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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

FACULDADE DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA

DENISE MAGALHÃES DA COSTA

O LUGAR DA CORPOREIDADE NA CONSTITUIÇÃO DO SI MESMO EM HEIDEGGER
Salvador

2011


DENISE MAGALHÃES DA COSTA

O LUGAR DA CORPOREIDADE NA CONSTITUIÇÃO DO SI MESMO EM HEIDEGGER
Projeto de Pesquisa apresentado ao Programa de Pós-graduação em Filosofia da Universidade Federal da Bahia, como requisito parcial para a seleção do doutorado.

Orientadora: Profª. Drª. Acylene Maria Cabral Ferreira

Salvador

2011


SUMÁRIO

I - Objeto 01
II - Objetivo Geral 03
III - Objetivos Específicos 03
IV - Justificativa 04
V- Metodologia 09
VI - Cronograma 10
VII - Referências 11

I- Objeto:
Nosso propósito neste projeto é investigar o lugar do corpo como corporeidade e sua relação com o si-mesmo na filosofia heideggeriana, com o intuito de esclarecer em que medida a corporeidade constitui o si-mesmo da presença (Dasein)1nas obras Ser e Tempo e Seminários de Zollikon.

Em Ser e Tempo, no § 9, quando Heidegger inicia a exposição sobre a analítica da presença ele afirma: “O ente que temos a tarefa de analisar somos nós mesmos. O ser deste ente é sempre e cada vez meu.”2. Sobre o caráter de “meu” nos Seminários de Zollikon, o autor acrescenta: “...o ‘meu’, no discurso sobre ‘o meu corpo’ se refere a mim mesmo. O corporar tem esta notável relação com o si mesmo.”3 E mais : “...o corpo é, em cada caso, meu corpo. Isso faz parte do fenômeno do corpo. O ‘meu’ é relacionado a mim mesmo. Com ‘meu’ quero dizer ‘eu’”.4

Perguntamos então: Como se dá essa relação do corpo, enquanto “meu corpo” com o si- mesmo da presença? O que Heidegger quer dizer com “fenômeno do corpo”? Qual a relação entre o “cada vez meu” do ser da presença e o corpo ser em “cada caso meu corpo”? E ainda, que tipo de vínculo é estabelecido entre o si-mesmo e o corpo enquanto fenômeno, para que o meu, de meu corpo, já diga o eu da presença? Como podemos compreender o corporar do corpo?

É no âmbito dessas questões que pretendemos adentrar na problemática do corpo em Heidegger e estabelecer o seu nexo com o si-mesmo. Poderíamos pensar tal relação partindo do caráter de ser meu, a que Heidegger se refere, tanto com relação ao ser da presença, quanto ao discurso sobre o corpo, enquanto um corporar que é meu, que se refere a mim. Contudo, em Ser e Tempo, Heidegger afirma que o fio condutor para a análise do si-mesmo da presença que a singulariza, não é tanto o fato de ser meu, da presença dizer “eu”, mas em que isto que define a presença enquanto ente que ela é encontra-se em sua existência, no sentido de ek-sistência, o ente que se direciona para mundo. Enquanto ek-sistência, o si-mesmo não diz respeito a um eu, fechado, a uma subjetividade, a algo determinado de uma vez por todas ao longo de suas vivencias. O eu é a fala do si mesmo da presença cotidiana que se compreende onticamente como um sujeito, dotado de uma interioridade e que se relaciona com o mundo como algo exterior. Contudo, ontologicamente, o si-mesmo da presença diz um constante vir a si, a cada vez, de acordo com as suas ocupações em mundo como ser-no-mundo, O si não pode ser conceituado, trata-se de uma indicação formal, o âmbito de sua determinação é sua circunstância, é o âmbito da fenomenalidade, ou seja, diz respeito ao seu caráter de abertura como ente que se determina em seu ser a cada vez, a cada circunstância, de acordo com o que lida e com quem se relaciona em sua existência fática. O si mesmo da presença se determina assim, em modos finitos de ser si-mesmo, na existência, não como uma interioridade, mas como abertura e direcionamento para o ser e para mundo, isto é ek-sistência. Bem, se o si mesmo se determina em mundo enquanto ek-sistência, e o corporar tem essa notável relação com o si mesmo, qual o nexo ontológico entre o corporar e a ek-sistência?

Para Heidegger o corpo, como o que é sempre meu, não deve ser tomado como algo simplesmente biológico enquanto dado, mas como corporeidade, que, como “meu corpo”, refere-se a mim mesmo, um ente situado em mundo, como ser-em e ser-com. Nesse sentido o ente que a presença é, o seu corporar, se manifesta em seu ser como abertura disposta em mundo, como ser-no-mundo: “O corporar co-pertence sempre ao ser-no-mundo. Ele co-determina sempre o meu ser-no-mundo, o ser-aberto, o ter de mundo.”5 Vemos assim, que Heidegger não nega o corpo em sua filosofia, pelo contrário, confere ao corpo um caráter mais originário e co-determinante do modo de ser da presença. Desse modo, para pensarmos o corpo enquanto corporeidade a partir da ek-sistência, buscando estabelecer o nexo ontológico com o si mesmo, precisamos pensá-lo a partir da estrutura ser-no-mundo, a qual constitui o si mesmo, “...a estrutura mais ampla na qual o corpo deve ser colocado para ser caracterizado como corpo humano é a de mundo, no sentido ontológico-existencial de Heidegger, visto que o mundo, é, em parte constitutivo do modo de ser do Dasein”.6 Por sua vez, o ser-no-mundo, enquanto ek-sistência, se determina fora, no mundo, a cada vez, em suas ocupações com o mundo, sempre afinada em um humor, ou seja, em uma disposição afetiva. Nesse sentido, “...a nossa sensibilidade corporal é penetrada de compreensão e tonalidade afetiva. Assim, o corpo se encontra sempre inserido em uma atividade disposta e projetante do Dasein.”7 Para Heidegger a presença nunca “entra” em um espaço sem estar afinada em um humor, e já imbuída corporalmente com o contexto de suas ocupações. É nesse sentido que afirma:

Cada movimento do meu corpo não entra simplesmente em um espaço indiferente, como um gesto, como um comportar-se deste ou daquele modo. De fato, o comportamento já está sempre numa região determinada que está aberta através da coisa com que está relacionado, quando por exemplo pego algo na mão.8

Apesar de Heidegger, nos Seminários de Zollikon, nos indicar a relação do corporar com o si-mesmo, ele não a explicita, por isto pretendemos desenvolver esta articulação da corporeidade com a analítica existencial, em Ser e Tempo, visto que o filósofo relaciona a corporeidade ao ser-no-mundo no Seminário de Zollikon. Nesse sentido delineia-se o problema: como a corporeidade co-determina o modo de ser da presença e seu si-mesmo enquanto ser-no-mundo?

Pensar o si-mesmo na dimensão da corporeidade na filosofia de Heidegger trata-se de uma temática original e de relevância para a filosofia contemporânea, haja vista que, apesar do crescente interesse dos pesquisadores desse filósofo pela questão da corporeidade, ela ainda não foi pensada no âmbito desta articulação com o si-mesmo.



II- Objetivo Geral

Investigar os existenciais da presença, principalmente a disposição, a espacialidade, o ser-em e o ser-com em Ser e Tempo e a questão da corporeidade nos Seminários de Zollikon com o objetivo de elucidar em que medida o si-mesmo se revela como corporeidade em Heidegger.


III- Objetivos específicos


  • Investigar como os existenciais constituem a corporeidade da presença;

  • Explicitar o papel dos existenciais da disposição e compreensão no corporar do corpo no ser-com;

  • Explicitar a constituição ontológico-existencial do corpo em Heidegger;

  • Investigar a espacialidade e sua relação com o corporar da presença;

  • Pensar o nexo ontológico entre o corporar e o si-mesmo no âmbito da ek-sistência;

  • Investigar a corporeidade como ser-no-mundo;

  • Explicitar o nexo ontológico entre a corporeidade e os modos de ser da presença

  • Investigar a finitude do ser si mesmo e a finitude do corporar.


IV- Justificativa
A questão do si-mesmo e a singularidade da presença consistiu no objeto de nossa pesquisa de mestrado, que teve Ser e Tempo como obra principal nessa investigação. No decorrer de nossos estudos, a leitura desse tema nos Seminários de Zollikon, nos chamou a atenção para a relação que Heidegger anuncia nesse trabalho entre o si-mesmo e a corporeidade da presença. Tal relação nos mobilizou para a necessidade de maior aprofundamento sobre a questão do si-mesmo no âmbito da corporeidade, fomentando assim continuidade aos nossos estudos sobre a temática do si-mesmo na filosofia heideggeriana.
Em Ser e Tempo(1927), quando Heidegger elabora a analítica existencial da presença, ele se refere ao corpo como corporeidade, reconhecendo a importância desta questão como uma “problemática especial” mas que não será tratada na analítica, no entanto ele toca nesse assunto em alguns momentos do texto, como, por exemplo quando vai tratar da espacialidade da presença. O tema do corpo foi ainda indicado no seu texto Da Essência da Verdade, Semestre de Inverno de 1933/34, que compõe o livro Ser e Verdade. Neste texto, Heidegger nos convoca a libertar-nos da concepção errônea e secular do homem como um animal racional, corroborando que : “Não se deve construir e edificar a razão sobre o corpo do homem, mas a corporeidade deve ser deslocada e transferida para a existência” 9. Em Sobre o Humanismo (1949), ao tratar da ek-sistência, ele afirma que: “O corpo do homem é algo Essencialmente diferente de um organismo animal. Não se supera o erro do biologismo, ajustando-se ao corpo do homem a alma e à alma, o espírito e ao espírito, o existentivo,...”10O tema do corpo é então, mais incisivamente desenvolvido posteriormente nos Seminários de Zollikon, realizados a partir de 1959 estendendo-se por cerca de uma década. Segundo G.Figal “se está amplamente de acordo quanto ao fato de que só é possível descrever o desenvolvimento filosófico de Heidegger adequadamente se se consegue esclarecer a relação entre ST e os escritos tardios.”11Nesta perspectiva é que tomaremos a obra Ser e Tempo e os Seminários de Zollikon, para articular e explicitar a problemática do corpo e seu nexo ontológico com o si-mesmo, tema desenvolvido em Ser e Tempo.
Heidegger não elabora um conceito explícito de corporeidade, contudo, entendemos que a problemática do corpo não foge aos princípios da sua filosofia. Nos Seminários de Zollikon, Heidegger distingue o corpo material, em seu aspecto biológico do corpo enquanto corporeidade, no entanto, para ele, o corpo do homem nunca é simplesmente um corpo animal, ele é sempre o meu corpo, e se refere a mim mesmo. Neste sentido afirma: “Em todo caso o corpo não é alguma coisa, algum corpo material, mas sim todo corpo, isto é, o corpo como corpo é o meu corpo em cada caso.”12 Desse modo, o corpo humano não deve ser considerado simplesmente como algo biológico, que o ser do homem habite simplesmente, não se trata de uma coisa. Para Heidegger desde a mais tenra idade o corpo é sempre meu, isto é, de um ente que se dá como abertura, como compreensão de ser
...por isso que o lactente não é um animal, mas é logo homem. Todas as expressões de um homem, por mais jovem que seja, nunca poderão ser apreendidas e compreendidas por uma biologia animal; raça e sexo também são para serem compreendidos a partir da existência e não expostos através de uma antiquada biologia liberal 13.
Pensar o corpo, como sempre “meu corpo”, por sua vez, nos indica a referência do corpo à mesmidade da presença, isto é, o ser meu corpo refere-se a mim mesmo, ao ser da presença como um si mesmo. Enquanto abertura a presença não possui uma base, um fundamento que lhe determine de antemão o seu modo de ser. Como fundamento nulo de si mesma a presença é seu próprio fundamento, isto significa que o seu si-mesmo não se determina previamente, mas em mundo, como ser-no-mundo, a cada vez, em sua existência fática em modos possíveis de ser si mesmo.
Apesar de Heidegger, nos Seminários de Zollikon, nos indicar a relação do corporar com o si mesmo14 ele não a explicita, daí entendermos que trata-se de uma questão a ser desenvolvida numa articulação com a analítica existencial, visto que a corporeidade é relacionada ao ser-no-mundo da presença e é em Ser e Tempo que ele desenvolve os caracteres ôntico e ontológicos da presença. Nesse sentido é que urge pensar essa questão, ou seja, se e como a corporeidade co-determina o ser da presença e o seu si mesmo enquanto ser-no-mundo. Enquanto ser-no-mundo, a presença ek-siste desde sempre lançada em mundo, como ser-em, junto aos entes e com as outras presenças em suas ocupações, enquanto referencialidade, isto é, ela encontra-se sempre inserida em um contexto referencial significativo, constituindo e sendo constituída pela mundanidade de mundo. O ser-em, como um dos momentos da estrutura ser-no-mundo, diz respeito à facticidade da presença, refere-se ao fato de sua existência concreta no mundo. Ocorre que, em suas ocupações no mundo a presença estabelece relações de proximidade, distanciamento e direcionamento junto aos entes que lhe vêm ao encontro de acordo com os seus interesses e seus afazeres. Essa dinâmica diz respeito ao aspecto ontológico de ser espacial da presença enquanto ser-em. Ora, ser dada em um mundo, relacionar-se com os entes em uma ocupação envolve a facticidade da presença e como tal o seu corpo. Em Ser e Tempo, ao referir-se ao aspecto ontológico do ser-em, Heidegger afirma:
...a presença não é despojada de toda e qualquer espécie de “espacialidade”ao contrário, a presença tem o seu próprio “ser-no-espaço”, o qual no entanto, só é possível com base e fundamento no ser-no-mundo em geral. Não se pode por conseguinte, esclarecer ontologicamente o ser-em mediante uma caracterização ôntica, dizendo-se: o ser-em um mundo é uma propriedade espiritual e a “espacialidade” do homem é uma qualidade de sua corporeidade (Leiblichkeit), fundada sempre num ser corpóreo (Korperlichkeit). Pois, com isso, se estaria novamente diante de um ser simplesmente dado de uma coisa espiritual assim qualificada junto a uma coisa corpórea, permanecendo obscuro o ser como tal do ente assim composto. 15
O “ser no espaço” entre aspas parece-nos indicar o espaço físico que o corpo ocupa, contudo, que este só é possível com base no ser espacial da presença e em sua constituição ser-no-mundo. O ser espacial da presença diz respeito ao um estar aqui direcionado a um lá com o qual ela se ocupa, refere-se ao estar junto de algo no sentido de estar envolvida, isto é, de alguma maneira ocupada. No entanto, “o Dasein não é espacial por ser corporal, mas sim sua corporeidade só é possível porque o Dasein é espacial no sentido de ordenar.”16 Vejamos então que Heidegger não nega o corpo material, que “ocupa” um lugar no espaço físico. Contudo, mesmo necessitando do corpo biológico para me relacionar com o mundo, este por si só não diz o caráter da corporeidade do corpo humano. Sobre isso Fogel afirma:
A expressão ‘corpo humano’ deve ser acentuada. O ‘humano’ é para reforçar que, quando se fala de corpo, em se referindo a homem, homem, já aconteceu, já se fez ou se deu. Mas ele também não se dá antes e fora do corpo, isto é, antes e fora (cronologicamente anterior) de realização, concretização ou que, talvez, se possa denominar encorporação, encarnação. Homem-corpo – isto é o único acontecimento, um único e mesmo instante, um único e mesmo ato este acontecimento um, integro, este único e mesmo ato é dito em e como ek-sistência. 17

Bem, mas o relacionar-se da presença com o mundo não se dá de modo indiferente, a presença em seus direcionamentos e ordenamentos de espaços em suas ocupações encontra-se sempre afinada em um humor. Os estados de humor, por sua vez, dizem respeito ao existencial da disposição, responsável pela abertura da presença enquanto ente que afeta e é afetado por mundo, interpelado pelos entes. A disposição, que se dá sempre em uma compreensão, abre a presença enquanto ser-em, isto é, enquanto ser junto aos entes e com as outras presenças em sua existência fática, em sua facticidade. Nesse sentido a disposição co-determina a presença em sua espacialidade, e, como corporeidade só é possível porque a presença é espacial, parece-nos que a disposição também se encontra implicada na corporeidade. Ressaltamos, no entanto, que os estados de humor não são estados de alma interior ou psicológico que eu tenha. Segundo Heidegger, “todo o comportamento do ser humano como um ser-no-mundo é determinado pelo corporar do corpo.”18 No entanto, como a presença é ek-sistência, os estados de humor, os sentimentos não dizem respeito a algo privado que eu tenha dentro de mim, mas resulta de minha afinação com o mundo naquela circunstância. Ao abrir-se em um humor a presença se abre em sua totalidade: mundo, co-presença e a existência, ou seja, todo o seu ser-no-mundo, e só assim torna-se possível a presença direcionar-se para algo. Nesse sentido, a presença, como um si mesmo, em seu aspecto ontológico, não “tem” os sentimentos, “os estados de ânimo não são sentimentos privados, mas especificações de uma dimensão da existência, da sensibilidade, como modo de ser-no-mundo. Não são só meus, outra pessoa de minha cultura pode compartilhar o mesmo estado de ânimo.”19 Então, se enquanto ek-sistência, a minha disposição de humor se dá fora, em mundo, e todo comportamento, é co-determinado pelo meu corpo enquanto corporeidade, talvez o que os outros percebam, ao compartilhar de meus estados de ânimo, seja o corporar do meu corpo enquanto ek-sistência. O enrubescer, por exemplo, Heidegger o caracteriza como gesto, isto porque o enrubescer está relacionado com outras presenças, e surge do relacionar-se com e junto aos entes numa determinada circunstancia conjuntural. O enrubescer não significa a expressão de algo interior, de um estado de ânimo privado. Parece-nos então que o fenômeno do corpo, enquanto corporeidade, deve ser pensado também no relacionamento com os outros, a partir do ser-com. Nessa perspectiva,


“a corporeidade é originária do nexo ontológico das aberturas da estrutura ser-no-mundo e da estrutura dos existenciais da mundanidade do mundo, disposição e compreender. Sendo assim podemos dizer que a corporeidade é co-originária aos existenciais que estruturam a presença como ser-no-mundo. Se a corporeidade é co-originária aos existenciais então ela também é um existencial e, portanto, um modo de ser da presença..20

Percebemos que, apesar da questão do corpo na filosofia heideggeriana ser ainda pouco explorada, há um crescente interesse pelo tema, haja vista as discussões que vêm sendo travadas entre os pesquisadores desse filósofo, com publicações internas e fora do país, o que nos oferece já um suporte para o enfrentamento dessa temática na sua filosofia. Ao investigarmos como e em que medida o corpo enquanto corporeidade se relaciona com o si-mesmo da presença, pretendemos contribuir para a filosofia nos estudos de Heidegger, tratando de uma questão ainda não trabalhada no âmbito das investigações sobre o pensamento deste filósofo, o que condiz com uma pesquisa de doutorado.



V- Metodologia

Como é próprio de um trabalho filosófico, nossa pesquisa será realizada através do estudo e fichamento de textos. As obras de Heidegger Ser e Tempo, publicada em 1927 e os Seminários de Zollikon, realizados a partir de 1959 e publicado em 1987, serão os textos principais deste trabalho. Para o desenvolvimento da pesquisa utilizaremos também os textos de Heidegger Da Essência da verdade (Semestre de Inverno de 1933/34), que compõe o livro Ser e Verdade, onde nosso autor faz referência à corporeidade da presença no sentido de contrapor a noção biológica de homem como animal racional, deslocando a concepção de corpo para a existência; Sobre o Humanismo (1949), onde a problemática do corpo é tratada no âmbito da ek-sistência, diferenciando o corpo do homem de um organismo animal. Outras obras de Heidegger que nos dê suporte para a articulação entre o si-mesmo e a corporeidade também serão estudadas, tais como: Ontologia. Hermenêutica de La facticidad, Os conceitos fundamentais da metafísica Sobre a Essência do Fundamento, Questions III e IV, Introdução a Metafísica. Como leitura complementar utilizaremos ainda textos e artigos publicados de comentadores e pesquisadores do pensador como por exemplo Walter Bimmel, Dreyfus, Francoise Dastur; Michel Haar, Richard R. Askay, David R. Cerbone, Magda King, Acylene Maria Cabral Ferreira, Gilvan Fogel, entre outros. Na medida em que o estudo for avançando, serão inclusos outras obras e artigos que contribuam para a investigação do tema em questão.




VI-Cronograma
1º Ano: 2012

  • Cursar as disciplinas para cumprimento dos créditos necessários;

  • Análise e estudo de Ser e Tempo e dos Seminários de Zollikon;

  • Pesquisa bibliográfica concernente à temática;

  • Leitura e fichamento de artigos e livros resultantes da pesquisa bibliográfica;

  • Análise e Estudo de textos de apoio citados na bibliografia;

  • Seminário de Pesquisa I e II.


2º Ano: 2013

  • Pesquisa bibliográfica concernente a temática;

  • Análise e estudo de Ser e Tempo e dos Seminários de Zollikon;

  • Leitura e fichamento de artigos e livros resultantes da pesquisa bibliográfica;

  • Análise e Estudo de outros textos de Heidegger tais como Ontologia. Hermenêutica de La facticidad, Os conceitos fundamentais da metafísica: mundo finitude e solidão;

  • Análise e Estudo de textos de apoio citados na bibliografia;

  • Redação do primeiro capítulo e iniciar redação do segundo capítulo


3º Ano: 2014

  • Pesquisa bibliográfica ;

  • Leitura e fichamento de artigos e livros resultantes da pesquisa bibliográfica

  • Estudo de outros textos de Heidegger pertinentes a temática tais como Sobre a Essência do Fundamento, Questions III e IV;

  • Conclusão do segundo capítulo e redação do terceiro capítulo

  • Exame de Qualificação


4º Ano: 2015

  • Redação do quarto capítulo

  • Término da elaboração do texto,

  • Revisão e considerações finais na tese;

  • Defesa da tese.

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1 Adotamos a tradução do termo Dasein como presença, conforme a tradução brasileira de Ser e Tempo.

2 HEIDEGGER, Martin, Ser e Tempo, Trad. revisada e apresentação de Márcia de Sá Cavalcante Schuback; posfácio de Emmanuel Carneiro Leão. Petrópolis: Vozes, 2006, p.85.

3 HEIDEGGER, Martin. Seminários de Zollikon.Trad. Gabriela Arnhold e Maria de Fátima de Almeida Prado. São Paulo: Petrópolis, Vozes/EDUC,2001, p. 114.

4 Idem. Ibidem. p.114

5 Idem.Ibidem. p.123

6 CERBONE, David R. Heidegger and Dasein’ ‘Bodily Nature’: what is the Hidden Problematic? In: Heidegger Reexamined. London: Routledge, 2002; p.101.

7 Michel Haar. Le chant de la terre. Paris: L’Herne, 1985, p.84-85.

8 HEIDEGGER, Martin. Seminários de Zollikon, p.118.

9 HEIDEGGER, Martin. Ser e Verdade: a questão fundamental da filosofia; da essência da verdade/Martin Heidegger; tradução Emmanuel Carneiro Leão.Petrópolis:Vozes;Bragança Paulista: Editora Universitária São Francisco,2007.(Coleção Pensamento Humano), p.187.

10 HEIDEGGER, Martin. Sobre o humanismo. Trad. Emmanuel Carneiro Leão.Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1967.p. 41-42.

11 FIGAL, Günter. Martin Heidegger: fenomenologia da liberdade. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 13.

12 HEIDEGGER, Martin. Seminários de Zollikon, p. 114.

13 Idem. Ser e Verdade, p.187.

14 Cf. Idem. Seminários de Zollikon, p. 114.

15 Idem. Ser e tempo; p.102.

16 Idem. Seminários de Zollikon; p.108

17 FOGEL, Gilvan. A respeito de Homem, de Vida e de Corpo. In: Emmanuel Carneiro Leão. Org. Fernando Santoro...[et al]-1ed Rio de janeiro: HEXIS: Fundação Biblioteca Nacional, 2010,(Pensamento no Brasil:1),163-179, p.174.

18 HEIDEGGER, Martin. Seminários de Zollikon, p. 118.

19 DREYFUS, Hubert L. SER-EN-EL-MUNDO: comentários a la division I de Ser y Tiempo de Martin Heidegger. Santiago de Chile: Cuatro Vientos, 1996,p.191.

20 FERREIRA, Acylene. A constituição ontológico-existencial da corporeidade em Heidegger. Síntese, Belo Horizonte, v.37, n.117, 2010, 107– 123,p. 117.



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