Universidade federal da paraíba centro de ciências agrárias programa de pós-graduaçÃo em zootecnia



Baixar 368.16 Kb.
Página2/5
Encontro23.07.2016
Tamanho368.16 Kb.
1   2   3   4   5

RESUMO GERAL

Objetivou-se estudar o efeito da adição do co-produto de vitivinícolas sobre a cinética de fermentação e qualidade nutricional de silagens de maniçoba na região semi-árida do Vale do São Francisco. Foram realizados dois experimentos no Campo Experimental da Embrapa Semi-Árido. No primeiro, foram avaliadas as características fermentativas e nutricionais de silagens de maniçoba com adição de co-produtos de vitivinícolas, obtidas em silos experimentais distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, determinando-se as perdas de matéria seca, a densidade de compactação, o pH e o nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total das silagens e a composição química e digestibilidade in vitro das silagens. A adição de co-produtos de vitivinícolas nas silagens de maniçoba melhorou as características fermentativas das mesmas e sua digestibilidade in vitro, contudo, não influenciou a composição química das silagens, à exceção do teor de lignina que apresentou um aumento linear com a adição de co-produtos. No segundo experimento, realizado posteriormente, determinou-se o consumo de nutrientes e a digestibilidade aparente das silagens de maniçoba com adição de resíduo de vitivinícolas em ovinos, através de ensaio com quatro ovinos castrados, distribuídos em um delineamento experimental em quadrado latino (4x4). Não foram verificadas diferenças no consumo e na digestibilidade aparente entre os tratamentos. O co-produto de vitivinícola pode ser utilizado como aditivo para silagem de maniçoba melhorando os parâmetros fermentativos e não interferindo no valor nutritivo.


PALAVRAS-CHAVE: conservação de forragem, digestibilidade, fermentação, resíduo agroindustrial, ruminantes, semi-árido
GRAPEWINES CO-PRODUCT AS ADICTTIVE FOR CASSAVA SILAGES

ABSTRACT

The objective of this research was to study the effect of grapewines co-product addition in wild cassava silages in the semi-arid of São Francisco walley. Two experiments were accomplished in the Experimental Field of Embrapa Tropical Semi-arid. In the first experiment, were evaluated the fermentative and nutritional characteristics of wild cassava silages with grapewines co-product, made at PVC silos in completely randomized design. It was determined dry matter losses, density, pH, ammonia nitrogen in relation to the total nitrogen, chemical composition and in vitro digestiblity. The addition of grapewines co-product in the wild cassava silages improved the fermentative characteristics and in vitro digestibility. However, it didn't influence the chemical composition, except for lignin levels increase. In the second experiment, it was determined the nutrients intakes and apparent digestibility of wild cassava silages with addition of grapewines co-product. Were used for digestibility assay four castrated sheep, distributed in latin square design (4X4). No differences were verified in relation intake and apparent digestibility between treatments. The use of wild cassava silages with or without grapewines co-product is possible. The grapewines co-product can be used as addictive for cassava silage improving the fermentatives parameters and not interfering in the nutritional value.


KEY-WORDS: by-products, digestibility, fermentation, forage conservation, ruminant, semi-arid


CAPÍTULO 1

Referencial Teórico

Co-Produto De Vitivinícolas Como Aditivo Para Silagens De Maniçoba

Caprinovinocultura no Semi-árido nordestino
A caprinovinocultura tem crescido ao longo dos anos e, atualmente, é considerada não apenas do ponto de vista social, mas como fonte de geração de emprego e renda pelos produtores e políticas governamentais (Araújo et al., 1998), constituindo-se segundo Fernandes et al. (2006), uma importante atividade socioeconômica nas regiões semi-áridas do mundo. Segundo Salviano et al. (2006) o agronegócio da ovinocultura é de grande importância regional e nacional, especialmente quanto à produção de pele, carne e derivados, além de representar importante fonte de proteína de alto valor biológico para a alimentação humana.

Em 2005, o rebanho brasileiro de ovinos atingiu 16,05 milhões de cabeças, e a região nordeste detém atualmente 56,3% desse rebanho (Anualpec, 2006), apresentando densidade populacional de 5,24 cabeças/km2 (IBGE, 2006).

No Nordeste brasileiro a ovinocultura é conduzida de forma extensiva, com alimentação deficiente, manejo inadequado e profilaxia insipiente, o que implica baixa produtividade, baixo nível de desfrute e conseqüentemente resultados econômicos e financeiros insatisfatórios (Silva et al., 2006), evidenciado principalmente pela idade tardia de abate dos animais, pela baixa qualidade e falta de uniformidade da carne ovina (Salviano et al., 2006).

O Nordeste brasileiro situa-se entre os paralelos 01º 02’ 30” de latitude norte e 18º 20’ 07” de latitude sul, com uma área de 166,2 milhões de hectares, estando cerca de 95,5 milhões de hectares (57%) inseridos na zona semi-árida. É uma região onde as condições climáticas têm contribuído para o baixo desenvolvimento na agropecuária e segundo Lousada Júnior et al. (2005) tem gerado principalmente carências nutricionais que acometem parte da população, situação que se estende aos rebanhos criados, cuja baixa produtividade se deve aos manejos (alimentar, sanitário e reprodutivo) deficientes.

Dentre os vários fatores que contribuem para essa baixa produtividade, alternando-se períodos onde é grande a disponibilidade quantitativa e qualitativa da forragem (águas), com períodos em que o crescimento das plantas é reduzido (secas), em reposta às alterações climáticas, pode-se destacar a estacionalidade na oferta de alimento proveniente de pastagens (Pereira et al., 2006).

A alimentação animal assume importante papel diante o quadro da exploração pecuária do nordeste. Assim, é necessário utilizar alternativas alimentares, objetivando o crescimento, mantença, reprodução e obtenção de produtos de origem animal de qualidade.

A constatação da estacionalidade na produção de grãos e forrageiras demanda o uso de práticas de conservação de alimentos. Segundo Pereira et al. (2006), a ensilagem e a fenação são processos usuais de conservação de forragem nas diferentes regiões do mundo.
O processo de ensilagem como alternativa na conservação de forragens nativas
Para McDonald et al. (1991), o primeiro objetivo na conservação de plantas forrageiras, sob fermentação natural, é alcançar condições anaeróbicas, minimizando perdas de nutrientes e evitando mudanças adversas na composição química do material ensilado. De acordo com Soares (2001), o armazenamento de forragem sob a forma de silagem apresenta algumas vantagens, pois pode maximizar a produção ocorrida na estação chuvosa, evitando as alterações e perdas que normalmente ocorrem com a maturação e posterior intempérie sobre as plantas deixadas naturalmente no campo.

A ensilagem é uma técnica bastante utilizada para a conservação de forragens e segundo Tomich et al. (2003), deve visar o aproveitamento da forrageira em seu estádio ótimo de desenvolvimento, conciliando produtividade e valor nutritivo, objetivando minimizar as perdas de matéria seca e de energia e manter a qualidade da fração protéica da forrageira durante a estocagem.

Segundo Ávila et al., (2003), o processo de fermentação é complexo, envolve variações químicas e microbiológicas na massa ensilada, com destaque para a atividade de fermentação realizada por microorganismos, que segundo Peixoto (1988), quando na ausência do oxigênio resulta em compostos capazes de conservar um determinado alimento ao longo do tempo. Os açúcares existentes no material ensilado servem como substrato para as bactérias ácido láticas, elevando a produção de ácidos orgânicos, principalmente o lático, o pH decresce e os microorganismos indesejáveis são inibidos garantindo a qualidade da fermentação (Silva, 2001).

Alguns microorganismos são maléficos a este processo, produzem compostos indesejáveis que podem degradar os componentes nutritivos do material ensilado. O desenvolvimento de microorganismos indesejáveis como o clostridium é identificado em silagens com elevado teor de umidade. Segundo McDonald et al. (1991), estas bactérias são sensíveis à oferta de água, necessitando de umidade para o seu desenvolvimento. O pH ideal para o seu crescimento situa-se entre 7,0 a 7,4 podendo desenvolver-se até em pH 4,0 quando há excesso de umidade.

Segundo Muck (1988), citado por Tomich (2003), é necessário uma carga mínima de 108 bactérias lácticas por grama de material ensilado para garantir uma fermentação apropriada à conservação da silagem, enquanto a acidificação inadequada proporciona o desenvolvimento de bactérias produtoras de ácido acético e butírico, resultando em silagem de qualidade inferior.

Além das bactérias lácticas, várias outras espécies de bactérias pertencentes a diferentes gêneros são capazes de fermentar açúcar a ácido lático como produto principal (Pontes & Marinho, 1997). Estes podem ser do tipo homofermentativas ou heterofermentativas. Ambas produzem ácido lático, sendo que as heterofermentativas, além deste ácido, produzem o etanol, o ácido acético e o CO2, como produtos finais da fermentação (McDonald et al., 1991).

O processo fermentativo adequado é fundamental para que haja uma boa conservação das características nutritivas de forragens pelo processo de ensilagem. Segundo Tomich et al. (2004) além do valor nutritivo, a capacidade de conservação determina a adequação de uma cultura ao processo de ensilagem.

Para avaliar a qualidade deste processo são utilizados alguns parâmetros. Para McDonald et al. (1991) os principais fatores a serem analisados em forrageiras, antes de ensilar, são: o teor de matéria seca, o teor de carboidratos solúveis e o poder tampão. Parâmetros como o pH, conteúdo de nitrogênio na forma volátil (N-NH3) e determinações dos ácidos orgânicos produzidos durante a fermentação também são importantes nas avaliações da qualidade da silagem após abertura dos silos.

Recomenda-se que os materiais a serem ensilados atendam a requisitos para confecção de uma boa silagem, tais como: teor de matéria seca (MS) entre 30 a 35% (Peixoto, 1988), e o mínimo de 3% de carboidratos solúveis, além do reduzido poder tampão no material original.

As medidas de pH são atualmente muito utilizadas nas determinações de qualidade do material ensilado, mas não como valor único, podendo ser dependente da porcentagem de matéria seca e do teor de açúcar. Segundo McDonald et al. (1991) a faixa aceitável de pH para garantir boa preservação das misturas ensiladas está entre 3,6 e 4,2, que segundo Tomich et al. (2004) é capaz de restringir a ação de enzimas proteolíticas da planta e de enterobactérias e clostrídios. Durante os processos fermentativos, é necessário o abaixamento do pH durante as primeiras horas do processo de ensilagem (Silveira, 1988) como garantia de haver uma grande quantidade de bactérias lácticas e redução da carga bacteriana clostrídica, que irá promover a fermentação butírica, considerada secundária.

Segundo Igarasi (2002), o teor de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total é um parâmetro qualitativo da silagem que caracteriza o perfil fermentativo ocorrido no processo, onde menores teores de nitrogênio amoniacal indicam menor proteólise ocorrida na silagem, sendo característica de um processo de melhor qualidade.

As silagens podem ser classificadas quanto à qualidade de fermentação de acordo com o teor de nitrogênio amoniacal em relação ao nitrogênio total (N-NH3/NT), como: muito boa: menos de 10%; adequada: de 10 a 15%; aceitável: de 15 a 20% ou insatisfatória: mais de 20% (Benacchio, 1965),

É freqüente em propriedades rurais a confecção de silagens com reduzido valor nutritivo, devido à baixa qualidade do material ensilado, à demora e ineficiência no processo de enchimento, vedação e conservação das mesmas. Isto resulta em baixo desempenho animal e na perda do capital investido (Ferreira, 2001; Rosa et al. 2004).

Dentre os alimentos tradicionalmente utilizados na produção de silagens estão o milho, sorgo, capim elefante, milheto, cana-de-áçucar, aveia, azevém, girassol, alfafa e gramíneas.

O conhecimento da composição química e dos valores de digestibilidade dos alimentos que compõem a dieta dos ruminantes é fundamental dentro do processo produtivo. Isto porque o valor nutritivo de uma forrageira é influenciado pela sua estrutura física, anatomia dos órgãos e tecidos e arquitetura dos componentes individuais das paredes celulares. Estes componentes afetam a composição química, facilitam a apreensão dos alimentos, a fragmentação das partículas durante a mastigação e ruminação, a taxa de passagem e a recuperação da energia digestiva e proteína pelo ruminante.

Nussio (1997) relatou que a escolha de forragens, para produção de silagem, baseada principalmente na produção de matéria seca deve ser revista, em virtude da diversidade do potencial de produção dos materiais disponíveis e da grande dispersão entre variáveis agronômicas e qualitativas. Em virtude disso, cresce a importância das informações sobre a composição química e a qualidade dos materiais a serem ensilados.

A ingestão de matéria seca é um dos fatores determinantes do desempenho animal, sendo o ponto inicial para o ingresso de nutrientes, principalmente de energia e proteína, necessários para o atendimento das exigências de mantença e produção, enquanto a digestibilidade e a utilização de nutrientes representam a descrição qualitativa do consumo.
O Potencial Forrageiro da Maniçoba (Manihot pseudoglaziovii) no Semi-árido Nordestino
O semi-árido nordestino apresenta grande diversidade de plantas em seus extratos arbóreo, arbustivo e herbáceo. A maniçoba (Manihot pseudoglaziovii), espécie arbustiva, destaca-se por seu valor nutritivo e capacidade de rebrotar rapidamente após as primeiras chuvas.

A maniçoba é uma planta nativa da caatinga, da família Euphorbiaceae encontrada nas diversas áreas que compõem o Semi-árido do Nordeste. Vegeta em áreas abertas e se desenvolvem na maioria dos solos, tanto calcários e bem drenados, como os pouco profundos e pedregosos, das elevações e das chapadas.

A produção de alimentos para o rebanho nas regiões semi-áridas constitui, provavelmente, o maior desafio da pecuária, principalmente devido à variabilidade climáticas, tornando a cultura de forrageiras uma atividade de alto risco, além de competir com a agricultura tradicional (Araújo Filho & Silva, 1994). Com isso a produção de maniçoba ou de outra forrageira nativa e a conservação desta sob a forma de silagem, pode dar suporte ao produtor, que na maioria das vezes têm a caatinga como única fonte alimentar para seu rebanho (Carvalho, 2006; Salviano et al., 2006).

A fitomassa forrageira da maniçoba produzida em condições de sequeiro, no semi-árido, corresponde em média a 20t/ha de massa verde (Soares, 2001). Quando cultivada, a maniçoba permite um a dois cortes em um curto período de tempo e com produtividade de quatro a cinco toneladas de matéria seca por hectare, aparecendo como alternativa alimentar para a produção animal da região. A maniçoba é uma excelente planta forrageira, apresentando elevado valor nutritivo e boa palatabilidade. Apresenta características de sobrevivência à seca por apresentar raízes com grande capacidade de reserva. (Silva et al., 2000), apesar de perder suas folhas no período seco, rebrota rapidamente com a disponibilidade de água. Segundo Salviano & Nunes (1989), a desvantagem da maniçoba para a alimentação animal é perder precocemente suas folhas após a frutificação e término do período chuvoso.

Devido a sua palatabilidade, a maniçoba é bastante procurada pelos animais em pastejo, que sempre a consomem com avidez. Além disso, dentre as plantas da caatinga a maniçoba destaca-se pelo valor nutritivo, pois apresenta em média 20,88% de proteína bruta, 13,96% de fibra bruta, 8,30% de extrato etéreo e 62,29% de digestibilidade in vitro, (Araújo Filho & Silva, 1994) podendo até substituir parcialmente os concentrados na ração de engorda de bovino, caprinos e ovinos.

A maniçoba é normalmente utilizada como forragem verde pelos animais que pastejam livremente a caatinga, entretanto, deve haver restrição ao seu uso sob esta forma, devido à possibilidade de provocar intoxicação. Como as demais plantas do gênero Manihot, a maniçoba apresenta em sua composição quantidades variáveis de glicosídeos cianogênicos (linamarina e lotaustralina), que ao hidrolisarem-se mediante a ação da enzima linamarase, dão origem ao ácido cianídrico (HCN) (Soares, 1995) que é tóxico e pode levar os animais a morte, dependendo da quantidade de maniçoba consumida.

O ácido cianídrico, no entanto, é eliminado em grande parte se as folhas e ramos da maniçoba forem triturados e expostos para secar ou fermentar em ambiente anaeróbico, como os silos forrageiros. Deste modo, a fenação e a ensilagem, após trituração de todo o material forrageiro produzido, são os meios mais recomendados de utilização da maniçoba, capazes de reduzir a concentração desse ácido (Souza et al., 2004).

Quando a maniçoba é transformada em silagem, o HCN é reduzido a níveis não tóxicos, segundo Soares (2002), nos primeiros 29 dias do acondicionamento, o teor de HCN tem uma queda acentuada de mais de 65%, e quando analisada aos 174 dias, os teores do ácido sofreram reduções até atingir a estabilização com redução total de 78%, em relação à primeira determinação que foi de 300 mg HCN/g MS. Assim, pode ser fornecida aos animais, principalmente na época seca (IPA, 1996).

Matos et al. (2005) estudaram silagens de maniçoba e obtiveram uma redução de 972 mg HCN/kg MS na maniçoba in natura para 162 mg HCN/kg MS após 12 meses de ensilagem.

Além do valor nutritivo, a ensilagem de maniçoba apresenta diversas características que favorecem seu uso para conservação através do processo de ensilagem, como: adequado valor de pH, elevado teor de carboidratos solúveis (CHO’s), baixa porcentagem de nitrogênio amoniacal em relação ao total (N-NH3/NT), elevado teor de proteína (PB) e reduzido teor de nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA), como os encontrados por Souza et al. (2004) estudando silagens de maniçoba emurchecida e fresca (4,35 e 4,02; 9,52 e 14,0; 2,79 e 2,23; 16,79 e 16,40 e 0,3972 e 0,3298 para pH, CHO’s, N-NH3/NT, PB e NIDA) respectivamente.

Outras pesquisas avaliando a maniçoba na forma de silagem, também mostram características adequadas ao uso desta forrageira sob esta forma de conservação, apresentando valores de pH 3,87 e 1,6 % de N-NH3/NT (Guim et al., 2004; Matos et al., 2005).

Um problema que tem sido destacado na utilização da maniçoba ao ensilar é o baixo conteúdo de matéria seca da mesma quando se encontra em pleno desenvolvimento vegetativo, fase ideal para corte e armazenamento.

Matos et al. (2005) estudando a conservação da maniçoba sob a forma de silagem, encontrou teores médios de 27,49 e 25,78% de matéria seca na maniçoba in natura e ensilada, respectivamente. Guim et al. (2004) estudando avaliação anaeróbia de silagens de maniçoba, encontraram teores médios de matéria seca próximos a 25,78 %, enquanto que, Souza et al. (2004), identificou o conteúdo de matéria seca de 28,54 e 20,35% em silagens de maniçoba emurchecida e fresca, respectivamente.

Dantas et al. (2006) estudando a ensilagem da maniçoba e de seu híbrido natural com a mandioca, a pornunça, encontraram teores de matéria seca de 28,9 e 27,56 para as referidas forrageiras in natura e teores variando de 26,27 à 29,31 e 25,12 à 31,61 para silagens de maniçoba e pornunça, respectivamente, sob diferentes períodos de fermentação (7, 14, 28 e 56 dias).

Os referidos trabalhos apresentam teores de matéria seca da maniçoba in natura, ensilada fresca e emurchecida, na faixa de 30-35%, que é preconizado para a obtenção de uma silagem de qualidade. O elevado conteúdo de umidade contido em silagens pode acarretar em perdas por produção excessiva de efluentes, provocando redução do valor nutritivo do material ensilado. Portanto, é necessária a utilização de técnicas que visem melhorar essa característica, permitindo um aproveitamento adequado da maniçoba no processo de ensilagem de modo a evitar perdas.
Silagens com Adição de Subprodutos na Alimentação Animal
Além de promover a redução ou inativação de fatores antinutricionais e substâncias tóxicas, o processo de ensilagem apresenta-se como método de armazenamento de subprodutos de diversas origens pelo processo de fermentação (Peixoto, 1988). Deste modo, a ensilagem também pode ser recomendada para bagaços e cascas, restos de plantas e de culturas agrícolas. Produtos refugados e resíduos de industrias de conservas e de sucos, como tomate, uva (Lima et al., 1998) e laranja (Sampaio et al., 1984) também têm sido explorados na forma de silagem.

O uso de aditivos tem o intuito de melhorar a qualidade e a conservação das silagens, modulando sua fermentação ou agregando maior valor nutritivo (Porto et al., 2006).

Os resíduos agroindustriais quando utilizados na forma de aditivos, podem influenciar sob diversos aspectos a composição das silagens, dentre os quais as suas características organolépticas e composição química e nutritiva, por desempenharem funções como: estimular a fermentação pelo fornecimento adicional de carboidratos; prevenir ou inibir a fermentação secundária; controlar a fermentação para propiciar condições que favoreçam a atividade de microorganismos desejáveis (Lactobacillus) e inibir a atividade dos não desejáveis (Clostridium); elevar o teor de nutrientes da silagem; e ainda, promover o efeito associativo destas funções (Vilela, 1989).

Ferreira et al. (2004) avaliaram silagens de capim elefante com diferentes níveis de bagaço de caju (0, 12, 24, 36 e 48%) e perceberam que a adição deste subproduto diminuiu os valores de pH e N-NH3 e elevou os teores de PB das silagens, enquanto que os teores de fibra detergente ácida e hemicelulose não sofreram influencia com a adição do bagaço. O bagaço de caju promoveu a melhoria no valor nutritivo da silagem e proporcionou melhor conservação da massa ensilada.

A adição de subproduto da Graviola (SG) em níveis de 0; 5; 10; 15 e 20% em silagem de capim elefante, promoveu elevação em 0,80 e 0,14 pontos percentuais nos teores de MS e PB a cada 1% de adição do SG. Os teores de fibra detergente neutro apresentaram o valor médio de 68,13% (P>0,05) enquanto que foram observadas elevações nos teores de fibra detergente ácido com a adição do SG; o teor de extrato etéreo variou de 4,46 a 16,60% entre as silagens com zero e 20% de SG, respectivamente; os teores médios de N-NH3 das silagens, foram de 9,50%, e os valores de pH ficaram entre 3,6 e 4,2, considerados adequados para silagens. A adição de SG melhorou o valor nutritivo das silagens mantendo suas características fermentativas, contudo os elevados teores de extrato etéreo que foram observados nas silagens produzidas, indicaram que a inclusão do SG na ensilagem do capim elefante deve ser de, no máximo, 2,63 % (Cysne, 2004).

As características organolépticas de cada resíduo são determinantes para a escolha do tratamento que deve ser aplicado a estes, bem como a forma adequada de oferecer aos animais. Esta combinação condiciona a eficiência no aproveitamento dos nutrientes dos mesmos, bem como, a inclusão de subprodutos em dietas animais está condicionada ao valor nutritivo e a existência de substâncias tóxicas e/ou antinutricionais em sua composição.

O número de agroindústrias instaladas na região nordeste tem aumentado significativamente, gerando incremento na produção de resíduos agroindustriais não-utilizáveis na alimentação humana, que podem ser aproveitados na dieta animal, tornando-se fatores importantes de redução nos custos de produção (Lousada Junior et al., 2005) e segundo Oliveira (2003), o valor nutricional dos resíduos agroindustriais destaca-se em relação à média dos alimentos disponíveis tradicionalmente para a utilização na alimentação de ruminantes.

Os subprodutos apresentam-se como fontes de proteína, energia e fibra para a indústria da produção animal (NRC, 1989). Tradicionalmente, subprodutos têm sido usados como suplementos energéticos e, ou protéicos, embora o valor destes alimentos como fonte de fibra também seja alvo de pesquisas (Firkins & Eastridge, 1992; Sarwar et al., 1992; Cunninghan et al., 1993). A utilização de subprodutos para atender exigências de fibra representa uma opção importante para rações cujo balanceamento pode ser limitado pela quantidade ou qualidade das forragens disponíveis.

Devido a algumas características específicas, os resíduos agroindustriais, tanto podem desempenhar um importante papel na produção de proteína animal, quanto podem se constituir uma séria ameaça de poluição ambiental quando mal aproveitados, armazenados de forma errônea ou eliminados de maneira inadequada (Oliveira, 2003).

Segundo Lousada Junior et al. (2005), as agroindústrias investem constantemente no aumento de suas produções, gerando grandes volumes de subprodutos, que em muitos casos são considerados custo operacional para as empresas ou fonte de contaminação ambiental. A exemplo deste aumento nas produções agroindustriais, destaca-se a indústria vinícola, bastante desenvolvida na região do Vale do São Francisco.

A agricultura irrigada do Vale do São Francisco tem apresentado um crescimento vertiginoso, a exemplo da exploração de uva para produção de vinho, que possibilitou um aumento na produção de mosto e de suco simples de 648 mil em 1995 para 7 milhões de litros em 1999 (Embrapa Uva e Vinho, 2001). Isso em função do aumento da área plantada nos municípios de Casa Nova, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Petrolina, que originaram o Pólo Vitivinícola do Vale do São Francisco.

A vitivinicultura do Vale do São Francisco detém 15% do mercado nacional de vinho (Pólo..., 2001), sendo a única região do mundo que produz duas safras e meia por ano de vinhos. Este pólo vitivinícola é responsável atualmente, pela fabricação de cinco milhões de litros de vinho por ano, com estimativa de que, nos próximos dez anos, a produção total da região deverá atingir 50 milhões de quilos de uvas viníferas por ano, cultivadas em uma área de 1,5 mil hectares, produção que será direcionada à fabricação anual de 30 milhões de litros de vinhos finos (Governo de Pernambuco, 2007).

Os resíduos das agroindústrias processadoras de uvas para a produção de vinho, vitivinícolas, pode ser uma opção para suplementação de ruminantes em períodos de escassez de forragem, mediante a grande disponibilidade no Vale do São Francisco. Há de se levar também em consideração, a possibilidade de complementaridade entre os setores, onde os lucros poderão ser recíprocos, em função de uma possível melhora na utilização do resíduo desta agroindústria como fonte volumosa para ruminantes, e pela doação ou mesmo venda do material evitando que este se torne poluente, garantindo um ambiente limpo e ecologicamente saudável dos parques industriais, além de uma fonte de renda adicional.

Segundo Nornberg (2002) cerca de 30% da matéria-prima destinada a produção de vinho é descartada na forma de resíduo. De acordo com Dantas et al. (2004) e Barroso et al. (2006) o resíduo gerado por essas agroindústrias pode ser usado na alimentação de animais, em função de seu valor nutritivo e da disponibilidade e quantidade de resíduo produzida anualmente.

Em revisão feita por Barros et al. (1997), os autores fazem referencia a Lima & Leboute (1986), que avaliando resíduo do processamento de uva para a produção de suco, desidratado, observaram teores de 15,01% de proteína bruta, 26,93% de fibra bruta e 91,69% de matéria orgânica.

Lima (1984) recomenda que o resíduo de uva seja utilizado juntamente com outros alimentos na alimentação de ruminantes, por se tratar de um alimento volumoso e, portanto, de baixo valor energético, e com baixa disponibilidade de nitrogênio. Já Patenotre (1980), relata que o bagaço não deve representar mais de 40 a 50% da ração em base seca, e ter complementação mineral e vitamínica.

Barroso et al. (2006) utilizaram resíduo de vitivinícola desidratado em dietas para terminação de ovinos, no Semi-Árido nordestino, em consórcio com raspa de mandioca, grãos de milho moídos e farelo de palma forrageira em proporção de 50%, e obtiveram bons resultados de ganho de peso (71, 117 e 132 g/dia, respectivamente).

Diante deste contexto, no tocante à produção de silagens, o resíduo de vitivinícola desidratado seria, então, uma alternativa na forma de aditivo, pois apresenta dentre suas características um elevado teor de MS e bons níveis de PB, visando a redução dos conteúdos de umidade de forragens a ser ensiladas e melhorando seu valor nutritivo.

Os dados referentes ao o uso de resíduo vitivinícola em substituição parcial ou total aos alimentos tradicionalmente utilizados na alimentação de ruminantes ainda são escassos ou pouco conclusivos, sendo necessários mais estudos a esse respeito.
Caprinos e ovinos alimentados com Resíduos agroindustriais e Silagens com adição de resíduos.
Carvalho et al. (2005) utilizaram resíduo da cervejaria em substituição a concentrado a base de milho e soja na alimentação de ovinos, com níveis de 0, 33, 66 e 100 % de substituição, associados a silagem de milho. Os autores perceberam que o uso de resíduo de cervejaria foi benéfico no aspecto econômico, reduzindo os custos com alimentação, embora a substituição não tenha influenciado o ganho de peso dos animais alimentados.

Souza et al. (2004a) avaliaram o consumo e a digestibilidade aparente de dietas contendo diferentes níveis de casca de café em substituição ao milho na ração concentrada, equivalente a 0,0, 2,5, 5,0, 7,5 e 10,0% na MS da dieta total em carneiros, e obtiveram bons resultados para digestibilidade dos nutrientes, com médias de 60,01, 62,01, 66,3, 61,5 e 84,1 % de digestibilidade para MS, MO, PB, CT e CNF respectivamente. A casca de café pode ser recomendada ao nível de 10% de inclusão, sem influenciar o consumo e a digestibilidade dos nutrientes da dieta.

Lousada Júnior et al. (2005) avaliaram dietas para ovinos a base de subprodutos da produção de sucos e polpas de abacaxi, acerola, goiaba, maracujá e melão desidratados, e perceberam que o consumo dos subprodutos supriu a exigência nutricional dos animais estimada pelo NRC (1989), pois proporcionou consumos acima da média esperada.

Denek & Can (2005) utilizaram palha e grão de trigo, como aditivo no processo de ensilagem do resíduo de tomate resultante da produção da polpa de tomate, visando reduzir seu teor de umidade, e melhorar o valor nutritivo e a palatabilidade deste material em dietas para ovinos. Estes autores afirmaram que o resíduo do tomate é uma fonte alimentar alternativa que pode ser utilizada no período de escassez de forragens na Turquia, onde há uma grande disponibilidade de resíduos gerados em função da grande produção de tomates e polpa de tomate da região.

A utilização dos resíduos in natura ou em silagens, combinados ou não com outros alimentos para a alimentação animal, depende não somente do valor nutritivo destes, mas também da sua disponibilidade e custos envolvidos na aquisição e no processo de produção. Ítavo et al. (2000b) ao avaliarem a utilização de silagem de bagaço de laranja em substituição da silagem de milho em dietas para animais em lactação, perceberam que é necessário adequar as dietas a níveis de substituição que não prejudiquem a produção animal, sendo que para este caso, o nível de inclusão adequado foi de 25% de substituição na dieta total.

Segundo Van Soest (1994), o consumo determina o nível de nutrientes ingeridos pelos animais, refletindo a resposta e função animal, sendo fundamental em estudos de nutrição de ruminantes.

Um dos fatores de maior influencia sobre a resposta animal em produção é a quantidade total de nutrientes obsorvido da dieta, sendo a ingestão e a digestibilidade parâmetros chaves em qualquer sistema de avaliação de alimentos (Berchielli et al., 2005). Esses fatores têm controle facilitado quando se utiliza animais em sistema de confinamento.

O valor energético de um alimento, por exemplo, não depende apenas das quantidades dos diversos nutrientes de sua composição, mas, sobretudo das frações desses nutrientes que o animal pode digerir e utilizar (Modesto et al., 2004). De modo que a análise química ou bromatológica dos alimentos é o primeiro passo para sua avaliação, todavia torna-se necessário o conhecimento da quantidade de cada nutriente que o animal tem condição de utilizar, que é expressa medindo-se a digestibilidade dos nutrientes.

Independente da forma de utilização das plantas forrageiras (in natura, fenada ou ensilada), estas representam o principal componente da dieta dos ruminantes, e sua utilização é feita através da fermentação ruminal e da digestão intestinal, daí a importância de estimar a digestibilidade dos compostos nitrogenados e não nitrogenados presentes na composição destes alimentos.

O presente trabalho teve como objetivo principal estudar o efeito da adição do co-produto de vitivinícolas do Vale do São Francisco em silagens de maniçoba. O mesmo encontra-se dividido em duas partes, a primeira, descreve a avaliação das características fermentativas e nutricionais de silagens de maniçoba com adição de co-produto de vitivinícolas, e a segunda, relata a determinação do consumo e digestibilidade aparente das silagens de maniçoba com adição de co-produto de vitivinícolas em ovinos.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANUALPEC. São Paulo: FNP Consultoria & Comércio, 2005.

ARAÚJO, J.P.P., PIMENTEL, J.C.M., LEITE, L.A.S. Produção animal no Nordeste: perspectiva do agronegócio. In: CONGRESSO NORDESTINO DE PRODUÇÃO ANIMAL, 1, 1998, Fortaleza. Anais... SNPA, Fortaleza, SNPA, 1998, p.433-446.

ARAÚJO FILHO, J.A., SILVA, N.L. Alternativas para o aumento da produção de forragem na caatinga. In: SIMPOSIO NORDESTINO DE ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES, 5., 1994, Salvador-BA, Anais..., SNPA, Salvador, p.121-133, 1994.

ÁVILA, C.L.S., PINTO, J.C., EVANGELISTA, A.R. et al. Perfil de fermentação das silagens de capim-tanzânia com aditivos – Teores de nitrogênio amoniacal e pH. Ciência Agrotécnica, Lavras, v.27, n.5, p.1144-1151, 2003.

BENACCHIO, S. Niveles de melaza em silo experimetal de milho criollo (Sorghum vulgare). Agronomia Tropical, v. 14, 4, p. 651-658, 1965.

BARROS, N.N., SOUSA, F.B., ARRUDA, F.A.V. Utilização de Forrageiras e Resíduos Agroindustriais por Caprinos e Ovinos. Sobral: EMBRAPA – CNPC, 1997. 28p. (EMBRAPA – CNPC. Documentos, 26)

BARROSO, D.D., ARAÚJO, G.G.L., SILVA, D.S. et al. Resíduo desidratado de vitivinícolas associado a diferentes fontes energéticas na alimentação de ovinos: consumo e digestibilidade aparente. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 30, n. 4, p. 767-773, jul./ago., 2006.

BERCHIELLI, T.T., OLIVEIRA, S.G., GARCIA, A.V. Aplicação de técnicas para estudos de ingestão, composição de dieta e digestibilidade. Archives of Veterinary Science, v.10, n.2, p. 29-40, 2005.

CARVALHO, F.C. Estado da arte, do conhecimento e da prática dos sistemas agroflorestais pecuários na região semiárida do nordeste brasileiro. REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43, João Pessoa-PB, 2006.p. 424-441. Anais... Simpósios da 43ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia.

CARVALHO, S., PIVATO, J., KIELING, R. et al. Níveis de inclusão de resíduo de cervejaria na alimentação de cordeiros. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 42, 2005. Goiás-GO. Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2005. Anais...CD-ROM.

CUNNINGHAN, K.D., CECAVA, M. J., JONHSON, T. R. Nutrient digestion, nitrogen and amino acid flows in lactating cows fed soybean hulls in place of forage or concentrate. Journal of Dairy Science, v.76, p.3523-3535, 1993.

CYSNE, J.R.B., NEIVA, J.N.M., GONÇALVES, J.S. et al. Valor Nutritivo de Silagens de Capim Elefante (”Pennisetum purpureum” Schum.) Cv. Roxo com níveis crescentes de adição do Subproduto da Graviola (“Anona muricata” L.). In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 41, Campo Grande –MS, 2004. Anais... CD-ROM.

DANTAS, F.R., ARAÚJO, G.G.L., BARROSO, D.D. et al. Qualidade das silagens de maniçoba (Manihot pseuglaziovii) e pornunça (manihot spp) sob diferentes épocas de abertura de silos. REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 43,2006. João Pessoa – PB, Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2006. Anais... 1 CD.

DANTAS, F.R., ARAÚJO, G.G.L., SOUZA, C.M.S.. Composição química e consumo de nutrientes do resíduo de uva em caprinos e ovinos no vale do São Francisco. In: III CONGRESSO NORDESTINO DE PRODUÇÃO ANIMAL, 2004, Campina Grande – PB. Anais... CD-ROM.

DENEK, N., CAN, A. Feeding value of wet tomato pomace ensiled whit wheat straw and wheat grain for Awassi sheep. Small Ruminant Research, pages 6, 2005. Disponível in: www.elsevier.com. Acesso em 25/09/2006, às 11:04h.

DIMPÉRIO, A.S. Adição de diferentes níveis de farelo de palma (Opuntia ficus – Indica (L.) Mill) sobre a composição químico-bromatológica e estabilidade aeróbica de silagens de maniçoba (Manihot glaziovii Pax & Hoffman). Alfonso Siqueira Dimpério – Areia, PB: CCA/UFPB, 2005. 39p.: il. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Paraíba.

FERNANDES, F.E.P., OLIVINDO, C.S., BATISTA, A.M. et al. Caracterização dos criadores de caprinos e ovinos da zona urbana de Sobral-CE. In: 43ª REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 2006, João Pessoa – PB. Anais... CD-ROM.

FERREIRA, A.C.H., NEIVA, J.N.M., RODRIGUEZ, N.M. et al. Valor Nutritivo das Silagens de Capim Elefante com diferentes níveis de Subprodutos da Indústria do Suco de Caju. Revista Brasileira de Zootecnia, Vol.33, n.6, p.1380-1385, 2004.

FERREIRA, J.J. Efeito do processamento da planta de milho na qualidade da silagem. In: CRUZ, J.C., PEREIRA FILHO, I.A., RODRIGUES, J.A.S. (Ed). Produção e utilização de silagem de milho e sorgo. Sete Lagoas : Embrapa Milho e Sorgo, 2001. p.445-472.

FIRKINS, J.L., EASTRIDGE, M.L. Replacement of forage or concentrate with combinations of soy hulls, sodium bicarbonate, or fat for lactating dairy cows. Journal of Dairy Science, v.75, p.2752-2761, 1992.

GUIM, A., MATOS, D.S., BATISTA, A.M.V. et al. Avaliação da estabilidade aeróbica da silagem de maniçoba (Manihot epruinosa). In: III CONGRESSO NORDETINO DE PRODUÇÃO ANIMAL, 2004, Campina Grande - PB. Sociedade Nordestina de Produção Animal, Campina Grande, Anais...2004. 1 CD.

IBGE - FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICAS - Sistema IBGE de Recuperação Automática. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br , acesso em: 15.08.06.

IGARASI, M.S. Controle de perdas na ensilagem de capim Tanzânia (Panicum maximum Jacq. Cv. Tanzânia) sob efeitos do teor de matéria seca, do tamanho de partícula, da estação do ano e da presença do inoculante bacteriano. Maurício Scoton Igarasi. Piracicaba, 2002. Dissertação (Mestrado) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, 2002.

INSTITUTO DE PESQUISA AGROPECUÁRIA – IPA, Feno de maniçoba na alimentação animal. Recife: IPA, 1996. 1p. (IPA Divulga, 66).

ÍTAVO, L.C.V., SANTOS, G.T., JOBIM, C.C. et al. Composição e digestibilidade aparente de silagem de bagaço de laranja. Revista Brasileira de Zootecnia, Vol. 29, n. 5, p. 1485-1490, 2000a.

ÍTAVO, L.C.V., SANTOS, G.T., JOBIM, C.C. et al. Substituição da Silagem de milho pela silagem do bagaço de laranja na alimentação de vacas leiteiras. Consumo, Produção e Qualidade do Leite. Revista Brasileira de Zootecnia, 29 (5): 1498-1503, 2000b.

LIMA, G.F.C., MACIEL, F.C. A ensilagem como uma ferramenta de inserção da pecuária nordestina nos mercados globalizados. IN: I CONGRESSO NORDESTINO DE PRODUÇÃO ANIMAL, Fortaleza, 1998. Anais... Fortaleza: SNPA, 1998, P.59-78.

LIMA, S. Avaliação do Resíduo Seco da Industrialização da Uva como Alimento para caprinos e ovinos. Porto Alegre: Departamento de Zootecnia da Faculdade de Agronomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 122, 1984. Dissertação (Mestrado em Agronomia).

LOUSADA JUNIOR, J.E., NEIVA, J.N.M., RODRIGUEZ, N.M. et al. Consumo e Digestibilidade de Subprodutos do Processamento de Frutas em Ovinos. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 34, n. 2, p. 659-669, 2005.

MATOS, D.S., GUIM, A., BATISTA, A.M.V. et al. Composição química e valor nutritivo da silagem de maniçoba (Manihot epruinosa). Archivos de Zootecnia, v.54, n.208, p. 619-629. 2005.

McDONALD, P. 1981. The biochemistry of silage. New York: Ed. John Wiley & Sons Ltda. 207p.

McDONALD, P., HENDERSON, N., HERON, S. The biochemistry of silage. 2.ed. Bucks: Chalcombe Publications, 1991. 340p.

MODESTO, E.C., SANTOS, G.T., VILELA, D. et al. Caracterização químico-bromatológica da silagem do terço superior da rama de mandioca. Acta Scientiarum. Animal Sciences, Maringá, v.26, n°.1, p. 137-146, 2004.

NATIONAL RESEARCH COUNCIL – NRC. 1989. Nutrient requirements of dairy cattle. 6.ed. Washington, D.C.: Analisys Sistem, 1989.

NORNBERG, J.A., MELLO, R.O., FOGAÇA, A. et al. Características Química-bromatológicas de Silagens de Bagaço de Uva. 39 REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, Recife-PE. 2002. Anais...CD-ROM.

NUSSIO, L.C. Avaliação de cultivares de milho (Zea mays L,) para ensilagem através da composição química e digestibilidade “in situ”. Piracicaba, 1997, 58p. Dissertação (Mestrado em Agronomia) – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba-SP, 1997.

OLIVEIRA, E.R. Aproveitamento de resíduos agroindustriais na alimentação de ovinos. Simpósio Internacional sobre caprinos e ovinos de corte, 2. João Pessoa-PB. Anais...2003. p. 611 - 622.

PATENÔTRE, B. Depuis plusieurs annêes, nous donnons è manger du marc de raisin a nos moutons. La France Agricole, Paris, v. 36, n.1808, p.81-83. 1980.

PEIXOTO, R.R. Nutrição e alimentação animal. Pelotas: Universidade Federal do de Pelotas, 1988. 147p.

PEREIRA, O.G., GOBBI, K.F., PEREIRA, D.H. et al. Conservação de forragens como opção para o manejo de pastagens. In: SIMPÓSIOS DA 43ª REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, João Pessoa-PB, 2006. Anais... CD-ROM.

PORTO, P.P., SALIBA, E.O.S., GONÇALVES, L.C. et al. Frações da parede celular e digestibilidade in vitro da matéria seca de três genótipos de girassol ensilados com aditivos. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.58, n.1, p.99-107, 2006.

ROSA, J.R.P., ALVES FILHO, D.C., RESTLE, F. et al. Avaliação do comportamento agronômico da planta e valor nutritivo da silagem de diferentes híbridos de milho (Zea mays, L.). Revista Brasileira de Zootecnia, Viçosa, v.33, n.2, p. 302-312, 2004.

SALVIANO, L.M.C., MASCIOLI, A.S., ARAÚJO, M.M. Sistema atual e perspectivas da ovinocultura no Submédio São Francisco. In I SIMPÓSIO DE PRODUÇÃO ANIMAL DO VALE DO SÃO FRANCISCO, p.257-275, 2006, Petrolina-PE. Sociedade Nordestina de Produção Animal, 2006. Anais... CD-ROM.

SALVIANO, L.M.C., NUNES, M.C.F.S. Feno de maniçoba. Petrolina-PE: EMBRAPA CPATSA, 1989. Comunicado técnico, 29.

SAMPAIO, A.A.M., ANDRADE, P., OLIVEIRA, M.D.S. et al. Uso de rações com diferentes níveis de proteína e fontes de energia na alimentação de bovinos confinados. Fase II. Revista Brasileira de Zootecnia, v.13, n.4, p. 528-534, 1984.

SARWAR, M., FIRKINS, J. L., EARSTRIDGE, M. L. Effects of varying forage and concentrate carbohydrates on nutrient digestibilities and milk production by dairy cows. Journal of Dairy Science, v.75, p.1533-1542, 1992.

SILVA, E.M.N., SOUZA, B.B., SILVA, G.A. et al. Avaliação hematológica de caprinos exóticos e nativos no Semi-árido paraibano. In: 43ª REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 2006, João Pessoa-PB. Anais... CD-ROM.

SILVA, J.M. Silagem de forrageiras tropicais. Campo Grande-MS, 2001: Embrapa Gado de Corte. Comunicado Técnico, 51.

SILVA, V.M., PEREIRA, V.L.A., LIMA, G.S. 2000. Produção, conservação e utilização de alimentos para caprinos e ovinos. PEQ 2000.

SILVEIRA, AA.C. Produção de utilização de silagem. IN: Semana de Zootecnia, 12, 1988 Pirassununga-SP.

SOARES, J.G.G. Cultivo de maniçoba para produção de forragem no semi-árido brasileiro. Petrolina, PE: EMBRAPA – CPATSA, 1995, 4p. Embrapa Semi-árido. Comunicado Técnico, 59.

SOARES, J.G.G. Silagem de maniçoba, uma excepcional forragem. EMBRAPA/Semi-árido. Disponível em http://www.cpatsa.embrapa.br/artigos/maniçoba.html. Acesso em 13 de maio de 2002.

SOARES, J.G.G. Utilização da maniçoba para ensilagem. Petrolina, PE. EMBRAPA – CPATSA, 2001, 4p. Embrapa Semi-árido. Comunicado Técnico, 100.

SOUZA, A.L., GARCIA, R., BERNARDINO, F.S. et al. Casca de café em dietas de carneiros: consumo e digestibilidade. Revista Brasileira de Zootecnia, v.33, n.6, p. 2170-2176, 2004a (Supl.2)

SOUZA, E.J.O., GUIM, A., BATISTA, A.M.V. et al. Composição e qualidade de maniçoba (Manihot epruinosa) emurchecida. In: III CONGRESSO NORDESTINO DE PRODUÇÃO ANIMAL, 2004a, Campina Grande-PB. Anais... Sociedade Nordestina de Produção Animal, Campina Grande-PB, 2004a. CD-ROM.

TOMICH, T.R., GONÇALVES, L.C., TOMICH, R.G.P. et al. Características químicas e digestibilidade in vitro de silagens de girassol. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 33, n. 6, p. 1672-1682, 2004 (Supl.1).

TOMICH, T.R., PEREIRA, L.G.R., GONÇALVES, L.C. et al. Características Químicas para Avaliação do Processo Fermentativo de Silagens: uma Proposta para Qualificação da Fermentação. Corumbá, Embrapa Pantanal, p.30. 2003. Documentos/Embrapa Pantanal, n. 57.

VAN SOEST, P.J. 1994. Nutritional ecology of the ruminant. Ithaca: Comstock Publ. Assoc. 476p.

VASCONCELOS, V. R., LEITE, E.R., ROGÉRIO, M.C.P. et al. Utilização de Subprodutos da Indústria Frutífera na Alimentação de Caprinos e Ovinos. EMBRAPA, Sobral/CE, 2002. 20p.

VILELA, D. Aditivo na ensilagem. Coronel Pacheco: EMBRAPA/CNPGL, 1989. 32p. (Circular técnica, 21).


CAPÍTULO 2

Composição Química E Características Fermentativas De Silagens De Maniçoba Com Diferentes Percentuais De Co-Produto De Vitivinícolas

COMPOSIÇÃO QUÍMICA E CARACTERÍSTICAS FERMENTATIVAS DE SILAGENS DE MANIÇOBA COM DIFERENTES PERCENTUAIS DE CO-PRODUTO DE VITIVINÍCOLAS

RESUMO
Foi estudado o efeito da inclusão de co-produto de vitivinícolas (CPV) em diferentes proporções (0, 8, 16 e 24%) sobre a composição química e características fermentativas de silagens de maniçoba. Foram utilizados silos de tubo de PVC, distribuídos em delineamento inteiramente casualizado, abertos após 60 dias de fermentação para analises laboratoriais. Foram avaliados os parâmetros: matéria seca (MS), matéria mineral (MM), matéria orgânica (MO), extrato etéreo (EE), proteína bruta (PB), fibra em detergente neutro (FDN), fibra em detergente ácido (FDA), lignina (LIG), carboidratos totais (CT), carboidratos não fibrosos (CNF), nitrogênio insolúvel em detergente neutro (NIDN) e nitrogênio insolúvel em detergente ácido (NIDA), digestibilidade in vitro da matéria seca (DIVMS), e as características fermentativas: perdas de matéria seca, densidade, pH, nitrogênio amoniacal em porcentagem do nitrogênio total (N-NH3/NT). Os dados foram submetidos a análise de variância e regressão. A inclusão de CPV nas silagens de maniçoba promoveu aumento no conteúdo de matéria seca, matéria mineral, extrato etéreo e lignina (P<0,01), não influenciou os teores de fibra em detergente neutro e fibra em detergente ácido (P>0,01), e reduziu os teores de nitrogênio insolúvel em detergente neutro e carboidratos totais (P<0,01). A DIVMS aumentou (P<0,05) com a inclusão de CPV nas silagens de maniçoba, variando de 44,89 à 46,05%. As silagens em estudo apresentaram características fermentativas adequadas, em função dos baixos níveis de nitrogênio amoniacal em porcentagem do nitrogênio total e valores de pH (0,81 e 3,66; 1,05 e 4,07; 0,63 e 4,03, e 0,67 e 3,84 para os níveis 0, 8, 16 e 24%, respectivamente).
PALAVRAS-CHAVE: conservação de forragem, eficiência de utilização, fermentação, forrageira nativa, subproduto

CHEMICAL COMPOSITION AND FERMENTATION CHARACTERISTIC IN CASSAVA SILAGES WITH DIFFERENT PROPORTION OF GRAPEWINE CO-PRODUCT


1   2   3   4   5


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal