Universidade federal da bahia



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3.7.1 Escala de Avaliação de TDAH: versão para professores

Esta escala é composta por 43 itens divididos em quatro categorias: (a) Déficit de Atenção; (b) Hiperatividade/Impulsividade; (c) Problemas de Aprendizagem e (d) Comportamento anti-social. Para cada item o avaliado assinala a opção de uma escala Likert de seis pontos, variando de “discordo totalmente” a “concordo totalmente”. A escala foi respondida por todos os professores que ministraram aulas para as crianças em avaliação.


3.7.2 Checklist do Comportamento da Infância e Adolescência (CBCL)

O CBCL foi desenvolvido por Achenbach (1991), nos Estados Unidos, para crianças de 4 a 18 anos. É composta por 138 itens, destes, vinte para avaliação da competência social da criança (perfil social) e 118 relativos à avaliação de problemas de comportamento (perfil comportamental). No Brasil, o CBCL foi validado por Bordin et. al., (1995) apud Nobre (2008), sendo mantida a estrutura do instrumento original. O CBCL é respondido pelos pais em relação aos comportamentos dos filhos. Os resultados obtidos com o CBCL podem ser agrupados em dois âmbitos: 1) competência social e 2) problemas de comportamento. A competência social é composta de três escalas: (a) atividade, (b) sociabilidade, e (c) escolaridade. O escore final de competência social é a soma dos valores brutos das três escalas. Os problemas de comportamento são agrupados em duas escalas: (a) internalização (retraimento, queixas somáticas e ansiedade/depressão) e (b) externalização (comportamento delinqüente e comportamento agressivo). Além destas duas escalas de problemas de comportamentos, há ainda as sub-escalas de problemas com o contato social, problemas com o pensamento e problemas de atenção.



3.7.3 Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III)
Foi utilizada a terceira edição da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC) e tem por finalidade avaliar a capacidade intelectual de crianças e adolescentes com idades entre 6 e 16 anos. O WISC-III é composto por 13 sub-testes, sendo 12 deles mantidos do WISC-R e um novo sub-teste organizados em dois grupos: (a) Escala Verbal, que abrange a capacidade de lidar com os símbolos abstratos, qualidade da educação formal e estimulação do ambiente, compreensão, memória e fluência verbal; (b) Escala de Execução, que envolve o grau e a qualidade do contato não verbal do indivíduo com o ambiente, a capacidade de integrar estímulos perceptuais e respostas motoras pertinentes, capacidade de trabalho em situações concretas, velocidade de realização de tarefas e capacidade de avaliar informações visoespaciais.

Os sub-testes são aplicados nas crianças em ordem alternadas, ou seja, um sub-teste de Execução e depois um sub-teste verbal e vice-versa. Os Sub-testes Verbais são compostos pelos itens: (a) Informação, que avalia a extensão do conhecimento adquirido, qualidade da educação formal e motivação para aproveitamento escolar, estimulação do ambiente e/ou curiosidade intelectual, interesse no ambiente e memória remota; (b) Semelhanças, compreende o raciocínio lógico e a formação conceitual verbal, raciocínio indutivo, desenvolvimento da linguagem e fluência verbal; (c) Aritmética, abrange a capacidade computacional e rapidez no manejo de cálculos, memória auditiva, antecedentes/oportunidades/experiências escolares, concentração, resistência a distração, raciocínio lógico, abstração e contato com a realidade; (d) Vocabulário, avalia o desenvolvimento da linguagem, conhecimento semântico, inteligência verbal, estimulação do ambiente e antecedentes educacionais; e (e) Compreensão, avalia a capacidade de senso comum, juízo social, conhecimento prático, conhecimento das normas socioculturais, capacidade de avaliação de experiências passadas, compreensão verbal e pensamento abstrato e Dígitos, que avalia a extensão da atenção, retenção da memória imediata, memória e capacidade de reversibilidade, concentração e tolerância ao estresse.



Os sub-testes de Execução são formados pelos itens: Completar Figuras, que compreende o reconhecimento e memória visual, organização e raciocínio, interesse e atenção ao ambiente, concentração e percepção das relações todo-parte e discriminação de aspectos essenciais e não essenciais; Código, velocidade de processamento, de seguir instruções sob pressão, atenção seletiva, concentração, persistência motora numa tarefa seqüencial, capacidade de aprender, eficiência cognitiva e flexibilidade mental; Arranjo de Figuras, capacidade para organizar e integrar lógica e seqüencialmente estímulos complexos, compreensão da significação de uma situação interpessoal, julgando suas implicações, determinando prioridades e antecipando suas conseqüências, e por último, processamento visual; Cubos; avalia a capacidade de análise e síntese, capacidade de conceitualização visoespacial, coordenação viso-motora-espacial, organização e velocidade perceptual e estratégia de solução de problemas; Armar Objetos, capacidade de síntese de um conjunto integrado, capacidade de reconhecer configurações familiares, de antecipar relações parte-todo, processamento visual, velocidade perceptual e manipulativa; Procurar Símbolos, que avalia a capacidade de localização visoespacial, memória, resistência a distração, capacidade de raciocínio em situações de pressão e persistência na execução de tarefas; além destes sub-testes o WISC III conta com o sub-teste Labirinto, que não foi validado para a população brasileira.
3.7.4 Inventário de Qualidade de Vida em Crianças e Adolescentes (AUQEI)
Consiste em uma escala de avaliação de qualidade de vida para crianças de 4 a 17 anos. Foi validada para o Brasil por Assumpção, Kuczynski, Sprovieri e Aranha (2000) apud Nobre (2008) obtendo consistência interna representada por um alfa Crombach da ordem de 0.71 e validade externa (r= 0.497), esta escala é considerada um importante instrumento de diagnóstico para a população infantil. Ela se dá na forma de questionário com 26 questões que estão distribuídas em seis categorias: função, família, lazer, autonomia, atividade de lazer e tratamento. É baseada no ponto de vista da satisfação da criança, com cada questão apresentando um domínio e as respostas (em quatro níveis) são representadas com o auxílio de faces que exprimem diferentes estados emocionais (NOBRE, 2008).

3.7.5 Escala de Avaliação do Aprendizado Musical
Esta escala foi adaptada a partir a Escala de Verificação do Comportamento Verbal e Não-Verbal do estudante desenvolvida por DeFreitas (2007), que avalia o aprendizado musical de estudantes de violoncelo, sendo dividida em duas sub-escalas. A primeira “Definição Operacional do Comportamento do Estudante” composta de seis itens: (a) Postura do Músico; (b) Posição da Mão Esquerda; (c) Posição da Mão Direita; (d) Qualidade Sonora; (e) Afinação; e (f) Entendimento Teórico (Anexo 3). Cada item é composto de 5 sub-itens para os quais os observadores marcaram “Sim” ou “Não”.

A segunda sub-escala: Escala de Verificação do Aprendizado Musical, é composta por sete itens, sendo seis comuns a primeira sub-escala e a última referente a atenção do aluno. Esta subscala é respondida a partir da escala de Likert, de 10 pontos, distribuídos em 5 opções: (a) Discordo totalmente, 1 ou 2; (b) Discordo, 3 ou 4; (c) Não tenho Certeza, 5 ou 6; (d) Concordo, 7 ou 8; e (e) Concordo Totalmente, 9 ou 10. Esta sub-escala é preenchida com base nas observações da primeira sub-escala (Definição Operacional do Comportamento do Estudante) com exceção do item sete “atenção do aluno”. A escala de Avaliação do Aprendizado Musical teve a consistência interna verificada a partir do método estatístico Alpha Cronbach, em que avaliadores independentes alcançaram o índice de validade de .8036 nas três ultimas avaliações. De acordo com Pallant (2001) e Field (2009) apud. Nobre (2008), a média aceita para verificar a consistência interna de uma escala deve ser acima de 7.



Tabela 2 - Operacionalização dos Itens da Escala de Avaliação do Aprendizado Musical


Posição do Instrumento e Postura do Músico (PIPM): Mantém o instrumento ligeiramente inclinado para a direita; Mantém a cabeça na posição correta; Mantém os pés na posição correta, encontram-se paralelo ao chão; Mantém o joelho da perna esquerda atrás do violoncelo e não no lado; Mantém a coluna ereta.

Posição da Mão Esquerda (PME): Toca com os dedos ligeiramente afastados; Toca c

om o polegar paralelo ao 2º dedo; Mantém o pulso em posição intermediária nem muito alto e nem muito baixo; Toca com o nível do braço esquerdo apropriado em relação à corda usada; Toca com a mão arredondada, Toca com a mão relaxada.



Posição da Mão Direita (PMD): Toca com o dedo mínimo na posição correta. Não o coloca sobre a madeira; Toca com os dedos ligeiramente afastados; Toca com flexibilidade do pulso e antebraço; Toca com o dedo indicador na posição correta, semelhante a um gancho; Mantém o pulso em posição intermediária: nem muito alto e nem muito baixo.

Qualidade do Som (QS): Toca com o arco paralelo ao cavalete; Toca sem esbarrar nas cordas; Toca com o som apropriado (arco na corda); Toca com a velocidade do arco apropriada; Toca com o arco entre o espelho e o cavalete.

Afinação (A): Mantém os dedos ligeiramente afastados; Mantém o 4º dedo sobre o adesivo fixado no espelho do violoncelo; Mantém o 3º dedo sobre o adesivo fixado no espelho do violoncelo; Mantém o 1º dedo sobre o adesivo fixado no espelho do violoncelo; e Mantém os dedos na corda durante uma sequência de notas ascendentes e/ou descendente.

*Entendimento Teórico (ET): (1) Aluno responde corretamente as perguntas feitas em sala de aula; (2) Aluno responde corretamente as perguntas feitas em sala de aula; (3) Aluno responde corretamente as perguntas feitas em sala de aula; (4) Aluno responde corretamente as perguntas feitas em sala de aula; e (5) Aluno responde corretamente as perguntas feitas em sala de aula.

*professor questiona 5 perguntas referente a teoria musical.

3.8 PROCEDIMENTO DE COLETA DE DADOS


Para melhor compreensão do complexo processo desta pesquisa, apresentamos, a seguir, a Tabela. 3 com o sumário contemplando todas as etapas de coleta de dados até agora descritas. O capitulo IV deste estudo apresentará os resultados da intervenção.
Tabela 3 – Etapas para Coleta de Dados

Etapa 1: Apresentação do projeto à direção da Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA);

Etapa 2: Submissão do projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa com seres humanos;

Etapa 3: Apresentação do projeto em escolas públicas e privadas para seleção dos participantes. Nesta apresentação foi realizada uma palestra aos pais e educadores da instituição, sobre o TDAH e o programa de inclusão realizado na EMUFPA através do Programa Cordas da Amazônia;

Etapa 4: Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido pelos cuidadores, cujos filhos foram indicados pela coordenação pedagógica das escolas utilizadas na pesquisa;

Etapa 5: Aplicação da Escala de Avaliação de TDAH, versão para professores, aplicada pelos psicólogos e pedagogos do Programa Cordas da Amazônia, nas escolas regulares dos participantes envolvido;.

Etapa 6: Aplicação do Inventário de Comportamento da Infância e Adolescência (CBCL), pelos psicólogos e pedagogos do Programa Cordas da Amazônia, com os cuidadores da criança;

Etapa 7: Aplicação da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC), pelos psicólogos do Programa Cordas da Amazônia, com a criança;

Etapa 8: Elaboração da avaliação comportamental, pelos psicólogos do Programa Cordas da Amazônia, para identificar as crianças com características de risco para TDAH. Nesta etapa foram selecionadas as crianças que atendiam aos critérios de inclusão;


Tabela 3 – Etapas para Coleta de Dados (cont.)

Etapa 9: Aplicação do Inventário de Qualidade de Vida (AUQEI), pelos psicólogos e pedagogos do Programa Cordas da Amazônia (PCA), com a criança envolvida na pesquisa;

Etapa 10: inicio das aulas, com avaliação de linha de base, utilizando o protocolo de avaliação do aprendizado musical;

Etapa 11: Realização da primeira avaliação com os participantes no início da intervenção, utilizando a escala de avaliação do aprendizado musical. A aplicação da escala foi realizada individualmente com cada aluno, sendo que um professor dá o comando da tarefa para o aluno, e dois observadores independentes fazem o preenchimento da escala;

Etapa 12: Realização da segunda avaliação com os participantes um mês após o início da intervenção, seguindo o mesmo processo de avaliação realizado acima;

Etapa 13: Realização da terceira avaliação com os participantes um mês após a segunda avaliação, conforme os critérios acima;

Etapa 14: Realização da quarta avaliação com os participantes um mês após a terceira avaliação, conforme os critérios acima;

Etapa 15: Reaplicação do AUQEI, em sala reservada com cada participante seis meses após a primeira aplicação.




4 RESULTADOS
Os dados obtidos com a aplicação do AUQEI e da Escala de Verificação do Aprendizado Musical (DEFREITAS, 2007; DEFREITAS et. al., 2009), foram organizados e analisados a partir de programas estatísticos: Statistical Package for the Social Science (SPSS) e Microsoft Office Excel (EXCEL). Durante a verificação do aprendizado musical, a pesquisadora utilizou o cálculo Alpha Cronbach para verificar a fidedignidade entre os dados obtidos pelos observadores independentes. Para a analise desse estudo, utilizou-se somente 7 alunos que participaram das quatro avaliações. Os dados coletados durante a anamnese foram organizados em categorias e descritos em termos de freqüência.

4.1 AVALIAR A QUALIDADE DE VIDA DE ESTUDANTES DE VIOLONCELO COM CARACTERÍSTICAS DE RISCO PARA TDAH


A avaliação da qualidade de vida foi realizada utilizando-se o Inventário de Qualidade de vida de crianças e Adolescentes (AUQEI). Este instrumento contempla 6 categorias da vida do indivíduo que são: Função; Família, Autonomia; Lazer; Atividade Escolar e Tratamento. Apresentam-se aqui os resultados obtidos pelos 7 estudantes participantes da pesquisa. Considerou-se na análise do AUQEI os critérios utilizados por Nobre (2008) e que para escores de 0 à 25% no Índice de Felicidade, considera-se qualidade de vida Muito Prejudicada; de 26 a 50%, qualidade de vida Prejudicada; de 51 a 75%, qualidade de vida Boa; de 76 a 100%, qualidade de vida Ótima.

Na Tabela 4, observa-se que o participante P1 apresenta domínio do Índice de Infelicidade para cinco das seis categorias de análise do AUQEI, mantendo, apenas a categoria Função com distribuição igual para os Índices de Felicidade e de Infelicidade.Com estes resultados, compreende-se que o participante P1 apresenta qualidade de vida prejudicada, visto que 69,28% das respostas compuseram o Índice de Infelicidade e 30,72% para o Índice de Felicidade.



Tabela 4 - Análise do AUQEI para o Participante P1


AUQEI P1

Participante

Felicidade

Infelicidade

Total

P1

*Fa

(%)

Fa

(%)

Fa

(%)

Função (4)

2

50

2

50

4

100

Família (6)

2

33,32

4

66,68

6

100

Lazer (5)

2

40

3

60

5

100

Autonomia (4)

1

25

3

75

4

100

Atividade Escolar (4)

0

00

4

100

4

100

Tratamento (3)

1

33,33

2

66,66

3

100

Geral (26)

8

30,72

18

69,28

26

100
*Frequência Absoluta

Na Tabela 5, o participante P2 apresenta predominância do Índice de Felicidade em cinco das seis categorias de análise do AUQEI. A exceção foi a categoria Tratamento em que 66,66% das respostas foram incluídas no Índice de Infelicidade. No entanto, a análise global de P2 indica que o participante possui a qualidade de vida Boa, pois 72, 96% de suas respostas foram indicadores para o Índice de Felicidade, com 27,04% para o Índice de Infelicidade.


Tabela 5 - Análise do AUQEI para o Participante P2

AUQEI P2

Participante

Felicidade

Infelicidade

Total

P2

*Fa

(%)

Fa

(%)

Fa

(%)

Função (4)

3

75

1

25

4

100

Família (6)

4

66,68

2

33,32

6

100

Lazer (5)

4

80

2

20

5

100

Autonomia (4)

4

100

0

00

4

100

Atividade Escolar (4)

3

75

1

25

4

100

Tratamento (3)

1

33,33

2

66,66

3

100

Geral (26)

19

72,96

7

27,04

26

100
*Freqüência absoluta

Na Tabela 6, o participante P3 apresentou predominância do Índice de Felicidade em cinco das seis categorias de análise, com predominância do Índice de Infelicidade apenas na categoria Tratamento, com 100% neste índice. No entanto, isto não refletiu na análise geral do AUQEI, visto que 72,96% das respostas de P3 foram para o Índice de Felicidade, resultado em uma avaliação da qualidade de vida deste participante como Boa.


Tabela 6- Análise do AUQEI para o participante P3


AUQEI P3

Participante

Felicidade

Infelicidade

Total

P3

*Fa

(%)

Fa

(%)

Fa

(%)

Função (4)

3

75

1

25

4

100

Família (6)

5

83,34

1

16,66

6

100

Lazer (5)

5

100

0

00

5

100

Autonomia (4)

3

75

1

25

4

100

Atividade Escolar (4)

3

75

1

25

4

100

Tratamento (3)

0

00

3

100

3

100

Geral (26)

19

72,96

7

27,04

26

100
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