primeira escola de Psicologia, que se tornou de particular interesse para o movimento psicológico americano e assim foi integrada nos currículos universitários com o nome de Filosofia da Mente.

Torna-se importante destacar no contexto desenvolvido na Europa Ocidental, o objetivo de Spinoza e Leibniz, ambos fazendo distinção entre mente/corpo para chegar-se a Kant e assim a Herbart.

Benedictus Spinoza, em sua obra De ethica (1677), através da teoria dual, demonstra que a noção de mental e físico refere-se aos aspectos de uma única substância — Deus — que é infinita e essência universal ou natureza de tudo o que existe. Sua defesa aponta que mente e corpo têm uma coordenação pré-estabelecida, uma vez que a essência divina cria as conexões.

G. Wilhelm Leibniz em Système Nouveau de la Nature (1695) e Eclaircissement du Nouveau Sisteme (1696) apresentou o paralelismo psicofísico, afirmando que mente e corpo existem numa harmonia pré-estabelecida por Deus desde o momento da criação.

A epistemologia dos séculos XVII e XVIII teve se ponto alto com Immanuel Kant (1724 – 1804), podendo-se dizer que a filosofia dos séculos XIX e XX teve a sua marca e assim também a psicologia científica. Anthropologie in pragmatisher Hinsicht (1798) consistiu em um grande tratado de psicologia no qual analisa os poderes cognitivos, os afetos, as paixões, os sentimentos de prazer e nega a possibilidade de a psicologia ser uma ciência empírica. Conhecendo mais física e astrologia acreditou que os processos psicológicos não podem ser descritos e medidos matematicamente.

A psicologia na Alemanha com Herbart, à semelhança dos associonistas britânicos, explicou que os mais complexos fenômenos mentais variam em tempo e intensidade e que a troca da intensidade sobre o tempo poderia ser quantificada.

Foi o primeiro a rebater Kant sobre a concepção da psicolgia quantitativa, idéia que a levou a tornar-se ciência experimental. Desde essa época a psicologia vem intimamente ligada a educação, sendo contemporaneamente um grande campo de aplicação.

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.2.2. Epistemologia do sistema nervoso — século XIX / abordagem fisiológica

Os movimentos pós-Descartes no século XIX apresentaram o foco dos descobrimentos fisiológicos e envolveram a aplicação do método experimental. É relevante apontar que se passaram 241 anos da publicação de De homine de Descartes.

Segundo Boring (1950) os acontecimentos de maior importância foram:


  • a primeira elaboração de uma distinção entre nervos sensoriais e motores;

  • o surgimento de uma fenomenologia sensorial da visão e do tato;

  • o desenvolvimento da doutrina das energias nervosas específicas, incluindo a opinião de que o sistema nervoso estabelece uma mediação entre a mente e o mundo.

Esquematizando os eventos de acordo com a linha do tempo pode-se perceber como estabelecer a compreensão evolutiva do continuum histórico.


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Células nervosas/ elementos indepen-

dentes
Ramon Y Cajal




1811

1817-1871

1820

1823-1824

1833

1837

1790-1857

1794-1867

1870

1878

1889

1897

Distinção entre nervos sensoriais e motores
Idea of a New anatomy of the brain (1811)
Charles Bell (1774-1842)

Inglaterra



Estabeleci-mento da função epistemológica do sistema nervoso na relação mente/corpo
Investigação experimental da fenomenologia sensorial da experiência do tato
De pulsu, resorptione, anditu et tactu (1834)
E. H. Weber

(1795-1878)

Alemanha

Leis – Sugestão
Conceptualização do lado sensorial do movimento
Destaque ao sentido muscular
Lectures on the Philosophy of the Human Mind (1820)

Inglaterra



Ablasão cerebral para estudar comporta-mento animal
Cerebelo regula a atividade motora
Pierre Flourens

Teoria da energia específica nervosa
Johanes /Miller

1826


Vitalismo
Teoria das energias nervosas
Handbuch der Physiologie dês Menschen für Vorlessungen (1834)
J. Müller (1801-1858)

Alemanha




Descrição das grandes células do cerebelo
Núcleos e processos neuronais
Amplitude e sistematicidade do método experimental
Efeito Purkyne
J. E. Purkyne (1787-1869

Alemanha


Pesquisa níveis de comportamento dependem de partes distintas do cérebro e do sistema nervoso
Marshall Hall

(1790-1857)

Inglaterra


Pesquisa cérebro controla processos mentais superiores
Pierre Flourens

(1794-1867)

Inglaterra


Pesquisa estimulação do córtex/res-postas motoras – animal
Gustav Fritsh

Eduard Hitzig




Descrição do grande lobo límbico
Paul Broca

(1824-1880)

França

Termo sinapse


C. S. Sherrinton



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.3. REVOLUÇÃO DARWINIANA

Valores, relações e normas sociais estavam sendo transformados pelas forças da Revolução Industrial. As descobertas científicas penetravam na vida comum, expandia-se o conhecimento sobre a Terra, as espécies existentes e as que deixaram de existir, enfim tudo convergia para a aceitabilidade da fé na ciência e a revolução da evolução. Mudança era o lema da época e começava-se a compreender que os organismos mais bem preparados é que sobreviveriam.

Assim a revolução da evolução está fundamentada na noção de evolução, que remonta ao século V a. C. Embora algumas elaborações intelectuais tenham emergido, somente no século XVIII foi investigada formalmente a teoria apresentada por Charles Darwin (1809 – 1882), que ocorreu em 1859 com a publicação de On the Origin of Species by Means of Natural Selection (A Origem das Espécies por meio da Seleção Natural).

Darwin partiu do princípio das diferenças entre membros individuais de uma espécie e atribuiu essa variabilidade à transmissão genética.

Associando a este o princípio da luta pela sobrevivência na natureza reconheceu o processo de seleção natural.

Era evidente nesse pensamento a importância dos processos mentais e o papel da consciência no processo evolutivo.

A teoria da evolução gerou respeitabilidade a cientistas de tradição e grande impacto à psicologia americana contemporânea, em especial ao funcionalismo e à teoria psicanalítica de Sigmund Freud, por trazer à tona a função da consciência.

Os psicólogos funcionalistas influenciados pelo pensamento darwiniano começaram a procurar os modos pelos quais a mente individual diferia e assim criar instrumentos para medir as diferenças.

A teoria darwiniana é absolutamente fundamental para a compreensão da evolução e do comportamento.

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.4. LOCUS NASCENDI DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA

O ideal do mecanicismo impregnava a filosofia, a fisiologia e a psicologia do século XIX, na maioria dos países da Europa Ocidental, especialmente Inglaterra, França e Alemanha.

Na Alemanha de 1840 um grupo de cientistas jovens criou a Sociedade Física de Berlin com o projeto de ligar fisiologia e física. Acreditaram que todos os fenômenos relativos à matéria viva poderiam ser explicados em termos físicos.

As bases da fisiologia do século XIX compreendiam, portanto, o mecanicismo, o empirismo, a experimentação e a medição.

O início da psicologia experimental científica encontra-se na história de Theodor Fechner (1801 1887). Natural da Rússia, médico interessado na física e na matemática utilizou-se do rigor científico para realizar os primeiros experimentos que definiram as bases da nova psicologia e metodologia. Desenvolveu três métodos psicofísicos básicos e realizou experimentos clássicos sobre a visão e o tato, compondo Elemente der Psychophisik (1851 e 1860) com o objetivo de criar uma ciência exata sobre o vínculo funcional existente entre fenômenos físicos e mentais encontradas no relacionamento quantitativo mente e corpo.

Era 22 de outubro de 1850, data que se tornou importante para a Psicologia. O trabalho de Fechner gerou impacto no mundo filosófico.

A asserção de Kant já não podia mais ser levada a sério. O mundo científico estava voltado especialmente para Ernest Weber (1795 – 1878), Herman von H. Helmholtz (1821 – 1890) e Wilhelm Wundt (1832 – 1920).

Helmholtz, alemão, um dos maiores cientistas do século XIX, estava ligado à fisiologia e à física. Suas pesquisas versaram sobre temas referentes à velocidade do impulso nervoso, os sentidos da visão e audição, o circuito completo de tempo de reação dos nervos sensoriais em humanos. Contribuiu amplamente para a psicologia sensorial, fortalecendo a abordagem experimental dos estudos das questões psicológicas. Mesmo sem estar voltado para o estabelecimento da psicologia como ciência independente, Helmholtz contribuiu neste propósito.

Wilhelm Wundt, médico fisiólogo, estudou sobre percepção sensível o que o levou à publicação de Beiträge zur Theorie der Sinneswahr Nehmung (1862). O mais importante artigo desta obra é a sua introdução sobre o método. Wundt propunha a superação e o aprofundamento dos estudos sobre a consciência através de métodos genéticos — comparativos, estatísticos, histórias e experimentais, para obter uma maior compreensão dos fenômenos conscientes como produtos complexos da mente inconsciente e assim adentrar no campo das ciências sociais emergentes.

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.5. FUNDAÇÃO DA PSICOLOGIA CIENTÍFICA

Meados do século XIX! As ciências realizavam o que acreditavam que era a sua missão: revelar a simplicidade contida e oculta da realidade. Empirismo... Cientificismo... Positivismo...

Desenvolvia-se a sociedade racionalista e tecnocrata, organizada e auto-regulada pelo regime disciplinar. A noção de subjetividade referia-se à organização de uma postura pessoal cujo movimento era de criação, autopropulsão, transcendência e integração à coletividade e às suas tradições.

Os métodos da ciência natural usado pelos fisiologistas investigavam fenômenos essencialmente mentais.

Wilhelm Wundt (1879), médico alemão, fundador da psicologia como disciplina acadêmica, foi a primeira pessoa na história dessa ciência a ser designado psicólogo irrestritamente. Fundou o primeiro laboratório experimental de psicobiologia em Leipzig, editou a primeira revista e divulgou para o mundo a Psicologia experimental como ciência independente, emergente de uma longa jornada de trabalho criativo de contemporâneos e antecessores.

Wundt considerava mente e corpo sistemas distintos e independentes, podendo-se estudá-las em si mesmo. Então o postulado da Psicologia era a experiência consciente. Assim evitou discussões sobre a imortalidade da alma e sua relação com a finitude do corpo.

Outro campo de considerável investimento pessoal foi a criação de uma psicologia social com as obras Beiträge — Contribuições (1862) e Völkerpsychologie — Psicologia dos Povos (1900 e 1920). A investigação científica enveredou pelos estágios de desenvolvimento mental, manifestos na linguagem, arte, mitos, costumes, lei e moral, implicando na divisão: Psicologia Experimental e Psicologia Social.

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urante a vida de Wundt surgiram duas escolas de pensamento cujas concepções se assemelhavam na Europa: a psicologia da Gestalt na Alemanha e a psicanálise na Áustria. Nos Estados Unidos surgiram o funcionalismo de E. Titchener (1867 – 1927) e behaviorismo de J. Watson (1878 – 1958).

William James (1878), Estados Unidos, médico pioneiro da psicologia científica ainda hoje é considerado o maior psicólogo americano. Não foi um seguidor, um fundador, um discípulo ou um líder, mas um conhecedor dedicado aos avanços que a psicologia atravessava e um selecionador das áreas da Psicologia que se compatibilizavam com os seus princípios.

Em 1875 – 1876 ministrou seu primeiro curso intitulado “As relações entre a Fisiologia e a Psicologia”, tornando-se Harvard, a primeira universidade americana a trabalhar com a psicologia experimental.

Principles of Psychologie (1980) apresentou a orientação que se tornou preceito básico do funcionalismo: “o objetivo da Psicologia não é a descoberta dos elementos básicos da experiência, mas o estudo das pessoas vivas em sua adaptação ao ambiente”. Concebeu, portanto, a psicologia como uma ciência natural e, em especial, uma ciência biológica.

W. James interessava-se pelos processos conscientes e considerava-os atividades orgânicas que gerava mudança organísmica. Neste sentido os processos mentais eram considerados atividades úteis e funcionais dos organismos vivos, em sua tarefa de adaptação ao seu mundo. Concluiu neste sentido que o ser humano funciona através do pensamento, da ação e do sentimento, portanto, não é criatura plenamente racional ou intelectual.

O marco fundamental da sua concepção de consciência é a noção decorrente, de fluxo contínuo e mutável, que é cumulativo e não repetitivo, permitindo a escolha.

Postulou que a escolha é consciente e voluntária, diferenciando assim do hábito que é repetitivo e inconsciente. Neste sentido as ações repetidas ou hábitos formaram-se através da plasticidade neural.

A maior realização de William James foi talvez ter feito notar que a consciência é um processo e não uma substância.



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. CONTEMPORANEIDADE E PERCURSO DA PSICOLOGIA

Alvorecer do século XX! A Europa no auge do poder militar e econômico instalava a era da contemporaneidade sustentada pela vanguarda de seus pensadores e criadores e pelos progressos da tecnologia, medicina, educação e nova ordem da cultura. Poetas, músicos, pintores desafiavam forjar uma nova legitimidade. Artistas e escritores inventavam linguagens novas.

Tudo estava em movimento e em mutação. A mobilidade técnica gerou mobilidade do modo da vida. O meio era a mensagem entre os homens. As mudanças se fizeram mas não foram feitas pelo homem. Uma nova lógica foi gerada pela mudança que gera mudança. O contemporâneo é aquilo que é do tempo em que se vive.

Convicções ligadas a uma imagem do universo emergiam com vigor como uma oportunidade de enriquecimento e libertação. Novo questionamento trazia o fundamento das ciências e a constituição de disciplinas centradas na análise da representação. Diante dessas revoluções no âmbito da arte e da ciência, as idéias filosóficas evoluíam calmamente ligadas aos matemáticos, que remontavam ao criticismo kantiano - relativo ao fundamento e aos limites do poder de conhecer, ou seja, à descrição e à classificação dos “juízos”. E assim, a missão do filósofo não consistiria mais em arquitetar teorias especulativas, mas acompanhar o trabalho da ciência, dedicando-se a esclarecer os seus conceitos, inscrevendo o trabalho no quadro apresentado pela crítica - uma filosofia da ciência. Compreendiam assim que a tarefa da filosofia era fundamentar a ciência e esta podia ser realizada cientificamente.

Contradições rearticulam o mundo contemporâneo! O conflito de 1939-1945 foi a Segunda Guerra Mundial. Todos os continentes do Planeta estiveram envolvidos como zonas de operações militares ou fornecendo tropas para o combate. Milhões de vítimas, milhares de sobreviventes traumatizados, gerações dizimadas, aldeias excluídas do mapa, guerra de máquinas. Bombardeios, armas químicas, fuzilamentos, crimes organizados racionalmente, marcas indeléveis na alma humana. Descaso de políticos irresponsáveis, estupidez de generais ávidos de glória. Ônus em vida humana e a sangue frio, em nome de uma perversão cujo símbolo será sempre Auschwitz.

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ertamente novas reflexões, novas maneiras de filosofar, novos estilos de cuidar da condição humana, novas descobertas científicas e geraram outras formas de subjetivação que se vêm inserindo numa filosofia não-linear mais próxima das artes que da ciência.

A história faz-se a cada momento com atores humanos/sujeitos sociais, acolhendo e incorporando impactos culturais das crenças, das representações sociais e dos mitos. Dizendo de outra maneira através da ciência, da técnica e da filosofia, há seres humanos com suas estruturas somáticas, atitudes emocionais, convicções e mitos pessoais. A revolução da contra-cultura na década de 60 reorganizou o cenário do mundo.

No século XX o mapa da Psicologia tornou-se diversificado: behaviorismo, psicologia da Gestalt, estudos sobre memória, sobre as neuroses e psicoses na psicanálise freudiana, sobre as psicoses na medicina ao lado da produção de conhecimento crescente da neuroanatomia e da fisiologia.

A revolução neurocientífica emergiu como a maior revolução científica possível, dotada de infinitas possibilidades esclarecedoras sobre o funcionamento da natureza humana, da interatividade sua com o mundo social e da compreensão humana mais profunda sobre o conhecimento do Universo. Se se considerar que não existe sujeito sem corpo justifica-se a perspectiva da humanidade mudar de rumo.

Reflexões hoje apontam que a razão de ser ser humano é pessoalizar a ordem biológica, estabelecendo um diálogo entre cérebro-corpo, corpo-cérebro, cérebro-cérebro e corpo-corpo e criando organizações de interação social. É a própria “techne” heideggeriana cuja missão é o “desvelamento da verdade” da vida ___ é ter o corpo e recebê-lo, humanizando com diálogos sobre a sua realidade interna. Então surge aqui uma noção inovadora de inconsciente: o inconsciente é o corpo. O mistério deve ser desvelado na relação consigo mesmo no plano da corporificação. Essa concepção encaminha uma nova virada na história da Psicologia.


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CONSIDERAÇÕES FINAIS


As idéias dos filósofos e as buscas dos empiristas e cientistas fisiólogos sempre percorreram o caminho da análise da natureza humana privilegiando e tornando independente ora a mente, ora o corpo, ora uma tentativa de unificá-las em processo. Assim foi fundada a psicologia como ciência numa jornada que atravessa a Grécia Antiga, passando pela Europa Ocidental e alcançando os Estados Unidos, no século XIX.

Recentemente os pontos fundamentais da Psicologia começaram a suscitar a inclusão da Biologia, calcando-se na teoria da evolução e na revolução neurocientífica.

Os tempos contemporâneos apresentam um vasto campo de natureza complexa que aprofunda a questão da autonomia e do indivíduo e sugere uma nova dimensão de sujeito — o sujeito corporificado.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


EDELMAN, G. Biologia da Consciência. Lisboa, Instituto Piaget, 1998.

HEIDBREDER, Edna. Psicologias do Século XX. S.Paulo, Mestre Jou, 1981.

LESHAN, Lawrence. O dilema da Psicologia. S.Paulo, Summus, 1990.

MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 1998.

SCHULTS, Duane e Sydey. História da Psicologia Moderna. S. Paulo, Cultrix, 1981.

WOZNIAK, Rober. Mente y Cuerpo de René Descartes a William James. Internet: site: platea.pntic.mec.es/~macruz/mente/Descartes/indice.html#indice.




1811

1817-1871

1820

1823-1824

1833

1837

1790-1857

1794-1867

1870

1878

1889

1897

Distinção entre nervos sensoriais e motores
Idea of a New anatomy of the brain (1811)
Charles Bell (1774-1842)

Inglaterra



Estabelecimento função epistemológica do sistema nervoso na relação mente/corpo
Extensa investigação experimental da fenomenologia sensorial da experiência do tato
Publicou De pulsu, resorptione, anditu et tactu (1834)
E. H. Weber

(1795-1878)

Alemanha

Leis – Sugestão
Conceptualização do lado sensorial do movimento
Destaque ao sentido muscular
Lectures on the Philosophy of the Human Mind (1820)

Inglaterra



Ablasão cerebral para estudar comportamento a---------
Cerebelo regula a atividade motora
Pierre Flourens

Teoria da energia específica nervosa
Johanes /Miller

1826


Vitalismo
Teoria das energias nervosas
Handbuch der Physiologie dês Menschen für Vorlessungen (1834)
J. Müller (1801-1858)

Alemanha




Descreve as grandes células do cerebelo e identifica núcleos e processos neuronais
Amplitude e sistematicidade do método experimental
Efeito Purkyne
J. E. Purkyne (1787-1869

Alemanha


Pesquisa níveis de comportamento dependem de partes distintas do cérebro e do sistema nervoso
Marshall Hall

(1790-1857)

Inglaterra


Pesquisa cérebro controla processos mentais superiores
Pierre Flourens

(1794-1867)

Inglaterra


Pesquisa estimulação do córtex/respostas motoras – animal
Gustav Fritsh

Eduard Hitzig




Descrição do grande lobo límbico
Paul Broca

(1824-1880)

França

Células nervosas são elementos indepen-

dentes
Ramon Y Cajal


Cria o termo sinapse


C. S. Sherrinton


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